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Ver Versão Completa : Bono na Oprah - Entrevista


Lyla Marmalade
16/03/2004, 08h05
Trechos da entrevisa de Bono...
Leia alguns trechos da entrevista de Bono concedida à revista da apresetadora Oprah:
fonte: Interference

Sobre U2:
"Sei que temos futuro. Sei que podemos lotar estádios. E ainda com cada disco, eu acho, será isso? Ainda somos relevantes?"

Sobre Ali:
"Atualmente, ela está trabalhando num novo negócio. Ele envolve práticas justas nos negócios nas quais pessoas de países de terceiro mundo são bem pagas e têm segudo saúde - e ainda é possível fazer fortuna. Será uma das marcas mais famosas nos próximos anos. Fique de olho. Chama-se Edin."

Em casa: "Sou muito caseiro... Talvez você tenha a impressão que sempre estou fora, mas tenho levado minhas crianças à escola. Eu gosto mais das manhãs que das noites".

Sobre a verdade:
"A Bíblia diz que a verdade o libertará. A verdade está no teto de cada pedaço de criatividade. Então, se você é verdadeiro sobre sua situação, não importa se é um artista - se há um despero, se há esperança, se há ambição - de repente você está lá"

África:
"... as pessoas que escolhemos para descrever as condições do mundo não são sempre as que Deus escolheria. Os escolhidos poderiam ser punk-rockers oupessoas do hip-hop. Mas, apesar de tudo, o estado do mundo será descrito".

PS: Notei uma certa melancolica no tom da conversa dele, vcs não? Principalmente qdo ele falou da banda, como se ele estivesse naquelas épocas em que questionamos nosso real valor dentro do nosso espaço, nesse caso, na banda. É como se ele estivesse triste... Seria isso reflexão ou motivo do atraso do album?
:huh:

followerU2
16/03/2004, 12h38
Não via a hora de poder ler essa entrevista dele para a Oprah, muito boa. O texto completo está no link baixo do @U2. Resolvi imprimir e tentar fazer uma versão, pra quem se interessar. Espero tê-la pronta até o fim da semana.

Esses trechos que a Lyla traduziu são muito interessantes. Talvez ele esteja até meio melancólico, mas acho que ele coloca bem as razões para isso na entrevista.

Oprah talks to Bono (http://www.atu2.com/news/article.src?ID=3357)

Cheers
MT

MOSQUINHA
16/03/2004, 13h00
minha resposta:
bono adora fazer essas coisas, e falar complicado,hehe :lol:

followerU2
16/03/2004, 17h27
Bom, continuando o trabalho iniciado pela Lyla, segue parte da versão em português que fiz. As respotas do Bono estão em negrito. Pretendo concluir a outra parte logo.

Maria Teresa



Oprah: Como a música chega até você? Quincy Jones me disse uma vez que ele pode ver melodias às vezes...

Bono: Eu nunca vi a música. Pra mim é um quebra-cabeças. Eu ouço traços de uma melodia, e só quando eu a exploro até o fim e que eu consigo ficar em paz. Até lá é como um beliscão.

Entendi.

Ela sai simplesmente. Não tenho escolha. É meio embaraçoso porque acontece quando você não quer que aconteça, na verdade. Você acaba escrevendo uma canção na parte de trás de um saco daqueles pra usar quando se fica enjoado, num vôo da Air Índia, por exemplo, e você não a escreve porque precisa de um música de sucesso – você escreve porque precisa dormir. Você tem que colocar no papel, só aí você acalma a consciência.

Você pode se comprometer a escrever um sucesso e acabar conseguindo?

Bem, umas das coisas que as músicas de sucesso têm e que a boa música sempre tem, sabe.... a música parece que já estava lá.

Como sua canção Beautiful Day..

Eu não sei se ela é assim tão boa. Mas quando você tropeça em certas melodias, você pensa, que ela já estava lá.

É como Michelangelo disse: a escultura já estava na pedra.

E eu não acho que ele estava apenas sendo esperto. A música de sucesso – que pode ser chamado de música eterna, se você que ser pretensioso – é uma canção que parece familiar para a maioria das pessoas. E o fim mais extremo desse espectro é a música...

...que ressoa em um nível que é indescritível.

