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A Hot Press decifra as turnês do U2!

A Hot Press decifra as turnês do U2!

A revista Hot Press resolveu tentar entender cada uma das tours do U2, chamando amigos, fãs e até pessoas que trabalharam com a banda para realizar a tarefa. Não foi nada fácil resumir uma carreira de pouco mais de 40 anos em poucas linhas, mas, juntando tudo, o resultado ficou maravilhoso.

Dá uma olhadinha na tarefa incrível que teve Mariana Castro e André Joe – sempre ele – na tradução dos textos. Não deixe de ler tudo, tá separadinho tour por tour, inclusive esta que acabou de terminar , e+i.

 

A Mensagem: procurando por esperança em um mundo desolado

Por Niall Stokes – Hot Press

Estes são tempos difíceis de diversas formas, nas quais procuramos música que inspira e cura. Pode haver apenas um pouco disso no éter, enquanto o U2 faz o caminho de volta para a cidade onde nasceu…

A vida sempre foi tão ruim assim? É uma questão que os jovens podem estar se perguntando diariamente, e com alguma justificativa. Este é um momento febril. Há tantas coisas erradas no mundo. E tentar consertar – qualquer coisa – parece totalmente além da capacidade das pessoas comuns, em todo o mundo.
Nos EUA e na Europa, durante a década de 1970, houve um amplo conflito político em curso, decorrente das políticas econômicas brutalmente conservadoras de Ronald Reagan e Maggie Thatcher. Somente no Japão, partes da Europa e bolsões da África fizeram as coisas ficarem obviamente melhores. Esta foi a época em que o grande projeto europeu tomou forma, e políticas progressistas, concebidas para consagrar os direitos humanos e aumentar a participação, a cooperação e a responsabilidade democrática, avançaram à medida que a UE crescia desde suas raízes até o status de união de 28 (logo serão 27) países. Ao longo do caminho, as ditaduras foram finalmente encaminhadas na Espanha e em Portugal. O totalitarismo foi derrotado em toda a Europa Oriental. E, eventualmente, com a queda do Muro de Berlim e a retirada do exército russo e de seus agentes, a Alemanha foi re-unida.
Na Irlanda, os persistentes efeitos do sangrento domínio do império britânico ainda estavam sendo sentidos. Quando a Hot Press foi lançada em 1977 e o U2 estava prestes a começar a se apresentar, essa era uma ilha profundamente fraturada, na qual atrocidades horríveis eram uma questão de rotina, a violência paramilitar era um fato da vida cotidiana – especialmente ao norte da fronteira onde era muitas vezes igualada pela violência do Estado – e não havia como saber quando a próxima ofensa grotesca poderia ocorrer, nem quem seria sugado para ela.
O espírito do punk rock, que se instalou no Reino Unido primeiro, e depois aqui, em 1977, foi em parte um antídoto para tudo isso. Era barulhento, desafiador e divertido. Mas também era freqüentemente mesquinhamente agressivo, desagradável e uma plataforma para todo tipo de estupidez e vingança. Violência em shows de rock ‘n’ roll era muito mais comum do que nos últimos anos.
Um jovem foi esfaqueado e morreu em um show punk na UCD que contou com The Undertones e The Radiators From Space, entre outros. Gangues rivais percorriam as ruas de Cabra, participando de batalhas, quando o The Jam chegou à cidade. E o U2 era freqüentemente alvejado em seus shows por um grupo de bandidos que se denominavam The Black Catholics. Mesmo em um show no Faraway Ballina eles foram atacados. A Hot Press publicou um review sobre esse contratempo em particular, que agora é hilário, mas parecia distante disso na época. Uma cadeira foi destruída nas costas de Bono. Foi extremamente desagradável e perigoso, a única vantagem foi que ele não foi gravemente ferido.
Havia um aspecto totalmente nocivo e sectário na forma como a banda era difamada em sua própria terra natal na época, um processo inflado pelo fanzine Heat. Eles eram falados sorrateiramente em certos círculos como “meninos protestantes”, como se eles pudessem, de alguma forma, legitimamente desqualificá-los de participar dos rituais do rock ‘n’ roll. O ódio foi agitado contra a banda por nenhuma razão melhor do que eles serem vistos como “elegantes”. Se você tivesse um cérebro em funcionamento, veria que isso era risível, preconceituoso, besteira. Mas quem deveria ter sabido melhor em fomentar o que era uma campanha vergonhosa e maligna? Uma roupa menos resiliente poderia ter sido permanentemente marcada por ela, ou ter desistido completamente do fantasma.
O U2 não. Eles sempre foram mais do que apenas uma banda de rock. Eles eram movidos por uma crença de que eles tinham algo potencialmente poderoso para dizer. Que eles tinham força de caráter. Que eles também tinham um senso de destino. Que eles estavam em uma missão. E nenhum bando de brigões ou valentões ignorantes iria dissuadi-los.
Para onde exatamente tudo estava indo, obviamente, estava longe de estar claro na época. Mas a crença na importância de seus instintos e apenas fazer isso foi compartilhada desde o início pelos quatro membros do U2. Foi, pelo menos em parte, o que atraiu o escritor da Hot Press, o falecido Bill Graham, e todo o resto de nós também para a banda. Sua energia inquieta, foco singular e reservas de determinação os marcaram como excepcionais. Mas eles também começaram a criar um som diferenciado, o que tornou seus shows especiais.
Eu vi todas as encarnações do U2. Desde o início, uma de suas grandes qualidades como um ato ao vivo era que eles estavam dispostos a assumir riscos. Fracassar gloriosamente era preferível a se contentar com a mediocridade. Isso tornou suas apresentações ainda mais magnéticas. Nos primeiros dias, Bono usava maquiagem. Ele adotou uma postura teatral. O U2 foi influenciado pelo punk rock como Ramones e The Clash, mas também olharam para trás com inveja de Iggy Pop, David Bowie, Roxy Music e Marc Bolan.
Eles estudaram projeção de voz e movimento do corpo sob Mannix Flynn. Eles entenderam melhor do que a maioria que o rock ‘n’ roll é também uma forma teatral e aprenderam a importância de possuir o palco e o espaço em torno deles. Suas inclinações teatrais – que finalmente voltariam bem na era ‘Achtung Baby’ com maquiagem, personagens, fumaça e espelhos – estavam lá desde o início. Mas o punk foi calado, temporariamente, pelo menos. Eles se tornaram mais diretos. O que eles tinham a dizer tornou-se cada vez mais urgente.
A jornada de “I Will Follow” até “Sunday Bloody Sunday” foi difícil e dolorosa. Mas foi aquele em que todos os irlandeses, de diferentes maneiras, embarcaram. Houve extraordinários shows ao vivo e turnês do U2 em todas as fases de seu desenvolvimento, mas eles pareciam, quase inevitavelmente, se tornar a melhor versão de si mesmos quando tocavam em Dublin, ou na Irlanda.
O show deles no Phoenix Park, em Dublin, em 1983, que encerrou a War Tour, foi um dos shows mais extraordinários já vistos aqui. O U2 estava no auge de seus primeiros poderes. Eles mantiveram a confiança ativa e declamatória da juventude. Pelo menos na superfície, nada poderia abalar seu poderoso senso de convicção. Bono se desenvolveu como cantor. Mas ele também era um mestre de cerimônias, que sabia como levar as coisas para uma planície mais alta, para elevar os espíritos e conquistar corações. O U2 foi monumental naquele dia.
O mais assustador é que eles estavam apenas começando. Eles iriam melhorar. E eles fizeram.
O U2 encontrou outra engrenagem novamente para a turnê ‘The Unforgettable Fire’. Eles levantaram a bandeira para agitação com ‘A Conspiracy Of Hope’. Mas a ‘The Joshua Tree Tour’ certamente graduou tudo isso. Foi impulsionada por um disco grandioso, repleto de hits e grandes músicas que foram entregues ao vivo com maestria.
A cada passo do caminho desde aquela turnê marcante, a banda sentiu a pressão para sempre melhorar. É isso que torna seus shows ao vivo tão viscerais e emocionantes. Eles nunca estão satisfeitos. Nunca está feito. Eles investiram imensamente nas ideias e na tecnologia. E eles empurraram as coisas em termos de produção e apresentação. Uma busca duradoura pela magia ao vivo.
‘Achtung Baby’ e a ‘Zoo TV’ os levaram para o espaço exterior e a maioria das pessoas aplaudiu descontroladamente. Mas havia aqueles que achavam que haviam perdido o caminho no álbum ‘POP’ e na subsequente turnê PopMart. Eu não concordei, mas pude entender por que havia rumores de que eles haviam perdido as camisas também. Manter aquele grande limão por perto era caro! Mas com ‘All That You Can’t Leave Behind’ e a turnê ‘Elevation’, eles estavam de volta em um ritmo mais familiar, deixando para trás as desconstruções autoconscientes do U2 da era dance. Aquela turnê chegou ao ápice com seus shows carregados de emoção no Slane Castle, no final da parte europeia. Esses shows vão viver para sempre nas memórias de todos que compareceram.
A U2 360° estabeleceu novos padrões novamente em termos de palco. Eu amei o álbum ‘No Line On The Horizon’ e sua faixa de destaque, “Moment Of Surrender”. Essa visão não foi tão amplamente compartilhada quanto a banda poderia ter desejado, mas a turnê que a acompanhou – com a estrutura do palco que eles apelidaram de ‘The Claw’ – foi um grande sucesso. Longe de sinalizar sua morte, esse palco colocou a questão: para onde vamos daqui?
Shows indoors era a resposta, com a primeira parte da extravagância iNNOCENCE + eXPERIENCE. Que toda esta construção foi atrasada e parcialmente descarrilhada por acidentes, doenças e outras reviravoltas do destino está bem documentado. Mas o U2 sobreviveu às estilingues e flechas de uma fortuna escandalosa, e – na beira de um retorno à Irlanda para shows em Belfast e Dublim – eles estão em boa forma.
Que o que o U2 faz, diz e toca, ainda importa enormemente para um grande número de pessoas, tanto aqui na Irlanda como em todo o mundo, é um testemunho de seu extraordinário poder de permanência. Mas é mais do que isso também. Em um mundo onde realmente faz todo o sentido perguntar de novo: “A vida sempre foi tão ruim assim?”, precisamos de artistas que se recusem a evitar as grandes questões. Precisamos de arte que seja cavada mais profunda e melhor do que qualquer um já pensou que o rock ‘n’ roll poderia ou deveria quando os Beatles cantaram a linha imortal “Ontem à noite eu disse essas palavras para minha garota…”
Precisamos de arte que lide com problemas de vida e morte. Com política e poder. Com juventude e experiência. Com impulsos primordiais e a busca da sabedoria. Com as coisas que nos fazem humanos. E isso nos faz vivos, pelo menos, para a possibilidade de que possamos, individual e coletivamente, fazer melhor. Há muitos desafios à frente para criaturas de duas pernas. Esperamos que sejamos nós à fazer. Existe uma luz. Não deixe sair”.

Ian Wilson fala do histórico show do National Stadium no qual o U2 foi contratado pela Island Records

“Foi muito ultrajante para eles fazerem uma turnê nacional e tocarem no National Stadium”

Como produtor da 2fm, Ian Wilson gravou o histórico show do National Stadium no qual o U2 foi contratado pela Island Records! Ele conta para a Hot Press:

“Eu provavelmente tomei conhecimento do U2 por volta de 1978, quando, como uma banda muito jovem, eles estavam fazendo shows no Trinity College, onde eu era presidente do Sindicato dos Estudantes. Enquanto isso, eu estava trabalhando em um programa de TV, Our Times, escrevendo roteiros enquanto trabalhava para a revista In Dublin, e fazendo um pouco de rádio pirata ao lado – e foi aí que deparei com Dave Fanning. Nós dois estávamos na Big D Radio na época – e eu lembro de ter encontrado Bono nesse contexto e ele me perguntado: “Como é esse cara, Paul McGuinness?”
Eu também os recomendei a Bill Keating, o produtor do Our Times, como uma banda que deveríamos estar olhando.
O The Black Catholics costumavam aparecer para causar problemas nos famosos shows do Dandelion Market. Eles eram uma gangue de punks que achavam que o U2 era dessas crianças de classe média, e eles tinham isso para eles. McGuinness fisicamente expulsou esses caras de um show. Era assim em Dublin naquela época. O problema nunca esteve longe.
O Dandelion em si era um banheiro. Era uma área degradada que havia sido transformada nesse mercado de passagem. O U2 tocou em um canto abandonado com todos os tipos de merda lá: eles eram muito crus e pronto. Muitas pessoas dizem que estavam lá nesses shows – mas eles estavam em seus malditos buracos! Os shows foram no sábado à tarde. Não havia muita coisa acontecendo em Dublin, eles eram ótimos, mas não havia nada de glamouroso nisso.
Quando a 2fm começou em 1979, o Dave Fanning Show veio para produzir. Em setembro daquele ano, Paul McGuinness – que já estava gerenciando a banda – veio até nós com o primeiro single. Queríamos oferecer algum apoio, então concordamos em ter a banda em uma noite de segunda-feira. Eles tocaram as três músicas do ‘U2-3’ e pedimos às pessoas que enviassem cartões postais para escolher o lado ‘A’. Houve uma grande votação para ser honesto, mas a banda voltou na sexta-feira, e “Out Of Control” foi claramente a opção preferida – então eles lançaram o single de três faixas com o A Side ou faixa principal.
Na esteira do tiroteio contra a Miami Showband em 1975, e o efeito do The Troubles em geral, todo o mercado de música ao vivo havia desmoronado aqui. Muitas bandas britânicas decidiram dar à Irlanda o que ela perdeu, e havia poucas bandas de turnê fora das faculdades. Não havia um circuito como tal. A coisa punk fez a diferença, pois injetou um pouco de energia e um espírito DIY na cena, mas não havia locais e foi uma luta para deixar alguém de fora das grandes cidades interessado. O U2 foi uma das poucas bandas que saíram nacionalmente. Eles tocaram em lugares como Tullamore e Ballina, mas foi um trabalho árduo. Público era pequeno. Então, quando chegou a hora, foi muito escandaloso para eles – como uma banda sem um contrato de gravação – decidir ir à turnê nacional e tocar no National Stadium, que foi onde os grandes shows aconteceram em Dublin nos anos 70.
Horslips ou Planxty poderiam fazer isso, mas era algo inédito para uma banda de rock local como o U2. Foi uma aposta deliberada da parte deles, na esperança de impressionar as gravadoras britânicas, e funcionou. Eles não encheram o estádio, mas eles tinham um público muito respeitável. Fiquei muito impressionado e gravamos o show naquela noite para a 2fm, porque achei que era algo que deveríamos estar fazendo. Não me lembro quando levamos ao ar, mas transmitimos o show inteiro.
Uma música daquela gravação ao vivo, “Cartoon World”, foi posteriormente lançada na reedição de luxo de ‘Boy’.
O U2 não era super-polido naquela fase, mas eles tinham cerca de um álbum e meio de músicas e eles tinham uma equipe coerente e organizada ao seu redor desde muito cedo. Eles assinaram o contrato na parte de trás do show do National Stadium, e assim que o primeiro álbum saiu pela Island, era óbvio que eles estavam começando a fazer incursões sérias.
Fizemos outra sessão de rádio com eles em 1980: seis ou sete músicas, gravadas diretamente para o estéreo, que foi transmitida apenas uma vez na semana seguinte, para nunca mais ver a luz do dia. As fitas de um quarto de polegada são cuidadosamente guardadas, estritamente rotuladas “para não ser dada a ninguém sob nenhuma circunstância”. É muito valiosa. Você pode imaginar o que isso valeria?”

 

Paul Charles conta sobre o primeiro show do U2 em um festival

“Eles estavam construindo uma reputação como impressionantes artistas ao vivo….”

