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Sonha em conhecer a Irlanda? Conheça 10 filmes que se passam na terra do U2!

Sonha em conhecer a Irlanda? Conheça 10 filmes que se passam na terra do U2!

 

A Irlanda é uma ilha cheia de história, lendas, poetas, músicos e, é claro, é a terra de nossa banda do coração, o U2. Mesmo tendo dois deles nascido em outros lugares, o U2 assume suas origens e exala o temperamento irlandês por todos os poros. Todo e qualquer fã sonha em conhecer a Ilha Esmeralda antes de morrer, tal qual um muçulmano precisa conhecer Meca. O cinema é uma forma de diminuir as distâncias e, quem sabe, fazer com que nossos almejados roteiros na “Terra Sagrada” sejam um pouco mais conhecidos por nós.

Por causa disso, resolvemos fazer uma pequena lista com filmes que se passam na nossa amada ilha para matar a saudade de quem já foi e quer ir novamente, além de povoar a mente dos que ainda almejam transformar este sonho em realidade. Será que você já assistiu a todos eles? Fica de olho na listinha abaixo e manda outras dicas nos comentários.

Sing Street

O melhor deste filme é que ele se passa nos anos 80 e mostra a trajetória de um garoto que sonha em ter uma banda de rock. Ele se deixa influenciar por vários artistas que faziam sucesso na época e engata um romance com uma colega de escola.  É impossível assistir e não pensar no U2 vivenciando praticamente as mesmas coisas, poucos anos antes.

P.S. I love You

A personagem principal percorre inúmeros locais conhecidos na Irlanda, procurando pelas orientações escritas nas cartas do amado. É quase uma propaganda do ministério do turismo irlandês.  Vale a pena assistir, mesmo se você for daqueles que fogem de comédias românticas, só pelo visual.

Em Nome do Pai

Um filme de julgamento – pra quem adorar este subgênero cinematográfico – que se passa na famosa prisão Kilmainham Gaol, aquela mesma utilizada no clipe A Celebration, em que Bono desfila em sua linda calça vermelha… Conta a história de um grande erro judiciário e de como não desistir de lutar faz toda a diferença.

A Fortuna de Ned

Esse é bem legal pra conhecer mais o jeito de ser irlandês. Ned morre ao descobrir que ganhou na loteria e alguns dos seus amigos tentam receber a bolada em seu lugar.  Muita confusão e risadas garantidas.

Calvário

A religião é algo muito presente na sociedade irlandesa, por isso não poderia ficar de fora desta lista. Mas não é o que você está pensando. É um filme de suspense! Um padre ouve algo que não devia, em confissão, e passa a ser ameaçado de morte por causa disso. Lindas paisagens e muita emoção!

Com a Bola Toda 

Esse é pra quem curte futebol. garoto sonha em ser jogador e tem em seu quarto, inúmeros pôsteres de jogadores brasileiros. Até que um deles acaba indo jogar em seu time e ele começa a acompanhar mais de perto o seu ídolo, enquanto se mete bem mil confusões amorosas. Mistura um Brasil meio maluco e Irlanda atual. Tem enganos bem grandes, mas se você é curioso deve assistir.

Casa comigo?

Comédia saborosa, ela conta a história de uma garota que sonha em se casar com o namorado. Ela decide cumprir um velho costume irlandês que permite que mulheres peçam seus amados em casamento apenas no dia 29 de fevereiro, ou seja de 4 em 4 anos. Acaba viajando por estradinhas típicas do interior do país e se metendo em algumas confusões. Imperdível!

The Commitments – Loucos pela fama

Um filme muito interessante sobre uma banda de Soul que é formada por jovens comuns, e que tenta alcançar a fama. Mas as coisas acabam não saindo exatamente como tinham em mente. A trilha sonora é excelente!

Once

Um músico acaba se apaixonando por uma imigrante tcheca, que ele conheceu nas ruas de Dublim. Entre uma canção e outra, eles descobrem mais sobre eles mesmos e sobre o que sentem um pelo outro. Um filme leve e agradável.

Grabbers

Que tal uma ficção científica cômica? Pois também tem! Alienígenas invadem uma pequena ilha irlandesa e os habitantes enchem a cara para combatê-los. Nada de espetacular, mas os efeitos especiais convencem e é um ótimo passatempo.

A grande maioria dos filmes está nos serviços de Streaming mais conhecidos, mas quem gosta de cinema sabe que se não estiverem, isso nunca foi um grande empecilho para assistir a nada, não é mesmo?

Campanha GRAACC 2018 – Veja como participar!

Campanha GRAACC 2018 – Veja como participar!

Pelo 13º ano consecutivo, o fã-clube ULTRAVIOLET-U2 realizará a já tradicional campanha de apoio ao GRAACC e convida os fãs do U2 em todo o Brasil a participarem, fazendo sua doação.

A contribuição pode ser feita de 2 maneiras. Escolha a que é mais conveniente para você:

Fazer Depósito/TED/DOC direto na conta do GRAACC:

GRAACC

Banco Bradesco
Agência: 0548(caso seja pedido, o dígito é 7)
Conta Corrente: 98.355-1
CNPJ: 67.185.694/0001-50

O comprovante TEM QUE SER ENVIADO para:

ultraviolet-u2-owner@yahoogrupos.com.br

OU

Através da loja virtual do GRAACC:

https://graacc.org.br/presente-solidario-ultraviolet/

  • Clique em FAÇA A SUA DOAÇÃO
  • Digite o valor da sua doação(qualquer valor)
  • Pague usando o Pay Pal.

Quem optar pelo presente solidário deve enviar um print, caso queira participar do sorteio dos brindes.

Envie para:

ultraviolet-u2-owner@yahoogrupos.com.br

SEM COMPROVANTE NÃO TEMOS COMO COMPUTAR SUA DOAÇÃO, NEM TEM COMO VOCÊ PARTICIPAR DO SORTEIO DE BRINDES.

SEM EXCEÇÕES!

E por falar em brindes, vamos a eles!

Os sorteios serão realizados através de um site especializado na internet. O resultado será postado em nossa fanpage no Facebook assim que os valores totais forem computados e recebermos a nota fiscal do GRAACC.

Os valores escolhidos neste ano são os seguintes:

PARA QUEM DOAR R$30,00:

Revista pôster com letras traduzidas

CD Single Mission Impossible – Adam Clayton & Larry Mullen

CD Perfect Day BBC  Children in Need – Bono e diversos artistas

CD Single New Day – Bono & Wyclef Jean

CD Single In the name of the father – Bono & Gavin Friday

CD Single Miss Sarajevo – Passengers

CD Single Sweetest Thing

DVD Classic Album: Joshua Tree

PARA QUEM DOAR R$60,00:

Picture Disc Red Hill Minning Town – Importado

The Joshua Tree Vinil – original 1987

DVD U2 In Glastonbury 2011

 

Revista pôster .

Serigrafias oficiais do U2.com

PARA QUEM DOAR 100,00:

Estatueta do Bono

Estatueta do Edge

CD Duplo Deluxe Joshua Tree importado

Livro Pedro e o lobo – ilustrado por Bono

 

Caso surja alguma dúvida, contate-nos via inbox em nossa page no Facebook. Teremos prazer em esclarecê-las.

Participe! Seja solidário e muita sorte a todos!

 

 

 

U2 revela tecnologia usada na nova tour – Realidade Aumentada!

U2 revela tecnologia usada na nova tour – Realidade Aumentada!

O site u2.com enviou links para que os fãs baixem o aplicativo que promove uma experiência de Realidade Aumentada em que Bono aparece em 3D enquanto canta Love is all we have left.

A tecnologia será usada nos shows do U2 na nova tour.

 

Baixe para Android aqui:

Baixe para Iphone aqui:

 

Dá uma olhada no vídeo, gravado diretamente do Iphone.

