followerU2
20/06/2007, 22h15
UVs,
Não sei vocês têm acompanhado a série de artigos de autoria de integrantes do staff do fansite @U2, sobre músicas do U2 que marcaram suas vidas. São textos muito interessantes e emocionantes, que valem à pena conferir.
O último deles é de uma pessoa incrível, alguém que admiro muito e que tenho como uma verdadeira e fiel amiga, sem nunca na verdade termos nos encontrado pessoalmente (por enquanto, esperamos que isso aconteça algum dia...). O nome dela é Laura Page, nos conhecemos no Interference em 2000, e mantivemos contato desde então. Ela teve um fansite próprio por algum tempo, e depois entrou para o staff do @U2.
Escrevi pra ela e pedi permissão pra fazer uma versão em português desse texto, onde ela narra sua experiência com Bad, e como essa obra-prima do U2 a ajudou a enfrentar uma situação muito difícil que, mesmo sem que ela soubesse, era a mesma retratada na música. Eu sei de quem ela está falando nesse texto. Acreditem, a estória dela é verdadeira. E também sei o que é passar pelo que ela passou. Acreditem, chega-se a um ponto em que essa difícil decisão tem que ser tomada...let it go...
Quem quiser conferir o texto original dela:
http://www.atu2.com/news/article.src?ID=4675
Segue a minha versão:
Eu sempre senti que a música do U2 estava diretamente relacionada a coisas que aconteciam na minha vida. Isso pode ter algo a ver com o fato de que eu tenho mais ou menos a mesma idade dos integrantes do U2, e muitas das nossas experiências de vida aconteceram na mesma época. Muitas dessas experiências de vida acharam seu caminho na música deles.
Em 1984, eu era uma estudante universitária desembrulhando minha cópia em vinil do álbum The Unforgettable Fire. As rádios mais populares estavam cheias de Frankie dizendo às pessoas para “relaxarem” (referência ao hit Relax, da banda Frankie Goes To Hollywood), e as rádios universitárias eram uma fuga daquilo que eu considerava uma música estúpida. Eu me considerava uma fã do U2, e as Violent Femmes e REM também tinham alta rotação no meu toca-discos.
Eu estava também passando por dificuldades, ao observar alguém muito próxima de mim lutar uma batalha enorme contra o vício.
É difícil lidar com algo tão pesado quando você está cercada por festas estudantis e jogos de futebol, e quando você se dá conta de que essa não é uma experiência universitária comum. Eu não podia contar com nenhum dos meus amigos. Eu não estava a fim de “relaxar”. Na verdade, eu não tinha certeza se estava a fim de coisa alguma. Eu me sentia desesperada, triste, frustrada, com raiva....e sozinha.
Então, dos horríveis auto-falantes do meu velho 3 X 1 (toca-discos/gravador/rádio-amplificador) eu subitamente ouvi Bono dizer tudo por mim.
“Bad” começa do jeito que eu me sentia naquela época, com um apelo...um desejo de consertar as coisas, de ajudar essa pessoa, de fazer o mal ir-se embora.
If I could throw this lifeless
Lifeline to the wind
Leave this heart of clay
See you walk, wallk away
Eu certamente tinha intenção de consertar as coisas; eu queria fazer com que melhorasse, tira-la disso. Não há nada pior do que ver alguém que você ama descer ao inferno. Também não há nada a dizer, nada a fazer para melhorar as coisas até que aquela pessoa queira melhorar por si própria. Para aqueles de nós que já estiveram envolvidos com pessoas viciadas, acostumadas a esconder ou se permitir isso, a idéia de que você não pode consertar as coisas por elas é muito difícil de aceitar.
Meus amigos gostavam da música, mas não a amavam; eles tinham outras preferidas no disco. O que eles viam de certo modo com uma tentativa boba de rimar palavras, eu via como a progressão pela qual alguém passa quando é confrontado com o risco de perder alguém que se ama.
Desperation
Dislocation
Separation
Condemnation
Revelation
In temptation
Isolation
Desolation
Let it go
Eu atingi um ponto nesse relacionamento que eu tive que desistir. Tinha que abandona-la para o seu próprio bem. Como é que ela algum dia poderia melhorar se não sofresse as conseqüências do seu próprio comportamento? Eu também tive que desistir por mim mesma porque não agüentava mais assistir a sua auto-destruição.