Paul Charles agendou o U2 para o que foi seu primeiro show em um festival, como banda de apoio do The Police em Leixlip, nos arredores de Dublin. Ele conta para a Hot Press:

“Eu fui o promotor do show do The Police no Leixlip Castle, em julho de 1980. Havia um burburinho sobre o U2 nessa fase, obviamente vindo principalmente de Dublin, e da Hot Press em particular. Isso foi antes de seu primeiro álbum, ‘Boy’, ser lançado. Mas com o lançamento de “11 O ‘Tick Tick Tock”, eles pareciam ter um bom plano para o Reino Unido e estavam construindo uma reputação como um espetáculo ao vivo imperdível – e eles seriam uma boa adição para o line-up do festival junto com o The Police. Eu decidi ir para isso.
No final, até mesmo no que diz respeito ao Police, o U2 foi claramente um dos melhores momentos do dia, o que é difícil quando você tem nomes como Squeeze, John Otway e Q-Tips. Todos eram atos ao vivo sérios, que estavam fazendo sua reputação de gigging.
Como o álbum de estréia do U2 ainda não havia sido lançado, o set deles era relativamente curto. Lembro-me da banda sendo jovem e com cara de novos – mas você poderia dizer imediatamente que eles não eram apenas um catado de músicos.
Isso é o que algumas bandas são: um catado de músicos que não se juntam, enquanto os quatro juntos – eles já pareciam uma banda de verdade. Ficou claro, mesmo assim, que musicalmente e pessoalmente falando, eles pertenciam um ao outro. Então ficou óbvio para mim que isso não era apenas mais uma “banda promissora”. Eu também me lembro deles sendo muito educados e graciosos nos bastidores. Havia sérias demandas sendo feitas nos bastidores naquele dia por outras pessoas, mas nenhuma das demandas vinha do U2. Eles se comportaram como se estivessem apenas emocionados por estar lá e ter a oportunidade de tocar sua música – e tentar fazer uma conexão com o público.
Pelo que me lembro, The Police e Squeeze, ao seu custo, estavam bastante preocupados com o tamanho do público e a escala do evento. Eles pareciam sentir que era necessário fazer um grande público – tanto que, na verdade, nenhuma das bandas tocou um set bem sucedido. O U2, no entanto, claramente não estava realmente sob tal pressão. Sua preocupação era com a música deles.
Ao contrário de The Police e Squeeze, eles se mantiveram em seu natural, no real, mantiveram a música como sua prioridade. Eles reservaram um tempo para criar um espaço para isso, manteve o especial e construíram uma conexão entre si. O resultado foi que eles fizeram o palco deles próprios. Havia uma pequena porcentagem da platéia que era fã deles, mas com sua performance – e a reação do público – eles ganhariam muito mais fãs até o final do set. Foi um grande show, na frente de uma multidão enorme – e eles se tornaram as estrelas indiscutíveis do show”.

 

Elvera Butler fala sobre os shows do U2 pela ‘Boy Tour’

“Eles pediram permissão para uma invasão de palco, pelos amigos de Dublin… “

Elvera Butler promoveu uma série de shows do U2 no Arcadia Ballroom em Cork. A ‘Boy Tour’ chegou ao sul da capital em dezembro de 1980. Ela falou para a Hot Press:

“Os shows abertos no Downtown Kampus no Arcadia em Cork em novembro de 1977 decolaram muito rapidamente, então, quando 1978 chegou, o U2 estava ansioso para tocar. Eu dei a eles seu primeiro slot como banda de abertura com o XTC em outubro de 1978. Fiquei impressionada com sua atitude como uma banda jovem, e em maio do ano seguinte eu lhes dei outro slot de prestígio como banda de abertura com o The Only Ones – eles tinham ido muito bem com a recepção do público, alguns meses antes, então eu sabia que seria mais um show de invasão.
Depois disso, tiveram um faturamento igual em um line-up de quatro bandas com DC Nien, The Virgin Prunes e banda de Steve Rapid, Z; depois, faturaram o dobro que o DC Nien ou The Prunes – e então eles estavam sendo a banda principal, tendo bandas locais abrindo o show deles. Eu também os agendei, nos primeiros dias, para uma pequena série de shows que fiz em Thurles, então eu promovi uma dúzia de shows com eles no total.
Desde o começo, independentemente de qualquer coisa relacionada à habilidade musical, eles me pareceram uma banda que tinha “visão”; eles pareciam organizados, pareciam se importar em se conectar e impressionar seu público. Eles pensaram sobre o que estavam fazendo. Eles tinham uma adequada e planejada performance, e eles pareciam que queriam construir sobre isso – por exemplo, me pediram permissão para uma invasão de palco, pelo amigos de Dublin, para “Out Of Control”, e esse tipo de coisa. E eles estavam sempre dispostos a conversar com os DJs de rádio locais de algumas das menores estações de rádio piratas – lembro-me de acompanhá-los a uma dessas entrevistas no quarto de um jovem rapaz em Cork. E eles eram caras muito legais para lidar, sempre respeitosos e educados.
O show em dezembro de 1980 foi mais um evento do que os anteriores – com o lançamento do álbum ‘Boy’, havia uma sensação deles terem chegado a um novo ponto alto em sua carreira. Mas eu sempre achei que eles eram voltados para a carreira e tinham a chance de ser bem-sucedidos, embora eu não pudesse imaginar que alguém tivesse alguma ideia de quão bem sucedidos eles poderiam ou viriam se tornar.
O campo do U2 na época consistia da banda em si e de Paul McGuinness; e naquele show de dezembro, pela primeira vez, seu agente Dave Kavanagh, que eu havia conhecido e gostado há anos como manager da Sacre Bleu. Toda a equipe técnica deles eram da minha turma do Kampus, e amigos, alguns dos quais foram trabalhar com eles – na verdade, o técnico de bateria Sam O’Sullivan e o técnico de som Joe O’Herlihy ainda estão lá 40 anos depois. Então eles sempre foram uma banda fácil de lidar. E eles obviamente tocaram nos shows do Kampus: uma das pessoas mencionou recentemente que ele encontrou The Edge e perguntou se ele se lembrava dos shows do Arc, e Edge disse “é claro”. Essa foi a primeira vez que eles viram uma fila do lado de fora de um de seus shows. Eles haviam dado um passo em termos de profissionalismo no verão de 1980, tendo conseguido Dave como seu agente de agendamentos na Irlanda – essa foi a primeira vez que apresentei um contrato para eles. Naquele show de verão eles tinham Paul Morley e um fotógrafo da NME na cidade, o que deve ter tornado isso mais estressante para a banda, mas eles se deram muito bem naquela noite.
Eu sempre conversava com a banda. Bono especificamente fazia questão de entrar em contato. Eu também morava em Dublin naquele momento e todos nós ficaríamos no Country Club Hotel em Cork. Depois do show que estava sendo realizado um review por Paul Morley, eu dei à Larry e The Edge uma carona de volta para Dublin, e Paul McGuinness voltou de balsa com Paul Morley e o fotógrafo David Corio, junto com Bono e Adam.
Naquele ano, foram sempre nos shows do Kampus para nos quais os scouts A+R britânicos foram convidados, e houve uma grande progressão no profissionalismo em sua apresentação. Mas o show de dezembro de 80 foi novamente um passo adiante. Naquele estágio, eles estavam muito familiarizados com a minha equipe de palco e o técnico de som Joe Herlihy, então a banda parecia realmente em casa no Arcadia.
No geral, havia a sensação de que naquela noite o show foi um pouco ‘evento’. Houve um bom burburinho – o Kampus era uma espécie de cena club, com um público regular, que aumentava nas noites de festa em particular, ou determinadas bandas visitantes. Foi também o último show antes do Natal, o que por si só teria acrescentado à noite. Acho que tivemos cerca de 1.200 pessoas, o que foi muito bom, maior que a média.
A resposta do público foi ótima. Há algumas fotos fantásticas do U2 tocando nos shows do Kampus, que mostram o quão entusiasmado o público estava. Mas, claro, isso foi apenas o começo de algo muito maior”.

 

Steve Irelade conta sobre sua experiência em trabalhar com o U2 na fase de ‘October’

“Eles eram muito jovens, mas eram extraordinariamente intensos”

Steve Iredale se juntou à equipe do U2 antes da turnê de ‘October’. Acabou sendo trabalho duro – de algumas maneiras mais que outras. Ele conta na Hot Press:

“O show do Slane Festival em 1981 foi meu primeiro show do U2. Thin Lizzy como headliner e Hazel O’Connor e Rose Tattoo também estavam no line-up, do ponto de vista musical, foi muito misturado. Foi a primeira vez para muitas das músicas de ‘October’. Como foi meu primeiro show do U2, foi, e como você pode imaginar, foi muito intenso para mim.
A banda evoluiu no estúdio e mudou em termos de instrumentação e as coisas que eles estavam tentando alcançar. Você tinha Vinnie Kilduff tocando uilleann pipes, o que foi uma direção radical quando você pensa na exatidão de ‘Boy’. Eles estavam procurando por alguém que tocasse uilleann pipes, e Vinnie era um amigo meu, que é como eu cheguei ao álbum. Embora eu não fizesse parte da banda na turnê, fui assistir a alguns shows, incluindo o do Slane e depois, em janeiro seguinte, no RDS em Dublin.
Pelos padrões do que os seguiria, a multidão no Slane não era enorme. Eu já havia trabalhado com pessoas como Horslips, em locais como o National Stadium, em Dublin, que abrigava 1.200 pessoas, que era onde todas as grandes estrelas tocavam na época. Isso foi muito diferente. As estimativas variam, mas havia talvez 15.000 pessoas no Slane, o que foi um grande show para a Irlanda na época. Era um palco do tipo órbita e o U2 tocou do começo até o meio da tarde. Eles tocaram cerca de 15 músicas, o que é bastante para um set de festivais. Para mim, foi uma maneira de começar – na frente de milhares de pessoas. Mas nós fizemos tudo acontecer!
No geral, o álbum ‘October’ foi um trabalho árduo. Eu não vou dizer que foi fácil trabalhar com o U2 naqueles dias. Para começar, não os achei os caras mais fáceis de entender. Eles tinham ideias diferentes sobre como queriam fazer as coisas – muito diferentes das minhas experiências com o Horslips. Eles eram muito jovens, mas também extraordinariamente intensos. O fato de que eles tinham suas próprias ideias significava que eles estavam exigindo – às vezes eu achava isso peculiar, onde os caras daquela idade estavam preocupados, mas nós conseguimos passar. Eu fiquei com eles por 20 anos ímpares, então algo deve ter funcionado!
‘October’ foi uma turnê difícil – foi mais ou menos 105 shows no momento em que terminamos. Foi uma daquelas longas viagens, onde a banda ganhou batalhas adicionais, conquistando os fãs da maneira mais difícil, colocando milhas e horas dentro. E no meio disso acabamos sendo a banda de abertura da The J. Geils Band, que era a número 1 na América na época com ‘Centrefold’. Isso envolveu mais de 20 dias tocando para o que era um público muito diferente do do U2. Eu não diria que foi um paraíso, mas é aí que o U2 realmente brilhou na minha opinião. J. Geils era basicamente uma banda de bar de Boston, mas eles tinham os mesmos agentes no Premiere Talent, então foi assim que aconteceu. Então o U2 teve que trabalhar muito para conquistar o público. Lembro-me de Peter Wolf, que era o vocalista da J. Geils, ficar sabendo do quanto Bono estava trabalhando e ele também elevou o seu jogo.
Além dos EUA, o U2 também tocou no continente nessa turnê. É engraçado as coisas que você lembra. Fizemos o Metropol em Berlim e o The Psychedelic Furs estava diante de nós. Nós viajamos no ônibus com a equipe deles / delas e descobrimos que eles tinham se separado naquela noite – eles estavam muito chateados um com o outro.
Historicamente, todo mundo sabe como era Adam naquela época. Nenhum comentário precisa ser feito. Mas eu não teria uma quantidade enorme em comum com os outros caras da banda.
Do ponto de vista da equipe, pelo menos, havia muitos momentos de Spinal Tap. Nós tínhamos um mini-ônibus de transporte público que conseguimos de um cara em Sheffield. A parte de trás do ônibus estava congelando, então o cara que nós compramos veio com essa ideia genial de colocar um aquecedor a gás com um cilindro de gás na traseira. Quando esfriava, nós ligávamos. O gás nem sempre se inflama naturalmente. Então, uma noite, ônibus se encheu de gás, e então, uma grande bola de fogo. A maioria da equipe perdeu cabelo naquela noite. O U2 não estava conosco. Eles estavam em sua própria van fazendo suas próprias coisas.
Em termos de foco, eles eram absolutamente a banda mais focada que eu já vi. Eles voltaram da turnê e voltaram ao estúdio, iniciando todo o processo novamente. No longo prazo, essa qualidade foi extremamente importante para a escala de seu sucesso”.

 

Neil Storey, assessor de imprensa da Island Records, faz revelações sobre o disco e turnê ‘War’

“Eles quase não tocavam no rádio….”

Neil Storey foi assessor de imprensa da Island Records, e um confidente da banda, quando o álbum War entrou no No.1 das paradas, definindo lindamente as coisas para a turnê. Ele conta para a Hot Press:

“‘War’ foi o primeiro álbum do U2 que entrou no número 1. Isso pegou muitas pessoas de surpresa quando as notícias chegaram. Na assessoria de imprensa da Island, previmos que ele chegaria ao Top 3, mas indo direto para o número 1? Isso foi outra coisa. Foi impulsionado, mais do que tudo, pelo fato de terem construído uma base de fãs realmente poderosa. Os fãs saíram e compraram o álbum em massa e pronto!
Naquela época, os LPs eram anunciados na segunda-feira, embora as paradas fossem divulgadas no dia anterior na BBC Radio 1, quando a contagem regressiva do Top 40 era transmitida. O lançamento do álbum ocorreu próximo das 8 da manhã. Normalmente, havia alguns de nós reunidos no escritório naquelas primeiras manhãs, especialmente se esperávamos alguma notícia decente. Sabíamos que o álbum tinha vendido bem no final de semana. Como eu disse, o consenso geral era de que definitivamente deveria alcançar o terceiro lugar. Não … Errado.
Direto ao número 1. Fantástico. Coube a mim ligar para todos.
Eu não consigo lembrar onde o U2 estava. Fora de Londres com certeza. Provavelmente Bournemouth ou algum lugar assim. Todos receberam a ligação e ficaram entusiasmados ao ouvir as notícias. Bono soou um pouco grogue. A exceção foi Adam, que não importava quanto tempo o telefone tocasse em seu quarto, ele não acordava. Vale a pena contar, eu também fui designado para ligar para o Sr. e a Sra. Evans – os pais do The Edge – que, por sua vez, espalharam a notícia em Dublin. Eles estavam significativamente mais acordados naquela hora do que o resto da equipe!
A ‘War Tour’ naturalmente assumiu um nível diferente de significância como resultado. Eles eram agora um autêntico ato número 1. Paul McGuinness tinha uma estratégia na época: tocar sempre em um local um pouco menor do que eles poderiam preencher, se isso faz sentido. Vamos apenas dizer que eles poderiam ter feito cinco noites no Marquee. Ele teria feito três e deixado assim. O ponto principal era deixar seu público querendo mais.
Você cria essa vibe: é um show tão quente que você não pode entrar. A banda se torna um hot ticket. Foi muito parecido com o modo como trabalhamos com Bob Marley. Quando os famosos shows do Lyceum surgiram, poderíamos ter feito quatro ou cinco noites. Nós fizemos duas. É como ser conjurador: você cria uma ilusão.
Tudo o que Rob Partridge e eu, da Island Press Office, havíamos trabalhado nos três ou quatro anos anteriores estava se concretizando. Nós estávamos trabalhando principalmente através da mídia impressa. É difícil creditar agora, talvez, mas naquele momento eles quase não tocavam no rádio, não importa o que mais outra pessoa lhe diga. Era a mídia impressa que conduzia tudo. A esse respeito, você poderia sentir isso acontecendo.
Foi uma surpresa eles estarem tocando em locais maiores? Não. A própria banda ficou um pouco surpresa, de certa forma, pelo quão grande estava começando a se tornar. Lembro-me de sentar com Larry em sua casa em Dublin e conversar, dizendo que, mais cedo ou mais tarde, iria ficar muito maior. Seria em Wembley. Lembro-me dele olhando para mim, como se dissesse: “Você não está falando sério né?” Eles ficaram um pouco chocados. Ao mesmo tempo, não houve “surpresa”. Quando você trabalha para algo – bem, este foi o próximo nível. Você continua empurrando.
Em fevereiro daquele ano de 1983, antes do início da turnê de ‘War’, Paul McGuinness e Bono apareceram em nosso escritório na Island. Possivelmente Edge também estava lá. Eles carregavam uma grande caixa de papelão marrom. O interior era o telefone antiquado mais estranho e desagradável na forma de uma pequena caixa. Era principalmente vermelho, mas com um fone dourado e marfim, todos montados em uma base. Isso também era pintado de vermelho. Paul disse que eles o encontraram em uma das lojas do Oriente Médio ao lado do Marble Arch e … com uma cerimônia, foi presenteado a Rob e a mim.
Uma placa de latão foi anexada à base. Infelizmente, ao longo dos anos, com várias modificações da Island, o telefone desapareceu. Mas depois de muito tempo, eu encontrei o restante remanescente! Foi no celeiro ao lado da casa em que moro na França. Ali, no chão, estava a placa de latão com a inscrição: “Rob e Neil. Do U2”. Essa também foi a primeira turnê pela qual fiz o programa. Estava tudo fora de horário e não envolvia a Island. Como o que eu fiz para a turnê ‘The Unforgettable Fire’ mais tarde, foi projetado e montado na minha mesa da cozinha. Todas as letras e mapas foram desenhados à mão. Foi um trabalho feito com amor.
Houve um monte de coisas assustadoras ao longo do caminho: este era realmente um show todo rock ‘n’ roll, com músicas incendiárias como “Sunday Bloody Sunday”, “Surrender” e “Seconds” do álbum ‘War’, ao lado de faixas como “I Fall Down”, “Out Of Control”, “Gloria” e “I Will Follow”. E Bono estava assumindo riscos que eram certificáveis ​​no limite, às vezes – subindo nas pilhas de alto-falantes, se jogando na multidão, saltando de camarotes em cima dos fãs e se colocando em perigo físico. Mas, eventualmente, depois de muita busca da alma, a banda conseguiu que ele controlasse um pouquinho e todos foram para Dublin em uma só peça. A ‘War Tour’ terminou com o show do Phoenix Park, que foi absolutamente poderoso. Era um lindo dia de sol e a multidão era enorme: o lugar estava lotado. Tanto quanto Eurythmics e Simple Minds eram realmente bons – e eles eram – o U2 foi intenso naquela noite. Acho que esse foi o momento em que todos nós sabíamos – 110% sabiam – que a decolagem realmente havia sido alcançada. Não haveria volta”.

