Ver Versão Completa : Artigo imperdível sobre o U2 Three
followerU2
11/04/2007, 23h32
O site @ U2 disponibilizou essa semana a transcrição de um artigo da revista Record Collector, de 01 setembro de 2004, escrito pelo Chas de Whalley, que produziu o primeiro disco do U2, o U2 Three.
Pretendo fazer uma versão em português, mesmo que parcial, porque simplesmente adorei essa matéria e todos os detalhes que cercaram essa gravação. Pra quem como eu adora saber sobre a história do U2, é leitura obrigatória e imperdível. Há tempos não lia algo tão interessante sobre eles. Enquanto isso, para os que se viram no inglês segue o link para o artigo no @U2:
http://www.atu2.com/news/article.src?ID=4601
Detalhes sobre esse primeiro single (o holy grail pra qualquer colecionador da discografia da banda):
http://www.u2wanderer.org/disco/sing001.html
MT
Bonolocks
12/04/2007, 07h37
O site @ U2 disponibilizou essa semana a transcrição de um artigo da revista Record Collector, de 01 setembro de 2004, escrito pelo Chas de Whalley, que produziu o primeiro disco do U2, o U2 Three.
Pretendo fazer uma versão em português, mesmo que parcial, porque simplesmente adorei essa matéria e todos os detalhes que cercaram essa gravação. Pra quem como eu adora saber sobre a história do U2, é leitura obrigatória e imperdível. Há tempos não lia algo tão interessante sobre eles. Enquanto isso, para os que se viram no inglês segue o link para o artigo no @U2:
http://www.atu2.com/news/article.src?ID=4601
Detalhes sobre esse primeiro single (o holy grail pra qualquer colecionador da discografia da banda):
http://www.u2wanderer.org/disco/sing001.html
MTMT, obrigado desde já pelo trabalho em traduzir essa matéria. Já estou ansioso para lê-la. :aprovado:
Mysterious girl
12/04/2007, 11h40
Obrigada... :aprovado:
followerU2
12/04/2007, 23h31
Okay folks, aí vai a primeira parte, sujeita a alterações na revisão final, mas enfim, ainda vou demorar um pouco pra terminar tudo. Deixei de traduzir alguns trechos que não achei relevantes, e adaptei algumas expressões, a chamada tradução livre. Esse trechos que eu pulei estão assinalados com "...". Aí vai:
Another Time - A verdadeira história do primeiro disco do U2
Um relato da testemunha ocular, o homem que o produziu, Chas de Whalley
Record Collector, Setembro de 2004
Versão parcial em português por Maria Teresa M.da Rosa
Encontrei com Paul McGuinness pela primeira vez em fevereiro de 1979. Ele viajou a Londres para percorrer as gravadoras com uma maleta cheia de cassetes vagabundos. Meu trabalho como caçador de talentos da CBS inglesa era ouvir esses cassetes, emitir um parecer educado sobre eles e então mostrar a porta da rua para o dono. Obviamente não fiz isso tão bem quanto devia, porque um mês ou dois depois ele estava de volta com mais meia dúzia de cassetes, de meia dúzia de artistas diferentes.
....
Ele então mencionou uma jovem banda de rock que ele estava empresariando que vinha fazendo sucesso na Grafton Street, em Dublin, e que tinha acabado de gravar alguns demos nos estúdios de Eamonn Crackerjack Andrew. Paul me entregou um cassete com os nomes das músicas escritas com esferográfica. A banda costumava se chamar The Hype, ele disse, mas eles haviam mudado o nome para U2. Eu adoraria dizer que sofri uma epifania e fiquei chapado pela força e paixão genuína que saia dos auto-falantes. Mas não posso dizer isso. O U2 soava como mais uma das milhares de aspirantes a banda de new wave, e realmente não me impressionou. Mas ao me mostrar fotos de quatro garotos mirrados com pretensões artísticas, e contar como eles haviam vencido um concurso de talentos patrocinado pela CBS em sua terra natal, Paul McGuinness jogou muito bem. Havia ainda algo sobre uma apresentação na TV. Se metade do que ele disse era verdade, estava claro que esses caras do U2 iriam longe. Então eu disse que conversaria com meu chefe sobre ir a Dublin para ver o U2 tocar assim que fosse possível.