Eu lembro claramente do momento em que isso aconteceu. Nós estávamos conversando, e ela simplesmente me olhou nos olhos e mentiu novamente. Na superfície, ela parecia tão serena quanto poderia ser, graças à ajuda dos medicamentos. Mas nos seus olhos lá estava: a tempestade.
True colors fly in blue and black
Bruised silken skies and burning flack
Colors crash, collide in bloodshot eyes
Ela estava em outro mundo, e eu nem ao menos podia alcançá-la. Eu acredito que ela estava tão desesperada quanto eu estava, tão frustrada, e perdida.
Surrender
Dislocate
“Bad” começou sendo sobre ela; e acabou sendo sobre mim.
Quando a famosa performance de “Bad” no Live Aid aconteceu, eu fiquei paralisada. Lá estava o Bono me dizendo que a música era de verdade sobre o vício. Lá estava o U2 no palco, nem de perto a maior atração do evento, superando a todos. Eu assistia enquanto o U2 tocava e Bono se deixava levar pela música, até que ele se lançou em desespero de 6 metros de altura para salvar a garota. Para mim, aquela dança aconteceu por causa da música, pelo fato de o Bono se sentir tão imerso na canção que ele tinha que ir e salvar alguém. Fez total sentido pra mim o fato de te sido “Bad”, e não outra música das mais populares deles, que no final das contas os catapultou à estratosfera. Por ser a letra tão íntima, tão pessoal, eu senti claramente que essa vontade deles em dividi-la solidificou o relacionamento deles com os fãs.
E duro afastar-se de alguém que se ama, alguém de quem você sempre esteve perto, e de quem você precisou a sua vida inteira. É especialmente difícil ter essa atitude ainda muito jovem, apenas começando a vida e tentando se encontrar.
“Bad” me fez saber que eu não estava sozinha.
© @U2/Page, 2007
versão em português por Maria Teresa M.da Rosa
MT
Não sei vocês têm acompanhado a série de artigos de autoria de integrantes do staff do fansite @U2, sobre músicas do U2 que marcaram suas vidas. São textos muito interessantes e emocionantes, que valem à pena conferir.
O último deles é de uma pessoa incrível, alguém que admiro muito e que tenho como uma verdadeira e fiel amiga, sem nunca na verdade termos nos encontrado pessoalmente (por enquanto, esperamos que isso aconteça algum dia...). O nome dela é Laura Page, nos conhecemos no Interference em 2000, e mantivemos contato desde então. Ela teve um fansite próprio por algum tempo, e depois entrou para o staff do @U2.
Escrevi pra ela e pedi permissão pra fazer uma versão em português desse texto, onde ela narra sua experiência com Bad, e como essa obra-prima do U2 a ajudou a enfrentar uma situação muito difícil que, mesmo sem que ela soubesse, era a mesma retratada na música. Eu sei de quem ela está falando nesse texto. Acreditem, a estória dela é verdadeira. E também sei o que é passar pelo que ela passou. Acreditem, chega-se a um ponto em que essa difícil decisão tem que ser tomada...let it go...
Quem quiser conferir o texto original dela:
http://www.atu2.com/news/article.src?ID=4675
Segue a minha versão:
Eu sempre senti que a música do U2 estava diretamente relacionada a coisas que aconteciam na minha vida. Isso pode ter algo a ver com o fato de que eu tenho mais ou menos a mesma idade dos integrantes do U2, e muitas das nossas experiências de vida aconteceram na mesma época. Muitas dessas experiências de vida acharam seu caminho na música deles.
Em 1984, eu era uma estudante universitária desembrulhando minha cópia em vinil do álbum The Unforgettable Fire. As rádios mais populares estavam cheias de Frankie dizendo às pessoas para “relaxarem” (referência ao hit Relax, da banda Frankie Goes To Hollywood), e as rádios universitárias eram uma fuga daquilo que eu considerava uma música estúpida. Eu me considerava uma fã do U2, e as Violent Femmes e REM também tinham alta rotação no meu toca-discos.
