Ver Versão Completa : Mais uma tragédia em Congonhas.
LadyCygnus
18/07/2007, 17h15
Relutei um pouco em abrir este tópico, mas acho que o quê aconteceu não atinge só as famílias que perderam entes queridos neste - e em outros - acidentes aéreos.
Parece que agora, há uma onda de estar de luto por essas mortes - não questiono o luto, de maneira alguma. Vidas perdidas de qualquer maneira são sempre vidas perdidas. Ninguém pode questionar o valor da vida de ninguém. - e reclamações direcionadas ao Governo e a todos aqueles que podem ser considerados, de certa forma, culpados.
A Bel postou algo interessante no fotolog dela e que, nos faz pensar:
(...)Mas tirando este pequeno detalhe, me vêm à cabeça: até quando acidentes como esse acontecerão? Sim, porque a minha cabeça um tanto quanto lógica imagina na mesma hora que se de repente, este pouso fosse em Cumbica, a pista maior e em melhor condições impediria que uma tragédia deste tamanho acontecesse. Foi uma fatalidade, sem dúvida. Talvez o destino daquelas pessoas estivesse realmente traçado para que o seu fim chegasse ontem. Mas pra quem usa constantemente o aeroporto de São Paulo, o de Congonhas, é simplesmente assustador o fato de que, num raio de pelo menos 15, 20 kilômetros, a gente passa por cidade, cidade, cidade. Qualquer erro é fatal. E na verdade, se uma ou 200 vidas serão tiradas, parece que é apenas uma questão de matemática.
Eu cresci ali, naquela região. Trabalhei ali, passava freqüentemente na Washington Luis, ainda tenho amigos morand/trabalhando por lá. O Aeroporto, de certa forma, sempre foi conveniente pra muita gente que estabeleceu-se ali e o viu como uma chance de fazer suas vidas, mas, será que ainda é conveniente tê-lo ali?
Parte de mim acha que não, porque as pessoas que vivem ali, acidente após acidente, ficam desesperadas por não saber se, num belo dia de sol, uma turbina vai cair em sua casa ou se a sala de jantar será invadida por um avião que derrapou na pista. Agora, a outra parte pensa que houve um crescimento desordenado naquela região, que desde 1920 abriga o aeroporto.
Minha tia tem 82 anos e me conta que, há 50 anos atrás, aquela região que envolve o Jabaquara, Campo Belo, Saúde, Moema e Itaim era mato, puro e simples mato. Ali, em Congonhas, era um descampado enorme.
Quem deixou que as residências/prédios/comércio se instalassem ali?
E a pista? Quem a liberou sem que o grooving tivesse sido feito?
É difícil encontrar um culpado e agora, nós queremos que alguém leve a culpa, talvez pra que isso amenize a situação -porque perdemos alguém ali, porque poderíamos estar ali...- mas agora, a gente precisa refletir e ver se vale a pena ter um aeroporto bem ali.
será que ainda é conveniente tê-lo ali?
E a pista? Quem a liberou sem que o grooving tivesse sido feito?
1° - definitivamente não. Não é conveniente.
2° - vários outros aviões haviam derrapado ali depois que a pista foi liberada. Foi uma tragédia anunciada.
mas eu não sei, ainda não to com cabeça pra comentar tudo. Quando se perde alguém realmente a gente quer colocar a culpa em alguma coisa, Nathy. Mas eu acredito que era pra ser... só não me conformo pq teve que ser assim, pq o richard... :chorando: Tá sendo tão cruel tudo isso... mas enfim. nos resta rezar pelas vítimas e torcer que isso seja resolvido....
É, minha mãe morava no jabaquara e disse pra mim que eles vivem com medo mesmo, já meu pai, trabalha em moema e disse o msm...
O aeroporto de congonhas parece mais uma pista pra nave espacial do que pra avião, é aredondado e é bem pequena...
Além do mais, é bem no meio de um centro urbano... fico imaginando se ao invés do avião ter seguido pela washington se ele fosse no sentido do shopping ibirapuera...o desastre ía ser maior ainda.
Esse aeroporto tinha que ser fechado e ir pra um outro lugar...ou pelo menos, maior(o que acho meio impossível porque ele é todo rodeado por construções já). Mas alguém tem que deixar ele ao menos com condições "decentes"
Agora o que é interessante é que é o segundo desastre aéreo em menos de 1 ano no Brasil. Parece que o governo não aprendeu nada com o desastre da gol, porque congonhas continua em péssimo estado (onde já se viu liberar uma pista impermeável em época de chuva!), os controladores continuam em péssimas condições de trabalho, devido aos radares que não funcionam bem, aos "sumiços" momentâneos de aeronaves.
Daí vai e acontece um outro pior que esse, sendo que poderia claramente ser evitado por medidas básicas de segurança, como uma pista decente ¬¬. Um detalhe importante é que um dia antes, um avião tinha derrapado (o nome começa com j, se eu não me engano) e tinha saído da pista, mas nada tinha acontecido de mais grave
Dar os pêsames e colocar faixa preta nos braços dos atletas do pan é mto fácil, e dizer na tv que sente muito, tbm... quero ver é "devolver" os entes queridos falecidos pras suas famílias.
Só espero que dessa vez a porcaria desse governo tome alguma atitude decente, e melhore as condições de "vôo" brasileiras!
E olha, ao invés de um avião lotado de pessoas inocentes, devia ter caído um avião (no meio do mato claro, pra que nenhum inocente sofresse) com o nosso presidente e seus queridos "companheiros" mensalenses, pizzaiolos e corruptos... porque daí, ía ser um favor pro povo brasileiro...
MOSQUINHA
18/07/2007, 17h51
Sera que era esse tipo de aviacao que Santos Dumont sonhava? O pais dele eh um dos paises onde os "acidentes" de aviao sao mais frequentes.
Incrivel como tudo na America latina tem que esperar que 200 pessoas morram pra que se tenha alguma atitude. Varios pilotos ja reclamavam da situacao da pista e nao fizeram algo simples, que sim eh perda de dinheiro, mas nao eh perda de vidas, que eh fechar o aeroporto ou apenas algumas pistas pra colocar os groovings.
Ateh quando as pessoas vao ser, como eu falo, "POSventivas", em vez de PREventivas? <_< Mas eu nao falo nada mais ateh que essa caixa preta seja analizada...
Eu morava perto do aeroporto de congonhas e meu pai pegava a washington luis todos os dias pra ir pro trabalho.
Pois é Nathy, não podemos fechar os olhos para algo de tamanha proporção. Poderia sim ser qualquer um de nós ali.
Eu também acho que não é seguro manter um aeroporto numa zona tão residencial como aquela. Se ao menos ouvesse espaço para o prolongamento da pista.....mas não, não há mais espaço algum. E se fechassem Congonhas? Como realocar toda a demanda aérea que existe hoje? Sou eu quem compra as passagens do pessoal que trabalha aqui comigo, e para mim está claro que toda essa crise aérea que estamos vivendo se deu principalmente devido a crescente demanda, que nosso sistema não tem condições de suprir. Antes cotávamos passagens e se as emitíssemos alguns dias depois, o preço era o mesmo. Hoje, cotamos as passagens agora, e alguns minutos depois aquela classe já se esgotou. Isso mostra o quanto cresceu a procura por passagens aéreas nos últimos tempos. No entanto, os aeroportos continuam sendo os mesmos.
Meu caminho para o trabalho é por traz do aeroporto, pela Pedro Bueno, e quando retorno do trabalho venho pela Avenida dos Bandeirantes, que passa lado a lado com o aeroporto, cuja cabeceira da pista de pouso/decolagem termina ali. Fico pensando o que teria acontecido se o avião tivesse seguido em linha reta, sem fazer a curva a esquerda. Certamente cairia por sobre os carros na avenida, ou então em algum estabelecimento às margens dela, a exemplo do que aconteceu na Washington Luis.
Difícil encontrar culpados agora, quem presenciou o momento não ficou aqui para contar o que houve exatamente. Só espero que as investigações levem a uma explicação plausível. Fala-se no piloto que passou do ponto de aterrisagem, fala-se da falta das ranhuras na pista, que levaram o avião a derrapar, e existe até uma notícia não confirmada de que o avião sequer tocou o solo, que tentou arremeter assim que percebeu que não conseguiria pousar, e aí então as ranhuras na pista não fariam a menor diferença nesse caso específico, mas tudo isso são suposições, não há nada de concreto ainda.
De concreto mesmo só a perda dessas tantas vidas. Que triste...
Bjsss
Cris
Num momento lúdico do dia - Jules conhece pessoalmente estes meus momentos - eu resolvi fazer uma pequena e simples conta:
Quem viaja de avião, sabe que é cobrada uma taxa de embarque a cada passagem vendida. Esta taxa de embarque, para quem não sabe, destina-se inteiramente à Infraero, que deve utilizá-la exclusivamente para manter a qualidade e os padrões dos aeroportos e das condições de vôo no Brasil. Entenda-se daí equipamentos modernos e eficientes, treinamento para os controladores e principalmente, boas condições das pistas.
A manutenção dos salários e despesas dos aeroportos em si, são custeadas pela taxa de "locação" que cada aeronave paga à Infraero ao pousar em um aeroporto. Este valor as empresas de aviação tiram do que elas cobram nas passagens.
Pois bem: voltando à conta, considerando que a taxa de embarque de Congonhas é um pouco maior que R$ 19,00, um avião do porte do Airbus, que acomoda até 180 passageiros, e que tem uma ocupação média de 80% a cada vôo, arrecada incríveis R$ 2.736,00. Isso parece pouco? Então vamos mais longe.
Aproximadamente 150 vôos passam por Congonhas diariamente. Apenas os comerciais. Chegamos então a R$ 410.400,00 por dia. Isso equivale a incríveis R$ 12.312.000,00 POR MÊS! Lógico que esta é uma conta bem básica, mas a verdade não é muito longe disso não!
A título de conhecimento, a reforma da pista principal custou a Infraero R$ 19.000.000,00. Um valor que em menos de 45 dias é arrecadado do meu, do seu, do nosso bolso diretamente.
Como é possível então que a gente admita um caos como o que estamos vivendo? Como as autoridades não tomam vergonha na cara e tratam de trabalhar para que soluções definitivas para todos os problemas que cercam esta área da economia brasileira sejam resolvidos? Esse é o retrato do nosso governo e conseqüentemente, do nosso povo. Se com a aviação, que teoricamente, aqueles que tem acesso à educação e tem uma vida um pouco mais digna é o principal prejudicado nada se resolve, a gente começa a pensar em como é o descaso com o que é fundamental: educação, saúde, segurança.
No final das contas, eu tô chovendo no molhado. Eu sou uma que é totalmente a favor do fechamento de Congonhas. Que isso interfira no conforto daqueles que só pensam no próprio umbigo. Que a Infraero fique puta com a perda de receita que o aluguel de espaços dentro das instalações geram. O que não pode acontecer é um outro acidente, de qualquer porte. Tão trocando vidas por um bocado de dinheiro. E isto é papel de mercenário. Não de governante.
