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5 clipes do U2 que você quase esqueceu de assistir!

5 clipes do U2 que você quase esqueceu de assistir!

Quase esqueceu porque vamos te apresentar, você vai descobrir ou relembrar… O U2 é uma banda tão poderosa que não se contenta em fazer apenas 1 único clipe de seus hits; faz logo 2, 3 e até 4!!!.

Se você for distraído, é bem capaz de nunca ter tomado conhecimento de nenhum deles! Deve só conhecer os clipes originais, mais divulgados. Tá curioso? Dá só uma olhadinha nestes 5 exemplos abaixo.

Stuck in a moment

Todo mundo lembra do vídeo em que Bono e Edge dão as mãos, só que o mercado norte americano recebeu uma versão exclusiva para ele. O outro é bem melhor, mas este é bem curioso.

One

O famoso vídeo do bar, com Bono fumando loucamente, o fandom inteiro já viu; ou a versão alemã, com os 4 fantásticos vestidos como “belas” mulheres. Este daqui, com búfalos, ficou mais restrito ao circuito de arte, vamos dizer assim…

Beautiful Day

Mais um clipe em cima do telhado. Foi filmado em Dublim, é bem sem graça, mas vale como curiosidade.

Walk on

Todo mundo conhece – e ama – a versão gravada no Rio de Janeiro. Nem deveria ter outro… mas tem. A linda música, marcada pela campanha em prol da libertação da ativista Aung San Suu Kyi (que se mostrou bem equivocada, a posteriori), recebeu mais de um registro em vídeo. Dá uma olhadinha nesse:

Trocamos o áudio do vídeo por causa do copyright da gravadora

Song for Someone

A música – presente no penúltimo CD Songs of Innocence – ganhou dois belos vídeos, mas este ficou meio escondido e muita gente boa acabou não vendo. Saca só!


Trocamos o áudio do vídeo por causa do copyright da gravadora

Gostou? Quais outros clipes meio escondidinhos do U2 você curte?

Comenta aí embaixo!

O Eneagrama de The Edge

O Eneagrama de The Edge

O mundo corporativo é muito dinâmico. ele costuma apresentar uma série de estudos sobre a personalidade das pessoas e, atualmente, o eneagrama está sendo utilizado por alguns profissionais de sucesso. Ele pode ser usado na compreensão e estudo de qualquer processo contínuo, uma vez que, em sua lógica, o fim é sempre o início de um novo ciclo.

O UV Henrí Galvão, um grande entusiasta do assunto, resolveu fazer um estudo dentro dos preceitos desta técnica em cima das personalidades de Bono e The Edge. Aqui vai o segundo texto, sobre o Edge. Se perdeu o sobre o Bono, é só procurar em nosso site que está aqui. Se liga só:

Eneagrama & Música: The Edge

Bono certa vez comparou cada um dos quatro membros do U2 a partes do corpo humano. Enquanto ele próprio seria o coração da banda (por conta de sua grande emocionalidade), Adam e Larry representariam os pés, e The Edge representaria a cabeça.

Isso faz muito sentido se a gente for considerar que The Edge (cujo nome verdadeiro é Dave Evans) recebeu esse apelido logo quando da formação da banda, por conta de sua preferência por observar as coisas de uma certa distância, e por conta de seu comportamento geralmente pouco emocional.

E, de uma perspectiva do Eneagrama, a análise de Bono faz ainda mais sentido. Isso porque muitas poucas pessoas que conhecem esse sistema discordariam de mim quando digo que The Edge é, quase que sem nenhuma dúvida, um tipo Cinco.

Não espere por muito

Não é de se espantar que um dos nomes mais comumente usados pra descrever esse tipo é “o Observador” (“o Investigador” também é bastante comum). Eles são considerados os mais “cerebrais” dos nove tipos, no sentido de serem aqueles que tendem a confiar mais no intelecto. Muito frequentemente, em detrimento de suas emoções.

Muito disso vem da sua paixão característica, que é a avareza. No contexto do Eneagrama, a avareza deve ser vista sob um contexto mais amplo, já que ela não trata apenas de ser mesquinho em relação a dinheiro, mas também em relação a outros recursos, como tempo e energia.

Em outras palavras, o tipo Cinco frequentemente percebe as demandas externas como sendo simplesmente demais pra eles. Como resultado, eles tendem a evitar se envolver muito com outras pessoas num nível bastante emocional, em parte porque eles geralmente duvidam de sua própria capacidade de dar a essas pessoas o que elas procuram.

Disso decorre uma tendência a ter a frugalidade em alta conta, e em se virar com menos do que seria sequer concebível pra maioria das pessoas. O que, sob um ponto de vista artístico, pode dar uns resultados muito interessantes.

Tome essas mãos, elas não servem pra nada

Não é nenhum exagero dizer que The Edge é um dos guitarristas mais únicos e influentes de todos os tempos. Ter crescido sob a influência do movimento punk acabou sendo o encaixe perfeito pra um músico que se considera um minimalista de coração, com muito pouco interesse em tocar uma quantidade excessiva de notas.

“Eu sou um músico. Não sou um pistoleiro”, ele diz. E ter essa perspectiva mais ampla de si mesmo lhe permitiu explorar territórios desconhecidos enquanto guitarrista, dando rédea livre pro seu grande interesse nas possibilidades técnicas não só do seu instrumento principal, mas também do estúdio de gravação.

De fato, embora eu não leve muito a sério aqueles que o criticam enquanto guitarrista por causa do seu estilo mais contido, eu às vezes concordo com outros que dizem que ele se fia demais na parafernália técnica ao redor de tudo isso, a qual envolve um setup ridiculamente complexo de guitarras durante os shows.

E isso, por sinal, também pode ser creditado ao seu tipo no Eneagrama. Por um lado, o tipo Cinco tende a ter uma capacidade fora do comum de se concentrar e ir a fundo no trabalho que faz. Por outro lado, eles podem ir longe demais nisso, ficando obcecados com detalhes que, no fim das contas, podem acabar lhes distraindo do todo.

Aliás, até certo ponto foi uma surpresa pra alguns fãs quando Bono disse recentemente que o maior culpado pelo fato do U2 estar demorando cada vez mais pra lançar seus álbuns é The Edge. O fato dele ser tanto o maior workaholic quando o maior perfeccionista da banda é capaz de deixar todo mundo ao seu redor louco.

Você vem vivendo debaixo da terra, comendo de uma lata

O que me leva à questão dos subtipos, já que essa mistura de workaholismo e perfeccionismo é a maior razão de eu acreditar que o seu instinto mais forte no Eneagrama é o autopreservação.

Confesso que essa não é uma aposta muito confiante da minha parte. Em parte porque os diferentes subtipos do Cinco não são considerados muito diferentes uns dos outros, exceto pra aqueles que os conhecem muito bem (o que tende a ser uma tarefa difícil, como vimos).

Mas, como eu não vejo nele nem o idealismo que parece ser típico do Cinco social, nem o romantismo do Cinco sexual, classificá-lo como autopreservação-dominante me parece que pelo menos faz algum sentido (afinal, esse subtipo é o considerado o mais “puro” dos Cinco).

Em geral, diz-se que o Cinco autopreservação tem uma necessidade mais forte por demarcações claras e por se isolar, assim como uma dificuldade maior que os outros dois subtipos no que se refere a ser assertivo e demonstrar agressividade.