...
Então foi assim que eu e meu colega Howard Thompson acabamos numa gloriosa e quente tarde de junho em uma agência de publicidade de Dublin, com a cara cheia de champagne, conversando com irlandeses excêntricos da midia local. Paul nos levou direto do aeroporto para a festa.
...
De repente estávamos no McGonagles, um lugar escuro, mal cheiroso e com uma decoração duvidosa, com um palco apertado e um público significantemente menor do que esperávamos. Isso porque era proibida a entrada de menores de 18 anos, me disse o Paul. Muitos fãs do U2 eram garotos de escola, mas ainda assim seria um bom show. Ele nos prometeu. Eu e Howard estávamos tão chapados e bêbados que isso provavelmente não teria importância.
O U2 finalmente foi para o palco. Eles eram barulhentos e impetuosos, rápidos e frenéticos, inconstantes e esquisitos, de um jeito parecido com os Skids. O público os adorava, se amontoando na frente do palco, e se agitando ferozmente. Mas só uma coisa realmente me chamou a atenção na banda – foi o vocalista, o garoto que o mundo logo conheceria como Bono. Ele deu tudo de si naquele show. Ele ainda não escalava as caixas de som e nem se pendurava nas estruturas do jeito que o faria ser amado pelo público norte-americano alguns anos depois. Mas ele chegou perto disse, correndo, pulando e parando, usando cada polegada do palco e destemidamente atuando como se ele estivesse já num estádio e precisasse impressionar mesmo os fãs das arquibancadas mais distantes.
...
Mais tarde eu descobri que ele havia tido aulas de teatro, mas e o jeito que ele se movia através de músicas como Out of Control, Shadows and Tall Trees e Twilight? Não era método teatral, era mágico! Eu fiquei completamente chapado. Eu não via uma estrela de tamanha grandeza desde a primeira vez em que Paul Weller e o Jam tocaram em Nashville dois anos antes, quando eu escrevia para a revista Sounds. Eu me inclinei e gritei no ouvido do Howard, “esse cara é incrível. Ele vai ser o próximo David Bowie.” A resposta dele não foi mais do que um grunhido.
De volta a Londres, eu tive uma grande idéia. Normalmente nós dávamos às novas bandas um dia inteiro de graça no menor dos três estúdios da CBS na Whitfield Street a um custo de 100 libras bancado pela área de publicidade. Paul McGuinness me contou que ele podia conseguir dois dias no estúdio mais prestigiado de Dublin, Windmill Lane, pelo mesmo valor. Então eu propus ao meu chefe que eu fosse a Dublin e gravasse demos com o U2, enquanto o pessoal da área de contratos podia negociar um acordo com a banda que nos desse o direito de lançar o demo como single pela CBS Ireland somente, assegurando assim nosso interesse na banda sem, no entanto, nos comprometermos em definitivo com eles.
...
A segunda vez que eu vi o U2 foi no CommunitUy Centre em Howth, um lugarzinho junto ao mar, próximo a Dublin. O público era formado por 40 ou 50 fãs de rock, muitos tentando desesperadamente ser punks, sendo observados com uma certo divertimento por pequenos grupos de mães e pais e avós que estavam sentados nas mesas na beira do salão.
