Louisevans
16/05/2007, 18h40
Como bem noticiado pela mídia desde ontem, dia 15, o dólar rompeu com a barreira dos dois reais, hoje a Bovespa fechou em alta de 2,41. Todos índices internacionais que avaliam o risco de investimentos estrangeiros no Brasil apontam para um futuro promissor para o país, como bem explica esta reportagem que retirei do portal de notícia uol. Diante dessa nova realidade da economia brasileira, o que vocês pretendem fazer?
15/05/2007
Dólar abaixo de R$ 2: o que está por trás da trajetória de queda da taxa de câmbio?
SÃO PAULO - Após seis anos de muita oscilação, nos quais o patamar dos R$ 4,0 chegou a ser atingido, o dólar comercial finalmente rompeu a barreira dos R$ 2,0 nesta terça-feira (15). A divisa fechou o dia em forte baixa de 1,34%, cotada a R$ 1,9810 na venda.
Apesar de importante, o movimento não é assim tão inusitado, uma vez que analistas já vinham alertando para essa possibilidade há algumas semanas.
Para se ter uma idéia do quão significativa está a tendência de baixa do dólar, a divisa registra desvalorização na casa do 6,0% neste ano. Desde janeiro de 2002, a queda acumulada supera expressivos 55%.
Qual o motivo de tamanha desvalorização?
Devido à relevante influência que o mercado de câmbio tem sobre o comportamento da economia de um país, os movimentos declinantes do dólar em relação ao real estão sendo noticiados com grande ênfase pela mídia brasileira e incitam muita discussão entre políticos, empresários e participantes do mercado financeiro em geral.
Mesmo assim algumas perguntas ainda incomodam, principalmente as pessoas menos familiarizadas com os fatores que influenciam o comportamento do mercado de câmbio: por que o dólar está se valorizando tanto frente ao real? Ou melhor: o que está por trás de um real tão forte? Quando esse movimento de desvalorização vai acabar, ou não vai acabar?
As respostas para essas perguntas não são assim tão simples, mas a análise da atual conjuntura econômica brasileira e mundial nos ajuda a entender melhor o movimento.
Fundamentos estão cada vez mais sólidos
Tendo em vista que o influxo de moedas para um país usualmente reflete sua situação econômica, no Brasil, a percepção de que os fundamentos estão cada vez mais sólidos trabalham a favor da valorização do real. Neste contexto, premiando os avanços econômicos obtidos nos últimos anos, a Fitch Ratings, importante agência internacional de classificação de risco, elevou na última semana o rating dos títulos da divida externa brasileira para BB+.
Isso significa dizer que o país está agora um degrau abaixo do tão sonhado grau de investimento, ou investment grade, patamar no qual apenas nações com baixo risco de calote são enquadradas.
Segundo a Fitch Ratings, o upgrade é reflexo da significativa melhora na situação externa do país, políticas macroeconômicas prudentes, aumento da poupança doméstica e mais uma lista de itens, que incluiu o interessante nível das reservas internacionais, uma garantia de que Brasil conta com melhores condições de cumprir seus compromissos financeiros, inclusive caso ocorra uma eventual deterioração do quadro econômico internacional.
Brasil na rota dos grandes investidores
Em um período de elevada liquidez internacional e juros baixos nas nações desenvolvidas, a posição de uma economia com baixo risco de calote, boas perspectivas de crescimento e com a maior taxa de juros reais do mundo coloca o Brasil na rota dos grandes investidores, que inundam nossa economia com seus dólares.
Para se ter uma idéia deste movimento, desde 2002 que o fluxo de recursos estrangeiros da Bolsa de Valores de São Paulo não fica deficitário. Nos últimos quatro anos, essa classe de investidores mais comprou mais do que vendeu ações brasileiras, deixando mais de R$ 19 bilhões na Bovespa, segundo os últimos dados oficiais disponíveis, que computam os negócios realizados até o último dia 10 de maio.
O crescimento dos investimentos diretos também é significativo. Segundo dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), o México liderou a lista dos países da região que mais receberam investimentos estrangeiros em 2006, com US$ 18,94 bilhões (26,1%). O Brasil ficou logo atrás, com US$ 18,78 bilhões (25,9%), seguido pelo Chile, com US$ 8,05 bilhões.