Ministério Público pede fechamento de Congonhas
O Ministério Público Federal pretende protocolar na Justiça Federal de São Paulo, ainda nesta quarta-feira (18), uma ação civil pedindo o fechamento do aeroporto de Congonhas. O texto está sendo concluído. Pede a transferência dos vôos para outros aeroportos de São Paulo – Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas) -, até que uma investigação esclareça as condições de uso da pista de pouso de Congonhas.
A ação será assinada pelos procuradores da República Fernanda Taubemblatt e Márcio Schusterschitz. São os mesmos que ajuizaram, em janeiro de 2007, uma ação que pediu a interdição da pista de Congonhas. Essa primeira ação foi extinta no último mês de abril, depois da assinatura de um acordo entre Ministério Público, a Infraero e a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).
Pelo acordo, chamado tecnicamente de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), os órgãos públicos assumiram o compromisso de reformar a pista principal de Congonhas. Fixaram-se horários de funcionamento do aeroporto até a conclusão das obras. A nova pista foi liberada para pousos e decolagens no final de junho. Não estava, porém, completa. Faltaram, por exemplo, as ranhuras (grooving, no jargão técnico) que facilitam a drenagem das águas da pista.
Na nova ação, os procuradores pedirão à Justiça que determine a interdição de Congonhas por meio de decisão liminar (provisória), antes do julgamento do mérito do processo.
O link: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/index.html
Espero que seja fechado mesmo!
só uma nota:
Comandante do vôo 3054 reclamava da pista de Congonhas
Paulo Mario Martins
Reclamações sobre as condições da pista do aeroporto de Congonhas eram feitas recorrentemente pelo comandante Kleyber Lima, um dos tripulantes do avião da TAM que explodiu em São Paulo. A informação foi dada por uma amiga dele, a administradora de empresas Ângela Rabay.
"Ele reclamava, assim como todos os comandantes, que a pista é muito curta", afirmou. "A culpa disso é do governo por ter liberado a pista sem estar pronta".
Outra coisa, saiu um vídeo de uma "reportagem" na uol, em que o comandante e diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas diz que congonhas não podem operar em dias de chuvas e que a proibição do funcionamento dele deveria ser imediata. Ele tbm diz q deveria diminuir o número de vôos e o tamanho das aeronaves que fazem parte de congonhas.
ps: ele diz que os pilotos estavam reclamando frequentemente mas a anac não concordava com as reclamações... Bom, deu no que deu
Pra quem quiser ver: http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/2007/07/18/ult2486u944.jhtm
JuHewsonBand
19/07/2007, 01h48
sabe,eu quase tive um envolvimento direto com esse acidente da TAM
graças a Deus nenhum parente ou amigo meu estava nakele vôo(mas uma amiga minha perdeu uma prima que trabalhava no prédio atingido e meu tio poderia estar entre os mortos,escapou porque ontem era o "dia de folga")
as vezes eu fico me perguntando: Quantas Vidas Inocentes terão que ser perdidas pro governo tomar vergonha na cara e fazer alguma coisa com a aviação? porque,pelo o que parece, o governo não tá nem ai pra aviação há uns 10 meses + ou -(desde que começou o caos aéreo, o acidente do 1907 da gol,entre outras coisas)...
então aki fica a minha dúvida: vai demorar quanto tempo pra essa p**** mudar????
gente,desculpa meu desabafo.....mas eu tava precisando falar(ou melhor,escrever)
bjs a tds
Tatiane RD
19/07/2007, 03h29
Sinceramente, parece que estavam (o governo, Infraero, whatever) esperando um outro grande acidente .... porque não fizeram nada, inquérito daqui, luto dali, condolências de cá ... e nada, nada!
O Lula teve vergonha de ser vaiado no Maracanã, ficou triste com a situação .... deveria ter vergonha, na verdade, da situação que se encontra na aviação!
Provavelmente vão tomar as mesmas "providências" do acidente da Gol, e vão esperar cair um outro Airbus ou um Boeing de capacidade maior!!
Agora, sobre os atletas do Pan ... sinceramente, eu não os condeno por usar a tal faxinha preta ... eu fiquei triste, óbvio .... mas não posso fazer nada também pra trazer as pessoas de volta .... isso não significa que estou sendo hipócrita ao ficar mal com a situação. Acho que é o máximo que eles podem fazer. Aliás, se não fizessem nada disso, iam falar que são um bando de desmiolados e alienados que nem ligam pra uma coisa chocante como essa.
E que beleza né ... estamos na época de recesso em BSB .... lamentável! :reprvd:
Aproximadamente 150 vôos passam por Congonhas diariamente. Apenas os comerciais. Chegamos então a R$ 410.400,00 por dia. Isso equivale a incríveis R$ 12.312.000,00 POR MÊS! Lógico que esta é uma conta bem básica, mas a verdade não é muito longe disso não!
...
Pois é Bel, o problema é o mesmo de sempre, a maldita cúpula que está no poder é quem fica com todo o dinheiro arrecadado. E se alguém é culpado desse acidente, são eles, são os governantes, aqueles que lideram a Infraero, a ANAC, entre outros. Mas, como a gente já sabe, condenados são aqueles que furtam um pote de manteiga no supermercado, porque o filho está passando fome, mas os bandidos de colarinho branco, esses nunca são condenados, pois eles podem "comprar" a absolvição. O que dizer disso? Esse país não é sério, e sinceramente já perdi as esperanças de que um dia isso possa mudar. Devíamos todos viajar com o nariz de palhaço, porque é exatamente dessa forma que os governantes nos enxergam.
Já viajei muitas vezes através de Congonhas, e quando for viajar de novo, sinceramente vou considerar, e muito, a opção por Guarulhos. O pessoal que trabalha comigo já está fazendo isso também.
Bjsss
Cris
Marcinha nr 1
19/07/2007, 10h38
É, eu tb viajo muito por Congonhas, vou reconsiderar, acho que Guarulhos, apesar de mais longe, é melhor e mais seguro. Às vezes dá vergonha de falar que moro neste país. A nossa reputação (do país) tá muito ruim. Tenho uma prima que está em Londres, disse que falam que demorou pra acontecer mais uma tragédia, que a impressão que eles tem, é que gostamos de sofrer. Pode???
Enfim, minha total solidariedade às famílias das vítimas!
Compartilho de todos esse sentimentos de indignação, raiva e solidariedade por todos aqueles envolvidos nesse acidente.
Acho que foi muito bem citado a reação do presidente Lula quando vaiado no Maracanã na abertura do PAN. É como a mamãe diz: "Pimenta no cú dos outros é refresco". :vaisef:
Alí ele teve uma real demonstração do sentimento da população pela administração desse país...se ele se sentiu ofendido com aquilo, como será que esse acidente deve afetá-lo???
Acho q não muito...vai continuar procurando culpados, tentando encontrar justificativas, declarando luto, mas agir de fato...nada...enquanto essas coisas não afetarem diretamente os caras de colarinho branco, enquanto não morrer nenhum parente deles, vai continuar tudo do mesmo jeito. Infelizmente.
Achei esse vídeo na Uol.com, que mostra algumas gravações do aeroporto de Congonhas do procedimento de aterrizagem do vôo da Tam. Dá pra comparar que com outras aeronaves, e esse avião tava com uma velocidade muito acima do normal. No último trecho do vídeo dá até pra ver o clarão da explosão.
http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/2007/07/18/ult2486u946.jhtm
JuHewsonBand
19/07/2007, 13h43
Deus me livre tá dizendo isso,mas....
eu só queria ver se a Marta Suplicy conseguiria relaxar e gozar se tivesse alguém que ela gostasse entre as vítimas desse acidente
Elevation man
19/07/2007, 14h54
Gostaria de deixar aqui expressa a minha revolta à todos aqueles responsáveis pelo sistema aeroviário brasileiro.
Todos que moramos em São Paulo sabemos que, o aeroporto de Congonhas, foi construído em uma área em quem não deveria. A pista é relativamente curta.
A pouco tempo, esta passou por reformas. E mais uma vez, a madlita politicagem brasileira causou um desastre sem precedentes. Quiseram liberar a pista antes da hora, para "amenizar" o furor nacional.
Parabéns! esta atitude irresponsável causou a morte de mais de 200 cidadãos.
Agora, em mais uma atitude covarde dos responsáveis pelo setor, eles começam a divulgar na mídia que a culpa aparentemente é do piloto.
Bem, vamos analisar os fatos friamente.
So o piloto cometeu o erro de pousar com uma velocidade um pouco mais alta do que o padrão, isto não é justificativa. Tenho um amigo meu, da minha faculdade que trabalha na gol. ele disse que não haveria problema de pousar do jeito que o piloto fez, se pista estivesse 100%.
Para quem não sabe, a pista de Congonhas hoje está sem as ranhuras de frenagem. Estas são responsáveis por absrover boa parte da velocidade do avião no chão.
Sem essas ranhuras, o avião tende a demorar para perdert velocidade.
No dia do acidente, chovia em São Paulo. A pista estava escorregadia, e diversos pilotos alertaram para este fato. O piloto que pousou antes do vôo que se acidentou frizou que a situção estava crítica. Mesmo assim, os controladores do vôo não avisaram o piloto de tal problema.
Me desculpem, mas eu realmente estou revoltado com este fato. Jogar a culpa no pobre piloto, que jã não está mais vivo, é um ato covarde e que merece total repulsa da sociedade. Não é possível que aceitemos isso. Ele não é o culpao. Ele é também uma vítima. Uma vítima do atual caos em que se encontra o sistema aéreo brasileiro.
Eu hoje, em uma atitude de repulsa a tudo isso, mandei um email ao ministério da Defesa Nacional. Exigi que peçam desculpas a toda a nação, e em especial à família do piloto, do qual está sofrendo essas acusações nefastas.
Desculpem pelo desabafo, todos sabem que eu sempre defendo o governo quando ele está certo, mas dessa vez, é ridículo fazer isto.
Vertigoatomic
19/07/2007, 18h35
Quando agente chega em SP por Congonhas a impressão que agente tem é de que o avião vai pousar no meio dos prédios. É uma sensação horrível e assustadora.
O Brasil tem hoje uma das frotas mais modernas do mundo, mais moderna ainda do que os EUA onde as grandes empresas ainda tem em suas frotas modelos como Boeing 727 e 737-200. O que deveria tornar a experiência de voar segura a torna insegura por problemas em terra.
Acho que Congonhas é vital para SP que é uma cidade empresarial, diferente de outras. A facilidade de chegar a SP ou ao RJ ja no centro da cidade é o fator primordial para que tanto Congonhas quanto o Santos Dumont não seja desativados.
Isso não acontece somente no Brasil. O Aeroporto de La Guardia em NY é em Manhatan, o Orly em Paris é dentro da cidade, o Stansford em LND também. Toda cidade importante precisa de um aeroporto central.
O fato é que no primeiro mundo soluções são pensadas e desenvolvidas para que esses aerportos não se tormem um risco. La Guardia tem uma area de escape que freia a aeronave que sai da pista. A pista dele tem 2.100 metros e os A-320 da United, USAir operam com serias restrições de peso.
O aeroporto Santos Dumont no Rio tem 1.300 metros de pista e sérias restrições operacionais quanto a uma série de modelos como o proprio A-320. No Rio só operam os A-319 da TAM e 737-700 da Gol, além dos 737-300 da Varig e aviões menores.