Certo. Como “I´ve got sunshine on a cloudy day.” Ou minha música favorita, “Amazing Grace”. Minha segunda música favorita é “Help Me Make it Through the Night”. O que eu gosto na música pop e por que eu ainda me sinto atraído por ela, é que no final ela transforma nossa música folk. Nos anos 70, quando nós estávamos crescendo e toda a crítica ao rock estava acontecendo, a disco music supostamente era uma droga. Mas ouça algumas daquelas músicas agora – “I Will Survive”...

E as músicas da Donna Summer...

Sim. É como folk agora. Aquela outra coisa, com solos de guitarra? Quem se importa com isso? A boa música, para tantos artistas – Beatles, Rolling Stones – foi sempre naquele momento em que eles mais se aproximaram do pop. Seria fácil para o U2 cair fora e fazer um álbum com conceito, mas eu quero que a gente continue na briga do pop.

Vocês ficam ansiosos cada vez que lançam um álbum?

Sim.

Você fica?

É claro. É muito mais fácil ser bem sucedido do que ser relevante. Truques, artimanhas não te manterão relevante. Elas podem te manter popular por algum tempo, mas com toda a honestidade., eu não sei como o U2 continuará relevante. Eu sei que temos futuro. Eu sei que podemos encher estádios. Ainda assim, a cada disco, eu penso, será que é isso? Ainda somos relevantes?

Bem, vocês ainda não foram convidados para tocar em um Bar Mitzvah...

Não, eu apenas não quero entrar naquela fase que eu chamo de Fase da Música Interessante. Isso realmente significa “nós estamos por fora”.

Então vocês parariam antes disso?

Sim. Nossa idéia na banda é: dois álbuns ruims e você está fora. Isso nos deixa dois restantes. Tudo bem com um álbum ruim, porque você pode corrigir e tentar de novo. Mas depois de dois ruims você se torna para sempre “interessante”.

Eu estava te assistindo no palco à noite passada, e disse: “Jesus, isso me faz querer usar um par de óculos de sol e uma jaqueta de couro.” Existe algo melhor do que estar naquele palco, naquele momento e ser você?

Uau....Eu não me lembro de me sentir tão bem. Você certamente tem momentos em que a música te faz parecer um anão, te faz cair de joelhos, e você é uma parte minúscula disso. Mas a maior parte do tempo, infelizmente, você é uma parte muito grande disso. E você têm consciência do que você é, ou algo está te irritando, ou você não ensaiou direito. Então sim, existem momentos como ontem à noite quando estamos parados lá cantando uma melodia – “It´s a long walk, long walk to freedom” – e a multidão começa a cantar com a gente, embora nunca tenham ouvido a música antes. Eu tenho observado esse homem extraordinário, Nelson Mandela, que ensinou a todos nós uma lição, siga aquele longo caminho até o pódio. Enquanto todos cantavam, eu me dei conta de que éramos todos convidados da nação África do Sul. Eles estavam cantando o hino, ele estava sorrindo para a multidão – e nós estávamos no meio disso.

Eu também senti isso.

Foi até mais pungente porque era uma audiência predominantemente branca cantando para ele. Eu fiquei parado lá pensando. Isso deve ser um milagre que estamos testemunhando.

O mar de rostos brancos, cantando aquela canção para ele.

E ninguém tratava o outro com ares de superioridade, de lado nenhum.

Concordo. Fiquei feliz por ser testemunha disso.

Isso realmente me nocauteou. Eu queria que a minha banda inteira estivesse lá. Com a banda, nós teríamos derrubado a casa, porque havia muita energia naquela multidão.

Cons Vox
16/03/2004, 22h13
África:
"... as pessoas que escolhemos para descrever as condições do mundo não são sempre as que Deus escolheria. Os escolhidos poderiam ser punk-rockers oupessoas do hip-hop. Mas, apesar de tudo, o estado do mundo será descrito".


Isso me lembra uma frase que eu li em "O chao que ela pisa"...
"Os únicos que enxergam o quadro inteiro sao os que saem da moldura."
(Salman Rushdie)

followerU2
16/03/2004, 22h43
Okay, 2a parte, por enquanto.