Não sei se quaisquer desses aspectos se aplicam a The Edge com certa regularidade (algo que provavelmente só os seus familiares e os seus colaboradores mais recorrentes poderiam dizer), mas o seu excesso de dedicação ao trabalho me lembra algo que Bea Chestnut diz em The Complete Enneagram:

O Cinco autopreservação limita suas necessidades e vontades por acreditar que todo desejo pode abrir a porta para que eles se tornem dependentes de outros. Desejos, portanto, são ou sublimados em interesses específicos, ou apagados da consciência.

Suponho que tais interesses e atividades poderiam ser simplesmente hobbies para alguns desses Cinco. Mas também é muito frequente que eles sejam seu ganha-pão.

E isso me leva ao meu último ponto de hoje (e provavelmente a coisa que mais me incomoda enquanto fã do U2).

Uma ideia perigosa que quase faz sentido

Embora, enquanto banda, o U2 sempre tenha sido mais apolíneo do que dionisíaco (no sentido de demonstrar uma preocupação muito forte com o que é apropriado de se exibir ou não), nos últimos quinze anos, mais ou menos, esse desequilíbrio cresceu ainda mais.

Enquanto boa parte dos anos 90 viu a banda se reconciliando com seu lado dionisíaco (o que, pra todos os efeitos, foi uma experiência liberadora pra todos eles), desde então eles vêm tendo mais e mais dificuldade em trazer uma dose saudável de espontaneidade e caos ao processo criativo como um todo.

A consequência é que, quando eles tentaram replicar tal experiência no álbum No Line on the Horizon, de 2009, eles simplesmente não conseguiram. Não que seja um álbum ruim, mas ele dá a nítida impressão de que eles sentiram que haviam se tornado grandes demais pra fracassar e não conseguiram mais se deixar levar.

Mas o pior de tudo é que, desde então, a banda lançou dois álbuns recheados de grandes músicas (Songs of Innocence, de 2014, e Songs of Experience, de 2017), as quais foram (pelo menos pra mim) eclipsadas por uma triste constatação: pela primeira vez, o U2 está soando como qualquer outra coisa que toca no rádio.

A razão de eu estar abordando tudo isso é por acreditar que muito disso tem a ver com a influência desproporcional que o perfeccionismo de The Edge teve sobre esses álbuns. Sinto até que estou sendo meio duro ao escrever isso, porque eu também acho que boa parte das escolhas artísticas da banda até então haviam sido mais que justificáveis.

Mas também suspeito que, se eu fosse um garoto de 11 anos hoje (como eu era quando vi pela primeira vez o clipe de “Staring at the Sun” na MTV), eu provavelmente não ligaria muito pro U2. Não porque eles estão se esforçando demais (isso eles sempre fizeram), mas porque agora eles estão se saindo melhor do que antes.

Torço pra que, como diz a letra da última música do seu (ridiculamente menosprezado) álbum de 1997, Pop, ainda seja possível rebobinar tudo como se fosse um toca-fitas (Songs of Ascent, mais alguém?). Mas a cada ano que passa isso vem se tornando uma possibilidade mais remota no meu coração.

O Eneagrama de Bono

O Eneagrama de Bono

O mundo corporativo é muito dinâmico. ele costuma apresentar uma série de estudos sobre a personalidade das pessoas e, atualmente, o eneagrama está sendo utilizado por alguns profissionais de sucesso. Ele pode ser usado na compreensão e estudo de qualquer processo contínuo, uma vez que, em sua lógica, o fim é sempre o início de um novo ciclo.

O UV Henrí Galvão, um grande entusiasta do assunto, resolveu fazer um estudo dentro dos preceitos desta técnica em cima das personalidades de Bono e The Edge. Aqui vai o primeiro texto, sobre o Bono. Semana que vem vamos postar o sobre The Edge. Se liga só:

Eneagrama & Música: Bono

Bono é um personagem que não requer maiores introduções. Ainda que, enquanto frontman do U2, ele seja uma das estrelas do rock mais famosas do mundo, talvez ele seja igualmente conhecido por seu envolvimento numa variedade de causas sociais, principalmente aquelas relacionadas à melhora das condições econômicas e de saúde na África.

Ao mesmo tempo, eu me pergunto se um estudante do Eneagrama que não soubesse quem ele é (é claro que isso é quase impossível pra qualquer um que acompanhe a música pop), e que fosse introduzido apenas aos fatos-chave da vida de Bono e do que ele defende, concordaria com o que estou prestes a dizer: que ele é, muito provavelmente, um tipo Sete.

Você perde muita coisa nesses dias se você para pra pensar

Por um lado, talvez não seja assim tão difícil pensar nele quando frequentemente se vê diferentes autores se referindo ao tipo Sete como “o Epicurista” do Eneagrama. Afinal, mesmo quando o U2 era considerado uma banda muito séria, havia sempre uma notável “joie de vivre” nas entrevistas que Bono concedia, bem como nas suas artimanhas de palco.

Por outro lado, sempre que se estuda um certo tipo no Eneagrama, há algo de mais importante do que o nome que é frequentemente dado a ele: a saber, a sua paixão predominante. A qual, para o tipo Sete, se chama gula.

Por conta disso, muito do entusiasmo que os Sete demonstram vêm de querer fazer e experimentar muitas coisas (comida sendo apenas uma delas), frequentemente todas ao mesmo tempo. E essa tendência, paradoxalmente, tende a lhes negar justamente a satisfação que eles procuravam quando decidiram se engajar em tais experiências.

Isso porque a principal fixação desse tipo se chama antecipação. Em outras palavras, como eles estão constantemente pensando sobre o que fazer ou aonde ir em seguida, estar presentes onde quer que eles estejam – e com quem quer que esteja com eles – num dado momento pode ser algo incrivelmente difícil.

É claro que estar presente não é uma tarefa fácil pra ninguém, independentemente do seu tipo. (O tipo Quatro, por exemplo, tende a pensar bastante no passado.) A questão é que muitos tipos Sete, justamente por conta de sua fixação, tendem a desenvolver uma baixíssima tolerância à frustração.

A partir daí, não é de surpreender que um dos seus maiores desafios seja uma falta de comprometimento generalizada. Toda criatividade e excitação que eles geralmente demonstram durante os estágios iniciais de qualquer projeto podem ser sabotadas por um certo desinteresse em dar prosseguimento às suas ações – em parte devido a um certo medo de se sentirem presos.

Um amor, uma vida

Tendo isso em mente, talvez soe estranho ouvir um tipo Sete dizer algo nesses termos:

Eu comecei a namorar a minha esposa, Ali, na mesma semana em que entrei no U2, e aquela foi uma boa semana

Sem contextualizar as coisas, talvez a frase acima não soe tão fora do comum por si só, então vou reenquadrá-la da seguinte maneira: temos aqui um tipo Sete na faixa dos 50 anos que encontrou sua futura esposa e seus futuros companheiros de banda quando tinha apenas 16, e eles todos estão juntos desde então. (Incrivelmente, o U2 nunca passou por nenhuma mudança de formação.)

A estranheza dessa situação pode ser ao menos parcialmente explicada quando consideramos que o instinto predominante de Bono no Eneagrama é o social, e isso o coloca dentre aqueles que são classificados como contra-tipos neste sistema – pessoas que expressam a paixão de seu tipo das formas mais inesperadas.

Como o nome sugere, o instinto social se relaciona com como uma pessoa lida com dinâmicas de grupo em geral. Assim, talvez a forma mais fácil de entender a influência que esse instinto tem sobre um indivíduo é considerar a importância que ele/ela dá a qualquer situação na qual haja mais de duas pessoas envolvidas.