 

Peter Aiken conta como o U2 realmente cresceu e se desenvolveu na época de ‘The Unforgettable Fire’

“Era perigosa e parecia que poderia estourar a qualquer momento…”

A Aiken Promotions realizou a lendária volta do U2 ao Croke Park em 1985, mas Peter Aiken também chegou a vê-los em Nova York, onde os irlandeses estavam em sua força. Ele conta para a Hot Press:

“Como todo mundo, eu me tornei fã do momento em que ouvi o disco ‘Boy’. Eu ainda estava na escola quando os vi pela primeira vez, no Main Hall do RDS no início de 1982, pela turnê ‘October’ – e eles foram fenomenais.
Mas eles realmente cresceram e se desenvolveram na época de ‘The Unforgettable Fire’, que é um disco extremamente subestimado. Antes do grande show do Croke Park em junho, trouxemos alguns jornalistas para Nova York para ver a turnê ‘Unforgettable Fire’ no Madison Square Garden, que aconteceu no Dia da Mentira. A multidão que estava lá naquela noite era simplesmente selvagem. Era perigosa e parecia que poderia estourar qualquer momento, o que é algo que você não tem hoje em dia com o U2. Isso significou muito para esses caras irlandeses em Nova York, a maioria dos quais estavam lá ilegalmente. Realmente parecia que eles estavam indo para destruir o local – foi ótimo! Aqueles monitores de vermelho no Madison Square Garden pensaram que poderiam dizer a eles o que fazer, mas os irlandeses na época não eram trouxas de ninguém. Você deveria ter visto a banda andar no palco: toda aquela escuridão e o modo como eles explodiram. Foi uma noite extraordinária.
Mesmo quando eles tocaram no Croke Park naquela época, havia uma vantagem real para eles. Nós tínhamos feito Neil Diamond lá, mas este foi o primeiro show de rock no Croke Park e havia muita oposição a isso acontecendo. Em termos de carreira, foi uma grande pergunta, partindo de onde quer que fosse em Dublin, eles já tinham sido headliners antes de vender 65 mil ingressos. Hoje em dia não é grande coisa, mas na época as pessoas diziam: “Você está falando sério?”.
Lembro-me de Paul McGuinness estar no telefone o tempo todo com o meu velho companheiro (o falecido Jim Aiken – S.C.) sobre isso e aquilo do show, porque era um território inexplorado. O U2 sempre teve boas pessoas ao seu redor, então, assim que os ingressos foram vendidos, ficamos muito confiantes de que tudo sairia bem. A produção foi grande no Madison Square Garden, mas eles realmente aumentaram para Dublin. As pessoas viajavam de Cork e de Belfast: parecia que toda a Irlanda estava se unindo.
O Squeeze não teve uma boa recepção, mas o The Alarm, que parecia um pouco punk e tinham um visual legal, funcionou porque tinham um grande vocalista, Mike Peters, e canções de três minutos como “68 Guns” que toda pessoa de 16 à 20 anos de idade no meio da multidão poderia pular quando tocasse. R.E.M. foi uma adição tardia ao line-up e sofreu um pouco com as pessoas que estavam impacientes para ver o U2. Meu pai trouxe toda a família para conhecer a banda, o que foi ótimo. Eles tiraram um tempo para apertar as nossas mãos e falar com minha mãe. Eles eram jovens decentes e maduros para suas idades.
A grande coisa sobre eles naqueles dias era Bono. Não havia telas de vídeo, então a banda teve que trabalhar muito fisicamente. Foi quando Bono mostrou que ele poderia lidar com uma multidão enorme, que ele mantinha com cada palavra.
Lembro-me dele chegando, cheio de confiança, dizendo: “Bem, os Jacks estão de volta e como All-Ireland temos algumas coisas para vocês esta noite!” “I Will Follow” foi tocada como segunda música, e o lugar enlouqueceu. Você pode ter todos os efeitos especiais que quiser, mas é desta maneira que realmente atrai a platéia.
Mais tarde, Bono disse: “Aqui está uma música de um amigo nosso …” e eles tocaram uma versão de “My Hometown”, de Bruce Springsteen. Nós tínhamos feito o The Boss algumas semanas antes na turnê de ‘Born In The USA’, então isso amarrou tudo perfeitamente.
Eu não sei se ainda está disponível, mas eles fizeram um documentário brilhante sobre isso. Paul McGuinness parece alguém saído do filme ‘Os Bons Companheiros’! Naquela época, a equipe local sempre aparecia usando camisetas diferentes, mas Paul insistia em que todos estivessem vestindo as do U2. Ele era muito mais consciente disso do que de outros managers da época.
‘The Unforgettable Fire’ em si é um álbum incrível, um dos melhores, que tem que ser transformado em ’11’. E essa foi uma turnê realmente incrível”.

 

James Radner que trabalhou com a Anistia Internacional, fala sobre o U2 e o surgimento da ‘A Conspiracy Of Hope’

“Conspiracy Of Hope recrutou uma nova geração de ativistas”

James Radner estava trabalhando com a Anistia Internacional, quando a ideia da ‘A Conspiracy Of Hope’ (A Conspiração Da Esperança) levantou voo. The Police, Lou Reed, Bryan Adams, Peter Gabriel e Joan Baez estavam entre os luminares que participaram ao lado de um certo quarteto da Irlanda. Ele conta para a Hot Press:

“Tudo começou em 1985. Um dia, na minha mesa na Anistia Internacional, abri um envelope e encontrei um cheque dentro – uma das maiores doações que eu tinha visto. Era do U2, o resultado de um concerto que eles tinham acabado de fazer no Radio City Music Hall. Esta foi inteiramente uma iniciativa da própria banda – não havia nenhum contato antecipado. Meus colegas Jack Healey e Mary Daly se reuniram com a banda na Irlanda, e eles se comprometeram a nos oferecer uma turnê, para celebrar nosso 25º aniversário em 1986.
Partir dali para uma turnê completa ‘A Conspiracy Of Hope’ foi uma grande empreitada, uma longa história. Mas quero enfatizar que a liderança do U2 foi fundamental – desde o começo e até o fim. Eles não foram só os primeiros a ter uma atitude que nos permitiu recrutar outros artistas do topo, como também nos levou a profissionais de primeira categoria na indústria da música – como Bill Graham, que também doou seus serviços – para fazer um evento complexo como este, uma coisa fácil. A generosidade e a sábia orientação do U2 e sua gestão sustentaram todo o esforço, juntamente com a habilidade e o comprometimento das pessoas que eles ajudaram a trazer.
A turnê arrecadou muito dinheiro por uma boa causa, mas o objetivo principal não era levantar fundos. Queríamos aumentar a conscientização sobre os direitos humanos, convidar pessoas a agir para salvar prisioneiros de consciência em todo o mundo. Foi a compreensão e o compromisso do U2 e dos outros artistas com essa causa – não apenas em suas palavras e música no palco, mas também em entrevistas e conferências em todas as cidades – que fizeram a ‘A Conspiracy Of Hope’.
A turnê “adotou” seis prisioneiros de consciência: as pessoas nos shows e a audiência de TV enviaram ondas de cartas e cartões postais apelando pela sua libertação. Ficamos todos profundamente comovidos com o que parecia ser um sucesso parcial, quando dois desses prisioneiros foram libertados. A chave para isso era que o U2 e os outros artistas poderiam envolver o público em direitos humanos de uma forma que nenhum de nós da Anistia poderia fazer por conta própria. Assim, a ‘A Conspiracy Of Hope’ recrutou para uma nova geração de ativistas – uma explosão de novos membros individuais da Anistia Internacional, novos grupos de campus da Anistia, nova pressão sobre os governos para que mudassem seus modos opressivos.
Para mim, os artistas fizeram um trabalho extraordinário na turnê, usando a música para aprofundar a mensagem de direitos humanos no âmago da ‘A Conspiracy Of Hope’. Muitos números vêm à mente, juntamente com reuniões e recombinações organizadas pelos próprios artistas, como a reunião do The Police em Atlanta. Aqui eu só quero destacar uma música, a bela interpretação de Bono de “Help!”. Para mim, a original dos Beatles já era uma das minhas favoritas, mas no contexto desta turnê de direitos humanos, o U2 encontrou um novo tipo de poder nela, expressando a vulnerabilidade que todos compartilhamos e o por que precisamos uns dos outros. Toda a mensagem da turnê se reuniu todas as noites naquela música – ajuda, esperança e humanidade”.

 

Willie Williams explica para a Hot Press a ‘The Joshua Tree Tour’ de 1987

“Era muito preto e branco, muito impressionista..”

Willie Williams tinha sido o guru de iluminação do U2 desde a turnê de ‘War’. Mas ‘The Joshua Tree’ levou a banda para alturas inimagináveis. Na Hot Press, ele conta:

“Na verdade, eu estava perseguindo o U2 por um tempo antes de conhecê-los. Eu estava trabalhando com o Stiff Little Fingers, mas acabei descobrindo o U2 e adorei eles. Liguei para Paul McGuinness em sua casa para ver se precisavam de alguém para cuidar da iluminação e do cenário e ele disse que sim. Eu quase deixei cair o telefone!
Eu os encontrei em uma sessão de gravação no Maida Vale e, de uma maneira engraçada, parecia que eu pertencia aquilo. Eles estavam prestes a lançar o álbum ‘War’ e a energia e excitação ao redor deles era contagiante. Eu realmente gostei de como eles eram engraçados. Eles realmente gostam de seus colegas de classe até hoje, com todas as piadas internas e referências que acompanham isso. E, por mais clichê que possa parecer, parece uma família. Então, eu realmente cresci nas coisas quando o ‘The Joshua Tree’ apareceu.
Eu tive o privilégio de estar perto de várias bandas no momento em que o foguete decola – e não houve nada como isso. Eles haviam lançado o videoclipe para “Where The Streets Have No Name”, eles estavam na capa da revista Time. Nós estava tentando uma abordagem estética punk em arenas, sem produção, já que naquele tempo grandes produções eram consideradas gauche, mas faltando pouco para começar a turnê, sabíamos que teria de passar das arenas menores que tínhamos planejado, para estádios maiores.
Bruce Springsteen foi uma grande inspiração para a banda. Eles viram como, com muito pouca produção, você ainda podia alcançar pessoas em grandes locais. Também queríamos fazer algo que tivesse uma estética real e uma postura real. O que fizemos ainda ressoa. Era muito preto e branco, muito impressionista. Houve grandes acenos, mas ideias muito simples. De muitas maneiras, os shows indoor foram mais bem-sucedidos, porque tínhamos mais tempo para planejá-los, mas a música era tão grande que, mesmo em um estádio em plena luz do dia, essas músicas chegavam em todos os cantos.
Fiquei profundamente aliviado ao ver que o show correu sem problemas na primeira noite, já que durante o ensaio final, Bono caiu no palco e atingiu sua boca com um canhão de luz de mão! Ele acabou no hospital. De certa forma, talvez isso tenha ajudado! Ficamos tão aliviados que os quatro membros da banda estavam em pé na noite de abertura, que isso pode ter nos ajudado a superar alguns dos nervos da noite de abertura.
Não havíamos planejado o filme ‘Rattle And Hum’, que documenta a ‘The Joshua Tree Tour’. Nós tivemos muita sorte de acabar nas mãos de Phil Joanou, que dirigiu o filme. Ele era muito um da gangue e compartilhava a empolgação da banda. Ele trouxe Jordan Cronenweth, que foi o diretor de fotografia de Blade Runner. Então ‘Rattle And Hum’ é onde o punk encontra Blade Runner!
Com ‘The Joshua Tree’, tivemos que começar a usar telas de vídeo nos EUA, devido ao tamanho dos estádios. Era apenas uma tela na parte de trás da posição do mix. Isso foi um compromisso, já que a banda estava preocupada na época em que tendo câmeras e telas grandes, as pessoas assistiam às telas e se apresentavam para as câmeras. Que diferença há alguns anos atrás! Depois dessa turnê, passei três anos trabalhando com David Bowie e vi que os sistemas de vídeo em turnê eram o futuro, e que, com o U2, nós nem sequer arranhamos a superfície do que eles poderiam fazer.
Quando voltei, tivemos um encontro nas Ilhas Canárias e a banda – todos vestidos com roupas femininas – tocaram para mim essa música incrível que se tornaria ‘Achtung Baby’. Eles estavam claramente prestes a explodir tudo o que tinham sido antes disso. Eu tive essa ideia de fazer um palco que era na verdade uma instalação de vídeo, ao qual Bono acrescentou: “Não, devemos dizer ao mundo que o U2 está levando uma estação de TV na estrada”. Essa foi a peça final que fez a Zoo TV acontecer. Foi a tempestade perfeita: eles tiveram o momento e tiveram a música para fazer isso”.

 

Dave Fanning, o MC em um dos shows mais lendários da história do U2

“Bono teve muitos problemas com sua voz”

Dave Fanning foi MC em um dos shows mais lendários da história do U2. Ele conta na Hot Press:

“Eu consegui ouvir ‘Rattle And Hum’ de vários ângulos diferentes antes de seu lançamento. Eu encontrei Edge no semáforo e ele me convidou para sua casa para ouvir. Então eu estava em Los Angeles em feriados e fui para a casa que eles tinham em Hollywood – a mesma casa que os irmãos Menendez matariam seus pais mais tarde. Larry estava lidando com o merchandising, então as fotos da capa do álbum estavam espalhadas pelo chão.
Eu também fui para o estúdio, na Universal eu acho, onde Phil Joanou – o diretor do filme – estava dando os retoques finais em parte da trilha sonora de Edge. Então o mais engraçado de tudo, eu estava em um carro com Adam, e estávamos indo para algum restaurante vietnamita para encontrar Bono. Uma mesma rua em LA pode ter 80 quilômetros de distância, então nós ouvimos três lados do álbum em um cassete. Adam ficou emocionado, já que foi uma das primeiras vezes que ele ouviu fora do estúdio.
Eu tenho uma coisa sobre álbuns duplos. Mesmo que quase todos eles são 25% uma merda, eu ainda gosto de sua natureza alastrando. Eu realmente adoro esse álbum: coisas como “Hawkmoon 269”, “Heartland”, “Angel Of Harlem” e “When Love Comes To Town” soam quase como takes descompromissados, e eu adoro isso. Era uma banda gauchely indo para as raízes da música que amavam. Algumas pessoas achavam que era auto-indulgente, mas e daí? Eu achei ótimo.
Houve uma parte da Lovetown Tour na Austrália, se eu me lembro corretamente, que Bono teve muitos problemas com sua voz, então os shows foram adiados e remarcados. O último deles deveria acontecer em Dublin, mas eles tiveram que terminar em Roterdã. Eu costumava vê-los em todas as turnês, mas eu não vi naquela, exceto no show da véspera de Ano Novo no The Point, onde eu também tinha uma espécie de papel de MC – o que acabou sendo muito engraçado e muito embaraçoso. Eu estava tentando fazer uma contagem regressiva para o Ano Novo no palco, mas eu estava olhando para o relógio errado, então era “24, 15, 7 …”.
Aquilo estava sendo transmitido ao vivo no rádio e na televisão também, então era perfeitamente, hilario e descompromissado. Quanto ao show, eu adorei em particular o relaxamento da seção de metais do BB King no encore. O engraçado, eu não vi a banda usar isto novamente até cerca de quatro meses atrás no Teatro Apollo, que também foi brilhante.
Quanto ao famoso trecho “nós estamos indo embora para sonhar tudo de novo” no final do show, nunca pareceu para mim que era outra coisa senão hipérbole de Bono. Eu não pensei: “Oh meu Deus, ele está tentando dizer que eles terminaram!”. Para ser justo, eles tiveram três ou quatro anos de loucura total, então eles queriam tirar uma folga, o que eles fizeram e refletir sobre onde eles queriam ir. Então as coisas congelaram como bejaysus (termo de exclamação usado por muitos habitantes da Irlanda) em Berlim, mas isso é outra história”.