Congonhas se não me engano tem 1.900 metros de pista. Imaginem a pista molhada, sem grooving com a aeronave pesando 72 toneladas, sendo que o tolerado são 74??!! Aeronave toca a pista em alta velocidade, o que ja foi provado. O que me espanta foi aparentemente o piloto não tentar ligar o reversor dos motores ou levantar os flaps para tentar arremeter. Isso pode ser visto no video da Infraero. E ainda dar uma guinada para a esquerda.
Acho que nesse como no acidente da Gol não há somente um culpado. Mas uma serie de pequenas falhas e situações ao limite que ocasionaram essa tragédia.
Em 1988 um A-320 que fazia demonstrações em um show aereo (na França se não me engano) teve o computadar travado e caiu. A Unidade de comando não obedecia o comando dos pilotos e a aeronave caiu no meio de uma floresta e explodiu. Em Bangalore na Índia em 89 outro A-320 teve o mesmo problema.
Não estou dizendo que pode ser isso, mas é mais uma possibilidade.
LadyCygnus
19/07/2007, 23h18
Num momento lúdico do dia - Jules conhece pessoalmente estes meus momentos - eu resolvi fazer uma pequena e simples conta:
Quem viaja de avião, sabe que é cobrada uma taxa de embarque a cada passagem vendida. Esta taxa de embarque, para quem não sabe, destina-se inteiramente à Infraero, que deve utilizá-la exclusivamente para manter a qualidade e os padrões dos aeroportos e das condições de vôo no Brasil. Entenda-se daí equipamentos modernos e eficientes, treinamento para os controladores e principalmente, boas condições das pistas.
A manutenção dos salários e despesas dos aeroportos em si, são custeadas pela taxa de "locação" que cada aeronave paga à Infraero ao pousar em um aeroporto. Este valor as empresas de aviação tiram do que elas cobram nas passagens.
Pois bem: voltando à conta, considerando que a taxa de embarque de Congonhas é um pouco maior que R$ 19,00, um avião do porte do Airbus, que acomoda até 180 passageiros, e que tem uma ocupação média de 80% a cada vôo, arrecada incríveis R$ 2.736,00. Isso parece pouco? Então vamos mais longe.
Aproximadamente 150 vôos passam por Congonhas diariamente. Apenas os comerciais. Chegamos então a R$ 410.400,00 por dia. Isso equivale a incríveis R$ 12.312.000,00 POR MÊS! Lógico que esta é uma conta bem básica, mas a verdade não é muito longe disso não!
A título de conhecimento, a reforma da pista principal custou a Infraero R$ 19.000.000,00. Um valor que em menos de 45 dias é arrecadado do meu, do seu, do nosso bolso diretamente.
Bel, eu ia comentar isso das contas ontem mesmo, mas aconteceu um tiroteio na rua da minha casa e eu me desesperei e acabei não comentando...
A questão é simples: se eles levantam todo esse valor em 45 dias, por quê não adiaram a liberação da pista para fazer algo direito e não "nas coxas"?
Acontece que o brasileiro, em sua maioria, tem a síndrome de Macunaíma: a preguiça sempre fala mais alto, o que é uma vergonha extrema.
Já viajei muitas vezes através de Congonhas, e quando for viajar de novo, sinceramente vou considerar, e muito, a opção por Guarulhos. O pessoal que trabalha comigo já está fazendo isso também.
Bjsss
Cris
Cris, eu considero tal hipótese também, embora eu viaje muito pouco de avião até São Paulo - a não ser em emergências, porque Ribeirão está há 4 horas de São Paulo e muitas vezes, não vale a pena financeiramente falando - Congonhas é muito mais cômodo, já que está na zona sul e eu saio do terminal, pego qualquer ônibus que siga a Washington Luis em direção à Interlagos e pronto!
A comodidade sempre falou mais alto, porém, se houvessem linhas de trem de Guarulhos em direção ao centro de SP, muita gente passaria a usar aquele aeroporto.
O quê deve ser feito?
Diminuir todo aquele tráfego de Congonhas, mas, ao mesmo tempo, investir nessa parte de transporte de Guarulhos até, pelo menos, o centro de São Paulo. Não é fácil desembolsar quase 100 reais de táxi de Guarulhos até SP. ;)
Compartilho de todos esse sentimentos de indignação, raiva e solidariedade por todos aqueles envolvidos nesse acidente.
Acho que foi muito bem citado a reação do presidente Lula quando vaiado no Maracanã na abertura do PAN. É como a mamãe diz: "Pimenta no cú dos outros é refresco". :vaisef:
Alí ele teve uma real demonstração do sentimento da população pela administração desse país...se ele se sentiu ofendido com aquilo, como será que esse acidente deve afetá-lo???
Acho q não muito...vai continuar procurando culpados, tentando encontrar justificativas, declarando luto, mas agir de fato...nada...enquanto essas coisas não afetarem diretamente os caras de colarinho branco, enquanto não morrer nenhum parente deles, vai continuar tudo do mesmo jeito. Infelizmente.
Não vou me estender, mas vou deixar claro a situação: eu gosto do Lula, votei nele e achei uma falta de respeito as vaias na abertura do Pan. Achei falta de respeito e achei algo ridículo porque, na hora do povo mostrar a cara, sair na rua batendo panelas e protestando contra o que eles acham errado, eles não o fazem.
E isso não quer dizer que eu estou defendendo-o, que fique claro.
Pronto, disse.
Agora, os políticos vão agir, vão querer respostas e jogar culpa em meio mundo. Por quê eu digo isso? Porquê um líder do PSDB morreu e, para mostrar serviço e honrá-lo, todos vão querer cabeças e soluções. Era o que bastava pra eles.
So o piloto cometeu o erro de pousar com uma velocidade um pouco mais alta do que o padrão, isto não é justificativa. Tenho um amigo meu, da minha faculdade que trabalha na gol. ele disse que não haveria problema de pousar do jeito que o piloto fez, se pista estivesse 100%.
Para quem não sabe, a pista de Congonhas hoje está sem as ranhuras de frenagem. Estas são responsáveis por absrover boa parte da velocidade do avião no chão.
Sem essas ranhuras, o avião tende a demorar para perdert velocidade.
No dia do acidente, chovia em São Paulo. A pista estava escorregadia, e diversos pilotos alertaram para este fato. O piloto que pousou antes do vôo que se acidentou frizou que a situção estava crítica. Mesmo assim, os controladores do vôo não avisaram o piloto de tal problema.
Me desculpem, mas eu realmente estou revoltado com este fato. Jogar a culpa no pobre piloto, que jã não está mais vivo, é um ato covarde e que merece total repulsa da sociedade. Não é possível que aceitemos isso. Ele não é o culpao. Ele é também uma vítima. Uma vítima do atual caos em que se encontra o sistema aéreo brasileiro.
Eu hoje, em uma atitude de repulsa a tudo isso, mandei um email ao ministério da Defesa Nacional. Exigi que peçam desculpas a toda a nação, e em especial à família do piloto, do qual está sofrendo essas acusações nefastas.
Desculpem pelo desabafo, todos sabem que eu sempre defendo o governo quando ele está certo, mas dessa vez, é ridículo fazer isto.
Quando agente chega em SP por Congonhas a impressão que agente tem é de que o avião vai pousar no meio dos prédios. É uma sensação horrível e assustadora.
O Brasil tem hoje uma das frotas mais modernas do mundo, mais moderna ainda do que os EUA onde as grandes empresas ainda tem em suas frotas modelos como Boeing 727 e 737-200. O que deveria tornar a experiência de voar segura a torna insegura por problemas em terra.
Acho que Congonhas é vital para SP que é uma cidade empresarial, diferente de outras. A facilidade de chegar a SP ou ao RJ ja no centro da cidade é o fator primordial para que tanto Congonhas quanto o Santos Dumont não seja desativados.
Isso não acontece somente no Brasil. O Aeroporto de La Guardia em NY é em Manhatan, o Orly em Paris é dentro da cidade, o Stansford em LND também. Toda cidade importante precisa de um aeroporto central.
O fato é que no primeiro mundo soluções são pensadas e desenvolvidas para que esses aerportos não se tormem um risco. La Guardia tem uma area de escape que freia a aeronave que sai da pista. A pista dele tem 2.100 metros e os A-320 da United, USAir operam com serias restrições de peso.
O aeroporto Santos Dumont no Rio tem 1.300 metros de pista e sérias restrições operacionais quanto a uma série de modelos como o proprio A-320. No Rio só operam os A-319 da TAM e 737-700 da Gol, além dos 737-300 da Varig e aviões menores.
Congonhas se não me engano tem 1.900 metros de pista. Imaginem a pista molhada, sem grooving com a aeronave pesando 72 toneladas, sendo que o tolerado são 74??!! Aeronave toca a pista em alta velocidade, o que ja foi provado. O que me espanta foi aparentemente o piloto não tentar ligar o reversor dos motores ou levantar os flaps para tentar arremeter. Isso pode ser visto no video da Infraero. E ainda dar uma guinada para a esquerda.
Acho que nesse como no acidente da Gol não há somente um culpado. Mas uma serie de pequenas falhas e situações ao limite que ocasionaram essa tragédia.
Em 1988 um A-320 que fazia demonstrações em um show aereo (na França se não me engano) teve o computadar travado e caiu. A Unidade de comando não obedecia o comando dos pilotos e a aeronave caiu no meio de uma floresta e explodiu. Em Bangalore na Índia em 89 outro A-320 teve o mesmo problema.
Não estou dizendo que pode ser isso, mas é mais uma possibilidade.
Bah, eu quotei os dois porque eu não entendo muito da parte técnica, tanto da pista quanto dos aviões.
Fá, eu pesquisei um pouco sobre os acidentes com os A-320 e, aparentemente, todos os acidentes que eu achei tiveram praticamente o mesmo problema. Numa das notícias que eu encontrei (e creio eu que é do site do Jornal Zero Hora, não tenho certeza), a mesma dizia que este era o segundo vôo da aeronave, coisa que me deixou intrigada.
Como você mencionou os A-320 e eu sou leiga, a frota não é um tanto quanto ultrapassada? Quero dizer, os aviões podem ser novos, mas os modelos não são antigos? É essa a frota que a TAM usa, substituindo os Fokers?
Luis, eu concordo com tudo o que você disse, principalmente em relação ao piloto. Agora, é fácil querer culpá-lo de tudo, principalmente com os vídeos que a Infraero divulgou (e que o ntrevia postou o link), mas o piloto é humano e, imaginem a cabeça dele sabendo que qualquer coisa custaria a vida de todos a bordo?
Mesmo que seja um erro humano, a culpa não é só dele e nem deveria ser assim.
Vertigoatomic
20/07/2007, 10h32
Fá, eu pesquisei um pouco sobre os acidentes com os A-320 e, aparentemente, todos os acidentes que eu achei tiveram praticamente o mesmo problema. Numa das notícias que eu encontrei (e creio eu que é do site do Jornal Zero Hora, não tenho certeza), a mesma dizia que este era o segundo vôo da aeronave, coisa que me deixou intrigada.