Até mais
Maria Teresa

Então quando é que você se diverte de verdade?

Quanto estou tocando com a banda. Como artista solo sou mediano, na melhor das hipóteses. Mas com a banda? Não há nada melhor, eu te garanto. Desculpe, mas eu posso dizer isso. Há dois fins de semana atrás eu estava em Nova York com minha mulher, e nós nos divertimos muito. Minha mulher e eu surfamos nosso jet lag.

O que isso quer dizer?

Quando você tem filhos, você tem que ir pra cama e levantar a uma determinada hora. Mas se as crianças não estão com você – e eles não estavam conosco dessa vez – você pode ir pra cama quando está com sono e ficar acordado quando não está. Isso significa que você pode sair e ficar na rua até as 4 da manhã.

Eu tenho que aprender como surfar meu jet lag. Qual a idade das crianças agora?

As duas garotas têm 14 e 12 anos, os meninos têm 4 e 2. Eles são demais. Eu não sei porque eu tenho a vida que tenho. Eu não mereço. Acho que nossa família é assim tão forte por causa de minha mulher, Ali. Ela é simplesmente muito legal.

Há quanto tempo vocês estão casados?

Há mais tempo do que existo. Nos casamos quando éramos garotos. Não tínhamos idéia em que estávamos nos envolvendo.

E após tantos anos, você ainda acha que ela é legal?

Ah, sim. Ela é uma figura. E ela é muito segura de si. Ela é capaz de coisas extraordinárias. Agora mesmo ela está trabalhando em uma nova forma de fazer negócios com vestuário. Envolve práticas justas de comércio, nas quais pessoas dos países do Terceiro Mundo são remuneradas apropriadamente e têm seguro saúde – e ainda se pode ganhar uma fortuna. Pode se transformar numa das maiores marcas nos próximos anos, então fiquem atentos. Chama-se Edun. Minha mulher não é ambiciosa do jeito que pode ser familiar para você. Pra ela, ambição é uma espécie de fogo lento. Se cada parceiro quer que o outro concretize seu potencial, o relacionamento provavelmente irá muito bem. Se um tem que se sacrificar pelo outro, o que é bastante freqüente, eu não acho que seja tão bom quanto duas pessoas tentando ajudar uma a outra a se superar. Eu acho que ela tem se sacrificado mais do que, então estou tentando equilibrar as coisas agora.

Com que freqüência você fica em casa?

Fico bastante em casa. Porque moro na Irlanda, nós podemos viver sob esse radar de celebridades. Eu posso desaparecer por um ano inteiro. Como acontece, pode ter sido pelos últimos dois anos. Você pode ficar com a impressão de que eu estou sempre fora, mas normalmente eu estou em casa, levando as crianças pra escola. Prefiro as manhãs do que as noites.

Pensei que todos os músicos mantivessem aqueles horas doidas – trabalhando até tarde à noite.

Tenho mais pique cedo pela manhã. Depois disso é só ladeira abaixo.

Você é um pai de tempo integral?

Sim, a menos que esteja em turnê. E mesmo assim, nunca fico longe da Ali e das crianças por mais de 3 semanas.

O que seus filhos te fizeram aprender sobre si mesmo?

Eu tenho poucas memórias da minha infância, então enquanto meus filhos crescem essas memórias me voltam das formas mais bizarras. Tipo, você está cantando uma canção pro seu bebê, e você não sbe porque se lembra da canção, mas de alguma forma você lembra. Você nem sabe a música, mas você a canta de qualquer jeito e então pensa. “mas como é que estou cantando essa música?”

Existe uma teoria de que, seja em que estágio do crescimento seu filho estiver, isso te lembrará da tua própria infância naquele mesmo estágio. Por exemplo, se você tem um filho de 7 anos e algo traumático te aconteceu aos 7 anos, é quando tudo virá a tona para você. Tem sido assim com você?

Com certeza eu achava que os meus 20 anos tinham sido turbulentos, mas eu não tinha me dado conta de que a turbulência vem mais tarde na vida, quando você tem a chance – quer seja através de seus filhos ou de outros – de revisitar o que fez de você o que você é.

E trouxe à tona sua raiva.