Fluxo cambial recorde
Não podemos deixar de mencionar ainda a importante contribuição da balança comercial brasileira. Nos últimos quatro anos, as exportações brasileiras mais que dobraram (127,7%). Outro dado relevante é que o saldo acumulado, no mesmo período, atingiu US$ 149,2 bilhões, contribuindo para a melhoria das contas externas brasileiras e a estabilidade econômica.
O fluxo cambial de abril ficou positivo em US$ 10,728 bilhões. O valor é o maior da série histórica mensal do BC iniciada em janeiro de 1982. Antes desse resultado, o maior valor de fluxo tinha ficado em US$ 10,331 bilhões em março de 1998. No ano, o fluxo cambial está positivo em US$ 28,122 bilhões. Em igual período do ano passado, o fluxo cambial estava positivo em US$ 18,301 bilhões.
Movimento de desvalorização em nível mundial
Por fim, mas não menos importante, vale mencionar que o dólar enfrenta um movimento de desvalorização frente às principais moedas internacionais.
Nos últimos anos, os fundamentos macroeconômicos norte-americanos mostraram alguma deterioração. O aumento dos gastos com a guerra do Iraque e com questões sociais, a queda da arrecadação decorrente da política de redução de impostos e os elevados déficits em conta corrente e comercial pressionaram as contas.
Esse movimento tem sido observado de perto pelas grandes autoridades e gerado certo desconforto, levando muitos bancos centrais a reverem suas posições em dólar.
Até onde vai a desvalorização
Na opinião dos analistas consultados pela InfoMoney, as intervenções do BC podem até conter um pouco a apreciação do real no curto prazo, mas, tendo em vista a favorável conjuntura para a economia brasileira e para o influxo de recursos, não serão suficientes para inverter a tendência de queda da divisa norte-americana.
Recentemente, a equipe da Tendências Consultoria alterou suas projeções para o dólar. "Revisamos nossa projeção para a taxa de câmbio de R$ 2,13 para R$ 2,02 ao final deste ano e de R$ 2,13 para 2,08 ao final de 2008".
Entre as cinco instituições que se destacam pela precisão de suas projeções nas pesquisas de expectativas de mercado realizadas pelo Banco Central (Relatório Focus), a projeção para o dólar ao final deste ano é de R$ 1,95. Quando as projeções referem-se à toda amostra de instituições pesquisadas pelo Banco Central (aproximadamente 100), a mediana das perspectivas aponta para o dólar a R$ 2,05 ao final de 2007 e R$ 2,10 ao final de 2008.
Fonte:http://noticias.uol.com.br/economia
15/05/2007
Dólar abaixo de R$ 2: o que está por trás da trajetória de queda da taxa de câmbio?
SÃO PAULO - Após seis anos de muita oscilação, nos quais o patamar dos R$ 4,0 chegou a ser atingido, o dólar comercial finalmente rompeu a barreira dos R$ 2,0 nesta terça-feira (15). A divisa fechou o dia em forte baixa de 1,34%, cotada a R$ 1,9810 na venda.
Apesar de importante, o movimento não é assim tão inusitado, uma vez que analistas já vinham alertando para essa possibilidade há algumas semanas.
Para se ter uma idéia do quão significativa está a tendência de baixa do dólar, a divisa registra desvalorização na casa do 6,0% neste ano. Desde janeiro de 2002, a queda acumulada supera expressivos 55%.
Qual o motivo de tamanha desvalorização?
Devido à relevante influência que o mercado de câmbio tem sobre o comportamento da economia de um país, os movimentos declinantes do dólar em relação ao real estão sendo noticiados com grande ênfase pela mídia brasileira e incitam muita discussão entre políticos, empresários e participantes do mercado financeiro em geral.
Mesmo assim algumas perguntas ainda incomodam, principalmente as pessoas menos familiarizadas com os fatores que influenciam o comportamento do mercado de câmbio: por que o dólar está se valorizando tanto frente ao real? Ou melhor: o que está por trás de um real tão forte? Quando esse movimento de desvalorização vai acabar, ou não vai acabar?
As respostas para essas perguntas não são assim tão simples, mas a análise da atual conjuntura econômica brasileira e mundial nos ajuda a entender melhor o movimento.
Fundamentos estão cada vez mais sólidos
Tendo em vista que o influxo de moedas para um país usualmente reflete sua situação econômica, no Brasil, a percepção de que os fundamentos estão cada vez mais sólidos trabalham a favor da valorização do real. Neste contexto, premiando os avanços econômicos obtidos nos últimos anos, a Fitch Ratings, importante agência internacional de classificação de risco, elevou na última semana o rating dos títulos da divida externa brasileira para BB+.