Como comentei no meu primeiro texto dessa série, isso não significa que uma pessoa que seja social-dominante vá ser mais socialmente envolvida do que se o seu instinto predominante fosse o sexual ou o autopreservação. Basicamente, o que isso significa é que, seja como for que essa pessoa decida se comportar em grupos, ela raramente vai deixar de levar em conta essas dinâmicas.

Isso pode ser facilmente visto não só no papel cada vez maior de Bono enquanto ativista social ao longo dos anos, mas também no seu papel enquanto membro do U2. Nos anos 80, a banda era vista como os salvadores do rock por alguns, e um observador casual não pensaria que carregar tal bandeira fosse um fardo tão pesado pra ele.

Então, pra mais uma vez trazer a paixão a essa equação: o Sete social é considerado um contra-tipo por reconhecer que a gula – isso é, sua tendência a pensar em sua própria satisfação antes mesmo de sequer levar em conta os desejos e necessidades dos outros – frequentemente não cai muito bem com o que é socialmente esperado.

Consequentemente, esse subtipo faz o movimento contrário à tendência do tipo Sete de ser oportunista, e deliberadamente evita tomar algo pra si mesmo primeiro, defendendo causas que são frequentemente maiores do que eles mesmos.

É por isso que esse subtipo é muito apropriadamente chamado de “Sacrifício”: eles se comportam de maneiras bastante antioportunistas. Como resultado, como diz Bea Chestnut no seu livro The Complete Enneagram, sua gula pode ser difícil de identificar, “porque eles se esforçam para escondê-la em comportamentos altruístas”.

Nos sonhos começam as responsabilidades

Se tudo isso soa bom demais pra ser verdade, é porque, até certo ponto, é. Esses Sete agem como bons samaritanos, mas isso frequentemente vem acompanhado de um desejo igualmente forte de serem reconhecidos pelos outros. (O que é uma das razões pela qual o Sete social pode de certa forma se parecer com um tipo Dois.)

Em sua análise desse subtipo, Bea certamente não poupa palavras, e diz algo que soaria como música aos ouvidos dos detratores de Bono (que aparentemente são muitos): “Seu sacrifício e serviço é o preço que eles pagam por sua necessidade neurótica por admiração.”

Antes de dizer qualquer outra coisa, talvez eu deva deixar claro que sou um fã tanto dele quanto do U2. Embora isso faça com que eu seja um tanto parcial, eu realmente acredito que o seu nível de autoconsciência é bem alto, e o fato dele estar mais que disposto a receber os mais diferentes ataques me parece um bom indício de que ele realmente acredita de coração no que faz.

Na minha opinião, um calcanhar de Aquiles mais delicado está nas suas escolhas como, provavelmente, o membro mais influente do U2 – alguns diriam que ele é o líder de facto da banda. Mais evidentemente, na obsessão que a banda tem em ser aclamada e estar na crista da onda como se nada mais importasse.

Imagino que muito dessa obsessão venha da insistência de Bono em igualar relevância a popularidade. O que, por sua vez, me faz lembrar de como o tipo Sete é muito suscetível a sofrer de uma certa recusa em envelhecer, quase como se “envelhecer graciosamente” fosse um oximoro.

Não é segredo que a ambição rói as unhas do sucesso

De certa forma, me alegra ouvir Bono dizendo coisas como: “se nós acreditamos nas nossas músicas, precisamos usar todos os meios possíveis pra alcançar as pessoas”. Eu mesmo provavelmente não teria me tornado o fã que sou se não tivesse sido exposto à música da banda bem cedo, inclusive quando eles nem eram mais tão “descolados” assim.

E eu com certeza não estou aqui pra dizer o que Bono e o U2 devem ou não fazer a respeito de como comunicam o valor de seu trabalho. Mas às vezes eu me pergunto: será que eles não estão se vendendo barato demais? Não seria bacana, só pra variar, deixar os mais jovens descobrirem o U2 por si mesmos?

É claro que, enquanto fã, eu meio que já sei quais seriam as respostas a essas perguntas. Mas acho que não faz mal “sonhar alto” só um pouquinho, não é?

Email: contato@henrigalvao.com

Links do texto original:

– Bono: U2, State of the World, What He Learned From Almost Dying – https://www.rollingstone.com/music/music-features/bono-the-rolling-stone-interview-3-203774/

U2 apoia livro sobre alimentos que curam!

U2 apoia livro sobre alimentos que curam!

Presente na cerimonia de entrega do prêmio Nobel de medicina este ano, The Edge apoia diversas pesquisas médicas relacionadas com a cura através dos alimentos. Desde que sua filha mais nova, Sian, foi curada de um tipo agressivo de leucemia em 2006/07, Edge se aproximou de alguns médicos e pesquisadores relacionados com o tema. Ele apareceu esta semana com um livro nas mãos e fomos procurar saber sobre o que se tratava.

Trata-se de Eat to beat disease , do Dr. William Li. O médico fala especificamente sobre um processo conhecido como Angiogenese, que atua diretamente em tumores cancerígenos, segundo a tese.


A Angiogenese faz com que veias e vasos nasçam saudáveis e ajudem o corpo a permanecer funcionando normalmente. A técnica revela um processo que impede a irrigação necessária para o crescimento das células cancerígenas e o livro demonstra que existem alimentos específicos que ajudam a derrotar a doença.

Da maneira similar, ele auxilia a cura de outras doenças importantes que matam milhares de pessoas em todo o planeta, como aquelas relativas ao coração. Ou seja, pode ser algo que vai revolucionar os estudos sobre doenças que atingem muitas pessoas no mundo.

Mas o que tem o U2 a ver com isso? A banda apoia a fundação que realiza as pesquisas no setor e tem seu nome citado no site da entidade como um dos principais financiadores dos estudos.

Nós como fãs, ficamos orgulhosos porque, indiretamente, também estamos financiando este estudo através da compra de material oficial da banda e dos ingressos dos shows.

Vale ou não à pena ser fã do U2?

Se beber vinho faz bem, então é melhor começar a aproveitar….

Colaborou: Luciana Pavanelli

Carta de Bono aos fãs – Booklet SOE

Carta de Bono aos fãs – Booklet SOE

Em mais de uma oportunidade, Bono afirmou que as letras de SOE eram cartas para pessoas importantes em sua vida. No encarte do novo CD, ele escreve uma longa carta a seus fãs, ouvintes do Songs of Experience.  Num trabalho em conjunto, alguns UVs generosos resolveram traduzir o que ele quis dizer a todos nós.

Desfrutem!

 

SONGS OF EXPERIENCE

Você começa no final.
Você começa com uma tela em branco.
Você começa com nada.
Você começa com o vazio.

Amor é tudo que nos resta

Talvez tenha sido o Dalai Lama que tenha dito que qualquer meditação na vida começa com a pessoa à morte. Soa um pouco sombrio. Não para mim. Eu perdi minha mãe quando tinha 14 anos e aprendi muito com seu desaparecimento. Eu gostaria que eu fosse mais velho, mas como um jovem adolescente, encarando duramente esse vazio, foi onde uma força vital imprimiu um ritmo em mim, quando uma certa rebeldia começou.
Desafiar as probabilidades, desafiar as expectativas das pessoas, desafiar a morte em si. Roubá-la de seu poder sobre mim ou de qualquer outra pessoa. (eu já tinha mania de grandeza desde aquela época).
Eu me lembro de ler Dylan Thomas “e a morte não possuirá nenhum domínio” Grande poema, eu acreditava e ainda acredito. Em algum lugar do caminho eu descobri a alegria como um ato de rebeldia e essa rebeldia foi a essência do romance.