Fã Clube comemora seus 20 anos com grande festa em São Paulo

Fã Clube comemora seus 20 anos com grande festa em São Paulo

Fãs do U2 de todo o planeta costumavam se comunicar numa lista internacional conhecida como Wire, no final dos anos 90. Foi lá que nossa presidente, Ana Vitti, e mais alguns fãs – que continuam conosco até hoje, participando dos eventos e acompanhando nossos perfis nas redes sociais – se encontraram após um deles perguntar, em português, se havia algum brasileiro presente.

A partir desta lista, brasileiros começaram a ter um lugar para se encontrar virtualmente, muito antes do surgimento das redes sociais. O Ultraviolet-U2 Fan Club Brazil começou timidamente como uma lista de emails, em um pequena empresa que foi comprada pelo Yahoo, e após a apresentação no Fantástico e a gravação do vídeo de Walk on, em 2000, Adra Garcia oficializou a reunião de fãs e registrou o fã clube num cartório. Depois disto, pessoas de todos os estados brasileiros, além de alguns moradores de países estrangeiros, passaram a se autodenominar como UVs e UVas, com muito orgulho.

 

E é esta união virtual e física que iremos comemorar no próximo dia 28 de abril de 2018, no Bar Skull, em São Paulo. Com shows das bandas Manchester Oasis Cover e a Ultraviolet Tribute Band (formada por pessoas que se conheceram ainda na antiga lista de emails), o encontro vai comemorar a última passagem do U2 pelo brasil, em outubro do ano passado, além de rever e conhecer alguns membros do fã clube e participar de sorteios de alguns brindes especiais.

Se você quer conhecer as pessoas do grupo e curtir um som especial, não deixe de participar!

 

Nova campanha pretende unir fãs para turnê passar pela America Latina

Nova campanha pretende unir fãs para turnê passar pela America Latina

O UV Chris Araújo começou e, aparentemente, fãs clubes de diversos países latinos pretendem se unir numa nova campanha querendo trazer a turnê eXPERIENCE + iNNOCENCE pra perto da gente outra vez.

Um grande tuitaço já está marcado e a ideia é que o pedido chegue aos ouvidos da banda.

Não custa nada aderir, não é mesmo? A primeira campanha deu super certo!

 

Tradução coletiva do livro U2 – At the End of The World

Tradução coletiva do livro U2 – At the End of The World

Um dos livros mais completos sobre o começo da trajetória do U2 – chamado U2 – At the end of the world, de Bill Flanagan – jamais foi traduzido para o português, nem mesmo o de Portugal. O fã clube Ultraviolet, ainda nos tempos em que existia apenas como uma lista de emails, começou a tarefa de traduzir as dezenas de capítulos da publicação. Infelizmente, ela não foi concluída e muita gente não conseguiu acessar o material.

Desta vez, parece que o projeto vai até o fim! Sob a conduta do UV Cris Araújo, de Santa Catarina – que resolveu revisar todo o material já trabalhado e finalizar o restante – vamos postar o livro em capítulos aqui no site. De 15 em 15 dias, aproximadamente, um pedaço inédito será postado e todo mundo vai poder baixar e ler o livro completo em português.

Bill Flanagan

Para saber um pouco mais sobre o livro, leia a resenha que o atu2 fez sobre ele. Caso queira comprar o livro original, em inglês, é só clicar aqui!

Sempre que um capítulo for acrescentado, nós avisaremos na fanpage do Facebook e no Twitter.

Fique ligado!

 

Capítulo 01 – U2 At the End of the World – Português – Capítulo 1

Capitulo 02 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 2

Capítulo 03 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 3

Capítulo 04 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 4

Capitulo 05 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 5

Capítulo 06 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 6

Capítulo 07 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 7

Capítulo 08 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 8

Capítulo 09 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 9

Capítulo 10 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 10

Capítulo 11 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 11

Capítulo 12 – U2 At The End Of The World – Português – Capítulo 12 

Carta de Bono aos fãs – Booklet SOE

Carta de Bono aos fãs – Booklet SOE

Em mais de uma oportunidade, Bono afirmou que as letras de SOE eram cartas para pessoas importantes em sua vida. No encarte do novo CD, ele escreve uma longa carta a seus fãs, ouvintes do Songs of Experience.  Num trabalho em conjunto, alguns UVs generosos resolveram traduzir o que ele quis dizer a todos nós.

Desfrutem!

 

SONGS OF EXPERIENCE

Você começa no final.
Você começa com uma tela em branco.
Você começa com nada.
Você começa com o vazio.

Amor é tudo que nos resta

Talvez tenha sido o Dalai Lama que tenha dito que qualquer meditação na vida começa com a pessoa à morte. Soa um pouco sombrio. Não para mim. Eu perdi minha mãe quando tinha 14 anos e aprendi muito com seu desaparecimento. Eu gostaria que eu fosse mais velho, mas como um jovem adolescente, encarando duramente esse vazio, foi onde uma força vital imprimiu um ritmo em mim, quando uma certa rebeldia começou.
Desafiar as probabilidades, desafiar as expectativas das pessoas, desafiar a morte em si. Roubá-la de seu poder sobre mim ou de qualquer outra pessoa. (eu já tinha mania de grandeza desde aquela época).
Eu me lembro de ler Dylan Thomas “e a morte não possuirá nenhum domínio” Grande poema, eu acreditava e ainda acredito. Em algum lugar do caminho eu descobri a alegria como um ato de rebeldia e essa rebeldia foi a essência do romance.

Ninguém vai impedir este dia de ser o melhor de todos
Ninguém nos impedirá de estar onde deveríamos
Eu queria o mundo mas você bem sabia.
E tudo o que nós temos é a imortalidade.

A banda passou muitos verões no sul da França, é um lugar que nos salvou de nós mesmos, nos reapresentou ao amor de nossas vidas, a nossa família, a nossa música, noites se tornando alegres com as manhãs, tardes com o sol a pino. O sol caçoando de irlandeses, pois não éramos apenas brancos, éramos rosa. O mediterrâneo repousa lá como um lago. Trazendo uma calma que eu raramente encontro em qualquer outro lugar. Mas nos últimos verões, está havendo um certo presságio, onde costumava haver um plácido horizonte, pudéssemos ou não ver, uma vez que lêssemos as notícias e víssemos as imagens, podíamos sentir.

A guerra da Síria estava bem do outro lado da margem.

“Quando tudo está perdido, nós descobrimos o que permanece.
Os mesmos oceanos cruzados.
Para alguns prazer, para outros dor”

Eu tenho pensado sobre a Costa Oeste.

A Costa Oeste da Síria no mesmo mar Mediterrâneo, onde observamos enfermeiros e professores, pessoas que se parecem muito conosco, segurando firme suas crianças, seus poucos pertences, se agarrando a quase nada, a uma esperança, ao sonho de uma outra praia, um barco de borracha, pallets de madeira, destroços humanos desembocando na Itália ou Turquia, quem sabe onde.

Adam chamou a atenção da banda para o fotógrafo e cinegrafista Richard Mosse e sua instalação no Brooklin, usando filme térmico militar para gravar a vida fantasma dos refugiados, isso nos deixou sem palavras, uma sombria, porém extraordinária visão. Então o álbum tem duas canções de amor com pungentes nuvens negras pairando sobre elas, céus de petróleo, lindos, mas inflamáveis.

Summer of Love
Red Flag Day

No ultimo inverno, eu mesmo passei por experiências chocantes que fizeram eu agarrar a minha própria vida como uma tábua de salvação. Muitos de nós tem contato com a mortalidade em algum momento. Seja a nossa própria ou a de alguém que nos seja caro. É uma experiência arrebatadora, eu fui arrebatado.
De cara pra parede, com minhas mãos acima da cabeça, autoridades gritando para eu não me mover. Eu não vou me prolongar nisso ou sobre isso. Eu não quero nomear. Em um mundo de reality show de maior ou menor melodrama, eu posso poupar todo mundo disso.
Seja física, mental ou emocionalmente, muitos de nós enfrentam um grande obstáculo em algum momento de nossa vida.
Eu me sinto fantástico agora, mais forte do que nunca, mas estas músicas tem um ímpeto por trás delas e seria desonesto não admitir a turbulência que eu sentia no momento em que as escrevi.