Eu agora sabia bem mais sobre o U2 e o que eles pretendiam. Com o propósito de conhecer melhor a banda e discutir sobre quais músicas iríamos gravar, eu passei a tarde com eles na casa dos pais do Adam, eu acho. Era um lugar muito legal num subúrbio tranqüilo de Dublin e ficou claro que pelo menos um deles vinha de uma sólida família de classe média. Mas enquanto eles riam e faziam piadas bebendo xícaras e xícaras de chá, Paul Hewson, Dave Evans, Larry Mullen e Adam Clayton provaram que já tinham um senso de propósito bem desenvolvido. Eles sabiam de onde vinham e, até certo ponto, para onde estavam indo.
Eles me contaram como vinham tocando suas próprias músicas quase desde o começo quando, depois de um show desastrado alguém chegou pra eles e disse “vocês formam uma banda legal rapazes, mas vocês estão tocando covers e ninguém quer ouvir covers mal feitas!” Então Bono, que emergia rapidamente como o porta voz do U2 – e grande pensador – disse “nós começamos misturando os instrumentos com cores primárias pra ver o que funcionava e o que não funcionava.”
Eles eram também intensamente idealistas. O punk tinha capturado a imaginação deles, mas não era a retórica revolucionária do Clash ou os sentimentos obscuros dos Stranglers ou dos Banshees que os inspirava. Em vez disso, Bono falava sobre inocência e integridade como sendo parte de uma nova rebelião. Havia algo profundamente espiritual nele mesmo naquela época – mas se você me dissesse que ele se importava tanto com Deus eu teria ficado realmente surpreso.
To be continued...
MT
Bonolocks
13/04/2007, 07h22
Uuaaaauuu MT! Que tesouro esse artigo! Desde já agradeço por todo esse valioso trabalho!:aprovado:
Marcinha nr 1
13/04/2007, 08h51
Ma, muito bom!!!Thanks
Be Strong
13/04/2007, 09h06
MT. Não sei como, quando e o porquê, mas tenho 'scans' dessa revista, com alguma memorabilia:
http://i49.photobucket.com/albums/f263/alexcanale/2004-1.jpg
http://i49.photobucket.com/albums/f263/alexcanale/2004-2.jpg
http://i49.photobucket.com/albums/f263/alexcanale/2004-3.jpg
http://i49.photobucket.com/albums/f263/alexcanale/2004.jpg
Bonolocks
13/04/2007, 10h24
:oh: Caramba Be Strong! De arrebentarrrrrrrrrr!!!! Muito obrigado mesmo! O artigo ficou até mais empolgante com esses scans! :aprovado: Valeu demais! Já tô salvando!;)
Marcinha nr 1
13/04/2007, 10h27
D+ as fotos da revista! Thanks também Be!!
deiaitaly
13/04/2007, 12h06
Uau! Arrebentou Be Strong! Muito obrigada por ter postado scans da revista. Já seqüestrei tudinho! Valeu mesmo! Abraçu2s pra todos.:pulando: :pulando: :pulando:
followerU2
13/04/2007, 13h34
Legal Alex. Eu tinha esses scans, mas havia perdido. De qualquer maneira não dava pra ler, porém agora com a transcrição do @U2 ficou mais fácil.
Bom, espero fazer mais uma parte dessa versão nesse fim de semana, se possível até vou terminá-la. Legal que o pessoal está aproveitando.
MT
cran02girl
13/04/2007, 17h05
Nossa, material precioso! Estou ansiosa pra ler!!!
Parabéns e obrigada por disponibilizar pra gente!
Tetefani
13/04/2007, 21h56
Valeu pela tradução!!!!:aprovado: :aprovado: :aprovado:
Muito boa!!!:lol:
MT Muito Obrigada msm pela traduçao, mta generosidade da tua parte, msm com o tempo curto vc se desdobra e sempre compartilha conosco essas preciosidades :aprovado: Só podia ser expert em U2 msm :)
followerU2
14/04/2007, 19h06
Bem pessoal, aí vai a segunda parte. Essa foi bem difícil, porque há muitos termos técnicos ou gírias que eu imagino serem comuns no meio musical. Fiz o melhor que pude pra adaptar essas expressões, mas se alguém aqui for do ramo e quiser corrigir algo fique à vontade.
