PDA

Ver Versão Completa : Resgatando velhas entrevistas... - ...ou too much is not enough


followerU2
13/08/2003, 00h19
Na falta de novos assuntos, achei que podia ser interessante reciclar algumas traduções de entrevistas e artigos que fiz para a extinta South Zoo.

Acho essa entrevista do Bono para o Liberation muito interessante. As perguntas são simples e diretas, assim como as respostas dele. Confiram:

P: Vocês são, sem dúvida, a única banda de rock importante a permanecer
junta por tanto tempo. Como você explica isso?

R: Uma banda que dura, isto é considerado um milagre. É contra as leis da
natureza. Esperam que você se reinvente ou então se quebre em milhares de
pedaços. É como um OVNI. Mas ficar juntos e mais difícil do que se separar
em qualquer situação. Sabe, Woody Allen disse algo engraçado sobre nós. “U2?
Não é aquele grupo que aparece de um limão gigante no meio dos shows?” Mas,
a despeito de nosso (aparente) egocentrismo, nós começamos com a filosofia
simples do punk rock - com a idéia de que grupos são destronados mais cedo
ou mais tarde, a menos que eles tenham uma boa razão para não serem. Eu
costumava pensar que as minhas convicções estavam relacionadas com a minha
criação católica, mas agora eu sei que elas se relacionam com (a minha
exposição ao) punk rock. É necessário para nós (como banda) que continuemos
o que estamos fazendo e nunca sentarmos preguiçosamente. Nós continuaremos a
fazer discos, muito por respeito de uns para os outros, mas também para
justificar esse incrível presente (o sucesso) que nos foi dado.

P: Já houve momentos em que a banda quase terminou?

R: A cada álbum. Para mim, ser parte de uma banda significa partir e
retornar continuamente. É como uma discussão entre amantes - muito intensa e
apaixonada. Primeiro de tudo, nós não fazemos concessões no nosso trabalho
(nós brigamos pelo que acreditamos); e às vezes nossos egos levam a melhor.
Você pensaria que nossos egos são inflados extraordinariamente. O meu ego
explode, ou mesmo implode... Por que, depois de adulto, você ainda ia querer
se chatear com todo o stress e discussões que acontecem por estar em uma
banda? Boa pergunta. Quanto mais nós amadurecemos, mais tendemos a evitar
conflitos. Nós queremos ser nossos próprios mestres. Eu acredito que Sting
disse “uma banda é como uma gangue. Mais cedo ou mais tarde você cai fora
dela.” Mas quando eu olho ao meu redor, eu me pergunto: é realmente mais
adulto ser um gerente comandando empregados em algum lugar? Essa é a
evolução adequada? Eu não tenho certeza. Eu me sinto desconfortável (e até
desconfiado) com muitos elogios. Eu venho de Dublin, e por lá as pessoas não
têm medo de confrontar você com a verdade. Em Los Angeles todo mundo me diz
“eu adorei seu último álbum. É o melhor que vocês já fizeram.” Em Dublin,
por outro lado, um motorista de táxi não vai se conter. Ele dirá “parece
merda pra mim.”

P: Existem períodos em que vocês não querem nem se ver?

R.: Sim, já houve períodos em que nós não queríamos nos ver, particularmente
ao final de uma sessão de gravação. Eu sou normalmente o culpado. Eu sou um
músico frustrado. Eu acordo com melodias na minha cabeça, mas minhas
habilidades com os instrumentos são limitadas. Então eu dependo dos outros e
eu fico irritado com eles um pouco demais. O U2 é uma democracia, mas a
maneira como trabalhamos é incrivelmente difícil - muito demorada e
dolorosa. Mas é uma dor que eu jamais negociaria. The Edge é muito
inteligente. Ele é o cientista da banda. Na minha opinião ele reinventou a
guitarra completamente, ma essa é uma declaração muito clara por si só. Adam
(Clayton, o baixista) é o nosso monge. E como todos sabem, ele já viveu o
estereótipo do estilo de vida rock and roll - e isso quase o matou. Agora,
ele leva uma existência pacífica. Já Larry (Mullen, o baterista) é o membro
mais reservado da banda.

P: Os críticos provavelmente vão comentar que o álbum novo de vocês marca um
retorno às origens. Vocês decidiram que era tempo de gravar como uma banda
de verdade, ao vivo no estúdio?

R: Com certeza. Nesse álbum a coisa mais importante são as canções. Nós
criamos uma certa química quando tocamos juntos na mesma sala. Uma banda
como o U2 não se apoia nas suas habilidades técnicas (para criar boas
canções). O segredo da química humana, contudo, é que você tem que esperar
pelo momento perfeito para que ele aconteça. Quincy Jones disse que gravar
(música) é como esperar por Deus para que ele apareça no estúdio.

P: É importante para vocês mostrar uma mensagem positiva no novo álbum como
vocês já fizeram no passado?

R: A coisa mais importante é ser original. É muito mais difícil ser positivo
do que negativo. Através dos últimos anos o rock and roll evoluiu para um
estado miserável. A música perdeu sua habilidade de fazer você querer sair
da cama de manhã – de preferência você se esconde. Parece que as pessoas se
tornaram mais moderadas (no seus pensamentos). Nos anos 80 as coisas eram
muito maniqueístas: os bons de um lado, os maus do outro – as injustiças do
mundo pareciam claras. Nós estávamos primariamente preocupados em escrever
canções sobre a escuridão do mundo. E nossas músicas eram muito mais
moralistas (do que são hoje). Eu nunca gostei de nossa música nesse período
realmente. Outro dia, Edge me forçou a ouvir o Best of 80-90. Inicialmente
eu disse a ele: “Eu não posso! Eu canto como uma garota.” Então eu me dei
conta de que aquelas canções ingênuas e desajeitadas eram corajosas e tinham
uma qualidade especial que é muito difícil de atingir. (Aquela qualidade
especial) era tudo o que tínhamos. Os outros grupos tinham roupas e cortes
de cabelo legais, nós só tínhamos a nossa paixão. Aquela paixão é o que eu
queria recriar em All That You Can´t Leave Behind. Nos anos 90, nós
começamos a explorar tópicos mais abstratos, como ego e hipocrisia. Eu criei
uma caricatura de um pop star (para ajudar na exploração). Os anos 90 foram
a época das supermodelos e supergrupos. Puro marketing. A pergunta que nós
colocamos era: O que Andy Warhol ou Salvador Dali tocariam se eles se
apresentassem no palco? Mas esse tempo já passou... Os tempos mudaram. As
pessoas não estão interessadas em problemas ou ironia. Pessoas que eu
conheço em pubs estão interessadas em uma aproximação mais direta com a
música.

P: Vocês pensaram em solicitar outros produtores com quem trabalhar?

R: Moby queria trabalhar comigo, mas eu não estava disponível. No passado
trabalhamos com Nellee Hooper. Eu sempre quis incrementar meu guarda-roupa
(risos). Nós continuaremos a trabalhar com outros produtores, mas para esse
álbum nós não queríamos nos explicar em detalhes. Daniel Lanois e Brian Eno
já são, até certo ponto, parte da banda. Eles nos entendem instintivamente.
Nós não precisamos explicar nada para eles.

P: Como você se sente quando termina de gravar um álbum?

R: Normalmente, eu sinto desespero. Tudo o que eu ouço são os erros que
cometi. Com esse álbum, no entanto, eu sinto um certo alívio porque nós
concluímos as músicas. Boas ou más, nós as concluímos.

*** continua ***

followerU2
13/08/2003, 00h21
2a.parte:

P: Depois de tantos álbuns, é mais fácil ou mais difícil gravar seus discos?

R: Tem se tornado cada vez mais difícil. Em qualquer situação, fazer algo
brilhante envolve o impossível. Você tem que desafiar a si mesmo. Hoje nosso
desafio é igualar o brilho de "Bridge Over Troubled Water" ou "Hurricane".
Escrever canções com boas melodias, que as pessoas possam cantarolar e usar
palavras simples - palavras que descrevam o que preocupa as pessoas na sua
vida cotidiana. Essas novas melodias não podem ser encontradas ou criadas em
um computador.

P: Vocês se sentem ameaçados por outras bandas?

R: Tem acontecido, mas nós estamos nessa corrida há muito tempo. Elas (as
outras bandas) acabarão desaparecendo. Eles bebem demais, destroem a si
mesmos, etc. Nós seremos os últimos a manter nossas cabeças no lugar
(risos). Nirvana, Radiohead, Oasis, realmente elevaram os padrões da música
de seu tempo. Eles nos inspiraram e nos forneceram o incentivo para fazer
músicas novas...Uma das características do rock and roll e sua habilidade de
transportar você, de te dar coragem para largar um emprego ruim, para
começar uma baderna, para fazer amor, para telefonar para a sua mãe, para
matar o seu pai! Radiohead meio que evoca Mahler (um compositor): a música
deles é muito profunda. E Thom Yorke tem um falsetto brilhante, que eu gosto
de ouvir no rádio. Vai se infiltrar nas paradas.

P: Como ser ícones de 40 anos de idade para a geração mais jovem afeta
vocês?

R.: Nós nunca nos sobressaímos no papel de astros pop, nem mesmo como uma
banda de rock and roll. Na minha opinião o U2 é simplesmente a banda folk
mais barulhenta do mundo! A única diferença significativa entre um astro
folk e um astro pop é que o segundo tem sua música tocada no rádio. Mas nós
queremos mesmo que a nossa música seja ouvida no rádio. Eu não sei por
quanto tempo isso vai durar. Se nós fossemos escritores, produtores ou
poetas nós seríamos vistos como estando no estágio inicial de nossa arte.

P: Você gosta de ser tão famoso?

R: O sucesso pode corromper uma pessoa, e eu tenho certeza que eu não
escapei completamente. Mas viver em Dublin ajuda a me manter preso à Terra.
Ser uma celebridade é um pouco estúpido. A percepção (de ser um astro do
rock) é tão diferente da realidade. Na verdade, nós, os astros pop somos
egoístas e filhos da puta. A idéia de que alguém nos poria num pedestal - e
não mães, enfermeiras, bombeiros e outros - me faz rir. Todo os mundo se dá
conta de quão injusto isso é. Só a música deveria contar. As pessoas dão
atenção demais aqueles que as criam.

P: Que tipo de efeito tem sobre você ser considerado um deus vivo por alguns
de seus fãs ?

R: "Beba, porque é meu sangue." Eu acho que nossos fãs são muito
inteligentes. Se eu tentasse dizer a eles em quem votar eles não me
seguiriam cegamente.

P: Você alguma vez já foi incomodado por fãs perturbados?

R: Algumas vezes as pessoas tentam enviar mensagens de Deus para mim. Eu sou
obrigado a dizer a elas "Mas sou eu, Deus! Para que desperdiçar meu tempo?"
Uma vez eu encontrei alguém que pretendia morrer no meu jardim. "Ei, você
poderia fazer isso em outro lugar? Minhas crianças podem encontrar você."
Houve também uma pessoa no meu portão que declarou "Eu sou o anjo da morte."
Minha mulher estava enfezada. Ela disse para ele, "Muito bem. Você poderia
voltar daqui a, digamos, 40 anos?"

P: Como você, John Lennon escrevia música com a idéia de enviar uma
mensagem espiritual. Você sente alguma afinidade com ele?

R: Nós nunca fomos hippies. A idéia dos anos 60 de Paz e Amor não é a nossa.
Tudo o que você precisa é amor? Tudo o que você precisa é comida no seu
prato. Mas o que John Lennon me ensinou é a simplicidade e a habilidade de
me atirar na água, de ousar arriscar...

P: Você acha que a música pop é a midia ideal para levar uma mensagem
espiritual?

R: A ironia é que o rock and roll supostamente não tem nenhum tabu. Vá em
frente! Defeque na mesa! Detone os seu quarto de hotel! O empresário ou a
gravadora encorajam você a fazer isso, é o que vende discos. Mas falar sobre
espiritualidade, isso é proibido. Fé é um assunto completamente tabu. Mas é,
no entanto, o que interessa às pessoas. Quantos mais velhas as pessoas
ficam, mais preocupadas elas ficam com essas questões. Se Deus existe, é um
negócio sério. E se Ele não existe, nós temos um problema ainda maior.

followerU2
13/08/2003, 00h30
3a. e última parte:

P: Em "Peace on Earth" você parece se dirigir a Deus. Você é católico,
budista, protestante?

R: Primeiro de tudo, eu tenho que dizer que qualquer um que ouse chamar uma
canção de Peace on Earth merece ser esbofeteado...Eu a escrevi do dia em que
uma bomba explodiu em uma pequena vila na Irlanda. Essa bomba não só
destruiu vidas humanas mas praticamente destruiu o processo de paz. É
difícil explicar a importância desse acontecimento para alguém que não vice
na Irlanda. Às 6 horas da tarde, quando o rádio anunciou as mortes, as
pessoas começaram a chorar por toda a parte na Irlanda. Pessoas pararam nos
acostamentos das estradas para soluçar sobre o volante de seus carros. Foi
um drama real, compartilhado. . As palavras "Peace on Earth" ("Paz na
Terra") no cântico de natal nunca soaram tão amargas e insinceras. Além de
ter se perdido vidas, muitas pessoas perderam sua fé. Nessas horas eu fico
com raiva de Deus. Dito isso, eu reconheço o quão clichê é usar raiva de
Deus como uma desculpa para canções pobres! As pessoas podem ser realmente
más, mas ainda é Deus que será considerado culpado. É ridículo culpar Deus
pelo estado de coisas no mundo. Existe dinheiro e comida suficientes nesse
mundo para todos...

P: Você já teve medo de dar muita lição de moral em suas músicas?

R: Não. Simplesmente usar o nome de Deus imediatamente faz as pessoas
assumirem que você está tentando se passar por pregador. O que estou fazendo
é tirar sarro disso. Como compositor, eu sou ligeiramente afetado pela
Síndrome de Tourette. Se um assunto é tabu, é exatamente do que eu quero me
aproximar em minhas músicas. Por muito tempo eu me dei conta de que toda a
música que eu gostava - Bob Dylan, Patti Smith, Bob Marley, Marvin Gaye -
evocavam Deus. Outra música nunca realmente me chamou a atenção.

P: Conte-nos sobre sua aventura com a política.

R.: Eu sou um roqueiro mimado. A mim é permitido fazer coisas que outros não
podem - então eu as faço. È provavelmente uma maneira de me rebelar contra
minha criação católica. Eu sempre retorno às idéias das nossas raízes do
punk rock´n´roll - essa idéia de que música pode mudar o mundo ... ou pelo
menos seu próprio universo. Nós crescemos ouvindo The Clash, e estamos
convencidos de que artistas são os os novos políticos. Outra razão para
minha participação é ligada à minha nacionalidade. Na Irlanda, arte e
política têm sido sempre dependentes. Mas os políticos não sonham com um
mundo melhor, então é nossa tarefa fazer isso por eles.

P: Ainda existe uma cena musical na Irlanda?

R: Eu realmente não posso dizer que existe uma cena de rock´n´roll. É mais
como uma cena de dance - mas existem algumas bandas emocionantes como JJ72 e
The Punk Chicks, três garotas de 17 anos...

P: A sua gravadora foi recentemente adquirida pela Universal. A indústria
musical inteira parece de alguma forma obsoleta à luz da criação e
popularidade da internet. Vocês têm planos de vender seus discos só pela
internet, como o Prince faz?

R: Você sabe quantos álbuns ele vende? Ele é um dos grandes gênios da música
pop - um cara à altura de Duke Ellington - entretanto seu último álbum
vendeu apenas três mil cópias. Então eu não quero seguir a mesma estrada. Eu
sou adulto, eu entendo os conceitos e importância de promoção, distribuição
e marketing.

P: As pessoas entenderam sobre o que era o Net Aid?

R: Eu mesmo não entendo realmente. Nós todos imaginávamos o que estava
acontecendo. Mas para ser justo, só durou um dia. Aconteceu em um estádio
imenso em New Jersey. No começo não havia absolutamente ninguém na platéia.
Eu nunca tinha visto um lugar tão vazio assim antes. Wyclef Jean dos Fugees
tentou me garantir "o pessoal não vem antes das 10 horas". Me pediram para
tocar no começo do show. Eu acho que toquei "One" na frente de uma só
pessoa.

P: Como é que você reage às pessoas que pirateiam sua música?

R: Isso não me incomoda . Hoje, quando cheguei na França, uma pessoa veio
até mim no aeroporto e disse "Hey Bono, ouça isso" Ele me passou os fones de
ouvido de seu walkman - era "Beautiful Day", o primeiro single do novo
álbum. A música tinha sido gravada da internet. Ele me disse que levou 15
minutos para fazê-lo, o que definitivamente é mais rápido do que ir a uma
loja de discos. Enquanto ninguém estiver ganhando dinheiro com isso, sou
completamente a favor. O U2 sempre encorajou as gravações de bootlegs. A
meta de qualquer artista é que as pessoas ouçam sua música. Antes havia só o
rádio e os shows; agora existe também a internet. É uma coisa legal.



Era isso. Espero que alguns apreciem. :)

Maria Teresa

martin mcfly
13/08/2003, 02h28
curti follower..tem mais ai..?ehe B)

Yun
13/08/2003, 02h41
Na falta de novos assuntos, achei que podia ser interessante reciclar algumas traduções de entrevistas e artigos que fiz para a extinta South Zoo.
O que era South Zoo?

followerU2
13/08/2003, 09h26
Yun, South Zoo era duas coisas, uma lista de discussão sobre o U2 (que acho que ainda existe) e um e-zine semanal enviado para a lista, onde publicávamos notícias, artigos e comentários sobre a banda. Acabou porque, basicamente, as pessoas envolvidas não tinham mais tempo pra continuar com esse trabalho.

Maria Teresa

juliano
13/08/2003, 09h38
Legal, principalmente a parte q fala das musicas pela net..hehehehe. :)

Juliano

GikahVox
13/08/2003, 10h42
Nossa Maria Teresa....
Adorei!!!!! ;)
Principalmente a parte dos fãs perturbados...hahahaha :ROTFLOL:
Não sabia que a Ali era bocuda..haha :huh:
Beijo do Bono.
Hasta.

followerU2
13/08/2003, 14h06
curti follower..tem mais ai..?ehe B)
Legal martin...tem algumas cositas más sim ;)

Essa entrevista foi publicada no dia do lançamento do ATYCLB, perceberam? Acho legal pra ver como eles se sentiam na época, as expectativas sobre o então novo disco e talz....quer dizer, mais como o boca grande do Bono se sentia, hehe


:)
Maria Teresa

Bernadette
13/08/2003, 16h30
Super legal Maria Teresa :D !!!!
Eu acho que já li parte dessa entrevista em algum lugar, porque ela me parece familiar, foi ótimo ler inteirinha.
Sugestão: o que você acha de continuar botando entrevistas novas e antigas aqui nesse tópico? Eu particularmente adoro ler essas entrevistas.
Só mais um detalhe, a gente estava discutindo o complexo de Deus do Bono e toda a sua arrogância, mas vocês não acham que nessa entrevista ele estava bastante, digamos, pé no chão?! Eu já li outras entrevistas em que ele também estava assim, suas respostas eram interessantes e coerentes, bem diferente o estereótipo de um rockstar.

Bruna
13/08/2003, 16h41
Principalmente a parte dos fãs perturbados...hahahaha :ROTFLOL:
Não sabia que a Ali era bocuda..haha :huh:


hahahaha :ROTFLOL:
"Voltar daqui a 40 anos" foi ótimo!

alison
13/08/2003, 23h35
ahahaha!
é o jeito ne? imaginem um bando de malucos invadindo a sua casa!!! tem q levar na brincadeira, no minimo! a ali tem razao em ficar com raiva!
mas q foi otima, foi!! :lol:

alison
13/08/2003, 23h38
por falar em entrevistas, alguem sabe onde eu acho mais algumas em portugues (nao saber ingles e um saco!!)????

ah! valeu maria tereza!!!!! ;)

followerU2
14/08/2003, 00h20
alison, confere a seção Artigos no site da UV, tem alguma coisa lá.

Bom, já que o feedback tem sido positivo, aí vai outra reprise...com certeza um dos meus artigos preferidos de todos os tempos, escrito pela cantora folk norte-americana Joan Baez (os mais antigos já devem ter ouvido falar dela). Esse texto consta de sua autobiografia, And a Voice to Sing With, e descreve o que ela sentiu ao assistir a performance do U2 no Live Aid. Ela escreveu esse artigo imediatamente após a sua apresentação no Live Aid em Nova York, enquanto assistia às outras apresentações em Londres, pela TV, em seu quarto de hotel. O link para o texto original é o seguinte:

http://www.atu2.com/news/article.src?ID=36...baez&Year=&Cat= (http://www.atu2.com/news/article.src?ID=360&Key=joan%20baez&Year=&Cat=)

Segue a versão que fiz, há uns bons dois anos atrás.

"Eu vejo um rosto que eu não reconheço na tela da TV. Deve ter vindo da Inglaterra porque o público que se agita está pontilhado de bandeiras inglesas. O vocalista, vestido de preto, tem cabelo longo e castanho, ligeiramente desarrumado. Ele está pingando de suor, e um pouco do cabelo está grudado no seu rosto, como o desenho de um mapa, fazendo com que eu queira puxar seu cabelo de volta para trás. A canção é cósmica, celestial, modulada e contínua. Ele salta no ar e pisa forte, com botas pesadas. Ele não transa com o microfone, do jeito que astros do rock fazem quando eles se dão conta de que a tecnologia torna possível a eles derramar o próprio ego sobre milhares de pessoas. Não, esse jovem leva as coisas à sério, e ele se expressa com tal ternura, suficiente para partir o meu coração. Ele chama pelo público. Eles respondem. Ele canta pequenos trechos de canções dos anos 50 e 60 na sua própria maneira distinta, e eles cantam com ele. Ele conduz um coral. Eles são o coral e estão enlevados. Eu estou imaginando tudo isso? Ë possível. O nome do grupo aparece ao lado do símbolo do Live Aid, sobreposto pela sua dança mística. U2 Ao Vivo no Estádio de Wembley. Esse é o grupo que os meus conselheiros, adolescentes de 15 anos, me recomendaram observar. Esse é o grupo que dizem que é político, até mesmo pacifista. O vocalista abre caminho em direção ao público, pulando sobre uma estreita borda de madeira, menos de um metro abaixo do palco. Ele faz gestos para a multidão, acenando para alguém na sua direção. Ele vence a altura até o fosso da orquestra e continua o seu convite, em linguagem de sinais. Finalmente uma garota é erguida completamente e passada por sobre a cerca que o separa da multidão. Ela é simplesmente passada adiante como uma oferenda. Ela agora está de pé, nos braços dele, que dança com ela. Ela está provavelmente paralisada, em estado de choque, e sua cabeça está docemente inclinada para baixo e, por alguns segundos, ele a está ninando enquanto eles dançam.

Eu não posso me lembrar de ter visto nada parecido na minha vida. Ë uma atuação, um número, mas não é um número. Ë um momento privado, aceito por 70.000 pessoas. A dança é curta, sensual e angustiantemente terna. Ele então escapa dela e é ajudado a subir para o nível logo abaixo do palco e lá ele encontra outra garota, e dança com ela do mesmo jeito. Tudo isso enquanto a percussão e a hipnótica guitarra continuam implacavelmente, liricamente, com o público agitando os braços para trás e para a frente, como parte do ritual. O vocalista então retorna para o palco e, ainda derramando suor, continua a canção. Sua voz não tem nada de especial. Ë instável e, vez por outra, falha. Mas ela é irresistível, assim como ele é irresistível. Existe alguma coisa na seriedade dele que me cativou.

Astros do rock podem parecer e ser sérios, mas normalmente é com respeito a eles mesmos, ou à versão inflada deles mesmos. Nenhum de nós, que enfrentamos 100.000 pessoas, ouvindo nossa voz (e banda) amplificada, modificada, ecoada e suavizada como veludo cósmico, pode escapar de certas ilusões engrandecidas sobre nós mesmos. Mas esse rapaz irlandês está envolto em algo mais do que mania de grandeza.

Temos que admitir, seu ego está intacto, e ele é um showman magnífico, mas existe algo mais acontecendo. E eu gostaria de saber o que é. Que eu gostaria de ser envolvida pelos braços dele, como a garota inglesa, não há dúvida. Mas se o meu instinto está certo, existe algo que nos previne de flertar com ele. Algo maior do que ele ou eu, ou nós dois juntos, ou nossa música junta. Algo a ver com política, crianças, frescor e pioneirismo. E amor.

De todas as horas do Live Aid que eu assisti ao final do dia, o ponto alto foi testemunhar a mágica do U2. Eles me emocionaram como nada mais me emocionou. Eles me tocaram com sua novidade, sua juventude e sua ternura.

Eu termino com a cerveja morna de alguém ... e fecho meus olhos. Eu vejo o pequeno mapa de cabelos grudados no rosto juvenil, imaculado, do vocalista irlandês do U2."


Lindo, não? :)

Maria Teresa

Yun
14/08/2003, 02h11
Poxa, o que essa cantora disse foi demais, muito bonito! :)

Valeu pela tradução Maria Teresa!

GikahVox
14/08/2003, 10h44
Nossa Maria Teresa...
Mais uma vez, vc mandou bem! :aprovado:
Pra quem não conhece Joan Baez, eu recomendo ouvir seu trabalho.
Minha prima tinha o cd dela, e ouvi algumas vezes...é gostoso de escutar.
Ela participou de grandes festivais como, Woodstock e Festival da Ilha de Whigt na Inglaterra.
Esse da Ilha de Whigt eu tenho em casa, e é muito louco...recomendo tb. ;)
Beijo do Bono.
Hasta.

Bernadette
15/08/2003, 15h45
Ai, o que dizer disso :wub: :wub: :wub:
Eu ouvi um CD da Joan Baez há muito tempo atrás, era de um amigo da minha prima, um quarentão idealista, super bacana e incrivelmente inteligente que adorava Bob Dylan. Eu só me lembro que achei a voz e a música dela acalentadoras. Não sei nada sobre ela.

followerU2
16/08/2003, 00h25
Bernaddete, acho que a GikahVox mencionou coisas interessantes sobre a Joan Baez...acho que ela tem mesmo uma voz muito especial e foi ativista pelos direitos humanos, com participação muito importante nos movimentos contra a guerra do Vietnam. Tem uma versão linda dela para Gracias a La Vida, de Violeta Parra. Se quiseres saber mais sobre ela, confere o site oficial dessa artista:

http://www.joanbaez.com

Bom. continuando a sessão nostalgia, aí vai algo não muito comum, uma entrevista com o Adam. Um amigo que assistiu aos shows da Elevation Tour no Canadá me trouxe alguns jornais locais quando voltou, e eu achei bem legal essa entrevista. Fiz uma versão adaptada, pegando só as coisas que ele disse. Aí vai, do jornal The Gazette, de Montreal, edição de 26 de maio de 2001.

Quando perguntado sobre Deus e espiritualidade, ele comenta sobre o que Bono
disse sobre a Elevation Tour, ou seja, God is in the house:

“Eu quase não sei o que é...mas com certeza eu sei quando ele está lá. Não
acontece toda a noite, mas em algumas noites existe um sentido de comunidade
e companheirismo. E as pessoas dizem que existe um aspecto espiritual para o
que está acontecendo na casa.”

Adam diz que esses shows em arenas são alguns dos melhores que o U2 já fez.
Em estádios se perde “a luz e a sombra, a sutileza das canções. Você tem que
trabalhar num nível diferente.”

Ainda sobre o tema arenas versus estádios (para quem pode escolher, não é
bem o nosso caso) ele fala sobre a Popmart:

“Aquela turnê Popmart foi magnífica em muitos níveis, mas eu acho que
cometemos alguns erros ao longo do caminho. Eu acho que a gente devia ter
melhor conhecimento. Mas não demos tempo suficiente para que as pessoas
conhecessem o disco (Pop). E nós não o apresentamos para as pessoas do mesmo
jeito quer fizemos com esse disco.”

Mais adiante ele comenta sobre o sucesso da banda com esse novo disco e a
própria celebridade:

“Muito poucas mudanças. Eu acho que o que mudou nesses 15 anos (desde o
primeiro show no Forum, em Montreal) é que nos tornamos ainda mais
celebridades.”

Sobre Bono e seu envolvimento na campanha Drop the Debt, para o perdão das
dívidas dos países mais pobres, ele fala:

“Ele era o homem certo para a campanha Drop the Debt. Uma idéia clara sobre
o valor de sua fama, mas ele também é muito bom em analisar a situação e
então dizer ‘Porque não podemos fazer isso?’ e ir até lá e batalhar com os
políticos.”

A melhor parte é quando ele fala um pouco sobre a rotina da turnê, festas e
também sobre sua mudança de hábitos, inclusive parando de beber:

“Estar em turnê hoje em dia...você sabe que não quer ficar acordado até as 4
horas da manhã bebendo. E soa meio chato mas você realmente faz muito melhor
uso do dia se você não fica acordado até as 4 da madrugada. E existem tantas
cidades onde você pode fazer isso, de qualquer maneira. Eu perdi essa
batalha em particular. Eu acho que quando você entra nesse ciclo de festas –
e quando você está numa banda você pode fazer festa muito mais do que
qualquer um de sua geração. Para começar, você necessariamente não precisa
levantar e ir para o trabalho cedo de manhã. As pessoas vão garantir que
você faça o que você tem que fazer no dia seguinte.” A decisão de mudar de
vida “tipo me trouxe de volta para a Terra e agora, tendo passado por tudo
isso, eu definitivamente prefiro desse jeito. Eu me sinto muito mais focado,
muito mais...útil.”

Mas e quanto aos outros? Essa mudança não atrapalha?

“Não, além disso eu acho que qualquer coisa que eles viessem a fazer hoje em
dia”, ele diz, rindo, “nunca poderia ser tão ruim quanto o que eu já fiz
para mim mesmo.”

Alguns de seus comentários sobre a Elevation Tour e a decisão pela general
admission também nos Estados Unidos (os nossos ingressos de pista):

“Sabe, o que nós queriamos mesmo fazer quando falávamos sobre essa turnê e
sobre tocar em locais fechados era sentir novamente o contato com os fãs,
coisa que nós meio que perdemos nos últimos 10 anos, fazendo shows em
estádios. Enquanto que na Europa muitos shows em estádios não têm assentos,
nos Estados Unidos shows em estádios são com lugares marcados. E você não vê
necessariamente os fãs mais entusiasmados na primeira fila, você vê as
pessoas que compraram aqueles lugares.” Com seus cartões American Express?
“Sim, exatamente.”

:)
Maria Teresa

followerU2
29/08/2003, 00h47
Bom, já que se fala mais uma vez em Bono para o Nobel da Paz aí vai mais um texto que traduzi há um tempo atrás, o discurso que ele fez em uma cerimônia de formatura de Harvard em 2001.

Ele compareceu super à vontade, como sempre, usando um boné camuflado e seus tradicionais óculos, sobre os quais ele disse "esses não são óculos de sol, são proteção".

Seu discurso foi ao mesmo tempo leve e bem humorado, mas também tocou direto
na questão do perdão das dívidas dos países mais pobres do mundo, causa pela
qual ele vem lutando, incansavelmente, há um bom tempo, juntamente com
outros artistas como Bob Geldof e Thom Yorke, do Radiohead e mesmo
economistas de Harvard como Jeffrey Sachs.

Desse discurso, selecionamos um trecho onde ela cita alguns exemplos sobre o
que tem sido feito com os US$ 435 milhões perdoados pelos Estados Unidos,
graças à campanha da organização Jubilee 2000/Drop the Debt, para a qual ele
empresta a sua voz. Com a palavra, Bono.

