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#331
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(Continuação)
Páginas (272 – Fotos), 273, (274 a 276) e 277. ADAM: Nós gastamos muito tempo daquela turnê revisando as músicas. Ensaiávamos sempre que podíamos. Íamos para o estúdio para remixar e regravar as músicas para os singles. Nós trabalhamos muito duro para virar o jogo. EDGE: Levamos até quase a metade da turnê para descobrir como iríamos montar o show. Mas quando conseguimos foi realmente incrível. Nós reorganizamos muitas músicas. Excluímos ‘Do You Feel Loved’ bastante cedo. ‘Discotheque’ foi intensamente reestruturada. ‘Staring At The Sun’ foi despida e se tornou apenas um dueto acústico. ‘Gone’ tinha um novo trecho de guitarra. ‘Velvet Dress’ estava mais pesada e mais direta. ‘Mofo’ quase se tornou um rock pesado. ‘Miami’ ficou mais densa. As únicas que sobreviveram no que você pode chamar de arranjo do álbum foram ‘Please’ (embora ela tenha ganhado um novo final) e ‘Last Night On Earth’. BONO: Quando você está tocando alguma coisa ao vivo, não há tempo para caprichos. Ou funciona ou não. Sua decisão é feita de modo muito simples porque você pode dizer quando está perdendo público. O estúdio geralmente deixa as pessoas com as cabeças nas nuvens. E esta é a razão pela qual você precisa pegar a estrada, para cair na real. PAUL: Nós pensávamos que tínhamos um ás para jogar quando fosse preciso, que era ‘Staring At The Sun’. Achávamos que era um sólido sucesso número um. Claramente a canção não era o que nós pensávamos que ela fosse. Para completar, fizemos um vídeo realmente terrível. Chris Blackwell disse que o problema foi que a gravadora não encontrou um modo que fizesse o U2 parar. Ele certamente nos disse que não tinha gostado. Eu não acho que eu tenha gostado muito do vídeo, mas nós não tivemos alternativas, exceto lançar o mesmo. Não era um hit. O resto da campanha foi gasto tentando extrair aquele hit esquivo do álbum, que teria seu destino renovado. Todos nós amávamos ‘Please’, mas naquele verão Edge, Howie e Bono passaram semanas em um caminhão de gravações em um estacionamento de hotel na França entre os shows tentando encontrar um mix que transformaria a música em um hit single. Eles nunca conseguiram. LARRY: Quando terminamos o álbum, nós podíamos prosseguir fazendo K-Mart, tendo um show de estréia ruim, indo para o palco em um limão, todas essas coisas. A dificuldade era que o álbum não conseguia sustentar todas essas idéias novas, brilhantes. BONO: Quando aquele show começou, foi como se a minha cabeça flutuasse. A sua natureza de néon era uma coisa fabulosa de se contemplar em uma época em que a música rock era pálida e constituída por uma angústia suburbana. Oasis foi tocar conosco em São Francisco. Eles estavam no alto de sua glória. Noel Gallagher sempre foi um grande advogado do U2 caso a imprensa musical estivesse ficando muito amável. Oasis realmente não precisava tocar em apoio ao U2, eles eram uma das maiores bandas do mundo. De fato, quando eu mencionei o show, Noel disse, ‘Você tem certeza de que quer nos apoiar?’ Eles eram divertidos. Eles pegaram os grandes alto falantes S4 de um dos lados do palco e viraram de modo que pudessem sentir toda a vibração do sistema de som. Eles simplesmente amavam isto. Eu não acho que eles estavam remotamente interessados ou preocupados se alguém os amava também, o que era muito afetuoso. PAUL: Houve um acidente naquele show, quando um pedaço da corrente que sustentava a aparelhagem caiu no palco ao lado de Bonehead, o guitarrista do Oasis. Nós teríamos descoberto quanto ossuda era a cabeça dele caso ele estivesse alguns passos mais próximo. EDGE: Depois do show, nós saímos para a noite com o Oasis. Estávamos falando sobre músicas e Noel, não pela primeira vez, disse o quanto ele amava ‘One’. E veja só, a música começou a tocar no rádio naquele exato momento. Sem qualquer sombra de constrangimento, todos começaram a cantar, Noel, Liam, Bono e eu, We are one, but we are not