Sim. Eu escrevi uma estória chamada “Rage is not a good reason to do anything, but it´ll do.” É uma estória sobre mim mesmo, aprendendo a escrever canções ainda criança. Eu não estudei em escola de música, porque minha família não era desse tipo. Eu me lembro da frustração de ouvir uma melodia na minha cabeça mas não ser capaz de pô-la pra fora. Então você aprende a confiar nas outras pessoas, na banda, e você começa a pensar que isso é fraqueza. Mas na verdade é um sinal de força confiar nos outros.

Blackelevation
17/03/2004, 20h34
Entrevista bem maneira essa...ai o who's fucking beautiful a eve tem 12 anos pelo o q o Bono disse..

MOSQUINHA
17/03/2004, 20h59
pô, jordan tem 14, e em 10 de maio faz 15, e eu tenho 13 e 6 de maio faco 14!!!
que droga, sou mais jovem que a filha do bono!!! <_< <_< <_<

followerU2
17/03/2004, 22h46
3a e última parte, meninos e meninas..e senhoras e senhores também :P

Espero que tenham apreciado mais essa versão caseira marca registrada da UV :sim:

Maria Teresa



Você tem talento, porém. Isso por acaso vem de algum lugar que você não consegue descrever?

Antes te responder, eu queria te dizer: acho que Deus se irrita com os talentosos. Nós devíamos saber que nosso trabalho não é mais importante do que o de um encanador ou de um carpinteiro. E isso é o que gosto nos artistas de hip-hop. Ele criam a marca e começam a vender camisetas. Tipo, “aqui está minha cadeira, eu que fiz. Quantas você vai levar?” Ao passo que com outros músicos é assim: “não sei nada sobre meu contrato com a gravadora. Não me envolvo nisso.” Que besteira! Existe uma razão porque o hip-hop está atropelando o rock´n´roll agora mesmo. No que eu chamaria de música alternativa, tem havido muita mentira – o que significa que você não poderia confessar-se culpado pela própria ambição. Você não podia admitir a idéia de que arte e comércio são certamente primos, se não forem irmãos. Então de onde toda a música vem – seja ela hip-hop ou rock´n´roll? Não sei. Mas o que eu sei é que toda a música é louvor.

Eu pretendo citar isso que você disse.

É um louvor ao deus que te fez. O que, no caso de um roqueiro, pode ser ele mesmo. Ou uma mulher. Ou uma idéia.

Eu gosto disso.

Quando eu tinha 10 anos aprendi o que libera a criatividade. Estávamos estudando William Butler Yeats, um dos maiores poetas do século XX e minha professora explicou que houve uma época em que Yeats teve um bloqueio criativo. Eu levantei a mão na aula e perguntei “por que ele não escreveu sobre isso?” E foi assim...”ah, cala a boca”. Desde então eu aprendi que existe algo sobre ser sincero. As Escrituras dizem a verdade e te libertarão. A verdade está na raiz de cada pedaço de criatividade. Então se você é sincero sobre sua situação, seja o que for como artista – quer seja desespero, ou esperança, quer seja ambição – de repente você chega lá.

Não é isso que toda a arte é? Verdade?

Sim. Verdade é beleza. Isso pode ser algo difícil de dizer, porque algumas coisas não são atrativas na aparência. Mas ao nos entregarmos a elas, nós as mudamos – somente por falar sobre elas. A primeira linha na página pode ser – “Não tenho nada a oferecer. Hoje estou vazio." É por isso que confissão pública – quer seja como prática corrente em sua religião ou mesmo no seu show – é tão importante.

Sim. Vinte anos atrás, as pessoas estavam vivendo vidas desregradas, mas elas pensavam que eram as únicas a viver daquela maneira. Eu cresci pensando que realmente as pessoas viviam assim, como Leave it to Beaver. Eu pensava, puxa, se eu tivesse uma mãe que me fizesse leite com biscoitos meu mundo seria legal.

Na minha música, eu tento ser o mais sincero que posso. Eu não tenho certeza de que posso ser tão honesto na minha vida quando sou na minha música, porque com boas maneiras vem a falta de sinceridade. Tipo “como você vai?” “Vou muito bem”. Mas na real eu não estou. Estou com um enorme ressaca. A verdade é difícil às vezes.

O que te deixa feliz?