"Bem, até agora, 23 dos países mais pobres conseguiram se enquadrar nas
condições, às vezes super rigorosas, para conseguir que os pagamentos de
suas dívidas sejam reduzidos, e para gastar o dinheiro com a população mais
necessitada. Em Uganda duas vezes mais crianças agora estão frequentando a
escola. Isso é bom. Em Moçambique os pagamentos da dívida reduziram em 42% ,
permitindo incrementar os investimentos em saúde em US$ 14 milhões. Isso
também é bom. US$ 14 milhões em Moçambique podem ir muito longe.

Se eu pudesse contar para vocês sobre um homem admirável do interior de
Uganda chamado Dr. Kabira...Em 1999 o sarampo, uma doença de que quase não
se houve mais falar nos Estados Unidos, matou centenas de crianças na região
do Dr. Kabira. Agora, graças ao alívio da dívida, ele conseguiu do Estado
US$ 6 mil adicionais, suficientes para empregar dois (duas) novos(as)
enfermeiros(as) e comprar duas bicicletas novas, para que eles(as) possam
rodar pelo distrito, vacinando crianças. O ano passado o sarampo foi um
exterminador. Esse ano Dr. Kabira viu menos de 10 casos.

Eu só queria que vocês soubessem que nós fomos bem sucedidos com a ajuda de
Harvard, com a ajuda de gente como Jeffrey Sachs. Mas eu não estou aqui para
me gabar, ou levar os créditos, ou mesmo dividi-los. Por que eu estou aqui?

Bem, de novo eu acho que é só para dizer obrigado. Mas também eu acho que
vim aqui para pedir a ajuda de vocês. Esse é um problema enorme. Nós
precisamos de gente inteligente trabalhando nisso. Eu acho que esse será o
momento definitivo de nossa era. Quando os livros de história (que alguns de
vocês escreverão) registrarem os nossos tempos, esse momento será lembrado
por duas coisas: a Internet e o holocausto diário que é a África. 20 milhões
de soropositivos que deixarão para trás 40 milhões de órfãos da AIDS em
2010. Essa é a maior ameaça à saúde desde que a peste bubônica dizimou um
terço da Europa.

É um problema insustentável para a África e, a menos que selemos
hermeticamente o continente e fechemos nossas consciências, é um problema
insustentável para o mundo. Mas é difícil fazer disso uma causa popular
porque é difícil fazê-la pop, sabem? Isso, eu acho, é o que estou tentando
fazer. Pop é frequentemente o oxigênio da política."

Ao final ele faz uma comovente exortação aos formandos, prováveis futuros
expoentes da sociedade norte-americana, lembrando-lhes do poder de
transformação em suas mãos. Ele diz:

"Quando eu era criança em Dublin, eu assisti com admiração como a América
pôs o homem na lua e pensei, uau, que loucura! Nada é impossível na América!
América, eles podem fazer qualquer coisa por lá! Nada era impossível, só a
natureza humana e ela tomou esse rumo porque foi liderada por vocês.
Isso ainda é verdadeiro? Me digam que é. É verdadeiro, não é? E se não é,
vocês, entre todas as pessoas, podem torná-lo verdadeiro novamente."

:)
Maria Teresa

Adelino
29/08/2003, 09h52
Olha, esse fórum é muito legal no todo, mas este tópico sobre velhas entrevistas, eu acho que é disparado o mais interessante.

Obrigado por estas pérolas, Maria Teresa :saúde:

Mirrorball
29/08/2003, 13h32
Realmente entrevistas são muito legais de ler. Quando eu comecei a usar a Internet em 1998, eu passava horas procurando entrevistas do U2. Era minha leitura favorita. Até hoje eu me lembro de uma entrevista do Bono durante a Popmart onde ele contava uma história de ter perdido um anel que o Edge tinha dado a ele. Aí o Edge deu outro igual e o Bono perdeu outra vez... Não sei por quê, a história ficou na minha memória.
Que venham as entrevistas! Vou ver se arrumo alguma também.

followerU2
29/08/2003, 14h04
Obrigada pelo feedback. Eu também adoro ler e, sempre que possível, traduzir entrevistas da banda e outros artigos, faz parte dos meus intermináveis estudos de inglês...é como se diz, quanto mais se faz mais experiência se ganha. :) Bom, vou continuar desovando meu estoque de assuntos mofados nesse tópico de vez em quando. ;)

Maria Teresa

Adelino
29/08/2003, 14h13
Bom, vou continuar desovando meu estoque de assuntos mofados nesse tópico de vez em quando. ;)

oooooooooooooba!!!!!!!! :lol:

alison
29/08/2003, 22h58
que bom q vc traduziu o discurso dele!! eu vi e fiquei TENTANDO entender uma palavra ou duas!! :P acho q ta na hora de eu fazer um curso de ingles!! hehehe!
valeu de novo maria tereza!!!! ;)

Adelino
30/08/2003, 00h34
Gente, não querendo me comparar a Maria Teresa, mas eu tive a cara-de-pau de fazer um texto sobre o meu bassman preferido, Adam Clayton, juntado uma entrevista m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a que este cara incrível (e muito discreto) deu para a Bass Player, nela ele conta, entre outras, a forma como o U2 compõe, conta sobre o começo da banda e etc... quem quiser ler este texto que eu bolei é só clicar no link abaixo:

http://paginas.terra.com.br/arte/u2underco...cover/adam.html (http://paginas.terra.com.br/arte/u2undercover/adam.html)

Pra não encher demais este tópico, que é da Maria Teresa, vou só colocar um pedaço pra dar a vocês uma noção:

Em algum lugar entre Bono (a maior estrela de rock do mundo), The Edge (o guitarrista de rock mais cool do mundo) e Larry Mullen Jr. (o baterista mais malvado do mundo), encontra-se Adam Clayton. “Eu apenas mantenho a base se movendo”, costuma dizer o cortês baixista, já na casa dos 40.
Adam também gosta de ser modesto, dizendo-se um baixista correto, mas longe dos grandes nomes que povoam a cena musical. “Realmente eu me considero um afortunado apenas por estar neste clube”, costuma dizer.

;)

followerU2
30/08/2003, 01h00
Adelino, por favor, o tópico é de todos nós, todos os que tenham algo a dividir sobre a banda, ou sobre um deles apenas, como fizeste com esse texto sbre o Adam, assim o glorioso fórum da UV ficará ainda mais legal :) Cara, adorei esse texto, muito legal mesmo. Uma pena que não consegui essa edição da Bass Player, lembro que perdi a vez :(...então obrigada por trazer um pouco dessa entrevista pra nós. Aguardo ansiosa a continuação.

:)
Maria Teresa

Adelino
30/08/2003, 10h06
Ah, Maria Teresa, você é sempre muito cordial, o que me deixa feliz por fazer parte deste fórum. :saúde:

Obrigado pelo elogio, realmente esta revista (Bass Player) não é muito conhecida, a não ser pelos baixistas, como é meu caso. Eu adorei esta entrevista do Adam, principalmente porque ela mostra o quão gente-boa o cara é. Infelizmente eu acho que o Adam é o U2er menos badalado o que não é justo porque ele é um ótimo baixista, como a própria matéria diz. Algumas partes daquele texto sairam da minha cabeça, mas os dados são em 90% oriundos daquela entrevista e os outros são de matérias relacionadas, eu só dei uma enfeitada no texto para torná-lo mais agradável, porque as vezes a gente traduz uma coisa e ela fica meio ríspida demais.

Vou tentar colocar o final da entrevista ainda no começo da semana que vem, ou até antes... ;)

followerU2
01/09/2003, 00h38
Achei mais algumas palavras do Adam aqui no meu HD, dele e do Edge. São parte de uma matéria de capa da revista Revolver, edição ainda de 2000. Eles apresentam suas impressões sobre cada álbum da banda, do Boy até o Pop, muito interessante. Segue a versão que fiz:

Pride - Edge e Adam Clayton, do U2 fazem um retrospecto de duas décadas de álbuns de sucesso com pouco – ou nenhum – arrependimento

O U2 é uma das poucas bandas na história do rock a sobreviver mais de duas décadas com sua formação original e vitalidade criativa intactas. “Sabemos que é uma coisa meio estranha para estarmos fazendo a essa altura, ainda estarmos trabalhando juntos”, admite o baixista Adam Clayton. “ Mas nós todos sabemos que pertencemos a isso. Tratamos uns aos outros com respeito e generosidade, e isso funciona muito bem.”
“Nós temos sorte de termos crescido juntos e ainda existe muita confiança e amizade verdadeira entre nós, diz The Edge, o guitarrista alquimista do U2. “Eu acho que é realmente o que faz o U2 ser especial. Nós podemos não ser o melhor grupo, mas somos mais grupo do que quaisquer outros por aí, e temos sido assim já por alguns anos. Nós realmente não queremos que isso acabe. No fim, o trabalho justifica todas as dificuldades de estar em uma banda com a idade de 30 e tantos ou 40 anos. O trabalho faz valer à pena.”
O U2 construiu uma obra poderosa através dos anos, e Clayton e Edge gentilmente concordaram em comentar os 9 álbuns de estúdio que precederam All That You Can´t Leave Behind.

BOY (1980)

Clayton: Boy foi nossa primeira vez em um estúdio e foi um esforço e tanto – aprender nossos instrumentos, tentar tocar no compasso. Em retrospecto, Boy na realidade soa como um disco bem completo, e o conteúdo absolutamente representa a adolescência que era como uma parte da banda. Eu não me dei conta naquela época o quão único era esse disco.

OCTOBER (1981)

Edge: Nós fizemos Boy e partimos pra estrada – aquilo era algo pra abrir os nossos olhos de verdade, todos nós, vermos o mundo pela primeira vez. Então tivemos que voltar ao estúdio e fazer o disco número 2. Basicamente nós tínhamos 2 semanas pra criar alguma música e o Bono estava tentando trabalhar as palavras porque ele tinha perdido um monte de suas letras – alguém roubou sua maleta de um vestiário em Seattle. Ele afirma que perdeu 24 letras completas. De alguma forma eu duvido disso (risos) – foi provavelmente uns poucos rascunhos. Existe muita energia aqui – “desespero” é a palavra que me vem á mente – e um incrível sentimento de força de vontade: “Isso vai acontecer.”

WAR (1983)

Clayton: Esse foi de quando começamos a encontrar nosso lugar no espaço – era um disco sobre sermos levados a sério. “Sunday Bloody Sunday” era uma canção que precisávamos criar. Quando circulávamos pelo mundo nos perguntavam. “E sobre a guerra na Irlanda do Norte?” e nós precisávamos saber qual era nossa posição. Nós pensamos que era um assunto válido, oposto a alegre e brilhante música pop.

THE UNFORGETTABLE FIRE (1984)

Edge: Com War nós levamos nosso som para um certo lugar de onde agora queríamos voltar, um som despojado do qual já tínhamos tido o bastante. Nós queríamos algo mais atmosférico e textural. Nós pensamos sobre diferentes produtores e eu era fã do trabalho solo de Brian Eno – Before and After Science era um álbum que eu tinha ouvido bastante e nós todos adoramos seu trabalho com os Talking Heads e Bowie. Nós trouxemos Brian para Dublin e no começo você podia dizer que ele era bem descompromissado . Mas quando ele deixou Dublin, nós já o tínhamos conosco.

THE JOSHUA TREE (1987)

Clayton: De alguma forma, o que começou com War realmente se aglutinou em Joshua Tree. “Bullet the Blue Sky”, por exemplo, era o auge de nosso olhar para a cena política mais ampla. O fato de que Joshua Tree foi um grande disco pra nós é algo que eu não estou bem certo de estarmos preparados na época. Aquele foi nosso primeiro gosto de sucesso naquela escala, e o chão se moveu um pouco.

RATTLE AND HUM (1988)

Edge: Esse foi concebido como um álbum de recortes, uma lembrança daquele tempo passado na América durante a turnê do Joshua Tree. Mudou quando o filme, que originalmente foi concebido pra ser de baixo orçamento, de repente se tornou um grande produto de Hollywood. Isso legou uma ênfase diferente para o álbum, que sofreu com a enorme promoção e publicidade, e as pessoas reagiram contra isso.

ACHTUNG BABY (1991)

Edge: Nós estávamos ouvindo um monte de música industrial e techno dance pesado. Ir para Berlim era importante – o muro tinha caído, e a mudança estava no ar. Foi um disco difícil de fazer porque não havia completa concordãncia dentro do grupo sobre que direção nosso som deveria tomar. Bono e eu estávamos escrevendo por nossa conta, e Adam e Larry não tinham certeza sobre o que estávamos fazendo. Isso até que o Brian chegou e foi bem positivo porque todos começaram a perseguir o que nós queríamos.

ZOOROPA (1993)

Edge: Zooropa foi inspirado na Zoo TV, a experiência de levar o show de Achtung Baby pelo mundo. Nós tivemos algum tempo de folga e pensamos em fazer um EP. Mas logo nós tínhamos um monte de coisas com as quais estávamos entusiasmados, e dissemos “Talvez esse pudesse ser um disco completo” . Nós voltamos pra estrada antes de terminá-lo, e talvez nos últimos 10 dias de trabalho nós tivemos que fazer shows na Europa, então voar de volta para Dublin à 1 ou 2 da manhã, ir direto para o estúdio e trabalhar até às 5 ou 6 da manhã. Então íamos pra casa, dormíamos até às 2 da tarde, levantávamos, íamos para o aeroporto e voávamos para outro show. Era coisa de maluco. Mas quando terminamos, pareceu como tempo roubado.

POP (1997)

Edge: Num determinado ponto nós tínhamos planos de fazer um álbum dance de verdade. Mas no meio do caminho nós descobrimos que o que faltava era um sentido de banda. Então, no meio da correnteza, nós mudamos de direção. Quando ele foi lançado ficou essa sensação de “Mas o que esse caras estão fazendo?”

Clayton: Eu pensei que tínhamos um disco com músicas bem extraordinárias, mas eu aceito que muita gente não entendeu. O que eu posso dizer? Nós cometemos um erro. Mas pleo menos foi um erro bem grande!”

:)
Maria Teresa

Mirrorball
01/09/2003, 12h11
Como eles podem dizer que o Pop foi um erro?! É um álbum maravilhoso. Só porque não foi recebido bem pelos americanos, não quer dizer que foi um erro. E a Elevation Tour, porque os 35938584 shows nos Estados Unidos lotaram, foi um sucesso... Fico mais com a Popmart, que passou por aqui, e era melhor no geral. Eis uma coisa que me irrita no U2. Se os americanos gostam de uma coisa, ela é boa.
O resto da entrevista é legal. :)

juliano
01/09/2003, 18h04
Concordo com o U2....o Pop foi um erro, e é uma porcaria. A turne Pop Mart não, apesar de tocar umas 7 musicas daquele album chato a turne foi muito boa. Agora a Elevation tour achei melhor ainda pq o album é excelente.

Juliano :cerveja:

followerU2
01/09/2003, 19h43
É uma pena que penses assim Juliano. Apesar daquele velho ditado "gosto é gosto e não se discute", quando chamas algo que outros amam de porcaria podes, mesmo que seja sem querer, ferir os sentimentos das pessoas. Pessoalmente adoro Pop, acho um álbum inovador, criativo, de sonoridades ousadas e algumas letras amargas que cortam como faca. Pro meu gosto é ótimo, mas não pretendo obrigar ninguém a gostar dele. Talvez eu tenha a sorte de gostar de todos os álbuns, cada um a seu modo.

Não concordo com o que o Adam falou nessa entrevista para a Revolver, nem com o que o Larry falou um pouco mais tarde, para a Q magazine, porém acho que se alguém tem o direito de considerá-lo um erro são eles mesmos, e temos que respeitar isso. Uma pena que muito dessa idéia que eles têm de o Pop ser um "erro" vem do pouco sucesso do álbum e turnê nos Estados Unidos, como bem lembrou a Carol. Eles foram, são e serão sempre muito suscetíveis a isso, infelizmente, e acabam esquecendo que nos confins do mundo, the so-called rest of the world, ou resto do mundo, muita gente amou o álbum e mais ainda a turnê que eles tiveram a ousadia de trazer até nós, ousadia que eles parecem ter guardado na gaveta ultimamente, e com isso deixando a gente pra trás.

Meus 2 cents.
Maria Teresa

juliano
02/09/2003, 09h14
quando chamas algo que outros amam de porcaria podes, mesmo que seja sem querer, ferir os sentimentos das pessoas.
Me desculpe, nunca mais chamo o Pop de porcaria.

Juliano :cerveja:

followerU2
02/09/2003, 09h49
Me desculpe, nunca mais chamo o Pop de porcaria.
No problema Juliano, só acho que essa palavra não se aplica a nada que o U2 fez até hoje, na minha opinião. Mesmo seus trabalhos mais criticados, como o Rattle and Hum (equivocadamente acusado de ser americano demais) ou o Pop (erroneamente acusado de ser dance demais) ainda estão anos luz à frente de quaisquer outros trabalhos de outras tantas bandas por aí. O grande lance é que temos uma gama imensa de pérolas pra curtir, e cada um pode escolher aquela que gosta mais.

:)
Maria Teresa

Cristina Cruz
02/09/2003, 16h23
Sim, o pior deles (que eu não sei bem o que é..) está sempre a quilómetros luz do melhor dos outros!!! :pulando: :aprovado:

Mirrorball
02/09/2003, 20h09
Olha, até tem uns B-sides de gosto meio duvidoso, mas certamente nenhuma faixa do Pop é fraca. Please pode não ser a minha música preferida mas não é ruim. Eis um álbum bom e muito subestimado, inclusive por quem o compôs.
A Lemon e eu estávamos falando ontem de madrugada sobre como seria legal ter o Pop em vinil. Se ao menos conseguíssemos achar por um bom preço... LPs são tão lindos. CDs são práticos, mas nada supera a capa e o encarte de discos de vinil.

followerU2
05/09/2003, 00h26
Bom, pra isso não virar mais uma daquelas discussões infinitas sobre o Pop vamos voltar no tempo um pouco. Esse próximo trabalho deu, well, bastante trabalho na época em que fiz mas valeu à pena.

BONO E SUA CARTA VISIONÁRIA

O livro At The End of The World escrito por Bill Flanagan é, na opinião de
muitos, inclusive a minha, o melhor livro sobre o U2 até hoje escrito. O
autor, jornalista especializado do mundo da música, editor da revista
norte-americana Musician, acompanhou a banda desde 1990, durante toda a
criação do Achtung Baby, até o final da ZOO TV, em 1994. Em seu último
capítulo, encontramos a transcrição de uma carta que o Bono mandou para o
seu pai, Bob Hewson, durante uma das primeiras turnês do U2 pela
Grã-Bretanha. Mr. Hewson não soube precisar a data, mas comenta que a carta
é "de quando eles começaram" . Já naquela época o jovem Paul, assim chamado
até hoje por seu pai, vislumbrava um futuro de glórias e trabalho duro. Ele
fala do amor a Deus e às suas raízes, de perguntas e respostas e da crença
inabalável no valor do U2.

Segue essa versão em português, o texto original encontra-se nas páginas
522 a 524, para quem quiser conferir.

"Quando o U2 começou, quatro adolescentes que mal podiam cantar ou tocar,
eles achavam que seriam uma famosa banda de rock, na tradição dos Beatles,
Stones e The Who. Eles pensavam dessa forma, indo contra as probabilidades
absurdas e evidências esmagadoras que diziam o contrário. E eles estavam
certos. Eles acreditaram e sua crença foi recompensada várias vezes. Porque
eles parariam de acreditar agora?

Eu falei com o pai do Bono sobre esse lado do filho que ele se recusa a
chamar de Bono, e um verdadeiro orgulho paterno começou a aflorar na face
endurecida do velho dublinense.

"Eu me lembro de um dia em que eu disse para ele claramente, ‘Eu espero que
você compreenda que isso pode ser muito passageiro. Em seis meses você pode
ser esquecido. De tudo o que eu sei sobre o rock e a indústria do
entretenimento, é isso o que acontece. Você está por cima e amanhã você já
era.’ Ele me disse, "Pai, se isso acontecesse com a gente eu aceitaria
totalmente. Eu estou preparado." "Agora se ele está preparado ou não, eu não
sei. Acho que houve uma mudança nos últimos anos. Eu me lembro quando eles
começaram...Eu podia te dar uma idéia, eu tenho uma carta que ele me
escreveu."

E com isso, Bob Hewson saiu a procurar por algo que ele vinha guardando
desde 1980. Ele vasculhou suas coisas por algum tempo e voltou para a sala
com uma carta manuscrita, de várias páginas, num envelope amarelo. Ele
sentou-se novamente na sua cadeira e desdobrou a carta com tanto cuidado
que, se não fosse seu tipo rústico, podia quase ser chamado de sentimental.

"Isso é de quando eles começaram", ele explicou. "Muito cedo. Isso pode te
dar uma boa percepção. Ele nem sabe que eu tenho o diabo dessa carta."

"Oi pai...
Essa carta é só para você saber que seu filho vai bem e pelo menos aprendeu
a escrever cartas na escola. Eu comecei essa carta em um hotel em
Birmingham. É meio bagunçado. È difícil saber porque as pessoas iam querer
viver num lugar como esse. Mesmo as casas parecem pequenas latas de
biscoito. De qualquer maneira, nós estamos aqui, outra parada na estrada. Eu
estou esperando pelo show dessa noite, já que a turnê continua. A banda está
ficando cada vez mais ajustada. As noites no Marquee têm sido muito bem
sucedidas. A cada segunda-feira o público fica maior ainda, fato que não
acontecia no Marquee em uma noite de segunda-feira há muito tempo. Nós
tivemos que voltar para o bis três vezes na semana passada. O single vendeu
mil cópias e, pela primeira vez, nossas músicas estão tocando na Radio 1,
durante o dia. Nós temos quatro DJs nos apoiando agora. È só uma questão de
tempo. Nós também fizemos dois programas de rádio. Isso significa que nós
fomos para o estúdio da BBC e tocamos três músicas para a rádio..."

"Paul McGuinness está na América no momento, planejando nossa turnê por lá.
Nós agora temos uma agenda cheia do que nós vamos fazer no próximo ano."

Bob então sorriu e disse, "Em uma das datas aqui ele fala ’12 de Novembro –
começa a 2a parte da batalha da Grã-Bretanha." Ele vira a próxima página e
então lê, "Então como você pode ver, o que uma vez foi um sonho agora é
muito real. Mas entenda que debaixo desse brilho tem muito trabalho duro à
frente, e muita diversão, eu espero. Eu sinto falta de casa, de você, de
Alison Stewart, de salsichas e, até mesmo, das discussões esporádicas."

"Você deve estar consciente de que, no momento, três de nós são cristãos
comprometidos. O que significa oferecer cada dia a Deus, encontrar-se pela
manhã para rezar, ler, e deixar que Deus entre nas nossas vidas. Isso nos dá
força e alegria, que não depende de bebida ou drogas. Essa força será, eu
creio, o diferencial que nos levará para o topo do mundo da música. Eu
espero que as nossas vidas sejam o testemunho para aqueles que nos seguem e
para o mundo da música, onde nunca antes houve tanta gente perdida e cheia
de tristeza, juntas no mesmo lugar, fingindo que estão se divertindo. A
nossa ambição é fazer mais do que boa música."

"Eu sei que você deve achar uma ambição ridícula, porém, comparada com a
tarefa de sairmos de onde estávamos para onde estamos agora, o resto é
fácil. Sendo mais velho e mais sábio, eu sei que você deve achar difícil
aceitar o que eu estou dizendo. Mas tudo o que Deus quer é um coração
disposto, para que a gente chame por Ele. Ser jovem e encrenqueiro pode ser
uma vantagem, você começa a se questionar sobre as coisas ao redor. A Bíblia
diz ‘procure e você encontrará, bata à porta e ela se abrirá.’ Quando as
pessoas ficam velhas elas podem ficar céticas. Elas param de fazer
perguntas..."

"Eu não acho que você parou de fazer perguntas. Nem eu espero que você
acredite que eu tenha todas as respostas. Eu não tenho, e continuo cometendo
erros... Mas eu estou tentando, e Deus é grande. De qualquer maneira, como
você pode ver, eu estou me divertindo muito."


Simplesmente adoro essa carta. :amor:

:)
Maria Teresa

Mirrorball
05/09/2003, 00h47
Eu adoro tudo o que se refere ao começo de carreira do U2, mas uma carta do Bono ao pai é melhor ainda porque supõe-se que ele esteja sendo particularmente sincero.
Não vamos mencionar a parte da entrevista em que o Bill fica sabendo que o Bono disse ao pai que não traga a fumaça do cigarro... :D
Este livro é divertido do começo ao fim e realmente revela muito sobre o U2. Excelente! A tradução também, é claro.

Cris
08/09/2003, 02h28
Eu sei que estou meio atrasada pra comentar isso, mas...

Esses dias, estava tentando explicar a um amigo (que não vê nada de mais no U2) porque a banda era tão importante pra mim e porque eu considerava o Bono um vocalista único, especial. Infelizmente, acho que meu objetivo não foi atingido... Gostar de algo é antes de tudo sentir, se emocionar, e é muito difícil conseguir transformar sentimentos e sensações em palavras, explicações...

Mas a Joan Baez, naquele texto que a Maria Teresa postou aqui há algumas semanas, conseguiu isso com perfeição!!!! Esse texto é a descrição perfeita da mágica que o U2 exerce sobre seu público... Muito tempo já se passou desde o Live Aid, eles já não são mais tão jovens quanto naquela época, mas continuam com o mesmo carisma, energia, magnetismo e capacidade de emocionar que ela tão bem descreveu.

Acho que vou entregar uma cópia desse texto ao meu amigo... ;)

Adelino
08/09/2003, 12h34
Simplesmente adoro essa carta. :amor:
Eu não sei a quem devo mais agradecimentos, se ao pai do Bono (que Deus o tenha) por ter mostrado ao mundo esta preciosidade, ou se a Maria Teresa, por ter me mostrado esta carta. Um obrigado do tamanho do meu amor pelo U2 para os dois :aprovado:

Eu sempre procurei - mas nunca havia encontrado - as palavras exatas para dizer o que o U2 significa pra mim, qual a razão da minha admiração por esta banda e, é claro, pelo Bono, mas acho que minha procura terminou. Esta carta mostra, com rara beleza, a pureza dos ideais do Bono, sua integridade e retidão.

Descobri, também, que esta carta vai servir para mim, muito mais do que uma prova concreta dos motivos que me levaram a confiar nesta pessoa abençoada e nesta banda, mas também servirá como um exemplo de que podemos acreditar nos nossos sonhos sem nunca deixarmos de lado nossas raízes, nossas crenças.

É por isto que eu sempre insisto: pobres daqueles que não conhecem, ou que zombam do U2. ;) eles não sabem o que estão perdendo.

Bernadette
08/09/2003, 14h40
Puxa vida! Eu ainda estou muito longe do final do livro, mas ler isso hoje me deu ainda mais gás para continuar tropeçando no meu inglês fajuto. Muito, mas muito obrigada mesmo, Maria Teresa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! :wub:

Cristina Cruz
08/09/2003, 18h13
Obrigada Maria Teresa. Eu já li o livro faz tempo e lembro que na altura gostei muito dessa carta. Mas com o tempo já não me lembrava mais. Se a gente precisava de uma prova de que os U2 merecem toda a nossa admiração ai está ela...

Há dois episódios desse livro que eu retive e que um dia destes vou reler porque não lembro pormenores.

1. O pai do Bono falando no carácter dele e como ele em miúdo era exasperante. Um dia ele discutiu com o pai e teimou até de madrugada sobre o assunto. A mãe estava tão triste com aquilo que foi dormir.Por fim o Bono decidiu ir dormir. No dia seguinte o pai ficou feliz por ele admitir que não tinha razão. O Bono respondeu que só tinha ido dormir porque tinha sono e não porque o pai tivesse razão.

2. Uma piadinha do autor quando diz que bastou apanhar uma boleia do pai do Bono para perceber a quem o Bono sai a conduzir. Uns perigos públicos...

3. Uma história mirabulante passada em Sidney a altas horas da manhã, na famosa praia de Bondi. Depois de vários incidentes, a coisa acaba com o Bono a levar a empregada de um bar (que tinha abandonado o bar para ir com a turma do Bono) ao trabalho e a pedir ao dono do restaurante para não a despedir porque a culpa dela ter abandonado o trabalaho era dele...

Mirrorball
08/09/2003, 22h17
Eu também li o livro há muito tempo e só consigo me lembrar dos episódios menos emocionantes e mais maldosos, como a já mencionada vez em que eles nadar na praia com a garçonete (maldita seja), quando a Naomi Campbell deu de cara na porta (hahaha), o começo em que o Bono está na casa em Berlin, chegam outra pessoas e o Bono está pelado...

followerU2
12/09/2003, 21h43
Tenho vontade de traduzir essa parte do primeiro capítulo do livro, o que a Mirrorball falou, o Bono flagrado na casa de outrem, em Berlin, pelado :D De repente faço isso um dia desses, mas por enquanto segue a sessão nostalgia, túnel do tempo, etc e talz. Aí vai mais uma:

Há 23 anos, em 28 de abril de 1978, era publicada na Hot Press, a principal revista especializada em música da Irlanda, uma pequena matéria (Yep! It's U-2), escrita pelo Bill Graham, sobre uma banda de garagem que já começava a chamar a atenção, o U-2. Isso mesmo, U-2, o nome ainda era separado com hífen. O artigo tem uma certa importância histórica, por ter sido o primeiro publicado na Hot Press, e assinado pelo Bill Graham, um jornalista e crítico de música que cumpriu papel muito importante na carreira da banda. Tiramos a matéria do livro The U2 File, a Hot Press U2 History, uma das duas compilações de artigos da revista sobre a banda. A outra é o Three Chords and the Truth. Segue a nossa versão em português, com as devidas desculpas se alguma coisa não soa bem, mas achamos que a idéia principal está intacta.

Sim, é o U-2

"Outro concorrente para o título vago deixado pelos Rats (nota: Boomtown Rats, a banda do Bob Geldof) e The Radiators (nota: Radiators from Space, banda do Steve Averill, que assumiu logo em seguida o design gráfico da banda, além de sugerir o nome U2), o U-2 aparece na cena musical com alguns apoiadores altamente influentes. Com Steve Rapid agindo como mentor (embora não seja o empresário) e o interesse da CBS, a banda da zona norte (nota: zona norte de Dublin) tem feito progresso desde cedo, antes mesmo de se aventurar no já conhecido circuito de shows do centro. Seu crescimento recente em importância deve-se à vitória em um concurso de talentos da Evening Press/Harp Lager.

Normalmente, tais concursos são assunto sem importância mas Jackie Hayden da CBS foi um dos juizes e ficou suficientemente impressionado para pagar por uma curta sessão demo em Keystone, e foi aonde eu os encontrei. Eu tenho que admitir que não foi uma das sessões mais felizes, a inexperiência da banda aparecendo naquilo que se poderia chamar de um trabalho apressado. Seus primeiros números foram as últimas canções, que sofreram enquanto eles ainda estavam aprendendo a medir a eles mesmos e o estúdio. Só bem mais tarde é que o verdadeiro potencial deles veio à tona.

O U-2 descreve a si mesmo como fornecedores do pop New Wave, embora eles
sejam espertos o bastante para evitar o agora falecido rótulo power-pop. Contudo, eles também tiveram inclinações para o hard-rock, não surpreendentemente desde que eles acostumaram a se concentrar nessa música, quando eles ainda tinham o nome antigo de The Hype. A seu favor vemos que eles não disfarçam esse contexto.

