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29 abril 2011 15:11

por: Márcio Guariba

/// “In a spiral staircase to the higher ground” ///

Três discos. Quem, hoje em dia, tem o direito de lançar três discos para emplacar um hit? Nesses nossos tempos de internet. Você só tem um soco, uma chance de capturar a atenção do ouvinte. Muitos artistas morreram nesse processo, os famosos “One-Hit Wonders”.

E o U2 estava quase virando um. Na verdade, nem hit era de verdade; “New Year’s Day” era conhecida, mas conseguiu posições tímidas nas paradas para uma banda que almejava mais e que lotava os lugares onde tocava. Essa era a sina deles até então; Banda ao vivo, que cativava pela energia das apresentações e nem tanto pelo número de músicas conhecidas do grande público.

E eles precisavam mudar isso, e rápido.

Mas como?

Bom, a idéia era chamar Brian Eno, mentor da guinada musical de David Bowie nos anos setenta e músico colaborador do Roxy Music, Robert Fripp e David Byrne, para produzir um disco diferente, que usasse o estúdio de forma intuitiva para que dali saísse um novo som, mais sofisticado e detalhista, mas sem perder a grandiosidade que era a marca da banda. Parece difícil não? E foi. Muito.

Junto de Eno veio Daniel Lanois, músico canadense que havia sido engenheiro de som de alguns trabalhos anteriores dos dois e que estava engatinhando na produção. E a primeira idéia dos dois foi; Ambiência. Enfurnaram-se no antigo Castelo Slane, em Dublin e usaram as grandes salas de pé alto para tirar a grandiosidade que a banda queria. Tentar criar intimidade na multidão.

Esse experimento cravou o que a banda seria dalí pra frente; Desde “The Unforgettable Fire”, todos os discos foram feitos assim. Ele foi a primeira demo tape de uma idéia difícil e trabalhosa.

E ainda faltava ‘o’ hit… E ele veio.

O disco abre com “A Sort Of Homecoming”, Batida intricada, guitarra espacial e melodia desconstruida. Temas são desimportantes. O que importava era o clima. A letra desconexa lembra poesia. Uma música que te ganha com o tempo e hoje, é uma das minhas vinte favoritas.

Daí, o hit. “Pride (In The Name Of Love)”, talvez, a música mais conhecida da história da banda. E ela foi trabalhada para isso. Quem já assistiu ao documentário “The Unforgettable Fire Sessions” viu o tempo e o esforço que a banda e os produtores colocaram nessa canção. Talvez, ela seja a conexão perfeita da carreira anterior da banda ao que estaria por vir. Estádios, não mais arenas… É, até hoje, a faixa mais executada por eles ao vivo.

Wire” é a antítese de Pride. Rápida, estranha. O baixo agora tinha slaps (batidas com o dedão). Eles estavam tentando se tornar músicos de verdade.
E conseguiram na faixa-título.”The Unforgettable Fire” é a jóia do disco.Uma das minhas preferidas de todos os tempos. É cadenciada, climática. Européia até o osso. Incrivelmente conectada aos sons que viriam nos anos noventa. Letra poética que flutua nos pianos e nas guitarras de Edge. Um clássico esquecido que voltou com força na última turnê, só para provar que em 84 a cabeça deles já estava em 2010.

Promenade” é outra jóia escondida nesse disco. Nunca tocada ao vivo, nitidamente, é um improviso de estúdio que capturou a atenção da banda. Letra narrada. Linda. Talvez, sobre Ali. Uma canção de amor definitiva. Pós-sexo. Chegar á altura máxima que o amor pode te elevar.

4th of July” é um interlúdio desnecessário. The Edge começa a encontrar o seu lado experimental nesse disco. Logo após, em 86, ele lançaria a trilha do filme “Captive” que é praticamente uma continuação desse conceito, que foi novamente revisitado no projeto “Passengers” em 95.
A segunda parte do disco, teoricamente feito para ser mais experimental, começa com “Bad”. Definitivamente, o maior hino da banda. Música que cresceu muito ao vivo e que vendeu a nova imagem que eles queriam de sí mesmos. Ela, sozinha, foi a responsável pelo impulso que faltava para que atingissem a estratosfera. Especialmente, sua perfomance em Wembley, pelo Live Aid de 1985. Bono á acha mal escrita. Relamente, seu tema sobre heroína narrada na perspectiva de uma pessoa tentando ajudar alguém sobre uma base climática repetida a exaustão, só foi fazer sentido quando, no palco, a banda enxertou subidas e descidas na melodia…