 

Kevin Godley fala sobre seu trabalho na ZOOTV

“Nós estávamos improvisando, sem a habilidade ou experiência necessárias….”

Kevin Godley viu a ZooTV em várias ocasiões antes de gravar dois shows para o ZooTV Special. Ele revela na Hot Press:

“Recebi uma ligação de Bono depois que ‘Achtung Baby’ foi lançado, para filmar um videoclipe para “Even Better Than The Real Thing”, e foi quando eu conheci todos os integrantes do U2. A ZooTV estava prestes a nascer em termos da abordagem visual, embora eles já tivessem capturado alguma coisa disso com o videoclipe de “The Fly”. Mas, na verdade, a Zoo TV nunca chegou a ser finalizada: esteve em incubação do começo ao fim como um modo de pensar.
Foi uma área de experimentação e pesquisa que me interessou. A ideia da câmera giratória no vídeo foi capturar o momento da música. Qualquer coisa em cima disso era uma espécie de pontuação penetrando na estética da ZooTV. A banda queria refletir os efeitos da saturação da mídia e como o mundo da comunicação estava mudando, entrando em uma nova era que levaria aonde estamos agora.
Filmar a Zoo TV Outside Broadcast foi complicado. Eu não queria apenas capturar a performance ao vivo. Isso era muito seguro. Eu tentei imaginar o canal de surf durante um show de rock ‘n roll, então os clichês que você conhecia no esporte, notícias e drama foram incluídos. Você teve um cara comentando sobre o show o tempo todo e depois entrando no palco para entrevistar Bono. Foi inesperado, mas esperado porque você já tinha visto antes em um contexto diferente.
Eu vi o show algumas vezes antes de começarmos, mas o processo principal foi quando minha esposa e eu voamos com Gavin Friday para um ensaio completo de produção em Hershey, Pensilvânia, algumas semanas antes da noite de estreia. Nós assistimos da mesa de mixagem e depois tivemos discussões post-mortem sobre o que achamos que poderia funcionar melhor. Esta foi a turnê americana, uma produção muito maior, com as grandes telas do caralho acima do palco.
Meu trabalho era essencialmente fazer uma turnê com eles e filmar dois shows. Nós queríamos filmar ideias que seriam exibidas no palco ou usadas no filme da performance. Era muito livre, mas disciplinado, já que o acesso à banda nem sempre era possível. Nós estávamos improvisando, sem a habilidade ou experiência necessárias – você teria uma ideia, faria alguns esboços, abordaria pessoas e então obteria aprovação.
Tudo estava influenciando todo o resto, então o especial de TV provavelmente se conectou ao show em si e, felizmente, a banda tinha os meios, a ambição e os recursos para executá-lo, uma vez que a ideia era boa. Ninguém tinha visto nada assim antes. Foi um enorme passo à frente em termos de produção ao vivo, tanto tecnicamente como criativamente. Ficamos mais ousados ​​quando percebemos que o tema geral estava funcionando. Eu não acho que seja realmente datado. Foi muito presciente.
Em termos de filmagens reais, foi como filmar uma cena de batalha, já que havia muita coisa acontecendo. Você quer capturar tanto a escala quanto os detalhes, então, em vez de apenas fazer close-ups, você gira o ângulo para pegar o que mais está acontecendo. Nós tínhamos muito material para trabalhar, então a edição final foi tão louca quanto a própria filmagem.
Muitos atos não entendem os vários aspectos desse meio específico, mas com o U2 realmente funciona. Eles sabem exatamente o que funciona visualmente para eles. Não consigo pensar em nenhuma outra banda com quem trabalhei que existiu por tanto tempo e tenham essa sensibilidade de criar constantemente, tocando seis meses à frente do zeitgeist, para criar algo relevante para hoje, em vez de descansar sobre os louros.
Eles são a única banda nesse nível que parece ter essa abordagem. Para mim isso é notável”.

 

Ned O’Hanlon revela sobre a louca história do sequestro de um caminhão da Popmart Tour no México e sobre a energia dos fãs na América Do Sul

“Foi uma exibição monstruosa e além dos limites normais de kitsch”

Ned O’Hanlon foi encarregado de filmar a turnê Popmart. Ele fala para a Hot Press:

“Eu estava lá por cerca de metade do PopMart Tour de seu total. Foi tão mega quanto você poderia esperar, com mais de 150 pessoas em turnê com a banda. Então, em qualquer dia de show, isso dobraria, com trabalhadores locais e segurança extra e esse tipo de coisa. Com uma turnê como essa, levou uma enorme quantidade de corpos.
Logo no início da PopMart, fizemos um documentário, que foi exibido nas redes americanas. Começamos em Las Vegas e o documentário tinha como premissa a ideia do jogo – e a aposta que a banda tinha feito com a Zoo TV. Obviamente, a Zoo TV foi inovadora: quebrou todos esses recordes e mudou a maneira como pensávamos sobre as turnês. Ninguém havia superado a Zoo TV naquele momento e, assim, o U2 dizia: “Bem, agora queremos ser os primeiros a superar isso”.
O álbum POP, na minha opinião, é um dos subestimados. Eu revisito isso de vez em quando para me lembrar quantas músicas boas existem nele. Então, o desafio era: “O que podemos fazer agora para mostrar isso da melhor maneira possível?” Eles queriam algo ainda maior que a Zoo TV. Então, claro, eles sonharam com a ideia do PopMart.
No início da turnê americana, parecia que eles haviam mordido mais do que podiam mastigar. A America não comprou o conceito do álbum no começo. Inicialmente, a turnê na América do Norte também não deu certo. Então teve um início difícil – mas acabou muito bem no final. Criticamente, era popular e o show em si era incrível. Foi uma exibição monstruosa e além dos limites normais de kitsch, produtos de supermercado e excessos trashy.
Nós filmamos a turnê na Cidade do México. Isso, do ponto de vista da produção, foi extremamente desafiador. Por exemplo, quando você cruzou da America para o México, teve que descarregar todos os seus caminhões e colocar todo o material nos caminhões mexicanos. Mas muitos dos caminhões que precisávamos usar eram tão antigos que às vezes afundavam sob o peso das coisas. Isso fez de todo o processo um pouco de pesadelo!
Eu lembro que houve um grande atraso porque um dos caminhões, que tinha todos os motores para erguer o palco do chão, não apareceu: ele simplesmente não chegou. Ninguém sabia onde estava, até receberem um telefonema de alguém que lhes dissesse que o tinha sequestrado e estava com ele para receber um resgate! Eles nos disseram que queriam um milhão de dólares para isso, mas se contentariam com seis ingressos para o show do U2. Eu nunca soube se acreditei nessa história ou não, mas foi um dos obstáculos que tivemos que superar ao longo do caminho!
Essa também foi a primeira vez que a banda excursionou pela América do Sul com esse tipo de show – então foi a primeira vez que eles experimentaram todos os fãs indo para eles nesses países. A energia em todos esses estádios foi algo inacreditável. Saúde e segurança não tinham atenção como nos dias de hoje, então você tinha estádios que cabiam 80.000 pessoas, com 100.000 lá dentro – chegando ao ponto em que as arquibancadas literalmente tremiam.
A turnê terminou em Joanesburgo, que foi outra tremenda experiência. Eu vou dizer de novo – o show do Popmart em si foi realmente ótimo. Demorou um pouco para encontrar seu equilíbrio, mas quando o fez, foi um stonker absoluto”.

 

Steve Wall relembra quando a Elevation Tour veio para casa…

“Foi uma sensação incrível olhar para o público…”

The Walls estava entre as bandas de apoio do que é muitas vezes considerado o melhor show do U2: a segunda noite em Slane Castle em 2001.

É engraçado como nosso envolvimento com a Elevation Tour aconteceu. No geral, as coisas estavam indo muito bem para o U2 naquela turnê. All That You Can’t Leave Behind era número 1 Pelo mundo todo e eles tocaram para mais de 2 milhões de pessoas no total e Slane era, de muitas formas, como o ápice da turnê. Os ingressos para o primeiro show estavam esgotados e nós ouvimos que eles talvez fariam uma segunda apresentação lá. Tínhamos acabado de lançar o primeiro álbum do The Walls, Hi Lo, e temos um amigo em comum com o U2, que estudou com eles. Nós dissemos: “Se nós lhe déssemos um kit, você entregaria para eles?”

Eles ainda estavam em turnê pelos Estados Unidos, então era meio que uma grande aposta, mas valia a tentativa.Montamos um kit para cada um deles com um CD, um pacote de batatas fritas Tayto e alguns saquinhos de chá Barry’s. E havia um bilhete escrito à mão, pedindo que tomassem cuidado com as costas quando estivessem colocando equipamento pesado na van e coisas assim.

Três ou quatro semanas antes do show, que aconteceu em 1º de setembro de 2001, recebemos uma ligação de alguém que trabalhava com o U2, perguntando se estaríamos livres para Slane. Imediatamente assumimos que era um trote. Mas eram eles mesmo e então conseguimos fazer o segundo show em Slane, ao lado de Ash, Moby, Nelly Furtado, entre outros.

Havia uma sensação de oportunidade que era inacreditável. Naquele mesmo dia, a Irlanda venceu a Holanda nas eliminatórias da Copa do Mundo, então havia uma animação incrível – o gol de Jason McArtee’s foi mostrado nos telões e acabamos celebrando com todo o time irlandês naquela noite,no Lillie’s Bordello… graças ao U2!

Naquela época, nós éramos relativamente limitados em relação a como poderíamos divulgar que faríamos o show. Se fosse hoje, teríamos isso espalhado pelo Facebook, Twitter e todo o resto. Mas exploramos o máximo possível. Nós realmente curtimos o fato de que muitos outros artistas, mais celebrados, perguntavam como o The Walls tinha conseguido o show. O álbum fora lançado por nós mesmos, não tínhamos contrato com gravadora, então era muito gratificante.

Eu me lembro de subir ao palco – foi uma sensação incrível olhar para o público. Tinha um grande número de pessoas ali. Foi um show muito bom para nós e as reações foram ótimas.

Não havíamos conhecido ninguém da banda antes, mas os encontramos naquele dia. A receptividade deles com a gente, sendo que éramos uma banda de apoio, era incomparável.Num certo ponto, eu estava saindo da tenda onde era a área de alimentação e vi Bono com muita gente em volta dele. Fui até ele e o agradeci pela oportunidade. Eu sempre lembro, ele ainda segurava minha mão quando disse, “Recebi sua fita.”

E eu fiquei pensando “Espera, nós mandamos um CD para eles!”(risadas). Ele disse: “Nós precisávamos de um trunfo para esse show e The Walls foi esse trunfo”. Lembro de me virar e um jornalista me perguntar o que ele tinha dito. Então eu disse “Ele disse que o The Walls foi o trunfo do show”. Bono é um verdadeiro profissional nesse aspecto: ele sempre tem um ótimo comentário para você.

Mas aquela também foi uma ocasião foi muito emocional. O pai de Bono havia falecido pouco tempo antes daquela apresentação e todos estavam cientes de como estava seu estado de espírito, sua vulnerabilidade e o quão difícil deve ter sido para ele cantar certas canções. Mas ele o fez lindamente. O público estava realmente com o U2 naquele dia e a banda fez um show fenomenal.

Nós ficamos realmente admirados com a performance do U2. Fazia algum tempo desde que os havíamos assistido, porém tínhamos passes de acesso para todas as áreas, então pudemos ficar bem na frente, no fosso, e você podia ver de perto todo aquele incrível talento e carisma. Bono viu um fotografo que estava com a gente, Allen Kiely, e o puxou para subir na rampa. Ele começou a cantar para Allen, enquanto ele o fotografava! As fotos que Allen tirou de Bono com o público ao fundo foram vistas no mundo todo – Bono é um mestre nessas coisas!

Do começo ao fim, essa foi uma experiência inesquecível – e foi um privilégio fazer parte dessa ocasião tão extraordinária.

Catherine Owens fala sobre seus trabalhos nas turnês e projetos do U2

“Nós estávamos sempre tentando estar à frente da curva …”

Catherine Owens foi Diretora Criativa de animações, filmes e vídeos para a tela das turnês Vertigo e 360°. Ela fala para a Hot Press:

“Eu conheci Willie Williams no Madison Square Garden durante a ‘The Joshua Tree Tour’, mas meu envolvimento com a banda realmente começou com a Zoo TV. Eu personalizei o Trabant e forneci conteúdo para as enormes telas de vídeo. Essa turnê foi sobre abrir novos caminhos com o que você poderia fazer em um show ao vivo, trazendo elementos performáticos e teatrais para a arena de rock. Licenciamos arte e trabalhamos com artistas como David Wojnarowicz, Wrake Run, Brian Eno e Keith Haring.
Isso levou ao uso do trabalho de Keith em belas animações na turnê PopMart, e também nos levou a Roy Lichtenstein. Havia uma forte conexão entre o que estava acontecendo no mundo da arte e o que acontecia no palco. Para convidar grandes artistas para usar sua plataforma, faça o que eles querem fazer, diga o que quiserem – isso continuou com o U2.
Nós estávamos sempre tentando estar à frente da curva de onde pensávamos que as coisas estavam indo politicamente ou socialmente; sempre tentando pensar sobre o que nossa mensagem âncora deveria ser também. Na Vertigo, achei que a Declaração Universal dos Direitos Humanos seria um texto oportuno para reintroduzir os jovens. Lembro-me de uma conversa com a gerência sobre como colocar o texto completo no show provavelmente mataria o show ali mesmo! Era tão político.
No entanto, Bono foi muito encorajador. Ele disse: “Se você puder encontrar uma maneira de colocá-lo no show, vamos fazê-lo.” Acabou sendo uma peça absolutamente perfeita, absolutamente oportuna.
Também criamos uma animação para a música “Yahweh”. Foi uma peça enorme, desenhada à mão por um incrível artista chamado Juan Delcan. Foi literalmente um monte de esboços que eu tinha dado a Juan que ele transformou nesta magnífica animação. Tocava durante o set acústico, com apenas Edge e Bono no palco. Foi um momento muito pessoal nessas grandes arenas. É algo que o U2 realmente domina: como você pode afetar o indivíduo dentro do contexto do todo.
Em termos de custo-benefício, o palco usado na turnê 360º foi definitivamente controverso! Para os departamentos de arte, era como receber outra camada de papel ou outro conjunto de lápis. Em vez de ter o reforço de vídeo à esquerda e à direita do palco, tínhamos áreas de alta definição dentro da tela circular. Nós tínhamos esses portais onde você poderia ter todos os feeds ao vivo, todas as animações ou uma mistura de ambos. Em termos de sua paleta, isso era selvagem e maravilhoso, mas era muito para preencher. Houve algumas noites sem dormir durante a pré-produção em Barcelona.
Depois disso, eu dirigi e produzi o filme-concerto U23D. Mark Pellington dirigiu as filmagens ao vivo e, em seguida, realizamos um ano de pós-produção para animação e efeitos visuais. Foi um filme particularmente belo em termos de como fluiu e seu ritmo. Formava uma parte da linguagem 3D. Ang Lee foi muito influenciado por ele em A Vida de Pi e o diretor de fotografia de Gravidade, Emmanuel Lubezki, também fez referência a ele.
Tudo isso foi realmente maravilhoso porque eu senti que nós temos que contar a história de tudo o que aconteceu nessas cinco turnês anteriores, incluindo a Vertigo. Foi uma maneira maravilhosa de se desconectar. Não havia muito que você pudesse fazer depois da turnê 360​​°!”

 

Histórias de Inocência e Experiência: Guggi explica “Cedarwood Road” e fala sobre os pais de Bono

“Eu vi o que eu sabia que era a casa de nossa família….”