A seu favor, novamente, o fato de que o U-2 é uma banda ainda jovem, eles estão no último ano da escola. Eles impressionam como indivíduos articulados, conscientes e dedicados ao trabalho, que estão preparados para ponderar os conselhos de outras pessoas, enquanto embarcam nessa vocação. Eles falam como quem pretende ser profissional, a qualidade primária na batalha pelo reconhecimento. Todas essas qualidades e a juventude deles fazem do U-2 uma banda para o futuro, com atitude para crescer e se desenvolver rapidamente.

Já que eles ainda estão estudando para o Exame de Conclusão (nota: da escola secundária), eles não estarão imediatamente disponíveis para maiores informações por mais um mês ou dois. Mas mesmo assim, eles são uma evidência animadora de que o fluxo de bandas jovens ainda não secou. Quem são os próximos? Vocês, três. (nota: vai aí obviamente um trocadilho com o nome da banda, que também pode ser entendido como Vocês, dois)"

:)
Maria Teresa

Yun
13/09/2003, 00h15
"Eu espero que as nossas vidas sejam o testemunho para aqueles que nos seguem e para o mundo da música, onde nunca antes houve tanta gente perdida e cheia de tristeza, juntas no mesmo lugar, fingindo que estão se divertindo. A nossa ambição é fazer mais do que boa música."

Esse trecho é demais. 23 anos depois ele tá aí, candidato ao Nobel da paz, hehehehe

Mirrorball
13/09/2003, 00h34
Nossa, eu entrei no site da Hotpress uma vez e depois que você se cadastra, você pode dar uma busca nos arquivos da revista. Tem cada matéria da Idade da Pedra! Uma delícia. Mas quanto ao U-2, foi o Bill que escreveu errado? Ou era assim mesmo?

followerU2
13/09/2003, 13h46
Carol, tens razão sobre o site da Hot Press, tem preciosidades arqueológicas por lá :P

Sobre a grafia "U-2", foi assim mesmo bem no comecinho da carreira deles, antes de gravar o tão sonhado single, pelo menos. Tem fotos de posters de shows no livro U2 Live que mostram isso, inclusive tem uma no link abaixo, que coloquei em outro tópico antes. Só não sei porque eles mudaram depois para "U2", mas seria interessante descobrir.

http://www.geocities.com/noodlz@sbcglobal....ertposters.html (http://www.geocities.com/noodlz@sbcglobal.net/concertposters/concertposters.html)

:)
Maria Teresa

Cristina Cruz
13/09/2003, 19h16
Vou dar palpite sobre a mudança do nome.
Uma primira razão de ordem meramente prática: U2 é mais simples de escrever, de fixar e tudo isso.
Uma razão mais filosófica, mas talvez mais improvável: se o nome U2 tem origem (segundo algumas teorias tem) no avião espião americano, que segundo sei era U-2, foi uma forma deles não estarem directamenet conotados com o avião.

A propósito, uma vez li uma frase do Bono referindo que achava que o nome U2 não era grande coisa. Eu, pessoalmente acho o contrário. Acho um óptimo nome para uma banda. É simples, conciso, fácil de decorar para quem não fala ou compreende inglês. E depois o duplo significado que a Maria Teresa já referiu. Pode ser simplesmente uma sigla ou "você também"...

Lyla Marmalade
13/09/2003, 21h11
Ô, Maria Tereza, por que parou com as entrevistas? Adorei!

Achei muito legal o que ele falou sobre mp3. Nos EUA estão processando quem compartilha músicas, se for do U2 então dá para se safar, né??!!!
:P

Mirrorball
13/09/2003, 22h58
Ô, Maria Tereza, por que parou com as entrevistas? Adorei!
Poxa vida, ela colocou uma matéria traduzida ontem! Isso é que é pressão.

followerU2
14/09/2003, 14h37
LOL Mirrorball, acho que a Lyla estava se referindo a entrevistas mesmo, não artigos ou coisas escritas por outros. Bom, tenho uma aqui no meu HD que está em português no original, já que foi uma entrevista que o Bono deu para o jornal "O Globo" em 25/11/2000, durante a U2 Week. Observem o que ele fala sobre os bootlegs. Gosto particularmente do que ele fala sobre o Pop, talvez o único que não fale do disco como um filho rejeitado, como os outros já falaram.

O Globo: Vocês pensaram em algum disco para conceber "All That You Can't Leave Behind"?

Bono: Um disco de referência para nossa volta as raízes é o "Rubber Soul", dos Beatles. É a grande influência desse disco, muito mais que nossos próprios do começo de carreira. Ao longo de toda a vida quiseimos gravar um "Álbum Branco", um disco radical, que vai em várias direçoes, muito experimental. O negócio do "Rubber Soul" são as canções, e apenas canções.

O Globo: E vocês nem pensaram no "War", "Boy" ou "October "?

Bono: Edge estava encarregado do "Best of U2", nossa coletânea dos anos 80. Ele estava remasterizando as canções. E eu nunca quis ouvir, porque não gostava do som da minha voz, tinha algumas memórias ruins de alguns daqueles discos. Eu não queria parar para ouví-los, porque nunca faço isso. E Edge me obrigou. Ele disse: "Você precisa ouvir isso". E eu transportei, fiquei muito comovido com as canções. Eu achava que tinha cantado como uma garota naqueles discos, com uma voz muito aguda. Mas foi uma alegria, um êxtase. Acho que me afetou, porque estávamos compondo na ocasião. Acho que apenas o fato de ouvir novamente os discos antigos influenciou bastante o resultado.

O Globo: Uma coisa dá para perceber é que sua voz está mais clara no novo disco ....

Bono: Sim. Algo aconteceu com minha voz. Deram-me minha voz de volta, sabia ? E sinto que estou gostando muito de cantar, pela primeira vez em muito tempo.

O Globo: Você acha que foi um erro mergulhar na música eletrônica nos dois últimos discos ?

Bono: Não, somos muito orgulhosos daqueles discos. Trabalhamos com música eletônica desde "The Unforgettable Fire", e em "Achtung Baby" e "Pop" acho que estão algumas das melhores canções da nossa carreira, em matéria de letra, de imaginação. Talvez tenhamos nos apressado um pouco para terminá-los. Os fã do U2 que dedicaram algum tempo aquelas canções gostam muito delas: canções como "Please", "Staring At The Sun"... Meu arrependimento é que pessoas não sabiam sobre o que era "Discothèque", acho que por minha culpa. É uma charada de amor: "Você pode se esticar, mas não consegue pegá-lo". Todo mundo perguntava: "Isso é sobre drogas?"

O Globo: Você concorda que o U2 estava ficando grande demais, e por isso perdeu o controle artístico sobre "Pop"?

Bono: Talvez, Você acaba ficando um pouco auto-indulgente. Mas vocês tem que perdoar alguma auto-indulgência nossa, porque é preciso ser egoísta para se fazer música. Você tem que ter direito de explorar e descobrir novas cores, novos tons. E se tudo der certo, você transforma essas descobertas em canções. Se de errado, continua sendo apenas experimentos.

O Globo: Você acha possível pôr no novo show canções esquecidas do grupo como "Gloria", "11 O'Clock Tick Tock", "Two Hearts beat as one"?

Bono: Pensamos nisso. Acho que vamos pôr algumas canções inesperadas, reavaliar todo o roteiro. Porque será uma turnê em lugares fechados.

O Globo: Vocês têm planos de gravar discos ao vivo ?

Bono: Não. Acho que discos ao vivo deveriam ser dados de graça. Deixar as pessoas gravarem seus próprios discos ao vivo. Venham pirateadores !

O Globo: Como é fazer um show na TV, para poucos fãs? Alguns ficaram revoltados...

Bono: Nós não gostamos de televisão. Não é completamente ao vivo e o que as pessoas vêem pode ser diferente, você pode mudar o som, as cores, o contraste. E quando tocamos ao vivo nós controlamos o que acontece. Na televisão não. Só que estamos fazendo isso porque as pessoas do "Fantástico" nos ofereceram a oportunidade e queríamos nos retratar com as pessoas que haviam ficado presas no trânsito no dia do show. Fizemos isso pelo fãs. Infelizmente não se pode levar todos mundo a um programa de TV, porque lá só cabem algumas centenas de pessoas. Tocamos no "Top Of The Pops", em Londres, onde não cabe o público do estádio de Wembley. Acontece.

O Globo: Por quer você parou de cantar "Sunday Bloody Sunday", o maior clássico do U2, na última turnê ? Deixou a tarefa para o Edge...

Bono: Edge começou a cantá-la de uma maneira muito delicada, frágil. E quando o processo de paz em nosso país estava acontecedo, não achamos certo tocá-la com os punhos no ar. Paraceu-nos que uma leitura mais suave era a certa

O Globo: Como você definiria "All That You Can't Leave Behind "?

Bono: É o epitáfio de uma banda de Rock.


:)
Maria Teresa

Cristina Cruz
14/09/2003, 15h03
Adorei essa entrevista! Obrigada Maria Teresa.
Essa do Epitáfio é que é meio enigma. Na altura ele achava que era o último álbum dos U2 ou era o último de rock?

Gostava de concretizar o pedido do Bono. Ir a um concerto e piratear. Era sinal que ia vê-os ao vivo...

Mirrorball
14/09/2003, 19h54
Não é lindo saber que ele falou sobre o Brasil no Brasil um dia? Quando eu leio uma entrevista dessas, me vem um sorriso tão besta, hehehe!
Adorei o Bono disse sobre o Pop nessa entrevista. Deveria ter sido sempre assim. :P
Sobre o epitáfio, está na cara que Kite é sobre o fim do U2. O Bono não disse que durante a Elevation Tour eles perceberam que ainda era legal ser uma banda de rock e continuar a fazer álbuns? É, eu acho que o relativo fracasso do Pop tinha deixado eles bem desanimados... Assim como o Rattle & Hum, que também é outra obra prima.

juliano
16/09/2003, 09h21
É, eu acho que o relativo fracasso do Pop tinha deixado eles bem desanimados... Assim como o Rattle & Hum
Pera aí, vc sabe qto vendeu o Hattle and Hum e o Pop?

Juliano :cerveja:

followerU2
16/09/2003, 09h30
Juliano, apesar de a pergunta ser pra Carol vou arriscar uma resposta...com certeza o Rattle and Hum deve ter vendido mais do que o Pop, mas acho que a Carol pode estar se referindo às críticas muito ruins que ambos os álbuns receberam, principalmente por parte da da imprensa norte-americana. O Pop foi acusado de ser dance demais, o Rattle and Hum de ser pretensioso demais. Nenhum dos dois era nada disso...mas vamos ver o que a Carol diz.

Maria Teresa

Cristina Cruz
16/09/2003, 10h08
Eles deviam era ligar menos para os EUA e mais para o resto do mundo. Sim, eu sei que eles são um monstro económico e que os europeus sentem necessidade de se imporem por lá para demonstrarem que conquistaram o mundo, mas por vezes isso é excessivo e torna álbuns e tour óptimas num suposto fracasso. Fracasso que é apenas uma ilusão americana...

Cris

Mirrorball
16/09/2003, 18h56
Sim, eu estava falando sobre as críticas e não sobre o número de cópias vendidas. Por terem dito que o U2 foi pretencioso com o Rattle & Hum, eles inventaram aquela coisa The Fly de ser pretencioso de propósito. Foi bem uma vingança, eu acho. E em relação ao Pop, eles foram correndo fazer um álbum de rock normalzinho...

followerU2
18/09/2003, 23h17
Bom, segue o baile minha gente :). Pra variar um pouco, vamos falar do homem que deu o primeiro emprego a eles...e que nunca os deixa esquecer disso...Larry...Mullen...Jr :P . Aí vai um trecho de um artigo que eu traduzi que fala sobre o problema que o Larry teve com suas mãos.

Encontramos no livro Three Chords and Truth, uma coleção de artigos e entrevistas da revista Hot Press, uma matéria, intitulada "The Drummer´s Disability" ou A Deficiência do Baterista, sobre o problema que o Larry teve, mais ou menos na metade da década de 80, que ao que tudo indica, pode ter sido uma inflamação nos tendões das mãos, doença profissional comum a bateristas. Fizemos uma versão livre de alguns trechos do artigo, escrito pelo Niall Stokes, em 1986, principalmente aqueles em que o Larry explica qual era o problema afinal. Aí vai:

"Quando a primeira notícia apareceu soava como uma fatalidade. Larry Mullen do U2 estava em um hospital em New York. Lá ele seria operado de uma misteriosa lesão em uma das mãos. Se a operação não fosse bem sucedida Larry jamais tocaria bateria de novo.
...
A idéia do U2 sem Larry não parecia sequer viável. A razão é que o U2, como banda, é mais do que a soma dos indivíduos. Além disso, Larry figura ao lado de Bono como o favorito das fãs. Um símbolo sexual de potencialidade incomum, ele tem sido sempre o alvo para uma parcela significante da base feminina de fãs do U2. E agora a midia nacional anunciava que sua habilidade em continuar tocando bateria dependia de uma operação para curar a misteriosa doença. A primeira fã a alertar a Hot Press sobre a estória estava em prantos. Era inacreditável, mas tinha de ser verdade. Eles haviam falado no rádio.

Assim como a Hot Press, os escritórios do U2 foram inundados com telefonemas durante toda a manhã depois do primeiro anúncio no rádio. Eles estavam atônitos com o impulso que a estória tinha ganho. " Não, não é verdade ", disse um porta-voz à Hot Press. " Sim, ele tem um problema com sua mão. Mas não é mão de pianista. E não vai prejudicar a carreira dele. "

Então Larry não ia, como dissemos, sofrer uma cirurgia de emergência em New York? Longe disso, Larry estava na chuvosa Dublin, continuando seu trabalho na criação do álbum que viria a seguir, depois de The Unforgettable Fire. " A banda está ensaiando normalmente e Larry está tocando bateria. Ele pode tocar bateria. Ele está tocando bateria e continuará tocando bateria " , falou o porta-voz de forma definitiva.
...
No segundo dia, quando o jornal mais vendido da Irlanda, o Irish Independent, seguiu o Herald e publicou a estória, Larry Mullen decidiu falar para a Hot Press, para esclarecer tudo de uma vez por todas.
....
" Minha mão tem ficado um pouco dolorida ultimamente, mas a primeira vez que eu me conscientizei de que havia um problema foi em San Francisco, durante nossa turnê americana. Isso foi há menos de um ano. De repente eu me dei conta de que não iria ser capaz de tocar no show daquela noite - eu tinha muita dor. Então eu fui imediatamente para o hospital e o médico me disse para tirar 2 semanas de folga."

" Eu estava apavorado ", Larry admite. " Minhas mãos são meu ganha-pão, um problema sério com elas poderia me atingir duramente". Depois que injeções de cortizona falharam em curar a doença, Larry falou com Max Weinberg, da banda de Bruce Springsteen, E-Street Band, sobre o assunto. Tendo sofrido seriamente com um problema semelhante, Weinberg foi categórico em seu conselho.

" Ele sofreu oito operações em cada dedo da sua mão. Ele tinha o problema há anos e não tinha tomado cuidado com suas mãos - ele sentia muita dor. Então ele me disse, " não seja um mártir ". Vendo a extensão do dano que foi causado a ele, eu me conscientizei de que precisava cuidar das minhas mãos."

Voltando da turnê americana, o demorado processo de procurar uma solução foi levado a sério.

" O problema é que ninguém pode identificar qual é a causa. Algo faz com que os tendões da mão inchem - se você está usando uma parte do seu corpo de forma errada ou se você está forçando demais, esse tipo de coisa pode se desenvolver. Mas existem muitas opiniões diferentes sobre qual é exatamente a raiz do problema.
....
" Eu tenho consultado médicos na Irlanda e um deles achou esse comprimido anti-inflamatório que tem ajudado enormemente. Não é um esteróide e não é uma droga. Não sei como funciona mas ele reduz o inchaço e agora existem menos problemas. É uma questão de saber o quanto eu posso forçar a minha mão e então cuidar dela, banhando em água gelada e descansando o máximo possível.

Ao longo do tempo é possível que Larry tenha que se submeter à cirurgia, mas no momento ele está contente porque a lesão está sob controle. Dessa forma, ele mostra um exemplo a ser seguido por outros músicos. Muitos bateristas têm problemas com suas mãos e continuam tocando a despeito do problema, crucificando a si próprios. Quando eles acordam para o fato de que o problema é sério, frequentemente é tarde demais.
....

Larry conclui dizendo " nós estamos gravando o novo álbum no momento e eu estou tendo poucos problemas com a minha mão."


:)
Maria Teresa

Bruna
19/09/2003, 00h09
Bom, segue o baile minha gente :). Pra variar um pouco, vamos falar do homem que deu o primeiro emprego a eles...e que nunca os deixa esquecer disso...Larry...Mullen...Jr :P . Aí vai um trecho de um artigo que eu traduzi que fala sobre o problema que o Larry teve com suas mãos.


Ótima tradução Maria Teresa! :)
E hj em dia?Alguém sabe como as mãos do Larry andam?Se não me engano,me lembro de ter visto algumas fotos da Elevation Tour nas quais ele usa uma espécie de proteção nos pulsos....

Lyla Marmalade
19/09/2003, 09h37
Ótima tradução Maria Teresa! :)
E hj em dia?Alguém sabe como as mãos do Larry andam?Se não me engano,me lembro de ter visto algumas fotos da Elevation Tour nas quais ele usa uma espécie de proteção nos pulsos....
:( É, engraçado que essa história eu li em uma revista que publicou a biografia do U2 na época do POP e a época então está errada, pois segundo a revista a doença acometeu o (meu) Larry lá para meados de 88-89. Olha só que coisa. Não dá mesmo para confiar em tudo o que se lê.

Gostaria de saber como ele está hoje em dia. Se isso aconteceu com o Larry, significa q pode acontecer com qq pessoa q exerce atividade repetitiva, por exemplo o Edge e o Adam, hã?


Lyla, apaixonada...

followerU2
20/09/2003, 00h26
Lyla, a imprecisão não é tão grande assim, eu acho. Esse artigo do Niall Stokes foi escrito em 1986. De repente a coisa se estendeu por mais algum tempo. Depois, na época das gravações do Pop, sabe-se que o Larry teve problemas nas costas que o impediram de iniciar gravando. O Howie B (ou foi o Flood?) então experimentou com baterias eletrônicas, mas faltava alguma coisa, faltava a alma da banda que só se manifesta com a participação dos quatro. Isso está em um artigo da revista Q, da época do lançamento do Best Of 1990-2000, chamado Ten Years of Turmoil Inside U2.

Bom, aproveitando o reply, queria lembrar pra quem já conhece, e apresentar pra quem não conhece, a seção de Artigos do site da UV. Lá tem diversos artigos traduzidos não só por mim, mas também ótimos trabalhos da Rafaela e da Carol, além de matérias publicadas em português no original também. Confiram:

http://www.ultraviolet-u2.com/artigos/

Até porque meu estoque de assuntos mofados está acabando...:P

:)
Maria Teresa

followerU2
24/09/2003, 01h09
Já que o assunto é o DVD de Slane, pelo qual todos ansiamos (por sinal nada de pré-venda nas Saraivas da vida ainda...) vou copiar pra cá um trabalho de tradução que fiz de um review da primeira apresentação deles em Slane, no longinquo ano de 1981.

Slane 16 de agosto de 1981 - setlist:

1. Tomorrow
2. With a Shout
3. Twilight
4. I Will Follow
5. I threw a Brick Trhrough a Window
6. An Cat Dubh
7. Into the Heart
8. "Gloria and Gloria"
9. Rejoice
10. October
11. Stories for Boys
12. Boy-Girl
13. Out of Control

Encore
14. Fire
15. 11 O'Clock Tick Tock
16. The Ocean

Review por Mark. R. Adams

O festival de Slane começou como um show pequeno, em 1981. Naquela apresentação o U2 foi banda de apoio a Thin Lizzy, estreando cinco novas canções de seu novo álbum, ainda por ser concluido, October. Tendo perdido seu caderno com as canções há pouco tempo, Bono improvisa as letras, inventando as palavras conforme ele canta. "This is Gloria and Gloria" diz Bono, apresentando o clássico hino do rock. Falta em October algo que se assemelhe à sua forma; quando apresenta Rejoice, Bono diz para o público "Vocês não ouviram essa antes, nem nós: Rejoice! " Um pouco mais tarde essas improvisações seriam embaraçosas para o vocalista, mas no momento elas são autênticas expressões do coração. Isto é o U2 ao vivo, na sua forma crua.

O que falta a Bono em letras prontas, ele as inventa em espírito. Conforme o show acontece, Bono vai ganhando os corações das pessoas. Ele as converte. O novo som do U2 não é punk como o resto dos que se apresentam na ocasião, mas é parte da revolução new-wave: é um desafio construtivo.

Durante o show, Bono aponta para a imprensa. "Eu gostaria de contar pra vocês sobre um tipo especial de gente. Eles são chamados repórteres, e eles vem com blocos e canetas nas mãos. E eles encontram alguém como aquele cara lá, que está atirando garrafas no ar. E então eles tiram um foto dele e a publicam. E então vocês todos estão atirando garrafas, entendem o que eu digo? Mas nos perguntamos....qualquer um desses repórteres que vêm para este lugar para estragar nosso divertimento nessa ocasião, falando mal de nós, atire em nós quem acredita. Esta é uma canção chamada I Threw a Brick Through a Window".

Existe algo nos seus gestos que é épico, como existe algo nessa geração que é épico. É a diferença de uma pessoa: Você, também, pode mudar o mundo (nota: jogo de palavras com o nome da banda, U2, que pode também ser lido como "you too", você também). E então a geração "eu" se transforma na geração "nós", ou pelo menos parte dela (e a pequena parte que faz a diferença). Um simples gesto de Bono amplifica essa esperança. No frenesi da multidão, Bono vê uma garota de 8 anos de idade sendo esmagada. Ele pára o show (como tem acontecido em muitas apresentações de rock), tirando a garota do meio da confusão. Em um único momento, uma pessoa se liga a outra pessoa. Isso é a revolução.

Pelo final do show, a multidão é desafiada e pede mais. U2 estréia Fire. Um desafiador e juvenil Bono grita letras improvisadas, representando a crueza de som que é o o U2. No final do show Bono grita para aqueles sentados bem atrás do campo em Slane, "De pé, isso não é Woodstock!" Essa é uma nova geração.


Bem, mais tarde coloco outro review traduzido, aí da segunda performance deles, em 25 de agosto de 2001, é bem legal pra fazer comparações e talz.

:)
Maria Teresa

Lyla Marmalade
24/09/2003, 09h04
;) Puxa, MT, muito bom! O U2 está na estrada há tanto tempo, que fórmula é essa, né? O Bono sempre foi um show man. Se havia uma certa contradição em si mesmo com relação à sua voz, e isso ele mesmo admite, havia muito mais... um sentimento maior que não o deixava se intimidar. Gosto de uma coisa nele, ele olha nos olhos das pessoas e não se intimida. Ele deve ser esse tipo de pessoa que fala o que pensa olhando nos olhos e espera a reação, e é tão emocional. Ele jamais ofenderia alguém com suas palavras.

Bem, é o que eu penso dele... :)

Adelino
24/09/2003, 12h43
vou copiar pra cá um trabalho de tradução que fiz de um review da primeira apresentação deles em Slane, no longinquo ano de 1981.

Slane 16 de agosto de 1981 - setlist:
Só mesmo você, Maria Teresa, pra trazer essas pérolas pra gente :aprovado:

Agora, alguém tem idéia de onde eu possa conseguir uma cópia desse show. Não é segredo pra ninguém que eu adoro essa fase do U2 ;)

Cristina Cruz
24/09/2003, 16h53
Palavras para quê...você é o máximo!! Obrigada...

Cris
26/09/2003, 23h13
Bom, aproveitando o reply, queria lembrar pra quem já conhece, e apresentar pra quem não conhece, a seção de Artigos do site da UV. Lá tem diversos artigos traduzidos não só por mim, mas também ótimos trabalhos da Rafaela e da Carol, além de matérias publicadas em português no original também. Confiram:
http://www.ultraviolet-u2.com/artigos/
Gente, só reforçando a mensagem da Maria Teresa, não deixem de dar uma lida nesses artigos... Tem textos muito interessantes lá!! O meu preferido é o artigo escrito pelo Salman Rushdie, chamado "O Encontro com Bono", onde ele descreve como conheceu a banda, fala da colaboração em "The Ground Beneath Her Feet"... Muuito legal!!!! :aprovado:

followerU2
27/09/2003, 23h20
Bem, mais tarde coloco outro review traduzido, aí da segunda performance deles, em 25 de agosto de 2001, é bem legal pra fazer comparações e talz.

Bem citando a mim mesma e cumprindo a promessa, aí vai:

Slane 25 de agosto de 2001 - setlist

1. Elevation
2. Beautiful Day
3. Until the End of the World
4. New Year's Day
5. Kite
6. A Sort of Homecoming
7. I Will Follow
8. Sunday Bloody Sunday
9. Wake Up Dead Man
10. Stuck in a Moment
11. In a Little While
12. Dancing in the Moonlight
13. Desire
14. Staring at the Sun
15. Bad / Yellow / 40
16. Where the Streets Have no Name
17. Mysterious Ways
18. Pride

Encore
19. Bullet the Blue Sky
20. With or Without You
21. One
22. Walk On / Hallelujah

Review por Niamh Hooper

Nada se compara ao U2 como reis do castelo, que reclamam seu trono 20 anos
depois. Com o sol brilhando, o U2 entra resolutamente no palco às 8:30 da noite e
se lança em Elevation. "Jesus, isso é bonito", Bono disse olhando para a multidão, embevecendo-se com a vista antes de tocar a vencedora do Grammy, Beautiful Day.

"Obrigado por virem. Quero agradecer o sol por brilhar, eu quero agradecer a Deus por livrar o meu velho da sua doença e do seu velho corpo cansado e dar a ele um novo corpo, e quero agradecer a vocês pela paciência - levamos 20 anos para chegar a esse momento."

Sabíamos que estávamos lá para algo grande. "Essa é uma canção que eu pensei ter escrito para meus filhos mas agora eu sinto que essa é uma canção que meu velho escreveu para mim e meu irmão", Bono disse antes de tocar Kite.

Durante todas as duas horas e dez minutos do show, hinos como New Year's Day, I Will Follow, Pride, Desire, Bad, 40 e Sunday Bloody Sunday foram apresentados juntamente com muitas faixas do mais recente álbum All That You Can't Leave Behind.

Juntando-se na ponta das rampas em formato de coração, a banda tocou In a Little While. Bono então nos apresentou a banda, como se fosse necessário:
"Edge em sua camiseta nr. 7, Larry, o homem que iniciou a banda e a cada dia pode acabar com ela e Adam, o mais requintado membro da banda, um homem feito para um castelo.

A conexão U2 / Slane tem muitos níveis, eles participaram no primeiro show em 1981 e gravaram The Unforgettable Fire lá em 1984 e Adam é padrinho da filha de Lord Mountcharles, Tamara. "Quando nós começamos era inconcebível que nós estivéssemos um dia liderando Slane. Nós tocamos no palco com Thin Lizzy e nós éramos muito ruims, realmente," Bono brincou, antes dos quatro homenagearem Phil Lynott com um trecho de Dancing in the Moonlight. E previsivelmente, com sua marca registrada, ele tirou uma garota da multidão para dançar com ela e cantou Mysterious Ways.

Na ausência de limões gigantes, uma parede de telas de TV ou telefonemas para o Kremlin do palco, o principal recurso da Elevation Tour foi guardado para Where the Streets Have no Name. O palco foi aceso por blocos de luzes vermelhas, enquanto a parte mais terna da canção evoluia mas assim que os riffs de guitarra mais pesados eclodiram, uma parede de luzes brancas no estádio nos cegou, iluminando a colina onde milhares assistiam ao show. Igualmente Bullet the Blue Sky explodiu no palco enquando violentas imagens eram mostradas nos telões.
Seguiu-se então a sempre bela With or Without You.

Apresentando One, ele disse: "Eu quero agradecer meu pai pela voz com que eu falo com vocês, a voz com a qual eu estou cantando. Meu pai sempre estará comigo e minhas crianças, enquanto a vida segue. "

Ele disse que realmente acreditava no relacionamento entre Primeiro e Terceiro Mundo, na campanha Drop the Debt e que os irlandeses nunca deviam esquecer que eles foram refugiados e quase morreram de fome e que as pessoas merecem sua dignidade e direitos humanos. "Se eu aprendi algo com meu pai, foi isso."

E nos 4 telões elevados uma foto do homem que inspirou Bono durante toda a sua vida e apareceu no video de One foi projetada, 1925-2001. Depois de dois bises o show terminou com Walk On e o adorável toque de uma espetacular queima de fogos de artifício, ao som da gravação de The Unforgettable Fire. Foi emoção em alta voltagem que não poderia falhar em tocar o mais duro dos cínicos.



Gosto especialmente das coisas que ele disse sobre o pai, belas palavras, tão verdadeiras.

Até mais
Maria Teresa

Bruna
27/09/2003, 23h54
Ai ai Maria Teresa.....Por culpa sua eu fiquei ainda mais ansiosa pra pôr as mãos no dvd de Slane.... ;)
Gostei muitíssimo desse último artigo.Foi realmente emocionante o q o Bono disse sobre o pai,principalmente aquela parte sobre estar sempre com ele e os filhos.

followerU2
28/09/2003, 17h00
Bruna, só pra esclarecer, o DVD que está por ser lançado não terá esse show do review que traduzi acima, de 25 de agosto de 2001, mas o outro, de 01 de setembro de 2001. De qualquer forma, tenho certeza que vamos nos emocionar muito com ele, porque o Bono também fez outras declarações lindas, confere as discussões sobre o DVD que estão rolando no fórum, em outros tópicos.

Até mais
Maria Teresa

Bernadette
28/09/2003, 18h57
Ai, tô emocionada! :wub:
Mais uma vez: valeu Maria Teresa! :D

followerU2
03/10/2003, 00h59
Bom, continuando a sessão nostalgia (até que alguém proteste ou meu estoque acabe, o que vier primeiro :D)), aí vai mais uma. São trechos de um artigo publicado em 27 de abril de 2001 no site TwinCities.com (o link com o texto original em inglês não está mais ativo, infelizmente). É um texto maravilhoso sobre a banda chamado Believing in U2, que rendeu muitas mensagens de agradecimento a seu autor, o crítico de música Jim Walsh.

"Acreditar no U2

U2 traz para o Target Center (Minneapolis, USA) algo raro e maravilhoso: paixão autêntica nessa era do plástico

por Jim Walsh, crítico de música pop

Acredito em acreditar em alguma coisa, e no que eu acredito mais, depois de todos esses anos, é no rock 'n' roll.

Acredito que existem aqueles que acreditarão que eu sou antigo, quase medieval, por fazer tal declaração, mas eu acredito que o rock 'n'roll não é só um gênero de música mas uma força agregadora que, simultaneamente, renuncia e abraça tudo o que veio antes dele e tudo o tem vindo desde então.

Acredito que é o som da liberdade, liberação, o espírito humano liberto. Eu acredito no vinda do Reino e então todas as cores vão se fundir em uma. (nota: aqui ele cita o verso de I Still Haven´t Found What I´m Looking For, "I believe in the Kingdom Come, then all the colors will bleed into one)

Acredito em Bono, do U2, quando ele canta, "Eu acredito em você". ...Acredito que ele está buscando algo maior, e que ele assim estará até o dia em que ele morrer. Acredito que a vida dele é uma daquelas que foi salva pelo rock 'n' roll e que ele acredita que tem uma dívida para saldar. Acredito que ele já fez isso, somente com I Still Haven't Found What I'm Looking For.

