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16 março 2013 14:10

por: febottini

Herbert Gronemeyer pode ser a maior estrela que você nunca ouviu falar. Ele é o artista alemão contemporâneo mais bem sucedido – seus álbuns 4630 Bochum e Mensch são os mais vendidos em língua alemã de todos os tempos.

Herbert se mudou para Londres em 1998 e foi chamado pela revista Time de ‘Herói Europeu’, em 2005, pelo seu trabalho humanitário. Agora ele lançou um álbum em inglês – ‘I Walk’ -, que inclui duetos com Anthony Heggarty, James Dean Bradfield e Bono.

Segue entrevista de Brian Draper exclusiva para assinantes:

Você disse que lançando um álbum em inglês era como ‘começar de novo’. O que você espera atingir quando já é uma grande estrela na Alemanha?
Para ir pra frente às vezes você precisa ir pra trás. Pra começar do zero novamente. E você precisa estar pronto para o fracassoporque a falha refresca o cérebro. Então, essa é uma oportunidade. Eu não queria me tornar – como posso dizer? – fraco.

Você é um letrista aclamado em alemão. O que se perde na tradução – e o que se acha?
Este não é meu primeiro álbum em inglês. Eu gravei um no final dos anos 80 e, naquela época, tentei traduzir literalmente. Mas você não pode simplesmente transportar uma cultura para outra. Outra cultura tem outro jeito de ouvir a música, a letra.

Então, como as pessoas escutam música na Alemanha?
Na Alemanha, o cérebro precisa ser tocado primeiro e quando o cérebro falar OK, você está liberado para ouvir a música também. Na Inglaterra, eles são um pouco mais vagos quando se trata da letra, mas eles querem ser tocados emocionalmente, no coração. Eu tenho morado na Inglaterra há 13 anos – um quarto da minha vida. Eu aprendi muito sobre a cultura e eu falo melhor a língua. Então, desta vez, enquanto nós tentávamos manter o espírito da música, nós não tínhamos medo de encontrar outras formas de falar a mesma coisa.
Pegue a música que eu fiz com o Bono, que se chama ‘Mensch’. Essa palavra ‘Mensch’ não existe em inglês. Se traduz como ‘homem’ ou ‘humanidade’, mas na Alemanha tem uma profundidade mais romântica. Um ‘mensch’ é uma pessoa muito decente, humilde.
Então tivemos que achar uma forma de contornar isso. A música ainda fala sobre a beleza do ser humano e como somos limitados – mas sem usar essa palavra.

Como você escolheu as músicas do seu longo catálogo para fazer esse álbum?
Bem, o objetivo é atrair alguém que não sabe nada sobre mim; mas também para criar um álbum em seu próprio jeito. Não é pra ser um álbum de ‘greatest hits’. Eu queria que tivesse um caráter próprio, para as músicas ficarem juntas. Na verdade, três nunca tinham sido lançadas antes.

Sua esposa morreu de câncer em 1998, logo depois que você se mudou para Londres. Mas você decidiu ficar?
Sim, essa foi a beleza dentro da catástrofe. Ela sempre quis ir pra lá, e nós nos mudamos para Londres bem três meses antes dela morrer. Nós tínhamos dois filhos pequenos, e primeiro eu pensei que deveria voltar para a Alemanha. Mas nós ficamos, eu pensei que havia um motivo para estarmos aqui. E nós tivemos muito apoio da vizinhança, de pessoas que tinham acabado de me conhecer. Eles não sabiam quem eu era, e isso foi muito bom, muito bom para as crianças. Meus filhos chamam Londres de sua casa. Essa cidade nos ajudou a passar por isso.
Você nem sempre sabe o que fazer se alguém precisa de ajuda – eu sempre digo, você não pode fazer muito mas esteja lá. Não se distancie: tome uma xícara de chá com ele. Foi isso que me ajudou a passar por esse momento. É certo acreditar nas pessoas. Eu sempre acredito.

Sua música parece muito humana, muito afetuosa. Você diria que há uma profundidade espiritual?
Sim, definitivamente. Qualquer arte – incluindo música – traz algo muito profundo das pessoas que criam, como também das pessoas que escutam. Algo que era desconhecido anteriormente.

Seu dueto com Anton Hegarty é certamente de arrepiar…
Valeu a pena por aquele momento musical sozinho com Antony! Quando ele começou a cantar, eu pensei ‘Ah meu Deus, o que é isso?’ Eu tive arrepios. Se você consegue captar a mágica daquele momento, é um tesouro eterno.

E você cantou com o Bono também. Como isso aconteceu?
Eu encontrei com o Bono, uma vez, através do Anton Corbjn em uma festa. Mas eu encontrei com ele e Bob Geldolf na época do Make Poverty History e nós fomos juntos para a cúpula do G8 em Edimburgo. Tínhamos que convencer os alemães – eles foram os últimos a assinar!