Como você mencionou os A-320 e eu sou leiga, a frota não é um tanto quanto ultrapassada? Quero dizer, os aviões podem ser novos, mas os modelos não são antigos? É essa a frota que a TAM usa, substituindo os Fokers?
Nathy, o A-320 apesar de ser lançado na decada de 80 é uma aeronave que continua em produção e evolução tecnica até hoje. Os A-320, 319 e 330 da Tam vieram da fábrica na França. São aeronaves novas. O aparelho acidentado eu não sei o ano de fabricação, mas em 2000 a TAM começou a receber os A-319 e 320 para substituir os Fokker-100 e expandir seus serviços. Uma aeronave como o A-320 é produzido para ter uma vida útil em torno de 20 anos ou ciclos, como é conhecido no meio. Eu particularmente acho o F-100 um perigo ainda maior, pois é uma aeronave instável, que em turbulencias sofre pra caralho e pra piorar o fabricante (Holandes) ja quebrou tem quase 10 anos, ou seja... não existe facilidade de encontrar as peças de reposição.
Um detalhe importante é que como houve um problema no Reverso, que é parte integrante do motor, a responsabilidade é dó fabricante do motor. Pois tanto Airbus, como Boeing e Embraer, não fabricam motores. Não sei o fabricante desse motor da Tam mas pode ser a General Eletric, CFM ou a Rolls Royce que são fornecedores de motores para a Airbus.
Só pra constar, a TAM é a maior operadora de Airbus na America Latina e até abril tinha 102 aeronaves (sendo 81 Airbus, 18 F-100 e 3 MD-11).
Eu pesquisei e as frotas mais novas do Brasil são da TAM e Gol. Varig, BRA e Webjet voam com Boeings 737-300 / 400 produzidos de 1985 a 1990.
A preocupação com a falta de segurança no espaço aéreo brasileiro não é novidade. Desde 2003, órgãos ligados ao setor já alertavam o governo de que a falta de investimentos em melhorias de infra-estrutura em aeroportos e nos sistemas de controle poderiam causar acidentes e gerar um verdadeiro caos na aviação do país. Passados quatro anos e os dois piores acidentes da história da aviação civil brasileira, com um saldo total de aproximadamente 300 mortos, o governo poderá ser responsabilizado. Caso comprove-se que problemas estruturais no aeroporto de Congonhas decorrentes da falta de aplicações tenham contribuído para o acidente com o avião da Tam, parentes das vítimas podem acionar o governo.
De acordo com o advogado cível Rafael Leite, as famílias das pessoas atingidas pelo acidente ocorrido no dia 17 podem acionar judicialmente o governo caso fique comprovado a existência de problemas na pista do aeroporto de Congonhas ou o descaso do governo. Se as investigações comprovarem que houve alguma falha de responsabilidade do Estado, como negligência, falta de investimentos ou má condução de obras públicas, segundo o advogado, os afetados poderão cobrar indenizações do governo. “Por exemplo, se a pista estava em condições inapropriadas, a culpa é do Estado. No entanto, é preciso aguardar as investigações para que as decisões comecem a ser tomadas”, ressalta Leite.
Os alertas para a necessidade de maiores investimentos no sistema de segurança do sistema aéreo brasileiro não vêm de hoje. Em 2003, o próprio ministro da Defesa na época, José Viegas, destacou que o contingenciamento de recursos se refletiria na segurança dos vôos. Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), concluído no fim do ano passado e encaminhado à CPI do Apagão Aéreo comprova o descaso do governo diante das constantes solicitações da Aeronáutica por mais recursos, imprescindíveis para a garantia da segurança nos aeroportos. Técnicos do tribunal analisaram o processo orçamentário do Programa de Segurança do Vôo e Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, de 2004 a 2007, e verificaram uma série de ajustes impostos pelo executivo nos montantes inicialmente solicitados.
Para se ter uma idéia, de 2004 para cá, as quantias solicitadas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) para a melhoria do sistema de controle e de infra-estrutura sofreram cortes de pelo menos R$ 528,6 milhões. O contingenciamento imposto pelo executivo atingiu em cheio as duas ações ligadas diretamente à segurança: Operação e Manutenção de Equipamentos e Sistemas do Controle do Espaço Aéreo Brasileiro e Desenvolvimento e Modernização do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB).
Em 2004, dos R$ 715,1 milhões solicitados pelo departamento para tais ações, o Ministério do Planejamento liberou apenas R$ 468,7 milhões, ou seja, 65,5% do que era considerado ideal. Na ocasião, o DECEA apresentou como justificativa para o pedido a situação emergencial em que se encontrava o SISCEAB. “Caso tais recursos não sejam alocados na plenitude, a continuidade dos empreendimentos iniciados no exercício de 2002 ficará prejudicada, com risco de não se corrigir a situação emergencial do SISCEAB", dizia a pré-proposta orçamentária elaborada pelo órgão.
Em 2005, o governo voltou a fechar o cofre e aprovou o orçamento com R$ 172,1 milhões a menos do que havia sido pedido. Mais uma vez, o DECEA voltou a alertar para os riscos da falta de aplicações nos sistemas de segurança, salientando que a insuficiência de recursos geraria efeitos danosos às atividades de controle do espaço aéreo, visto que o tráfego no país vinha apresentando um crescimento médio de 8% ao ano. Como se não bastasse a limitação já imposta no orçamento previsto para o ano, outros R$ 59,9 milhões deixaram de ser executados durante o exercício por novas limitações impostas pelas políticas financeiras do Estado.
Diante dos sucessivos cortes, na pré-proposta orçamentária do ano passado, o departamento decidiu aumentar o tom e apresentou de maneira clara e pontual as futuras conseqüências que decorreriam da falta de investimentos. A previsão não poderia ter sido mais exata. Entre os problemas apontados pelo órgão estavam os atrasos e congestionamentos nos principais aeroportos do país, maior tempo de espera e diminuição do grau de confiabilidade na prestação de informações aeronáuticas e meteorológicas às aeronaves domésticas e internacionais que transitam no espaço aéreo brasileiro. Qualquer semelhança com a situação que atormenta hoje os passageiros de todo o país, pelo visto, não é mera coincidência.
As constatações, no entanto, não livraram as ações do corte de R$ 45,2 milhões ocorrido em 2006. Nem mesmo o acidente do avião da Gol, que em setembro do ano passado matou mais de 150 pessoas, levou o governo a mudar de atitude e mexer na política de contingenciamento das ações ligadas ao sistema de aviação. Para 2007, dos R$ 611,4 milhões considerados pelo DECEA necessários para custear os gastos com a manutenção de equipamentos e a modernização do sistema de controle aéreo, apenas R$ 546,4 milhões foram aprovados em orçamento (valor atualizado após o relatório do TCU (http://contasabertas.uol.com.br/noticias/imagens/relatorio%20TCU.pdf)).
Apesar das sucessivas tentativas do DECEA de aumentar o caixa disponível para aplicações no sistema aéreo, em uma reunião com os Secretários Executivos e Membros no Conselho de Aviação Civil (Conac) , em 2005, a Casa Civil deixou claro que a política de contingenciamento não previa exceção, “sendo esta uma posição definitiva do governo”. De acordo com o relatório do TCU, a justificativa do Executivo para os sucessivos cortes seria o fato de os recursos destinados a tais ações estarem diretamente vinculados à estimativa de arrecadação de receitas decorrentes das tarifas de navegação aérea, que vem sedo insuficientes diante da demanda dos últimos anos.
Em dezembro do ano passado, pouco depois do acidente da Gol, um acórdão do Tribunal de Contas da União incluiu os cortes orçamentários entre um dos principais causadores do caos que se instalou no espaço aéreo brasileiro. De acordo com o documento, “o apagão aéreo nada mais é do que uma sucessão de equívocos quanto aos cortes nas propostas orçamentárias, contingenciamento de recursos para o setor, indolência em relação às necessidades de expansão e modernização do SISCEAB e quanto à ineficiente política de alocação de recursos humanos”.
Em nota interna de março deste ano sobre o orçamento do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), o Ministério do Planejamento explica que no período entre 2000 e 2002 houve um maior aporte de recursos para o setor decorrente de “uma Diretriz Presidencial e de estudos que reconheciam a carência de investimentos no Sistema”. A partir de 2003, segundo o Ministério, o que houve não foi corte de recursos, mas sim um retorno ao patamar normal de gastos. “Esse período se caracterizou pela manutenção e reposição rotineira de equipamentos, já que o grande investimento para compensar a defasagem ocorrida já havia sido feito entre 2000 e 2002”, dizia a nota.
Mariana Braga e Cecília Melo
Do Contas Abertas
O link da reportagem: http://contasabertas.uol.com.br/noticias/auto=1822.htm
Por falta de tempo não tinha postado antes aqui...
No dia do acidente, nem consegui dormir...fiquei imaginando aquelas pessoas tendo a sensação iminente de morte, desespero...e a quantidade de familias que ficariam sem a mãe, pai, filhos...
Esse é o tipo de tragédia que nos toca pela proximidade, a maioria de nós é usuário frequente de avião, nos últimos anos, obrigatoriamente precisa fazer conexão em Congonhas...
Mas a indignação é geral, na sexta-feira eu estava fazendo compras e os repositores no supermercado não falavam em outra coisa, depois no salão foi o assunto das manicures (Oh Yeah...licença maternidade). Então percebi, que não apenas quem tem hábito de usar avião estava tão indignado...
Nessa última semana, perante o descaso geral do governo, comemoração de ministro...me deu vontade de ir embora desse País...10 meses de crise aérea sem solução é um pouco demais. Por causa dessa crise, não visitei minha familia no natal, não sai de férias em Julho (uma coisa é ficar esperando o vôo com um bom livro, um Ipod, outra é ter que administrar a espera com uma criança de 4 anos e outra de 3 meses), e agora depois dessa queda, ainda estou com medo de voar...medo de Congonhas...
Depois da queda daquele Focker em 96, em que ficou comprovada a falha mecânica / de projeto, eu nunca mais voei naquela aeronave...mas agora tô com medo de voar no geral...
Esse monopólio de 2 companhias, alta demanda por assentos, o governo multando as companhias em caso de cancelamento de vôos, acho que isso acaba fazendo com que elas mantenham voando aeronaves que precisam de alguma manutenção de última hora...como foi o caso do reverso. OK, eles teriam até 10 dias pra consertar, de acordo com o manual, mas parece que faz falta em caso de pista molhada...
Como disse a Miriam Leitão, um acidente aéreo é uma fatalidade, mas 2 acidentes em um período de 10 meses é sinal de que o governo menosprezou a crise aérea e nesse cenário, falhas pontuais se tornam mais frequentes.
E a nossa imagem no exterior? Agora, além do medo de assaltos, os estrangeiros estão com medo de voar pro Brasil, fica essa imagem de esculhambação. E esses episódios só dão margem pra acreditar nos pilotos do Legacy que desde o inicio criticaram o controle aéreo no Brasil.;)
Infelizmente, o brasileiro é um povo muito passivo, e daqui a pouco o assunto já tá esquecido novamente...pra dar manchete pra um novo escandalo politico.<_<
:assobio: E o Lula ainda acha que foi armação a vaia que tomou no Maracanã....será que ninguém falou pra ele que ele tomou vaia no Morumbi no show do U2?