the same. Esta foi uma daquelas noites lendárias. Acabamos ficando até de madrugada no Tosca’s, um pequeno bar bastante bagunçado que permaneceu aberto para a gente. Bono ficou de pé e cantou atos de ópera. O Oasis se cansou antes de nós. Então Bono, nem um pouco lento para sugerir uma vitória, considerou isto como o U2 vencendo o desafio do Oasis nas Olimpíadas da bebedeira. BONO: Eu me lembro de ter visto o sol nascer sobre a ponte Golden Gate em São Francisco. Quando uma noite como aquela termina é difícil relaxar. Você fica de pé porque não consegue ir para a cama, sua pulsação é muito intensa. Você luta com todos os tipos de medos para subir em um palco algumas vezes. Você simplesmente acha que não tem o necessário para alcançar aquelas notas, para visitar os lugares onde precisa ir para que as músicas se tornem vivas. Eu senti minha coragem fraquejar naquela ocasião. Mas quando você termina e tudo dá certo, há um sorriso aliviado entre todos e um sentimento de camaradagem que podem criar as melhores noites da sua vida. A verdade é que eu não posso sair a não ser que tenhamos dois dias de folga depois de um show por causa da minha voz. Edge pode. Ele é um homem de talentos ocultos. Ele sai mais do que qualquer um de nós sabe. Ele só não fala sobre isso. EDGE: Eu amo dançar. Descobri isso bem cedo nos anos noventa, período de Berlin. Quando estamos em turnê, esta é uma das coisas divertidas para se fazer, encontrar um bom clube, geralmente com Fighting Fintan Fitzgerard, que ganhou este apelido porque depois de alguns copos ele fica desesperado para achar alguém com quem possa brigar. Anton Corbijn também é meio inquieto e agitado na pista de dança. E Morleigh é uma dançarina profissional. Então, quando saímos todos juntos, nos divertimos muito. Houve algumas grandes noites na Popmart. Mas houve algumas que eu gostaria de apagar da minha memória. É uma experiência amarga tocar para um estádio com metade de sua capacidade... ou menos! Alguns problemas podem ser afastados com ameaças e blefes, mas não havia como blefar sobre aquilo, estava lá para todo mundo ver. O pior de tudo foi Tampa Florida, 20.000 pessoas em um estádio construído para abrigar 75.000. O extremo sul foi particularmente ruim para a turnê, porque aquele é o território do rock pesado. Alguns críticos reclamaram dizendo que o U2 tinha se tornado uma banda de disco e durante aquele período o disco era o inimigo para muitos americanos. Tivemos o mesmo problema na Alemanha. A turnê européia foi fantástica, 91.000 pessoas em duas noites lotadas em Rotterdam nos shows de estréia. E depois fomos para Cologne e havia 29.000 pessoas em um estádio com capacidade para 60.000. Obviamente, 29.000 é bastante gente, mas não parece quando todos se juntam na frente e as arquibancadas do estádio ficam vazias. Na verdade, a Alemanha tem um grande movimento de música dance, mas a idéia de uma banda de rock sendo influenciada pelo movimento dance era contra a lei como muitos fãs alemães consideraram. ADAM: O álbum se saiu melhor na Europa, possivelmente porque as pessoas entenderam melhor o território sonoro. Tivemos alguns grandes shows. EDGE: Assim como General MacArthur disse para os filipinos, nós dissemos para nossos amigos em Sarajevo ‘nós retornaremos!’, então, quando chegou a hora de planejar a turnê Popmart, nós insistimos em tocar lá. Na verdade, a guerra estava apenas terminando e nós estávamos pondo os planos em prática. Ainda havia muita tensão étnica, embora ela estivesse começando a se estabilizar. Então agendamos um show e sentimos o impacto financeiro de ir até lá. Isto significava transportar todo o equipamento por uma Bósnia destruída pela guerra. A equipe, particularmente os motoristas dos caminhões e dos ônibus, fizeram um ato de heroísmo ao levar o equipamento até o estádio. Os primeiros caminhões que chegaram em Sarajevo foram aplaudidos. Era quase que uma libertação simbólica para muitas daquelas pessoas em Sarajevo, porque este era o primeiro sinal real de que a normalidade