O gênio que está por trás da genialidade de John Donne e da genialidade de algumas pessoas conduziu-me em segurança à praia. Mas eu confesso que ao longo do caminho, a fé que guiou minha vida desde que eu era jovem, não só não se aprofundou, como se estreitou.

Eu tive que lutar ainda mais duramente por essa fé.
Para ouvir a voz de Deus.
Eu tive que baixar as persianas para o mundo .
Limpar os ruídos do fundo e do primeiro plano. As interferências.
Diminuir o volume da minha mente povoada para ouvir aquela voz quieta e suave que promete a paz que ultrapassa toda compreensão.

Aquela relação que você tem com Deus ou o que quer que você queira chamar de Deus. Uma relação que somente produz a verdade. Eu tive que encarar algumas mentiras que eu vinha contando a mim mesmo. Mentiras como a que minha cabeça é mais dura que o chão. Eu tive que encarar meu próprio medo e meu medo do medo em si. Isso não é fácil para mim.
Mas a voz de Deus voltou, aquela que eu ouvia ainda na infância.
A língua é difícil de traduzir, mas a camiseta dizia: liberte-se, para ser você mesmo, se ao menos você pudesse se ver.
A voz de Iris, a voz de Deus, a voz da amizade, quem sabe?
É poderoso, é perspectiva.
Tempo de voltar pra casa, de descobrir que não era um lugar. Era um rosto, mais do que algumas faces, mas seu coração era meu lar.
Ali.
As luzes do lar.
Eu sempre soube que felicidade não se pode planejar. Que é a fonte de uma vida sendo vivida e amada.
Na mensagem, a tradução da Bíblia de Eugene Peterson, eu li Salmo 100: “Entre com a senha, obrigado. Sinta-se em casa”.
Que frase!
Eu fui em busca da felicidade que não pode ser fabricada. Que não está sujeita à vontade. A felicidade é muito mais fácil de se falsificar.

Uma pílula, uma promessa, um cavalo se aproxima em uma aposta de 10 para 1, um rosto bonito para se imaginar, uma noite na cidade, uma boa gargalhada com grandes amigos…
A alegria é uma coisa diferente.
A grande música é uma alegria… The Beatles, Mozart, Beethoven, Aretha, The Ramones… Há tantos, não há uma lista definitiva.
A alegria explode até mesmo com a raiva,,.
“Raiva é uma energia”, cantou Johnny Lydon no anos 80, com sua banda Public Image LTD, quando o U2 ainda estava tentando se encontrar.
Rage Against The Machine. “Raiva, raiva contra a morte da luz”, disse Dylan Thomas. É onde a raiva vive.

Antes de começar a escrever estas canções de experiência, eu decidi assumir o desafio do grande poeta Brendan Kennelly. ”Se você realmente quer chegar ao lugar onde a escrita vive”, ele me desafiou, “escreva como se estivesse morto”.
É um desafio para se passar, além do ego, além da preocupação de como suas palavras podem afetar as pessoas ao seu redor. É priorizar o que você pode ter a dizer se você acha que estas podem ser as suas últimas declarações.
Eu pensei que era uma boa ideia – até o momento em que não era mais apenas uma ideia e eu estava realmente fazendo isto. Era como uma realidade que estava sendo reproduzida comigo.
Eu gostaria que as pessoas que ouvissem estas canções soubessem que em muitas delas, eu abordei com uma sensação de que poderia não estar mais por perto para escutá-las no rádio ou no fluxo das coisas.

Eu perdi muitos dos meus heróis. Leonard Cohen, David Bowie, Prince. Eu pensei muito sobre a possibilidade de não estar por perto e então fiz estas músicas como cartas de amor.
American Soul é uma carta para a América.
Um país ainda inovando e se reinventando que tem sido a inspiração para esta banda desde a primeira turnê nos anos 80. E todos nós lemos ‘Crônicas De Motel’ de Sam Shepard, ouvimos Patti Smith e conhecemos o grande poeta Allen Ginsberg. Por anos, eu tenho sido um chato, um pé no saco para quem quiser ouvir, tentando explicar que a América não é apenas um país, é uma ideia. É uma grande ideia também. Mas enquanto nós gravávamos essas 12 músicas, sentimos que a ideia da América estava sendo desafiada, talvez até mesmo distorcida, de maneiras bastante problemáticas.

O crescimento das ideologias de extrema-direita que rejeitam o conservadorismo dominante nos Estados Unidos não é uma surpresa – estão ocorrendo por todo o mundo – mas ver isto nos EUA, ver a Ku Klux Klan marchando pelas ruas de Charlottesville sem seus trajes ridículos e chapéus pontudos, é um novo nível de perigo e absurdo. Edge descreve isto como ‘a doença mental do racismo’ sem máscara. Por que eles se sentem tão encorajados? Falar de banir os muçulmanos da América por medo da ameaça de terrorismo seria como os britânicos nas décadas de setenta e oitenta banirem todos os irlandeses do Reino Unido por medo que um de nós pudesse fazer parte do IRA. É claro que poderíamos, mas você não pode interditar o ar porque ele carrega um vírus. E então nós nos sentimos traídos ao ler todas aquelas palavras de Emma Lazarus no pedestal da Estátua Da Liberdade, belas palavras: “Dêem-me os cansados, os pobres, suas massas apinhadas que anseiam por respirar em liberdade.”
Sim, eu me sinto traído.

Cartas de amor…..
The Showman é uma carta de amor para qualquer um que cai na arrogância de um artista de muito pouca confiança. Você conhece aquele fenômeno muito pouca confiança? De qualquer forma, é uma carta para qualquer um de qualquer plateia. Nós damos à luz para estas canções, mas é o público que dá vida e sentido a elas. O relacionamento do artista e do público, no U2, é um romance muito louco, mas também um desafio. Tem que ser assim. Há um acordo entre as partes. Nós não temos que nos preocupar com colocar nossos filhos na escola ou como pagar a viagem da família nas férias, enquanto nosso público não precisa se preocupar sobre a banda dar tudo o que ela tem de melhor. É por isso que o U2 demora tanto tempo para finalizar a gravação de nossos discos, finalizar as canções, é por causa disto. The Showman era uma grande demo, mas só se tornou uma grande canção quando Larry sentou atrás de sua bateria e, em uma sessão, modificou todo o take para a melodia.

Desde o início, Larry, Adam, Edge e eu assinamos este acordo para o negócio e não houve praticamente nenhum show onde isso não tenha sido verdade, mas este conjunto de canções nos custou mais do que esperávamos. O ego fica menos maleável na medida que você vai ficando mais velho, não é? Enquanto empurrávamos as canções para lhes dar uma forma, estávamos empurrando uns aos outros para fora do que estava se formando. Eu acredito que sobrevivemos, mas a melhor música do U2 tem sempre que sair do questionamento. Então, novamente, os cantores são as últimas pessoas que você precisa ouvir quando eles não estão cantando. Artistas são as últimas pessoas que você pode confiar em assuntos relacionados à performance deles. Nós podemos rir quando as coisas não são engraçadas, nós podemos chorar em um close-up.
‘Eu minto para viver
Eu amo fingir
Mas você torna isso verdadeiro
Quando você canta junto’