Guggi conhece Bono desde os três anos de idade, o que deu a ele mais do que apenas um papel na sua turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE. Na Hot Press Guggi revela:

“Bono irá lhe contar que somos amigos desde os três anos e moramos perto um do outro na Cedarwood Road, mas a primeira vez que percebi que o U2 tinha algo realmente especial foi quando eles tocaram no Croke Park em 1985. Eu fui caminhar pelo estádio um pouco, longe do palco, naquele dia, e testemunhei em primeira mão que as outras pessoas no fundo estavam tão profundamente afetadas quanto eu. Então me dei conta de que eles não eram uma banda de pub. A verdade é que eles têm algo muito raro, mas foi a primeira vez que o vi nessa extensão, ou de uma maneira tão profunda.
Eu sabia que havia uma música chamada “Cedarwood Road”, quando o álbum ‘Songs Of Innocence’ estava em produção. Eu provavelmente já tinha ouvido rough takes da faixa, antes dos vocais terem sido reduzidos, mas não foi até os shows da iNNOCENCE + eXPERIENCE que eu vi os gráficos que a acompanhavam. Eu vi o que eu sabia que era a casa da nossa família com a cerejeira florida, que naquela época era a única na área, e a cabine de telefone na frente. Nossa casa era identificada por aquela cabine telefônica do lado de fora, e eu escutei Bono falando sobre isso quando nos conhecemos. Eu não percebi que estava na música até ver tudo ao vivo e ouvir as palavras corretamente. Foi muito emocional.
Diferentes imagens surgem acima das casas na Cedarwood Road, durante esses visuais, e uma sou eu em um cavalo. Isso vem de uma lembrança de infância. Eu não tinha permissão para telefonar para Bono em um sábado de manhã antes das dez horas, porque seus pais queriam ficar deitados – seu pai trabalhava pesado nos correios. Ao mesmo tempo, fui chutado de casa cedo, então eu só queria telefonar para o meu amigo. Na época, nos arredores de Finglas e Ballymun, havia manadas de cavalos errantes, de propriedade dos viajantes. O ditado era “nunca, nunca se deve pegar o cavalo de um viajante”. Você pegaria o que era conhecido como um “auld fella’s hiding” – eles não facilitariam para você.
De qualquer forma, havia um cavalo com corda sobre ele no gramado no final da estrada – eu suavemente consegui pular nas costas dele e o levei para o jardim de Bono, pensando que eu iria conseguir algum crédito. Coloquei suas duas patas dianteiras na varanda e toquei a campainha sentado nesse cavalo. Bob, o pai de Bono, atendeu a porta. O rosto do cavalo estava apenas a uns quinze centímetros de distância dele, e ele disse: – ‘Eu já lhe disse, jovem Rowan, nunca antes das dez horas da manhã de um sábado’ – e ele fechou a porta.

“Raised By Wolves” vem da história que contei a Bono sobre meu pai, meu irmão Andy e os atentados em Dublin em 1974. Eles entraram na traseira da van do meu pai na Parnell Street e então um estrondo muito alto – mais alto do que eles pensavam ser possível, aconteceu. A porta da van foi fechada e isso os protegeu. Ninguém nunca foi culpado por esses atentados. Acredita-se amplamente que a inteligência britânica estava de algum modo envolvida. Mas esse evento sangrento teve um impacto incrível em nossa família.
Eu também tenho lembranças muito vivas da mãe de Bono sobre quem a música “Iris” foi escrita – que foi um momento tão central naquela turnê. Ela preferia me mandar para a venda como mensageiro, porque Bono perderia o dinheiro, e ele voltaria sem dinheiro ou sem mantimentos. Ele não iria gastá-lo – ele realmente iria perdê-lo e nunca mais seria visto novamente. Ou ele poderia tirar uma nota de cinquenta pence do bolso três meses depois. Ele ainda perde dinheiro, mas suponho que, se ele perder o preço de meio quilo de salsichas agora, talvez não perceba.
Eu assisti a turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE em Miami, e em Barcelona, ​​e eu também estava lá para os shows remarcados em Paris depois dos ataques terroristas. Fui até lá com o falecido Dave Kavanagh, nós dois com cachecóis do Paris Saint-Germain em volta do pescoço, então eu sempre vou me lembrar disso. Mas ver o show iNNOCENCE + eXPERIENCE na 3Arena, no Northside de Dublin, foi muito, muito especial e pessoal para mim”.

 

Como membro do atu2, Tassoula E. Kokkoris já viu mais shows do que ela pode contar. Ela reflete sobre sua própria jornada e o que a turnê de aniversário significou…

“O show de aniversário foi brilhante, do começo ao fim…”

Eu tinha só 11 anos quando o Joshua Tree foi lançado, em 1987. U2 não veio para a minha cidade natal, Portland, Oregon naquela turnê e eu não tinha idade suficiente para viajar para vê-los, então perdi a oportunidade.

Na verdade, ainda me deixa chateada o fato de eu não ter tido permissão para ir na turnê ZooTV! No Ensino Médio, eu era obcecada pelo Achtung Baby, mas ainda não tinha carteira de habilitação e o show era há uma hora de distância, no Tacoma Dome, onde eu havia assistido George Michael no outono anterior. Mas, diferente de George, que eles amavam, meus pais achavam que Bono era um cara que vestia couro e causava problemas, falador, com um cigarro pendurado na boca. Eles se recusaram a me levar ou me deixar ir com amigos. Ironicamente, minha mãe, agora nos seus 70 anos, se tornou uma grande fã da banda e assistiu seu primeiro show em Seattle, na turnê Joshua Tree Tour 2017.

Como resultado disso, não vi o U2 ao vivo até a Elevation Tour, em abril de 2001. Comecei tarde! Mas eu mais que compensei o tempo perdido. Vi 46 shows, incluindo a primeira noite em Slane Castle, a apresentação deles no Live 8 com o Paul McCartney e no Apollo Theater, no verão passado.

Comecei a interagir com o atu2 em 1999 e participei de um de seus eventos no Rock and Roll Hall of Fame and Museum, em 2003. Lá eu conheci nosso fundador, Matt McGee, e pouco tempo depois, enviei um artigo sobre as semelhanças entre The Beatles e U2, o qual ele publicou. Alguns anos depois, minha cobertura dos ensaios da Vertigo em Vancouver, BC, o convenceu de que eu era digna de uma vaga na equipe. Tem sido uma aventura desde então.

The Joshua Tree foi o álbum que provou que a banda que eu ouvia desde os seis anos de idade não desapareceria tão cedo. Eu ainda estava no Ensino Fundamental quando foi lançado, mas instantaneamente, me tornei grande fã de canções como “Running to Stand Still” e “One Tree Hill”. Os temas sombrios e as letras cheias de conteúdo serviram como acompanhamento perfeito para minha angustia adolescente. “Where the Streets Have No Name” não teve muito impacto em mim até que a ouvi ao vivo. Agora está entre as minhas músicas favoritas do U2.

Também tenho a viagem que nosso pessoal fez para a verdadeira Joshua Tree, em 2009, como uma das experiências de vida mais espirituais que já tive.

Achei o show de aniversário brilhante, do começo ao fim. Eu o vi em sete cidades diferentes, e aproveitei imensamente cada um deles. Começar com sucessos anteriores como “Sunday Bloody Sunday” e “New Years Day” foi o modo perfeito de levar o público em uma jornada até o The Joshua Tree; então, ouvir o álbum em ordem cronológica, ao vivo, foi um sonho realizado. As canções mais antigas se misturaram perfeitamente com os sucessos mais recentes que se seguiram, como “Beautiful Day” e o telão não era nada menos que deslumbrante. Aquele primeiro momento, quando a árvore se acende em vermelho durante a introdução de “Streets”, arrepiava todas as vezes.

U2 nunca agrada todo mundo. Algumas pessoas reclamaram que o setlist era muito previsível, mas eu não consigo ver lógica nisso: era uma turnê de aniversário e eles estavam tocando o álbum inteiro! Inicialmente, houve acusações de que a turnê foi feita só pelo dinheiro, mas assim que a banda deu mais entrevistas e explicou porque fazia sentido ressuscitar essas músicas, as críticas diminuíram. No fim, as pessoas deram à turnê o devido respeito. Considerando agora quantos de nós estão implorando por uma turnê semelhante para Achtung Baby, seria difícil registrar isso como qualquer coisa que não fosse sucesso.

Em termos de poder emocional, eu a colocaria no mesmo patamar de outras turnês. A energia, nostalgia, elegância – U2 sempre dá tudo de si ao vivo e essa turnê não foi exceção. Os benefícios de a banda empregar as mesmas pessoas por décadas – dos técnicos de coreografia aos de som e luzes – também eram aparentes. Usar a arte de Anton Corbijn, que fotografou a capa do álbum e filmou muitos de seus vídeos, unido aos designs de Willie Williams – que está com eles desde o início dos anos 80 – criou o que pra mim foi a experiência visual ideal.

As canções talvez tenham sido mais relevantes em 2017 do que quando foram lançadas 30 anos atrás: elas eram proféticas naquela época e se tornaram ainda mais pungentes com a passagem do tempo.

Como uma equipe, atu2 quis ajudar a melhorar a experiencia de ir aos shows para os fãs, tendo eles idade suficiente para se lembrar da turnê original ou não. Fizemos de tudo, de postar dicas de como conseguir ingressos depois de anunciarem que se esgotaram, até compartilhar a inspiração por trás das músicas do álbum. Meu colega Scott Perretta recontou a sua experiencia de assistir a turnê original quando adolescente. Também mergulhamos fundo nas histórias das outras pessoas que apareciam no telão durante o show. Karen Lindell entrevistou o documentarista navajo, que aparecia durante “One Tree Hill” e eu acompanhei alguns dos ativistas que estavam nos vídeos de “Ultraviolet (Light my Way)”.

Talvez o mais sentimental, convidamos os fãs a dividirem conosco suas experiencias ao visitar a Joshua Tree no meio do deserto, na nossa série “Joshua Tree Journeys”. Foi um privilégio compartilhar suas belas lembranças.

A nível pessoal, The Edge tinha uma exibição no Arcane Space, que mostrava suas fotografias originais, tiradas em 1987 durante a turnê The Joshua Tree. Para fazer a cobertura para o atu2, fui para a Califórnia onde a sócia do Arcane, Morleigh Steinberg (que também é casada com The Edge), foi muito atenciosa ao me acompanhar pessoalmente pela exibição. Foi um encerramento surreal e bonito para os meses passados experimentando essas canções extraordinárias de um novo modo.

 

Malcolm Gerrie revela como o U2 queria ter gravado uma apresentação em Fez no Marrocos

“Não só parecia funcionar, como parecia incrivelmente foda …”

A turnê 360° iria ser a maior bilheteria da história. Ao longo do caminho, houve a pequena questão de filmar o show no Rose Bowl. Malcolm Gerrie teve que fazer acontecer. Ele conta na Hot Press:

“Poucas pessoas conhecem essa história, mas no início da turnê 360° do U2, a banda não planejava filmar o Rose Bowl. Absolutamente. Eles queriam fazer uma filmagem em Fez, uma cidade no Marrocos, onde eles escreveram e gravaram o álbum ‘No Line On The Horizon’, que era o “álbum da turnê”. Eles queriam que filmássemos em um “riad” – um tipo de casa marroquina construída em torno de um pátio aberto “de 360 ​​graus” – e haveria 100 a 200 pessoas convidadas para vê-los. A imagem de abertura seria do espaço sideral, através do ozônio e ampliado para dentro da casa através do teto aberto. Isso parecia muito administrável!
Então, três semanas antes das filmagens começarem, recebi uma mensagem de Paul McGuinness dizendo: “Olá Malcolm, estamos desistindo de Fez. Mas não se preocupe, estamos pensando no Rose Bowl!! Me liga!”
Assim, o Rose Bowl, 100.000 pessoas – então, ir de um pequeno riad em Marrocos para isso, foi como … digamos que foi “ambicioso!” Então eu encontrei o Paul e ele queria saber se isso poderia ser feito. Eu não sabia se conseguiríamos os vistos, as autorizações de trabalho, não importaria fazer tudo. Quero dizer, o Rose Bowl é enorme! É um dos maiores locais ao ar livre do mundo e sua forma é única. E para essa turnê, eles projetaram a ‘The Claw’ com uma tela de 360​​°. Foi uma proposta enorme. Não foi leve, mas no final decidimos dar uma facada. Uma das coisas que salvou nosso bacon, na verdade, foi que já havia muitas câmeras no estádio, então se tornou mais uma questão de melhorar a tecnologia que estava disponível, ao invés de tentar inventar a roda. Mas havia outras dificuldades. Afinal de contas, este era o U2: eles não sabem como fazer as coisas da maneira mais fácil e sua visão é sempre única – e é provavelmente por isso que eles tiveram tanto sucesso!
Por exemplo, a banda queria um skycap – uma peça fabulosa que às vezes é usada em jogos de beisebol, onde voa literalmente sobre as cabeças do público, então você tem essas incríveis imagens de controle e zoom como faria com um drone. Ele é construído em uma grade de fios, mas além de ser um ótimo complemento para as filmagens, também é uma peça incrivelmente complicada … mas oferece imagens fabulosas.
Depois, houve a pequena questão de transmitir tudo ao vivo no YouTube: o primeiro webcast ao vivo nesta escala! Parece loucura agora, mas ninguém sabia se isso funcionaria – ou não! Fizemos uma filmagem rápida ao vivo com algumas câmeras para ver se funcionava, para ver se o sinal iria entrar. Todos nós estávamos assistindo do quarto de hotel de Paul McGuinness, e… bingo! Na hora certa, lá estava. E não só parecia funcionar, como parecia incrivelmente foda. Todos dissemos: “Talvez possamos conseguir fazer isso depois de tudo!”
No final, acho que usamos 46 câmeras gravando esse show … incluindo Go-Pros de última geração, que são câmeras pequenas, dentro e fora do palco. Eu produzi os Brits por oito anos, eu gravei incontáveis ​​shows diferentes do Wembley Stadium ao Madison Square Garden e nós nunca, nunca tivemos nada parecido com esse número em uma filmagem. Cobrir qualquer show ‘in-the round’ requer mais equipamentos, mas para cobrir algo como isso, com a garra da concertina retrátil e a tela envolvente – isso quebrou todas as regras.
Na noite do show, havia mais de 97.000 pessoas lá, o que foi um recorde para um único concerto nos EUA … e acho que a maior parte de Hollywood se abalou naquela noite também. De muitas maneiras, o que foi ainda mais incrível do que o show em si – que foi fenomenal – foi que estávamos recebendo mensagens de todo o mundo enquanto o show estava sendo compartilhado ao vivo. Eu lembro de termos recebido mensagens de fãs da banda na China, e estávamos mostrando isso no telão. Então, em um ponto, eles começaram a dizer: “Estamos sendo desligados! Estamos sendo bloqueados”. Então bang! – houve um apagão de todas as pessoas assistindo na China. Mas lentamente, o feed voltou a entrar, porque todos esses garotos engenhosos estavam encontrando maneiras de invadir o firewall. Este foi realmente um webcast 360°! Parecia que o U2 estava se conectando com o mundo inteiro e fazendo história. E, claro, com essa turnê, eles estavam. Tornou-se a turnê de rock de maior bilheteria da história”.

 

Grande parte do texto foi publicado separadamente pelo blog Sombras e Árvores Altas, mantido pelo incansável UV André Joe.

Campanha GRAACC 2018 – Veja como participar!

Campanha GRAACC 2018 – Veja como participar!

Pelo 13º ano consecutivo, o fã-clube ULTRAVIOLET-U2 realizará a já tradicional campanha de apoio ao GRAACC e convida os fãs do U2 em todo o Brasil a participarem, fazendo sua doação.

A contribuição pode ser feita de 2 maneiras. Escolha a que é mais conveniente para você:

Fazer Depósito/TED/DOC direto na conta do GRAACC:

GRAACC

Banco Bradesco
Agência: 0548(caso seja pedido, o dígito é 7)
Conta Corrente: 98.355-1
CNPJ: 67.185.694/0001-50

O comprovante TEM QUE SER ENVIADO para:

ultraviolet-u2-owner@yahoogrupos.com.br

OU

Através da loja virtual do GRAACC:

https://graacc.org.br/presente-solidario-ultraviolet/

  • Clique em FAÇA A SUA DOAÇÃO
  • Digite o valor da sua doação(qualquer valor)
  • Pague usando o Pay Pal.

