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Bono

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20 janeiro 2013 23:22

por: febottini

Depois da ótima repercussão da minha entrevista com o Peter Rowen (se você não leu, confira aqui), decidi investir em mais uma com alguém do ‘mundo U2’.

Aproveitando que em breve será lançado aqui no Brasil a versão em português do livro ‘Killing Bono’, tive a ideia de entrevistar o autor da obra, Neil McCormick.

De antemão, já o agradeço publicamente.  Apesar da vida corrida, trabalhando como crítico musical do Daily Telegraph, ele arrumou um tempinho pra responder algumas perguntas especialmente para a UV.

Seu livro será lançado em breve no Brasil, no começo do ano. Os fãs estão bem ansiosos por isso. Por que você decidiu publicar o livro e como foi o seu processo de criação?
Neil: Eu sempre quis escrever livros, mas eu ficava intimidado com a quantidade de livros que já existiam. “Há livros demais,” uma vez eu reclamei com Ian McCulloch do Echo & The Bunnymen. Ele respondeu: “Eu vou escrever um livro e todas as páginas estarão em branco”. É sobre achar a história que você tem que contar e um dia eu percebi que esta história que eu já tinha vivido valia a pena ser contada, sendo ao mesmo tempo universal e única. Todo mundo já teve a experiência de viver na sombra de um amigo. É que a maioria dos amigos das pessoas não se tornam os maiores rock stars do planeta.
Eu tentei fazê-lo como um rock star que acabou virando crítico de música, a trajetória da carreira que se tornou um triste clichê. Um dia eu estava sentado em meu pequeno escritório em Londres vendo o respingo de água feito por uma pomba numa poça formada pela chuva, através da minha janela, quando Bono me ligou de Miami pra dizer sobre fumar cigarros com presidentes e fazer um dueto com Frank Sinatra. Eu não estava a fim de escutar. “O problema em conhecer você é que já fez tudo o que eu sempre quis,” eu reclamei. “Eu sinto como se você tivesse vivido a minha vida”. “Eu sou o seu sócia,” Bono respondeu. “Se você quer a sua vida de volta, você terá que me matar”.
Foi uma piada, um comentário descartável mas eu anotei e nunca esqueci. Eu acho que eu tive que, provavelmente, esperar antes que eu tivesse sucesso e, o mais importante, centrado na minha própria vida antes que eu pudesse escrever sobre aqueles dias e sentimentos. Quando chegou o momento, eu escrevi o livro bem rápido. Sete semanas de escrita. Aquelas história estavam na minha cabeça por tanto tempo, foi fácil coloca-las no papel.

Sei que você continua amigo dos integrantes do U2 até hoje. Mas você não tem nenhum arrependimento de não ter feito parte da banda?
Neil: O que eu poderia ter feito? Eu sou cantor e letrista. Nós teríamos que chutar o Bono pra fora. E então não teria sido o U2, não é?

Quais álbuns ou músicas do U2 são seus favoritos?
Neil: Eu gosto deles em diversos momentos. Eu sempre estou mais disposto a ouvir as músicas novas e tocar o álbum novo. Eu gosto mais do U2 mais íntimo e calmo. Eu acho que “Moments Of Surrender”, do último álbum deles, é tão maravilhosa quanto qualquer outra coisa que eles já tenham gravado. ‘Achtung Baby’ é provavelmente a obra-prima deles e neste momento eu estou meio obcecado com “Love Is Blindness”, mas eu me lembro que foi “The Fly” que me atraiu. A marca de um grande álbum é ouvi-lo de maneira diferente toda vez que você escuta.
A última vez que eu vi o U2 tocar, no último show da turnê 360° em Moncton no Canadá, em 2011, no final de “Beautiful Day” Bono cantou um trecho de “Space Oddity” tell my wife I love her very much, she knows e aí gritou: ‘Neil McCormick disse a ela!” Aquele foi um momento estranho. Eu estava do lado da Ali, recebendo um grito do Bono na frente de 100 mil pessoas. Então, talvez, eu posso escolher esta como a minha canção.