Cartas.
Há cartas para filhos e filhas.
Love Is Bigger Than Anything In Its Way
13 (There Is A Light)
Get Out Of Your Own Way
Aos parceiros. Para Ali
You’re The Best Thing About Me (é claro, esta é fácil)
Tem também Landlady (obviamente)
‘A senhoria me impulsiona para o alto. Eu vou, eu vou onde eu não ousaria’
Quem pagou por minha caminhada antes de eu conseguir dois pences, quem providenciou uma cama e não se entediava quando o compositor estava escrevendo sobre si mesmo em círculos. A pergunta que não saía da minha cabeça era se eu conseguiria fazer uma música pra Ali, uma canção de exortação, sem provocar aquela náusea de sentimentalismo? É difícil. Hummm, talvez humildade, se eu pudesse lembrar como aquilo era, poderia ajudar. Humor?
”E eu nunca vou saber, nunca saberei o que “poetas que passam fome” quer dizer;
Porque quando eu estava sem dinheiro, foi você que sempre pagou o aluguel’

‘Eu tenho chorado
O quão ruim pode ser um bom momento
Falar da boca para fora
Isto é uma outra grande coisa sobre mim…’
‘Nunca subestime o ego masculino, querida’, como Marianne Faithfull colocou. Eu percebi isso. A crise de meia idade em que você pensa que não está tendo uma crise de meia idade.
O amor sempre foi o nosso assunto principal, mas o amor nem sempre é amável. ‘Somos fortes o suficiente para um amor comum?’ É a pergunta correta. São muitas as canções que patinam em torno deste assunto, mas as duas canções bônus do álbum não.
Tão frio quanto um acordo é The Book Of Your Heart.
Eu queria escrever sobre uma paixão fria. Eu reli The Fisherman do Yeats onde ele fala de seu desejo para uma poesia ‘tão fria e apaixonada como o amanhecer’.
Eu tentei pensar através daquilo, e eu vim com a linha ‘Essa é a beleza da cicatriz.
Esse é o acordo do coração’.
É um tipo de referência ao casamento, ao juramento dos relacionamentos. Há um preço em juramentos feitos no amor quando jovens, mas no final o preço nunca é alto o suficiente, é?
(Vale muito à pena).

Se existe algo interessante sobre o ato de escrever é que isso sempre irá revelar o escritor e eu quis mergulhar nu nessas Songs of Experience, (canções de experiência).
Não apenas nadar nu, mergulhando com os que eu amo. Eu queria tirar a minha pele. Apresentar-se em público é sempre uma strip-tease, mas ao escrever você revela coisas que você não sabia que não estava usando. Você se expõe. Eu não tinha certeza de quem eu não era ao escrever sobre Little Things that Give you away. Até que eu percebi que era eu mesmo e que isso era um diálogo entre minha inocência e minha experiência. A inocência se altercando com a experiência até que esta se quebra.
“Eu te vi nas escadas.
Você não notou que eu estava lá.
É porque você estava falando para mim e não comigo.
Você estava bem acima da tempestade.
Um furacão nascendo.
Mas essa independência pode custar sua liberdade.”

”Hey, esse não é o momento para não estar vivo…”

No final da experiência, através da sabedoria, esperamos recobrar a inocência. Alguém chamou de “a segunda ingenuidade”.

O amor é tudo que nos resta…
“Uma criança chora da soleira da porta. A única coisa que pode ser mantida”

The Blackout é uma carta para o momento em que nós estamos onde o apocalipse tanto pessoal quanto político se misturam. Não apenas o monstro de pedra dizimado pelo tempo, mas a democracia jurássica à beira da extinção.
Soa melodramático? Bem, é o que esperamos da ópera, não? Grandes melodias, grandes emoções.
Não acho que seja exagerado.
A democracia no fundo é apenas um ponto fora da curva na história. Liberdade, igualdade e fraternidade não são condições humanas, são? São aspirações tomadas à força por revoluções sangrentas. É um lance sangrento e conturbado. Assim como traumas pessoais, também com distopia política. The Blackout.
”Na escuridão, onde você aprende a ver.
Quando as luzes se apagam, nunca duvide.
A luz que realmente poderíamos ser”

“Se, entretanto, você quer olhar para as estrelas”, disse Annie Dillard, “você descobrirá que a escuridão é necessária.”
É na escuridão onde realmente nos vemos.
Onde descobrimos quem somos.
Onde somos deixados com nada.

Você começa no final.
Você começa com uma tela em branco.
Você começa com nada.
Você começa com o vazio.

 

Bono

 

Tradução by:

Gracia Cardeal

André Joe

Revisão by:

Mari Carla Giro

Ana Vitti

Weezer

Patrícia Moura

 

O que significa essa tatuagem no seu braço?

O que significa essa tatuagem no seu braço?

Angela Kuczach é bióloga, ambientalis e Diretora Executiva da Rede Pro UC, organização não governamental advocacy que trabalha pelos Parques Nacionais do Brasil. Em 2014, foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil. Chorou 24 horas seguidas depois desse encontro com o Bono.

Essa pergunta, eu tenho ouvido com frequência nesse último mês… A resposta? Tem a ver com um antigo poema de Willian Blake.

Esses têm sido tempos difíceis para a humanidade… E num mundo cada vez mais pasteurizado e superficial, é uma sorte ter como companhia e influência alguém que impulsione para frente e inspire a caminhar no anti-fluxo do caos. No meu caso, tem a ver com uma das últimas grandes bandas de rock do nosso tempo. Mais do que música, os mais de 20 anos de amor incondicional ao U2 me levou aos lugares mais inusitados, sejam geográficos – como às vezes em que estive na Irlanda exclusivamente para vê-los – ou as profundezas da alma, sendo estas, as viagens mais frequentes e que me fizeram ser quem eu sou.

A influência desses 4 irlandeses na minha vida é “indimencionável”… Vai das músicas ao ativismo, da fé na vida à vontade de mudar o mundo. Eu brinco que o Bono é o meu relacionamento mais antigo, está comigo há mais de 20 anos. Lembro que ainda no início da adolescência, eu sonhava em viajar pelo mundo e, nas noites de inverno curitibano, olhava para o céu e pedia… Pedia força e coragem para nunca deixar de olhar para um céu estrelado. O que eu estava pedindo, na verdade, era para não deixar de sonhar e de ouvir minha alma. Eu fazia isso ao som de U2.

Vida vai, sonhos vêm, alguns se realizam, outros não. E lá pelas tantas, você oscila. Com a devida licença poética: “Tempo de sonhar, tempo de acreditar; tempo de viver, tempo de sobreviver”. E não é difícil que a certa altura da vida, a esperança que acompanha os sonhos seja soterrada pela dureza da rotina. Nessas horas, ecoa na cabeça aquela cena de Rocky Balboa: “O mundo vai tentar te colocar de joelhos e não importa o quanto você consiga bater, o que importa é o quanto você consegue apanhar e se manter de pé”. No meio do caos que é a vida de adulto, graças a Deus, ainda existem os shows do U2.

Outubro desse ano, São Paulo. Seriam quatro shows e muitas expectativas. Como a maioria dos fanáticos que fazem parte dessa seita, apenas estar lá não bastava! Tinha que ser da primeira fila! Não! Tinha que ser na primeira fila e na frente da banda! Dias antes do show, internet bombando: “Como será a entrada? Com segurança, como é no resto do mundo, ou o velho esquema do salve-se quem puder?” Caos, confusão… Meu Brasil brasileiro é para os fortes… Nervos e coração a mil!

Chego em São Paulo 2 dias antes do show… 16h00… Um boato: “O U2 pode estar se dirigindo para o prédio da TV Globo, para gravar alguma coisa no heliporto”.

Bom, todos sabem que nossos irishs curtem um terraço de prédio e já no carro – a caminho de outro local – eu e um amigo resolvemos ir até lá para ver o que aconteceria. Portão da Globo, pouca gente, Outnenhum boato confirmado.

Eu já fui à Meca (Dublin) duas vezes e em ambas, fiz a romaria pelos “U2 points”, mas pra falar a verdade, nunca esperei nada. Era mais uma vontade de reviver alguns passos deles, saber por onde andaram. Coisa de fã que tem curiosidade sobre o ídolo. Então esse tipo de tietagem era novidade pra mim e sinceramente não sabia o que esperar. Talvez ouvi-los tocar lá de cima, sei lá. Só que as melhores partes da nossa vida não são desenhadas pela nossa imaginação.