Cristina Cruz
23/07/2007, 19h54
aqui em Portugal a noticia foi tb abertura de tudo quanto foi telejornal. Que tragédia mesmo. Aqui foi dado ainda mais ênfase pois um dos que morreu era um português que era irmão de um jornalista de TV muito conhecido.
Revoltada fiquei um tb quando me fui inteirando das coisas e por fim vi aqueles dois assessores do Lula celebrando. Não têm vergonha na cara não?
P.S: Eu estou falando isso e aqui acontecem coisas semelhantes tb... quero dizer de pouca vergonha gritante.
Como disse a Miriam Leitão, um acidente aéreo é uma fatalidade, mas 2 acidentes em um período de 10 meses é sinal de que o governo menosprezou a crise aérea e nesse cenário, falhas pontuais se tornam mais frequentes.
engraçado o q vc disse, a capa de um jornal americano q não lembro o nome um dia depois do acidente foi: "as lições não foram aprendidas pelos brasileiros"
falando q teve o lance da gol e em menos de um ano, outra tragédia...
"bateram o record de maior desastre aéreo da américa latina duas vezes, no mesmo ano...
e parece que o governo brasileiro comemora isso"
é essa imagem q o governo passa pro exterior...e ainda querem incentivar o turismo - aff
Tatiane RD
25/07/2007, 15h39
é essa imagem q o governo passa pro exterior...e ainda querem incentivar o turismo - aff
Exato .... hoje eu tava conversando com um indiano pelo orkut e ele falou do acidente, disse: "segunda vez né?!". O lugar láá longe do Brasil e mesmo assim o cara sabe .... vergonhoso sair uma coisas dessas pro mundo todo ¬¬
Adri Soul Love
25/07/2007, 16h09
é essa imagem q o governo passa pro exterior...e ainda querem incentivar o turismo - aff
Ontem eu assistí no jornal um turista português dizendo que não vai recomendar para os amigos o Brasil como um lugar para passar as férias.
Fico imaginando quem viaja de avião frequentemente, além da preocupação causada pelo acidente, a irritação com o descaso da crise nos aeroportos pq eu só escuto que o governo se reune com bla,bla,bla pra discutir bla,bla,bla e não sai nada do lugar. É uma vergonha a imagem que o Brasil deixa para os outros países, mas pior ainda é os brasileiros com raiva de serem brasileiros.
Eita, esse país tem tudo pra ir pra frente, mas não querem deixar!
E todos os dias as manchetes do jornal e imagens dos aeroportos mostram que o caos parece longe de acabar...
E todo dia parece ter um problema com algum avião da TAM...:dúvida:
Pilotar um avião já é um trabalho estressante por natureza...imagino o que a tripulação dos aviões não tem sofrido ultimamente com todos esses atrasos e tendo que aturar o nervosismo dos passageiros, que acabam descontando nos funcionários das cias aéreas.;)
Adri Soul Love
26/07/2007, 14h26
Agora eles resolveram arrumar a pista...
http://img.terra.com.br/i/2007/07/26/562498-9953-ga.jpgFoto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília, 26/07/2007 - Pista principal de Congonhas recebe o grooving
http://img.terra.com.br/i/2007/07/26/562499-5010-ga.jpgFoto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília, 26/07/2007 - O trabalho de grooving na pista são ranhuras para escoamento de água, que facilitam a frenagem
http://img.terra.com.br/i/2007/07/26/562500-3971-ga.jpgFoto: Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília, 26/07/2007 - Operários usam máquinas para fazerem o grooving na pista principal do Aeroporto de Congonhas
LadyCygnus
26/07/2007, 23h16
Não sei se vocês chegaram a ver, mas a imprensa mostrou um documento que a Associação das Companhias Aéreas pressionou o Governo para que a pista fosse liberada antes do prazo porque a alta temporada começaria em julho.
Vergonha, meu Deus. Vergonha.
Como diz a Tam, "nada substitui o lucro".
Saiu uma reportagem na Veja dizendo que a principal causa do acidente teria sido uma falha do piloto, segundo as informações coletas das duas caixas-preta do avião...
http://veja.abril.uol.com.br/010807/p_058.shtml
Elevation man
28/07/2007, 19h56
Saiu uma reportagem na Veja dizendo que a principal causa do acidente teria sido uma falha do piloto, segundo as informações coletas das duas caixas-preta do avião...
http://veja.abril.uol.com.br/010807/p_058.shtml
se culparem o piloto, vou sentir vergonha de ser brasileiro...:vaisef:
Vertigoatomic
29/07/2007, 01h13
se culparem o piloto, vou sentir vergonha de ser brasileiro...:vaisef:
Pode até ser que o piloto tenha uma parcela de culpa, o que eu realmente não acredito. Mas culpar somente o piloto é um crime que pode ser cometido por pressão do governo pra limpar a cara. Continuo sustentando a opinião de que a culpa é da pista.
Pode até ser que o piloto tenha uma parcela de culpa, o que eu realmente não acredito. Mas culpar somente o piloto é um crime que pode ser cometido por pressão do governo pra limpar a cara. Continuo sustentando a opinião de que a culpa é da pista.
O que tão falando é que o piloto cometeu um erro, mas que se a pista fosse mais comprida e tivesse uma área de escape maior, o acidente teria proporções muito menores...
Elevation man
29/07/2007, 15h25
Pode até ser que o piloto tenha uma parcela de culpa, o que eu realmente não acredito. Mas culpar somente o piloto é um crime que pode ser cometido por pressão do governo pra limpar a cara. Continuo sustentando a opinião de que a culpa é da pista.
Depois dessa, não tenho mais nada a dizer.
A Culpa é da pista [2]
Adri Soul Love
29/07/2007, 18h30
A CULPA É DA PISTA (3)
se culparem o piloto, vou sentir vergonha de ser brasileiro...:vaisef:
E por essas e por outras q eu tenho msm é vergonha d ser brazileira [1000 vzs]:bravo:
Aculpa é da merda dos orgaos competentes q nao fazem o q é preciso.
Da pista e da merda da TAM, q pra mim é uma porcaria de companhia, a frota vive com problemas e msm assim eles liberam pra voar, a manutencao das aeronaves sao pessimas, a filosofia da empresa é podre, onde ja se viu liberar um aviao com problema na turbina. Eu particularmente ja nao viajava com eles, agora entao. :reprvd:
P/q o indice de acidentes aereos internacionais é quase zero?
É simples p/q as regras sao seguidas a risca, a fiscalizao é rigida, as manutencao dos avioes sao diarias e seguidas a risca e qlqr falhazinha por mais insignificante q seja o voo é cancelado, as companhias realmente zelam de suas frotas e das vidas dos passageiros. Falo isso,p/q isso ja aconteceu comigo.
Há 2 anos atras, foi cancelado um voo da (JAL- Japan Airlines) por um simples probleminha na turbina tbm. Foi detectado na ultima checagem q eles fazem antes do aviao decolar, ja estávamos dentro do aviao, no dia ficamos bravos por mudarem o voo pro dia seguinte, mas hje em dia agradeco aos japoneses por serem tao minuciosos assim, se nao até poderia nao estar aqui pra contar essa história.
Bonolocks
30/07/2007, 11h00
E por essas e por outras q eu tenho msm é vergonha d ser brazileira [1000 vzs]:bravo:
Aculpa é da merda dos orgaos competentes q nao fazem o q é preciso.
Da pista e da merda da TAM, q pra mim é uma porcaria de companhia, a frota vive com problemas e msm assim eles liberam pra voar, a manutencao das aeronaves sao pessimas, a filosofia da empresa é podre, onde ja se viu liberar um aviao com problema na turbina. Eu particularmente ja nao viajava com eles, agora entao. :reprvd:
P/q o indice de acidentes aereos internacionais é quase zero?
É simples p/q as regras sao seguidas a risca, a fiscalizao é rigida, as manutencao dos avioes sao diarias e seguidas a risca e qlqr falhazinha por mais insignificante q seja o voo é cancelado, as companhias realmente zelam de suas frotas e das vidas dos passageiros. Falo isso,p/q isso ja aconteceu comigo.
Há 2 anos atras, foi cancelado um voo da (JAL- Japan Airlines) por um simples probleminha na turbina tbm. Foi detectado na ultima checagem q eles fazem antes do aviao decolar, ja estávamos dentro do aviao, no dia ficamos bravos por mudarem o voo pro dia seguinte, mas hje em dia agradeco aos japoneses por serem tao minuciosos assim, se nao até poderia nao estar aqui pra contar essa história.
Concordo contigo, Gi. Acho que o acidente em Congonhas foi uma série de fatores. A pista inadequada para pousos foi um deles. Além da falta das tais ranhuras não tem nenhuma área de escape, como é comum em todos os aeroportos de grandes cidades. A pista é realmente curta. Lembro de algumas aterrissagens alí que parecia que iríamos pousar em cima das casas. Nos últimos minutos antes do pouso passamos realmente muito próximos das casas. Dá uma sensação horrível. Embora na ocasião não tivesse me dado conta do quão perigoso isso era, dá prá se sentir que o pouso alí é diferente de outros que se fazem em outras cidades.
E estava pensando justamente nisso que você comentou quando entrei nesse tópico. O descaso com a frota de aviões, permitindo que se façam vôos com problemas mecânicos (embora eles afirmem que isso seja normal) é uma extrema falta de respeito para com a vida humana. Infelizmente precisou acontecer um acidente nessas proporções prá eles se darem conta de que é tempo de tomarem alguma ação, se é que irão tomar alguma, ou irão deixar a poeira baixar, como é comum acontecer em tantos outros casos e deixarem as coisas como estão.<_<
Espero de coração, que isso não aconteça.
Caixa-preta do Airbus indica falha de piloto
Computador registrou falhas na operação da alavanca de aceleração das turbinas; hipótese de erro mecânico não está descartada
Sem controle, o piloto tentou parar o avião pressionando os dois pedais à sua frente, freando os pneus do trem de pouso
Ver matéria completa: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0108200701.htm
[Achei essa reportagem meio contraditória...pela minha interpretação dos dados revelados, a culpa foi mecânica e não do piloto...:vaisef:]
::Juliana::
01/08/2007, 16h14
No dia do acidente, nem consegui dormir...fiquei imaginando aquelas pessoas tendo a sensação iminente de morte, desespero...e a quantidade de familias que ficariam sem a mãe, pai, filhos...
Esse é o tipo de tragédia que nos toca pela proximidade, a maioria de nós é usuário frequente de avião, nos últimos anos, obrigatoriamente precisa fazer conexão em Congonhas...
Nessa última semana, perante o descaso geral do governo, comemoração de ministro...me deu vontade de ir embora desse País...10 meses de crise aérea sem solução é um pouco demais. Por causa dessa crise, não visitei minha familia no natal, não sai de férias em Julho (uma coisa é ficar esperando o vôo com um bom livro, um Ipod, outra é ter que administrar a espera com uma criança de 4 anos e outra de 3 meses), e agora depois dessa queda, ainda estou com medo de voar...medo de Congonhas...