Continuando então:
Foi nesse show em Howth que o Edge finalmente me chamou a atenção. Ele estava tocando a Gibson Explorer que, ele me contou antes, havia comprado em uma loja de penhores quando curtia férias com a família em New York. Ele também me disse que era difícil de mantê-la afinada. Talvez isso tivesse algo a ver com seu estilo de tocar guitarra, que era, no mínimo, incomum. Ele ainda não tinha a sua caixa de eco Memory Man – ela não iria aparecer antes das gravações de 11 O´Clock Tick Tock que o U2 fez com Martin Hannet para o primeiro single deles pela Island, em 1980. Mas enquanto virtualmente todos os guitarristas naquela época estavam febrilmente tirando riffs ou detonando grandes acordes, Edge já experimentava com aquele som que parecia mais um zumbido de cordas abertas com o qual ele mais tarde revolucionou o som do rock.
Tudo que eu me lembro do Adam, do outro lado do palco, era o seu chocante cabelo louro cacheado e um sorriso que mostrava claramente o quão orgulhoso ele estava se si mesmo. E o Larry? Ele estava escondido atrás dos seus pratos. Mas quem iria querer observar o baterista, de qualquer maneira, quando Bono mais uma vez estava a ponto de detonar com tudo lá na frente? Balançando e acenando e gritando e de repente revelando algo que eu não havia ainda me dado conta: de que ele tinha uma voz como a de um anjo, capaz de subir às alturas acima do melhor da banda e arremetendo-se de volta à Terra de novo como um homem em um trapézio voador. Quando voltei aos camarins pra me despedir eu já estava convertido.
Nos encontramos novamente num sábado em agosto de 1979. O U2 tocou de graça debaixo de uma cobertura de aço naquela tarde no Gaiety Green, na época o equivalente, em Dublin, ao Camden Market. Naturalmente o lugar estava entupido de gente e a banda foi chamada de volta para o bis três ou quatro vezes. Então atravessamos a cidade até Windmill Lane, onde tínhamos o estúdio reservado das seis da tarde até à meia-noite.
Nós escolhemos pra gravar as favoritas Out of Control, Stories for Boys e uma música nova, Boy/Girl. Edge, Larry e Adam instalaram seus equipamentos na sala de gravação principal do estúdio, enquanto o engenheiro de som, cujo nome era Bill e tocava jazz no piano em suas horas de folga, colocou um microfone na sala de controle. Isso era pra que o Bono pudesse cantar os vocais que serviriam de guia e que os outros poderiam ouvir nos seus fones de ouvido enquanto tocavam, porém não apareceria nas respectivas trilhas gravadas por cada um deles. Porém, do jeito que o Bono se atirou a cantar esses vocais guia – dando tudo de si, acenando loucamente com os braços, as pernas chutando e pulando, encorajando seus companheiros do outro lado da enorme janela de vidro a arrancarem com tudo e à toda – só você é que não saberia que esses vocais não eram pra valer.
E eles corresponderam, é claro. Porém um tape gravado pode ser algo cruel, uma mídia que não perdoa, e ao tocar o tape novamente, rachaduras começaram a se abrir no som do U2. Adam e Larry não eram assim tão bons em manter o ritmo, e sem o estardalhaço e a fúria de uma apresentação ao vivo onde eles pudessem esconder isso, não dava pra confiar que eles iriam manter o andamento. Stories for Boys e Boy/Girl até que estavam legais. Mas havia – e ainda há – uma longa seção de 24 compassos, a dois terços mais ou menos do início de Out of Control, onde permanece apenas o arranjo de baixo e bateria, e então lentamente tudo se intensifica de novo. Quer seja por nervosismo ou por exaustão, Larry sempre perdia o ritmo nesse ponto, Adam não consegui achar seu caminho de volta, e a coisa toda se desmanchava.