Ninguém vai impedir este dia de ser o melhor de todos
Ninguém nos impedirá de estar onde deveríamos
Eu queria o mundo mas você bem sabia.
E tudo o que nós temos é a imortalidade.

A banda passou muitos verões no sul da França, é um lugar que nos salvou de nós mesmos, nos reapresentou ao amor de nossas vidas, a nossa família, a nossa música, noites se tornando alegres com as manhãs, tardes com o sol a pino. O sol caçoando de irlandeses, pois não éramos apenas brancos, éramos rosa. O mediterrâneo repousa lá como um lago. Trazendo uma calma que eu raramente encontro em qualquer outro lugar. Mas nos últimos verões, está havendo um certo presságio, onde costumava haver um plácido horizonte, pudéssemos ou não ver, uma vez que lêssemos as notícias e víssemos as imagens, podíamos sentir.

A guerra da Síria estava bem do outro lado da margem.

“Quando tudo está perdido, nós descobrimos o que permanece.
Os mesmos oceanos cruzados.
Para alguns prazer, para outros dor”

Eu tenho pensado sobre a Costa Oeste.

A Costa Oeste da Síria no mesmo mar Mediterrâneo, onde observamos enfermeiros e professores, pessoas que se parecem muito conosco, segurando firme suas crianças, seus poucos pertences, se agarrando a quase nada, a uma esperança, ao sonho de uma outra praia, um barco de borracha, pallets de madeira, destroços humanos desembocando na Itália ou Turquia, quem sabe onde.

Adam chamou a atenção da banda para o fotógrafo e cinegrafista Richard Mosse e sua instalação no Brooklin, usando filme térmico militar para gravar a vida fantasma dos refugiados, isso nos deixou sem palavras, uma sombria, porém extraordinária visão. Então o álbum tem duas canções de amor com pungentes nuvens negras pairando sobre elas, céus de petróleo, lindos, mas inflamáveis.

Summer of Love
Red Flag Day

No ultimo inverno, eu mesmo passei por experiências chocantes que fizeram eu agarrar a minha própria vida como uma tábua de salvação. Muitos de nós tem contato com a mortalidade em algum momento. Seja a nossa própria ou a de alguém que nos seja caro. É uma experiência arrebatadora, eu fui arrebatado.
De cara pra parede, com minhas mãos acima da cabeça, autoridades gritando para eu não me mover. Eu não vou me prolongar nisso ou sobre isso. Eu não quero nomear. Em um mundo de reality show de maior ou menor melodrama, eu posso poupar todo mundo disso.
Seja física, mental ou emocionalmente, muitos de nós enfrentam um grande obstáculo em algum momento de nossa vida.
Eu me sinto fantástico agora, mais forte do que nunca, mas estas músicas tem um ímpeto por trás delas e seria desonesto não admitir a turbulência que eu sentia no momento em que as escrevi.

O gênio que está por trás da genialidade de John Donne e da genialidade de algumas pessoas conduziu-me em segurança à praia. Mas eu confesso que ao longo do caminho, a fé que guiou minha vida desde que eu era jovem, não só não se aprofundou, como se estreitou.

Eu tive que lutar ainda mais duramente por essa fé.
Para ouvir a voz de Deus.
Eu tive que baixar as persianas para o mundo .
Limpar os ruídos do fundo e do primeiro plano. As interferências.
Diminuir o volume da minha mente povoada para ouvir aquela voz quieta e suave que promete a paz que ultrapassa toda compreensão.

Aquela relação que você tem com Deus ou o que quer que você queira chamar de Deus. Uma relação que somente produz a verdade. Eu tive que encarar algumas mentiras que eu vinha contando a mim mesmo. Mentiras como a que minha cabeça é mais dura que o chão. Eu tive que encarar meu próprio medo e meu medo do medo em si. Isso não é fácil para mim.
Mas a voz de Deus voltou, aquela que eu ouvia ainda na infância.
A língua é difícil de traduzir, mas a camiseta dizia: liberte-se, para ser você mesmo, se ao menos você pudesse se ver.
A voz de Iris, a voz de Deus, a voz da amizade, quem sabe?
É poderoso, é perspectiva.
Tempo de voltar pra casa, de descobrir que não era um lugar. Era um rosto, mais do que algumas faces, mas seu coração era meu lar.
Ali.
As luzes do lar.
Eu sempre soube que felicidade não se pode planejar. Que é a fonte de uma vida sendo vivida e amada.
Na mensagem, a tradução da Bíblia de Eugene Peterson, eu li Salmo 100: “Entre com a senha, obrigado. Sinta-se em casa”.
Que frase!
Eu fui em busca da felicidade que não pode ser fabricada. Que não está sujeita à vontade. A felicidade é muito mais fácil de se falsificar.

Uma pílula, uma promessa, um cavalo se aproxima em uma aposta de 10 para 1, um rosto bonito para se imaginar, uma noite na cidade, uma boa gargalhada com grandes amigos…
A alegria é uma coisa diferente.
A grande música é uma alegria… The Beatles, Mozart, Beethoven, Aretha, The Ramones… Há tantos, não há uma lista definitiva.
A alegria explode até mesmo com a raiva,,.
“Raiva é uma energia”, cantou Johnny Lydon no anos 80, com sua banda Public Image LTD, quando o U2 ainda estava tentando se encontrar.
Rage Against The Machine. “Raiva, raiva contra a morte da luz”, disse Dylan Thomas. É onde a raiva vive.

Antes de começar a escrever estas canções de experiência, eu decidi assumir o desafio do grande poeta Brendan Kennelly. ”Se você realmente quer chegar ao lugar onde a escrita vive”, ele me desafiou, “escreva como se estivesse morto”.
É um desafio para se passar, além do ego, além da preocupação de como suas palavras podem afetar as pessoas ao seu redor. É priorizar o que você pode ter a dizer se você acha que estas podem ser as suas últimas declarações.
Eu pensei que era uma boa ideia – até o momento em que não era mais apenas uma ideia e eu estava realmente fazendo isto. Era como uma realidade que estava sendo reproduzida comigo.
Eu gostaria que as pessoas que ouvissem estas canções soubessem que em muitas delas, eu abordei com uma sensação de que poderia não estar mais por perto para escutá-las no rádio ou no fluxo das coisas.

Eu perdi muitos dos meus heróis. Leonard Cohen, David Bowie, Prince. Eu pensei muito sobre a possibilidade de não estar por perto e então fiz estas músicas como cartas de amor.
American Soul é uma carta para a América.
Um país ainda inovando e se reinventando que tem sido a inspiração para esta banda desde a primeira turnê nos anos 80. E todos nós lemos ‘Crônicas De Motel’ de Sam Shepard, ouvimos Patti Smith e conhecemos o grande poeta Allen Ginsberg. Por anos, eu tenho sido um chato, um pé no saco para quem quiser ouvir, tentando explicar que a América não é apenas um país, é uma ideia. É uma grande ideia também. Mas enquanto nós gravávamos essas 12 músicas, sentimos que a ideia da América estava sendo desafiada, talvez até mesmo distorcida, de maneiras bastante problemáticas.