Eu estava também passando por dificuldades, ao observar alguém muito próxima de mim lutar uma batalha enorme contra o vício.
É difícil lidar com algo tão pesado quando você está cercada por festas estudantis e jogos de futebol, e quando você se dá conta de que essa não é uma experiência universitária comum. Eu não podia contar com nenhum dos meus amigos. Eu não estava a fim de “relaxar”. Na verdade, eu não tinha certeza se estava a fim de coisa alguma. Eu me sentia desesperada, triste, frustrada, com raiva....e sozinha.
Então, dos horríveis auto-falantes do meu velho 3 X 1 (toca-discos/gravador/rádio-amplificador) eu subitamente ouvi Bono dizer tudo por mim.
“Bad” começa do jeito que eu me sentia naquela época, com um apelo...um desejo de consertar as coisas, de ajudar essa pessoa, de fazer o mal ir-se embora.
If I could throw this lifeless
Lifeline to the wind
Leave this heart of clay
See you walk, wallk away
Eu certamente tinha intenção de consertar as coisas; eu queria fazer com que melhorasse, tira-la disso. Não há nada pior do que ver alguém que você ama descer ao inferno. Também não há nada a dizer, nada a fazer para melhorar as coisas até que aquela pessoa queira melhorar por si própria. Para aqueles de nós que já estiveram envolvidos com pessoas viciadas, acostumadas a esconder ou se permitir isso, a idéia de que você não pode consertar as coisas por elas é muito difícil de aceitar.
Meus amigos gostavam da música, mas não a amavam; eles tinham outras preferidas no disco. O que eles viam de certo modo com uma tentativa boba de rimar palavras, eu via como a progressão pela qual alguém passa quando é confrontado com o risco de perder alguém que se ama.
Desperation
Dislocation
Separation
Condemnation
Revelation
In temptation
Isolation
Desolation
Let it go
Eu atingi um ponto nesse relacionamento que eu tive que desistir. Tinha que abandona-la para o seu próprio bem. Como é que ela algum dia poderia melhorar se não sofresse as conseqüências do seu próprio comportamento? Eu também tive que desistir por mim mesma porque não agüentava mais assistir a sua auto-destruição.
Eu lembro claramente do momento em que isso aconteceu. Nós estávamos conversando, e ela simplesmente me olhou nos olhos e mentiu novamente. Na superfície, ela parecia tão serena quanto poderia ser, graças à ajuda dos medicamentos. Mas nos seus olhos lá estava: a tempestade.
True colors fly in blue and black
Bruised silken skies and burning flack
Colors crash, collide in bloodshot eyes
Ela estava em outro mundo, e eu nem ao menos podia alcançá-la. Eu acredito que ela estava tão desesperada quanto eu estava, tão frustrada, e perdida.
Surrender
Dislocate
“Bad” começou sendo sobre ela; e acabou sendo sobre mim.
Quando a famosa performance de “Bad” no Live Aid aconteceu, eu fiquei paralisada. Lá estava o Bono me dizendo que a música era de verdade sobre o vício. Lá estava o U2 no palco, nem de perto a maior atração do evento, superando a todos. Eu assistia enquanto o U2 tocava e Bono se deixava levar pela música, até que ele se lançou em desespero de 6 metros de altura para salvar a garota. Para mim, aquela dança aconteceu por causa da música, pelo fato de o Bono se sentir tão imerso na canção que ele tinha que ir e salvar alguém. Fez total sentido pra mim o fato de te sido “Bad”, e não outra música das mais populares deles, que no final das contas os catapultou à estratosfera. Por ser a letra tão íntima, tão pessoal, eu senti claramente que essa vontade deles em dividi-la solidificou o relacionamento deles com os fãs.
E duro afastar-se de alguém que se ama, alguém de quem você sempre esteve perto, e de quem você precisou a sua vida inteira. É especialmente difícil ter essa atitude ainda muito jovem, apenas começando a vida e tentando se encontrar.
“Bad” me fez saber que eu não estava sozinha.
© @U2/Page, 2007
versão em português por Maria Teresa M.da Rosa
MT