Quem optar pelo presente solidário deve enviar um print, caso queira participar do sorteio dos brindes.

Envie para:

ultraviolet-u2-owner@yahoogrupos.com.br

SEM COMPROVANTE NÃO TEMOS COMO COMPUTAR SUA DOAÇÃO, NEM TEM COMO VOCÊ PARTICIPAR DO SORTEIO DE BRINDES.

SEM EXCEÇÕES!

E por falar em brindes, vamos a eles!

Os sorteios serão realizados através de um site especializado na internet. O resultado será postado em nossa fanpage no Facebook assim que os valores totais forem computados e recebermos a nota fiscal do GRAACC.

Os valores escolhidos neste ano são os seguintes:

PARA QUEM DOAR R$30,00:

Revista pôster com letras traduzidas

CD Single Mission Impossible – Adam Clayton & Larry Mullen

CD Perfect Day BBC  Children in Need – Bono e diversos artistas

CD Single New Day – Bono & Wyclef Jean

CD Single In the name of the father – Bono & Gavin Friday

CD Single Miss Sarajevo – Passengers

CD Single Sweetest Thing

DVD Classic Album: Joshua Tree

PARA QUEM DOAR R$60,00:

Picture Disc Red Hill Minning Town – Importado

The Joshua Tree Vinil – original 1987

DVD U2 In Glastonbury 2011

 

Revista pôster .

Serigrafias oficiais do U2.com

PARA QUEM DOAR 100,00:

Estatueta do Bono

Estatueta do Edge

CD Duplo Deluxe Joshua Tree importado

Livro Pedro e o lobo – ilustrado por Bono

 

Caso surja alguma dúvida, contate-nos via inbox em nossa page no Facebook. Teremos prazer em esclarecê-las.

Participe! Seja solidário e muita sorte a todos!

 

 

 

U2 revela tecnologia usada na nova tour – Realidade Aumentada!

U2 revela tecnologia usada na nova tour – Realidade Aumentada!

O site u2.com enviou links para que os fãs baixem o aplicativo que promove uma experiência de Realidade Aumentada em que Bono aparece em 3D enquanto canta Love is all we have left.

A tecnologia será usada nos shows do U2 na nova tour.

 

Baixe para Android aqui:

Baixe para Iphone aqui:

 

Dá uma olhada no vídeo, gravado diretamente do Iphone.

Fã Clube comemora seus 20 anos com grande festa em São Paulo

Fã Clube comemora seus 20 anos com grande festa em São Paulo

Fãs do U2 de todo o planeta costumavam se comunicar numa lista internacional conhecida como Wire, no final dos anos 90. Foi lá que nossa presidente, Ana Vitti, e mais alguns fãs – que continuam conosco até hoje, participando dos eventos e acompanhando nossos perfis nas redes sociais – se encontraram após um deles perguntar, em português, se havia algum brasileiro presente.

A partir desta lista, brasileiros começaram a ter um lugar para se encontrar virtualmente, muito antes do surgimento das redes sociais. O Ultraviolet-U2 Fan Club Brazil começou timidamente como uma lista de emails, em um pequena empresa que foi comprada pelo Yahoo, e após a apresentação no Fantástico e a gravação do vídeo de Walk on, em 2000, Adra Garcia oficializou a reunião de fãs e registrou o fã clube num cartório. Depois disto, pessoas de todos os estados brasileiros, além de alguns moradores de países estrangeiros, passaram a se autodenominar como UVs e UVas, com muito orgulho.

 

E é esta união virtual e física que iremos comemorar no próximo dia 28 de abril de 2018, no Bar Skull, em São Paulo. Com shows das bandas Manchester Oasis Cover e a Ultraviolet Tribute Band (formada por pessoas que se conheceram ainda na antiga lista de emails), o encontro vai comemorar a última passagem do U2 pelo brasil, em outubro do ano passado, além de rever e conhecer alguns membros do fã clube e participar de sorteios de alguns brindes especiais.

Se você quer conhecer as pessoas do grupo e curtir um som especial, não deixe de participar!

 

O que significa essa tatuagem no seu braço?

O que significa essa tatuagem no seu braço?

Angela Kuczach é bióloga, ambientalis e Diretora Executiva da Rede Pro UC, organização não governamental advocacy que trabalha pelos Parques Nacionais do Brasil. Em 2014, foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil. Chorou 24 horas seguidas depois desse encontro com o Bono.

Essa pergunta, eu tenho ouvido com frequência nesse último mês… A resposta? Tem a ver com um antigo poema de Willian Blake.

Esses têm sido tempos difíceis para a humanidade… E num mundo cada vez mais pasteurizado e superficial, é uma sorte ter como companhia e influência alguém que impulsione para frente e inspire a caminhar no anti-fluxo do caos. No meu caso, tem a ver com uma das últimas grandes bandas de rock do nosso tempo. Mais do que música, os mais de 20 anos de amor incondicional ao U2 me levou aos lugares mais inusitados, sejam geográficos – como às vezes em que estive na Irlanda exclusivamente para vê-los – ou as profundezas da alma, sendo estas, as viagens mais frequentes e que me fizeram ser quem eu sou.

A influência desses 4 irlandeses na minha vida é “indimencionável”… Vai das músicas ao ativismo, da fé na vida à vontade de mudar o mundo. Eu brinco que o Bono é o meu relacionamento mais antigo, está comigo há mais de 20 anos. Lembro que ainda no início da adolescência, eu sonhava em viajar pelo mundo e, nas noites de inverno curitibano, olhava para o céu e pedia… Pedia força e coragem para nunca deixar de olhar para um céu estrelado. O que eu estava pedindo, na verdade, era para não deixar de sonhar e de ouvir minha alma. Eu fazia isso ao som de U2.

Vida vai, sonhos vêm, alguns se realizam, outros não. E lá pelas tantas, você oscila. Com a devida licença poética: “Tempo de sonhar, tempo de acreditar; tempo de viver, tempo de sobreviver”. E não é difícil que a certa altura da vida, a esperança que acompanha os sonhos seja soterrada pela dureza da rotina. Nessas horas, ecoa na cabeça aquela cena de Rocky Balboa: “O mundo vai tentar te colocar de joelhos e não importa o quanto você consiga bater, o que importa é o quanto você consegue apanhar e se manter de pé”. No meio do caos que é a vida de adulto, graças a Deus, ainda existem os shows do U2.

Outubro desse ano, São Paulo. Seriam quatro shows e muitas expectativas. Como a maioria dos fanáticos que fazem parte dessa seita, apenas estar lá não bastava! Tinha que ser da primeira fila! Não! Tinha que ser na primeira fila e na frente da banda! Dias antes do show, internet bombando: “Como será a entrada? Com segurança, como é no resto do mundo, ou o velho esquema do salve-se quem puder?” Caos, confusão… Meu Brasil brasileiro é para os fortes… Nervos e coração a mil!

Chego em São Paulo 2 dias antes do show… 16h00… Um boato: “O U2 pode estar se dirigindo para o prédio da TV Globo, para gravar alguma coisa no heliporto”.

Bom, todos sabem que nossos irishs curtem um terraço de prédio e já no carro – a caminho de outro local – eu e um amigo resolvemos ir até lá para ver o que aconteceria. Portão da Globo, pouca gente, Outnenhum boato confirmado.

Eu já fui à Meca (Dublin) duas vezes e em ambas, fiz a romaria pelos “U2 points”, mas pra falar a verdade, nunca esperei nada. Era mais uma vontade de reviver alguns passos deles, saber por onde andaram. Coisa de fã que tem curiosidade sobre o ídolo. Então esse tipo de tietagem era novidade pra mim e sinceramente não sabia o que esperar. Talvez ouvi-los tocar lá de cima, sei lá. Só que as melhores partes da nossa vida não são desenhadas pela nossa imaginação.

Lá estava eu, naquela rua de SP, num final de tarde de uma terça-feira, quando aqueles 3 carros pretos viraram a esquina. O carro para, o segurança desce e avisa: “Eles vão fazer algo muito rápido lá dentro e voltam aqui pra dizer um oi pra vocês”. Numa hora dessas, o cérebro, talvez por auto preservação, te prega peças. Você simplesmente não realiza o que está para acontecer…

Ficamos por ali, mais alguns fãs chegam e eu vou fazer umas fotos a partir do edifício da frente. É quando a realidade bate: a pouco mais de 100 metros da lente da minha câmera estão aqueles caras que me acompanham há tanto tempo, que quase são parte da minha família. A pouco mais de 100 metros da minha lente, meu melhor amigo irlandês ri, conversa, ensaia e se prepara para uma apresentação. A 100 metros da minha lente, ele se torna real!

Voltamos à entrada da Globo, onde os seguranças já organizam a fila e orientam como será o encontro com a banda. Bono irá apenas autografar, por conta da agenda apertada não haverá tempo para fotos individuais. Nervosismo, expectativa… Eu, rindo, apenas peço aos amigos que estão comigo que, caso “desmaie, gagueje ou esqueça como falar em gaélico, inglês ou português, alguém – por favor – estique meu braço e peça para que ele desenhe algo para eu tatuar”.

Ele vem. E como a vida é caprichosa, eu estou no meio da fila, há tempo para o cérebro realizar o que está acontecendo e acalmar o corpo.

Ele vem. Para em minha frente:

– My dear friend.

– Yes.

– I think that… I need a new tattoo.

Um olhar divertido, ele pega o meu pulso, com toda calma do mundo, desenha. Assina.

– Thank you so much

Ele me olha, aperta minha mão:

– Be carefull…

Ele sai

– Thank you for all.

Ele volta.

Me olha nos olhos…

E o mundo pára.

“Ver o mundo em um grão de areia e o céu numa flor selvagem.

O infinito na palma da mão, a eternidade em um instante”.

O poema de William Blake, que sempre me intrigou, nesse instante ganha sentido. Um segundo pode ser eterno e o universo pode ser visto por inteiro no fundo de um par de olhos azuis.

Algumas pessoas já me disseram que quando o Bono olha nos olhos parece que enxerga a alma, e que isso seria parte do seu arsenal carismático, que fez com que dobrasse gente como George Bush e o fizesse investir em ajuda humanitária na África. Eu posso atestar que é verdade. Só que não foi o que ele viu em mim ou como ele me olhou que fez o eixo do meu mundo mudar de lugar. Foi o que eu vi nele…

Esses têm sido tempos difíceis para os sonhadores, para os que acreditam em um mundo melhor, para os não superficiais e para aqueles que ainda ousam seguir o coração. Num mundo com tanto barulho, às vezes, torna-se difícil ouvir a si mesmo.

Como uma bióloga conservacionista, uma ativista ambiental, vivendo no Brasil onde a gente anda um passo para frente e dois para trás, é difícil depois de 18 anos de briga não cansar. Administrar os desafios da vida, o caos do mundo e uma luta interminável, por vezes, nos coloca de joelhos.

E eu estava de joelhos.

Eu me sentia descrente e cansada, atravessando o período mais dark da alma.  Não sei dizer exatamente quando começou, mas durante meses esse ano, eu olhei no espelho e não reconhecia quem me olhava de volta. Várias vezes, me peguei perguntando a mim mesma quais eram os meus sonhos, o que me movia naquele instante, e ouvia o silêncio como resposta. A força que eu sempre me orgulhei de ter e de ser minha principal característica, de repente, parecia ter me abandonado… Durante os dias mais negros, eu olhava para o céu e não fazia a menor ideia de onde estavam as estrelas.

E foi no fundo daquele par de olhos azuis que o desencanto se quebrou.

Eu não sei explicar o que aconteceu ali, e acho mesmo que magia não se explica… No todo, meu encontro com Bono durou uns 30 segundos, e pra quem olha de fora o momento olho no olho não deve ter sido mais que um segundo. Não é verdade. Einstein estava certo… O tempo é absolutamente relativo. Se tiver que definir aquele momento, tem a ver com encontro, resgate e redenção… Em enxergar a plenitude do um amor gigante pelo mundo… O reflexo da alma… Tudo isso esteve presente naquele momento em que o tempo parou.

O Bono tinha tudo para dar errado. Ele poderia ter se agarrado nas milhares de desculpas que estavam ali, a mão: podia culpar o país – não esqueçamos que a Irlanda sempre foi o patinho feio da Europa ocidental e, além de tudo, nas décadas de 1970 e 80 era assolada pelo terrorismo do IRA –; podia culpar a falta de dinheiro de alguém que vivia na periferia de uma cidade provinciana como Dublin; a falta de educação, já que o pai mesmo nunca o incentivou a estudar; e, acima de tudo, ao fato de ter ficado órfão de mãe aos 14 anos de idade, durante o enterro do avô e a relação complicada com o pai que veio a seguir. Ser mais um na multidão era o esperado.

Só que no fundo daquele par de olhos azuis não mora qualquer alma…

O ativismo do Bono nunca foi leviano, ao contrário, o cara é um estrategista nato que carrega um amor gigante pelo mundo e muita raiva das injustiças naquele coração de poeta irlandês. Olhar para ele e para essa banda, ver de onde esses caras saíram, aonde chegaram e o que arrastaram no caminho é mais que uma inspiração. É praticamente um tapa na cara, desses que te fazem acordar para a vida de um jeito irreversível.

Saí do encontro com ele e entrei num estúdio de tatuagens. A garota que quando criança procurava trevos de 4 folhas no caminho da escola agora traz um shamrock, o símbolo da sorte irlandesa, gravado na pele.

Voltei pra casa com a certeza que os dias vividos em SP estarão entre os melhores momentos da minha biografia: os shows foram uma egrégora a parte, os amigos foram um plus de encher a alma de luz… Mas, acima de tudo, voltei pra casa com uma vontade louca de viver! Os sonhos restaurados, a capacidade de enxergar minha estrela-guia de volta no céu, sempre apontando pra onde eu devo ir:  ajudar a cuidar melhor dos jardins naturais desse mundo lindo que a gente vive e a despertar o máximo de pessoas possíveis para a beleza desses jardins, até que a gente entenda que o jardim também somos nós.

O que essa tatuagem significa?

A devolução daquilo que sempre me pertenceu: uma fé inabalável na vida!

Um Brasileiro Visita a Joshua Tree Tour na América!

Um Brasileiro Visita a Joshua Tree Tour na América!

 

Por: Paulo Lilla

Fui com amigos acompanhar shows da “The Joshua Tree Tour 2017”, do U2, nos Estados Unidos, justamente o país que serviu de inspiração para a criação deste álbum fantástico, verdadeira obra prima do U2 que está completando 30 anos e que levou a banda ao estrelato. Desde o anúncio da tour, fiquei ansioso para ver a execução do Joshua Tree na íntegra, ao vivo, oportunidade única para um fã “raiz” como eu, que acompanha a banda há 25 anos. Optamos por assistir aos shows na Filadélfia e em Washington e, assim, aproveitar a oportunidade para encontrar amigos queridos que estão morando na região.

Passarei a relatar a seguir essa experiência única e incrível!

Organização: da compra dos ingressos à entrada no estádio

O primeiro ponto que vale destacar aqui é a boa organização do evento, desde a compra dos ingressos até a entrada no estádio, bem diferente do que temos visto no Brasil. Comprei meu ingresso facilmente pela Ticketmaster norte-americana usando meu código de pré-venda do site oficial do U2 e um cartão de crédito brasileiro. Eles ficaram armazenados no próprio cartão de crédito, intransferíveis. Para entrar no estádio, bastaria passar o cartão de crédito na catraca. Comprei para alguns amigos, eles precisariam entrar comigo. O resultado é a redução da atuação de cambistas, que ficam sem poder vende-los a preços absurdos.

Chegamos ao Lincoln Financiale Field, na Filadélfia, para fazer check-in na fila. Essa é outra peculiaridade dos shows fora Brasil. A primeira pessoa a chegar no local do show “ganha”o direito de organizar a fila. Isso mesmo, a fila é organizada pelos próprios fãs, e não pelos organizadores do evento. Na medida em que as pessoas vão chegando, fazem check-in, recebem um número correspondente à ordem de chegada que é marcado em sua própria mão e no caderninho do organizador da fila. Em seguida, a pessoa é dispensada e só precisa retornar nos horários combinados, um pela manhã e outro à noite. No dia do show, é necessário chegar às 6h da manhã para a última checagem. Por volta das 8 horas da manhã, os organizadores do evento distribuem pulseiras com um número que obedece a ordem de chegada. A partir de então, todos são dispensados e orientados a retornar apenas por volta das 14 horas, dessa vez já para aguardar a abertura dos portões. Não, ninguém monta barraca e dorme na fila, como acontece no Brasil. Na Filadélfia, eu era o número 33 na fila e, em Washington, o número 65. Logo soube que conseguiria garantir a grade!