O crescimento das ideologias de extrema-direita que rejeitam o conservadorismo dominante nos Estados Unidos não é uma surpresa – estão ocorrendo por todo o mundo – mas ver isto nos EUA, ver a Ku Klux Klan marchando pelas ruas de Charlottesville sem seus trajes ridículos e chapéus pontudos, é um novo nível de perigo e absurdo. Edge descreve isto como ‘a doença mental do racismo’ sem máscara. Por que eles se sentem tão encorajados? Falar de banir os muçulmanos da América por medo da ameaça de terrorismo seria como os britânicos nas décadas de setenta e oitenta banirem todos os irlandeses do Reino Unido por medo que um de nós pudesse fazer parte do IRA. É claro que poderíamos, mas você não pode interditar o ar porque ele carrega um vírus. E então nós nos sentimos traídos ao ler todas aquelas palavras de Emma Lazarus no pedestal da Estátua Da Liberdade, belas palavras: “Dêem-me os cansados, os pobres, suas massas apinhadas que anseiam por respirar em liberdade.”
Sim, eu me sinto traído.

Cartas de amor…..
The Showman é uma carta de amor para qualquer um que cai na arrogância de um artista de muito pouca confiança. Você conhece aquele fenômeno muito pouca confiança? De qualquer forma, é uma carta para qualquer um de qualquer plateia. Nós damos à luz para estas canções, mas é o público que dá vida e sentido a elas. O relacionamento do artista e do público, no U2, é um romance muito louco, mas também um desafio. Tem que ser assim. Há um acordo entre as partes. Nós não temos que nos preocupar com colocar nossos filhos na escola ou como pagar a viagem da família nas férias, enquanto nosso público não precisa se preocupar sobre a banda dar tudo o que ela tem de melhor. É por isso que o U2 demora tanto tempo para finalizar a gravação de nossos discos, finalizar as canções, é por causa disto. The Showman era uma grande demo, mas só se tornou uma grande canção quando Larry sentou atrás de sua bateria e, em uma sessão, modificou todo o take para a melodia.

Desde o início, Larry, Adam, Edge e eu assinamos este acordo para o negócio e não houve praticamente nenhum show onde isso não tenha sido verdade, mas este conjunto de canções nos custou mais do que esperávamos. O ego fica menos maleável na medida que você vai ficando mais velho, não é? Enquanto empurrávamos as canções para lhes dar uma forma, estávamos empurrando uns aos outros para fora do que estava se formando. Eu acredito que sobrevivemos, mas a melhor música do U2 tem sempre que sair do questionamento. Então, novamente, os cantores são as últimas pessoas que você precisa ouvir quando eles não estão cantando. Artistas são as últimas pessoas que você pode confiar em assuntos relacionados à performance deles. Nós podemos rir quando as coisas não são engraçadas, nós podemos chorar em um close-up.
‘Eu minto para viver
Eu amo fingir
Mas você torna isso verdadeiro
Quando você canta junto’

Cartas.
Há cartas para filhos e filhas.
Love Is Bigger Than Anything In Its Way
13 (There Is A Light)
Get Out Of Your Own Way
Aos parceiros. Para Ali
You’re The Best Thing About Me (é claro, esta é fácil)
Tem também Landlady (obviamente)
‘A senhoria me impulsiona para o alto. Eu vou, eu vou onde eu não ousaria’
Quem pagou por minha caminhada antes de eu conseguir dois pences, quem providenciou uma cama e não se entediava quando o compositor estava escrevendo sobre si mesmo em círculos. A pergunta que não saía da minha cabeça era se eu conseguiria fazer uma música pra Ali, uma canção de exortação, sem provocar aquela náusea de sentimentalismo? É difícil. Hummm, talvez humildade, se eu pudesse lembrar como aquilo era, poderia ajudar. Humor?
”E eu nunca vou saber, nunca saberei o que “poetas que passam fome” quer dizer;
Porque quando eu estava sem dinheiro, foi você que sempre pagou o aluguel’

‘Eu tenho chorado
O quão ruim pode ser um bom momento
Falar da boca para fora
Isto é uma outra grande coisa sobre mim…’
‘Nunca subestime o ego masculino, querida’, como Marianne Faithfull colocou. Eu percebi isso. A crise de meia idade em que você pensa que não está tendo uma crise de meia idade.
O amor sempre foi o nosso assunto principal, mas o amor nem sempre é amável. ‘Somos fortes o suficiente para um amor comum?’ É a pergunta correta. São muitas as canções que patinam em torno deste assunto, mas as duas canções bônus do álbum não.
Tão frio quanto um acordo é The Book Of Your Heart.
Eu queria escrever sobre uma paixão fria. Eu reli The Fisherman do Yeats onde ele fala de seu desejo para uma poesia ‘tão fria e apaixonada como o amanhecer’.
Eu tentei pensar através daquilo, e eu vim com a linha ‘Essa é a beleza da cicatriz.
Esse é o acordo do coração’.
É um tipo de referência ao casamento, ao juramento dos relacionamentos. Há um preço em juramentos feitos no amor quando jovens, mas no final o preço nunca é alto o suficiente, é?
(Vale muito à pena).

Se existe algo interessante sobre o ato de escrever é que isso sempre irá revelar o escritor e eu quis mergulhar nu nessas Songs of Experience, (canções de experiência).
Não apenas nadar nu, mergulhando com os que eu amo. Eu queria tirar a minha pele. Apresentar-se em público é sempre uma strip-tease, mas ao escrever você revela coisas que você não sabia que não estava usando. Você se expõe. Eu não tinha certeza de quem eu não era ao escrever sobre Little Things that Give you away. Até que eu percebi que era eu mesmo e que isso era um diálogo entre minha inocência e minha experiência. A inocência se altercando com a experiência até que esta se quebra.
“Eu te vi nas escadas.
Você não notou que eu estava lá.
É porque você estava falando para mim e não comigo.
Você estava bem acima da tempestade.
Um furacão nascendo.
Mas essa independência pode custar sua liberdade.”

”Hey, esse não é o momento para não estar vivo…”

No final da experiência, através da sabedoria, esperamos recobrar a inocência. Alguém chamou de “a segunda ingenuidade”.

O amor é tudo que nos resta…
“Uma criança chora da soleira da porta. A única coisa que pode ser mantida”

The Blackout é uma carta para o momento em que nós estamos onde o apocalipse tanto pessoal quanto político se misturam. Não apenas o monstro de pedra dizimado pelo tempo, mas a democracia jurássica à beira da extinção.
Soa melodramático? Bem, é o que esperamos da ópera, não? Grandes melodias, grandes emoções.
Não acho que seja exagerado.
A democracia no fundo é apenas um ponto fora da curva na história. Liberdade, igualdade e fraternidade não são condições humanas, são? São aspirações tomadas à força por revoluções sangrentas. É um lance sangrento e conturbado. Assim como traumas pessoais, também com distopia política. The Blackout.
”Na escuridão, onde você aprende a ver.
Quando as luzes se apagam, nunca duvide.
A luz que realmente poderíamos ser”

“Se, entretanto, você quer olhar para as estrelas”, disse Annie Dillard, “você descobrirá que a escuridão é necessária.”
É na escuridão onde realmente nos vemos.
Onde descobrimos quem somos.
Onde somos deixados com nada.

Você começa no final.
Você começa com uma tela em branco.
Você começa com nada.
Você começa com o vazio.

 

Bono

 

Tradução by:

Gracia Cardeal

André Joe

Revisão by:

Mari Carla Giro

Ana Vitti

Weezer

Patrícia Moura

 

Vídeos inusitados do U2 #U240

Vídeos inusitados do U2 #U240

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U2 em traje de gala!