Lá estava eu, naquela rua de SP, num final de tarde de uma terça-feira, quando aqueles 3 carros pretos viraram a esquina. O carro para, o segurança desce e avisa: “Eles vão fazer algo muito rápido lá dentro e voltam aqui pra dizer um oi pra vocês”. Numa hora dessas, o cérebro, talvez por auto preservação, te prega peças. Você simplesmente não realiza o que está para acontecer…

Ficamos por ali, mais alguns fãs chegam e eu vou fazer umas fotos a partir do edifício da frente. É quando a realidade bate: a pouco mais de 100 metros da lente da minha câmera estão aqueles caras que me acompanham há tanto tempo, que quase são parte da minha família. A pouco mais de 100 metros da minha lente, meu melhor amigo irlandês ri, conversa, ensaia e se prepara para uma apresentação. A 100 metros da minha lente, ele se torna real!

Voltamos à entrada da Globo, onde os seguranças já organizam a fila e orientam como será o encontro com a banda. Bono irá apenas autografar, por conta da agenda apertada não haverá tempo para fotos individuais. Nervosismo, expectativa… Eu, rindo, apenas peço aos amigos que estão comigo que, caso “desmaie, gagueje ou esqueça como falar em gaélico, inglês ou português, alguém – por favor – estique meu braço e peça para que ele desenhe algo para eu tatuar”.

Ele vem. E como a vida é caprichosa, eu estou no meio da fila, há tempo para o cérebro realizar o que está acontecendo e acalmar o corpo.

Ele vem. Para em minha frente:

– My dear friend.

– Yes.

– I think that… I need a new tattoo.

Um olhar divertido, ele pega o meu pulso, com toda calma do mundo, desenha. Assina.

– Thank you so much

Ele me olha, aperta minha mão:

– Be carefull…

Ele sai

– Thank you for all.

Ele volta.

Me olha nos olhos…

E o mundo pára.

“Ver o mundo em um grão de areia e o céu numa flor selvagem.

O infinito na palma da mão, a eternidade em um instante”.

O poema de William Blake, que sempre me intrigou, nesse instante ganha sentido. Um segundo pode ser eterno e o universo pode ser visto por inteiro no fundo de um par de olhos azuis.

Algumas pessoas já me disseram que quando o Bono olha nos olhos parece que enxerga a alma, e que isso seria parte do seu arsenal carismático, que fez com que dobrasse gente como George Bush e o fizesse investir em ajuda humanitária na África. Eu posso atestar que é verdade. Só que não foi o que ele viu em mim ou como ele me olhou que fez o eixo do meu mundo mudar de lugar. Foi o que eu vi nele…

Esses têm sido tempos difíceis para os sonhadores, para os que acreditam em um mundo melhor, para os não superficiais e para aqueles que ainda ousam seguir o coração. Num mundo com tanto barulho, às vezes, torna-se difícil ouvir a si mesmo.

Como uma bióloga conservacionista, uma ativista ambiental, vivendo no Brasil onde a gente anda um passo para frente e dois para trás, é difícil depois de 18 anos de briga não cansar. Administrar os desafios da vida, o caos do mundo e uma luta interminável, por vezes, nos coloca de joelhos.

E eu estava de joelhos.

Eu me sentia descrente e cansada, atravessando o período mais dark da alma.  Não sei dizer exatamente quando começou, mas durante meses esse ano, eu olhei no espelho e não reconhecia quem me olhava de volta. Várias vezes, me peguei perguntando a mim mesma quais eram os meus sonhos, o que me movia naquele instante, e ouvia o silêncio como resposta. A força que eu sempre me orgulhei de ter e de ser minha principal característica, de repente, parecia ter me abandonado… Durante os dias mais negros, eu olhava para o céu e não fazia a menor ideia de onde estavam as estrelas.

E foi no fundo daquele par de olhos azuis que o desencanto se quebrou.

Eu não sei explicar o que aconteceu ali, e acho mesmo que magia não se explica… No todo, meu encontro com Bono durou uns 30 segundos, e pra quem olha de fora o momento olho no olho não deve ter sido mais que um segundo. Não é verdade. Einstein estava certo… O tempo é absolutamente relativo. Se tiver que definir aquele momento, tem a ver com encontro, resgate e redenção… Em enxergar a plenitude do um amor gigante pelo mundo… O reflexo da alma… Tudo isso esteve presente naquele momento em que o tempo parou.

O Bono tinha tudo para dar errado. Ele poderia ter se agarrado nas milhares de desculpas que estavam ali, a mão: podia culpar o país – não esqueçamos que a Irlanda sempre foi o patinho feio da Europa ocidental e, além de tudo, nas décadas de 1970 e 80 era assolada pelo terrorismo do IRA –; podia culpar a falta de dinheiro de alguém que vivia na periferia de uma cidade provinciana como Dublin; a falta de educação, já que o pai mesmo nunca o incentivou a estudar; e, acima de tudo, ao fato de ter ficado órfão de mãe aos 14 anos de idade, durante o enterro do avô e a relação complicada com o pai que veio a seguir. Ser mais um na multidão era o esperado.

Só que no fundo daquele par de olhos azuis não mora qualquer alma…

O ativismo do Bono nunca foi leviano, ao contrário, o cara é um estrategista nato que carrega um amor gigante pelo mundo e muita raiva das injustiças naquele coração de poeta irlandês. Olhar para ele e para essa banda, ver de onde esses caras saíram, aonde chegaram e o que arrastaram no caminho é mais que uma inspiração. É praticamente um tapa na cara, desses que te fazem acordar para a vida de um jeito irreversível.

Saí do encontro com ele e entrei num estúdio de tatuagens. A garota que quando criança procurava trevos de 4 folhas no caminho da escola agora traz um shamrock, o símbolo da sorte irlandesa, gravado na pele.

Voltei pra casa com a certeza que os dias vividos em SP estarão entre os melhores momentos da minha biografia: os shows foram uma egrégora a parte, os amigos foram um plus de encher a alma de luz… Mas, acima de tudo, voltei pra casa com uma vontade louca de viver! Os sonhos restaurados, a capacidade de enxergar minha estrela-guia de volta no céu, sempre apontando pra onde eu devo ir:  ajudar a cuidar melhor dos jardins naturais desse mundo lindo que a gente vive e a despertar o máximo de pessoas possíveis para a beleza desses jardins, até que a gente entenda que o jardim também somos nós.

O que essa tatuagem significa?

A devolução daquilo que sempre me pertenceu: uma fé inabalável na vida!

Tudo o que você pode e não pode levar para o Morumbi! E muito mais!

Tudo o que você pode e não pode levar para o Morumbi! E muito mais!

 

Olá, amigos UVs e UVas

Agora tá bem pertinho… E é por isso que resolvemos, mais uma vez, tentar ajudar os fãs que vão realizar o sonho de ver nossa banda favorita in loco pela primeira vez. Com a experiência que muitos de nós possuem por ter assistido a vários shows anteriores no Morumbi, vamos tentar auxiliá-los como fizemos quando as apresentações foram anunciadas e demos dicas de como comprar os ingressos (e mesmo assim foi angustiante e traumático).

São dicas de quem já foi na Pop, Vertigo e 360º Tours, conhece bem o Morumbi e adjacências e pode auxiliar com detalhes que até mesmo moradores de São Paulo talvez não saibam. Vamos a elas?

ALIMENTAÇÃO

 

É preciso ter muito cuidado com este assunto, se você se descuidar pode passar mal e acabar nem assistindo ao show. Já pensou? Perder a oportunidade de realizar um sonho por causa disto? Não subestime a sua fome! Tome um café da manhã bem reforçado no dia do show, leve alimentação para as filas e pra dentro do estádio, caso você vá ficar na pista. É difícil conseguir sair do lugar e voltar depois. Aconselhamos a levar de casa.