Como essa era, disparada, a melhor música que eles tinham – e precisava soar tão coerente quanto possível – eu fiz com que eles repetissem e repetissem quantas vezes fosse necessário até que eles conseguiram. O pobre do Larry estava quase em lágrimas e, se dá pra acreditar no excelente livro de Bill Graham, Another Time Another Place, Bono estava a ponto de estourar comigo também, só que ele era muito educado pra isso. Tudo o que eu lembro é dele dizendo incrédulo “Mas o Larry tem aulas com um dos melhores bateristas de Dublin! Como é que ele pode estar fora do compasso?”
Nós mixamos as músicas na noite seguinte, com o Paul me passando baseados que eu aceitei agradecido. Não sei se o plano dele era me ajudar a ter grandes idéias ou me deixar tão alto que ele e o resto da banda poderiam assumir o controle. De qualquer forma, todos concordamos que as músicas tinham que ser tão fortes quanto possível, e acabamos colocando alguns efeitos nas trilhas de guitarra do Edge.
Mas no dia seguinte, sentado no aeroporto, tomando café com o Bono, com o tape original sobre a mesa entre nós, eu sabia que os tais efeitos não acrescentavam nada. E sabia também que eu tinha falhado com eles (isso sem mencionar meu próprio ouvido como produtor) por acabar produzindo nada mais do que demos regulares, certamente não aquilo que faz um grande hit, pelo menos não pelos padrões de Londres.
Vou ver se consigo terminar amanhã. Até.
MT
Bonolocks
14/04/2007, 20h02
Obrigado mais uma vez MT! Muuuito bommmm!!!:aprovado:
Muito legal mesmo!!:aprovado:
Obrigada!;)
followerU2
16/04/2007, 22h57
Okay, terceira e última parte. No fim acabei traduzindo praticamente tudo, com exceção de alguns pequenos trechos na primeira parte, mas que não tinham a ver diretamente com o U2. Espero que vocês aproveitem. Eu adorei esse artigo. Carol, se quiser colocar na seção de Artigos do site, go ahead! :)
E provavelmente não pelos padrões de Paul McGuinnes também, já que ele conseguiu que as três músicas fossem remixadas por Robbie McGrath, que cuidava do som dos Boontown Rats, e só então a CBS Ireland lançou o single U2 Three, quatro semanas mais tarde. Se isso fez alguma diferença é até questionável, pois o U2 já fazia tanto sucesso em sua terra natal que as primeiras 1.000 cópias se esgotaram em um só dia e o single alcançou a primeira posição na parada irlandesa. Algumas cópias foram importadas pela Rough Trade que distribuiu o single no Reino Unido, e de repente a imprensa britânica especializada em música se interessou.
A essas alturas eu voltei a me animar. Talvez eu tivesse feito alguns demos suspeitos mas o U2 estava longe de ser um grupo qualquer. Agora eu realmente, de verdade, queria contrata-los e convenci Muff, meu chefe, a ir a Irlanda e vê-los com seus próprios olhos. Dessa vez o U2, que estava ficando mais coeso e confiante a cada show, estava tocando no Baggot Inn, o lugar estava arrasando e representantes da EMI e da A&M também estavam entre o público. Mas fomos eu e Muff que levamos Paul e Bono pra tomar vinho depois do show e pra falarmos abertamente de negócios. E eu acho que, se tivesse sido possível, a CBS teria fechado um contrato de exclusividade mundial com o U2 naquela noite.
Acontece que Paul McGuinness, encorajado pelo interesse que ele vinha obtendo de virtualmente cada gravadora em Londres, de repente elevou o tom da conversa ao anunciar que ele queria que a CBS comprasse para o U2 o que a Phonogram tinha comprado para os Boomtown Rats – uma casa nos arredores de Londres para onde a banda pudesse se mudar, e que seria a base de lançamento deles na conquista da parada britânica. Isso significaria um adiantamento em torno de 100 mil libras, e naqueles tempos somente bandas que tinham potencial para o sucesso imediato mereciam esse tipo de grana. O U2 simplesmente ainda não era tão bom assim, e Muff rejeitou a proposta.