De vez em quando, eles aprontam alguma coisa bem engraçada ou diferente…

Aqui vai uma listinha com vídeos inusitados da banda:

10 coisas que o U2 aprendeu – David Letterman

U2 no Metrô de Nova Iorque com Jimmy Fallon

Larry quase sendo preso – de verdade – pela policia alemã

Esquete de humor para TV Irlandesa com Bono e Larry

Larry em comercial sobre o vírus HIV

Primeira aparição na TV

Entrevista na época da ZooTV

Primeira entrevista pra TV Americana

Edge testando sua guitarra

Nova moda do U2 para futuras tours – Brincadeiras

One realiza evento global!

One realiza evento global!

E se o mundo inteiro se unisse para alcançar objetivos em comum?
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No dia 24 de setembro, pessoas do mundo inteiro vão organizar um Dia de Ação Global, em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O mote da campanha mundial? Iluminar o caminho! Colocar luz nas lutas e agendas para os próximos (desafiadores) 15 anos.

O objetivo é chamar a atenção para os compromissos que serão assumidos por todos os países membros das Nações Unidas na Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre de 25 a 27 de setembro, em Nova York. Serão adotados 17 objetivos para o mundo, que devem ser cumpridos até 2030!

Em São Paulo, diversos artistas e coletivos de ocupação do espaço público se reunirão no Largo da Batata, a partir das 16h.

:: Programação palco ::

das 16h, às 21h
– Abertura do Evento
– Forró na pressão
– Luana Hassen
– Momento #IluminaOCaminho (velas e luz nos #ODS)
– Ilú Obá de Min
– Fernando Anitelli

:: Programação coletivos SP ::

Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário Queiroz Filho (IBEAC): cortejo de leitura pela região de Parelheiros, com produção de materiais e intervenções nas escolas públicas e postos de saúde da comunidade.

Associação de Jovens Engajamundo | Acupuntura Urbana: atividade de ocupação do espaço urbano, que mostra como o desenvolvimento sustentável está presente no cotidiano + oficinas de stêncil, lambe-lambe e tsurus de origami.

ISPIS – Movimento Pimp my Carroça: carroceata com velas e plantas verdes, em ciclovias de São Paulo – em parceria com cicloativistas.

Muda de ideia: Bicicletada Iluminada, com concentração no Largo da Batata a partir das 17h30. Será oferecido LEDs para os pneus da bike, além de balões enchidos com gás hélio. O grupo percorrerá a ciclovia da avenida Faria Lima a partir das 19h. + infos: http://bit.ly/bikeiluminaocaminho

:: #IluminaoCaminho pelo Brasil ::

Em Pernambuco, o Dia de Ação Global será realizado pelo Coletivo Mangueiras, em Recife e Caruaru: http://bit.ly/iluminaocaminhoPE

Em Salvador, será realizado pela ONG Vida Brasil, na Praça Castro Alves:http://bit.ly/IluminaOCaminhoBA

Em Porto Alegre, será realizado pelo Instituto Parrhesia Erga Omnes:http://bit.ly/IluminaOCaminhoPOA

Em Juazeiro (BA), será realizado pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada: atividades lúdicas no centro da cidade, uma caminhada e ato simbólico nas margens do Rio São Francisco, ao pôr do sol.

Em Codó (MA), será realizado pela PLAN Internacional: flashmob na principal praça de Codó com meninas do projeto “Essa é a minha vez”.

Em Confresa (MT), será realizado pela Associação de Jovens Engajamundo: distribuição de materiais sobre os ODS em escolas urbanas e na aldeia Urubu Branco, de etnia Tapirapé.

.: Siga as hashtags #iluminaocaminho #action2015 #pos2015 :.

.: Baixe as artes e compartilhe.

+ infos: http://bit.ly/abong_iluminaocaminho

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Paulo Lilla, o brasileiro que tocou com o U2 no MSG: Foi mágico!!!

Paulo Lilla, o brasileiro que tocou com o U2 no MSG: Foi mágico!!!

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Paulo Lilla, 37 anos, advogado, foi o homem escolhido por Bono para tocar All I want is you no show do Madison Square Garden da última quinta feira, dia 23 de julho. Fã do U2 há quase 25 anos – “Depois de assistir Rattle and Hum” – Paulo sabe que 10 entre 10 fãs da banda irlandesa gostariam de estar em seu lugar. “Estava escrito! Foi coisa de Deus”, afirmou.

Ele nos concedeu entrevista exclusiva, direto de Nova Iorque, onde revela aos amigos do fã clube Ultraviolet sua “experiência”, as impressões sobre Bono e a banda, além de detalhar tudo o que aconteceu durante esta super aventura norte americana.

Paulo foi para Nova Iorque com a esposa, Angela, em férias programadas para coincidirem com as apresentações da banda. Lá encontrou-se com outros UVs – Cristianne Medeiros e Eraylton Neto – e assistiu um show nas cadeiras e outro – justamente este onde foi protagonista – na pista. Sua esposa, que o acompanhou nas cadeiras, não foi neste, não tinha ingresso.

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Ele já tinha assistido a todos os shows que o U2 havia feito em São Paulo, mas esta foi a primeira vez que viajou para vê-los fora do Brasil. Ficou impressionado com o espetáculo visto da arquibancada: “Dá pra ver a grandeza do show, com o telão e tudo mais. Aquele telão interage com a banda o show inteiro, faz parte do espetáculo. Quem tá na pista perde muito isso”, revelou.

Apesar disto, prefere a pista porque “Há uma interação incrível entre público e banda! Bono tem um carisma incrível! Consegue unir a galera”. A ideia de levar o cartaz veio do fato de ver outros serem chamados: “Vi que ele chamou pessoas pra tocar em vários shows. Estão interagindo muito mais com o público, dado o clima mais intimista dessa turnê, então resolvi arriscar… Fiz um cartaz mequetrefe, feio pra caramba, porém grande. Feio, mas eficaz! Fiz a mão, com canetinha mesmo”, brincou.

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A seguir, vocês vão ler o relato da aventura vivida por Paulo, em primeira pessoa. Tudo o que ele viveu, sentiu e consegue expressar com palavras, já que é impossível descrever de forma racional tamanha emoção.

 

“Quando o Bono foi ao palco e parou na minha frente, levantei o cartaz. Não fiquei com ele levantado o tempo todo pra não atrapalhar o pessoal que estava atrás. Bono viu, leu, e fez um sinal pra mim com a cabeça. Eu não disse nada… Apenas levantei o cartaz e olhei fixamente para ele, sorrindo. Como se eu estivesse falando com os olhos.

Quando ele fez o sinal pra mim, achei que minhas chances tinham aumentado. Aí o show seguiu e mantive o cartaz abaixado. Fiz várias fotos e videos bacanas, já que a posição era privilegiada. Quando a banda veio ao palco B e tocou Mysterious Ways, o sonho começou…

Bono puxa uma colombiana pra dançar com ele e filmar pelo celular. Quando vi que tocaram Sweetest Thing achei que não teria mais chances, pois normalmente chamam pra tocar Desire ou Angel of Harlem. Nenhuma das duas foi tocada. Ai veio Every Breaking Wave.

Nesse momento, eu já me conformava que não iria rolar. Quando acabou, ele disse algo no ouvido do Edge. E veio em minha direção, perguntando quem era o cara que tocava guitarra. Eu levantei a mão e mostrei o cartaz. Ai, ele perguntou se eu sabia tocar All I Want is You. Disse que sim. E ele me chamou…

Subi e ele perguntou meu nome e de onde eu era. Respondi e a Arena veio abaixo. Ele disse para eu conferir a afinação com Edge. E comecei a tocar os primeiros acordes. Meio improvisado. Comecei a tocar, mas não tinha retorno… Eles ficam com um retorno no ouvido para conseguirem se ouvir.