E a nossa imagem no exterior? Agora, além do medo de assaltos, os estrangeiros estão com medo de voar pro Brasil, fica essa imagem de esculhambação. E esses episódios só dão margem pra acreditar nos pilotos do Legacy que desde o inicio criticaram o controle aéreo no Brasil.;)
Não tinha postado aqui antes porque esse é um assunto que me deixa extremamente revoltada com tudo que está acontecendo nesse país. Nossa imagem no exterior já está mais do que queimada, eu costumava dizer que o Brasil é um país ótimo pra passar férias, mas considerando o atual cenário eu diria que isso não é muito recomendado porque se tu quiser ir pra outro lugar qualquer além do destino inicial corre o risco de passar 2 dias conhecendo as lojinhas dos aeroportos ou acabar dentro de um prédio! É triste, mas é a real.
Acho que foi muito bem dito que é uma tragédia que nos toca pela proximidade, no meu caso então eu fiquei MUITO mal por uns 3 dias, no dia do acidente mesmo mal consegui comer à noite, porque o vôo que saiu de Porto Alegre saiu exatamente na hora que eu cheguei ao aeroporto voltando do Rio [onde aconteceu um incêndio uns minutos depois que decolei] com conexão em Congonhas. Ou seja, eu tinha passado por lá umas horinhas antes. As pessoas que eu vi no aeroporto em Porto Alegre, algumas delas eu vi na TV depois chorando desesperadas por notícias. Muito, muito triste. Uma amiga minha era pra estar naquele vôo, mas tinha mudado a passagem pro mesmo horário no dia seguinte. Sem contar que eu apesar de não ter NENHUM medo de voar vim de SP pra Porto Alegre extremamente desconfiada com os barulhos que a turbina esquerda tava fazendo. E sim, era TAM. Enfim...
Eu li a matéria da folha também e acho que está mais pra falha mecânica do que do piloto, apesar de que ele pode sim ter uma parcela de culpa. Agora tem toda aquela história de "se a pista fosse maior...", "se o grooving tivesse sido feito..." Mais foda ainda é que como a Cacau postou, logo isso se abafa por mais um escândalo político. :reprvd:
Aaaaaaaah, e já que o assunto é o caos aéreo, deixo aqui minha indignação pela multa de não sei quantos mil pra Gol. Se fossem ressarcir todos os usuários que ficaram de castigo nos aeroportos seria muito bom, mas pra onde vai a multa? Pro governo! Desculpa, a indignação, mas achei RI-DÍ-CU-LO, somos todos palhaços mesmo, só pode.
Airbus da TAM teve problema na turbina no dia do acidente
Avião foi levado para a manutenção pela companhia e liberado para voar quatro horas antes da tragédia em SP
Empresa aérea afirmou, genericamente, que não houve "nada de anormal" com a aeronave nos 90 dias anteriores ao acidente
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0308200710.htm
Se antes eu já não gostava de viajar com a TAm...agora então..:vaisef:
Nuna_Vox_Hewson_
03/08/2007, 13h35
Airbus da TAM teve problema na turbina no dia do acidente
Avião foi levado para a manutenção pela companhia e liberado para voar quatro horas antes da tragédia em SP
Empresa aérea afirmou, genericamente, que não houve "nada de anormal" com a aeronave nos 90 dias anteriores ao acidente
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0308200710.htm
Se antes eu já não gostava de viajar com a TAm...agora então..:vaisef:
Sabia que eu sempre tive uma imagem ruim da TAM... referente a outros acidentes... que envolveram o nome da empresa... isso tudo no passado... o indice de numero de acidentes aereos no Brasil era GRANDE por CAUSA DA TAM... e seus Avioes...<_<
por esse motivo ... NUNCA TIVE UMA BOA IMAGEM DA EMPRESA E SEUS PEQUENOS E IMPRESTAVEIS AVIOES...!!! outro exemplo dado com essa triste situa;ao... :/
Erro de projeto levou à falha, diz brigadeiro
Para o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira (http://busca.folha.uol.com.br/search?site=online&q=brigadeiro+Jos%E9+Carlos+Pereira&src=redacao), o acidente com o vôo 3054 da TAM (http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2007/voo3054/) que matou 199 pessoas (http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2007/voo3054/vitimas.shtml) no dia 17 de julho foi resultado de três fatores encadeados: um erro de projeto do Airbus-A320, manutenção ineficiente por parte da TAM, e os dois, somados, induziram a falha dos pilotos Kleiber Lima e Henrique Di Sacco.
Confira abaixo a íntegra da entrevista do brigadeiro José Carlos Pereira concedida no domingo, em Brasília. Próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (http://busca.folha.uol.com.br/search?site=online&q=presidente+Luiz+In%E1cio+Lula+da+Silva&src=redacao), a quem ajudou nas eleições de 2002, Pereira conduziu a Infraero de março de 2006 até 6 de agosto. Será substituído a partir de segunda-feira (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u317780.shtml) pelo engenheiro Sergio Gaudenzi.
*
Folha - Por que o sistema aéreo implodiu a partir de 29 de setembro de 2006, quando caiu o Boeing da Gol?
José Carlos Pereira - O sistema já vinha apresentando problemas havia muito tempo, como falta de controladores de vôo. A Aeronáutica reagiu à idéia de fazer concurso para civis, o que é permitido pela lei. O receio é que civis pudessem fazer uma greve e paralisar o sistema, fazer um motim. Então, era melhor ter pessoas só militares, obedientes etc.
Além disso, nas reuniões do alto comando sempre havia o assunto da infra-estrutura que precisa ser comprada, dos radares, de como poderíamos trabalhar com o pouco dinheirinho, como otimizar isso ao máximo. O Sivam foi um sistema bem desenvolvido, mas, pelas informações que temos hoje, grande parte daqueles equipamentos se perdeu. Entregar um equipamento para proteção via satélite a um prefeito de uma cidadezinha de dois mil habitantes no interior da Amazônia, sem luz elétrica, é querer demais.
Folha - Na guerra de versões, os controladores diziam que o sistema estava em frangalhos, e a Aeronáutica respondia que era um dos melhores do mundo e a culpa era deles, controladores. Quem tinha razão?
Pereira - O conceito do sistema brasileiro realmente é um dos melhores do mundo, tenho certeza disso. Agora, uma coisa é você ter um belo software, outra é ter um hardware atualizado que possa suportar esse software. E manutenção. Compramos equipamentos fantásticos, como disse a ministra Dilma [Rousseff] para mim: "Temos um BMW, mas não conseguimos fazer a manutenção do BMW". Isso é uma constante, inclusive na Infraero.
[B]Folha - Por quê?[/B]
Pereira - As pessoas dizem que são feitos aeroportos muito bonitos, shoppings e jardins, mas as pistas são vagabundas e perigosas. Não é bem assim. Em Guarulhos estamos gastando R$ 270 milhões em pistas e pátio. Mas devo admitir sim que existe uma cultura da estética. É muito mais agradável a qualquer autoridade, qualquer político, inaugurar um belo aeroporto. Como é inaugurar uma pista? É um bloco de cimento colado no chão. Isso também faz parte da cultura.
[B]Folha - Não é perigoso colocar controladores militares para controlar tráfego civil?[/B]
Pereira - É o que os controladores de tráfego civil dizem, mas estão defendendo o corporativismo deles. Não diria que é perigoso, mas admito que os controladores militares devem passar por uma pequena lavagem cerebral e um treinamento intensivo. Eles têm a mesma formação, a psicologia é que é diferente.
[B]Folha - É perigoso voar no Brasil?[/B]
Pereira - Os controladores podem fazer confusão, podem ser indisciplinados e fazer o que quiserem, mas posso garantir que, quando eles sentam numa console daquela, eles se transformam. É até bonito ver isso. Ele se entrega àquilo ali de uma forma brutal. E, depois do acidente com a Gol, se alguma coisa começar a dar errado no sistema, eles bloqueiam. Fecham aeroporto, separam todo mundo.
[B]Folha - O sr. acredita na hipótese de sabotagem, como setores da Aeronáutica?[/B]
Pereira - Não acredito na hipótese de sabotagem. Acredito em ausência de cooperação. Antes do acidente da Gol ninguém sabia de nada disso, o país vivia com vôos no horário, ninguém sabia disso porque os problemas eram resolvidos internamente. Controlador tinha que controlar 14 vôos, controlava 20 e tranqüilamente, sem risco. Já vi controladores militares controlando 40 aviões, sem transponder, supersônicos, em simulação de combate. Depende da boa vontade.
[B]Folha - Agora, quando tem a pane, todo mundo lava as mãos?[/B]
Pereira - Exatamente. Antes, isso acontecia e ficava assim. Depois do acidente da Gol, mudou. A primeira coisa que chocou aqueles controladores foi um delegado federal levando a hipótese de um inquérito criminal. Um homicídio culposo de 154 pessoas é coisa muito séria. Doloso, então, nem se fala. O que os controladores sentiram é que estavam fazendo seu trabalho e do lado de fora estava um delegado com algemas na mão. Ai, todas as panes, todos os erros de manutenção começaram a acontecer.
[B]Folha - Mas tivemos panes no Cindacta-1, em que a queda de rádio paralisou o país. No Cindacta-4 houve erro na troca de baterias, no horário de maior movimento da região, feita por um técnico sem a presença de um oficial. Não é estranho?[/B]
Pereira - A coisa, colocada assim, é realmente suspeita. Temos que concordar que é suspeito. Se houve alguma coisa de sabotagem, certamente será encontrada.
[B]Folha - No quadro descrito pelo sr. esticou-se a corda até arrebentar.[/B]
Pereira - Exatamente. A história está cheia de casos semelhantes. Como é que foi acontecer isso? Como aquele navio naufragou? Como determinada ponte caiu? Como os aviões agora caem? É um problema de esticamento da corda.
[B]Folha - Muita gente diz que na gestão do seu antecessor havia caixa de campanha na infraero. O sr. tinha informações sobre isso?[/B]
Pereira - Cheguei na Infraero na Diretoria de Operações, que é completamente alijada. Não cuida de obras, não tem dinheiro, não faz licitação. É operacional, toca os aeroportos para frente. Eu sentia sempre uma vontade muito grande da empresa de ampliar os aeroportos, os terminais de passageiros, e concordava, porque os demonstrativos de demanda demonstravam isso. Era uma coisa aterrorizante. Concordo até hoje, mas sempre briguei pela parte de manutenção, que era a parte que afetava as operações, os problema de balizamento, de rachadura. Acho que houve uma má distribuição de prioridades. Com relação a pagar dívida de campanha, sempre ouvi falar muito, viu? Mas estabeleci o seguinte conceito: não cheguem perto de mim. E nunca nenhum político chegou perto de mim para pedir ou sugerir nada. Com bastante clareza deixei avisos espalhados por tudo quanto é lugar que não me abordassem sobre este assunto sob pena de eu falar. Mas cada diretor tem uma autonomia muito grande. E a Infraero é enorme.