Mas ainda não tinha acabado. Ninguém mais aceitou o negócio proposto por Paul. Por isso, o U2 veio a Londres pra tocar numa série de clubes noturnos em dezembro de 1979, e contabilizar em cima de boas matérias sobre eles, publicadas nas revistas Sounds e Record Mirror, e então decidimos tentar mais uma vez gravar algo que impressionasse a cúpula da CBS. Um dia antes de eles pegarem o ferryboat de volta pra casa, os quatro garotos do U2, encharcados pela chuva, apareceram no estúdio da CBS em Whitfield Street pra gravar mais duas faixas.
Dessa vez a banda tinha tudo muito bem ensaiado, e era o Bono que precisava de ajuda. A voz dele estava detonada depois de meia dúzia de shows em quase meia dúzia de dias também, e ele passou o tempo se tratando a base de mel e limão. Eu lembro de ter sugerido alguma sobreposição da sua voz em partes onde ele devia sussurrar a letra tanto quanto cantá-la, numa tentativa de colocar alguma textura extra nos seus vocais frágeis.
Gravamos duas músicas, mas só uma acabou sendo lançada. Era Another Day, uma típica música do U2 sem maiores pretensões, e que acabou sendo o lado A do próximo single deles. A outra era Pete The Chop, e era de longe a coisa mais pop que eu já tinha ouvido deles, mas eu tinha certeza que iria cair bem entre os executivos da CBS. Imagine então minha decepção quando Bono telefonou um dia antes que eu e o engenheiro de som Walter Samuel mixássemos as faixas pra dizer que a banda havia detestado e queria enterrar a música. Então não fizemos nada com ela, e é por isso que eu não tenho um tape da música e, quando a CBS procurou pelo tape nos seus arquivos alguns anos atrás também não encontrou (Correção da Record Collector - na verdade essa música apareceu mais tarde como Treasure Whatever Happened to Pete the Chop e foi b-side do single New Year´s Day).
Tudo o que eu tenho daquela sessão de gravação é uma cópia do single de 7” em sua embalagem, e o pôster que o Paul colocou no pacote, e que apareceu na minha mesa pouco tempo depois que o disco foi lançado em fevereiro de 1980. Por essa época, a CBS London tinha desistido do U2 e o escritório irlandês da gravadora relutava em dar apoio a uma banda que o quartel general da companhia não queria. No verso do pôster há um bilhete rabiscado. Pode-se ler: “as coisas estão tão ruins agora que a CBS Ireland está me cobrando por esses discos então só mandei um pra você. Eles também se recusam a fazer propaganda ou pagar pela embalagem...tudo de bom pra você, Paul e U2.
Eu duvido que o Paul tenha levado sua experiência com a CBS a sério. Mas eu levei. E não demorou muito pra que eu caísse fora de lá, antes que eles me mandassem embora, sem dúvida, mas ainda impressionado negativamente pela falta de habilidade da companhia em reconhecer o talento cru do U2 – quando estava lá bem debaixo do nariz deles.
Copyright Record Collector, 2004
Fim :)
MT
Bonolocks
17/04/2007, 07h20
MT, maravilhoso esse artigo!!!http://thelarrymullenband.com/style_emoticons/default/good.gif Já salvei o texto e daqui a pouco completarei a leitura. Fiz questão de imprimir os Scans que o Alex colocou aqui em cores e irei anexar a eles o texto traduzido. Será mais um ítem entre os mais valiosos da minha biblioteca. Muito obrigado por torná-los disponível.http://thelarrymullenband.com/style_emoticons/default/give_rose.gif
followerU2
17/04/2007, 08h34
Não há o que agradecer Cris. Como já disse, eu adorei esse artigo, não deixa de ser uma viagem no tempo pra mim. Fico imaginando como devem ter sido essas sessões de gravação, e o quanto os tais executivos da CBS devem ter roido as unhas mais tarde...