Pode entrar:

Frutas (cortadas, em gomos ou pequenas como uvas)

Chocolates

Água (apenas em copo)

Sucos e achocolatados (embalagem tetrapak)

Biscoitos

Barras de cereal ou proteína

Sanduíches embalados um a um – sem maionese – papel laminado

Salgadinhos tipo batata frita ou doritos lacrados

Não pode entrar:

Frutas inteiras (inclusive maçã)

Bolos e salgados caseiros (empadão, tortas, etc)

Bebidas em lata

Cachorro quente

Água ou suco em garrafa (squeezes e canecas térmicas)

QUER COMER? PERGUNTA NO POSTO IPIRANGA!

São Paulo tem uma fiscalização bem apurada, por isso não pense que vai encontrar vários ambulantes ou pessoas vendendo bebidas de forma improvisada facilmente. A região do entorno do estádio Cícero Pompeu de Toledo é extremamente residencial, Para conseguir achar locais onde se alimentar é preciso caminhar um bom pedaço, seja subindo as ladeiras laterais ao estádio para acessar a Av. Giovani Gronchi ou seguindo em frente ao Morumbi, ultrapassar a praça Roberto Gomes Pedrosa e mais em frente, pela Av, João Saad, encontrar um posto de gasolina onde existe uma lanchonete Subway e uma cafeteria Starbucks.

Veja o mapa completo clicando aqui:

Neste app/site você pode encontrar ótimas opções para comer em toda São Paulo, longe do Morumbi e adjacências, caso queira conhecer a cidade.

 

OBJETOS DIVERSOS

A grande dúvida entre os fãs costuma ser sobre máquinas fotográficas e Power Banks (os famosos carregadores de celular). Sobre este último, absolutamente nada foi dito em relação a uma possível proibição, o que nos faz crer que a entrada no estádio não seja proibida. Quer uma dica? Leve tudo em um mochila ou bolsa bem pequenas, que dê para vistoriar rápido na fila. Vejamos a lista

Pode entrar:

Celulares

Mochilas pequenas

Máquinas fotográficas amadoras, digitais ou analógicas

Binóculos pequenos

Casacos

Capas plásticas de chuva

Não pode entrar:

Guarda chuva

Máquinas fotográficas e filmadoras profissionais – não pode trocar a lente

Pau de selfie

Livros – Sim!!!

Revistas

Jornais

Cartazes de papel

Rolos de papel

Bandeiras  e faixas – costumam apreender, mas alguns espertos entram com elas escondidas

Armas de fogo, facas e tesouras – ( dããããnnnn )

Capacetes, correntes, cinturões e pingentes grossos, qualquer acessório que possa causar ferimento.

Qualquer objeto de vidro que possa quebrar e ferir terceiros

BANHEIROS

Para quem vai de arquibancada, existem diversas opções de banheiro disponíveis, para mulheres e homens, em todos os andares do estádio. Para quem vai na pista e quer ficar na frente, o melhor conselho é controlar a quantidade de líquidos. beber muito pouco após o almoço e depois de abertos os portões, controlar ainda mais. Devem colocar alguns banheiros químicos na pista, mas você vai demorar MUITO tempo para ir e voltar e pode até se desencontrar dos amigos.

Do lado de fora do estádio, algumas casas oferecem acesso ao banheiro mediante pagamento. A prefeitura deve colocar banheiros químicos também em espaços mais afastados das ruas principais. Deixe as comemorações para o final do show, é muito melhor!

Não aconselhamos, mas muita gente que fica na grade apela para remédios que ajudam a reter líquidos e até mesmo para fraldas geriátricas (acredite!). Fica a critério de cada um. Consulte seu médico. 😛

PORTÕES DE ACESSO

Superior 1 – Portão 5

Superior 2 – Portão 5

Superior 3 – Portão 16

Superior 4 – Portão 16

Inferior A – Portão 3

Inferior B – Portão 17

Pista A – Portão 2

Pista B – Portão 4

Pista C – Portão 18

Arquibancada 1 – Portão 6

Arquibancada 2 – Portão 6

Arquibancada 3 – Portão 15

Arquibancada 4 – Portão 15

PNE Pista – Portão 17

PCD Inferior – Portão 17

Confira a ilustração abaixo:

Mapa portões Morumbi

ESTACIONAMENTO

Existem vagas no complexo World Trade Center, nos pisos G2 e G3, com traslado para o estádio. Quarenta reais por veículo, preço único. Reservas antecipadas:  (11) 3043-7132 / (11) 3043-7133 / (11)3043-7134. Se você quiser estacionar na rua – por sua conta e risco – deve escolher ruas bem afastadas do estádio para não correr o risco de ser multado ou guinchado. O ideal é escolher os meios de transporte público disponíveis e estar disposto a fazer uma caminhada grande, sobretudo no final do show.  Embarque nos ônibus e diversos serviços de táxi da capital paulista.

 TRANSPORTE

Separamos abaixo alguns links que têm sugestões de como chegar no estádio do Morumbi utilizando transporte público.

Mapas do metrô de São paulo:

Simulador que permite você colocar de seu ponto de partida até o estádio.

Ou

pelo app

Aplicativos de táxis e similares

Táxi – IOS / Android / Windows

Uber – IOS / Android / Windows

Cabify – IOS / Android

  • Clique aqui para obter um desconto!

 

DICAS FINAIS – Não saia de casa sem!

Capa de chuva

Sapato e roupas confortáveis

Dinheiro trocado

Cartão

Documento

Comida saudável

Bebida

Celular com bateria extra

Ingresso

Marque um ponto de encontro próximo ao Morumbi, caso se perca dos amigos.

DIVIRTA-SE COM O MAIOR SHOW DO MUNDO!!!!!

 

Para maiores informações:

http://premier.ticketsforfun.com.br/

 

Estamos abertos a sugestões!

Fontes: UVs e UVas, Midiorama, SPTrans, Google

Colaborou: Sandra Sorlino, Mari Carla Giro, Alê Martins, Fernanda Alves e Ana Vitti

Um Brasileiro Visita a Joshua Tree Tour na América!

Um Brasileiro Visita a Joshua Tree Tour na América!

 

Por: Paulo Lilla

Fui com amigos acompanhar shows da “The Joshua Tree Tour 2017”, do U2, nos Estados Unidos, justamente o país que serviu de inspiração para a criação deste álbum fantástico, verdadeira obra prima do U2 que está completando 30 anos e que levou a banda ao estrelato. Desde o anúncio da tour, fiquei ansioso para ver a execução do Joshua Tree na íntegra, ao vivo, oportunidade única para um fã “raiz” como eu, que acompanha a banda há 25 anos. Optamos por assistir aos shows na Filadélfia e em Washington e, assim, aproveitar a oportunidade para encontrar amigos queridos que estão morando na região.

Passarei a relatar a seguir essa experiência única e incrível!

Organização: da compra dos ingressos à entrada no estádio

O primeiro ponto que vale destacar aqui é a boa organização do evento, desde a compra dos ingressos até a entrada no estádio, bem diferente do que temos visto no Brasil. Comprei meu ingresso facilmente pela Ticketmaster norte-americana usando meu código de pré-venda do site oficial do U2 e um cartão de crédito brasileiro. Eles ficaram armazenados no próprio cartão de crédito, intransferíveis. Para entrar no estádio, bastaria passar o cartão de crédito na catraca. Comprei para alguns amigos, eles precisariam entrar comigo. O resultado é a redução da atuação de cambistas, que ficam sem poder vende-los a preços absurdos.