Eu não sou uma pessoa das mais felizes e certamente não sou muito festivo. Existe um pouco de “coitado de mim” que vem com a melancolia, uma coisa irlandesa, e te deixa esgotado.

Certo, então o que te dá alegria? Alegria é uma palavra melhor, de qualquer modo.

Alegria é a coisa mais difícil de representar como um ato. É fácil descrever raiva, fúria, felicidade. Mas alegria é difícil.

Alegria é algo furtivo para você?

Não sei. Nossa banda sente isso quando estamos em turnê. Existe uma vibração de alegria. Não há nada de tristeza.

Alegria é uma campo de alta energia.

Sou rabugento. Você parece ter um certo nível de alegria. Existem meses em que as coisas não estão muito boas pra você, quando você se sente encurralado, ou....Você tem tido pelo menos um dia ruim na semana?

Nem mesmo um dia ruim na semana...

Verdade?

Com certeza.

Bem, eu tenho alguns dias ruims por semana.

Então me diga: de onde vem seu comprometimento e paixão? Porque tanto quanto eu consigo me lembrar, você tem usado sua voz para fazer a diferença nesse mundo.

Crescer na Irlanda foi parte disso – a vida simples e prática do povo irlandês. Em qualquer lugar que você vá na África, encontrará um padre irlandês ou uma jovem freira. Eles estão por toda a parte! E então é claro, Bob Geldof é meu amigo e nós participamos juntos no Live Aid. Por aquela época, minha mulher e eu vivemos na Etiópia por um mês, numa tenda em um campo de refugiados no meio do nada. Foi extraordinário. Aquela realeza dos etíopes vive com essa gente, algo de Salomão e a Rainha de Sabá que está por toda a parte. Havia arame farpado lá, como um campo de concentração – mas o arame era para manter as pessoas do lado de fora, não de dentro. Um homem caminhou até mim, me deu seu filho e disse, “Você fica com meu filho. Ele viverá se você ficar com ele.” E eu não pude ficar com o garoto. Mas isso realmente forjou meu comprometimento. Eu lembro de voltar pra casa no avião dizendo, “nunca vamos esquecer disso.”

E você esqueceu?

Esqueci. Porém em algum lugar dentro de mim eu sempre me lembrarei. Em algum lugar havia uma prece para dizer, e haverá um jeito de ajudar. O que eu vi na Etiópia não foi só gente passando maus bocados. Foi um problema mais amplo – político, não unicamente social. Então nesse trabalho, o círculo está se fechando pra mim. E minha gente tem me apoiado. Os irlandeses podem ser irritantes – e eu sou um deles – mas na verdade são muito bons. Aqui na África, eu sou a anomalia. É algo estranho e esquisito que eu, um irlandês, estou aqui sentado e você está me fazendo perguntas. Ainda assim, as pessoas que escolheríamos para descrever as condições de nosso mundo não seriam aquelas que Deus escolheria. Os escolhidos podem ser roqueiros punk ou gente do hip-hop. Mas de qualquer forma, o estado de coisas do mundo será descrito.

followerU2
18/03/2004, 12h45
Aviso: trechos da entrevista podem ser ouvidos no link abaixo, com texto rolando ao lado. Ele fala bem mais do que a versão que saiu na revista, bem legal.

Audio de Bono e Oprah (http://www.oprah.com/omagazine/200404/omag_200404_ocut.jhtml)

Enjoy

Maria Teresa

Bruna
18/03/2004, 20h07
Outra ótima entrevista do Bono. :aprovado:

É muito mais fácil ser bem sucedido do que ser relevante. Truques, artimanhas não te manterão relevante. Elas podem te manter popular por algum tempo :sim:

Também gostei muito dos trechos sobre a Etiópia,África do Sul e família. :sim:

Valeu tmb pelo link de áudio,Maria Teresa! ;)

Bernadette
18/03/2004, 23h33
Ô MT, só posso dizer: MUITO OBRIGADA! :aprovado:

alison
19/03/2004, 06h33
Maria Teresa, mto obrigada mesmo!!!!
Nossa queridissima tradutora oficial!! :saúde:
;)