A entrada no estádio foi bastante tranquila, tanto na Filadélfia como em Washington. Passamos os nossos cartões de crédito e entramos tranquilamente. Em seguida, fomos revistados pelos seguranças, sem qualquer transtorno. Uma vez dentro do estádio, antes de abrirem o acesso para a pista, formamos novamente uma fila de acordo com a ordem de chegada (segundo o número em nossas pulseiras) e aguardamos sentados e tranquilos. Finalmente a pista é liberada e somos orientados a entrar em fila indiana, devagar, sem correr. Qualquer um que tentasse correr poderia ser parado pelo segurança. Foi dessa forma, calmamente, que chegamos em nossos lugares. Na Filadélfia, alguns conseguiram correr e acabaram passando na frente de quem havia chegado primeiro. A situação foi prontamente corrigida no show seguinte. No vídeo abaixo, é possível ver a entrada tranquila em Washington.

Conseguimos ficar grade!

Como já imaginávamos, conseguimos ficar na grade nos dois dias. Na Filadélfia, optamos por ficar na grade do palco B, perto da bateria do Larry. Foi incrível! Na primeira parte do show a banda fica lá até subir para o palco A, quando o telão acende e começam a tocar o álbum The Joshua Tree na íntegra. A vantagem desse lugar é que você vê a banda de pertinho em alguns momentos ao mesmo tempo em que tem uma visão ótima do espetacular telão, que é um show à parte com suas belas imagens em alta resolução.

Já no show de Washington optamos por ficar na grade do palco A. A vantagem deste lugar é que a banda fica no palco A durante a maior parte do show, principalmente durante a execução do álbum The Joshua Tree. O palco é um pouco alto, mas é possível ter uma boa visão da banda. O ponto negativo é que a visão do telão fica um pouco prejudicada, mas é possível ver as imagens bem de perto, no detalhe. Achei que valeu muito a pena ver o show na grade do palco A, é uma experiência única! Recomendo assistir a um show no palco B e a outro no palco A, como fizemos. Para quem assistir apenas um show, recomendo que fique próximo ao palco B, pois ao mesmo tempo em que terá a oportunidade de ver a banda de perto em alguns momentos, poderá contemplar o espetáculo visual proporcionado pelas imagens em alta resolução proporcionadas pelo telão.

O show

Primeiramente, é importante destacar que esta é uma tour bastante diferente do que estamos acostumados em se tratando de U2. Os shows não têm musicas novas, como vimos na 360º no Brasil. A proposta é homenagear o álbum The Joshua Tree, que é executado na íntegra ao vivo. Só isso já vale o espetáculo para o fã mais fanático. Ao tocar sua obra prima, o U2 dá um presente especial para os fãs mais apaixonados que sempre acompanharam a banda. Por outro lado, alguns hits ficam de fora da apresentação, o que pode desagradar aqueles fãs de ocasião, que realmente buscam um show mais convencional, apenas com músicas conhecidas.

O show é dividido em três partes, sendo a primeira representando o início da banda. Na segunda parte o álbum The Joshua Tree é executado na íntegra. Já a terceira e última parte, ele representa o período pós-The Joshua Tree, mais precisamente os anos 90 e 2000.

Na primeira parte do show, a banda toca no palco B seus sucessos anteriores ao The Joshua Tree. E o faz de maneira mais rudimentar, sem o telão, como nos velhos tempos em que o U2 tocava em pequenas arenas. Larry é o primeiro a entrar, caminhando para o palco B, senta em sua bateria e começa a tocar o clássico Sunday Bloody Sunday, do álbum War. Em seguida, The Edge se junta a ele, entoando o riff inconfundível desse grande hit. Bono é o próximo a entrar, seguido de Adam Clayton. Pode até parecer estranho o U2 abrindo um show com Sunday Bloody Sunday, mas funciona muito bem. Logo após, a banda toca New Years Day, outro grande clássico do mesmo álbum.

Em seguida, somos presenteados com Bad, uma das preferidas dos fãs mais fiéis da banda. Na parte final da música, as luzes se apagam e é possível ver apenas as luzes dos celulares preencherem todo o estádio, como uma constelação de estrelas ao redor da banda. Momento lindo e emocionante que contagia a todos. Bono realmente se empolga, se entrega de corpo e alma, contagiando a todos. Belíssima performance da banda. No vídeo abaixo foi possível captar esse momento incrível:

Pride encerra esta primeira parte em grande estilo. No final da canção, Bono faz um breve discurso de união em um país que saiu dividido após as eleições que levaram Donald Trump à presidência: “Da direita, da esquerda, aqueles que ficam no meio termo: vocês são bem vindos aqui esta noite. Nós encontraremos interesses comuns para alcançarmos interesses mais altos” (“From the right, from the left, those in between: you are welcome here tonight. Whoever you vote for, you are welcome here tonight. We will find common ground, reaching for higher ground”). Ao lembrar do sonho de Martin Luther King, que inspirou Pride, Bono acrescentou: “Talvez aquele sonho apenas esteja nos falando que precisamos despertar. Despertar a America da comunidade e compaixão, do protesto e da tolerância, a América da justiça e da alegria” (“Maybe the dream is just telling us to wake up. Awaken the America of community and compassion, protest and tolerance, the America of justice and joy”). Belas palavras que cabem muito bem para o atual momento que vivemos no Brasil.

Após Pride, as luzes do telão se acendem e vemos a sombra da árvore de Josué grandiosa sob as luzes vermelhas do imenso telão. As primeiras notas do inconfundível órgão de Where the Streets Have no Name começam a soar anunciando o que estaria por vir. A banda caminha para o palco A em direção ao telão, como se este momento representasse sua subida rumo ao estrelato, proporcionada pelo fantástico álbum The Joshua Tree. A banda se junta ao lado da árvore e ouvimos os primeiros acordes inconfundíveis da guitarra de Edge. Quando Bono começa a cantar Streets, o imenso telão passa a mostrar a que veio. As imagens em alta resolução são incríveis, um espetáculo à parte, muito difícil expressar em palavras. Nem as imagens de vídeo são capazes de captar com exatidão toda essa beleza e grandiosidade. Só estando no show para ter a ideia exata do que estou falando. As belas imagens, em sua maioria de autoria de Anton Corbijn, fotógrafo oficial da banda desde os anos 80, dão uma nova cara às canções do álbum.

Após Streets, a banda continua tocando sua obra prima na íntegra e o telão segue exibindo as belas imagens de Corbjn. Still Haven’t Found What I’m Looking For, With or Without You, Bullet the Blue Sky e Running to Stand Still. Início avassalador! Em seguida, Red Hill Mining Town em nova versão com Edge ao piano. Nas imagens do telão, a banda do Exército da Salvação toca os metais acompanhando a música. É de arrepiar ver ao vivo essa pérola do álbum The Joshua Tree, que nunca havia sido executada pela banda antes dessa tour. Música linda em versão belíssima e empolgante. Um presente para os fãs!

Em seguida, In God’s Country mantém a mesma pegada de 30 anos atrás, mas dessa vez um pouco mais lenta, com belas imagens da Joshua Tree ao fundo em diferentes cores. A sequência continua com Trip Through Your Wires. Curioso que durante a execução dessa música, o telão mostra imagens de Morleigh Steinberg, esposa do Edge, exuberante em figurino cowgirl, pintando a bandeira dos Estados Unidos em um casebre no deserto. Para quem não sabe, Morleigh fazia a dança do ventre em MysteriousWays, durante a Zoo TV Tour em 92 e 93. Edge não resistiu aos seus encantos e acabou se casando com ela.

A banda passa a tocar One Tree Hill, sobre a qual Bono lembra que foi composta em homenagem ao neozelandês Greg Carrol, roadie e amigo da banda, morto num trágico acidente de moto, em 1986, quando o The Joshua Tree estava no auge de seu processo criativo.

Sem dúvida, o ponto alto do show é a performance de Exit, uma das canções mais sombrias do U2, pesada e poderosa. Para introduzir a música, uma crítica indireta e sutil ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O telão mostra trechos da série de TV norte-americana Trackdown, passada nos anos 50, cujo personagem, coincidentemente denominado Trump, anuncia o fim do mundo para os habitantes de uma comunidade, sugerindo que ele seria capaz de construir um muro ao redor das casas daquelas pessoas como forma de proteção para a suposta catástrofe que viria naquela noite. Um charlatão que busca o domínio através do medo. Coincidência ou não, o Trump atual se vendeu como salvador da pátria para vencer as eleições presidenciais e o mote de sua campanha era justamente a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México para conter a imigração latino-americana,  que na visão de boa parte do povo norte-americano, poderia ser equiparável ao fim do mundo… Voltando ao show, Bono sobe ao palco usando um chapéu, incorporando um personagem que ele próprio denominou de “Shadow Man” (Homem Sombra), pregando ilusões em uma performance alucinante. Toda a plateia vibra com as imagens do telão e o show de luzes que se vê nas partes mais empolgantes da canção, enquanto Bono faz seus movimentos de Shadow Man em direção à câmera, pedindo para colocarmos nossas mãos na tela… Fantástico!

Finalmente, a banda fecha o álbum The Joshua Tree com a canção Mothers of the Disappeared. No telão surgem vultos das Madres de Plaza de Mayo. Essas imagens remetem à célebre performance da banda na Argentina e no Chile durante a PopMart, em 1998, quando as elas subiram ao palco com o U2. Como se sabe, esta bela canção foi inspirada nessas mães que tiveram seus filhos desaparecidos nas violentas ditaduras argentina e chilena nas décadas de 60 e 70. Como nos célebres shows da PopMart, Bono canta “el pueblo vencera” na parte final da canção. Outro momento memorável. E assim acaba a execução do álbum The Joshua Tree na íntegra.

A banda segue o show tocando seus sucessos pós-The Joshua Tree. A impressão que dá é que ainda não encontraram o melhor formato para essa parte final.  Em Washington, eles iniciaram essa última etapa com Miss Sarajevo. No telão, vemos as imagens do campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, e a narrativa de uma adolescente síria, Omaima Hoshan, sobre suas trágicas experiências na guerra. O ativismo da banda, especialmente de Bono, jamais faltaria numa tour desta magnitude, ainda mais em se tratando do álbum The Joshua Tree e sua veia política. Se Miss Sarajevo fora inspirada nos horrores da Guerra da Bósnia nos início dos anos 90, agora a canção ganha um novo significado, tendo como pano de fundo a Guerra da Síria. Nas cadeiras inferiores, holofotes iluminam uma grande bandeira com a imagem de Omaima, que circunda toda a extensão do estádio. Uma gravação da voz memorável de Pavarotti em dueto com Bono, ao vivo no palco, dão o toque final à bela canção.

Em seguida, a banda toca Beautiful Day em uma versão repaginada, com uma pegada levemente eletrônica. Matizes de cores e luzes envolvem o imenso telão, servindo como pano de fundo para esta bela canção do U2.

Dando sequência à parte final do show, tocam Elevation. Os mais fanáticos torcem o nariz para essa música, considerada um hit muito óbvio e que, portanto, acaba soando um tanto quanto deslocado no show. Em Washington, Edge acabou errando a entrada da música, provocando risos do baterista Larry Mullen Jr.

Em seguida, a banda faz uma bela homenagem às mulheres em UltraViolet, uma das canções favoritas dos fãs. Do telão, vemos imagens de mulheres que cumprem ou cumpriram um papel importante na luta pela igualdade de gênero e direitos humanos. Belíssimo! No show da Filadélfia, a banda tocou MysteriousWays no lugar de UltraViolet, provavelmente em homenagem ao casal Edge e Morleigh, que fazia aniversário de casamento naquele dia.

A belíssima One é então executada após Bono fazer um discurso político contra o corte do orçamento de Trump que prejudicará o financiamento dos Estados Unidos a programas de combate à AIDS na África. Bono ressalta que essa ajuda humanitária foi um conquista bipartidária, envolvendo os dois partidos rivais, Democratas e Republicanos, mas que agora está em risco com os cortes de Trump que, segundo Bono, não representa os valores e tradições do Partido Republicano. Bono se empolgou tanto com seu discurso, que acabou errando a entrada de One. Mas ele tem crédito, a gente perdoa!

Finalmente, o show é encerrado com Vertigo, outro hit considerado óbvio pelos “fãs raiz”. Do telão, vê-se um belo espetáculo de cores vermelhas e pretas que provocam certa vertigem. Belo espetáculo! Acabamos não conseguindo ver Little Things that Give You Away, nova balada do álbum Songs of Experience, ainda não lançado, que a banda tocou no encerramento de alguns shows.

Na Filadélfia, a ordem das músicas na parte final foi um pouco diferente: Miss Sarajevo, Mysterious Way (ao invés de UltraViolet), One, Beautiful Day, Elevation e Vertigo. No final desse show, nosso amigo Neto Moreschi conseguiu o set list. Lógico que vai para a moldura, né?

O que dizer desses shows?

Para resumir a nossa experiência com esses dois show, só posso dizer que ficamos maravilhados com a performance da banda, com o imenso e imponente telão e seu show de imagens e cores e, principalmente, com o The Joshua Tree sendo executado na íntegra. Ao final do show, olhamos uns para os outros e notamos a felicidade estampada em nossas faces. A foto abaixo, tirada após o primeiro show em Filadélfia, ilustra bem esse momento:

Destaque positivo também para a organização dos shows, desde a compra dos ingressos até a entrada nos estádios.

Agora é aguardar os shows no Brasil. Provavelmente, teremos algumas mudanças no set list e possivelmente nas imagens do telão. De qualquer maneira, a oportunidade de ver o U2 tocando o The Joshua Tree na íntegra em terras tupiniquins é emocionante, já que a tour original de 30 anos atrás acabou não vindo para o Brasil. Quem conhece bem a banda e a obra prima The Joshua Tree vai vibrar, chorar, gritar, cantar as músicas e se emocionar com o show. Passaremos perrengue? Sim, mas estaremos felizes como nunca! Já os fãs de ocasião que não conhecem tão bem o U2 para além dos hits radiofônicos, terão a oportunidade única de ver esta verdadeira obra prima, o The Joshua Tree, executada na íntegra ao vivo. E certamente o U2 ganhará novos fãs, aquelas pessoas que vimos saindo boquiabertas do estádio, impressionadas com a grandeza da maior banda do planeta. Ah, mas não seria pelo telão? Pode até parecer que sim, mas a verdade é que o telão é muito pequeno perto da grandeza do U2 e de sua obra repleta de canções que tocam a alma e o coração.

 

 

  • Todos os vídeos e fotos by Paulo Lilla, exceto Ultraviolet, by Ju Sarda, e With or Without You, by Márcio Artacho Frugiuele
Livro U2 by U2

Livro U2 by U2

O livro U2 by U2 nunca foi lançado em português, no Brasil, os fãs da lista e do fórum Ultraviolet, logo após o lançamento da edição com capa dura, em 2005, se reuniram num grande mutirão e realizaram uma tradução coletiva das centenas de páginas da publicação.

 

Se você quiser comprar a edição original, em inglês, com capa dura, compre aqui.

Se você quiser comprar a “edição de bolso”, em inglês, mas sem fotos, clique aqui:

Se você ler o conteúdo, na tradução feita por UVs, clique aqui:

 

 

Eu fui a um concerto do U2 na Tour Joshua Tree!

Eu fui a um concerto do U2 na Tour Joshua Tree!

Cristina Cruz é portuguesa e participa do fã clube Ultraviolet desde o começo dos anos 2000, principalmente no antigo Fórum do UV.

 

Quando me pediram para escrever sobre o concerto do U2, em Paris, no dia 4 de Julho de 1987, a primeira coisa em que pensei foi a overdose de emoções sentidas naquele dia. Mesmo tendo já passado quase 30 anos (30 anos!), ainda é com emoção que recordo aqueles momentos.

Eu tinha 16 anos, estava em Paris e a minha banda preferida era o U2. Tinha uma semana antes comprado o álbum – em vinil, claro – Joshua Tree. Recordo-me que no dia em que cheguei a Paris fiquei pasmada no mêtro ao ver numa tela enorme o vídeo de “Where the streets have no name”. Lembro-me dos meus colegas de viagem me dizerem que também gostavam, o que eu achei fantástico, pois os meus amigos gostavam mais do Bryan Adams e do Wham.