Acredito que o U2 acredita em raízes, daquele tipo que, na terça-feira, se estenderá invisivelmente do palco do Target Center, atravessando a rua até a First Avenue, onde eles fizeram seu primeiro show em Twin Cities em 1981. Acredito que Bono tem boa memória. Acredito que essa é a razão pela qual ele telefonou para Joey Ramone na Sexta-feira Santa, e também porque, duas noites mais tarde, poucas horas depois que o Joey morreu, o U2 incluiu I Remember You, dos Ramones, no show de Portland.

Acredito que bandas de rock como o U2 inspiram fé. Acredito que não é coincidência que Joey Ramone passou para o além enquanto In a Little While, do U2, tocava no seu quarto de hospital. Acredito que muitas pessoas que acreditam no U2 têm muitas fés diferentes.

Acredito que Stuck in a Moment You Can't Get Out Of, que foi inspirada pelo suicídio de Michael Huthence, vocalista do INXS, ajude os tristes e solitários a lembrar que isso também passará.

Não acredito em desistir. Acredito em lutar pelo que é certo, e bom, e perigoso, e sujo, e verdadeiro. Acredito em ir á luta. Não acredito que o U2 acredita que o rock 'n'roll está morto, ou que é um gênero musical ou nostalgia. Acredito que, se um dia o rock 'n' roll for se juntar aos dinossauros como um sinalizador cultural e como um caminho espiritual viável, então o U2 não se deixará abater sem lutar.

Acredito que algo como o Espírito Santo flui através de pessoas como Bono, e eu acredito que ele acredita que ele tem um trabalho a fazer, o qual ele tem exibido incontáveis vezes através de sua música, sua boa natureza, suas viagens à Bósnia e muito mais.

Acredito que o U2 foi cortado do mesmo tecido que Bob Dylan. Eu não acredito que o a grandeza deles fique no caminho da sua autenticidade. Eu não acredito que a revolta, ou mesmo chocar a próxima geração seja a função única do rock´n´roll, e eu acredito que aqueles que procuram fazer isso por meios óbvios perderam o sentido inteiramente e seguem tentando duro demais.

Eu acredito em melodias e mini-hinos e maxi-hinos e arrepios e confusão e fúria e êxtase e baladas e amplificadores zumbindo.

Acredito que se você se importa, você é rock. Acredito que se você se importa sobre para onde esse mundo vai, para onde nós todos vamos, então você é rock.

O que significa dizer que eu acredito no rock´n´roll. O que também significa dizer que eu acredito em você e vice-versa."


Até mais
Maria Teresa

PCALIFORNIA
03/10/2003, 02h54
TERESA É FATO. VC SEMPRE ME EMOCIONANDO, OS TRECHOS DO SHOW SO FISERAM -ME UMA CONSTATAÇÃO...Q. MAGICA E ESSA Q. ACONTECE COM O U2 E O PUBLICO ...EU LI UMA VEZ Q. O MR. VOX TEM UM PODER XAMANICO SE COMPARARMOS AO Q. ELE FAZ COM A VIDA DAS PESSOAS .
E TAO BOM SABER Q. COM TANTA COISA INUTIL E RUIM NESSE MUNDO AINDA EXISTAM PESSOAS Q. NEM MR. VOX E CIA Q. CONSEGUEM CANALIZAR TANTA ENERGIA PARA O BEM,PARA A ALEGRIA E A INFINITA PAZ....AMEM!
BJS

Bernadette
03/10/2003, 14h52
:wub: :wub: :wub: :wub: :wub: :wub: :wub: ...

Bruna
05/10/2003, 01h49
Maria Teresa,esse último texto é belíssimo!
Quem me dera ser tão boa com as palavras como esse crítico é....

Ah,eu espero sinceramente q o seu estoque não esteja no fim! ;)

followerU2
14/10/2003, 00h33
Bom, achei mais uma coisinha interessante que traduzi há 2 anos atrás, vamos ver o que vocês acham ;)

Matt McGee, que criou e mantém o site www.atu2.com escreveu, em 30 de julho de 2001, um artigo interessante sobre uma notícia do jornal irlandês The Evening Press, de 1978, que mostrava os ganhadores do concurso de talentos que aconteceu em Limerick, no dia de São Patrício daquele ano. Todos sabemos que nossos irlandeses favoritos venceram o tal concurso. Vamos reproduzir abaixo alguns trechos desse artigo.

É o The Hype!...É o Feedback!...Era o U2 Malahide o tempo todo!

A linha inicial onde o U2 se transforma em U2 precisa ser re-escrita.

A história que vem sendo passada adiante, da primeira geração de fãs até a atual, recontada inúmeras vezes entrevista após entrevista, ano após ano, está...pedimos desculpas...errada.

Como tem sido dito, a história é mais ou menos assim: a banda originalmente formada por 5 integrantes, incluia o irmão do Edge, Dick. Eles originalmente se chamavam Feedback porque - segundo Bono tem dito frequentemente - era o barulho que eles ouviam através dos amplificadores. Eles mudaram o nome para The Hype, e o The Hype participou e venceu um concurso de talentos no dia de São Patrício, de 1978, em Limerick, o que os levou às suas primeiras sessões de estúdio e colocou o nome da banda na nascente cena musical de Dublin. Segundo conta a história, foi pouco tempo depois da vitória no concurso de talentos que Dick Evans deixou a banda, e o The Hype mudou seu nome para U2...o mesmo quarteto que conhecemos e amamos hoje...E o resto é história.

Boa história, mas não muito precisa.

Um artigo do jornal The Evening Press (que co-patrocinou o concurso) mostra Bono, Edge, Larry e Adam segurando seu troféu - a legenda debaixo da foto refere-se à banda como "U2" e o artigo que a acompanha os relaciona como "U2 Malahide".

Em outras palavras, Dick já tinha deixado a banda e eles já estavam usando o nome U2 quando eles venceram o concurso.

Se você não é um historiador do U2, isso pode não significar nada e provavelmente você não ache que a notícia é assim tão extraordinária. De fato, pelo relato de uma testemunha ocular, isso não traz nenhuma luz à notícia de que o U2 venceu o concurso, em primeiro lugar. Falando sobre extraordinário...

"Para ser honesto, nós ficamos todos atônitos quando eles venceram, porque na verdade, eles eram horríveis."

Assim fala Fran Kennedy que, em 1978, era o guitarrista de um quarteto chamado The Doves - uma das bandas que o U2 bateu naquele concurso de talentos durante as festividades da Semana Cívica em Limerick.

O concurso apresentava 36 bandas tocando na primeira noite. As bandas foram separadas ao longo de diversos locais de apresentação em torno de Limerick, e oito foram selecionadas para as finais na noite seguinte em frente de uma platéia ao vivo no Savoy Cinema.
...

Kennedy diz que, enquanto a maioria das bandas que estavam competindo andavam juntas, o U2 se manteve distante da competição.

"O U2 Malahide como eles eram chamados, não se misturou com nenhum de nós. Eles eram um pouco mais jovens do que todos os outros. Eu não sei o porquê. Eu acho que era coisa deles, eles não se encontraram com nenhum dos demais músicos. Eu me lembro de ter conversado com alguém do grupo The Village e ambos concordamos que eles não chegariam nem ao terceiro lugar.. Eles pareciam ter um tipo de tratamento especial por parte dos juízes. Dois dos juízes, um da revista Hot Press e outro cara da rádio RTE conversaram com o U2 no intervalo. Eles não falaram com mais ninguém."

Nota: Malahide é o nome de um subúrbio ao norte de Dublin City, onde ficava
o colégio interno que o Adam frequentou toda a sua infância.


E então galera...será que essa estorinha aí é verdade? :assobio:

Até mais
Maria Teresa

Lyla Marmalade
14/10/2003, 06h29
;) Por acaso, Maria Tereza, o colégio do Adam é The St. Columba's College? Parece que ele se mudou bastante antes de se mudar para o Mount Temple.
O que tenho sobre a história:

"Foi Adam quem colocou o anúncio para o Harp And Guinness Talent Contest em Limerick. A data era 18 de março de 1978, Bono estava rouco e não era nada parecido com o set educado dos outros competidores. Bono falou sobre a ocasião: 'Nós estávamos bambaleantes. Mas sabia que tínhamos algo, eu podia sentir o efeito que fazíamos na platéia. O importante foi que nós trabalhamos com aquela faísca. Nós estávamos andando no escuro, mas com a faísca e se divertindo'".

:P Realmente Adam já tinha feito um certo lobby junto ao pessoal da Grafton Street. E sacou rápido que o DJ Dave Fanning e o jornal Hot Press seriam muito importantes para o grupo. Não duvido nada que os dois juízes não eram o Bill Graham, da Hot Press, que inclusive indicou Paul McGuinness como empresário para o Adam e Fanning, supondo que fosse da rádio RTE, afinal as 3 músicas do U2:3 foram escolhidas no programa da rádio dele, no ano seguinte.

É acho que teve um dedinho santo aí...

Nota: O U2 recusou o contrato com a CBS que era o prêmio do concurso, só ficaram, óbvio, com as 500 libras. :saúde:

followerU2
16/10/2003, 00h52
Bom Lyla, lembro que esses detalhes sobre o Adam, a mudança de escola e talz, estão no livro do Eamon Dunphy, Unforgettable Fire, que ja li mas era emprestado, tive que devolver, então não lembro mais. Espero conseguir uma cópia desse livro um dia, mesmo sabendo que a banda não morre de amores por ele.

E sobre o contrato, se bem me lembro eles acabaram assinando com a CBS mais tarde sim, mas só para a Irlanda, e por um período determinado (não lembro mais por quantos anos). Aliás, essa foi uma jogada de mestre do Paul MacGuinness, porque eles ficaram livres para assinar com outra gravadora para os outros países, como acabou acontecendo com a Island. Então, durante algum tempo, eles tiveram duas gravadoras.

Até mais
Maria Teresa

Lyla Marmalade
16/10/2003, 01h38
Olha, MT, se não me engano a EMI londrina recusou-os friamente, isso depois deles já terem gravado o U2:3 justamente pela CBS, o contrato era só pro EP.
Eles só assinaram contrato mesmo em 1980, com a Island por 3 anos e renovaram depois é claro. Bill Stewart, da Island foi vê-los tocar no Boxing Stadium a pedido de McGuinness. Ele escreveu:
"Uma noite fria de fevereiro de 1980, um caçador de talentos se encontrava em Dublin no que estava começando a parecer outra barca furada. As evidências de um bom single e os chamados eram persistentes, mas ainda assim, um empresário desconhecido fez muito pouco para me animar. De repente, em um facho de luz branca, quatro figuras magras apareceram no palco, pegaram seus instrumentos como soldados empunhando armas e partiram para sua primeira canção com um imenso rugido. Foi eletrizante. Foi a primeira noite que vi o U2".

UAU!!!

followerU2
16/10/2003, 02h02
Lyla, o contrato com a CBS Ireland não era só para o U2 Three não. Confere no link abaixo, uma boa fonte sobre a discografia da banda. Todos os singles desde o U2 Three, de 1979 até A Celebration, de 1982 foram lançados na Irlanda pela CBS, porém a partir do 11 O´Clock Tick Tock, de 1980, já foram lançados também fora da Irlanda pela Island.

http://www.u2wanderer.org/disco/sing1.html

Até mais
Maria Teresa

followerU2
26/10/2003, 13h34
Achei uma entrevista com o quinto membro (Paul McGuinness, pra deixar claro, nada a ver com o Adam :P) que eu traduzi há um bom tempo atrás. Achei interessante saber um pouco da perspectiva do empresário e sócio da banda e sobre como tudo começou, pelo menos o lado business da coisa. A entrevista é de 2001, durante a Elevation Tour. Deixei alguns trechos de fora, não lembro mais o porquê. Segue lá:

A edição do jornal britânico The Sunday Times do dia 03 de Junho deste ano veio recheada de U2. Além de um CD exlusivo, ela apresentava ainda nossos rapazes na capa de seu caderno Culture, e duas matérias muito interessantes. Uma delas escrita por Salman Rushdie, falando sobre sua amizade com Bono e os demais integrantes da banda, e a outra, de autoria de Rory Godson, intitulada “Why McGuinness is good for U2”, da qual extraímos os trechos abaixo.

“Porque McGuinness é bom para o U2.

O empresário do U2 fez da banda um enorme sucesso comercial, diz Rory Godson.

Quando Paul McGuinness olhou para a multidão no show do U2 em Montreal no último Domingo, ele deve ser se sentido como o dono do maior caça-níqueis do mundo. McGuinness, o empresário da banda há 23 anos, pode fazer as contas. A Molson Arena comporta 20 mil pessoas. A média de preço do ingresso de 60 Libras significava 1,2 milhões de Libras em arrecadação nos portões. Os gastos com merchandise foram em torno de 5,5 Libras por cabeça.

O montante de 2,7 milhões de Libras por duas noites em Montreal é um contraste marcante com outro empreendimento de McGuinness, há muito tempo atrás – uma apresentação em um Sábado à tarde em Dandelion, um mercado de Dublin, em 1979. McGuinness diz: ‘A banda era jovem demais para tocar em pubs, então Dandelion era o melhor que nós podíamos fazer. Havia 50 pessoas lá’.

McGuinness tinha 27 anos. Ele tinha desistido de fazer faculdade no Trinity College, em Dublin, para trabalhar na produção de filmes. ‘Eu queria empresariar um banda’, ele diz. Bill Graham, um amigo jornalista, havia visto o U2 e, em 1978, ele disse a McGuinness que eles eram a baby band que ele estava procurando.

A aparência deles era ruim, a música era horrível, mas McGuinness viu um centelha de criatividade. Pessoas de dentro da organização dizem que os termos do contrato da banda com McGuinness nunca foram mudados, ele leva 20% do lucro, fazendo dele o 5º membro da banda, embora ele se esquive desse tratamento.

Em 1980, McGuinness fez com que a banda assinasse contrato com o selo Island. Em 1989, quando a Island foi vendida para a Polygram por 200 milhões de Libras o U2 e McGuinness ficaram donos de uma fatia. O U2 permaneceu com a Island através das trocas subsequentes de proprietário. Muitos artistas efetivamente arrendam seu material para as gravadoras, que o lança ao seu bel-prazer, pagando royalties para os artistas. A banda irlandesa é a proprietária de toda a sua criação.

Se em Montreal ele se sentiu como dono de um caça-níqueis, ao final de 2001 McGuinness e o U2 podem se sentir como se fossem donos do cassino inteiro. Entre Novembro último, quando a banda lançou All That You Can´t Leave Behind, seu 10º disco de estúdio, e o próximo Natal, os ganhos auferidos com as vendas do U2 excederão 210 milhões de Libras.

(...)

É um longo caminho desde os dias em que, depois de uma reunião de negócios no apartamento de McGuinness em Dublin, a banda catava moedas em uma jarra no aparador, para pagar as passagens de ônibus para casa. No firmamento do rock and roll só os Rolling Stones têm demonstrado extremo tino para negócios como o do U2. McGuinness está convencido de que sucesso ainda maior está por vir. ‘Os rapazes são ambiciosos e competitivos. Eles se colocaram na posição de melhor banda de rock and roll do mundo. Eles sabem que para manter o título terão que continuar defendendo essa posição dando o melhor de si. Eles são capazes de trabalho duro e enorme ambição. E os seus recursos são inesgotáveis.’

Em todos os sentidos.

followerU2
11/11/2003, 22h55
Bem, achei masi uma coisinha interessante aqui no meu HD. O texto seguinte faz um breve histórico de momentos que marcaram a carreira do U2, no período de 20 anos que separa as duas apresentações da banda em Slane Castle, e foi escrito na semana antes do show de 25 de agosto, por um amigo meu da Califórnia, um dos fãs mais apaixonados que conheço. Eu fiz essa tradução com autorização dele.

"Em 16 de agosto de 1981 U2, uma promissora banda irlandesa abriu para a lendária banda, também irlandesa, Thin Lizzy, no que foi o primeiro show anual ao ar livre em Slane Castle, County Meath, Irlanda. Vinte anos mais tarde, em 25 de agosto e 1o. de setembro de 2001, o U2 mais uma vez se apresentará em Slane, em um show duplo sem precedentes no lendário castelo, mas dessa vez essa outrora promissora banda será a atração principal, na condição de maior banda do mundo. Tanta coisa aconteceu para o U2 nesse período de 20 anos.

1983 vê o lançamento de War que traz ao U2 sucesso internacional com temas clássicos como Sunday Bloody Sunday e New Year's Day.

1984, as gravações de The Unforgettable Fire em Slane aconteceram dentro dos muros do castelo, o o próprio castelo foi o primeiro a ouvir clássicos como Pride (In the Name of Love) e Bad.

13 de julho de 1985, Live Aid, no estádio Wembley: milhões de pessoas assistem ao U2 fazer a apresentação mais apaixonada do dia e a banda conquista toda uma nova legião de fãs.

1985, o U2 é a atração principal da turnê da Anistia Internacional, Conspiracy of Hope, e toma a coroa de maior banda de rock dos seus pares do The Police.

1987, o álbum clássico The Joshua Tree é lançado com o U2 sendo proclamado Rock's Hottest Ticket (o ingresso mais quente do rock) na capa da revista Time, com canções clássicas como With or Without You e Where the Streets Have no Name.

1988, o U2 é imortalizado, em imagens no palco e fora dele, no seu documentário de rock Rattle and Hum, nos presenteando com clássicos como Desire e All I Want is You.

1990, U2 reinventa a si mesmo e outro álbum clássico, Achtung Baby, nasce com canções marcantes como One e Until the End of the World, e o espetáculo da Zoo TV com os personagens The Fly, Mirrorball Man e MacPhisto.

1993 e 1995 vêem o nascimento da fase mais experimental do U2, porém brilhante com o lançamento de Zooropa e Passengers.

1997, Pop e a turnê Popmart levam o U2 para destinos remotos e históricos, da Sarajevo dividida pela guerra às mães dos desaparecidos no Chile, e a Johannesburg na África do Sul.

E finalmente 2000, com o lançamento de All That You Can't Leave Behind, vê o U2 entrando no século 21 como banda com status de maior banda do mundo intacto, com novos clássicos como Beautiful Day e Walk On, juntamente com a turnê mais bem sucedida da história, Elevation Tour.

Esse é verdadeiramente um dia ímpar na vida e história do U2..."I believe in a celebration", eu acredito que o U2 tem tocado a alma de muitas pessoas com sua música e hoje, 20 anos mais tarde, o U2 mostrará mais uma vez ao mundo, com solidariedade e amor único, juntamente com seus fãs pelo mundo afora, o
que faz essa banda ser tão especial nas mentes e corações de milhões de fãs
pelo mundo todo. Que o show comece..."

Até mais
Maria Teresa

fabiovox
11/11/2003, 23h46
Bem, achei masi uma coisinha interessante aqui no meu HD. O texto seguinte faz um breve histórico de momentos que marcaram a carreira do U2, no período de 20 anos que separa as duas apresentações da banda em Slane Castle, e foi escrito na semana antes do show de 25 de agosto, por um amigo meu da Califórnia, um dos fãs mais apaixonados que conheço. Eu fiz essa tradução com autorização dele.


MUITO LEGAL ESSE TEXTO!!!

É... essa entrevista só transmite a sensação que eu sempre tive sobre o U2...

É... uma BANDA sem limites, sem limitação... que, além de já ser a própria história do rock, será mais ainda depois de 'extinta', depois que muitos anos se passarem... é uma lenda viva!

PCALIFORNIA
12/11/2003, 01h42
MAIS UMA VEZ PENSO..ALIAS TENHO CERTEZA Q. ISSO Q. OCORRE COM O U2 É O PODER INABALÁVEL DA MÚSICA .....MAIS SOBRETUDO DA POESIA ,PQ MUDA-SE UM ESTILO,UM PADRÃO MAIS A ESSENCIA ...AHHHH MEUS QUERIDOS AMIGOS DE FORUN...... ESSA JAMAIS SE MUDA . VIDA LONGA AO ROCK AND ROLL E AOS MENINOS DO U2...
OBS: LINDAS PALAVRAS FABIO....

Lyla Marmalade
12/11/2003, 08h34
Maria Tereza,

Posso publicar este texto no meu blog???? Achei apaixonadamente emocionante!
:)

Bernadette
12/11/2003, 08h44
Esse é verdadeiramente um dia ímpar na vida e história do U2..."I believe in a celebration", eu acredito que o U2 tem tocado a alma de muitas pessoas com sua música e hoje, 20 anos mais tarde, o U2 mostrará mais uma vez ao mundo, com solidariedade e amor único, juntamente com seus fãs pelo mundo afora, o
que faz essa banda ser tão especial nas mentes e corações de milhões de fãs
pelo mundo todo. Que o show comece..."

Até mais
Maria Teresa
É isso aí, uma feliz e ao mesmo tempo angustiante espera.
Valeu Maria Tereza!

followerU2
12/11/2003, 23h14
Maria Tereza,

Posso publicar este texto no meu blog???? Achei apaixonadamente emocionante!
:)
No problema Lyla. Já perguntei a ele. Fiz várias traduções de textos dele. Aqui vai outra que ele escreveu na virada de 2001 para 2002, tem um pouco de influência dos acontecimentos no país dele, os Estados Unidos, em 2001, com os atentados de 11 de setembro:

New Year’s Day - O hino de batalha e a prece sincera do U2

Tudo está quieto em Dia de Ano Novo
Um mundo em branco se põe a caminho
Eu quero estar com você
Estar com você noite e dia
Nada muda em Dia de Ano Novo
Em Dia de Ano Novo

Tudo está quieto...uma prece para que, por um dia, todos os conflitos em nosso mundo possam cessar. Os homems poriam de lado suas armas de maciça destruição em terras estrangeiras; terroristas poriam de lado seus planos malignos de aniquilação forjados em corações de ódio; irmãos e irmãs poriam de lado suas armas de rancor para com seus pais e mães que erraram para com eles por ignorância. Um mundo coberto com a brancura do amor e unidade que cai como neve em uma noite fria iluminada pelas estrelas quando tudo está em descanso da luz sofrida do dia; um coração batendo pela quietude da noite, para que se derrame sobre o mais longo dos dias.

Eu estarei com você de novo
Eu estarei com você de novo

Alguém ainda acredita no poder do amor? Um coração que ama derramando palavras de querer, estar tão perto, com o toque da certeza de que...”Eu estarei com você de novo”, trazendo sentimentos desconcertantes, pois o mundo lá fora está indo para o inferno, e o paraíso que você mantém por dentro pode ser o único consolo contra a loucura que se vê a cada olhada para o mundo que se afoga lá fora.

Debaixo de um céu vermelho de sangue
Uma multidão se juntou em preto e branco
Braços entrelaçados, os poucos escolhidos
O jornal diz, diz
Diga que é verdade, que é verdade...
E nós podemos atravessar
Apesar de rasgados em dois
Nós podemos ser um

Debaixo de um céu vermelho de sangue...um mundo em branco se põe a caminho...Sangue significa vida; é a única coisa que não se pode negar viver em cada um de nós, nossa identidade como humanos. O pensamento de que o céu se transformaria num refúgio da vida, um refúgio da paz e graça sustentada...porque sem sangue nós perecemos. As pessoas procuram ascensão mas lado a lado elas são transformadas, braços entrelaçados para suportar o ódio em suas mãos, incapazes de suportar a morte de entes queridos em seus braços...porque nesse dia, então, o preconceito, ódio, cobiça e religiosidade que nos tem rasgado em pedaços, nos tem rasgado em dois e nos faz olhar um para o outro com olhos de intolerância e injustiça; a esperança é de que possamos ser um. E talvez tenhamos pouco controle sobre os outros, além da rua, além da cidade, além do oceano, além de terras estrangeiras, mas que essa esperança possa fazer deste um dia para transformar o errado em certo para com o ser amado, para você e eu, para fazermos a coisa certa, mesmo que estejamos feridos.

Eu...eu começarei de novo
Eu...eu começarei de novo

As mudanças acontecem de dentro para fora...deixe a paz existir e que ela comece comigo.

Oh...
Talvez a hora seja essa
Oh...talvez esta noite...

Tempo...é tudo o que temos, tudo de que precisamos. Enquanto essa noite celebramos o fim de outro ano, e olhamos com ansiedade para o ano novo, talvez o que precisamos seja habilidade para resolver questões de anos passados. Talvez o tempo esteja certo, nós temos que atravessar...talvez essa noite, nós faremos as escolhas que farão os próximos dias serem promissores nesses tempos incertos.

Eu estarei com você de novo
Eu estarei com você de novo

Quem é você que quer estar comigo de novo? É você Deus? Pode realmente ser você? Você ainda me quer? Você ainda quer estar comigo? Com tudo o que eu tenho feito, eu pensei que tivesse roubado sua canção, que tivesse esmagado seu coração, que sua voz não tivesse mais a habilidade de cantar as canções que você costumava cantar para mim. O que é que você quer de mim neste Dia de Ano Novo? Alguém ainda acredita nas mãos do Amor, na voz do Amor, no coração do Amor? “Eu estarei com você de novo”...Eu preciso agora, cantar uma nova canção no Ano Novo. Os problemas do ano passado quase partiram nossos corações, mas se você estiver conosco de novo, tudo estará bem, e nós mais uma vez iremos recuperar o que deveria ser a nossa era dourada de humanidade.

E nos disseram que essa é a era dourada
E ouro é a razão para as guerras que promovemos
Embora eu queira estar com você
Com você noite e dia
Nada muda
Em Dia de Ano Novo
Em Dia de Ano Novo

Nada muda? No horizonte distante parece que isso é verdade novamente, no novo ano... mas eu tenho esperança outra vez nesse novo ano, de que, se nada muda nas circunstâncias desse mundo, pelo menos saiba que a mudança começou em mim...

Por Chris M.Alonzo
Tradução e Adaptação por Maria Teresa M.da Rosa

Bernadette
14/11/2003, 08h48
Meninas, vocês são mesmo DEMAIS :wub: !
Valeu, também fiquei emocionada, vou mandar esse texto pra um monte de amigos!

Lyla Marmalade
14/11/2003, 09h26
Maria Tereza, ele publica estes textos? Onde? :oh: São lindos!

fabiovox
14/11/2003, 19h49
New Year’s Day - O hino de batalha e a prece sincera do U2


Bom mesmo esse texto!!! :aprovado:

Lilian
15/11/2003, 01h31
Eu estou particularmente muito feliz com o que li e a interpretação de MT. New year days é uma musica que me emociona muito.

Essa frase pra mim é tudo:"even torn in two we can be one!"

Vcs nem tem noção de como isso me toca.
OK. é isso
Toda vez que leio coisas como essas matérias... ou que revivo letras importantes como new years, dá vontade de gritar a todos:

EU AMO O U2

Lara Hewson
15/11/2003, 22h26
gente, eu soh posso dizer uma coisa:
ameiiiiiii!!!!!!!!!!!
Me emocionei muito com algums artigos...maria tereza e todos que mandaram eles, vcs estao de parabéns!!!!! :lol:

followerU2
17/11/2003, 07h43
Maria Tereza, ele publica estes textos? Onde? :oh: São lindos!
Desculpe-me Lyla e os demais, mas ando tão ocupada com o trabalho que estou tendo que escolher: ou atualizo as notícias do site da UV ou participo do fórum...droga, eu quero é férias! :(

Bom, o Chris escrevia pra o grupo original do Interference mas, assim como eu, ele meio que abandonou o grupo depois de algumas babaquices que aconteceram por lá. Daí passamos para o U2Page, uns 20 e poucos fãs de todas as partes do mundo que eram mais chegados e talz...só que a coisa por lá ficou grande demais e a Laura, dona do site, acabou tirando a página do ar por problemas pessoais e profisionais. :( Ela está pensando em alguma opção pra nós.

Ainda tenho mais algumas coisas dele e de outros fãs também arquivadas por aqui, é só dar uma pesquisada. Volto a qualquer hora ;)

Até mais
Maria Teresa

Lyla Marmalade
17/11/2003, 08h18
Puxa, que legal! Os fãs do U2 estão virando poetas... ;)

followerU2
08/12/2003, 17h41
Bom, continuando o resgate de um passado recente, e confirmando o que a Lyla falou sobre os fãs do U2 que viram poetas, acho que na realidade eles são os responsáveis, eles e sua música motivam as pessoas a se expressarem, a escreverem, a abrirem o coração...como aconteceu com outra fã, uma canadense muito legal chamada Deb Denman. Já divulguei a tradução desse texto dela na lista há um bom tempo atrás, mas como aqui tudo é reprise, segue mais uma. Pra contextualizar vocês, a Deb é fã há um bom tempo, mas nunca tinha assistido o video do Live Aid. As emoções dela ao assisti-lo pela primeira vez vocês podem conferir abaixo:

Reflexões sobre o Live Aid...um pouco atrasadas.

Eu não sabia de nada. Eu apenas ouvia. Por anos, tudo o que eu sabia sobre Bono era sua voz, sua banda e era mais do que suficiente. A música é um remédio poderoso. Mas ainda assim eu era aquele tipo de garota ligada em arquivos, uma historiadora do rock and roll que iria escavar toda e qualquer reportagem, cada parada da Billboard, cada entrevista para encontrar as raízes da minha música e dos heróis que me resgataram do meu mundo cinzento, como os Rolling Stones e Bruce Springsteen e todos os artistas que eles chamaram de influências.

O U2, entretanto, era uma banda dos anos 80, eles não apareciam nos arquivos de ninguém, eles apenas surgiram no rádio e capturaram minha imaginação com aquelas canções. Nos anos 80 eu era uma estudante meio sem grana, sem televisão, somente algumas revistas de música para saber as notícias. Eu não assistia videos, eu nunca assisti ao Live Aid, nunca soube como o U2 arrasou com aquela apresentação, nem mesmo sabia como eles se pareciam no palco até que o Rattle and Hum apareceu em 1989. Por aquela época, é claro, eles já tinham rearranjado o meu DNA com o The Joshua Tree, e capturaram a maior parte do mundo ao mesmo tempo. Era o muito que eu sabia.

Agora, 15 anos mais tarde e graças à comunidade na Internet, eu estou pesquisando nos arquivos de novo - dessa vez nos arquivos de video do U2. No rock and roll, Bono aos 41 anos é um tipo de estadista experiente, especialmente depois desta última e triufante turnê. Eu estou apreciando assisti-lo e aos meninos envelhecerem junto comigo; as linhas ao redor dos seus olhos são encantadoras, e uma maturidade levemente grisalha em quatro corações ainda ardentes é reanimadora. Eu vi milhares de fotografias deles através dos anos, é claro, mas aprendi que elas não fazem justiça ao Bono ao vivo. Eu tenho apreciado o jeito debochado do The Fly e o frontman de cabelo tosado da Popmart, mas à noite passada eu assisti ao Live Aid pela primeira vez.