PCALIFORNIA
19/03/2004, 09h37
é redundante dizer que toda vez que leio algo do bono aprendo um pouquinho...existem pessoas com esse dom nós paramos para ouví-las e aprendemos com elas...amei teresa VALEU DE NOVO!
njs

GikahVox
19/03/2004, 13h05
Eu adoro quando a Maria Tereza traduz estas entrevistas, pois assim posso passar para os outros, e mostrar quem é o Bono.
Tb curti muito essa.
Valeusss too.
Beijo do Bono.
Hasta.

cristinedge
21/03/2004, 14h12
Parabems Teresa por o teu exelente trabalho, a entrevista e muito boa, adorei! beijos
Cristinedge ;)

Cristina Cruz
21/03/2004, 15h42
Obrigada Maria Teresa. Eu gostei especialmente daquela parte em que ela lhe pergunta se ele se esqueceu do que viu na Etiópia e ele diz que que se esqueceu. Mas que de algum modo isso por vezes nasce de dentro dele novamente. Fácil seria ele dizer logo que não, que se lembra disso todos os dias e etc...ser falso.

Cris

followerU2
21/03/2004, 16h06
Sem necessidade de agradecimenos pessoal, só aproveitei a idéia da Lyla, que foi quem criou o tópico. Como sempre isso pra mim é um bom exemplo de unir o útil ao agradável.

Comentei num email pra UV que essa entrevista mostra uma certa intimidade, tem um tom mais pessoal, talvez por ser a Oprah a pessoa que o entrevista, eles são bem amigos hoje em dia. A certo ponto da entrevista, ele parece mais entusiasmado com a luta da Ali, o novo projeto em que ela está envolvida, do que com a sua própria luta. Será cansaço? Desencanto por não conseguir todos os seus objetivos? De qualquer forma, ele nem precisaria ter dúvidas quanto à própria relevância ou a da banda nesse nosso mundo. Sou contemporânea dos membros do U2 e, nesses anos todos, aprendi a admirar duas coisas, além da arte deles: a amizade que os une desde tenra idade, e a coerência de pensamentos e ações durante toda a trajetória de vida deles, principalmente do Bono. Sob esse aspecto eles são únicos.

Até mais
Maria Teres

it's me who's fucking beautiful
21/03/2004, 16h12
tbm admiro mto a coerência de pensamentos e ações deles.

MOSQUINHA
21/03/2004, 21h30
tambem porque o mundo hoje em dia esta presisando de bandas que fazem boa musica... o melhor, o mundo sente falta da melhor banda do mundo... ;)
e realmente isso é umas das coisas que mais me faz ficar contente de ser fanatica dessa maravilhosa banda é essa conciencia com o que acontece ao redor...
hoje em dia sao muito poucos os artistas que se preocupam com o mundo, se preocupar com o mundo nao quer dizer fazer uma musiquinha falando um par de coisas do mundo e depois nadar no dinheiro que essa musica investiu para comprar roupinhas, senao se preocupar de verdade como Bono faz, ir lá lutar por isso, conversar com politicos como o Bush, pra alcansar um objetivo ...
em nome da banda que eu tanto adimiro :) ...

Nani Violet
22/03/2004, 13h48
hoje em dia sao muito poucos os artistas que se preocupam com o mundo, se preocupar com o mundo nao quer dizer fazer uma musiquinha falando um par de coisas do mundo e depois nadar no dinheiro que essa musica investiu para comprar roupinhas, senao se preocupar de verdade como Bono faz, ir lá lutar por isso, conversar com politicos como o Bush, pra alcansar um objetivo ...
concordo plenamente! O que o U2 pode fazer com suas músicas e com a imagem que eles têm é tentar pelo menos deixar os fãs (e não-fãs, tb) informados a respeito do que acontece no mundo -- quer dizer, quanta gente tem a influência que eles têm? Os quatro dão o exemplo, mas sabem que sozinhos não vão fazer milagres. Mas é, tipo, "aqui está, é isso que acontece no mundo e vcs, fãs, já estão conscientes... o que vcs vão fazer com a informação que demos já não é da nossa conta"...

E tem gente que diz que isso é só marketing, e que misturar política com música não dá certo. Eu discordo... o Bono é um sonhador, como eu. Mas sonhar nunca faz mal :)