[B]Folha - Mas o sr. ouvia falar em desvios? Comprovou algum?[/B]
Pereira - Para campanha, não, nunca. Boato se fala, fala, fala. Mas nunca uma comprovação, absolutamente nada. No entanto, se você for examinar aquela quantidade imensa de processos no TCU, alguma suspeição pode ser levantada, sem dúvida nenhuma. Mas desde o primeiro momento deixei bem claro e precisei mandar mensagens até muito duras para que não se aproximassem.
[B]Folha - Na presidência, o senhor tentou demitir algum diretor?[/B]
Pereira - Não me atrevi nem mesmo a ter vontade, porque seria uma frustração. Sabe aquela hora em que é melhor nem ter vontade? É como ver doce na vitrine da confeitaria, ficar doido para comer, mas desiste porque não tem dinheiro para comprar. O ambiente era esse, eu tinha mandato-tampão e decidi administrar aquilo até a eleição.
[B]Folha - O doce era alguma diretoria específica, ou mais de uma?[/B]
Pereira - Eu precisaria ali realmente alterar praticamente todas as diretorias. Não necessariamente o diretor, mas a estrutura e a forma de trabalhar, a coordenação, as fiscalizações, a auditoria. Foi muito chocante assumir a empresa e receber do meu auditor um livro dessa grossura com todos os processos e irregularidades de que o tribunal nos acusava. Estabeleci uma meta de tirar uma folha por dia. Um ano e quatro meses depois, acho que tirei apenas umas quatro ou cinco folhas. Mas, pelo menos, não coloquei nenhuma. Deveríamos ter um tribunal anterior ao tribunal de contas. O TCU, quando descobre alguma coisa, já aconteceu. O dinheiro saiu e o que eles conseguem reaver é ínfimo, garanto que não chega a 10%. O projeto básico e executivo de obra deveria passar por uma auditoria.
[B]Folha - O sr. diria com todas as letras que há ou havia corrupção na Infraero?[/B]
Pereira - Não posso dizer isso, mas posso dizer que cento e tantos processos no tribunal de contas, na CGU, no Ministério Público, na Polícia Federal... Se fosse um convento bem organizado, com as freirinhas cantando de manhã, certamente não teria isso tudo.
[B]Folha - Vamos falar de pistas. Como estão as pistas brasileiras? Uma porcaria?[/B]
Pereira - Quando uma empresa aérea vê que você vai fazer um shopping no aeroporto, uma coisa bonita, com nova estação de embarque para os passageiros dela, ela fica feliz, bate palma. Mas, quando diz que vai fechar uma pista de pouso por duas horas, as companhias entram em alucinação, porque isso para elas é prejuízo, vai gastar pelo menos na gasolina de um ônibus para levar o passageiro para outro aeroporto. Então, há uma natural reação das empresas aéreas a qualquer trabalho feito em pista de pouso ou pátio de estacionamento. Foi muito difícil fazer essa reforma em Congonhas, houve brigas, discussões e protelações, as empresas brigando. Quando você diz que a pista não pode funcionar molhada, as empresas dizem: "O que é isso? pode sim, só um pouquinho molhada não tem perigo nenhum". Nenhum presidente de empresa, nenhum diretor de operações vai colocar em risco seus passageiros, mas é a história do acostamento. Começa a se aproximar muito do acostamento e aí não tem área de escape, pode ficar perigoso. Fizemos a pista auxiliar de Congonhas a duras penas.
[B]Folha - E a pista principal?[/B]
Pereira - Como o querosene é mais caro em São Paulo, os aviões, além de transportar passageiros e carga, transportam combustível também, e isso vai aumentando ainda mais o peso dos aviões, ajudando a acelerar a degradação das pistas. Quando fizemos a reforma da pista principal de Congonhas, ficou aquela discussão: entrega só com grooving ou entrega logo. Ia demorar mais 50 dias, e a pista auxiliar operou sem grooving todo o tempo sem problema, nunca aconteceu nada. O grooving não é, de fato, uma necessidade absoluta, e por isso a pista foi aberta ao tráfego. Foi aberta com muito cuidado. Tem uma superfície rugosa bem razoável, a micro-textura foi aprovada em todos os testes, todos os cuidados foram tomados, passamos inclusive a monitorar as reações dos pilotos, que foram todas favoráveis. A pista estava excelente, não empoçava água nenhuma. Naquela pista não há aquaplanagem dinâmica, que é a perigosa. Juro que não tem, porque água não empoça em ladeira.
[B]Folha - Se a pista de Congonhas estava péssima, se o sr. diz que a de Guarulhos não é confiável, o que se pode imaginar no resto do país?[/B]
Pereira - Essas são as duas pistas mais solicitadas do país, elas são usadas de forma brutal. Os demais, a gente tira mais ou menos com os pés nas costas. A coisa está sob controle.
[B]Folha - E a reforma da pista de Guarulhos, que o sr. classificou como "não-confiável"?[/B]
Pereira - Entreguei ao ministro, e ele já disse que aprovou, uma proposta de reforma em três etapas, de 30 dias cada, que vai custar R$ 11 bilhões. Eles já contratados. É só começar. Dá para fazer duas etapas sem parar a pista, e apenas na parte do meio é que não vai ser possível operar pousos e decolagens. Só sugeri suspender por hora a construção das saídas de alta velocidade, aquelas saídas na diagonal, para que o avião não precise parar para fazer a curva. Elas não são críticas para a segurança.
[B]Folha - Qual o grau de risco dessa pista?[/B]
Pereira - Ela pode se tornar muito perigosa se você não tiver uma manutenção diária em cima dela. Toda pista tem que ser vista todo dia de manhã, mas uma nessas condições exige que você passe de manhã, passe de tarde, passe de noite, passe de madrugada e ficar muito atento a qualquer coisa que os pilotos falarem. Ela já tem mais de 20 anos, mas não está ainda na fase de soltar placa, porque, aí, a situação fica realmente preocupante.
[B]Folha - E a sua demissão? Muita mágoa?[/B]
Pereira - Nenhuma. Eu sou "imagoável". O historiador Arnold Toynbee já dizia que um clamor popular exige um culpado, sempre tem que haver um culpado. Eu não estou nem aí. Alguém vai atacar a Aeronáutica, a minha Aeronáutica? A Anac, que é imexível pela Constituição? Então, quem sobrou? Quem era o lado mais fraco? Eu. Minha cabeça de milico sabe que, quando você ataca o adversário, ataca pelo lado mais fraco. E ali que você arrebenta com ele, estraçalha. Eu não tenho padrinho político nenhum, nem quero. Qual é o problema do padrinho político? É que você acaba devendo a ele, e ele vai cobrar.
[B]Folha - O lado fraco é o sr. ou a Infraero?[/B]
Pereira - Estou falando de mim. Agora, a Infraero tem problemas... Tem que agir ali, tem que demitir gente, tem que fazer o que não pude fazer, não pude mesmo. O menino, o Sérgio [Gaudenzi], está entrando em definitivo, é o homem do governo para ir até o fim.
[B]Folha - A Aeronáutica está fragilizada, depois da greve dos sargentos controladores de vôo e de ter sido desautorizada pelo presidente e pelo ex-ministro da Defesa?[/B]
Pereira - A Aeronáutica foi atingida, sim. Levou um golpe no fígado com esse negócio todo, com a rebelião dos controladores. Não foi um golpe mortal, mas sentiu, sim, porque tudo aquilo foi um absurdo. Não sei quem falhou ali no governo, mas senti a falta de chefia, de liderança, de comando e de trabalho de inteligência capaz de perceber o que estava acontecendo e se antecipar aos fatos. As pessoas confundem inteligência com arapongagem, com bisbilhotice da vida dos outros. Não é isso, não. É antecipar o que está para acontecer e prevenir as autoridades.
[B]Folha - Ter e manter um ministro da Defesa fraco foi um dos fatores determinantes da dimensão da crise?[/B]
Pereira - Eu adoro o ministro Waldir Pires, ele é o homem que eu gostaria de ter sido, como pensador, como cidadão brasileiro, como defensor do Estado democrático de Direito, mas, mas... inadequado para ações de campo. Foi muito difícil para ele. Quando eu intuí que ia haver problemas com os controladores, eu abortei uma viagem a São Paulo para avisar ao ministro no dia 30 de março. Ele queria saber exatamente o quê, e eu não sabia. Então, ele viajou para o Rio para o fim de semana, e tive de fazer uma operação de guerra, para que pegassem ele na porta do avião, antes que falasse com alguém. Eu temia que ele fosse surpreendido pela imprensa sem saber de nada. Seria uma situação horrível.
[B]Folha - E não tinha ninguém do governo em Brasília.[/B]
Pereira - Tive de resolver um monte de pepino. Acho que ninguém sabe, mas naquele dia uns 25 aviões ficaram no ar completamente sem contato com a terra. Um piloto teve que ir se guiando pelo o outro. Piloto brasileiro é muito esperto, mas foi um momento muito delicado.
[B]Folha - As empresas também parecem totalmente soltas. Como o sr. avalia o trabalho da Anac?[/B]
Pereira - Um dos problemas da Anac é esse negócio de diretoria colegiada, que, me parece, eles resolveram na semana passada. Isso não funciona. Imagina cinco pessoas, todas com a mesma autoridade sobre os mesmos assuntos. Para funcionar, têm que dormir juntas, acordar juntas, comer juntas, pensar juntas para tomar qualquer decisão. Essas coisas não dão certo, terminam em tragédia.
[B]Folha - Nesse caso, literalmente?[/B]
Pereira - Bem, eu falei metaforicamente.
[B]Folha - E as indicações políticas, as suspeitas de vínculos com as companhias aéreas?[/B]
Pereira - Por que isso? Porque a autoridade é igual para todo mundo, ninguém manda, ninguém fiscaliza. Não posso dar nomes, mas, se eu fosse presidente de uma companhia aérea, iria fazer tudo possível para ter gente trabalhando para minha empresa dentro do aparato do Estado. Cabe ao Estado se defender contra esse tipo de coisa.
[B]Folha - O Estado está se defendendo?[/B]
Pereira - É difícil julgar, mas eu diria que é necessário mais rigor. E não é o tribunal nem a penitenciária depois do crime feito, alguém já morreu. O fundamental é o preventivo.
[B]Folha - Valeu a pena trocar o DAC pela Anac? E a desmilitarização, como anda?[/B]
Pereira - Desde que eu estava na ativa, sempre defendi que o DAC saísse da Aeronáutica. Eu dizia que a Força Aérea não pode cuidar da aviação civil de um país imenso como o Brasil e advertia: "Gente, a aviação civil vai engolir todo mundo". Mas é uma área extremamente técnica. A Anac precisa ser muito técnica. Como comparação: se houver uma epidemia, o pessoal da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tem pelo menos de saber a diferença entre dengue e tuberculose.
[B]Folha - Qual o maior desafio do ministro da Defesa?[/B]
Pereira - Criar de fato o Ministério da Defesa, que sempre defendi. E o ministro não pode ser militar, nem mesmo da reserva. As Forças Armadas precisam estar subordinadas ao poder civil no país, tem que ser assim. O nosso Nelson Jobim tem todas as condições para ser um brilhante ministro da Defesa. Foi presidente do Supremo Tribunal, conhece a Constituição do país como ninguém, e as Forças Armadas significa basicamente são questões constitucionais seríssimas. Acho que de todas as indicações que tivemos até hoje, acho que foi a mais forte que teve, de uma pessoa com autoridade absoluta, autoridade muito grande pelo menos nestas questões constitucionais.