Eu não conseguia ouvir o que estava tocando. E Bono foi ditando o ritmo pra mim. Com os pés e com as mãos. Dá pra ver no vídeo. Eu estava anestesiado… Foi difícil me concentrar, mas não podia fazer feio diante de 30 mil pessoas no MSG, né? Olhei pro Edge e ele piscou pra mim…

Bono estava concentrado, vendo se eu entrava no ritmo direito. Aí veio o riff do refrão. Fiz direitinho. Ele fez um sinal e a banda entrou. Com a bateria ficou mais fácil entrar no ritmo certo. E Bono relaxou e começou a cantar mais solto…

Eu comecei a flutuar pelo palco pra curtir o momento… Olhava para as pessoas em volta, olhava o pessoal nas cadeiras… Um sonho!

O Bono olhava fixamente nos meus olhos e eu olhava nos dele. Como se houvesse uma comunicação por telepatia. Fiquei impressionado, como ele é baixinho… Mas é uma figura abençoada, um ser iluminado! Impressionante!

Ele viu que eu estava cantando e aproximou o microfone para eu cantar com ele a parte final em que ele grita All I Want is You seguidamente… No final, pediu pra eu dedilhar o violão. Coloquei a palheta na boca e fiz com os dedos pra não ter perigo de errar… Ele veio com aquele snippet de improviso enquanto eu dedilhava.

E olhava pra mim fixamente, nos meus olhos. Eu sorria e agradecia! Então a musica acabou e ele me reverenciou se inclinando pra baixo. Fiz o mesmo! Então veio me abraçar… Abraço forte, carinhoso… Ficamos assim e ele não disse uma única palavra… Enquanto ele me abraçava, começou a tocar With or Without You. Disse pra ele que essa era a musica da minha vida…

Nesse momento, agradeci, fiz graça dizendo que achava que era o primeiro brasileiro a tocar com o U2 (depois lembrei que o Seu Jorge já tinha tocado). Disse que eles eram meus ídolos! E não lembro mais o que falei… Eu estava em transe…

Ele me levou até a escada, fui tirar o violão para entregar pra produção. Mas ele então fez um sinal pra eu parar e disse: “that belongs to you” (isso pertence a você)… Aí, não acreditei… Quase chorei de emoção… Ia pedir pra ficar com a palheta… A produção veio dizer que guardaria o violão até o fim do show…

 

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Foto by Paulo Lilla

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Foto by Paulo Lilla

 

E virei celebridade…  Todo mundo queria me abraçar, me conhecer, tirar foto… E o Dallas veio me trazer a viola no case do Edge. Não resisti e tirei fotos com ele. E a galera atrás, querendo tirar foto comigo! Não conseguia sair do MSG. Todo mundo vinha pedir pra tirar foto, conversar…

Uns achavam q tinha tido ensaio, que foi armado! Foi tudo improviso que partiu da genialidade do Bono, de sentir que aquele momento valeria a pena! Mas sei que me comuniquei com ele com os olhos. É difícil de explicar com palavras…. Foi mágico!”

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Paulo, que tinha Juzinha UV como amiga e por isso se juntou ao fã clube, mandou um belo recado para todos os que ainda sonham em passar pela mesma experiência que ele:

“Espero ter representado bem a UV! E nunca desistam de seus sonhos! Tudo é possível, até o impossível!”

Alguém aqui ainda duvida?

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Vejam o vídeo com a apresentação:

Outro ângulo:

Paulo Lilla fez tanto sucesso que concedeu entrevista ao canal GloboNews, direto de Nova Iorque, contando a surreal aventura. Teve seu nome citado também no site oficial do U2.

Ficou curiosa com o presente? Dá uma olhadinha nas fotos do violão que o Paulo nos mandou…

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Foto by Paulo Lilla

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Foto by Paulo Lilla

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Foto by Paulo Lilla

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Foto by Paulo Lilla

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Foto by Paulo Lilla

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Foto by Paulo Lilla

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Foto by Paulo Lilla

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Foto by Paulo Lilla

 

Parabéns. Paulo!!! Você merece!

Campanha GRAACC bate recorde em 2015!

Campanha GRAACC bate recorde em 2015!

É com muita felicidade que comunicamos ter ultrapassado a meta de doações ao GRAACC em 2015!

Batemos com folga a doação de 2014, que foi de R$3.565,15. Chegamos ao número de R$4.350,18 e pudemos comemorar com muita felicidade os 10 anos da campanha. Queremos agradecer de coração a todos que nos ajudaram nesta tarefa.

O GRAAC reconheceu nosso esforço através da carta, publicada abaixo:

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Muitíssimo obrigado, em nome de toda a equipe ULTRAVIOLET-U2.

Publicamos novamente a lista dos doadores de 2015:

 

Adra Garcia

Adriana Toledo de Andrade

Adriano Vivancos

Alessandra Arnosti

Alexandre Moya

Amanda Pina

Ana Fabretti

Ana Hara

Ana Paula Águia

Ana Vitti

André Braun

André Joe

Armando Junior

Beatriz Alvarenga

Bruna Bengozi

Bruno Gabriel

Carmem Zickel

Carol Feher

Carolina Tamburi

Cássia Nepomuceno

Celia Cristina Marachini

Claúdia Ferreti

Cristiane Medeiros

Cristiano Bayer

Débora Gonçalves

Duda Blasse

Elis Nepomuceno

Elisângela Alves

Erica Figueiredo

Erick Lapa

Everson Cândido

Fabiano Mad

Fabiano Rodrigues

Flávia Zetterman

Gabriel Garcia

Gabriela Bissi

Gabriela Cesca

Gabriela Godoy

Gabriela Hara

Gabriela Imbernom

Gualter Azevedo

Jamile Couto

Jan Lopes

Jaqueleine Sartori

Juliana Guimarães

Laura Kroeger

Lucia Iazetti

Luciana Pavanelli

Luciano Figueira

Luiza Rocha

Marcelo Mathias Lima

Marcelo Zagnoli

Maria Elvira Suenson

Maria Teresa M. Rosa

Nivaldo Mesquita

Patrícia Cabral

Patrícia Moura

Patrícia Peló

Reinaldo Gomes

Rogério Duarte F. Passos

Ronan Vargas

Roseleine

Roseli Melo

Rossana Bezerra

Sandra Sorlino

Sílvia de Souza Marques

Silvia Catia Rago Kitahara

Ulysses Umaynard

Vandré Felipe O. Nicolau

Vânia de Deus Cunha

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Uma conversa para se ter em um pub com o meu melhor amigo irlandês… E poderia ser ao som de Sunday Bloody Sunday!

Uma conversa para se ter em um pub com o meu melhor amigo irlandês… E poderia ser ao som de Sunday Bloody Sunday!

Por Angela Kuczach

Bióloga – diretora executiva da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação.

Eleita uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil, pela revista Época, em 2014.

Amazônia

 

Dias atrás conversando com uma amiga sobre esse culto ao Bono, doença crônica da qual sofro há uns 20 anos, disse a ela que se eu pudesse escolher um pedido u2maníaco para o Universo, seria ter uma conversa de bar com o meu melhor amigo irlandês.

Ser fã do U2 é coisa séria. Os surtados que seguem a banda pelo mundo e se entregam à egrégora criada em um show em músicas como Where the streets… ou Walk On, sabem disso. Só que não há nada nesse mundo que não possa piorar…

Como uma banda formada por irlandeses crazy-caxias, cristãos e altamente politizados, as influências que eles têm sobre nós podem ser inúmeras, variando de espiritualidade, obsessão pela Irlanda ou militância política.