Em Paris, tudo era novidade. No terceiro dia, numa das nossas preambulações pelas ruas, perto dos Campos Elísios, vimos uma limousine parar e de lá saírem algumas pessoas. Paramos para ver quem seriam. Quando me apercebi que uma das pessoas era o Bono senti um misto de perplexidade e excitação. Seria possível? O Bono do U2? O Bono que usava cabelos compridos e cantava no cimo dos prédios? Sim, era mesmo ele. Cabelo preso, calças pretas e penetrantes olhos azuis. Ele sorriu para nós e um colega meu começou a gritar “U2, I love you”. Ele aproximou-se ainda mais de nós e disse “Thank you” e acrescentou “Are you comming to the concert tomorrow?”. E seguiu, conversando com os outros três que iam com ele. Reparei que eram os outros membros da banda, mas eu naquela altura não sabia sequer como se chamavam, só sabia que instrumentos tocavam.

Já longe deles quebramos o silêncio e questionamos “Que concerto? Vai haver um concerto? Onde?”. Relembro aqui que, na época, não havia internet, cartões de crédito, celulares, apenas (poucas) revistas de música e os jornais quase não escreviam sobre concertos. Nessa noite, no hotel, perguntamos ao rececionista se ia haver um concerto do U2, onde era e se havia ingressos. Ele foi procurar e disse “é amanhã no Hipodrome e ainda vendem ingressos lá”. Decidimos ir, prontos a gastar todo o dinheiro que tínhamos, nem que isso significasse passar fome o resto da viagem.

Lembro-me que chegamos lá no meio da tarde, compramos os últimos ingressos à venda e entramos. Havia muita gente do lado de fora, mas confesso que fiquei chocada com as milhares de pessoas que estavam lá dentro. Alguém disse que era um recorde em Paris, cerca de 70 mil pessoas. Eu só me perguntava: essas pessoas gostam todas tanto do U2 como eu? Deviam gostar! Afinal de contas eu nunca tinha ido a um concerto, nem tinha estado num lugar com tanta gente.

O palco era enorme e lindo, com a árvore projetada no fundo e dos lados, em tons de amarelo torrado e preto. Passado pouco tempo começou a cantar o Pogues e depois o UB40. Eu não sabia quem era o Pogues e apesar de conhecer o UB40 não conseguia estar atenta ao que cantavam ou como se movimentavam no palco. Queria ver o U2, ouvir a voz do Bono cantando sem ser no toca discos ou no rádio. Não ficamos muito perto do palco com receio de alguma confusão e pelo aglomerado de câmaras de televisão. Fiquei naquele momento com a sensação que aquilo tudo não seria o usual, mas não pensei que o concerto iria ser gravado.

 

Quando finalmente o U2 apareceu no palco, fiquei de boca aberta e com o coração batendo descontroladamente. Fui percorrida por uma espécie de arrepio até à alma. Eram eles, eram mesmo eles! O Bono tinha uma energia louca, pulava, gritava, não parava um minuto. A voz era límpida, provocante e cheia de garra. As músicas seguiam-se umas atrás da outra a um ritmo alucinante e sem interrupções. Recordo-me especialmente de Sunday Bloody Sunday, na época a música emblemática da banda. O público parecia enlouquecido e berrava cada palavra da música. Bono cantava avidamente como se o mundo fosse acabar ali, naquele momento. Quase no fim lembro-me de me sentir absolutamente feliz quando ouvi Running to Stand Still, uma das minhas músicas preferidas. A seguir, esperava Where the Streets Have no Name, mas ela não veio. Pouco depois começou With or Without You e tudo se transformou. Na frente as pessoas iam sendo empurradas pelas que estavam mais atrás. De repente, no meio da noite, surgiu uma nuvem de fumaça branca. Nós voltamos para trás e combinamos ir embora. Entretanto, o Bono parou de cantar e disse qualquer coisa como “nos concertos do U2 ninguém sai ferido”. Essas palavras acalmaram as pessoas e o concerto recomeçou com Party Girl (a Ali apareceu no palco, mas na altura a gente não sabia que ela era a mulher dele, pensamos que era uma fã) e por fim 40. Acabou? Sim, acabou o concerto e eu nem acreditava que ele algum dia tinha acontecido.

No caminho para o hotel viemos em silêncio. Tinha sido tudo tão extraordinário e surreal que qualquer palavra poderia acabar com a magia do que tínhamos vivido. Eu pensava que quando chegasse a casa e contasse o que tinha visto ninguém ia acreditar. Ainda por cima tinha deixado a minha máquina fotográfica no hotel com medo que me roubassem! Ainda hoje não me perdoo por isso.

Nos 30 anos seguintes, voltei a ver U2 ao vivo, em várias tours, em vários países, na grade e na arquibancada. Tive a oportunidade de voltar a ver o Bono (e o Edge) na rua durante a 360 tour, tirar-lhe fotos e, no fim, ele me dar, sem eu pedir, um autógrafo no single de vinil de Pride.

Lembro do concerto de Paris muitas vezes. Em 2007, quando eles escolheram para a comemoração dos 20 anos esse concerto para incluir na box da edição especial, eu estava novamente longe de casa e fui numa loja no dia em que a colocaram à venda. Nada anunciava o lançamento e quando a colocaram na prateleira ninguém estava por perto na expectativa de lhe tocar. O simples gesto de pegar nela foi emocionante para mim. Trouxe o box para casa, mas nunca fui capaz de ver o concerto, talvez por achar que o que está guardado na minha memória tenha pouco a ver com a realidade.

Entretanto, o ano passado o U2 anunciou que vai comemorar os 30 anos do Joshua Tree com uma nova Joshua Tree Tour. Fiquei surpreendida! O que esperar? Não sei. Acho que nenhum fã sabe. Mas talvez eu vá finalmente ver o DVD do concerto de Paris no momento certo, ou seja, na véspera do começo desta tour. Apesar de, aparentemente, ser um regresso ao passado, acredito que essa tour seja bem mais do que isso. Apenas uma coisa é imutável, essa é a banda – e os concertos, a forma onde todas as emoções transbordam – que acompanha a minha vida há mais de 30 anos.

Cris Cruz, Maio de 2017

 

Dicas infalíveis para quem quer comprar ingressos para os shows do U2 no Brasil. LEIA!

Dicas infalíveis para quem quer comprar ingressos para os shows do U2 no Brasil. LEIA!

Apesar de ainda não termos confirmação do “oráculo”, U2.com, acreditamos que desta vez os “boatos” irão se concretizar. Vale lembrar: antes de mais nada, que devemos aguardar a oficialização no site oficial. Nada de sair comprando passagem, reservando hotel com cartão ou fazendo uma loucura. Calma!!!
Temos alguma experiência com compras de ingressos, tanto no exterior quanto aqui no Brasil, e alguns comportamentos e situações se repetem, por isso resolvemos organizar alguns pontos importantes para quem vai se aventurar neste mundo U2niano pela primeira vez.

1 – “Quero muito ir ao show do U2, mas vou comprar o ingresso mais perto da data”.
Não. Os ingressos são vendidos com muita antecedência e se esgotam rapidamente

2 – “Quem é do fã clube tem facilidade na compra”.
Não. Nós vamos “à luta” como qualquer ser humano

3 – “Tenho amigo no fã clube. Ele vai conseguir comprar ingressos pra mim”
Não. Geralmente existe uma cota de ingressos por pessoa, e os fãs de U2 costumam se organizar com muita antecedência, já destinando os ingressos da cota para outros fãs.

Então, como fazer para garantir o seu ingresso?

1 – Faça uma assinatura anual paga no U2.com. O valor para novas assinaturas é de U$ 50 (cerca de R$ 160,00) e para renovações U$ 40 (R$ 126,00).
Se tornando um assinante, você terá direito à compra no primeiro dia de abertura das vendas. Se deixar para fazer sua assinatura somente após a divulgação das datas dos shows, você só terá direito à compra no SEGUNDO dia das vendas. Se decidir não assinar, terá que tentar a sorte no terceiro dia, com venda aberta para todo mundo. Lembrando que a assinatura também dá direito a conteúdo exclusivo do site, um email com terminação @u2.com e um brinde especial e exclusivo da banda;

2 – Faça o seu cadastro completo no site que venderá os ingressos com ANTECEDÊNCIA. Cadastre inclusive o seu cartão de crédito;

3 – No dia da venda, esteja logado ANTES do horário programado. E não desista. Não adianta tentar a primeira vez, achar que não vai dar certo e desistir. Em algumas ocasiões, já chegamos a passar HORAS tentando até conseguir;

4- Peça ajuda a amigos, familiares, namorado(a). Todo mundo tentando a mesma coisa, de preferência com um cadastro diferente. Se conseguir comprar mais de uma vez, procure fãs que não tiverem a mesma sorte que você e repasse a preço de custo. Faça uma boa ação pensando no exemplo que recebemos do U2. Um UV ajuda o outro. NUNCA sobra ingresso;

5 – O mais importante: acompanhe a nossa página Ultraviolet no Facebook para as informações sobre dias dos shows, vendas e dicas diversas. Fique de olho que tá vindo uma surpresa maravilhosa…

P.S. – Cada assinatura no site do U2 dá direito a comprar 4 ingressos (meias ou inteiras), independente do número de shows. Se quiser comprar 5, faça duas assinaturas.

P.S. II – O dinheiro vai para o U2!!! Não recebemos nenhum centavo destes 50 dólares e nem cobramos nenhuma taxa de inscrição. Para participar do Ultraviolet Fan Club Brazil é só nos acompanhar via Facebook, Twitter, Instagram ou site.

P.S.III – O cartão PRECISA ser internacional para fazer a assinatura, já que o pagamento é em dólar. Ele pode ser no nome de qualquer pessoa, não precisa ser do assinante. Para comprar o ingresso, pode ser nacional ou internacional.

 

BOA SORTE!

Facebook, Direitos Autorais e Liberdade de Expressão: o caso da remoção das fanpages da UltraViolet-U2 e U2BR 

Facebook, Direitos Autorais e Liberdade de Expressão: o caso da remoção das fanpages da UltraViolet-U2 e U2BR 

Por: Paulo Lilla

Esta semana fomos surpreendidos com a remoção, pelo Facebook, das fanpages da UltraViolet-U2 e U2BR, duas das maiores fanpages do U2 no país. Não houve qualquer justificativa para tal remoção e não foi dada aos administradores das páginas a oportunidade de se defenderem e corrigirem eventuais violações aos termos de uso do Facebook. Tudo leva a crer, contudo, que a remoção das páginas pelo Facebook tenha relação com questões de direitos autorais.

Como resultado disso, todo esse trabalho de anos de divulgação das páginas, com milhares de seguidores, foi perdido sem qualquer aviso prévio ou justificativa e, o que é pior, sem dar a oportunidade de defesa para os administradores das páginas, ou pelo menos a oportunidade de corrigir eventual irregularidade removendo o post supostamente indevido. Enfim, a exclusão das páginas foi arbitrária, indevida, sem justificativa, sem direito de defesa e sem a oportunidade para corrigir o suposto problema.

Se, por um lado, a proteção dos direitos autorais na Internet é importante e, na maioria das vezes revela-se uma tarefa bastante difícil, por outro, a liberdade de expressão é protegida pela Constituição Federal e deve ser preservada, pois é um dos pilares da democracia. Esse debate “copyrights v. freedom of speach” na Internet é antigo, mas ainda está longe de encontrar uma solução equilibrada e ponderada que permita a proteção de direitos de propriedade intelectual sem ferir a liberdade de expressão e outros direitos.

Vou tentar simplificar e evitar o “juridiquês” para explorar essas questões.

De um lado, vemos as grandes empresas de mídia, detentoras de direitos autorais, buscando responsabilizar as redes sociais, como Facebook e Google, por conteúdos postados por terceiros em violação a esses direitos intelectuais. As redes sociais, por outro lado, afirmam que não podem ser responsabilizados porque são meros intermediários, ou seja, apenas serviriam como plataforma para que seus usuários postem conteúdo. É briga de cachorro grande. Vimos esse debate nos Estados Unidos, na Europa e, mais recentemente, no Brasil, por ocasião das discussões que levaram à aprovação do Marco Civil da Internet em 2014.

O fato é que guerras jurídicas foram travadas nos tribunais brasileiros e estrangeiros e, atualmente é bastante firme o entendimento de que as redes sociais não devem ser responsabilizadas pelo conteúdo postado por terceiros, a não ser que, uma vez notificada sobre a existência de violação, a rede social em questão não tome providências para apurar os fatos e adotar uma das seguintes medidas: (i) restaurar o conteúdo, caso se conclua que não houve irregularidades após ouvir o responsável; ou (ii) remover definitivamente o conteúdo, caso se conclua que, de fato, houve violação. Trata-se do sistema chamado “notice and takedown”, ou sistema de “notificação e retirada”, criado pela lei norte-americana de Direitos Autorais do Milênio (Digital Millenium Copyrights Act – DMCA) e disseminado em outros países. A criação do sistema de “notificação e retirada” foi uma tentativa de buscar equilíbrio entre a proteção de direitos autorais e a preservação da liberdade de expressão, muito embora esse sistema seja bastante controverso e muitas vezes acabe por levar à retirada de conteúdos injustamente.

No caso do Brasil, o Marco Civil da Internet busca preservar ainda mais a liberdade de expressão ao exigir uma ordem judicial específica (i.e., uma decisão proferida por um juiz, tal como uma liminar por exemplo) para que um conteúdo seja removido da Internet. Entretanto, essa exigência de ordem judicial não vale para direitos autorais, que ficaram de fora do Marco Civil da Internet para serem objeto de regulação por lei específica (o que até hoje não aconteceu). Portanto, no caso de violações de direitos autorais na Internet, os tribunais brasileiros têm adotado o sistema de “notificação e retirada” acima mencionado.

E como o Facebook lida com a questão? As regras podem ser encontradas nos termos de uso que incluem uma série de políticas de uso dos serviços, cujos links são disponibilizados no próprio site. Embora ninguém tenha o costume de ler termos de uso, é sempre bom lembrar que a utilização da rede social implica a aceitação de todos os seus termos e declarações. Pelos termos de uso do Facebook, para tudo o que postamos, concedemos à rede social uma autorização global para que esta utilize qualquer conteúdo publicado da forma como bem entender.

Em relação à proteção de direitos autorais de terceiros, os termos de uso trazem uma série de regras específicas visando à proteção desses direitos. E é nesse contexto que o Facebook estabelece para si (com nossa aceitação!) amplos poderes para remover qualquer conteúdo ou informação publicada se o site julgar que viola direitos autorais de terceiros. Há diversas seções nos termos de uso com explicações sobre esse tema, inclusive formulários específicos para que qualquer pessoa possa denunciar violações de direitos autorais e intelectuais.

Assim, quando alguém reporta ao Facebook uma suposta violação de direitos autorais por um usuário, incluindo uma fanpage, o sistema de “notificação e retirada” é acionado. E o que isso significa na prática? Significa que o Facebook poderá remover o conteúdo temporariamente para apurar a denúncia.

Mas é nesse mesmo contexto que os termos de uso deixam claro que se um conteúdo for removido e o responsável pelo conteúdo acreditar que a remoção foi feita por engano, o Facebook fornecerá a oportunidade recorrer! Esse direito de recurso está previsto expressamente no item 5.4 da Declaração de Direitos e Responsabilidade.

E mais: uma fanpage não será excluída em razão de um conteúdo específico, a não ser que viole repetidamente os direitos autorais de terceiros, situação em que, de acordo com os termos de uso, o Facebook se reserva ao direito de desativar a conta quando apropriado. Portanto, somente quando houver reincidência, uma medida tão drástica, como a desativação da conta, será tomada.

Por tudo o que foi exposto acima, há motivos mais do que suficientes para questionarmos o porquê de o Facebook ter excluído as fanpages da Ultraviolet-U2 e da U2BR, uma vez que:

1 – Os administradores das páginas desconhecem qualquer violação dos termos de uso ou de direitos autorais de terceiros;

2 – O Facebook em nenhum momento notificou os administradores das fanpages sobre a qualquer violação de seus termos de uso ou de direitos autorais de terceiros;

3 – Se não houve notificação aos administradores sobre eventuais violações, não há motivos legais para excluir as fanpages de maneira definitiva.

4 – Não foi dada aos administradores a oportunidade de recorrer prevista expressamente no item 5.4 da Declaração de Direitos e Responsabilidades.

Portanto, cabe aos administradores do UltravioletU2 e da U2BR buscarem uma solução para esta questão junto ao Facebook. Todos nós esperamos que as páginas sejam devidamente devolvidas e reativadas o mais rápido possível para evitar maiores prejuízos.


Paulo Lilla é advogado em São Paulo, membro do UltraViolet-U2 Fan Club e guitarrista na UltraViolet U2 Tribute Band