tinha retornado. LARRY: Havia centenas de soldados da OTAN, responsáveis por manter a paz, espalhados por todos os lugares. O estádio estava velho e mal conservado. Nós fomos levados até um abrigo subterrâneo muito escuro, feito de concreto, que agora era nosso camarim. A atmosfera era estranha. Ficamos sabendo que o estádio tinha sido usado como necrotério durante o cerco militar. Havia cemitérios de cada lado do estádio, inclusive um enorme cemitério de crianças. Conforme o dia passava, nós ouvíamos histórias sobre o lugar que se tornavam mais e mais horripilantes. Chegou a hora do show e nós subimos no palco. Havia centenas de soldados do lado esquerdo do estádio. O restante da multidão consistia de croatas e sérvios que tinham viajado para o show em trens que não funcionavam desde o começo da guerra. As pessoas de toda aquela região viajaram para assistir o show. Aquelas pessoas estavam matando umas as outras um ano antes. Ali estavam todas juntas em um show do U2. Que coisa incrível. EDGE: Infelizmente, na manhã do concerto, Bono acordou sem voz. Eu não sei se a causa foi a laringite ou o estresse dos meses anteriores de turnê. Um cancelamento estava fora de questão, então o show teve que continuar. E eu devo confessar que realmente não importava que nosso líder vocalista estivesse indisposto, porque cada membro do nosso público parecia estar curtindo todas as músicas. Houve um coro em massa durante todo o concerto. LARRY: A multidão teve que cantar para o Bono, por isso a noite foi muito emocionante. No final do show o público não foi embora. Todos se viraram de frente para os pacificadores e começaram a aplaudir. Foi um momento que eu nunca vou esquecer. BONO: No dia seguinte, houve um editorial no jornal que dizia ‘Hoje foi o dia no qual o cerco militar em Sarajevo acabou’. Mesmo agora, as pessoas ainda consideram que a guerra durou do fim das Olimpíadas de Inverno até o show do U2. A coisa mais incrível foi que com todo o desafio que era levar aquele gigante espetáculo pop para uma cidade sitiada, nenhuma pessoa com quem eu falei mencionou os enormes telões ou a nave espacial espelhada. Eu não estou certo de que nós éramos uma grande parte do show como pensamos que fôssemos. Eu acho que o show era da cidade de Sarajevo. E no final, eles não estavam apenas nos aplaudindo ou aplaudindo os soldados pacificadores da ONU, eles estavam aplaudindo eles mesmos por terem superado tudo aquilo. LARRY: Nós voltamos para nosso hotel, o Holiday Inn, onde os repórteres se hospedaram durante o cerco. O hotel tinha sido bombardeado e, por isso, parte dele estava faltando. Eu fiquei em um quarto com marcas de metralhadoras embutidas nas paredes e pedaços de chão faltando. Nada teria me preparado para aquilo. EDGE: Nós ficamos lá por um dia ou algo parecido, vagando pela cidade, vendo a devastação. Estar no local que tínhamos visto tantas vezes na TV realmente trouxe um sentimento diferente dos horrores que ocorreram durante o cerco. Houve um sentimento real de que um outro genocídio potencial tinha sido evitado por pouco, embora um pouco tarde e devido à várias casualidades. Mas Sarajevo ainda estava de pé. LARRY: Eu saí para uma caminhada com o Embaixador da Bósnia para as Nações Unidas, Mohammed Sacirbey, que nos ajudou a organizar o show. Ele me levou para todas aquelas áreas sobre as quais eu tinha lido, onde pessoas faziam filas de manhã cedo para um pedaço de pão, onde eram surpreendidas por francos atiradores das montanhas, onde granadas eram disparadas para atingir multidões de pessoas. Em cada trilha onde houvesse crateras e marcas deixadas por explosivos, o preenchimento era feito com concreto vermelho, que representava toda a morte e destruição que aquelas pessoas tinham sofrido. Teve um incrível impacto sobre mim, ser confrontado tão graficamente com a crueldade do homem com seus semelhantes e ao mesmo tempo contemplar as qualidades do heroísmo comum e do sentimento de comunidade que era necessário para se sobreviver. BONO: Eu estive poucas vezes em