No meu caso, começou há mais ou menos 20 anos…

Aos 13 anos, eu era uma adolescente marrenta, rebelde, sonhadora e querendo desesperadamente uma causa perdida para lutar. Bem… Na época, acho que nem sabia direito o que era uma causa perdida, talvez para combinar com o ar intempestivo que eu adorava ter, achasse que a causa perdida em si era eu e o quanto não me encaixava no mundo. No fundo, só o egocentrismo de uma adolescente leonina.

Naqueles dias, eu sonhava em viajar o mundo, conhecer o máximo de belezas naturais que pudesse e “nunca deixar de olhar para um céu estralado”. Naquela época também, ficava cada vez mais claro que esse era um sonho caro. Desistir estava fora de cogitação, então a opção era buscar um jeito de viabilizar.

Por gostar de escrever, aos 14 anos, decidi ser jornalista. E por gostar muito mais da aventura e da liberdade em meio a natureza, aos 15, achei que biologia fazia mais sentido. Uma rebelde inveterada com um certo complexo de heroína, me meter em encrenca era algo frequente. Era comum me encontrar com a cara pintada no pátio da escola, onde só eu protestava “contra a venda da Vale” ou algo que o valha.

Como nada na vida é o por acaso, um belo dia, depois de uma discussão familiar em que o pai ou a mãe proferem aquele famoso discurso “enquanto você viver sob o meu teto e eu pagar as tuas contas você faz o que eu mandar” – mais clichê do que nunca – bati a porta e prometi arrumar um emprego “para me sustentar e fazer o que eu quiser”.

Parque Nacional da Serra da Canastra

Acabei estreando minha carteira de trabalho como “atendente de lanchonete do McDonalds”, e, se o tal emprego foi em si uma experiência para não ser repetida, ele me trouxe uma coisa boa: foi lá, com o meu chefe na época, que eu conheci e aprendi a gostar de U2. Eu tinha 15 anos, e na letra de músicas como “Sunday bloody Sunday” “pride”, “bad” e “MLK” eu me encontrei.

Naqueles dias de sede por algo maior, conhecer a história de Martin Luther King ou a guerra religiosa-separatista vivida na Irlanda através das músicas do U2, me trouxe a amplidão de horizonte que eu tanto ansiava. Acho, porém, que foi 4 anos depois, quando passei no vestibular para biologia, que eu comecei a entender a dimensão que essa banda teria minha vida.

Ainda na faculdade, eu entendi que Conservação da Natureza, antes de mais nada, é uma missão de vida, que para ser um conservacionista de verdade o sangue precisa acelerar nas veias, o coração precisa bater mais forte. E o meu batia. Era a causa pela qual um dia pedi e pela qual valeria a pena lutar, da qual depende o futuro de todos nós – sem xiitismo, mas é isso mesmo. Nesta época, estudava para as provas ao som de Beautiful Day.

Minha paixão, além do U2, eram os grandes predadores e durante toda a graduação, eu me dediquei às onças-pintadas e pumas pelos rincões do Brasil. Depois de me formar, o amor pelos felinos selvagens que, eu imaginava, me levariam para os confins da África ou da India, me levaram na verdade para o centro-político das discussões.  Ter o ativismo junto com a biologia correndo no sangue era uma combinação explosiva demais para me levar para os lugares inóspitos que sonhava. Mais fácil acabar no meio de alguma passeata para que esses lugares continuassem existindo.

Como não poderia deixar de ser, fui trabalhar em uma Organização Não Governamental (uma ONG) que tem como missão a conservação de áreas protegidas, como os Parques Nacionais. Uma forma de mantermos o mínimo de recursos naturais, frente às necessidades cada vez maiores de uma população de sete bilhões de pessoas e que continua aumentando… Muita gente, muito consumo. Só um planeta.

Idas e vindas da vida – mudanças de emprego, mas nunca de rumo – a dificuldade de se defender uma causa que não afeta a vida das pessoas de forma imediata. Ainda mais no Brasil. A certeza de que nasci pra fazer isso, não necessariamente como uma escolha, mais como uma missão, uma benção e uma maldição. O ônus e o bônus de ter nascido ativista por natureza… E em certos dias só a voz do Bono me salvava.

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No meio disso, descubri a ONE Campaign. Inspiração pura! Tudo aquilo que eu acredito: “ser você a mudança que se deseja para o mundo –  Gandhi”, trabalhar em prol da mudança positiva. Olhar para a solução e não para o problema. Fé. Esperança. Coragem. Uma boa briga é aquela que você luta gargalhando! Combater o bom combate e não cair na tentação fácil da lamúria e da vitimização. Mudar o mundo é possível… e é uma grande aventura!

Não por acaso a ONE é uma organização advocacy, ou seja, que trabalha de forma articulada com outras instituições em prol de uma causa. Não por acaso a minha ONG é advocacy. E quando o termo mal era conhecido no Brasil – até “esses dias” atrás – eu entrava no site da ONE babando nas ações q eles desenvolvem, na comunicação, na forma que atuam, e pensava: “É isso! É desse jeito que eu quero trabalhar… só que para a conservação!” De novo, Bono me apontando o caminho e naquilo que eu menos esperava…

Olhando pra trás, não mudou muito da adolescente de 15 anos para a mulher de 35. As lutas hoje são mais reais, os embates muito mais duros e agora não se trata mais de “sonhar em mudar o mundo” e sim de encontrar uma forma de efetivamente fazê-lo. Mas no fundo, acho que quem acredita que pode mudar o mundo não amadurece no sentido cético da palavra. A esperança precisa de uma certa dose de ingenuidade, de uma fé no impossível.

Casa do Bono

Vinte anos depois, e hoje como diretora executiva dessa mesma ONG advocacy que defende os Parques Nacionais do Brasil, eu continuo buscando inspiração no ativismo do Bono para desenvolver o meu trabalho. Na verdade, cada vez que vejo as apresentações de One, em Chicago (2005), e Walk On, na 360° Tour, parte da minha fé na vida se renova. Cada vez que vejo um discurso do Bono dizendo que nós podemos sim mudar o mundo, eu me identifico. Quando ele diz que: “celulares são aparelhinhos muito perigosos e que querem a nossa voz”, eu entendo no fundo da alma o que ele está dizendo. Me sinto olhando na mesma direção.

Meu melhor amigo irlandês me dá músicas lindas, a voz familiar e reconfortante dele em uma canção, me dá a sensação de estar em casa, e meu amor por ele me levou até a Irlanda, uma das melhores experiências que a viajante de alma aqui já teve, mas o que meu melhor amigo irlandês trouxe de mais forte para minha vida até hoje foi essa fé inabalável na vida. O sonho quase palpável de que mudar o mundo é possível, de que apesar de tudo, hoje estamos melhor do que ontem como humanidade, e onde a maioria das pessoas enxerga um problema, ele me ensinou a enxergar um desafio, uma oportunidade. Uma aventura!

Não sei dizer até onde minha visão de vida é intrínseca e até onde o Bono me influenciou. Sei que, no meio disso tudo, quando olho para o “factivismo” dele. eu me sinto menos sozinha no mundo. Sinto que numa conversa de bar a gente se entenderia. Coisa de gente louca é claro… Mas quem é louco o suficiente para achar que pode mudar o mundo, é capaz de acreditar em qualquer coisa e torna-la possível.

 

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