Ai, praticamente, o disco acaba. “Indian Summer Sky” não vai a lugar algum. Poesia dispersa entre batida e baixo. “Elvis Presley and America”, a seguinte, nada mais é que a batida de “A Sort Of Homecoming” desacelerada e Bono improvisando letras e melodia sobre ela. Parece até piada! Uma canção de ninar para Elvis entupido de drogas. Uma demo. Bono até hoje dia que gostaria de ter refeito a música.

Pra fechar, “MLK”. Uma canção delicada, poética e definitiva sobre Martin Luther King. Muito mais que “Pride”. Como se a urgência da mudança proposta pelo álbum fosse embora, e no seu lugar, vemos Bono, sozinho, se despedindo da Terra.

Duas faixas que saíram como lado B do single de “The Unforgettable Fire” deveriam estar nesse álbum. “Love Comes Tumbling” e “The Three Sunrises”. A primeira é fácil, uma das melhores faixas escritas no primeiro período da banda. Melancólica e cadenciada, não lembra nada feito por eles antes. Já a segunda é um rock celta que gruda na cabeça. Ficaram de fora em privilégio á experimentação provavelmente.
A sorte da banda foi que “Pride” pegou. A Rolling Stone americana os colocou na capa sob o título de “Band Of The 80’s”. O Live Aid selou a imagem militante da banda e, ao vivo, nas duas turnês que se seguiram (a “Unforgettable Fire Tour” e a “Conspiracy Of Hope”) prepararam o terreno para o que viria a seguir, em 1987…

Mas nesse disquinho esquisito, de capa com cara de quadro, sem melodias fáceis, cheio de experimentos cabeça, morava a banda que conhecemos hoje. Um passo pra trás e duzentos para frente.

Mais uma vez. Eles estavam certos.

E ave Brian Eno!

Comentários

TUF é um dos meus preferidos!!! Se o zooropa é o ok computer, pra mim o TUF é o Kid A, de início você não entende a genialidade das músicas, mas qd entende não quer parar de ouvir!!! Eu não acho “Elvis” quase uma piada, acho genial!! E sua interpretação de Promenade é completamente diferente da minha, legal ver sua perspectiva pq eu nunca vi a música assim, como uma canção de amor, mt menos como pós-sexo… Excelente disco, mt especial mesmo, é o verdadeiro boy meets man que eles cantam no Boy…

Este álbum é quando, para mim, o U2 começou a ficar muito bom, de verdade. Não que os outros três álbuns anteriores não fossem bons (gosto particularmente do Boy), mas este aqui é especial e daí para frente veio uma joia atrás da outra.

Cara, eu tenho todos cds do u2 no iPod e coloquei musicas embaralhadas…qdo saiu THE UNFORGETABLE FIRE pela primeira vez…eu gostei, mas nem dei tanta bola. Hoje, acho uma das mais lindas muito pela letra, especificamente por uma parte “so sad to besige your love” , o Bono realmente tem uma sensibilidade que vem de Deus…

Eu tenho ainda que fazer outro comentário. Não poderia me furtar. é a respeito da música ” A SORT OF HOMECOMING” e o comentário feito sobre a letra: “Temas são desimportantes. A letra desconexa lembra poesia.” Bem, eu entendo que a letra seja muito profunda, mas não desconexa. Para entender o Bono vox e suas letras, deve ter estudo de filosofia, e principalmente sobre cristianismo, que é seu tema CONSTANTE, visto que tem raízes cristãs fortes e convictas. A sort of homecoming nada mais retrata do que uma cristão que anseia pela volta pra casa, mas ainda vive próximo a lugares conturbados pra sua alma. Na fronteira ele corre, e crê que ainda hoje a noite estaria do outro lado. Nada mais lindo, mais poético, mais verdadeiro. Bono trata de religião de forma NADA traumática, e se lêssemos a Bíblia entenderíamos muito mais as letras do Bono. Graças a Deus há uma banda que traz valores de verdade em meio a tanto lixo que se propala tão facilmente. Soli Deo Gloria

Boa observação! As músicas do U2 são sensacionais justamente por isso; A livre interpretação. Se olharmos uma canção por um certo prisma, vemos suas frases através dela. Assim como “One”, que pode ser interpretada de várias formas, ou mesmo “Promenade”, já citada aqui nos comentários.