Aviso que editei o texto, corrigindo algumas coisas. Me dei conta, ao reler o original, que eles não gostaram de Pete the Chop, apenas, e pediram pra que essa gravação fosse esquecida/enterrada, e não ambas (incluindo Another Day) como eu havia colocado antes.
MT
Mto bom msm!
:aprovado:
Amei ler esse artigo e já salvei tbm.
Brigadão por ter traduzido!!! :lol:
Vertigo Man
17/04/2007, 22h46
Obrigado por mais uma contribuição Maria Teresa.
Realmente essas histórias sobre o início de carreira da banda são excelentes.:aprovado:
Tetefani
18/04/2007, 13h43
Muito Obrigada MT!!!! Por esse material valioso!:aprovado:
Adri Soul Love
18/04/2007, 21h52
Tbm gostei muito, valeu:aprovado: É muito bom conhecer um pouco mais da história da nossa banda querida, não foi nada fácil o início e que bom que eles não desistiram do sonho!
Bonolocks
19/04/2007, 10h09
Okay, terceira e última parte. No fim acabei traduzindo praticamente tudo, com exceção de alguns pequenos trechos na primeira parte, mas que não tinham a ver diretamente com o U2. Espero que vocês aproveitem. Eu adorei esse artigo. Carol, se quiser colocar na seção de Artigos do site, go ahead! :)
E provavelmente não pelos padrões de Paul McGuinnes também, já que ele conseguiu que as três músicas fossem remixadas por Robbie McGrath, que cuidava do som dos Boontown Rats, e só então a CBS Ireland lançou o single U2 Three, quatro semanas mais tarde. Se isso fez alguma diferença é até questionável, pois o U2 já fazia tanto sucesso em sua terra natal que as primeiras 1.000 cópias se esgotaram em um só dia e o single alcançou a primeira posição na parada irlandesa. Algumas cópias foram importadas pela Rough Trade que distribuiu o single no Reino Unido, e de repente a imprensa britânica especializada em música se interessou.
A essas alturas eu voltei a me animar. Talvez eu tivesse feito alguns demos suspeitos mas o U2 estava longe de ser um grupo qualquer. Agora eu realmente, de verdade, queria contrata-los e convenci Muff, meu chefe, a ir a Irlanda e vê-los com seus próprios olhos. Dessa vez o U2, que estava ficando mais coeso e confiante a cada show, estava tocando no Baggot Inn, o lugar estava arrasando e representantes da EMI e da A&M também estavam entre o público. Mas fomos eu e Muff que levamos Paul e Bono pra tomar vinho depois do show e pra falarmos abertamente de negócios. E eu acho que, se tivesse sido possível, a CBS teria fechado um contrato de exclusividade mundial com o U2 naquela noite.
Acontece que Paul McGuinness, encorajado pelo interesse que ele vinha obtendo de virtualmente cada gravadora em Londres, de repente elevou o tom da conversa ao anunciar que ele queria que a CBS comprasse para o U2 o que a Phonogram tinha comprado para os Boomtown Rats – uma casa nos arredores de Londres para onde a banda pudesse se mudar, e que seria a base de lançamento deles na conquista da parada britânica. Isso significaria um adiantamento em torno de 100 mil libras, e naqueles tempos somente bandas que tinham potencial para o sucesso imediato mereciam esse tipo de grana. O U2 simplesmente ainda não era tão bom assim, e Muff rejeitou a proposta.
Mas ainda não tinha acabado. Ninguém mais aceitou o negócio proposto por Paul. Por isso, o U2 veio a Londres pra tocar numa série de clubes noturnos em dezembro de 1979, e contabilizar em cima de boas matérias sobre eles, publicadas nas revistas Sounds e Record Mirror, e então decidimos tentar mais uma vez gravar algo que impressionasse a cúpula da CBS. Um dia antes de eles pegarem o ferryboat de volta pra casa, os quatro garotos do U2, encharcados pela chuva, apareceram no estúdio da CBS em Whitfield Street pra gravar mais duas faixas.