Aquele vocalista de rosto tão jovem foi uma revelação. A música Bad é uma revelação, não é? Que escolha para um evento tipo “grandes sucessos”. Aquele vocalista, 25 anos recém feitos, olhava para aquela multidão com seriedade e convicção do também jovem rei Henrique V...sabendo que ganhar a confiança deles significava, de alguma forma, vencer essa batalha. Os olhos dele, ao cantar os primeiros versos – If you twist and turn away, If you tear yourself in two again...Seus olhos exigem quietude, eles ardem com respeito pelos que sofrem. Eles talvez até mesmo rezem. O tamanho da platéia parece não importar; ele confia em que eles ouçam e cantem, como se eles estivessem todos juntos em um clube. E assim eles fazem. Eles ouvem...quando ele dá a deixa para Walk on the Wild Side o volume, a unidade é impressionante. Uma coisa é assistir um veterano com 20 anos de carreira e um catálogo de sucessos matador trabalhar seu público; outra bem diferente é ver uma banda ainda em ascensão levar 15 minutos tocando uma música que nem era single em uma maratona de 12 horas com fazedores de sucesso, e deixar 70.000 não-simpatizantes sem fôlego (embora eu sinta um certo orgulho em ver todas aquelas bandeiras do U2 bem lá na frente). E, é claro, a dança. Ele canta para um estádio como se fosse do tamanho certo do seu coração, e ele encontra apenas uma garota (bem, na real três) para tomar em seus braços porque é grande assim que um coração deve ser.

Porque eu deveria me surpreender? Porque eu fico tão tocada, tão vulnerável depois desses anos todos sabendo muito bem o que eles fazem? Não tenho certeza, mas aquele jovem Bono me emociona...é mais do que instinto, é fé. Aos 25 eu era tão faminta quanto ele, mas invisível. Bono era a “ambição cega” como ele diz, seu entusiasmo era quase incansável, talvez ele quisesse simplesmente gritar para o seu Deus. Gritar: ele nunca duvidou que isso era legal, que seu Deus entenderia se ele tivesse essa conversa as pessoas, quanto mais melhor. Naquela apresentação, seu alcance foi mais alto do que eu poderia imaginar, sua audácia além da minha compreensão, sua compaixão a matéria dos meus sonhos. Porque ele não se perdeu?

Eu levei até 2001 para de verdade perceber que Bono é só um cara com uma vida como a minha. Sua fome sempre foi tão profunda, sua agitação tão verbal, seu diálogo espiritual tão veemente que ofuscou sua normalidade. Realmente, o que eu tenho ouvido todos esses anos foi a sua Musa (e minha própria), completada pela mortalidade enfadonha; eu estou mais velha agora, eu vejo que ele é uma pessoa como eu, e através da minha própria jornada espiritual eu acho que sei porque ele não se perdeu. Mas eu ainda me surpreendo com aquele jovem de 25 anos. Se eu o tivesse visto naquele dia, quando eu tinha apenas 22, perdida e pequena, não teria mudado minha impressão sobre ele nem um pouco. Ele parecia como sempre exceto por uma coisa: dessa vez eu vi a normalidade e eu a vi transformada por aquela Musa, por aquela enorme fé no Amor – do tipo que faz a gente fazer a coisa certa. Não me desculpo por dizer isso: no Live Aid eu vi um anjo, puro de coração, sua fé incendiária suspendendo-o – com certeza além da vergonha que alguém teria, mas também além da segurança, acreditando com sua própria vida que tocar é curar, e que se danem os críticos. Ele é um inocente que sente a dor do mundo como eu sentia. Ele é forte – ou pelo menos verbal – como eu não era.

Como acontece com todos nós, ele deixou aquele tipo de inocência para trás – mas não a sua Musa. Aquele mesmo espírito nos elevou a todos durante todo o ano que passou. Bono mantém o coração tão aberto quanto em 1985 e a luz de sua performance no Live Aid é tão intensa ainda hoje. Alguma vez deixamos de ter 22 anos, jovens e inseguros bem lá no fundo, mais do que deixamos de ter 10 anos? Eu só sei que existe uma jovem mulher com medo dentro de mim mas com um pouco mais de esperança no seu coração, e um pouco menos de desespero, porque um jovem impetuoso com uma fé que move montanhas prendeu o olhar dela com o seu, através do tempo, e disse “Nós vamos ficar bem...”

Por: Deb Denman
Tradução e adaptação: Maria Teresa M.da Rosa

PCALIFORNIA
10/12/2003, 00h21
:rolleyes: :rolleyes: :rolleyes:
;) consegue se superar a cada texto teresa...rs
amei....que sensivel....
bjs

Bernadette
13/12/2003, 00h43
Puxa vida, lágrimas nos olhos ...
Alguém tinha que entregar isso pra ele, ele merece ler isso e ela merce que seu texto chegue até ele.
Caramba, não sei o que dizer.

followerU2
13/12/2003, 01h10
Só pra lembrar que esse texto não é de minha autoria...bem que eu gostaria de escrever assim, como a Deb ou o Chris, mas não tenho esse talento. Essas versões que faço, com consentimento dos autores, juntam o útil ao agradável pra mim. São um ótimo exercício pra quem prentende ser tradutora (um dia...), além de serem relacionados à minha velha paixão/hobby/vício...U2, of course. :P

Até mais
Maria Teresa

Ane Witt
13/12/2003, 20h03
Indiscutivelmente emocionante!! Acabei o segundo grau, pensei em férias, mas o cursinho é pra matar um cristão, tenho que me acordar mais cedo ainda, a tarde não me sobra tempo, mas hoje resolvi entrar no fórum pra ler este tópico, to a mais de hora lendo ele, a interpretação de New Year's Day é fantástica, li 3 vezes, é quase surreal! A carta do Bono para o pai (faz tempo que foi colocada qui, mas hoje reli) é como um remédio depois de um péssimo dia, eu ando torta de cansada, mas só emler essas coisas me faz um bem que até esqueço dos problemas (e do vestibular que suga minha energia vital, experimentem estudar em 1 mês o conteúdo de 3 anos, é pra matar um). Ja lí alguns comentários sobre shows do U2 e talzs mas esse da Deb Denman é de deixar alguém como eu que não tive a oportunidade de assistir a melhor banda do mundo morrendo de inveja, pelo menos a imaginação serve de consolo. Queria poder jogar tupo pro alto, e tomar uma overdose de U2, escutar todos os Cds, desde o Boy até o ATYCLB, assistir à todos os DVDs e a alguns videos que disponho, e ficar na internet cavocando sobre ele... mas que sonho, só vou me livrar da culpa de querer fazer isso apenas em fevereiro, mas os sonhos servem como refúgio. Desculpem escrever algo que está na contra mão do tema deste tópico, mas não existiria lugar melhor para desabafar sobre tais assuntos do que num lugar rodeados de fãs também insanos e talvez incompreendidos, que é como eu me sinto. Todas as entrevistas e comentários deste tópico são como recargas de ter certeza de que amo a banda certa.

T+

Ane Witt

desculpem-me novamente, pois esta mensagem não acrescenta nada ao tópico de velhas intrevistas, infelizmente não tenho nada a postar aqui, apenas o que ja é do conhecimento de todos.

followerU2
13/12/2003, 22h56
Ane, acho que não falo só por mim quando digo que não há razão nenhuma pra pedires desculpas. Essa fase da tua vida agora (fim de ensino médio, vestibular, opções a serem feitas na vida...) é bastante dura pra ser vivida em tão tenra idade. Acredite, já passei por isso há muitos anos atrás, mas até hoje lembro-me muito bem. Então fico contente de saber que, de certa forma, a leitura desses artigos e entrevistas te ajuda a "desopilar" um pouco.

Falando em artigos, terminei de ler hoje uma matéria da revista NME sobre o show de Sarajevo, muito boa, emocionante. Pretendo arriscar uma tradução dela (aliás até já comecei mas talvez leve um tempinho pra terminar), porque tenho certeza que pessoas como tu e tantos outros que não têm a revista vão se interessar. Foi um momento único da carreira deles, assim como foi o Live Aid, descrito acima pela Deb e anteriormente pela Joan Baez.

Até mais :)
Maria Teresa

followerU2
14/12/2003, 16h37
Amigos, não sei se acontece com vocês o mesmo que comigo, mas sempre tive verdadeira fascinação pelo show que o U2 fez em Sarajevo (aliás, um dos meus bootlegs favoritos). Primeiro, porque realmente amei a Popmart, com toda a sua louca concepção. Se para nós que sempre vivemos em paz já foi um evento especial, imaginem o que esse show significou para aquele povo tão sofrido. Então quando li esse artigo da NME Originals pensei em fazer uma versão em português, porque ele é ótimo e talvez mais fãs possam pensar e sentir o mesmo que eu ao lê-lo. Vou dividi-lo em 4 partes, porque o artigo é bem longo. Parabéns antecipados aos que tiverem paciència para ler até o fim, porque compensa. :)

O FOGO CRUZADO INESQUECÍVEL

Por Mat Smith, para a NME

Enquanto o avião da Popmart do U2, com um limão gigante pintado na sua cauda e um carrinho de supermercado na cabine, se torna visível acima das pitorescas colinas de Sarajevo, o bando de gente barulhenta da imprensa local se aglomera no aeroporto Tarmac lá embaixo e deixa escapar aplausos.

O avião aterrisa, os passaportes são descarregados, uma pilha de 50 cm de altura. Então chega a banda. Uma disputa pelo melhor lugar imediatamente se instala ao redor de Bono e um breve discurso começa. “Obrigado por nos emprestar sua cidade por essa noite. Esperamos tratá-la melhor do que o resto do mundo o fez durante a guerra”, ele diz.

“Qual é a mensagem do show?”, pergunta um jornalista local.

“Eu gostaria de pensar que a mensagem é de que a música está além da política.”

“O que vocês esperam?”, pergunta outro, enquanto o vocalista autografa a manga do uniforme de um soldado francês.

“Eu espero uma cidade roqueira. Porque antes da guerra, a música era tudo. Depois da guerra a música vai voltar a ser tudo.É por isso que estamos aqui. Esse é o nosso trabalho.”

Bono nos apresenta à uma mulher que viajou com a banda no avião. Essa é Miss Sarajevo, Inela Nogic, que mais tarde revela ter sido idéia de sua mãe que ela estivesse presente. “Ela ouviu que eles vinham e disse ‘mande um fax pra ele’. Foi o que fiz e cá estou eu.

Ela está tentando pôr os estudos em dia, que foram interrompidos por causa da guerra. “Você tem que concluir algumas coisas na vida”, ela diz desafiadoramente.

Para muitos, o sofrimento da população da Bósnia chegou até seus países vividamente pela ZOO TV do U2 e suas conexões via satélite da cidade de Sarajevo, durante o verão de 1993, da mesma forma que as transmissões de Martin Bell, da BBC, que duraram anos.

As conexões ao vivo via satélite com a ZOO TV foram criadas por Bill Carter, um voluntário norte-americano que contatou a banda na esperança de que o show deles pudesse ser utilizado para enfatizar a destruição que Sarajevo estava enfrentando, sob bombardeio constante dos sérvios.

“Aconteceu de eu estar furioso com tudo aquilo e de eles serem receptivos a isso”, Carter explica. “Eles realmente queriam vir e tocar na cidade mas naquela época isso estava fora de questão.”

Isso foi em 1993, quando qualquer ajuntamento de pessoas com certeza atrairia a indesejável atenção de franco-atiradores.

“Em vez disso, eu disse ‘vocês têm os maiores televisores do mundo, vamos transmitir ao vivo de Sarajevo’”. A cada dia, Carter vasculhava a cidade em busca de locais para transmitir a realidade deles para qualquer estádio onde o U2 estivesse naquela noite. Mas as coisas mudaram na segunda noite de um total de quatro shows que a banda estava fazendo no Estádio de Wembley, em agosto.

“Já haviam se passado 2 meses e eu estava com dificuldades de conseguir pessoas para participar. Então achei essas 3 garotas, uma muçulmana, uma croata e uma sérvia. Um das garotas perguntou ao vivo ao U2,’o que vocês vão fazer?’ Houve uma pausa e, antes que a banda pudesse responder, ela disse:’Eu sei o que vocês vão fazer, vocês não vão fazer é nada.”

O clima no estádio ficou pesado. As acusações daquela garota tinham tocado fundo na vergonha de todos os presentes, de tal forma que nada, ainda menos um show de rock, poderia dissipar.

“Em qualquer grande momento de uma jornada chega aquela hora em que você acaba sendo cínico”, explica Carter. “A questão não é terminar com a guerra, embora todos possam ter essa ilusão de vez em quando. Eu tive, eles (a banda) provavelmente também. Então você dá o próximo passo, ou seja, você faz o que pode e vai em frente.”

O que o U2 decidiu fazer foi tocar em Sarajevo.

O ônibus a caminho do hotel passa pelas ruínas da estação de TV (de onde Carter enviou seu fax, contatando com o U2). A estação se assemelha à uma gaita de metal e concreto retorcidos que foi espremida até o final. Em Sarajevo, a estação de TV, o prédio do parlamento e a biblioteca pública foram destruídos ou incendiados. Mas a vida continua. As crateras causadas por estilhaços de bombas e por morteiros foram preenchidas e pintadas de vermelho. Papelões que chegam à altura dos joelhos com a palavra “explosão” escrita – parte de um programa de conscientização sobre minas terrestres – erguem-se das calçadas. Antes de plantá-las indiscriminadamente, os sérvios pintaram muitas de suas minas de amarelo brilhante ou vermelho, com a perversa esperança de que crianças curiosas iriam parar para pegá-las. A SFOR, força multinacional de estabilização da Bósnia, ainda junta os restos de 3 pessoas por semana, graças a essas geringonças baratas mas eficientes.

O Hotel Holliday Inn, assim como o Commodore em Beirute ou o Continental Palace em Saigon, alcançou um status legendário. Foi aqui que, em 1992, o líder sérvio Radovan Karadic e 12 de seus capangas tomaram conta dos andares superiores e começaram a atirar contra as pessoas que participavam de uma passeata pela paz, lá embaixo. Corre uma estória de que jornalistas visitantes alugavam um quarto no hotel para, no final das contas, dormirem no corredor, na frente do banheiro, de forma a efetivamente colocar 3 paredes entre eles e qualquer coisa que viesse das colinas lá adiante. Nos anos que se seguiram, sem dúvida o staff do hotel iria rir ao saber das tentativas de uma banda de rock visitante em destruir essas paredes blindadas. Afinal de contas, elas foram construidas por profissionais. O serviço de aluguel de carros no lobby do hotel também oferece carros blindados para alugar.

“Quando Bono visitou o hotel na véspera do ano novo de 1995, havia áreas onde paredes inteiras haviam desaparecido. Ele contou que, caminhando pelo corredor, ele subitamente dava de cara com um abismo,” conta The Edge, rindo.

followerU2
14/12/2003, 16h38
Dois dias antes do show, os caminhões e a equipe do U2 entraram na cidade, em comboio, buzinando ao chegar. Essa foi a primeira evidência séria de que o U2 estava cumprindo a promessa feita por Bono de que ele voltaria e que, da próxima vez, traria a banda com ele. Pessoas nas ruas aplaudiam o comboio.

“Quando os motoristas dos caminhões chegaram, dava pra ver que algo havia acontecido”, diz Willie Williams, designer do palco da Popmart. “O único problema que eles tiveram foi com um fiscal de alfândega, na fronteira. Isso foi o ápice da carreira dele – 50 caminhões e 1 limão gigante -. Ele os segurou lá por horas.”

Brian Eno, cuja escola de música perto dali, em Mostar, foi aberta recentemente, já conhece a burocracia e os falsos argumentos políticos que são normais na Bósnia.

“Pra que esse show acontecesse, muita coisa rolou. Todos os poderosos da cidade tiveram que apoiar o evento. E foi o primeiro aqui em que isso aconteceu. Provavelmente porque o entretenimento é neutro o bastante para que as pessoas não vissem conotações políticas nisso. Uma maneira efetiva de mostrar seu poder num lugar como esse é resistir, causar emprecilhos, e parece que eles não fizeram isso. Parece que realmente houve cooperação.”

“Nós viemos aqui em março e pensamos ‘isso não vai dar em nada, é só mais uma idéia maluca do Bono’’, diz o co-promoter John Giddings. “Nós pensamos, ‘o que podemos fazer pra que não aconteça?’ Mas então encontramos as pessoas daqui e realmente nos comprometemos em trazer o show.”

A venda de ingressos estava devagar até a chegada dos caminhões. “Eu acho que essa é uma cidade que foi tão decepcionada por tantas vezes, que muitas pessoas não estavam preparadas para acreditar que o show iria mesmo acontecer, até que viram o palco sendo montado”, diz o empresário do U2, Paul McGuinness.

No dia seguinte, eles venderam 8.000 ingressos.

Apesar de o U2 aceitar patrocínio pela primeira vez em sua carreira, da Coca-Cola e da GSM, uma companhia de telefones celulares, o show deve deixar um rombo em torno de 500.000 libras nas finanças da banda.

“Sim, estamos tendo prejuízo com esse show”, McGuinness admite. “Mas nós sabíamos que vir e cobrar o preço certo pelo ingresso seria crítico, porque existem muitos desempregados aqui (atualmente 50%). As pessoas simplesmente não têm dinheiro no bolso. Mesmo um gasto de 8 libras é algo grande para o povo dessa cidade.”

“Nós nos oferecemos para fazer um show de caridade aqui”, Bono diz, só chegar e fazer um show simples, mas eles queriam a droga da coisa toda. Eles queriam o limão.”

Antes da guerra, Sarajevo era uma cidade multi-étnica, com uma população formada por sérvios, croatas e muçulmanos. Era um centro famoso de culura e ensinamento. Mas quando a Iugoslávia começou a se esfacelar no início da década, Sarajevo se transformou em uma imagem ofensiva para aqueles que queriam Estados separados.

Embora a visita do U2 tenha sido cuidadosamente despida de envolvimentos políticos, Bono ainda arranjou um breve encontro naquela tarde com o presidente bósnio, o muçulmano Alija Izetbegovic, onde eles discutiram Cristianismo e o Islã.

“Até certo ponto”, diz McGuinness, “nós deveríamos ficar longe da política. A história dessa região vem de milhares e milhares de anos, desde o Império Otomano. Essas são as origens desse conflito. Lembre-se que foi o assassinato do arquiduque Ferdinando logo ali adiante, nessa rua, que precipitou a 1ª Guerra Mundial.”

Na Grã-Bretanha, esse show tem incitado algum cinismo. Qual é, muitos imaginam, o verdadeiro gol do U2 nisso? O que eles estão procurando ganhar? Notoriedade? Alguma santidade? Saudações surrealistas?

followerU2
14/12/2003, 16h39
“Eu não acho que você não possa explorar uma guerra a menos que seja contrabandista do mercado negro ou comerciante de armas ou algo assim”, McGuinness conta. “Nós tivemos contato com gente suficente aqui para saber que certamente não seria algo ofensivo para o povo de Sarajevo.”

“Eu acho que o humor e a presença de espírito do show tem apelo para eles”, Bono diz. “Essa foi a última defesa deles aqui. Humor é tudo, sabe. O riso é a evidência da liberdade, de certa forma. Esse é um pensamento interessante para vocês. E eles têm um tal senso de humor negro...As primeiras pessoas de Sarajevo que conheci me contaram essa piada: ‘Qual a diferença entre Auschwitz e Sarajevo? Pelo menos havia gás em Auschwiz. Eu fiquei tipo, ‘whoargh!”

“Existe uma longa tradição de surrealismo através da guerra aqui, “ McGuinness diz. “A canção Miss Sarajevo comemora algo muito mais surreal do que o que estamos fazendo. Eles fizeram um concurso de beleza num bunker no meio do abrigo anti-aéreo. Dedos apontados para o mundo: ‘Vocês podem ter nos esquecido mas nós estamos vivos e fazendo concursos de beleza.”

O caminho para a visita do U2 foi facilitado pelo ex-ministro do exterior da Bósnia e atual embaixador na ONU, Muameda Sacirbegovica.

Bono encontrou com ele originalmente na Itália e, segundo Sacirbegovica, “Bono disse, ‘Tome um drink´, e eu disse, ‘com certeza’, e ele disse, ‘bem, aqui está o meu copo’. De alguma forma, naquele passar de copos eu acho que muito mais se passou, incluindo o que nos levou a esse show.”

Boatos sobre seu comportamento e de Bono em Sarajevo na véspera do ano novo de 1995 são lendários. Alguns juram que ouviram o presidente Itzebegovic criticar Sacirbegovica e Bono durante um discurso de ano novo à nação alguns dias depois, referindo-se ao par como “imbecis bêbados debaixo de uma mesa de bar.”

Sacirbegovica explica, “Nós passamos uma véspera de ano novo aqui em Sarajevo. Nós bebemos alguns drinks, que agora, de acordo com a lenda, viraram algumas caixas. Foi uma noite divertida, mas eu acho que mais do que tudo Bono sentiu como é Sarajevo. Não houve nenhum sinal de maus comentários sobre como Bono e eu nos comportamos. O que aconteceu é que Itzebegovic fez alguns comentários sobre o que ele considerou ser inapropriada bebedeira e excessiva celebração pública numa época em que a guerra recém tinha terminado e nós havíamos sofrido tanto.”

Sacirbegovica está feliz por ver o vocalista de volta à cidade. “Eu estou envolvido com diplomacia e política há muito tempo e você nunca pode ter certeza sobre as consequências das palavras que você diz ou dos documentos que assina. Uma coisa da qual eu tenho certeza é que o show do U2 somente contribuirá para o bem da Bósnia, para a integração do país e para a felicidade de seu povo. È incrível ver bósnios gostando de si mesmos e, eu acho, tendo pela primeira vez em muito tempo uma sensação de otimismo sobre o futuro.”

“As consequências serão sentidas por longo tempo e isso é bom. Políticos demais vêm para cá para assinarem um pedaço de papel, então vão embora antes das câmeras de TV e dizem que fizeram algo. Mas o tipo de sentimento, a sensação de segurança, normalidade, integração do país para os quais esse show contribui – so pode trazer benefícios.”

followerU2
14/12/2003, 16h40
Bem acima do estádio de Kosovo, a parte mais prática do show está por começar. Um limão gigante prateado se ergue, aceso por uma ofuscante barragem de luzes. Dentro dessa engenhoca parecida com uma vagem do ano 2001, os 4 membros do U2 estão de pé escondidos da multidão, braços cruzados, vestidos de Village People. Essa noite, a conversa gira em torno do show. Eles tentam freneticamente se lembrar da introdução de Miss Sarajevo, uma música que eles raramente tocaram ao vivo.

O show é mais como uma montanha russa, muito mais do que eles poderiam imaginar. A voz do Bono se acaba mais ou menos lá pela quarta música, duas visitas aos bastidores do show para tomar injeções de cortisona ajudam um pouco, mas acabam de vez com o desejo original do vocalista de chegar e ofuscar a tudo e a todos completamente.

Assim que o tamanho da bronca se torna evidente durante New Year´s Day, Bono apela para o público, “Minha voz se foi mas suas vozes são fortes. Eu peço que vocês me apóiem como vocês se apoiaram uns aos outros naquelas semanas, meses e anos.” O rugido resultante é suficiente para fazer o estádio levitar.

Construido numa colina, o Estádio de Kosovo é cercado de cemitérios. Os mortos foram transferidos para cá de suas sepulturas dentro do estádio, no final da guerra. A estrutura do estádio era o único lugar onde famílias podiam enterrar seus entes queridos sem o risco de serem baleados durante o sepultamento.

Todavia, a profundidade da emoção que toma conta do lugar enquanto The Edge canta Sunday Bloody Sunday e o U2 se lança em Miss Sarajevo só pode ser parcialmente explicada pela localização e pelas circunstâncias.

Quando a voz de Pavarotti ecoa através do estádio e, nos telões, as modelos do documentário de Bill Carter, Miss Sarajevo, descerram uma faixa onde se lê “Por favor, não deixem que ele nos matem”, é impossível permanecer inerte.

Talvez seja o acúmulo de tantas estórias de horror que você ouviu dos cidadãos naquele dia, pessoas que você conheceu que se abrigavam das balas dos franco-atiradores debaixo dos carros estacionados. Pessoas como eu e você, que temem por sua sanidade porque elas são capazes de falar com conhecimento de causa sobre apanhar membros decepados de pessoas da área pavimentada de um mercado onde um morteiro acabou de aterrisar. Pessoas que, por três anos, acordavam todas as manhãs e só queriam se sentar no porão até que eles sentissem alguma adrenalina rolando que as fizessem sair e tentar levar uma vida o mais normal possível. Pessoas que até hoje não podem entender completamente porque a OTAN disse que a guerra era complicada demais para parar, ainda assim quando a OTAN finalmente se envolveu a guerra acabou quase que da noite para o dia.

Ao final desse show, enquanto o U2 está nos camarins, outra troca ainda mais significativa acontece, quando 10.000 soldados no estádio ficam de pé e aplaudem o povo de Sarajevo e a multidão retribui.

Independentemente do que você pense sobre o U2, o fato de que eles vieram e tocaram aqui significa mais do que qualquer show, não importa se grande ou pequeno, que eu já assisti. Para o povo de Sarajevo, o evento colocou a cidade deles de volta no mapa.

E para nós, e talvez para o U2, de certa forma serviu para amortecer a culpa por uma guerra que danificou a reputação da ONU, manchou o nome de virtualmente todo líder europeu e, com isso, de todos os habitantes dessas nações.

Mas se você estivesse aqui, você sentiria algo diferente no ar, algo triunfante, muito tempo depois que as palavras sairam da boca do Bono, ressoando pelas caixas acústicas, filtraram-se através da massa emocionante de lágrimas de alegria, da vida que gritava no Estádio de Kosovo e ecoava através de cada esquina dessa danificada mas destemida cidade – “Viva Sarajevo! Viva Sarajevo! Foda-se o passado. Vamos beijar o futuro.”



Era isso. :)
Até mais
Maria Teresa

Vanessa
14/12/2003, 17h02
valeu por compartilhar isto conosco Maria Teresa... estou sem palavras!!

Bernadette
14/12/2003, 19h08
Valeu MT! Sempre tive vontade de ler relatos sobre esse show e sobre como foi fazer esse grande acontecimento lá. Como eu sou uma ignorante virtual e uma fã relapsa e mau informada, tenho que perguntar : existe DVD, VHS, ou alguma outra coisa disponibilizada na internet desse show histórico?
Valeu!

followerU2
14/12/2003, 23h39
Bernaddete, não sei se esse show foi televiosionado, só sei que foi transmitido por rádio FM, mas imagino que deva haver algum VCD por aí, de qualquer maneira eu não tenho mas também gostaria de ter.

No link abaixo dá pra ouvir o show inteiro em versão Real audio streaming, costumo usar esse link quando fico algumas horas na frente desse PC :)

http://www.u2exit.com/concerts/sarajevo.shtm

Até mais
Maria Teresa

followerU2
16/12/2003, 08h23
Bom, não querendo encher o saco de vocês :rolleyes: mas lembrei de mais alguns links sobre Sarajevo que vale à pena conferir, na minha opinião.

O primeiro tem fotos ao mesmo tempo maravilhosas e chocantes, do show e da cidade na época do show:

Sarajevo á espera do U2 (http://www.gimb.org/~berzi/u2/personal/sarajevo/sarajevo.html)

O segundo tem um review feito a quatro mãos pelos verdadeiros homenageados... dois fãs locais que descrevem com detalhes o que foi esse show. Em inglês.

A emoção dos fãs de Sarajevo (http://www.u2tours.com/displayfan.src?ID=19970923&XID=529&Return=http%3A%2F%2Fwww%2Eu2tours%2Ecom%2Fdetail%2 Esrc%3FID%3D19970923)

Até mais
Maria Teresa

Bruna
16/12/2003, 20h38
Eu tava querendo ler esse artigo sobre o show em Sarajevo desde do dia q vc o postou,mas só agora tive tempo. :)
Também considero esse show muito especial devido a esse contexto no qual ele estava inserido.
É impossível deixar de dizer q o artigo é belíssimo(esse tipo de comentário já virou chavão aqui no fórum,mas fazer o q? :P ) e que nos deu uma ótima noção sobre o que foi e o que significou aquele show. :sim:

Obrigada mais uma vez,MT! ;)

followerU2
21/12/2003, 21h24
Legal Bruna, obrigada pelo feedback. Deu bastante trabalho fazer essa versão, mas eu gosto particularmente das duas coisas: do show de Sarajevo e tudo o que rolou pra que ele acontecesse e de arriscar essas versões. :)

Bom, pra quem gostou do texto do meu amigo Chris sobre New Years Day (confiram as páginas anteriores) achei um outro muito legal (também já mandei pra lista há um bom tempo atrás) que ele escreveu sobre a conexão entre a última faixa do Unforgettable Fire, MLK e a primeira do Joshua Tree, Where the Streets Have no Name. Sugestão: experimentem colocar uma depois da outra pra ver como ele tem razão :sim:

“MLK”...SONHOS REALIZADOS NAS CHAMAS DO AMANHECER DE “STREETS”

Enquanto ouvia a ambos os discos The Unforgettable Fire e The Joshua Tree recentemente, eu tive essa torrente de percepção visual de uma possível relação entre a última música do álbum The Unforgettable Fire, MLK, e a primeira do The Joshua Tree, Where the Streets Have no Name.

Os versos de MLK estão vivos em imagens translúcidas de Martin Luther King postumamente adormecido, sob o contexto de seu trabalho para dar sua vida pela
liberdade e pelos direitos civis, o sacrifício final por todas as pessoas, de todas as raças, e de que algum dia seus sonhos se tornariam realidade, a despeito da tempestade de preconceito e injustiça que poderia advir. Aqui a chuva parece representar a recompensa que viria aguar as sementes lançadas à terra no seu discurso “I Have a Dream”, representadas pelo trabalho de uma vida a partir disso, e através das vidas de muitos que escolheram vestir o manto da mudança em nome do amor (“in the name of love”).

Sleep
Sleep tonight
And may your dreams
Be realized
If the thundercloud
Passes rain
So let it rain
Let it rain
Rain on him

Esse belo hino de libertação fecha com um som pungente de órgão que é como o fim do mais longo dos dias, como um silêncio que vem quebrar os momentos de incerteza e intranquilidade, o ocaso do sol que não deixa sombras, só cicatrizes...cicatrizes que precisam do descanso da noite (nota: trecho parcialmente tirado de One Tree Hill "the sun so bright it leaves no shadows, only scars).

O que eu observei é que esse som de órgão surge novamente no começo de Where the Streets Have no Name, com o conhecido prelúdio à repicante guitarra de The Edge, que soa como o amanhecer de um novo dia, com novas e infinitas possibilidades. Eu encorajaria qualquer um a ouvir Streets com o sol nascendo e você verá como a guitarra do Edge pinta as cores laranja e azul contra a tela do céu, uma paisagem de promessa e esperança. Então Bono adiciona sua pintura em palavras e versos que são todos de uma vez só celebratórios, porque eles falam de mudanças e das diferenças que nós podemos fazer quando enfrentamos nossos medos e limitações...alcançar e tocar a chama da transformação da noite para o dia, do errado para o certo, da cegueira para a visão.

I want to run
I want to hide
I want to tear down the walls
That hold me inside
I want to reach out
And touch the flame
Where the streets have no name

I want to feel sunlight on my face
I see the dust cloud disappear
Without a trace
I want to take shelter from the poison rain
Where the streets have no name

Por Chris M.Alonzo
Tradução: Maria Teresa M.da Rosa

Lyla Marmalade
21/12/2003, 23h05
Eu amo ler coisas interessantes, inteligentes e apaixonadas. E posso te dizer que esse seu amigo Chris Alonzo é um ótimo e inteligente poeta. Eu tive copiar este texto pro meu pc, MT. Ele é muito bom, como aquele outro dele e o outro sobre aquela cantora falando do Live Aid... Amo essas reviews e esses textos analisando letras, estrofes, as músicas, as melodias... São tão legais!!! Obrigada, MAria Tereza. Esses textos deveriam ser publicados. Vc nunca pensou em colocá-los na internet, não só em fóruns ou listas de discussão, mas num site? Deveria ter algum site trazendo esses textos apaixonados dos fãs, que viram poetas por causa de alguma letra, melodia ou textos do U2!