“A Sort Of Homecoming” é creditada por Bono ao poeta ucrâniano Paul Celan, que em um dos seus trabalhos, escreveu que ; ‘a poesia é um tipo de volta para casa’. Celan tinha muitas dúvidas religiosas, questionava muito o conceito de Deus, apesar de ter se destacada na comunidade literária judáica no começo da década de quarenta.

Não sou do tipo que tenta explicar as letras da banda, apenas as interpreto pelo meu prisma, que é totalmente livre de conceitos religiosos, políticos e espirituais. Então, sempre observo as letras com o ar cético que sempre terei. Claro que entendo a raíz religiosa da banda e a respeito, mas nunca acho que as letras sempre tenham esta conotação. Como “Elevation”, por exemplo, que sempre é associada a elevação espiritual causada pela devoção á Deus, quando eu simplesmente vejo a elevação do orgasmo mesmo…rss.

Poesia é desconexa. Assim como a vida. Nós é que temos significado para elas…

BAcana ai, galera!  Sempre quis trocar ideia sobre as letras do U2 e num conhecia ninguém que gostava de U2 igua a mim.. Vou responder ai e contestar algumas coisas, mas com todo respeito a qq tipo de manifestação sobre religião ou falta de religião… assim como Bono vox é muito tolerante nessa área, devemos também ser. Sobre cada um interpretar como quiser, eu até concordo, mas ENTENDER é só sabendo como é o caráter e convicção do BONO… Ele é cristão e não esconde isso. E pra mim orgasmo é a maior elevação espiritual e num tem nada de anticristão nisso. Essa interpretação é ótima!! Eu sou cristão, e o fato de interpretar nessa ótica só enriquece as letras do U2.. pode ser que de outra banda não.. Semana que vem E´ NUI em sampa pro show do U2!!

daddy's gonna pay for your crashed car

Disco sensacional…Primeira ruptura, depois achtung baby faria o mesmo, com a diferença de ter emplacado hits e hits de cara!

Tenho especial carinho pelo TUF, pois foi o primeiro álbum deles que eu adquiri. O engraçado foi que comprei meio que a contra-gosto, pois o que eu queria mesmo era o álbum que tinha Sunday Bloody Sunday e New Year´s Day, que eram as únicas que tocavam na rádio por vota de 1985. Mas o vendedor nos disse que não tinham esse disco que nem ele e nem a gente sabia que se chamava War (não havia internet naquela época!).
Mas como eu estava muito apaixonado pelas duas músicas, pensei… esse disco não pode ser muito diferente… comprei!
Quando eu coloquei pra tocar A Sort Of Homecoming, achei que tinha sido enganado, pois não lembrava nem de longe o clima dos dois hits da época. Aquela tal de U2 não podia ser a mesma banda que toca Sunday Bloody Sunday, hahaha…
Resultado: se hoje sou fã do U2 a quase 30 anos, o culpado foi esse álbum!

Apesar de ouvir e gostar de U2 desde que nasci (influência de pais e tio), nunca parei para refletir sobre as letras. Sempre gostei muito de “A Sort Of Homecoming” e “TUF”, mas mais puxado pela melodia.

Estou gostando do clube Ultraviolet! Só pessoas que conhecem U2 de verdade. =)

TUF é
o meu favorito. Se tem um álbum em que tudo remete à Irlanda, é esse. A tal ambiência em Slane acho que foi atingida à perfeição. O álbum mais irlandês de todos.

Outra análise bem legal Márcio, keep them coming!
Sobre A Sort of Homecoming e The Unforgetable Fire eu vejo uma relação direta das letras dessas músicas com as impressões gravadas na mente do Bono ao ver a exposição de pinturas e gravuras feitas pelos sobreviventes das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, no Chicago Peace Museum, quando excursionavam pelos Estados Unidos com a turnê do War. Eles contam um pouco sobre isso no U2 By U2 e em outros livros. Assim como o Márcio, não vejo conotação religiosa.
MT

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