Dessa vez a banda tinha tudo muito bem ensaiado, e era o Bono que precisava de ajuda. A voz dele estava detonada depois de meia dúzia de shows em quase meia dúzia de dias também, e ele passou o tempo se tratando a base de mel e limão. Eu lembro de ter sugerido alguma sobreposição da sua voz em partes onde ele devia sussurrar a letra tanto quanto cantá-la, numa tentativa de colocar alguma textura extra nos seus vocais frágeis.
Gravamos duas músicas, mas só uma acabou sendo lançada. Era Another Day, uma típica música do U2 sem maiores pretensões, e que acabou sendo o lado A do próximo single deles. A outra era Pete The Chop, e era de longe a coisa mais pop que eu já tinha ouvido deles, mas eu tinha certeza que iria cair bem entre os executivos da CBS. Imagine então minha decepção quando Bono telefonou um dia antes que eu e o engenheiro de som Walter Samuel mixássemos as faixas pra dizer que a banda havia detestado e queria enterrar a música. Então não fizemos nada com ela, e é por isso que eu não tenho um tape da música e, quando a CBS procurou pelo tape nos seus arquivos alguns anos atrás também não encontrou (Correção da Record Collector - na verdade essa música apareceu mais tarde como Treasure Whatever Happened to Pete the Chop e foi b-side do single New Year´s Day).
Tudo o que eu tenho daquela sessão de gravação é uma cópia do single de 7” em sua embalagem, e o pôster que o Paul colocou no pacote, e que apareceu na minha mesa pouco tempo depois que o disco foi lançado em fevereiro de 1980. Por essa época, a CBS London tinha desistido do U2 e o escritório irlandês da gravadora relutava em dar apoio a uma banda que o quartel general da companhia não queria. No verso do pôster há um bilhete rabiscado. Pode-se ler: “as coisas estão tão ruins agora que a CBS Ireland está me cobrando por esses discos então só mandei um pra você. Eles também se recusam a fazer propaganda ou pagar pela embalagem...tudo de bom pra você, Paul e U2.
Eu duvido que o Paul tenha levado sua experiência com a CBS a sério. Mas eu levei. E não demorou muito pra que eu caísse fora de lá, antes que eles me mandassem embora, sem dúvida, mas ainda impressionado negativamente pela falta de habilidade da companhia em reconhecer o talento cru do U2 – quando estava lá bem debaixo do nariz deles.
Copyright Record Collector, 2004
Fim :)
MT
Aqui está a versão da música que saiu no Single de New Year's Day citada acima no artigo:
http://www.gigasize.com/get.php/1186289/U2__02_Treasure_Whatever_Happened_To_Pete_The_Chop .mp3 (http://www.gigasize.com/get.php/1186289/U2__02_Treasure_Whatever_Happened_To_Pete_The_Chop .mp3)
E aqui uma versão ao vivo do show "My Hometown", Dublin, 26/02/1980. Créditos a Suderland que disponibilizou essa versão na lista:
http://www.gigasize.com/get.php/1186268/Pete_the_Chop_19800226.mp3 (http://www.gigasize.com/get.php/1186268/Pete_the_Chop_19800226.mp3)
;)
Mysterious girl
19/04/2007, 11h51
Obrigada Cris... :)
Bonolocks
19/04/2007, 11h56
Obrigada Cris... :)
De nada Mysterious girl! Ultimamente ando apaixonado pelos early days.;) :aprovado:
Mysterious girl
19/04/2007, 12h05
De nada Mysterious girl! Ultimamente ando apaixonado pelos early days.;) :aprovado:
Somos dois... :aprovado:
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