Amei...

Bruna
22/12/2003, 22h18
conexão entre a última faixa do Unforgettable Fire, MLK e a primeira do Joshua Tree, Where the Streets Have no Name. Sugestão: experimentem colocar uma depois da outra pra ver como ele tem razão :sim:

Ponto de vista interessantíssimo.Nunca me passou pela cabeça q poderia haver uma ligação entre as duas músicas.Coincidência ou algo proposital?Em se tratando de U2,essa é mais uma incógnita pros fãs. :sim:
Pode ter certeza q umas das primeiras coisa q vou fazer amanhã vai ser escutar as duas músicas pra reparar no som do órgão. ;)

followerU2
22/12/2003, 23h33
Esses textos deveriam ser publicados. Vc nunca pensou em colocá-los na internet, não só em fóruns ou listas de discussão, mas num site? Deveria ter algum site trazendo esses textos apaixonados dos fãs, que viram poetas por causa de alguma letra, melodia ou textos do U2!

Oi Lyla, na verdade eu sou o que se pode chamar de "analfabeta da informática", em termos de fazer páginas na internet e talz, não levo o menor jeito pra coisa. Além do mais, trabalho o dia inteiro na frente de um PC, não sei se teria saco pra me envolver com algo como um site próprio. Prefiro continuar com minhas intermináveis traduções e versões. :sim:

A maior parte desse material já foi enviado antes para a lista da UV ou era parte do e-zine em que trabalhei durante 1 ano mais ou menos, em 2001. Algumas coisas foram adicionadas ao site da UV, na seção Notícias/Artigos. As gurias do site da UV sabem que podem utilizar essas ou outras matérias que coloco no fórum, se quiserem, no problema.

Até mais
Maria Teresa

followerU2
05/01/2004, 22h07
Olá pessoas :)

Sei que ando meio sumida do fórum/lista, as coisas andam meio complicadas pra mim nesse início de ano. Mesmo assim, nesse fim de semana levei um velho livro pra praia comigo, o The U2 File - A Hot Press U2 History, que traz praticamente todos os artigos e entrevistas publicados pela Hot Press desde o início da carreira da banda (confira o primeiro artigo publicado na revista sobre eles, algumas páginas antes nesse tópico) até a época do álbum e tour The Unforgettable Fire.

Bom, nesse livro tem uma das melhores entrevistas antigas com o Bono, na minha opinião, feita pelo Liam Mackey e publicada em 15 de agosto de 1983. O artigo chama-se Articulate Speech of the Heart e é na realidade uma conversa que rolou durante quase uma noite inteira, da meia-noite ao amanhecer. Tem muita, mas muita coisa legal nessa entrevista, principalmente sobre o álbum War, incluindo o trecho abaixo que fala sobre Sunday Bloody Sunday (páginas 96 e 97, pra quem tem o livro), e o que eles realmente queriam dizer com essa música. Segue uma daquelas minhas traduções livres, feita simultanemente com a digitação, então minhas desculpas antecipadas se algo não soar bem, okay? Here we go...

Sunday Bloody Sunday foi a canção que, especialmente na Irlanda, despertou maior interesse, mas foi o que a banda experimentou em sua turnê pelos Estados Unidos, com relação ao sentimento republicano irlandês-americano, que diretamente influenciou sua criação. Bono relembra um incidente em particular, que o fez parar pra pensar.

"Eu sai pela porta do camarim em São Francisco e havia umas 30 ou 40 pessoas esperando pra conversar e ganhar autógrafos e eu estava rabiscando meu nome em pedaços de papel que eles me entregavam. Então eu peguei um desses pedaços de papel e estava a ponto de escrever meu nome nele quando alguma coisa em mim me disse "espera aí um pouco...". O papel estava dobrado e quando eu o abri vi que era um abaixo-assinado - eu estava a ponto de assinar meu nome em uma petição em apoio a um cara que eu nunca ouvi falar, um irlandês com conexões republicanas (nota: certamente alguém ligado ao IRA). Daí eu fiquei preocupado...

Quer dizer, apesar de ser republicano, eu não sou muito dessas coisas de territórios e fronteiras. A idéia toda com relação à bandeira branca no palco era pra cair fora do Verde, Branco e Laranja (nota: as cores da Irlanda), pra fugir das Estrelas e Listras (nota: da bandeira dos Estados Unidos), pra fugir da Union Jack (nota: apelido da bandeira britânica). Eu sou irlandês e nós somos um grupo irlandês - e parou por aí! Mas eu tenho medo de fronteiras, medo de restrições nesses níveis e eu me assusto quando as pessoas começam a dizer que estão preparadas para matar em apoio à sua crença sobre onde a fronteira deveria estar. Quero dizer, eu adoraria ver uma Irlanda unida mas simplesmente não acredito que você possa apontar uma arma pra cabeça de alguém a qualquer hora para fazê-lo ver as coisas do seu jeito.

Sunday Bloody Sunday é um dia que nenhum irlandês pode esquecer mas deveria...que é o que estamos dizendo - "por quanto tempo teremos que cantar essa canção?" Quando eu a apresento eu digo "essa não é uma canção rebelde". O nome aparece toda hora e nós dizemos "por quanto tempo ainda teremos canções chamadas Sunday Bloody Sunday". Essa é uma área na qual eu concordo com Bob Geldof - a história é só um erro após do outro. "

Eu (nota: Liam Mackey falando agora) sugiro que, talvez, a maior tragédia da Irlanda do Norte é o condicionamento que vê cada nova geração (com honrosas exceções) assumindo precisamente as mesmas atitudes dos mais velhos, e dessa forma garantindo que o impasse continue.

Bono: "Pense num jovem assistindo TV com sua família e alguém bate na porta e então a porta vem abaixo e soldados britânicos entram, reviram a casa toda, talvez o pai dele leve um tiro de rifle e aquele jovem rapaz cresce no meio do ódio. Daí você leva a cena para outra rua onde há outro garoto e outra família assistindo ao mesmo programa de TV e se ouve batidas na porta e o pai dele, que é um homem da RUC (nota: Royal Ulster Constabulary, nome dados aos policiais da Irlanda do Norte) atende à porta e leva um tiro ali mesmo na soleira. E aquele jovem garoto cresce no meio do ódio. Duas pessoas polarizadas com tanto em comum - essa é a tragédia."

De volta à origem de Sunday Bloody Sunday Bono comenta: "Nossa música tem fundamentalmente um alto astral, mas ao mesmo tempo existe muito realismo nela, em oposição ao escapismo, eu acho, que tem que reconhecer influências. E foi quando eu me dei conta que os "problemas" (nota: a tradução fica estranha, porque aqui ele usa a expressão pela qual o ódio e a guerra civil na Irlanda são conhecidos, isto é, "The Troubles") não tinham me afetado que eles começaram na verdade a me afetar. As pessoas dizem "como você que vive em Dublin pode escrever uma canção sobre o que está acontecendo do lado de lá da fronteira?" e eu não sabia o que dizer - mas as bombas podem não ser detonadas em Dublin, mas elas são feitas aqui.

E o que eu estava tentando dizer naquela canção é: "Aqui está. Bem de perto. Eu estou cheio disso. Quanto tempo ainda isso vai durar? É uma declaração. Não estamos nem mesmo dizendo que aqui está a resposta. Estamos apenas dizendo - por quanto tempo isso ainda vai acontecer?"


Era isso. :)

Maria Teresa

Bruna
05/01/2004, 23h48
Sunday Bloody Sunday é um dia que nenhum irlandês pode esquecer mas deveria...a história é só um erro após do outro.

A história só é uma sucessão de erros pq os jovens não estão aprendendo com os erros dos mais velhos.As pessoas deveriam msm esquecer e seguir em frente ao invés de ficar alimentando ainda mais esse ódio.
No entanto,essa é uma questão dificílima e muito delicada,pq é complicado vc pedir pra alguém esquecer e perdoar àqueles q entraram na sua casa no meio da noite e mataram pessoas da sua família na sua frente.
O pior é q esses jovens são facilmente manipulados por pessoas movidas por interesses puramente políticos,q os instigam a devolver pro "ininigo" católico ou protestante uma parte do sofrimento q eles vêm sentindo.
Mas ainda bem q existem pessoas como o Bono,dispostas a continuar levantando a bandeira da paz.
E quanto a nós,só nos resta torcer pra que um dia músicas como Sunday Bloody sunday não sejam mais necessárias. :sim:

followerU2
07/01/2004, 22h58
Não poderia deixar de concordar contigo Bruna, infelizmente parece que a história é isso mesmo, uma sucessão de erros, com os quais a humanidade não parece aprender nada.

O que mais gostei nesse trecho da entrevista foi justamente a explicação dele para a motivação que os levou a criarem Sunday Bloody Sunday. Ao contrário do que muita gente pensou ou quis acreditar na época, não era uma canção de protesto contra as forças de ocupação britânicas ou a favor do IRA ou outros movimentos republicanos. Era isso sim um chamado à reflexão, a pensar sobre o motivo para essas intermináveis retaliações que eles presenciaram durante a infância e adolescência, foi mais do que tudo um pedido pela paz. Sei que eles foram duramente criticados por causa disso, definitivamente pacifismo não estava na moda naquela época na Irlanda. No meu ponto de vista, esse foi um posicionamente de muito mais rebeldia por parte deles do que tomar partido por esse ou aquele lado. É isso que me faz amar essa música tanto, mesmo depois de tantos anos.

Até mais
Maria Teresa

Stela
18/01/2004, 00h07
Oi gente, eu tava lendo as msgs da uv lista e vi uma mensagem da Luciana (acho que nao faz parte aqui do forun) e tomei a liberdade de postar aqui pra vcs, nao se trata de uma entrevista com o u2, mas sim apenas um trecho de um entrevista com o fabio massari (vj mtv) em que ele fala sobre o u2, eu achei o que ele disse muito interessante e achei legal mostrar pra vcs, caso alguem ainda nao tenha visto.
Como a msg nao é minha eu vou por como citação.
Data: Sat, 17 Jan 2004 10:11:21 -0300
De: "Luciana Pavanelli"
Assunto: Entrevista Fabio Massari

Salve Uvs ,segue ai para vcs um trecho da entrevista do Fabio Massari
publicada na Revista Caros Amigos , em que ele fala sobre a experiencia
de entrevistar o Bono , notem , o que é raro na imprensa brasileira ,
que em nenhum momento aparece o famigerado Vox
Bjs
Luciana

Rodolfo Torres - E a entrevista que você fez com o Bono e o Larry
Müllen do U2? Você não acha que Bono foi covarde ao não se pronunciar contra
essa guerra no Iraque? Afinal, ele defende causas...
Ficou meio estranho. Mas acho que a tentativa dele agora é deixar um
pouco essas coisas de lado e voltar a ser simplesmente o cara da banda de
rock, deixar a onda de salvar o mundo um pouco de lado. Pô, a
entrevista com os caras foi sensacional, primeiro porque revela que, mesmo no
âmbito das grandes bandas, dá para você ter uma certa camaradagem. Acho
que é um pouco o jeito de o U2 trabalhar. O Paul McGuiness é um
megapoderoso empresário da banda, puta fodão lá, manda na Irlanda etc. Ele, a
equipe e a banda têm um jeito irlandês, uma coisa mafiosa no bom
sentido, de que, se você consegue chegar perto, é muito bem tratado, os caras
fazem questão de lhe tratar como um semelhante. Jantam junto, trocam
uma idéia. E, nesse tipo de atividade, lidar com esse tipo de banda faz
toda a diferença do mundo. A primeira entrevista que fiz com eles foi na
Espanha, antes de eles virem para cá, foi muito bacana. Eu já tinha ido
para a Irlanda, sempre gostei de umas coisas de lá, tinha entrevistado
uns músicos que começaram com o U2 no subúrbio de Dublin, amigos
pessoais do Bono. Um dos caras falou: "Pô, você entrevistou o Gavin?"
"Lógico." Estabeleceu-se ali uma camaradagem. Quando os caras vieram para o
Brasil para tocar aqui, rolou um episódio curioso em Jacarepaguá, em uma
coletiva lá no autódromo. O pessoal da equipe do U2 me viu ali, me
reconheceu e, na hora que a banda chegou, o Bono desceu as escadarias para
me cumprimentar. Isso é o tipo de coisa que não é toda banda que faz e
mostra um pouco como é o jeito de os caras trabalharem. Muito
diferente, por exemplo, de uma entrevista com os Rolling Stones. Enfim, ninguém
te trata mal, mas é uma coisa muito mais pragmática. "Olha, você tem
oito minutos de entrevista, quando der seis minutos eu bato no seu ombro,
com oito a gente desliga a câmera." É assim, é desse jeito. Mais ou
menos assim. Quatro mulheres tomavam conta.

Isso só mostra como eles (nao só os 4, mas tudo o que envolve o u2) são mágicos...
Eu achei muito louco aquele negocio de "eles parecem mafiosos". que fofo :wub:
Comentario off: Os u2ers devem fazer miseria lá na irlanda, vcs nao acham???
tipo, o que eles querem deve virar lei... (nao pensem em coisas tao grandiosas como paz) eles devem ser os suprasumos dos suprasumos.... :D

Lyla Marmalade
18/01/2004, 11h31
Comentario off: Os u2ers devem fazer miseria lá na irlanda, vcs nao acham???
tipo, o que eles querem deve virar lei... (nao pensem em coisas tao grandiosas como paz) eles devem ser os suprasumos dos suprasumos.... :D
Eu tb recebi esse email, Stela. Também tive essa mesma impressão. Ei de qdo é essa entrevista? Guerra no Iraque? Não entendi. Essa entrevista é da época da Popmart, não? O Iraquel tava em guerra naquela época? Desculpa a ignorancia...
<_<

followerU2
18/01/2004, 13h20
Oi Lyla e Stela,

Também gostei muito dessa entrevista com o Massari que a Luciana mandou pra lista. Ela não falou qual é a edição da revista Caros Amigos, mas acho que deve ser bem mais recente, não é da época da Popmart, com certeza. O Massari estava lembrando das entrevistas que fez com eles. Por sinal, a entrevista que ele conseguiu com o Bono e o Larry em Barcelona antes de eles trazerem a fenomenal Popmart para as terras tupiniquims é muuuuuito boa, tenho gravada em fita. De repente tive uma idéia...transcrevê-la para esse tópico :) Vamos ver se acho tempo. :rolleyes:

E sobre o comentário da Stela, achei perfeito o termo "mafiosos" empregado pelo Massari :sim: do bem, eu acho, mas ainda assim mafiosos :P

Até mais
Maria Teresa

Cristina Cruz
18/01/2004, 16h07
Eu entendo muito bem o que ele quis dizer com mafia e foi no bom sentido. Nada de ilegal, mas que tema ver com o que por aqui se chama "magistério de influencias". É muito usual em países europeus de pequena dimensão como a Irlanda e Portugal. São paises que estão agora a seguir aos mais desenvolvidos (França, Alemanha e Inglaterra) e onde quem se projecta internacionalmente é encarado cá dentro com um misto de inveja e orgulho nunca confessado. Aliás, eu já ouvi o Bono falar isso mesmo a respeito da Irlanda. Mas esse reconhecimento abre todo um conjunto de meios de acesso ao poder, que garante influencia junto de quem decide. E não me estou a referir só ao poder político, mas também ao económico e social. Assim sendo, é natural que o MCGuinness possua actualmente (e de há uns anos a esta parte) um poder de facto, embora não evidente e ostentatório, lá na Irlanda. Não vejo isto como algo de necessariamente mau. Acho que em certa medida pode até ser bom porque ao longo dos anos os U2, e a política deles de investirem e fazer lá a base, tem trazido riqueza ao país. Oxalá outros países soubessem aproveitar assim as suas estrelas...

followerU2
23/02/2004, 23h50
Gente, é incrível :P mas ainda tem coisa aqui no meu HD...what a freak I am, LOL
Achei um artiguinho bem legal que traduzi há um bom tempo...assim como tudo o mais nessa thread mofada :D Vai lá:

O FÃ DO U2 QUE ENCONTROU O QUE ESTAVA PROCURANDO

O artigo abaixo foi escrito por um fã americano, estudante da Universidade Notre Dame, em Indiana, nos Estados Unidos, local do show de abertura da última parte da Elevation Tour, que aconteceu na quarta-feira, dia 10 de outubro, com transmissão ao vivo pela Internet. Fizemos uma tradução livre, optando por manter a palavra “soul”, pela falta de um termo melhor em português, já que a tradução literal (alma ou espírito), a nosso ver ficaria um pouco fora do contexto. Também mantivemos entre parênteses algumas citações de versos de canções da banda. A estória foi publicada em 09 de outubro de 2001, na publicação Notre Dame Observer, e é algo que só acontece uma vez na vida de um fã. Aí vai.

“Meu nome é Tim Collins e a estória que eu vou contar pra vocês é verdadeira, cada palavra dela. É uma estória sobre o U2, a banda que está abrindo a terceira parte de sua Elevation Tour no nosso campus essa semana. É uma estória que prova que a vida se move por caminhos misteriosos (ref.a Mysterious Ways). Uma estória onde eu encontrei o que eu estava procurando (ref.a I Still Haven´t Found What I´l Looking For).

Eu participei de um programa da Universidade em Londres no semestre da primavera de 2000, e durante a primeira das minhas duas semanas de folga eu viajei para Dublin, no país de Deus (ref. a In God’s Country), para passar uma semana com minha namorada, Julie, que estava estudando em Dublin.

Em 15 de fevereiro, Julie e eu caminhávamos ao longo da margem sul do Rio Liffey, em um tour guiado através de Dublin. O destino final era o estúdio onde o U2 gravou Pop e All That You Can’t Leave Behind. Mais ou menos a 15 minutos da estação de trens de Pearse Street, o estúdio fica numa parte muito industrializada da cidade; não existem calçadas e pouca sinalização nas ruas. Mas nós estávamos determinados a chegar lá e tirar algumas fotos enquanto fingíamos que nossa banda preferida estava logo ali atrás da parede à nossa frente.

Bem, depois de andar por ali mais ou menos por 30 minutos nós descobrimos que na realidade a banda estava atrás da parede à nossa frente. Nós soubemos disso porque Bono saiu por uma porta mais ou menos a 15 metros longe de nós para pegar algo em seu Mercedes estacionado na rua. Eu não pude chegar até ele a tempo para pedir um autógrafo, mas nosso desejo de encontrar a banda estava agora no auge, e nós íamos ficar por lá, no estúdio, até conseguir um autógrafo. Quinze minutos mais tarde, uma porta de garagem se abriu e Adam, o baixista, saiu dirigindo o seu Mercedes hatchback. Ele parou próximo a nós e deu um autógrafo no livreto do All That You Can’t Leave Behind que Julie por sorte tinha trazido, para o caso de algo assim acontecer. Eu disse a ele que mal podia esperar para vê-lo na turnê e ele então saiu dirigindo.

Nós estávamos estáticos, mas nada poderia ter nos preparado para o que ia acontecer em seguida.

Dez minutos mais tarde, Bono novamente saiu pela porta à nossa frente, dessa vez com sua esposa. Eu caminhei em direção a ele, tão frio e calmo quanto pude e pedi por um autógrafo, com o livreto do CD na minha mão direita. Ele concordou e apertou nossas mãos, perguntando o que nós estávamos fazendo por ali. Ele pensou que nós trabalhávamos em uma das fábricas ou edifícios em torno do estúdio, já que era em uma área tão apartada. Quando nós dissemos a ele que nós estávamos lá só para ver a banda, ele ficou chocado. Ele disse, “Vocês estão aqui só para nos ver?”

Depois de novamente explicar para ele que nós estávamos lá só para vê-lo, ele nos fez uma oferta que nós não podíamos recusar. Ele disse, “Vou te dizer uma coisa, porque vocês não entram no carro? Nós vamos te dar uma carona até a Pearse Street, tá legal?”

Deixe-me repetir isso: Bono nos ofereceu uma carona em seu Mercedes S600!

Julie aceitou a oferta (eu era incapaz de falar) e nós entramos no carro. Ele sentou com sua pasta no colo, dessa forma sobrava mais espaço para nós atrás. Nós fomos apresentados à sua esposa e desse modo começou nosso encontro com Bono e sua mulher.

Foi uma corrida de dez minutos de carro com Bono; por sorte havia bastante tráfego devido a obras naquele dia. Eu perguntei a ele se ele estava entusiasmado pela turnê que estava programada para iniciar em mais ou menos um mês e nós conversamos sobre o Grammy, que tinha acontecido há poucos dias atrás. Ele disse que não achava que eles fossem ganhar algum dos prêmios para os quais eles estavam indicados (eles acabaram por levar todos eles). Ele assinou o nosso livreto do CD, disse que nós estávamos em seu refinado carro e até mesmo escreveu um verso da letra da música “I Fall Down” com seu autógrafo, porque a canção é sobre uma garota chamada Julie, “Julie diz, John eu não vou a lugar algum” (“Julie says John I’m going nowhere”).

Então surgiu o assunto da Universidade de Notre Dame. Nós contamos a ele que nós éramos estudantes e ele disse que o ex-embaixador do Canadá na Irlanda mora do outro lado da sua rua e que ele de alguma forma estava ligado a Notre Dame (ele era o ex-diretor de atletismo Mike Wadsworth). Bono disse que tinha ouvido que Notre Dame era diferente da maioria das universidades na América e nos perguntou por que.

Julie explicou que nossa escola tinha um grande senso de comunidade e que era realmente um lugar espiritual. Bono respondeu dizendo, “Então é um lugar com muito soul”. Nós dissemos que concordávamos plenamente. Notre Dame nunca tinha sido tão legal para nós antes do Bono dizer que nós tinhamos muito soul.

Como a esposa dele tinha nos informado que nós teríamos que descer do carro no próximo sinal, Bono se virou e apertou nossas mãos. Nós agradecemos a ele mais ou menos 15 vezes e dissemos que nós o veríamos na turnê mais tarde no verão. Eu quase detonei com a jaqueta de couro dele quando saí do carro.

Bono e sua mulher sairam a toda velocidade, com Bono nos fazendo um aceno rápido que pudemos ver pela janela de trás enquanto eles arrancavam. Julie e eu pulamos pelas ruas por mais ou menos 10 minutos loucos para contar às pessoas nas ruas o que tinha nos acontecido antes de ligar para nossos pais do celular da Julie, para contar a eles.

Alguns dias são melhores do que outros (ref. a Some Days Are Better Than Others), e 15 de fevereiro foi verdadeiramente um belo dia (ref. a Beautiful Day). Então quando a maior e melhor banda do mundo tocar no campus de Notre Dame mais tarde nessa semana apenas lembre-se: Bono acha que Notre Dame tem muito soul!

Até mais
Maria Teresa

followerU2
24/02/2004, 00h09
Bom, esse próximo texto está em inglês. É algo que escrevi ages ago, quando estava no penúltimo semestre do curso avançado de inglês. Lendo-o agora, acho até um pouco ridículo, LOL, mas resolvi arriscar porque se trata de uma estória verdadeira. Tive esse sonho acordada, enquanto ouvia Walk to the Water, num domingo a tarde, sózinha em casa...engraçado como ainda lembro dos detalhes, e isso foi há pelo menos 3 anos atrás... :blink: Pra entender o contexto, eu deveria criar uma estorinha de mistério, valendo a nota final para o último nível do curso. Eu até que me dei bem, apesar de alguns erros ;) Espero que dê pra entender.

My “mystery” story

I had a dream once. In this dream I was travelling abroad, it was my first trip to Europe and I was on a ship, crossing the Irish Sea on my way to Ireland, after spending some days in London.

It was very cold, although surprisingly the sun was shining in a beautiful day. The surface of the sea seemed like a mirror, with all shades of blue and the wind, mostly like a breeze, was blowing gently, as if it were whispering words in my ears.

I thought I heard a man singing something like “Walk, walk, walk to the water”. I looked around immediately but i found nobody, I was completely alone in the deck. I thought it was just my imagination playing tricks again and I kept there watching the view, enjoying the breeze and the sun over my face.

Then that thing happened again. I heard clearly “Walk with me a while”. I turned and looked around again and there were no soul in that deck. Nobody was there at all. Where did that voice come from? I didn’t know what to do, it was such a marvellous voice, although that thing was getting me shivers down my spine.

So I went downstairs to the restaurant and asked for a cup of coffee. I was saying to myself all the time, “no, you’re not getting crazy”. I sat down near the window with those disturbing thoughts torturing me. I was there, drinking my coffee slowly and watching outside the window to the sea when I heard him singing again “Walk, walk, walk to the roadside”. I stood up and ran away upstairs to the deck and to the open space again, I really needed some fresh air.

I was trying to hide from that voice. I started to cry and sob, I thought I was really getting crazy. I stayed there near the parapet, almost breathless. I turned my back on the the sea and closed my eyes. Out of a blue, I stopped hearing the voice. I could feel the wind on my back, I could imagine all the colors of the sea, but that voice seemed to have disappeared.

Then I took a deep breath and turned again in order to look at the sea. In the distance I saw Ireland on the horizon, the so-called Emerald Island because of its shades of green everywhere. I was mesmerized for that amazing view when suddenly I heard that voice again singing “Walk me in the light”.

Then I realized that everytime I looked at the Irish Sea I heard that voice singing, inviting me to go with him, to join him wherever he wanted to go. I thought I would faint but I just kept motionless, listening his voice singing “I’m on the outside, let me in, let me love you, let me love you, let me...”

I thought “Oh God, what is this thing?” Was it the wind singing for me? Was it the Irish sea singing for me? I had no answers but I felt very special and blessed at the same time, and finally I stopped crying and even started smiling. Everything would be fine at the end, although I didn’t know why.

I turned my back on the sea again, looked ahead and then I saw a very handsome man, all dressed in black leather, with those deep blue eyes staring at me. He got closer and asked me “Are you ok now? Sorry for having disturbed you, I was singing along for a while, I was feeling lonely and I’m used to singing when I feel that way. I noticed that you were feeling bad, weren’t you? By the way, I’m Bono, what’s your name?”

“Nobody”, I said, “I’m nobody”. Then I finally fainted in his arms and this is the end of this silly story inspired by a U2 song called “Walk To The Water”.


Até mais
Maria Teresa

Stela
24/02/2004, 00h11
Eu só tenho uma coisa a dizer:
Eu adoro o Bono, ele é tão........
........gente, tão humano, sei lá, tão humilde com "nos"* fãs

Detalhe pro "nos": qnd eu leio essas estorias eu me "sinto" meio que dentro delas...hehehe. coisa de gente doida.

Bruna
24/02/2004, 01h09
Depois de novamente explicar para ele que nós estávamos lá só para vê-lo, ele nos fez uma oferta que nós não podíamos recusar. Ele disse, “Vou te dizer uma coisa, porque vocês não entram no carro? Nós vamos te dar uma carona até a Pearse Street, tá legal?”

Deixe-me repetir isso: Bono nos ofereceu uma carona em seu Mercedes S600! :oh: :oh: :oh: :oh: :oh: :oh: :oh: :oh: :oh: :oh: :oh: (já foi o suficiente ou eu preciso colocar mais smilies??)

Detalhe pro "nos": qnd eu leio essas estorias eu me "sinto" meio que dentro delas...hehehe. coisa de gente doida. Não é coisa de gente doida não,Stela.OU então nós duas somos doidas :lol:
Toda vez q eu leio uma história sobre fãs encontrando a banda e contando como eles são legais,eu não consigo deixar de me empolgar e ficar super feliz por eles! :sim:

I turned my back on the sea again, looked ahead and then I saw a very handsome man, all dressed in black leather, with those deep blue eyes staring at me. He got closer and asked me “Are you ok now? Sorry for having disturbed you, I was singing along for a while, I was feeling lonely and I’m used to singing when I feel that way. I noticed that you were feeling bad, weren’t you? By the way, I’m Bono, what’s your name?” :oh: :oh: :wub:
Adorei o "sonho",Maria Teresa!! ;)

followerU2
24/02/2004, 11h24
Pois é Bruna...resolvi postar esse "sonho" ontem à noite, já estava meio :Zzzzzz: ...e agora meio que me arrependi :P :lol: Não dá pra negar que parece um texto saido daqueles pocket books femininos tipo Julia, Bianca, vocês sabem...:ROTFLOL: (confissão: já li muitas dessas abobrinhas :rolleyes: ) De qualquer forma, me arrisquei em outro idioma, e serviu pra que eu conseguisse passar de semestre., então o saldo é positivo, eu acho :assobio: :D

Até mais
Maria Teresa

followerU2
13/03/2004, 00h40
Bom gente, troquei de PC, agora temos uma supermáquina aqui em casa, AMD 2.6 gigas, 512 de memória RAM, 80 gigas de HD, monitor 17" e o melhor...gravador de CD e leitor de DVD :sim:

Daí que andei fazendo uma última faxina no meu velho Pentium III 700...e achei um dos últimos trabalhos de tradução que fiz para o extinto e-zine South Zoo. Trata-se de uma entrevista com Steve Averill, o responsável pelo design gráfico do U2 desde os primórdios da formação do grupo. Além disso, ele é o verdadeiro autor do nome da banda. Ele fala sobre isso na entrevista abaixo, em duas partes:

*** ENTREVISTA COM STEVE AVERILL – 1ª PARTE

Na edição da revista Hot Press de 16 de setembro passado (nota: 2001), foi publicada uma entrevista muito interessante com o Steve Averill, o designer que criou todas as capas dos discos do U2 e também a programação visual da Popmart, por exemplo. E ainda, para quem não sabe, foi ele quem sugeriu o nome U2 para a banda. A entrevista é bastante longa, por isso dividimos em duas partes, apenas o trecho em que ele fala de sua longa relação de amizade e trabalho com o U2. A entrevista foi concedida a Jackie Hayden. Confiram.

P.: Por essa época sua carreira como designer estava indo na direção certa e você estava fazendo coisas para o U2.

R.: Eu os conheci antes mesmo que eles se tornassem o U2. O primeiro membro da banda que conheci foi o Adam. Ele tinha um irmão que estava na mesma classe que a minha na escola. Adam era fã dos Radiators From Space. Eu estava trabalhando em tempo integral com propaganda e ele veio a mim procurando por conselhos, e nós conversamos muito sobre imagem e logotipos e esse tipo de coisa. Meu contato inicial tendia a ser com o Adam e o Edge porque nós vivíamos perto uns dos outros em Malahide. Eu só fui conhecer os outros mais tarde.

P.: Você passa para a história como o homem que os convenceu a mudar o nome da banda de The Hype para U2. Por que esse nome?

R.: Na primeira vez que eu os encontrei eles realmente não sabiam o que eles queriam ser, que tipo de banda eles realmente queriam ser. Mas eles se classificaram para o final daquele concurso de bandas em Limerick e eles precisavam decidir por um nome. Adam gostava de nomes como XTC, que eram curtos e incisivo e podia significar um monte de coisas ou muito pouco. Então eu fiz uma lista de 10 nomes e coloquei U2 no final. Eu achava que era graficamente forte e tinha uma variedade de conotações sem significar algo específico. Era curto e destacava-se dos nomes comuns de banda naquela época. Depois de discutirmos sobre a lista nós decidimos ficar com U2 por todas aquelas razões.

P.: Você pode lembrar de alguns dos nomes rejeitados que você tinha naquela lista?

R.: O único que eu posso lembrar agora era The Blazers. Eu acho que eu o vi como um bom nome no contexto da formação da Mount Temple School. Mas eu sei que existe uma banda tipo Tex-Mex com esse nome em East LA agora.