Chegamos ao Lincoln Financiale Field, na Filadélfia, para fazer check-in na fila. Essa é outra peculiaridade dos shows fora Brasil. A primeira pessoa a chegar no local do show “ganha”o direito de organizar a fila. Isso mesmo, a fila é organizada pelos próprios fãs, e não pelos organizadores do evento. Na medida em que as pessoas vão chegando, fazem check-in, recebem um número correspondente à ordem de chegada que é marcado em sua própria mão e no caderninho do organizador da fila. Em seguida, a pessoa é dispensada e só precisa retornar nos horários combinados, um pela manhã e outro à noite. No dia do show, é necessário chegar às 6h da manhã para a última checagem. Por volta das 8 horas da manhã, os organizadores do evento distribuem pulseiras com um número que obedece a ordem de chegada. A partir de então, todos são dispensados e orientados a retornar apenas por volta das 14 horas, dessa vez já para aguardar a abertura dos portões. Não, ninguém monta barraca e dorme na fila, como acontece no Brasil. Na Filadélfia, eu era o número 33 na fila e, em Washington, o número 65. Logo soube que conseguiria garantir a grade!

A entrada no estádio foi bastante tranquila, tanto na Filadélfia como em Washington. Passamos os nossos cartões de crédito e entramos tranquilamente. Em seguida, fomos revistados pelos seguranças, sem qualquer transtorno. Uma vez dentro do estádio, antes de abrirem o acesso para a pista, formamos novamente uma fila de acordo com a ordem de chegada (segundo o número em nossas pulseiras) e aguardamos sentados e tranquilos. Finalmente a pista é liberada e somos orientados a entrar em fila indiana, devagar, sem correr. Qualquer um que tentasse correr poderia ser parado pelo segurança. Foi dessa forma, calmamente, que chegamos em nossos lugares. Na Filadélfia, alguns conseguiram correr e acabaram passando na frente de quem havia chegado primeiro. A situação foi prontamente corrigida no show seguinte. No vídeo abaixo, é possível ver a entrada tranquila em Washington.

Conseguimos ficar grade!

Como já imaginávamos, conseguimos ficar na grade nos dois dias. Na Filadélfia, optamos por ficar na grade do palco B, perto da bateria do Larry. Foi incrível! Na primeira parte do show a banda fica lá até subir para o palco A, quando o telão acende e começam a tocar o álbum The Joshua Tree na íntegra. A vantagem desse lugar é que você vê a banda de pertinho em alguns momentos ao mesmo tempo em que tem uma visão ótima do espetacular telão, que é um show à parte com suas belas imagens em alta resolução.

Já no show de Washington optamos por ficar na grade do palco A. A vantagem deste lugar é que a banda fica no palco A durante a maior parte do show, principalmente durante a execução do álbum The Joshua Tree. O palco é um pouco alto, mas é possível ter uma boa visão da banda. O ponto negativo é que a visão do telão fica um pouco prejudicada, mas é possível ver as imagens bem de perto, no detalhe. Achei que valeu muito a pena ver o show na grade do palco A, é uma experiência única! Recomendo assistir a um show no palco B e a outro no palco A, como fizemos. Para quem assistir apenas um show, recomendo que fique próximo ao palco B, pois ao mesmo tempo em que terá a oportunidade de ver a banda de perto em alguns momentos, poderá contemplar o espetáculo visual proporcionado pelas imagens em alta resolução proporcionadas pelo telão.

O show

Primeiramente, é importante destacar que esta é uma tour bastante diferente do que estamos acostumados em se tratando de U2. Os shows não têm musicas novas, como vimos na 360º no Brasil. A proposta é homenagear o álbum The Joshua Tree, que é executado na íntegra ao vivo. Só isso já vale o espetáculo para o fã mais fanático. Ao tocar sua obra prima, o U2 dá um presente especial para os fãs mais apaixonados que sempre acompanharam a banda. Por outro lado, alguns hits ficam de fora da apresentação, o que pode desagradar aqueles fãs de ocasião, que realmente buscam um show mais convencional, apenas com músicas conhecidas.

O show é dividido em três partes, sendo a primeira representando o início da banda. Na segunda parte o álbum The Joshua Tree é executado na íntegra. Já a terceira e última parte, ele representa o período pós-The Joshua Tree, mais precisamente os anos 90 e 2000.

Na primeira parte do show, a banda toca no palco B seus sucessos anteriores ao The Joshua Tree. E o faz de maneira mais rudimentar, sem o telão, como nos velhos tempos em que o U2 tocava em pequenas arenas. Larry é o primeiro a entrar, caminhando para o palco B, senta em sua bateria e começa a tocar o clássico Sunday Bloody Sunday, do álbum War. Em seguida, The Edge se junta a ele, entoando o riff inconfundível desse grande hit. Bono é o próximo a entrar, seguido de Adam Clayton. Pode até parecer estranho o U2 abrindo um show com Sunday Bloody Sunday, mas funciona muito bem. Logo após, a banda toca New Years Day, outro grande clássico do mesmo álbum.

Em seguida, somos presenteados com Bad, uma das preferidas dos fãs mais fiéis da banda. Na parte final da música, as luzes se apagam e é possível ver apenas as luzes dos celulares preencherem todo o estádio, como uma constelação de estrelas ao redor da banda. Momento lindo e emocionante que contagia a todos. Bono realmente se empolga, se entrega de corpo e alma, contagiando a todos. Belíssima performance da banda. No vídeo abaixo foi possível captar esse momento incrível:

Pride encerra esta primeira parte em grande estilo. No final da canção, Bono faz um breve discurso de união em um país que saiu dividido após as eleições que levaram Donald Trump à presidência: “Da direita, da esquerda, aqueles que ficam no meio termo: vocês são bem vindos aqui esta noite. Nós encontraremos interesses comuns para alcançarmos interesses mais altos” (“From the right, from the left, those in between: you are welcome here tonight. Whoever you vote for, you are welcome here tonight. We will find common ground, reaching for higher ground”). Ao lembrar do sonho de Martin Luther King, que inspirou Pride, Bono acrescentou: “Talvez aquele sonho apenas esteja nos falando que precisamos despertar. Despertar a America da comunidade e compaixão, do protesto e da tolerância, a América da justiça e da alegria” (“Maybe the dream is just telling us to wake up. Awaken the America of community and compassion, protest and tolerance, the America of justice and joy”). Belas palavras que cabem muito bem para o atual momento que vivemos no Brasil.

Após Pride, as luzes do telão se acendem e vemos a sombra da árvore de Josué grandiosa sob as luzes vermelhas do imenso telão. As primeiras notas do inconfundível órgão de Where the Streets Have no Name começam a soar anunciando o que estaria por vir. A banda caminha para o palco A em direção ao telão, como se este momento representasse sua subida rumo ao estrelato, proporcionada pelo fantástico álbum The Joshua Tree. A banda se junta ao lado da árvore e ouvimos os primeiros acordes inconfundíveis da guitarra de Edge. Quando Bono começa a cantar Streets, o imenso telão passa a mostrar a que veio. As imagens em alta resolução são incríveis, um espetáculo à parte, muito difícil expressar em palavras. Nem as imagens de vídeo são capazes de captar com exatidão toda essa beleza e grandiosidade. Só estando no show para ter a ideia exata do que estou falando. As belas imagens, em sua maioria de autoria de Anton Corbijn, fotógrafo oficial da banda desde os anos 80, dão uma nova cara às canções do álbum.

Após Streets, a banda continua tocando sua obra prima na íntegra e o telão segue exibindo as belas imagens de Corbjn. Still Haven’t Found What I’m Looking For, With or Without You, Bullet the Blue Sky e Running to Stand Still. Início avassalador! Em seguida, Red Hill Mining Town em nova versão com Edge ao piano. Nas imagens do telão, a banda do Exército da Salvação toca os metais acompanhando a música. É de arrepiar ver ao vivo essa pérola do álbum The Joshua Tree, que nunca havia sido executada pela banda antes dessa tour. Música linda em versão belíssima e empolgante. Um presente para os fãs!