Como você se tornou um crítico musical? Como jornalista sempre ouvi dizer que quem escreve sobre música é um músico frustrado. Você se considera um?
Neil: Eu me tornei crítico musical por acidente, como quase todas as coisas que aconteceram na minha vida. Na verdade, eu comecei escrevendo sobre jornalismo musical quando eu era muito jovem, trabalhando na ‘Hot Press’ na Irlanda e tocando nas minhas bandas. Pra mim, aquilo era parte da mesma coisa, o amor pela música e pela mídia. Mais tarde, quando minha carreira decaiu eu decidi voltar ao jornalismo… mas NÃO ao jornalismo musical. Eu não queria ser um rock star amargurado criticando outras pessoas que estavam vivendo o meu sonho. Então, eu fiz a área de aventura, crime e jornalismo de perfil, todos os tipos de coisas e eu era bom, me tornando o editor da GQ britânica. Então, um dia alguém do Daily Telegraph disse: “ele é um bom jornalista e já foi músico, por que não o pegamos para escrever uma coluna de música?” Eles me fizeram uma oferta e não pude recusar. E eu senti como se estivesse voltando pra casa, é a minha área, é onde eu tenho conhecimento, me sinto confortável. Eu ainda sou músico, a propósito. Eu toco guitarra em casa, eu escrevo músicas e as vezes eu vou pro palco solo ou com minha banda Groovy Dad (porque somos ‘groovy’ e ‘dads’). Música é parte da minha vida. Mas escrever sobre música é como eu ganho a vida. Frustração é para crianças. A vida é o que é.

Você esperava o sucesso do livro?
Neil: Depois de tudo o que eu passei, eu nunca espero o sucesso. Sempre planejo para o pior, desse jeito você nunca vai se decepcionar. Mas, na verdade lá no fundo, eu sou um otimista delirante então não me surpreendeu quando eu comecei a receber boas críticas.

O livro é realmente ótimo. Entretanto, você ficou surpreso quando virou filme? Como foi esse processo de transição do livro para o filme? Você se envolveu?
Neil: Foi uma longa jornada pra se tornar um filme, sete anos nos quais muito dinheiro veio e foi embora, atores vieram e foram embora. Eu me lembro uma vez que queriam que o Bono interpretasse ele mesmo. Eu ressaltei que ele era 30 anos mais velho pra fazer aquilo. Eu me lembro de discussões sobre chamar Sean Penn e Colin Ferrel para serem o Bono. Eu não estava no meio disso e na maioria das vezes eu estava sentado e me divertindo, ia a encontros e assistia outras pessoas fazendo o que elas eram boas. Foi só quando chegou bem perto de ser feito que eu me envolvi, ajudando com o roteiro e, especialmente, tendo certeza de que o personagem do Bono era preciso. Ninguém exceto minha família e meus amigos sabem como eu sou, então eles podiam fazer o que quisessem com o meu personagem (e eles fizeram!), mas todos conhecem o Bono, então era importante fazê-lo de forma certa. Quando o ator entrou no estúdio, eu liguei para o Bono e disse: “ele é mais parecido com você do que você mesmo”. Bono disse: “tão comprido quanto alto”.

Qual foi sua reação ao ver o filme? Você gostou? E a opinião dos integrantes do U2?
Neil: Eu queria sair rastejando da sala de exibição por vergonha. Eu o aprecio como uma comédia de rock and roll, mas eu achei difícil de assistir minhas lutas e estupidez representadas por um ator. Eu realmente gostei do U2. Eu acho que Bono sentiu a mesma coisa, apenas de maneira oposta. Ele achou desconfortável assistir um ator o interpretando, mas ele gostou da coisa da escola e do ator que me interpretou. No final, é um filme. Ele não substitui nossas vidas. Minha versão da verdade está no meu livro. Esta é a versão de uma outra pessoa sobre a minha vida. Mas é gratificante que exista. Não muitas pessoas têm filmes feitos sobre elas…geralmente, você precisa ser um líder mundial ou um herói da história… ou talvez um gangster ou assassino em série. Não é comum ser um ‘perdedor’, que virou filme.

Por Fernanda Bottini


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Comentários

Fer Bottini, nossa TARANTINO do jornalismo. MATA A PAU!!!!!!!!! PARABÉNS por mais essa excelente matéria e obrigada por MAIS UMA EXCLUSIVÍSSIMA pro Ultraviolet!!

Excelente entrevista! Parabéns!

Parabéns, Fê. Muito legal a entrevista! saúde!

O que eu gosto na Fernanda, além da dedicação dela à UV, é o toque de profissionalismo que ela imprimiu ao site, lista, face, etc, porém sem estrelismo, com humildade. Sem sombra de dúvida ela é uma grande aquisição pro nosso querido fã-clube. Parabéns mais uma vez Fernanda, adorei a entrevista. bjs, MT

A entrevista foi excelente. Tanto que o próprio Neil tuitou o link. Gostei muito disso: “Música é parte da minha vida. Mas escrever sobre música é como eu ganho a vida. Frustração é para crianças. A vida é o que é.”
Be Strong!
Alexander

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