P.: Quanto ao design, O U2 simplesmente diz a você o que fazer e então esperam que você humildemente abaixe a cabeça em reverência?

R.: Nem tanto! Desde o início eles pareciam ter um entendimento melhor e um pouco mais de intuição do que muitas bandas têm sobre a importância do aspecto do design de logotipos, posters, capas de discos e tudo o mais. Eles nunca tiveram medo de admitir que eles não sabiam de tudo. Então eles vinham a mim, algumas vezes com um idéia básica, outras não e nós conversávamos sobre isso e discutíamos essas idéias. Eles são realmente bons ouvintes e aceitavam bons conselhos seriamente, quer fosse de mim ou de Bill Graham ou de qualquer um. Eu podia ver desde o início que eles eram inteligentes.

P.: Eles eram adolescentes quando você os conheceu.

R.: Mesmo então eles tinham um nível básico de senso comum. Eles não se desculpavam, mas se eles queriam descobrir algo eles simplesmente perguntavam a alguém que deveria saber a resposta. Eu sei que soa como a coisa lógica a fazer, mas muitas bandas não conseguem lidar com isso tudo muito bem.

P.: Mas e sobre a música deles, quando você os conheceu? Você era um fã do U2 como tal?

R.: Na realidade não. Eu fui a alguns ensaios e não fiquei assim tão impressionado. Eu achei que eles eram um pouco melhores do que muitas bandas que estavam iniciando em Dublin naquela época, embora o Edge tivesse alguma coisa especial. Bono, eu me lembro, era um pouco tímido então. Eu realmente me tornei um grande fã com o álbum The Uforgettable Fire.

P.: Você pode lembrar do impacto que eles tiveram na Irlanda?

R.: Eles trouxeram novidade a uma cena até certo ponto moribunda. Havia algumas bandas que apareceram após o surgimento do Boontown Rats, bandas que dividiam uma visão, como digamos, The Atrix, e outras bandas que eram influenciadas pelo Television, por exemplo. Mas muito poucas. Muitas bandas irlandesas daquele tempo admiravam demais as bandas mais convencionais e estabelecidas.

P.: Como diretor de arte do U2, já houve alguma situação onde você se transformou em conselheiro, em mediador entre os quatro?

R.: Nem tanto! Para alguns projetos eu podia encontrar só um ou dois da banda e outras vezes eu me reunia com todos os quatro. Todos eles têm personalidades fortes, confiantes de que estão certos, e cada um tem uma compreensão intuitiva do que eles querem. Então, como seu diretor de arte, eu realmente tenho que chegar a um acordo com o qual todos os quatro concordem. Se você mesmo tem pontos de vista fortes, você tem que explicá-los e defendê-los. Mas isso é bom, desafia a todos.

*continua*

followerU2
13/03/2004, 00h43
*** ENTREVISTA COM STEVE AVERILL – 2ª PARTE

Segue a segunda e última parte da entrevista que o Steve Averill deu para a Hot Press de 16 de setembro passado, somente os trechos em que ele fala sobre sua relação com o U2.

P.: Qual foi sua reação quando a capa do álbum Boy foi retirada nos Estados Unidos por causa de sua interpretação como associação potencial com pedofilia?

R.: Eu não estava ciente da mudança naquele tempo, e não acho que a banda também estivesse. A gravadora o fez por sua conta e risco tanto quanto eu sei. Eu senti que foi uma pena que eles não nos pediram para criar algo novo para substituí-la. Mas dadas as atitudes de alguns daqueles direitistas medianos da America acho que não me surpreendi. Tudo o que sei é que era só uma inocente foto de um menino, isso é tudo.

P.: Mostre-nos exemplos de como a interação entre você e a banda funciona.

R.: Bem, quando começamos a trabalhar no álbum Pop nós todos tínhamos idéias diferentes sobre a melhor direção para fazer um design inteligente. Foi só depois de semanas de discussão e debate que nós finalmente o fizemos do jeito que ele saiu. Com a capa de War, a banda inicialmente queria usar uma foto do conhecido fotógrafo Donald McCullen. Eu não concordei. Eu achava que ela faria o álbum muito concreto. Eu argumentei que deveria ser como algo visto através dos olhos de uma criança, então eu sugeri Anton Corbijn. Houve também um debate esquentado sobre o lado de dentro da capa e eu acho que eles todos admitiram que funcionou e isso é tudo o que importa - não de quem é a idéia, mas como ela funciona no contexto.

P.: Em que ponto do processo de escrever e gravar um novo álbum do U2 você acaba se envolvendo?

R.: Cedo, até certo ponto, porque podem existir muitos outros itens, como adesivos ou posters, ou que quer que seja, que se tornarão elementos periféricos da campanha, e a eles deve ser dedicada a mesma dose de atenção séria. Não teria sentido prático deixar tudo para depois que o disco estivesse pronto. Eu tento assistir as sessões de fotos para o álbum. Eu não preciso sempre ouvir a gravação, mas em algum ponto isso ajuda!

P.: Qual é o ponto fraco de seu relacionamento com o U2?

R.: A única vez que nós tivemos um desentendimento sério não teve nada a ver com design, foi na época em que eu arranjei para que eles estivessem no mesmo programa que uma banda com a qual eu estava envolvido e nós nos vimos no meio dessa briga sobre quem deveria ser o top do programa. Isso foi depois que Paul McGuinness já estava envolvido com eles.

P.: Então como você descreve esse relacionamento, primariamente de negócios, com o prazer vindo logo depois?

R.: É difícil descrever. Não é primariamente de negócios. Talvez seja melhor descrito como um relacionamento humano forte. Nós não vivemos dependurados uns nos outros. Nós geralmente só nos juntamos quando existe algo concreto para se discutir ou fazer, quer seja negócios ou prazer.

P.: Eles mudaram através dos anos?

R.: Bem, todos mudam. Eles não são mais tão ingênuos como costumavam ser. Mas eles ainda mantêm aquele laço forte entre eles como indivíduos.

P.: Falando em design, Larry é o cético que muitos pensam que é?

R.: Não. Larry tem opiniões firmes sobre design - que ele expressa muito fortemente. Mas depois de as ter expressado, ele tende a deixar assim e te deixa continuar. Mas ele ainda se envolve em todos os processos finais de decisão.

P.: Então de onde vem a satisfação?

R.: Ela vem do sentimento de que um trabalho foi bem feito, de que talvez algo meio arriscado funcionou no final, e é particularmente gratificante ver alguns dos meus designs de capas aparecendo em listas das melhores capas de discos. Mas também satisfaz quando um cliente valioso continua voltando, porque eu não tenho o direito de presumir que eu sempre estarei envolvido.

P.: E as suas próprias capas favoritas?

R.: Pessoalmente, eu ainda acho a capa do War muito notável. E eu gosto também, particularmente, as capas do The Joshua Tree e Boy. E ainda a do Achtung Baby, Pop e do atual. Mas nenhuma delas ficou tão ruim que você gostaria de refazê-las.

P.: E algum crime que você quisesse admitir?

R.: Bem, eu não acho que a capa do October funcione do jeito que deveria. Eu acho que é o trabalho mais fraco que fizemos.

P.: As capas do U2 têm tido um pouco de sexo no design, obviamente. Você concorda?

R.: Eu acho que está lá até uma certa extensão mas não está explícito. Houve aquela do Adam nu no Achtung Baby, por exemplo. Eu não acho que é uma tentativa deliberada de parecer sexy ou de usar o sexo. Mas também não há nenhuma tentativa de escondê-la. Eu acho que algumas capas de singles foram muito sexy.

P.: Tais como?

R.: Desire, com aquela tomada do Larry. Alguns gays me disseram que eles a consideram como um ícone, uma capa muito sexy. Mas as pessoas vêm coisas nas capas que não eram necessariamente intencionais, embora nós pudéssemos ter nos conscientizado de que havia espaço para interpretações. Eu acho que é uma coisa boa quando existe essa liberdade.

P.: Pode me dar um exemplo?

R.: Depois que o álbum Pop foi lançado nós recebemos um fax do pessoal da Playboy que queria saber porque nós tínhamos usado o logotipo deles e o que nós estávamos tentando dizer. Nós não sabíamos que o havíamos usado, de jeito nenhum, mas quando nós examinamos a capa acontecia que se você olhasse para o olho do Larry e virasse a foto de lado a sombra fazia parecer que nós tínhamos colocado o logotipo da Playboy sobre um olho. Mas nós não tínhamos!


Bom gente...agora acho que acabou o decantado estoque de assuntos mofados. Pretendo fazer uma tradução do booklet do DVD U2 Go Home, alguém pediu isso na UV um tempão atrás. Se conseguir, volto a esse mesmo bat tópico mais tarde ;)

Tchau
E obrigada pelo feedback :rolleyes:

Maria Teresa

Blackelevation
13/03/2004, 13h13
80 gigas de HD
Iau 80 GB de HD kramba o meu cp c 7.8 de HD fica muuuuito no chinelo...

Cris
17/03/2004, 20h21
:) Maria Teresa, muito obrigada por traduzir e postar aqui essa entrevista com o Steve Averill. Ainda não a conhecia. É muito interessante!!! :sim:

R.: (...) Eu acho que algumas capas de singles foram muito sexy.

P.: Tais como?

R.: Desire, com aquela tomada do Larry. Alguns gays me disseram que eles a consideram como um ícone, uma capa muito sexy. Mas as pessoas vêm coisas nas capas que não eram necessariamente intencionais, embora nós pudéssemos ter nos conscientizado de que havia espaço para interpretações. Eu acho que é uma coisa boa quando existe essa liberdade.

É dessa capa que ele está falando??
http://www.u2.com/images/Desiresinglecover.jpg

Uhmm, vou ter que concordar, é sexy mesmo... :babando: Mas tb, quando é que uma foto do Larry não é sexy??? ;) O homem é puro sex appeal...

followerU2
18/03/2004, 08h33
Pois é Cris, depois do teu comentário, resolvi dar uma conferida no livro da Four5One, Stealing Hearts at a Travelling Show, que ganhei de presente de uma amiga...aquele que conta toda a história do design gráfico da banda. Achei curioso que o livro pula do Joshua Tree para o Achtung Baby...daí achei o seguinte, ao final do capítulo sobre o Joshua Tree:

A year after The Joshua Tree U2 released Rattle and Hum.Although Averill met with Paramount Pictures to produce overall album concepts, he wasn´t the final designer, and Rattle and Hum is the only U2 album sleeve that Averill has not been involved in..

Daí fiquei pensando...será que ele então participou da criação das capas dos singles, apenas? Sei que as fotos são do Anton Corbijn, mas e a arte final, de quem seria?

Até mais
Maria Teres

Cris
19/03/2004, 23h44
:huh: Nossa, essa é nova para mim... Sempre achei que o Steve Averill era o designer de TODAS as capas de álbuns do U2. Que estranho ele não ter trabalhado em Rattle and Hum. Será que a Paramount não gostou das idéias apresentadas por ele e o dispensou?? Mistério... ;)

Mais uma vez, muito obrigada, Maria Teresa, sempre nos passando informações novas e interessantes!! :)

followerU2
20/03/2004, 02h04
Pra mim também foi novidade. Mas o livro foi editado pela própria produtora do Steve Averill, então deve ser isso mesmo. De qualquer forma fica o mistério sobre as capas dos singles, me parece.

Até mais
Maria Teresa

followerU2
06/05/2004, 09h34
Bom gente, pra variar achei mais uma coisinha pra divulgar, perdida aqui nos meus arquivos...e enquanto tiver, vou ressuscitando esse tópico, de vez em quando. :P

Trata-se de uma versão do review da revista Spin sobre o show de abertura da Elevation Tour em Fort Lauderdale, Flórida, em 24.03.2001.

*** REVIEW DA REVISTA SPIN SOBRE O SHOW DE ABERTURA

Vários reviews da noite de abertura foram publicados em revistas especializadas como a Rolling Stone, JAM, Ananova, etc. Agora que já temos o show completo em mp3 decente, escolhemos o review da revista Spin, edição de junho, para trazermos para vocês. De todos os reviews que lemos achamos que esse está bem interessante e até que é justo com a banda, apesar de criticar um pouco a Popmart e pegar meio pesado na questão dos "fanáticos" . Bom, vale lembrar que ser fã é ser fanático, pela própria origem da palavra, o que para nós não é nenhum demérito, ainda mais quando a gente sabe que tem bom gosto :). Então aí vai:

U2 - 24 de Março de 2001
National Car Rental Center, Fort Lauderdale, Flórida
Por Nick Marino

E está chegando aí o que pode ser a última virada: U2, mais uma vez os
poderosos salvadores, agora fortalecidos com um renovado compromisso com a
sinceridade. Elevation é, nostalgicamente, o inspirador nome da sua última
turnê, a primeira desde o relativo fracasso da extravagante Popmart ,de
1997, mas um nome mais preciso poderia ser Reclamation. Afinal já faz uma
década desde que ninguém além de fanáticos ia a um show do U2 para ouvir
material novo, e o triunfo de All That You Can't Leave Behind fez com que os
roqueiros já não tão jovens buscassem pelo seu velho emprego de maior banda
de rock do planeta. Eles sabem que esta pode ser sua última oportunidade,
então eles abandonaram os limões e azeitonas em favor de um prático palco
menor do que um telhado nova-iorquino. Eles também jogaram fora a ironia e
a substituiram com o tradicional e old-fashioned a-m-o-r.

Em várias partes durante o show lotado, da noite de abertura de uma turnê
que deve passar por 33 cidades americanas, Bono desejou feliz aniversário
para sua esposa, dedicou uma canção para Michael Huthence, e interrompeu o
show para abraçar seus companheiros da banda, em uma passarela com formato
de coração que se lança sobre o público. Enquanto arriscado, tanto artistica
quanto literalmente (Bono acidentalmente despencou em cima do público
durante Until the End of the World) a conexão íntima com os fãs vale à pena
na música. Foi particularmente notável ver como a multidão se sentiu
conectada no material novo como Elevation e Beautiful Day, os mais novos
hinos, daqueles de cantar e gritar junto, comandados pelo The Edge, cuja
maneira melódica de tocar guitarra continua a repicar como sinos de igreja.

A banda trata as velhas e requisitadas canções com a mesma paixão que as
menos conhecidas. Livres da irônica distância que eles trouxeram da outra
vez para os seus shows, o U2 se superou quase que exclusivamente pela
intensidade da sua maneira de tocar. Lá pelo meio do show, os únicos efeitos
visuais que nós vimos foram imagens em preto e branco da banda em telões
acima do palco. Mas conforme o show foi progredindo, a famosa
auto-indulgência do U2 apareceu. Bono cantou o primeiro verso de Mysterious
Ways deitado de costas enquanto um telão de video o elevava em direção ao
céu. Então seis novos telões coloridos refletiram a silhueta de uma
dançarina do ventre em câmera lenta. Mesmo quando eles se aproximam do
final, o U2 ainda implora pelo nosso amor, metaforicamente acenando com a
mesma bandeira de Red Rocks há tantos anos atrás. Eles vencerão a corrida
por um nariz de vantagem, com seus egos vindo bem perto em segundo lugar.

T+
MT

juliano
06/05/2004, 11h18
Uns aqui sabem e outra talvez nao, mas sou uma pessoa não muito fã da fase anos 90 do U2. Achei ZooTV e Pop Mart gigantescas e tudo mais. Só que pra mim os albuns zooropa e Pop não deram grande sustentação pra essas turnes e o que valiam e seguravam o pique mesmo era musicas antigas. Numb, lemom, mofo entre outras nao soavam nada bem pra mim.

Esses dias mesmo eu estava vendo o VHS da Sydnei e definitavamente musicas como New years day nao combinavam nada com aquilo ali, comparei com new years day do Slane e a diferença é gritante.

Com a chegada do ATYCLB tudo mudou e as musicas do album se misturavam com as antigas sem deixar a desejar, por isso adoro Elevation Tour e o U2 anos 80 e 2000.

Juliano

Be Strong
06/05/2004, 14h52
Eles vencerão a corrida por um nariz de vantagem, com seus egos vindo bem perto em segundo lugar.

Achei essa frase completamente equivocada. Ao contrário de muitos outros artistas do mainstream, o U2 não é egocêntrico. As enormes tours da ZooTV e Popmart não eram despropositais. Eram uma crítica ácida à sociedade moderna.

Talvez os Rolling Stones (que eu gosto) sejam egocêntricos. Tipo: tours monstruosas e o Mick Jagger se auto afirmando. "- Eu sou o bom. Tenho 60 anos e ainda sou o rei do sexo (muito brega)."

O U2 é conceitual.

Be Strong
06/05/2004, 14h55
Retificando: a frase que citei obviamente não é da Maria Teresa.

JunnoVox
06/05/2004, 14h56
concordo com vc Be Strong esta certo com certeza.
E o Mick Jagger, me desculpem quem gosta dele mais ele é um péssimo cantor.
com essa idade ele ainda não aprendeu a cantar direito.

E eu não acho que fazer uma turnê bem feita, grande, com tudo que tem direito, seja ser egocêntrico, acho que se vc tem respeito pelos fãs que pagam pelos shows, vai fazer algo grandioso para seu publico!

followerU2
07/05/2004, 01h31
Quem já leu outros artigos da Spin sobre o U2 sabe que eles normalmente largam algumas alfinetadas aqui e ali...talvez seja a linha editorial da revista, ou o staff lá não gosta muito de U2. Já a Rolling Stone e a NME tendem a ser mais legais, talvez mais imparciais. Traduzi esse review na época porque achei o mais conciso sobre o show de abertura da ET.

Sobre o que o Juliano falou, talvez os hits dos anos 80 pareçam se encaixar melhor com a ET porque as músicas do ATYCLB tendem a reviver um pouco o som daquela época. Porém, pra quem estava lá, nos shows da Popmart, a sensação de comunhão com a banda era total, quando eles tocavam os velhos hits ou as novas do Pop na época...a gente até esquecia do telão, do limão, do diabo a quatro...tanta era a emoção de estar lá e poder cantar junto com eles. Lembro de olhar em volta e ver todo mundo cantando, os argentinos todos...alguns não sabiam bem as músicas do Pop, mas eu sabia :P Por isso não sinto esse vazio entre as duas eras na carreira da banda. Com isso quero dizer que penso diferente do amigo Juliano, mas respeito a opinião dele. :rolleyes:

T+
MT

it's me who's fucking beautiful
07/05/2004, 11h33
Deixa eu criar polemica...

Eu odeio o ATYCLB, letras bestas e tal, nada politico. Pelo menos a Elevation Tour salvou eles, já q tinha certa politica la.

Sobre os albuns Zooropa e POP serem fracos, eu discordo, o Zooropa naum tava puxando a turne sozinho, era junto ao Achtung.

Qnt ao POP e a POPMART, eu axo q mta gente q gostava de msk eletronica ia ver o POP e outras pessoas as antigas.

Desde o Joshua Tree o U2 é a maior banda de rock, vc axam q simplesmente repetindo trabalhos anteriores eles continuariam sendo a melhor depois de 17 anos?

juliano
07/05/2004, 11h52
Deixa eu criar polemica...

Eu odeio o ATYCLB, letras bestas e tal,
Vc começou muito mal sua mensagem.

Juliano

it's me who's fucking beautiful
07/05/2004, 12h21
Vc começou muito mal sua mensagem.

Juliano
mas naum da pra comparar as letras do ATYCLB com as dos outros albuns

JunnoVox
07/05/2004, 13h04
Essa coisa de melhor banda do mundo é muito relativo. No meu ver o U2 é a Melhor banda de POP/ROCK do mundo, fica dificil vc dar o título todo pra uma banda só, representando qualquer genero do rock, pelo menos pra mim que curto também outra bandas e que fizeram historia na musica, e que ja receberam esse título em revistas também.

Da mesma forma que o Bono que ja recebeu o título de melhor cantor, Bruce Dickinson recebeu também esse título muitas vezes.

Portanto, é só o ponto de vista de umas revistas do gênero, que cada uma defende seu modo de avaliação. Tem umas que avaliam mais técnicamente, outras é por questão de popularidade e é assim por diante. lembrando que tem revistas que retiram outros generos do rock para avaliação como o heavy metal. Resumindo mais no Pop/Rock mesmo.

Em relação ao Bono por exemplo:
No meu ponto de vista o Bono não é o melhor vocal do mundo. Ele é um grande vocal mais não o melhor do mundo. Sinceramente tem muitos otimos vocais também, não sou do tipo de Fã fanático que defende a banda em todos os títulos e de tudo que ela fizer, pois acho isso uma burrice.

Não saindo do assunto, esse negocido que ATYCLB tem letras bestas, e que vc odeia esse album, ai o problema é exclusivamente seu amigo.

Acho que então vc não sabe diferenciar letras diretas de letras com metáforas, pois esse album, ATYCLB é um album com influencias Soul, quando o album lançou o Edge explica muito bem isso, coisa que vi na MTV.

Portanto as letras são diretas principalmente pela influência soul, para qualquer pessoas entender. (soul , o nome do estilo não é por acaso).

Não quer dizer que porque as letras não tem um monte de metáforas, o album tem letras bestas. Pra mim e album tem letras muito boas e o album é pra mim o terceiro melhor do U2.

E como o Juliano, gosto do U2 mais convencional e como ele não engulo certas musicas do pop e também muitas do Zooropa, mais em relação a turnê. Sou mais a Zootv e a Pop Mart. Não desmerecendo a ultima, Elevation Tour

Lilian
07/05/2004, 13h46
O seu critério então é falar de política pra um ad servir? nem smepre, querido.
Tem coisas muito mais importantes a serem faladas em uma musica.
O ATYCLB fala de coisas da vida, de sentimentos, de perda, de paz, de força, motivação....pra mim é o "album espiritualizado do u2". Falar de coisas subjetivas não significa banalização.

Be Strong
07/05/2004, 14h46
Dois coisas eu gostaria de escrever:

1) O Fucking foi o primeiro da geração mais nova que eu vejo que não se aproximou do U2 por causa do ATYCLB. Geralmente, a galera + jovem vai a procura dos outros album por causa do último lançamento. Com ele acho que foi ao contrário.

2) As letras do Bono não são bestas e se no ATYCLB são mais simples é porque o álbum saiu mais simples, mais cru, mais direto. Até porque o álbum, de certa forma, não tem um norte. Se no Achtung era a TV, satélite, etc... e no Pop era o consumismo, o ATYCLB é apenas uma banda tocando rock. Apenas isso. Mais simples, entende. Mais Elvis, entende (síndrome de Pelé).

Mirrorball
07/05/2004, 18h48
Algumas músicas do ATYCLB, como disse a Maria Teresa sobre Elevation, "tem a profundidade de um pires". Mas não são más. Elas podem ser simplesmente divertidas, como Elevation, ou fofinhas, como Wild Honey e In A Little While. Ninguém pode ser sério e profundo o tempo todo.

it's me who's fucking beautiful
07/05/2004, 20h25
SOU MAIS POLEMICO Q O EMINEM :lol:

Pra naum citar o q todos disseram vou revolucionar os foruns de todo o mundo :lol::

Citaçao do Junno:

eu inclusive ja tinha visto uma declaraçao do bono dizendo q o ATYCLB naum era rock, mas sim soul. As letras do album sao otimas msm, melhores ate q a dos melhores albuns de mtos artistas renomados e tal, mas em relaçao a outros albuns deixa a desejar

Citaçao da Lilian:

naum axo q tenha q se falar de politica, ATYCLB naum foi um album banal, mas foi mais banal q os outros

Citaçao do Be Strong:

1) A primeira msk q escutei do U2 foi Elevation e adorei, depois veio beautiful day, axava as msks demais, peguei mais algumas( sunday bloody sunday, sweetest thing e stuck) e gostava de todas, mas ao escutar one e electrical storm parei de gostar de U2, so fui voltar a escutar no começo de 2003 qnd um amigo comprou o dvd 90-00

2) O ATYCLB é um album cru, direto, sem norte, apenas uma banda tocando rock... igual a milhares de outras bandas, a diferença do U2 em relaçao as zilhoes de bandas q tem no mundo é q os albuns tem um norte, as mks tem um norte, o ATYCLB é o album mais diferente do U2 na minha opiniao, nem parece ser deles.
Eu entendo pq o ATYCLB foi feito assim e sei q naum podia ser diferente, é um grande album, sem duvida

Citaçao da Mirrorball:

Eu sei q naum se pode ser serio e profundo o tempo todo, eu digo q odeio o ATYCLB, mas escuto mto ele e msks divertidas sao sempre legais.

Conclusao:

Talvez por ser um album mais simples, menos grilado, mais parecido com outras bandas (inclusive bandas bem mais novas), mas sempre com uma msk superior o U2 tenha conquistado mtos fas adolescentes e tal, é um choque mto grande ver um cara q se fantasia de personagens megalomaniacos no show pra quem escuta BLINK 182, é mais facil passar pelo ATYCLB antes.

followerU2
08/05/2004, 01h21
Pra manter a coerência com o que penso e sobre o qual já escrevi em outro fórum, em uma discussão semelhante, gostaria de dizer que as letras do ATYCLB podem não ser desafiadoras, ou tão elaboradas e metafóricas como em trabalhos prévios do U2, mas de maneira nenhuma as chamaria de bestas.

Minha preferência pessoal é justamente por esses trabalhos prévios, como o AB, Zooropa e Pop, mas nem por isso desgosto do ATYCLB e, como não sou dona da verdade, não rotularia esse álbum de ruim. Apenas esse conjunto de canções não é o meu preferido.

Bem, pra seguirmos adiante e termos outro assunto pra discutir, talvez, achei um texto guardado que não foi escrito por mim, mas por um amigo que participava comigo da edição do e-zine Sourh Zoo. É sobre uma música muito especial, Two Shots of Happy, One Shot of Sad, que foi composta como presente para o Frank Sinatra e, de certa forma, conta a história da vida dele. O texto é antigo, da época da Popmart.

SINATRA TIRA O CHAPÉU PARA BONO
(MTV News, June 10)

A admiração mútua continua entre o vocalista Bono e o velho olhos azuis
Frank Sinatra.

Semana passada, depois de um show da banda em New Jersey, Bono comentou
que ele tinha feito uma música para Sinatra, e cantou um trechinho para as
câmeras do programa "Access Hollywood".

A canção, intitulada "Two Shots of Happy, One Shot of Sad", tem um clima de
musica de saloon, na tradição de "One For the Road" que Sinatra cantou muito
durante sua carreira.

Agora vem a resposta de Sinatra para isso, numa colocação feita a partir de
uma entrevista feita pela MTV News na última sexta. A declaração de Sinatra
diz o seguinte:

"As letras são a alma da canção. Bono mostra que tem o dom para isso. Ele é
um bom homem e eu desejo para ele muitos, muitos momentos de alegria".

"Todos nós somos convidados no planeta de Frank", diz Bono depois de saber
do fato após a apresentação da banda no Tibetan Freedom Concert. "Que eu
saiba, ele é o cara, e todos nós trabalhamos para ele e é desta maneira
que deveria ser. Na verdade, a música deverá ter um destino. Nós a tocamos
no especial de 80 anos dele e eu acho que sairá um disco disso em breve.
De qualquer forma, voce poderá ouvi-la. Ela é bastante 'arrogante'".

Na verdade, acredito que o maior sonho de Bono é ver o Frank Sinatra
gravando uma música sua... que moral teria o Bono, hein? Mas parece que o
Frank Sinatra, apesar de ter gostado da música, nao está pensando em gravar
álbuns ou singles tão cedo.

Uma pena, Two Shots Of Happy, One Shot Of Sad á a cara de Sinatra. Bono
fez uma letra tão legal que poderia ser creditada a Cole Porter tamanha sua
qualidade. Cantada, então, é um espetáculo. Bono e The Edge tocaram a
música em 95, junto com uma orquestra, no especial de 80 anos do Frank
Sinatra, direto de Londres. O especial foi transmitido ao vivo para o
Brasil pela Rede Bandeirantes.

Naquela época, logo apos o lançamento do Passengers, The Edge já estava
usando os bigodes Discotheque e estava muito cool na apresentação.

Entretanto, a música foi composta muito antes, em 93, durante a Zoo TV,
como nos conta Bill Flanagan em seu livro U2 At The End Of The World:

"(...)Bono, desconhecendo os problemas causados pela sua piada, encontra-se
agora numa enorme suite de dois andares com uma escada em espiral e uma
garrafa de champagne. Quarto legal, mas ele está muito elétrico para
dormir. Com sua mente mergulhada no álcool, ele esta repleto de inspiração
para cumprir a missão de sua vida: escrever uma nova "My Way" para o seu
amigo Frank Sinatra. Na verdade, o velho olhos azuis nao viu a genialidade
de Bono na sua primeira tentativa, 'Treat Me Like A Girl', mas esta, esta
está perfeita: 'Two Shots Of Happy, One Shot Of Sad'. Bono, ainda com os
óculos de mosca e um terno vermelho de veludo amassado, cambaleia pelo
corredor até o quarto de The Edge, cantando a música para si mesmo para não
esquecer - "Two shots of happy, one shot of sad, you think I'm a good man,
but baby I'm bad" - Ele tem que conseguir colocar esta obra de arte numa
fita! Ele encontra Edge e Edge encontra uma guitarra e um gravador e eles
trabalham na música até o amanhecer.

Quando o sol se levanta sobre Chicago, Edge vai dormir. Bono trabalha um
pouco mais e então, fitando uma cama adicional no quarto de Edge, joga-se
num sono profundo."

TWO SHOTS OF HAPPY, ONE SHOT OF SAD - BONO & THE EDGE

Two shots of happy, one shot of sad
You think I'm no good, well I know I've been bad
Took you to a place, now you can't get back
Two shots of happy, one shot of sad
Walked together, down a dead end street
Mixing the bitter, with the sweet
Don't try to figure out, what we might have had
Two shots of happy, one shot of sad
I'm just a singer, some say a sinner
Rolling the dice, not always a winner
You say I've been lucky
Well, hell, I made my own
Not part of the crowd, but not feeling alone
Under pressure, not bent out of shape
Surrounded, we always found an escape
Drove me to drink, but hey, that's not all bad
Two shots of happy, one shot of sad
Guess I've been greedy, all of my life
Greedy with my children, my lovers, my wife
Greedy for the good things, as well as the bad
Two shots of happy, one shot of sad
Maybe it's just talk, saloon singin'
The chairs are all stacked, the swingers stopped swingin'
You say I hurt you, it was the finger on yourself
Then after you did it, you came crying for my help
Two shots of happy, one shot of sad
I'm not complaining, baby, I'm glad
You call it compromise, well, what's that?
Two shots of happy, one shot of sad
Two shots of happy, one shot of sad

Até mais
Maria Teresa

it's me who's fucking beautiful
08/05/2004, 14h31
As letras naum saum bestas, mas sao mais bestas q a dos outros albuns, sao mais parecidas com letras de outras bandas

followerU2
26/06/2004, 00h51
Olá pessoas,

Fiquei na dúvida entre abrir tópico novo ou continuar com esse. Ganhou a 2a.opção, até porque tem muita gente nova no fórum que talvez não tenha lido as coisas que colocamos aqui.