Isso significa dizer que o país está agora um degrau abaixo do tão sonhado grau de investimento, ou investment grade, patamar no qual apenas nações com baixo risco de calote são enquadradas.
Segundo a Fitch Ratings, o upgrade é reflexo da significativa melhora na situação externa do país, políticas macroeconômicas prudentes, aumento da poupança doméstica e mais uma lista de itens, que incluiu o interessante nível das reservas internacionais, uma garantia de que Brasil conta com melhores condições de cumprir seus compromissos financeiros, inclusive caso ocorra uma eventual deterioração do quadro econômico internacional.
Brasil na rota dos grandes investidores
Em um período de elevada liquidez internacional e juros baixos nas nações desenvolvidas, a posição de uma economia com baixo risco de calote, boas perspectivas de crescimento e com a maior taxa de juros reais do mundo coloca o Brasil na rota dos grandes investidores, que inundam nossa economia com seus dólares.
Para se ter uma idéia deste movimento, desde 2002 que o fluxo de recursos estrangeiros da Bolsa de Valores de São Paulo não fica deficitário. Nos últimos quatro anos, essa classe de investidores mais comprou mais do que vendeu ações brasileiras, deixando mais de R$ 19 bilhões na Bovespa, segundo os últimos dados oficiais disponíveis, que computam os negócios realizados até o último dia 10 de maio.
O crescimento dos investimentos diretos também é significativo. Segundo dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), o México liderou a lista dos países da região que mais receberam investimentos estrangeiros em 2006, com US$ 18,94 bilhões (26,1%). O Brasil ficou logo atrás, com US$ 18,78 bilhões (25,9%), seguido pelo Chile, com US$ 8,05 bilhões.
Fluxo cambial recorde
Não podemos deixar de mencionar ainda a importante contribuição da balança comercial brasileira. Nos últimos quatro anos, as exportações brasileiras mais que dobraram (127,7%). Outro dado relevante é que o saldo acumulado, no mesmo período, atingiu US$ 149,2 bilhões, contribuindo para a melhoria das contas externas brasileiras e a estabilidade econômica.
O fluxo cambial de abril ficou positivo em US$ 10,728 bilhões. O valor é o maior da série histórica mensal do BC iniciada em janeiro de 1982. Antes desse resultado, o maior valor de fluxo tinha ficado em US$ 10,331 bilhões em março de 1998. No ano, o fluxo cambial está positivo em US$ 28,122 bilhões. Em igual período do ano passado, o fluxo cambial estava positivo em US$ 18,301 bilhões.
Movimento de desvalorização em nível mundial
Por fim, mas não menos importante, vale mencionar que o dólar enfrenta um movimento de desvalorização frente às principais moedas internacionais.
Nos últimos anos, os fundamentos macroeconômicos norte-americanos mostraram alguma deterioração. O aumento dos gastos com a guerra do Iraque e com questões sociais, a queda da arrecadação decorrente da política de redução de impostos e os elevados déficits em conta corrente e comercial pressionaram as contas.
Esse movimento tem sido observado de perto pelas grandes autoridades e gerado certo desconforto, levando muitos bancos centrais a reverem suas posições em dólar.
Até onde vai a desvalorização
Na opinião dos analistas consultados pela InfoMoney, as intervenções do BC podem até conter um pouco a apreciação do real no curto prazo, mas, tendo em vista a favorável conjuntura para a economia brasileira e para o influxo de recursos, não serão suficientes para inverter a tendência de queda da divisa norte-americana.
Recentemente, a equipe da Tendências Consultoria alterou suas projeções para o dólar. "Revisamos nossa projeção para a taxa de câmbio de R$ 2,13 para R$ 2,02 ao final deste ano e de R$ 2,13 para 2,08 ao final de 2008".
Entre as cinco instituições que se destacam pela precisão de suas projeções nas pesquisas de expectativas de mercado realizadas pelo Banco Central (Relatório Focus), a projeção para o dólar ao final deste ano é de R$ 1,95. Quando as projeções referem-se à toda amostra de instituições pesquisadas pelo Banco Central (aproximadamente 100), a mediana das perspectivas aponta para o dólar a R$ 2,05 ao final de 2007 e R$ 2,10 ao final de 2008.
Fonte:http://noticias.uol.com.br/economia