Em seguida, In God’s Country mantém a mesma pegada de 30 anos atrás, mas dessa vez um pouco mais lenta, com belas imagens da Joshua Tree ao fundo em diferentes cores. A sequência continua com Trip Through Your Wires. Curioso que durante a execução dessa música, o telão mostra imagens de Morleigh Steinberg, esposa do Edge, exuberante em figurino cowgirl, pintando a bandeira dos Estados Unidos em um casebre no deserto. Para quem não sabe, Morleigh fazia a dança do ventre em MysteriousWays, durante a Zoo TV Tour em 92 e 93. Edge não resistiu aos seus encantos e acabou se casando com ela.

A banda passa a tocar One Tree Hill, sobre a qual Bono lembra que foi composta em homenagem ao neozelandês Greg Carrol, roadie e amigo da banda, morto num trágico acidente de moto, em 1986, quando o The Joshua Tree estava no auge de seu processo criativo.

Sem dúvida, o ponto alto do show é a performance de Exit, uma das canções mais sombrias do U2, pesada e poderosa. Para introduzir a música, uma crítica indireta e sutil ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O telão mostra trechos da série de TV norte-americana Trackdown, passada nos anos 50, cujo personagem, coincidentemente denominado Trump, anuncia o fim do mundo para os habitantes de uma comunidade, sugerindo que ele seria capaz de construir um muro ao redor das casas daquelas pessoas como forma de proteção para a suposta catástrofe que viria naquela noite. Um charlatão que busca o domínio através do medo. Coincidência ou não, o Trump atual se vendeu como salvador da pátria para vencer as eleições presidenciais e o mote de sua campanha era justamente a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México para conter a imigração latino-americana,  que na visão de boa parte do povo norte-americano, poderia ser equiparável ao fim do mundo… Voltando ao show, Bono sobe ao palco usando um chapéu, incorporando um personagem que ele próprio denominou de “Shadow Man” (Homem Sombra), pregando ilusões em uma performance alucinante. Toda a plateia vibra com as imagens do telão e o show de luzes que se vê nas partes mais empolgantes da canção, enquanto Bono faz seus movimentos de Shadow Man em direção à câmera, pedindo para colocarmos nossas mãos na tela… Fantástico!

Finalmente, a banda fecha o álbum The Joshua Tree com a canção Mothers of the Disappeared. No telão surgem vultos das Madres de Plaza de Mayo. Essas imagens remetem à célebre performance da banda na Argentina e no Chile durante a PopMart, em 1998, quando as elas subiram ao palco com o U2. Como se sabe, esta bela canção foi inspirada nessas mães que tiveram seus filhos desaparecidos nas violentas ditaduras argentina e chilena nas décadas de 60 e 70. Como nos célebres shows da PopMart, Bono canta “el pueblo vencera” na parte final da canção. Outro momento memorável. E assim acaba a execução do álbum The Joshua Tree na íntegra.

A banda segue o show tocando seus sucessos pós-The Joshua Tree. A impressão que dá é que ainda não encontraram o melhor formato para essa parte final.  Em Washington, eles iniciaram essa última etapa com Miss Sarajevo. No telão, vemos as imagens do campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, e a narrativa de uma adolescente síria, Omaima Hoshan, sobre suas trágicas experiências na guerra. O ativismo da banda, especialmente de Bono, jamais faltaria numa tour desta magnitude, ainda mais em se tratando do álbum The Joshua Tree e sua veia política. Se Miss Sarajevo fora inspirada nos horrores da Guerra da Bósnia nos início dos anos 90, agora a canção ganha um novo significado, tendo como pano de fundo a Guerra da Síria. Nas cadeiras inferiores, holofotes iluminam uma grande bandeira com a imagem de Omaima, que circunda toda a extensão do estádio. Uma gravação da voz memorável de Pavarotti em dueto com Bono, ao vivo no palco, dão o toque final à bela canção.

Em seguida, a banda toca Beautiful Day em uma versão repaginada, com uma pegada levemente eletrônica. Matizes de cores e luzes envolvem o imenso telão, servindo como pano de fundo para esta bela canção do U2.

Dando sequência à parte final do show, tocam Elevation. Os mais fanáticos torcem o nariz para essa música, considerada um hit muito óbvio e que, portanto, acaba soando um tanto quanto deslocado no show. Em Washington, Edge acabou errando a entrada da música, provocando risos do baterista Larry Mullen Jr.

Em seguida, a banda faz uma bela homenagem às mulheres em UltraViolet, uma das canções favoritas dos fãs. Do telão, vemos imagens de mulheres que cumprem ou cumpriram um papel importante na luta pela igualdade de gênero e direitos humanos. Belíssimo! No show da Filadélfia, a banda tocou MysteriousWays no lugar de UltraViolet, provavelmente em homenagem ao casal Edge e Morleigh, que fazia aniversário de casamento naquele dia.

A belíssima One é então executada após Bono fazer um discurso político contra o corte do orçamento de Trump que prejudicará o financiamento dos Estados Unidos a programas de combate à AIDS na África. Bono ressalta que essa ajuda humanitária foi um conquista bipartidária, envolvendo os dois partidos rivais, Democratas e Republicanos, mas que agora está em risco com os cortes de Trump que, segundo Bono, não representa os valores e tradições do Partido Republicano. Bono se empolgou tanto com seu discurso, que acabou errando a entrada de One. Mas ele tem crédito, a gente perdoa!

Finalmente, o show é encerrado com Vertigo, outro hit considerado óbvio pelos “fãs raiz”. Do telão, vê-se um belo espetáculo de cores vermelhas e pretas que provocam certa vertigem. Belo espetáculo! Acabamos não conseguindo ver Little Things that Give You Away, nova balada do álbum Songs of Experience, ainda não lançado, que a banda tocou no encerramento de alguns shows.

Na Filadélfia, a ordem das músicas na parte final foi um pouco diferente: Miss Sarajevo, Mysterious Way (ao invés de UltraViolet), One, Beautiful Day, Elevation e Vertigo. No final desse show, nosso amigo Neto Moreschi conseguiu o set list. Lógico que vai para a moldura, né?

O que dizer desses shows?

Para resumir a nossa experiência com esses dois show, só posso dizer que ficamos maravilhados com a performance da banda, com o imenso e imponente telão e seu show de imagens e cores e, principalmente, com o The Joshua Tree sendo executado na íntegra. Ao final do show, olhamos uns para os outros e notamos a felicidade estampada em nossas faces. A foto abaixo, tirada após o primeiro show em Filadélfia, ilustra bem esse momento:

Destaque positivo também para a organização dos shows, desde a compra dos ingressos até a entrada nos estádios.

Agora é aguardar os shows no Brasil. Provavelmente, teremos algumas mudanças no set list e possivelmente nas imagens do telão. De qualquer maneira, a oportunidade de ver o U2 tocando o The Joshua Tree na íntegra em terras tupiniquins é emocionante, já que a tour original de 30 anos atrás acabou não vindo para o Brasil. Quem conhece bem a banda e a obra prima The Joshua Tree vai vibrar, chorar, gritar, cantar as músicas e se emocionar com o show. Passaremos perrengue? Sim, mas estaremos felizes como nunca! Já os fãs de ocasião que não conhecem tão bem o U2 para além dos hits radiofônicos, terão a oportunidade única de ver esta verdadeira obra prima, o The Joshua Tree, executada na íntegra ao vivo. E certamente o U2 ganhará novos fãs, aquelas pessoas que vimos saindo boquiabertas do estádio, impressionadas com a grandeza da maior banda do planeta. Ah, mas não seria pelo telão? Pode até parecer que sim, mas a verdade é que o telão é muito pequeno perto da grandeza do U2 e de sua obra repleta de canções que tocam a alma e o coração.

 

 

  • Todos os vídeos e fotos by Paulo Lilla, exceto Ultraviolet, by Ju Sarda, e With or Without You, by Márcio Artacho Frugiuele