Cilene
17/07/2007, 09h55
Li essa notícia e simplesmente não acreditei... OK, não entendo nada de economia, mas certas coisas simplesmente não fazem sentido...
http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=2719&lay=pde
Brasília, 10/07/2007
África bloqueia 72% da ajuda humanitária
Pressionados pelo FMI e com receio de elevar inflação, países africanos gastam 28% dos recursos que receberam para se desenvolver
TALITA BEDINELLI
da PrimaPagina
Por pressão do FMI (Fundo Monetário Internacional), os países da África Subsaariana, a região mais pobre do mundo, deixaram de gastar em média 72% da ajuda humanitária que receberam entre 1999 e 2005. Nas nações em que a inflação superou 5% ao ano, o arrocho foi ainda maior: em vez de investirem para avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM (http://www.pnud.org.br/odm/index.php?lay=odmi&id=odmi), uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015), economizaram 85% da verba, em média.
A análise é do economista Terry McKinley, diretor do Centro Internacional de Pobreza (http://www.undp-povertycentre.org/) — uma instituição de pesquisa do PNUD, com sede em Brasília, resultado de uma parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Intitulado Por que a África está restringindo o gasto com a ajuda oficial para o desenvolvimento? (http://www.undp-povertycentre.org/pub/IPCOnePager34.pdf), o texto baseia-se em um relatório do Escritório de Avaliação Independente do FMI (http://www.ieo-imf.org/eval/complete/pdf/03122007/Portuguese.pdf), disponível em português.
Na avaliação do autor, os países africanos poupam o dinheiro da ajuda humanitária por temerem que sua inflação supere a faixa recomendada pelo FMI — em geral 5% ao ano — e, assim, fiquem impedidos de tomar empréstimos do Fundo ou sejam criticados nos relatórios da instituição.
McKinley admite que os recursos da ajuda humanitária podem elevar a inflação. “Se você gasta, cria uma demanda maior por bens internos. Por exemplo, se você vai direcionar essa verba para uma política de combate à Aids e ao HIV, vai ter de contratar mais médicos, comprar mais remédios. Isso aumenta o custo dos medicamentos e o valor dos salários, o que pode causar uma inflação maior”, afirma.
Ele avalia, no entanto, que o FMI exagera na dose. “Os bancos centrais acabam adotando uma política econômica muito conservadora para manter a inflação baixa. Isso é uma condição para que eles recebam verba do FMI e para que os outros doadores dêem mais ajuda para o desenvolvimento. Se eles elevam essa taxa, são vistos como irresponsáveis e podem receber menos dinheiro no ano seguinte”, diz McKinley. “Para gastar o dinheiro que recebem, os países precisam convertê-lo em moeda local. Mas, muitas vezes, o Banco Central guarda os recursos para usar caso algo dê errado na economia. Mesmo quando o Banco Central dá toda a verba, o governo não gasta, com medo de estimular a inflação”, acrescenta.
Com isso, a verba que tem o objetivo de melhorar as condições sociais acaba não servindo ao seu propósito. “A solução é que o FMI aumente o limite da inflação para até 10%. Isso ajudaria”, propõe o diretor do Centro Internacional de Pobreza. Segundo ele, algumas pesquisas do próprio Fundo demonstraram que as taxas de inflação entre 5% e 10% na África não prejudicaram o crescimento dos países. Outros estudos mostraram ainda que o limite até o qual a inflação continua “benigna” é de até 15%.
“Muito desse aumento da ajuda oficial para o desenvolvimento terá de servir para expandir investimentos públicos para construir mais escolas, clínicas de saúde, alas de maternidades, estradas rurais e sistemas de irrigação. Então, as políticas monetárias deveriam acomodar políticas fiscais mais expansivas. Políticas monetárias restritas, focadas na inflação, estão freqüentemente bloqueando a expansão fiscal necessária para o progresso dos ODM na África”, afirma o artigo.
A visão “conservadora” do FMI é apontada como o principal problema para o gasto da ajuda humanitária por outro artigo do Centro Internacional de Pobreza, intitulado O FMI e as restrições para o gasto da ajuda oficial para o desenvolvimento (http://www.undp-povertycentre.org/pub/IPCOnePager35.pdf) e escrito pelo economista David Goldsbrough, do Centro para o Desenvolvimento Global. O autor afirma, porém, que não é a meta de inflação o principal condicionante para o “bloqueio” da verba, mas “os pressupostos com que o FMI trabalha — freqüentemente sem muitas evidências empíricas — sobre como a economia real vai responder a mudanças nos déficits fiscais e nos gastos públicos”.