Sarajevo. Eu fui feito Cidadão da Bósnia pelo meu apoio à causa deles durante a guerra, o que foi a maior honra que eu já recebi. Eu fui apresentado ao Presidente Izetbegovic, que morava em um quarto alugado muito modesto no topo de um prédio. Havia uma bicicleta do lado de fora. Ele era um erudito que tinha lido alguns livros importantes. Um homem religioso sem ser fanático. Nós tiramos nossos sapatos, e ele e sua esposa nos conduziram para dentro da casa. Eles fizeram um presente para Ali, um bonito cachecol de seda com pequenos fios de ouro, e nos serviram chá. Foi um momento muito especial. Ele falou sobre o cerco, sobre os atos diários de heroísmo e sobre a crueldade com os alvos escolhidos pelo exército invasor. Sarajevo era o lar de uma das maiores bibliotecas do mundo civilizado, habitando vários manuscritos islâmicos, cristãos e judeus de preço inestimável. Ele nos contou, com lágrimas nos olhos, que dias depois havia palavras bombardeadas caindo do céu, caindo nas cabeças das pessoas, caindo em suas mãos, caindo nos carrinhos de bebês que as mães empurravam pelas ruas, caindo nas xícaras de chá das pessoas, caindo na frente delas enquanto andavam pelas ruas, palavras chovendo dias depois, páginas raras e pedaços de pergaminho ainda não petrificados. Era uma história muito comovente. Eu visitei as ruínas mais tarde. (Continua...) Créditos: Mila Hewson. ![]() ![]() |
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Galera, se tudo correr bem, teremos o final desse capítulo até o meio dessa semana.
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Gente, parabens pela 312323214 vez, vocês estão fazendo um ótimo trabalho, dedicação de vocês é perfeita...
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Nossa hj eu estava passeando pelo orkut e vi numa comunidade (U2 - Videos, Shows e Mp3) aí li um tópico falando sobre o livro do U2 by U2, fiquei mto feliz em saber que tem pessoas que não são egoístas e compartilham sua felicidade com os demais, meus parabéns por esse projeto que está maravilhoso, e mto obrigado por compartilharem conosco... Acabei de copiar todas as páginas do livro p/ o word e vou começar a ajeitá-lo p/ poder ler tranquilo, mas pelo que eu acabei vendo do livro nos comentários do fórum o livro está um verdadeiro "Best Seller" hauahauhauahua...
Abraços a todos que participam desse projeto... ![]() |
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wow! excelente mesmo!
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"...Don´t let the bastards grind you down" ![]() |
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#339
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Ficou bem legal a versão. A título de colaboração, a palavra certa para aquela em negrito acima é "interrupção".Parabéns pelo esforço e perseverança pessoal! ![]() MT Blessed are the deaf who cannot hear us scream, Blessed are the stupid who can dream - Wave Of Sorrow
Confira o podcast da UV: http://www.ultraviolet-u2.com/podcast/ |
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Citação:
![]() ![]() ![]() Última edição feita por Bonolocks em 19/06/2007 às 07h44. |
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Valew "...Don´t let the bastards grind you down" ![]() |
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#343
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Já comentei com o Cris que a ferramenta Correção Ortográfica do Word ajuda, e muito, numa hora dessas .Esse capítulo sobre o Pop foi doído de ler pra mim, quando li o original. Agora vou relê-lo com mais calma pra ver se dói menos MT Blessed are the deaf who cannot hear us scream, Blessed are the stupid who can dream - Wave Of Sorrow
Confira o podcast da UV: http://www.ultraviolet-u2.com/podcast/ |
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Mais uma vez parabéns a todos.
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Obrigado Eno!
Hoje teremos o restante da fase POP aqui. ![]() ![]() |
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