Você é o Bono alemão, então?
(risos) Não. No momento em que a África estava bem longe das mentes das pessoas aqui na Alemanha, uma revista me convidou para ir lá para aumentar a conscientização sobre a pobreza. Aquilo me comoveu… E então, Richard Curtis me perguntou se eu poderia ajudar com o lado alemão na campanha do Make Poverty History. Aí eu disse que com certeza. Eu fiquei muito emocionado por ele ter me pedido isso.
Mas não: Eu não me vejo como o Bono alemão. Mas nós cooperados juntos bem. Eu organizei um show do G8 em Rostock e convidamos bandas das nações mais pobres do mundo – nós os chamamos de P8. E então o Bono me disse que ele subiria no palco comigo e cantaria a letra em alemão de ‘Mensch’. E ele fez, nós cantamos ‘Mensch’ juntos e ele estava tentando cantar em alemão. Foi um momento muito engraçado!

Será que fez algum sentido…?
(mais risos) Eu acho que o público estava completamente surpreso e animado. Para eles, e para mim, foi uma surpresa e tanto. Foi um belo presente às pessoas, Bono cantando em alemão. Foi muito corajoso da parte dele.

E isso levou a gravar o dueto em inglês?
Bem, um dia ele estava em Berlim e ele ligou pra dizer: ‘Você quer ficar junto?’ Nós estávamos gravando ‘I Walk’. Então, nós tocamos para ele algumas músicas e imediatamente ele se envolveu. Ele estava bem focado e nós mudamos a música ‘Hurting Me’ por causa das ideias dele. Ele nos empurrou. Foi um momento muito bom.
Mais tarde ele me disse para enviá-lo algumas músicas, pra ver se ele poderia fazer algo. Foi ideia dele. Eu não me atreveria a pedir. Mas nossa! De repente nós tínhamos algo de volta e ele cantou ‘Mensch’. Nós não esperávamos isso de jeito nenhum. Foi lindamente cantada.
Então, eu pedi a ele se podíamos fazer como um dueto e ele disse que sim. Foi um presente. E uma vez que ele faz algo, ele se envolve. Foi adorável tê-lo no álbum, o mais importante é que é uma bela contribuição. Mas é também uma grande ajuda. Ele tem dado muito apoio. E o engraçado é que ‘Mensch’ é exatamente sobre isso – sobre alguém que pula pro seu lado para ajudá-lo. É sobre a crença nessas coisas. É sobre amizade, apoio, ajuda…

E ele cantou com você no palco recentemente?
Eu gravei um show em Potsdam, que foi ao ar recentemente nos Estados Unidos e Bono se juntou a mim e cantou comigo sim. Ele não queria que eu anunciasse que ele estava vindo. Mas ele veio e cantou ‘Mensch’ e ‘Stuck In A Moment’. São coisas lindas. Para ele fazer isso pra mim, cantar com alguém completamente desconhecido no mundo anglo-saxão, para voar e cantar. Ele tem muitas outras coisas pra fazer com seu tempo. Eu comecei cantando ‘Mensch’ e ele veio. A última coisa que a plateia estava esperando era o Bono.

Você era um fã do U2?
Sim, desde os anos 80. Eu vi meu primeiro show em Colônia, quando Bono ainda tinha cabelo comprido, em 1986 eu acho. Minha esposa gostava dos primeiros álbuns pelas capas do menino. Eu sempre gostei das linhas de guitarra do Edge e sua música hipnotizante. Eu tenho um pequeno selo e trabalhei com um banda chamada Neu! da Alemanha; The Edge diz que foi influenciado pelo guitarrista deles. Então, há algumas conexões. Eu gosto particularmente do ‘Achtung Baby’…

… que tinha suas raízes em Berlim, claro.
E o engraçado é que eu estou no Hansa estúdio agora, enquanto falamos, dois andares abaixo de onde o U2 gravou. Outra conexão é que o Anton Corbjin é o padrinho do meu filho e nós trabalhamos juntos desde o final dos anos 80. Eu escrevi a música para o filme de Anton, ‘The American’, e eu estou justamente escrevendo a música para o seu novo filme, ‘Most Wanted Man’. O engraçado é que Anton costumava fazer vídeos para as minhas canções e agora eu faço a música para seus filmes.

‘I Walk’ acabou de ser lançado nos Estados Unidos. Quais são suas expectativas?
Nós somos completamente recém-chegados. Nós começamos do zero. Se nós pudermos colocar uma pequena semente lá, e as pessoas que comprarem o álbum pensarem que as composições são boas, então é uma boa notícia. É a primeira abordagem, o primeiro encontro, em um país desconhecido. Eu espero que as pessoas achem que seja algo legal pra se ouvir. Então, nós trabalhamos daí. Nós deixamos crescer.

Tradução: Fernanda Bottini

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É permitida a reprodução total ou parcial deste texto desde que obrigatoriamente citada a fonte.”

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