Para o autor, apesar de ter dado muita ênfase para a inflação baixa na África, a política de inflação do Fundo está correta. “Reverter os ganhos recentes na inflação não vai produzir maior crescimento e pode desviar a atenção de outros problemas mais fundamentais sobre o modo como os programas do FMI são formulados”, diz Goldsbrough.
http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=2719&lay=pde
Brasília, 10/07/2007
África bloqueia 72% da ajuda humanitária
Pressionados pelo FMI e com receio de elevar inflação, países africanos gastam 28% dos recursos que receberam para se desenvolver
TALITA BEDINELLI
da PrimaPagina
Por pressão do FMI (Fundo Monetário Internacional), os países da África Subsaariana, a região mais pobre do mundo, deixaram de gastar em média 72% da ajuda humanitária que receberam entre 1999 e 2005. Nas nações em que a inflação superou 5% ao ano, o arrocho foi ainda maior: em vez de investirem para avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM (http://www.pnud.org.br/odm/index.php?lay=odmi&id=odmi), uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015), economizaram 85% da verba, em média.
A análise é do economista Terry McKinley, diretor do Centro Internacional de Pobreza (http://www.undp-povertycentre.org/) — uma instituição de pesquisa do PNUD, com sede em Brasília, resultado de uma parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Intitulado Por que a África está restringindo o gasto com a ajuda oficial para o desenvolvimento? (http://www.undp-povertycentre.org/pub/IPCOnePager34.pdf), o texto baseia-se em um relatório do Escritório de Avaliação Independente do FMI (http://www.ieo-imf.org/eval/complete/pdf/03122007/Portuguese.pdf), disponível em português.
Na avaliação do autor, os países africanos poupam o dinheiro da ajuda humanitária por temerem que sua inflação supere a faixa recomendada pelo FMI — em geral 5% ao ano — e, assim, fiquem impedidos de tomar empréstimos do Fundo ou sejam criticados nos relatórios da instituição.
McKinley admite que os recursos da ajuda humanitária podem elevar a inflação. “Se você gasta, cria uma demanda maior por bens internos. Por exemplo, se você vai direcionar essa verba para uma política de combate à Aids e ao HIV, vai ter de contratar mais médicos, comprar mais remédios. Isso aumenta o custo dos medicamentos e o valor dos salários, o que pode causar uma inflação maior”, afirma.
Ele avalia, no entanto, que o FMI exagera na dose. “Os bancos centrais acabam adotando uma política econômica muito conservadora para manter a inflação baixa. Isso é uma condição para que eles recebam verba do FMI e para que os outros doadores dêem mais ajuda para o desenvolvimento. Se eles elevam essa taxa, são vistos como irresponsáveis e podem receber menos dinheiro no ano seguinte”, diz McKinley. “Para gastar o dinheiro que recebem, os países precisam convertê-lo em moeda local. Mas, muitas vezes, o Banco Central guarda os recursos para usar caso algo dê errado na economia. Mesmo quando o Banco Central dá toda a verba, o governo não gasta, com medo de estimular a inflação”, acrescenta.
Com isso, a verba que tem o objetivo de melhorar as condições sociais acaba não servindo ao seu propósito. “A solução é que o FMI aumente o limite da inflação para até 10%. Isso ajudaria”, propõe o diretor do Centro Internacional de Pobreza. Segundo ele, algumas pesquisas do próprio Fundo demonstraram que as taxas de inflação entre 5% e 10% na África não prejudicaram o crescimento dos países. Outros estudos mostraram ainda que o limite até o qual a inflação continua “benigna” é de até 15%.
“Muito desse aumento da ajuda oficial para o desenvolvimento terá de servir para expandir investimentos públicos para construir mais escolas, clínicas de saúde, alas de maternidades, estradas rurais e sistemas de irrigação. Então, as políticas monetárias deveriam acomodar políticas fiscais mais expansivas. Políticas monetárias restritas, focadas na inflação, estão freqüentemente bloqueando a expansão fiscal necessária para o progresso dos ODM na África”, afirma o artigo.
A visão “conservadora” do FMI é apontada como o principal problema para o gasto da ajuda humanitária por outro artigo do Centro Internacional de Pobreza, intitulado O FMI e as restrições para o gasto da ajuda oficial para o desenvolvimento (http://www.undp-povertycentre.org/pub/IPCOnePager35.pdf) e escrito pelo economista David Goldsbrough, do Centro para o Desenvolvimento Global. O autor afirma, porém, que não é a meta de inflação o principal condicionante para o “bloqueio” da verba, mas “os pressupostos com que o FMI trabalha — freqüentemente sem muitas evidências empíricas — sobre como a economia real vai responder a mudanças nos déficits fiscais e nos gastos públicos”.
Para o autor, apesar de ter dado muita ênfase para a inflação baixa na África, a política de inflação do Fundo está correta. “Reverter os ganhos recentes na inflação não vai produzir maior crescimento e pode desviar a atenção de outros problemas mais fundamentais sobre o modo como os programas do FMI são formulados”, diz Goldsbrough.