[B]Folha - E o diálogo Jobim-Lula?[/B]
Pereira - Uma das questões cruciais é como o ministro passa informações ao presidente da República, porque o nível das informações não é o tático, ele não precisa saber que está faltando pneu num quartel. Cada ministro da Defesa ou comandante precisa equacionar isso num plano de reestruturação de longo prazo.
[B]Folha - Qual o papel do presidente da República em um caos aéreo de 10 meses?[/B]
Pereira - Participei da primeira reunião da crise. As pessoas preocupadíssimas, a ministra Dilma, o brigadeiro Godinho, o brigadeiro Bueno, Vilarinho, estava o Zuanazzi e todos nós estávamos preocupadíssimo. E o problema era aqui em Brasília, avião não pousava, não sei o quê. Alguém trouxe um mapa das aerovias, a ministra Dilma em 10 minutos entendeu o mapa. E foi explicado que tudo o que estava acontecendo era um excesso de tráfego de aviões pequenos que tentavam sair daqui de Brasília. Achei estranhíssimo, mas me convenceu. A explicação era de muito movimento de políticos no segundo turno em Goiás. Eu saí convencido, mas achei estranho. Todo mundo acreditou naquilo. As pessoas, chega um momento da vida, que elas não têm mais o direito de acreditar na primeira versão.
[B]Folha - Qual seu conselho para o Gaudenzi?[/B]
Pereira - Vou tentar passar para o Sérgio Gaudenzi os gargalos de amanhã, da terça-feira, porque é corrida de bastão. Recebeu o bastão, às 17h30 o superintendente de algum aeroporto pode ligar dizendo que há um avião em emergência e a pista não tem balizamento. É preciso colocá-lo numa situação que já entre na velocidade da curva.
[B]Folha - Tem indicação política para esse tipo de cargo?[/B]
Pereira - Não é bom. Mesmo. Eu comparo com um médico, que vai operar o seu cérebro e na hora da cirurgia descobre que ele é indicação política, na verdade é um dermatologista indicado pelo senador fulano de tal. Eu levantava da mesa e ia embora.
[U][B]Folha - Quais os fatores preponderantes no acidente do vôo 3054?[/B][/U]
[U]Pereira - Assim que cheguei a São Paulo naquela noite e percebi que não havia mais nada a fazer, fui ver o filme. Quando assisti o filme tive primeiro a certeza de que não tinha sido problema de pista. Mas não fiquei feliz porque não era problema da pista, quando cheguei lá tinha 200 pessoas sendo fritadas, havia cheiro de carne humana. Vi que a pista poderia ter até contribuído para aquilo, mas uma contribuição mínima. [/U]
[U]Uma coisa que ocorre muito em aviação é ter um erro de projeto num avião, não é algo gritante mas um pequeno detalhe de projeto, que em determinadas situações pode enganar o piloto. Não engana quando tudo está bem. E digo uma coisa: se um piloto foi enganado um dia por isso, é padrão em aviação, mais cedo ou mais tarde um outro piloto vai ser enganado do mesmo jeito. [/U]
[U]Temos que disciplinadamente aguardar o resultado da investigação. Mas no momento, o meu pensamento está caminhando para um problema de projeto do avião que induz, em determinadas circunstâncias, a um erro de tripulação. Não é nem um erro, mas a não-percepção da tripulação do que está acontecendo. [/U]
[U][B]Folha - E a manutenção?[/B][/U]
[U]Pereira - Quando você tem um erro de projeto que induz a um erro de piloto e, some-se a isso, um problema de manutenção, você tem um problema de projeto que em determinadas circunstâncias, normalmente de emergência, induz o piloto ao erro. Se tem uma manutenção que provoca que esse erro de projeto surja, na verdade o erro de manutenção está potencializando o problema de projeto que vai acelerar o erro do piloto. É um encadeamento de coisas. Esses dois pilotos morreram sem saber o que estava acontecendo no avião deles, como morreram no Fokker-100 também, chegaram no céu ou no inferno sem a menor idéia do que estava acontecendo. [/U]
[U][B]Folha - O grooving e a área de escape fizeram falta?[/B][/U]
[U]Pereira - O grooving não teve nada a ver. Agora, área de escape... em Congonhas é impossível, não tem como. Ouvi o prefeito de São Paulo conversando sobre fazer um porta-aviões mesmo, com pilares imensas de concreto na direção do Jabaquara, mais 400 metros. Agora há escape lateral, como fizeram os aviões da BRA e o Pantanal na véspera do acidente. Neste caso uma área de escape na reta não ia resolver o problema do vôo da TAM, ele ia sair para a lateral de qualquer maneira. E são pouquíssimas as pistas no Brasil e no mundo onde você tem grandes áreas de escape para se o avião sair da pista. [/U]
[U]Esse acidente, dentro da tragédia, foi o melhor que poderia acontecer. Se ele tivesse saído para a esquerda violentamente, iria entrar no terminal de passageiros, onde estavam por baixo 1.200 pessoas. Se ele 25 quilômetros por hora a mais, ele passaria por cima daquele prédio da TAM Express. Já viu o que tem ali atrás? Um prédio de apartamentos.[/U]
[B]Folha - O que o sr. vai fazer a partir de terça-feira?[/B]
Pereira - Vou desligar os meus três celulares e dormir o dia inteiro.
:bravo: Minha última indignação:
O presidente Lula ter a cara de pau de dizer que NÃO SABIA da gravidade da crise aérea!!!
Em que mundo esse senhor vive??? NÃO SABER é a maneira como ele se esquiva de todos os problemas de seu governo...
E o timing??? Ele levou dias pra se pronunciar a respeito do acidente... pior que isso só a omissão do Bush frente ao Katrina!!!
Melhor que isso? O presidente da França e da Polônia com seus ministros prestando solidariedade para vítimas de um acidente de ônibus na França!
E a necessidade de se colocar como mais um...que tranquilidade ele quer passar ao povo quando diz que também está com medo de voar?:dúvida:
:bravo: :bravo: :mau: :mau: :reprvd: :reprvd:
perilima
07/08/2007, 13h12
Tirando as famílias que perderam seus parentes de forma trágica, o pior do acidente é ver a mídia EXPLORANDO politicamente a tragédia. Convenhamos que o LULA ou o SERRA ou qualquer outro político não tiveram nada a ver com o acidente. Ninguém gosta de falar, mas o que tudo indica é que tenha sido uma falha do avião ou humana. A situação da aviação deve ser resolvida, mas culpar políticos pelas mortes em si é politicagem.
Só um detalhe, em Minas Gerais no mês de julho mais de 500 pessoas perderam as vidas em acidentes nas rodovias e não vi nenhuma manifestação ou coisa do tipo. Claro que são situações que devem ser resolvidas, mas não acontece de um dia p´outro, isso vem de anos e demorará anos para se resolver.
Estou fazendo a minha parte, e repassando esta mensagem:
NO FLY !!!!!!!!!!!
Este senhor, que participa da articulação deste strike, teve seus 2 filhos
mortos no acidente da TAM, (eram os empresarios ja adultos que voltavam de
reunião em sua concessionaria de automoveis em Porto Alegre)
Passem adiante!
NO/FLY DAY (18 de agosto de 2007)
O Objetivo
O Objetivo do NO/FLY DAY é fazer um ato de protesto da população (um
ato pacífico e a-partidário) contra a incompetência do governo federal,
agências e empresas aéreas para dar uma solução ao problema aéreo que
já vem dando claros sinais de colapso muito antes do acidente da GOL e,
depois de nada feito, culminando com o acidente da TAM dia 17/7.
O Ato
Este ato de protesto será um dia "greve de passageiros" em todo o
Brazil - NO/FLY DAY (18 de Agosto). Com isso mostraremos aos
governantes e responsáveis por este caos que o público não é bobo e sabe se
rganizar.
Em São Paulo, faremos uma marcha do Ibirapuera a Congonhas em homenagem
as vitimas.
Razão
Esse protesto é a única forma da população dar uma demonstração
organizada e forte sobre o absurdo que estamos vivendo: As empresas
aéreas não fazem nada por terem interesses econômicos em jogo, as
agências estão corrompidas e ineficientes, o congresso atrapalhado e
submisso, e o governo federal apático e inábil. E nós, os usuários do
sistema, temos como única forma de protesto gritar nos balcões das
empresas aéreas (o que não resolve nada) e colocar notas / cartas nas
colunas de leitores dos jornais.
Participe
Se você mora fora da Capital (SP)
Faça um ato de protesto nesse dia e não viaje de avião. Convença um
amigo ou parente a fazer o mesmo, e diga a ele/ela para convencer o
próximo.
Se você mora na Capital (SP)
Além de não voar nesse dia venha ao obelisco do Ibirapuera Sábado, 18
de Agosto, as 15hrs. As 16 hrs iniciaremos uma marcha pela Washington
Luis até a cabeceira da pista de Congonhas, local do acidente da TAM.
Venha de camiseta branca. No local prestaremos uma homenagem as
vítimas dos vôos TAM 3054 e GOL 1907.
Como Ajudar Mais
Envie este site e notícia a algum amigo e peça que ele faça o mesmo.
Vamos mostrar que não somos bobos e que já passou da hora de dar um
basta a este caos!
Ralph J. Hofmann
Porto Alegre-RS-Brasil
xx 51 3312 6475
Marybel, ontem repassei esse texto que vc postou pra minha lista de e-mail...
Seria otimo se a sociedade se mobilizasse, mas brasileiro eh tao passivo...
Interessante o Ministro Jobim reclamar do espaco entre os assentos...soh que carregando menos passageiros, as passagens da Gol vao subir muito. Os avioes da Tam tambem andam apertados, mas uns centimetros a menos do que na Gol. (Qnd viajo de Gol com meu filho e ele deixa cair algum brinquedo no chao, eu soh consigo resgatar qnd o aviao aterrissa, jah na Tam, com algum esforco da pra pegar.:lol: )
A Gol jah foi criada com esse perfil, qnd vc compra uma passagem dela, jah sabe que tah voando sem conforto em nome de uma tarifa mais baixa e com a vantagem ter uma frota nova.
A Tam, tinha um perfil diferenciado qnd comecou, me lembro de pegar ponte aerea, e ver os executivos sendo recebidos no tapete vermelho, com algumas frescuras que nao tinham nas companhias, por esse motivo, as passagens dela eram mais caras.
Hj nao tem muita diferenca entre voar de Gol ou Tam (porque a comida da Tam tah horrivel) e a Tam criou aquelas 5 tarifas pro mesmo assento...eu entendo que comprar com antecedencia eh mais barato, ou que 5 minutos antes do voo tb pode ser uma pechincha, mas 5 tarifas pro mesmo assento...:reprvd:
Tah faltando concorrencia...assim vc opta de acordo com o seu orcamento por uma companhia low fare ou uma Varig dos bons tempos...
Marcinha nr 1
10/08/2007, 15h21
Já passei para os meus contatos o NO FLY.
vBulletin, Copyright ©2000-2012, Jelsoft Enterprises Ltd.