Bom, estou aos poucos, quando sobra um tempinho, lendo o livro Propaganda, 20 Years of the Official U2 Magazine. O livro é 10, vale à pena. Achei ontem esse trechinho bem interessante que pertence à edição número 3 da Propaganda, de maio de 1982. O Edge descreve como foi o primeiro ensaio na cozinha da casa do Larry. O autor do artigo chamado On the Edge of Success pergunta ao Edge como ele desenvolveu aquela sonoridade tão dele na guitarra. Ele diz:

Eu imagino que o primeiro elo na corrente foi uma visita a um bazar de caridade local, onde eu adquiri uma guitarra por 1 libra. Aquele foi meu primeiro instrumento. Era uma guitarra acústica, e ambos, eu e meu irmão mais velho Dick, tocávamos aquela guitarra de forma pesada, só coisas rudimentares, acordes simples e tal. O próximo passo foi um recado no mural da escola dizendo algo como "Larry desperdiçou uma boa grana numa bateria e estava interessado em encontrar pessoas pra desperdiçar grana em guitarras", coisas desse tipo, então nós todos nos encontramos na cozinha da casa dele um dia. Eu acho que entre nós havia um kit de bateria, um baixo sem amplificador, uma guitarra elétrica emprestada e um amplificador emprestado também. Parecia o primeiro dia no exército, todos estavam tentando se adaptar e dizendo aos outros o que fazer. Como era a cozinha do Larry, ele estava meio que responsável por tudo, ms ele só tinha interesse mesmo em tocar bateria, então no final o grupo foi se reduzindo de quatro guitarristas para três, então para dois, então Bono começou a se concentrar totalmente nos vocais, e a coisa toda se desenvolveu a partir daí.

Nós nunca pensamos em montar a banda pra viver disso. Certamente nem passou pela minha cabeça naquela época. Eu posso ser ingênuo, mas não sou idiota. Acho que só um ano mais tarde de repente nos demos conta de que, na verdade, não havia assim um abismo tão grande de habilidade musical ou talento entre o estágio em que nós estávamos, e o estágio em que a maioria das bandas que apareciam na TV e tinham contratos com gravadoras estavam, então nós decidimos que iríamos continuar.


Bem legal essas palavras do Edge, não acham?

:)
T+
MT

PCALIFORNIA
26/06/2004, 01h33
:) com as coisas mudam...é tao bom ver esse desenvolvimento...o que era o u2 e oq. se tornou...é redunte teresa...mas vc é nota dez...rsssss ;)

Be Strong
28/06/2004, 14h35
Nós nunca pensamos em montar a banda pra viver disso. Certamente nem passou pela minha cabeça naquela época. Eu posso ser ingênuo, mas não sou idiota.
Achei legal essa observação do Edge. A gente costuma subestimar nossos sonhos.

followerU2
30/06/2004, 23h44
Achei legal essa observação do Edge. A gente costuma subestimar nossos sonhos.
Ele foi bastante humilde ao dizer isso, com certeza. Quando essa entrevista saiu na Propaganda eles já desfrutavam de um relativo sucesso.

Bem, a próxima entrevista que li nesse mesmo livro, e gostei muito, foi com o Larry, algo raro, já que ele não chegado a dar entrevistas. Inclusive o artigo começa com uma declaração dele explicando porque não gosta de falar muito. A entrevista foi concedida à revista Modern Drummer quando ele tinha 23 anos.

Achei que valia à pena trazer alguns trechos vertidos para o português para esse tópico. Coloco uma parte hoje, e depois continuamos na sequência.

Modern Drummer:

P: A música de vocês projeta uma percepção global, mas suas raízes estão firmemente assentadas na Irlanda. Como foi crescer por lá?

Larry: Não existe comparação entre a América ou mesmo com a Europa. É um país muito isolado - um mundo totalmente diferente. Coisas como aborto, contracepção e pornografia não existem. Você tem que lutar - e lutar duro - se você quer fazer algo diferente. Fazer parte de uma banda é realmente muito difícil. Não existem lugares pra tocar. Mas é também um belo e interessante lugar. Eu estou vivendo lá agora: eu não viveria em nenhum outro lugar. Não sofremos as pressões do rock´n´roll. Alguém diz: "olhe, o baterista do U2!". E outra pessoa responde, "e daí?" na América ou outro lugar qualquer, você sai do hotel e as pessoas querem tirar pedacinhos de você. Na Irlanda as pessoas têm respeito e te deixam em paz.

P: Você passou muito tempo próximo ao mar? Sonoridades do mar podem ser notadas em alguns de seus arranjos de bateria e címbalos.

Larry: Sim, eu cresci em Dublin. Você sempre tem o mar por perto. De onde eu morava, o mar ficava a 500 jardas rua abaixo. Dublin tem 1 milhão de pessoas, mas se você se afasta 1 milha da cidade, é tudo muito calmo e em paz, com árvores verdes, e todas as coisas que você imaginaria encontrar na Irlanda.

P: Você ouvia música típica irlandesa?

Larry: Bem, obviamente eu ouvia. Na minha infância não havia uma estação de rádio que tocasse rock´n´roll em Dublin. Havia uma rádio que tocava Beatles ocasionalmente, mas se você quisesse ouvir rock, você tinha que sintonizar alguma rádio pirata ou uma rádio britânica, como a Rádio Luxemburgo. Eu colocava meu radinho de pilhas debaixo da cama e tentava sintonizar a Rádio Luxemburgo pra ouvir o que estava nas paradas. Somente nos últimos 5 anos é que novas bandas começaram a vir para a Irlanda. Os Stones vieram há 2 anos atrás, e foi a primeira vez depois de 76 ou 77. Agora o rock´n´roll se tornou grande na Irlanda. Porém poucos conseguem sobreviver tocando rock ou fazendo algo original.

P: Como você se tornou baterista?

Larry: Eu comecei aos 9 anos. Eu costumava tocar piano. A professora era uma senhora muito legal, mas um dia ela disse "Larry, você não leva jeito" (risos). Ela então sugeriu que eu tentasse outra coisa. Eu fiquei contente, porque queria dizer a mesma coisa há mais de 1 ano.

P: Mas seus pais te obrigaram a ter lições de música?

Larry: Bem, eles achavam que seria bom pra mim o contato com a música, e já que eu gostava de música, eu fui em frente. Mas eu não era bom no piano; eu não praticava muito. Então, quando sai um dia da minha última aula de piano na College of Music, eu ouvi alguém tocando bateria. Eu virei pra minha velha e disse "você está ouvindo isso? Isso é o que eu quero fazer" Ela disse: "Okay, se é isso o que você quer, você mesmo terá que pagar." Então, aos 9 anos eu economizei alguma grana e consegui 9 libras para pagar meu primeiro período de aulas de bateria. Eu não era muito bom em aprender e em técnicas; eu não praticava muito, porque eu estava muito mais interessado em fazer o meu próprio som. Eu queria tocar como nos discos de Bowie e Stones. Eu não queria passar pelo aprendizado dos fundamentos. Eu aguentei o professor por mais ou menos 2 anos e enchi o saco. Isso é terrível, mas ele faleceu e (pausa)..quero dizer, eu era apenas uma criança: eu disse "uau, intervenção divina! Não preciso mais aguentar isso!" (risos) então eu me juntei a uma banda estilo militar - tambores e sopro, coisas desse tipo.

P: Porque você entrou para essa banda? Parece exigir ainda mais disciplina.

Larry: Era mais brincadeira, porque havia garotas nessa banda, na Color Guard.



* continua *

Por hoje é só...cansei de teclar ;)

T+
MT

PCALIFORNIA
30/06/2004, 23h51
;) amanha mais um capitulo....nao posso perder. :D

followerU2
01/07/2004, 23h04
LOL Paty...desse jeito vai ser pior que novela da Globo...meu tempo anda cada vez mais escasso :bravo:

* continuando *

P: Eu vi algumas dessas bandas em concursos. Elas podem ser bem sofisticadas em sua habilidade musical.

Larry: Essa não era. Era mais tipo "vamos nos divertir e participar do desfile do Dia de São Patrício em Dublin". Eles tentaram fazer com que lêssemos música também, eu sabia ler, mas outro cara e eu dissemos "isso soa muito sem graça". Então jogamos a partitura fora e inventamos nosso próprio som. Eu fiz parte daquela banda por 2 anos, incluindo os primeiros tempos com o U2.

P: Eu ouvi falar que você foi chutado de uma banda militar.

Larry: Essa foi outra banda, a Artane Boys Band. A banda da qual eu estava falando era mais solta, mais liberal. A Artane band era muito rigida pra mim. Eu estava na banda há 3 dias e eles me disseram pra cortar o cabelo. Naquela época, era meu orgulho e alegria - sabe, cachos dourados na altura dos ombros. Então eu cortei algumas poucas polegadas, e eles me mandaram cortar mais. Então eu disse a eles que enfiassem...e cair fora (risos). Eu já tinha esquecido disso. Houve também um estágio onde um cara tentou me ensinar a tocar ritmo de jazz, mas houve o mesmo problema de novo. Esse professor gostava muito de Steven Gadd. Ele era seu ídolo. Eu acho que ele é um grande baterista, mas esse professor colocava os discos de Steven Gadd pra rodar e me dizia pra tocar igual. Eu já estava ensaiando com o U2, então desisti. Eu simplesmente não podia sentar lá e imitar outra pessoa.

P: Conta a lenda que você fundou o U2.

Larry: Sim, e fui o responsável por mais ou menos 3 dias (risos). Estávamos todos na mesma escola, e não havia perspectiva de arranjarmos emprego quando deixássemos a escola. Não havia empregos na época. Era como se estivéssemos todos indo pra lugar nenhum, então decidimos ir pra esse lugar nenhum juntos, e formamos uma banda. Nossa escola era experimental, aceitava todas as religiões, e era bem liberal e aberta. Nós tínhamos que fazer nosso trabalho, e se tívéssemos interesse em esportes ou música, por exemplo, eles nos davam tempo para nos dedicarmos. Nos deram uma sala para praticar. Havia pouquíssimas escolas na Irlanda como aquela. A maioria eram escolas de irmandades cristãs, onde você estudava, fazia seus trabalhos e só. Nós começamos quando o punk rock estava estourando a cena musical, e quando o ouvimos nós dissemos: "uau, isso é incrível! isso é energia!" A música estava ficando muito chata. Parecia haver tanto rock de esteira rolante, onde os caras ganhavam dinheiro e sumiam, mas o punk rock tinha uma força crua. Muitas das bandas não tocavam nada, mas tinham algo a dizer. Eles nos deram inspiração.


* continua *

Nota: não achei uma expressão em português pra "conveyor-belt rock", daí apelei pra tradução literal, rock de esteira rolante. Acho que é mais ou menos tipo música industrial, de linha de produção, algo nesses termos.

:)
T+
MT

PCALIFORNIA
02/07/2004, 03h28
cara eu nao sei nem o q digo..ta cada dia melhor ;) ...teresa arranja tempo..é um serviço humanitário o seu ....se inspire em bono e faça o bem aqui no forum ;)

Be Strong
02/07/2004, 18h26
Esse é o tópico que eu mais gosto no Fórum. Não canso de lê-lo. Do início ao fim.

GikahVox
02/07/2004, 21h09
Nossa....to curtindo tb. :)
Thanks Maria Teresa por salvar a "pátria" sempre ;)
Beijo do Bono.
Hasta.

PCALIFORNIA
03/07/2004, 00h01
Esse é o tópico que eu mais gosto no Fórum. Não canso de lê-lo. Do início ao fim.
eu too... ;) :lol: amo esse topico fico um tempao aqui lendo relendo rindo ..me emocionando

followerU2
03/07/2004, 02h04
Okay, capítulo três, e talvez último da novela ;)

P: Você alguma vez pensou que o isolamento, e talvez mesmo a adversidade que vocês experimentaram nos primeiros anos da banda na Irlanda foram uma vantagem?

Larry: Sim. Honestamente eu acho que uma banda como o U2 não poderia ter surgido em qualquer outro lugar. Nós tivemos tempo de crescer no nosso próprio ritmo, protegidos e longe do circo da cultura do rock´n´roll. Nós podemos ser nós mesmos, estarmos como nossas famílias e fazer todas as coisas para as quais os seres humanos foram feitos. Nossa música vem do fato de vivermos cercados de pessoas reais, no mundo real. O Título The Unforgettable Fire vem de um livro que nós vimos com pinturas que foram feitas pelos sobreviventes de Hiroshima. E se você prestar bem atenção na letra que Bono escreveu para Bad, daquele álbum, ele toca no enorme problema da heroína, especialmente em Dublin, e tudo o que gira em torno disso. Nós estamos muito conscientes dessas coisas. Mas vá pra Londres, e as pessoas são influenciadas é pela cena de fantasia - as roupas, as garotas que dançam pra você, quanta droga você consegue tomar. Nós simplesmente deixamos isso pra trás. Nossa banda não tem nada a ver com isso.

P: Vocês falam ao público sobre vida saudável e espiritualidade, mas vocês conseguem andar nessa corda bamba: vocês não são frágeis. Vocês ainda são roqueiros legítimos.

Larry: Toda essa coisa de sexo e drogas no rock é tão velha, tão chata, e tão pretensiosa. Eu imagino que alguns pensem que você tem que sustentar essa velha imagem para ser um legítimo roqueiro, mas porque nós fingiríamos? Se você na verdade encontrar muitas dessas bandas famosas como seres humanos, você verá que eles são muito mais certinhos do que você pensa. É tudo um grande jogo, e nós não o jogamos. As pessoas têm que decidir por si próprias sobre a imagem do U2. Aqueles que nos assitem ao vivo sabem que não se trata de rock frágil.



Bom gente, daí pra diante a entrevista entra em "technicalities" sobre tocar bateria, sobre o estilo do Larry e talz. Resolvi não traduzir o resto porque 1) não conheço muitas das palavras/expressões em português para alguns termos técnicos utilizados e 2) provavelmente só interessaria aos músicos de plantão.

Espero que tenham gostado. Não é todo o dia que o loiro gelado abre a boca :P

T+
MT

MCTOL
03/07/2004, 23h23
Gostei da entrevista com o Larry, muito boa! :)

PCALIFORNIA
03/07/2004, 23h38
por mais que eu saiba a historia sempre tem os detalhes "sordidos" :lol: ..que sao otimos... :lol:

Lara Hewson
04/07/2004, 00h09
Espero que tenham gostado. Não é todo o dia que o loiro gelado abre a boca :P

T+
MT
uhauahauhauahau loiro gelado... :lol: :lol:

Valeu por traduzir, MT!! :D

followerU2
05/07/2004, 09h42
Btw, achei essa entrevista online. Quem quiser lê-la completa e no original clique no link abaixo:

Larry para a Modern Drummer (http://www.atu2.com/news/article.src?ID=2049&Key=Modern%20Drummer&Year=&Cat=)

:)
T+
MT

followerU2
18/07/2004, 18h11
Okay....domingo frio pra danar, e eu aqui sem nada melhor pra fazer..resolvi ler mais um pouco do livro The Best of Propaganda e encontrei algumas declarações interessantes do Bono sobre sua relação de amor e ódio com os Estados Unidos. São parte da entrevista chamada The Enduring Chill - Bono and the Two Americas, de 1986. Vejam como ele responde à pergunta "Você sente muita simpatia pela América?"

Bono: Bem, eu tenho um tipo de relação de amor e ódio com a América. Eu amo o lugar. Eu amo as pessoas. Uma das coisas que odeio é o fato de que pessoas tão confiantes pudessem depositar sua confiança num cara como Ronald Reagan. Ele até pode ser um homem sincero, mas ele está sinceramente errado em muitas coisas. Por exemplo, a América do Sul. Não tenho dúvidas de que as pessoas na América, através de seus impostos, estão pagando por todo o equipamento que é usado para torturar pessoas em El Salvador. Na minha viagem a El Salvador eu encontrei mães de jovens que haviam desaparecido. Elas nunca vieram a saber para onde seus filhos foram ou onde enterraram seus corpos. Eles estão supostamente mortos. Na verdade, existe uma música que pode estar no próximo LP chamada Mothers of Disappeared. Não tenho dúvida alguma sobre o envolvimento da administração Reagan em apoiar esse regime que está cometendo essas atrocidades. Eu duvido de que as pessoas na América estejam mesmo conscientes disso. Não estou em posição de passar sermão neles, ou dizer-lhes qual seu lugar ou mesmo abrir seus olhos para isso, de uma forma bem visual mesmo, mas isso está me afetando, e afeta as palavras que escrevo e a música que faço.


Outra coisa maravilhosa que ele falou nessa entrevista foi sobre sua experiência na Etiópia. A pergunta era "Como sua experiência na Etiópia afetou você?"

Bono: Eu acho o tempo que passei na África um pouco difícil de lidar. Eu trabalhei à margem do deserto e me lembro de olhar para pessoas que eram muito orgulhosas, muito honradas. Eu comecei a pensar não sobre o que elas não tinham, mas sobre o que elas tinham. O que eu não pude aguentar foi quando voltei pra casa e vi o desperdício de terras no ocidente, e eu vi criancinhas mimadas e vi pessoas gordas, não fisicamente, mas mentalmente...isso foi o que eu não pude aguentar, eu comecei a pensar que éramos nós que vivíamos no deserto, porque embora aqui as pessoas sejam ricas, fisicamente, elas são muito pobres espiritualmente e na África o oposto é verdadeiro.


Agora me digam...é ou não é pra simplesmente amar um cara assim? :rolleyes:

T+
MT

Editado pra correção de alguns erros.

Lara Hewson
18/07/2004, 18h53
Agora me digam...é ou não é pra simplesmente amar um cara assim? :rolleyes:

T+
MT
com certeza!!! ô homem genial esse tal de Bono Vox...nao vou agradecer mais pelas traducões q vc faz...eu simplesmente sou eternamente grata a vc ;)

Shy
18/07/2004, 19h03
Nem sei o q dizer... :wub:

MYSTERIOUS
18/07/2004, 20h18
ainda me impresiona a capacidade que o bono tem de me deixar orgulhosa de ser fã de uma banda tao..tao..completa como e o u2...dentro e fora dos palcos do mundo!!! ;)
cara...quer saber...VIVA O U2!!!
VIVA O BONO!!!

Tata_Comuna
18/07/2004, 21h25
Bono há som um ele só podia ser o vocalista dos U2 a melhor banda de sempre:)

followerU2
10/09/2006, 22h09
Resolvi ressuscitar esse tópico, talvez um dos mais antigos aqui do fórum, porque 1) tem bastante coisa legal nele; 2) tem muita gente nova nesse fórum; e 3) me dei conta que não precisava iniciar outro tópico sobre Sunday Bloody Sunday, porque já havia divulgado aquele trecho da entrevista do Bono para a Hotpress em 1983 nesse tópico.

Bom, aproveitando o tema do nosso último podcast, aí vai outra tradução que fiz ages ago, texto do Neil McCormick do livro the U2 File:

A CRIAÇÃO DE UMA LENDA

Eu estava olhando uma velha foto dos tempos de escola um dia desses. 6° ano, Mount Temple, 1978. Rostos jovens, um tanto embaçados, encarando honestamente direto do passado, em um preto e branco meio granulado. Esse aqui se tornou campeão da Irlanda em skateboard e iatismo. Esse outro aqui acabou na prisão por estupro. Esse cara aqui jogou futebol pelo Leeds United. E esses dois estão em uma das mais bem sucedidas, laureadas pela crítica e essenciais bandas de rock do nosso tempo.

Superastros não nascem, eles chegam completamente formados, normalmente da América. Eu tenho trabalhado sob essa ilusão por anos. Pessoas frequentemente me perguntam quem, em minhas viagens como jornalista, é a pessoa mais famosa que eu já encontrei. A pergunta me pega; eu não tenho o hábito de me consorciar com superastros. Celebridades, talvez...

As pessoas mais famosas que eu já encontrei estavam sorrindo para mim daquela fotografia.

Eu sinto como se centelhas estão para repentinamente surgir de meus dedos cada vez que eu tento escrever sobre o U2. Eu sinto como seu eu pudesse me consumir, me queimar em atividade elétrica. Isso não é só história, essas são memórias. Essa é a minha vida. Olhe para os juvenis Bono e Edge. Quem saberia o que estava previsto para eles, para qualquer um de nós, naquela época? Onze anos depois eles estão, junto com os colegas de escola Adam e Larry, na capa da revista Time. Eles estão nos jornais, estão nas paradas, na TV e no cinema. Ás vezes eu entro na sala de uma pessoa estranha para ser confrontado pela foto deles, pendurada na parede. Eu sempre tenho que evitar perguntar para a pessoa "como você os conhece?" Todo mundo os conhece.

A última vez que eu vi o U2 eles estavam no palco em Wembley e eu estava parado tão perto que poderia bem ter sido como no velho ginásio da escola. Eles eram extraordinários em Wembley mas eles eram extraordinários já na sua primeira apresentação no ginásio, lá em 1976, também. Parece para mim que eles sempre foram extraordinários, mesmo quando, sendo bem realista, eles devem ter sido, bem, uma droga. Aquele foi o meu primeiro show de rock ao vivo e mudou minha vida. Eu disse isso ao Bono alguns anos mais tarde e ele só pôde concordar. Mudou a vida dele também.

O intervalo entre o estádio de Wembley e o ginásio da escola Mount Temple é, com certeza, imensurável. A distância entre os mesmos quatro indivíduos do Feedback de 1976 e o U2 de 1987 está além da compreensão. O que ainda é o mesmo é a centelha. "Nós construimos a nós mesmos em torno daquela centelha", disse Bono em 1980. Ainda queima dentro deles hoje, derramando calor branco no coração de tudo, ligando-os, de modo indefinido, com a grandeza do rock'n' roll. Você podia senti-la, reconhecê-la, acreditar nela muito antes que eles explodissem para a vida. Muitas pessoas sentiram. Você pode senti-la, reconhecê-la, acreditar nela agora que o grupo atingiu genuino, irresistível status de superastros. Muito mais pessoas sentem.

A centelha permanece viva e constante. Tudo o mais muda. Tente ouvir na sequência, do álbum de estréia do U2, Boy, de 1980, até o Rattle and Hum, de 1988. Pode esse ser o mesmo grupo? Um determinadamente moderno, uma combinação elétrica de grandes, prateados cacos de guitarras e vozes juvenis esganiçadas, o outro uma banda com um som de raízes, entre o rock e o folk, e um vocalista que é um dínamo de força com sua voz como um rosnado. Ao longo dos anos as mudanças graduais podem ser vistas como quase imperceptíveis. Isso é evolução, não revolução. Mas ao longo de sete álbuns em oito anos, o U2 se redefiniu e quase completamente reinventou a si mesmo.

Os discos do U2 estão empilhados em cima do meu estéreo. Vinte e sete deles, incluindo os singles. Eu tenho tocados todos eles, lembrando a mim mesmo de prazeres esquecidos, às vezes abrindo meus olhos para fraquezas não notadas, tentando ver como as coisas se parecem enquanto a poeira baixa no Rattle and Hum. Mais do que isso, eu tenho encontrando velhos amigos.

Fonte: Tradução parcial do primeiro artigo do livro Three Chords and the Truth, de Neil McCormick

MT

PS.: se as moderadoras acharem por bem podem fundir esse tópico com aquele sobre Sunday Bloody Sunday, okay? Thanks.

Giu_Hewson
10/09/2006, 22h20
Lindo texto!!
Obrigada pela tradução, MT :)

Eu tenho umas entrevistas traduzidas aqui para um projeto de site que não sei se algum dia vai existir.. Vou escolher alguma delas para dar uma contribuição aqui (obviamente eu não traduzo tão bem quanto a MT, mas até que dá pra entender xD)

Giu_Hewson
10/09/2006, 22h27
As promised..
Deve estar com erros por toda partes, não revisei direito.

Revista Song Hits, 01º de setembro, 1983
Rich Sutton
U2 é uma banda com visão; uma visão que eles não estão interessados em forçar pela garganta de ninguém. Suas músicas são um espelho para uma geração que é geralmente indiferente ao mundo que lhes afeta. Eles são porta-vozes ao invés de pregadores. E falam a língua.
A linguagem que falaram no apropriadamente intitulado primeiro álbum, Boy, era a da ingenuidade. U2 capturou a energia não canalizada da adolescência e transcreveu-a bem. Apesar do LP ter vendido mais de 200,000 cópias (abundantemente pela força do single I Will Follow), a banda falhou para capturar a imaginação do ouvido popular. Seu segundo álbum, October, com suas canções religiosas, não conseguiu pôr a banda no próximo nível.
Em retrospecto, os dois primeiros álbuns do U2 formam dois terços de uma trilogia que culminou no seu brilhante terceiro álbum, War. Com War, pode-se ver que o ingrediente em falta nos álbuns 1 e 2 era letras fortes bem encaixadas à música. Sem tomar uma posição moralista, as letras de War ficam acima da mensagem de muitas músicas populares. A habilidade com que as palavras foram modeladas para melodias e ritmos populares é pouco comum.
A origem do U2 não é tão revolucionária como suas letras podem sugerir. Isso é adequado pois o U2 não prega a revolução. Sua música faz perguntas. Pareceu justo que tivéssemos uma chance de perguntar algumas. Falamos com o baixista Adam Clayton recentemente para descobrir sobre o U2.

Rich Sutton: Vamos começar com um pouco de passado. Como vocês se juntaram?
Adam Clayton: Nós todos tínhamos entre 15 e 16 anos na época e foi na escola, na verdade. As coisas comuns - ficar cansado e irritado com coisas normais da escola. Nós meio que nos encontramos e decidimos formar uma banda. Passamos um ano tentando tocar uma música, praticando umas 4 horas por semana. Então decidimos que se quiséssemos aprender essa música, teríamos que praticar dois dias por semana. Então treinamos duas vezes por semana, e pudemos aprender uma música e meia. Então fizemos três vezes por semana, e gradualmente chegamos a 7 dias por semana. Acabamos melhorando e escrevendo canções melhores.

RS: Por quê U2?
Adam: O que aconteceu foi que, quando estávamos formando a banda, o cara que faz as capas dos nossos álbuns fez uma lista com uns dez nomes. A ordem para ele foi que o nome deveria ser forte graficamente e teria que lembrar que somos uma banda pós '76, mas sem sermos associados com a coisa do punk. Também teria que ser o tipo de nome que quando as pessoas ouvem, aumenta o interesse de saber do que se trata. Acho que o nome sucede principalmente disso.

RS: Quando vocês estavam gravando October, o caderno com todas as letras de música foi perdido. Olhando de volta para isso, você desejaria ter tido a chance de refazer o disco?
Adam: De modo algum. Eu gosto deste disco. Talvez tenha sido feito de um jeito um pouco boêmio. Acho que essa é tanto sua força como sua fraqueza. Ainda assim acredito que seja um álbum muito bom e facilmente comparável com os outros dois.

RS: O que você consideraria que é sua fraqueza?
Adam: Acho que é um pouco "sem fórmula" às vezes. Mas creio que se isso se junta à atmosfera do álbum como um todo.

RS: É interessante ouvir você dizer "atmosfera". O sentimento espacial da guitarra do Edge pareceu estar em I Will Follow somente quando vocês fizeram show. Ele usa efeitos, ou troca de guitarra?
Adam: São principalmente os efeitos que ele usa. Depende do comprimento do eco. Estivemos tentando parar de fazer o som com muito eco; queríamos trazê-lo para muito mais perto e que fosse muito mais pesado, e isso é provavelmente o porquê de ter sido notado por você em I Will Follow.

RS: Parece haver uma "aspereza" na banda, como se estivessem a ponto de cair. Isso é intencional?
Adam: Sim, reparei nisso e me golpeou o fato de existir um tipo de aspereza, mas está sob controle. Nunca realmente cai, apesar de às vezes você pensar que poderia.

RS: Acho que é parte da excitação da banda. Você concorda?
Adam: Acho que é o que a faz uma banda ao vivo. Há um grau de risco e excitação que é de longe mais interessante do que se fosse um set perfeito. Acho que sets perfeitos tendem a ficar um pouco idiotas porque acabam soando como no disco, e não há sentimento entre o público e o grupo mostrando que o público está experimentando algo especial, e acho isso importante. Acho que em cada show as pessoas lá não devem se aborrecer. Elas devem se divertir e ficar fascinadas do começo ao fim.

RS: O Bono se preocupa em interagir com o público?
Adam: Não, acho que não o incomoda. Ele faz isso quando sente que deve fazer; se ele não se sente bem sobre isso, não fará. Depende da atmosfera vinda do público em muitos sentidos. Se há uma boa intimidade vindo deles, então há confiança entre cantor e público.

RS: Muitos críticos estão levando a banda mais a sério devido às letras que vocês escolheram para War. Quão importantes são as letras para a banda?
Adam: Obviamente são uma parte integrante do grupo. Se separar cada parte, não será tão bom. Acho que, para o U2, as letras são terrivelmente importantes porque devem estar no mesmo nível da música, que é muito alto. Atualmente, não há muitas pessoas que escrevem letras interessantes, na minha opinião. Acho que a aproximação do Bono com as letras e o que ele diz são coisas muito reais, muito valiosas e valem muito mais que todas essas letras clichês e de baixa qualidade que você vê em muitas bandas.

RS: Há bandas que você ouve para sentir o que mais está acontecendo?
Adam: É uma pergunta difícil porque ouço muita música. Geralmente quando estou em casa ouço rádio porque é muito bom lá. Você escuta todos os novos lançamentos assim como os discos underground para saber o que está acontecendo no nível de rua. Para ouvir todo dia, tenho um gosto moderado. Ouço ZZ Top porque eles têm uma ótima seção de ritmo. Escuto Stones, mas ao mesmo tempo Stranglers, Joy Division ou New Order. Então ouço Pointer Sisters e reggae. Não acho que alguém pode canalizar seu gosto em somente uma área porque música tende a ser universal. De certo modo, é irrelevante qual o arranjo, se a música é boa. Se for tocada com violão, piano, ou uma banda grande, vai chegar a algum ponto. Essa é minha atitude em relação à música, em vez de dividi-la, o que parece ser popular por aqui. É um pouco como apartheid na África do Sul, não é certo.

RS: Você acha que a recente popularidade dos vídeos de rock é uma coisa boa?
Adam: É certamente um passo na direção certa. Mas ao mesmo tempo, ainda há o problema de ter uma música boa. Está tudo certo se você tem uma canção horrível e a veste com um video e coloca na MTV. Acho que o consumidor deve ser estimulado a ter um controle de qualidade em relação ao que é excitante e novo. É o que o rock deveria ser. Não pode ser algo tradicional; nessa fase, não deveria ser um meio seguro para as pessoas dizerem "Oh yeah, eles são uns garotos legais; eu gosto dessa banda." Não é por aí. É um movimento jovem que eu saiba. Rock and roll deveria ser perigoso e subversivo.

RS: Nós começamos a falar de outras bandas. Vocês foram comparados ao Clash. Como se sente com isso?
Adam: Devo admitir que prefiro não ser comparado a eles porque acho que, na verdade, somos melhores que o Clash. O que eu gosto no Clash é que eles estão aí fora, eles se arriscam. Mas eles cometeram muito erros para mim. Admiro-os por cometerem esses erros porque se arriscaram e certamente escreveram músicas muito, muito boas. Acho que estamos em uma liga diferente da deles.

RS: Há um certo número de críticos americanos que discordariam disso, particularmente devido aos dois primeiros álbuns. Uma expressão usada por eles tem sido "perigosamente fora do sério". O que você acha?
Adam: Bem, acho que eles não entenderam o que estava acontecendo nos dois primeiros álbuns. Quero dizer, é só em retrospecto que vejo a seqüência natural dos eventos de Boy para October para War. É uma trilogia muito poderosa. Uma olhada em retrospectiva é muito valiosa. Acho que Boy veio e retratou ingenuidade e inocência extremas, que, na época, quase não existiam no rock and roll. Deu um verdadeiro espírito ao álbum. Acho que é uma coisa muito valiosa. Naquele tempo, acho que se você fosse cínico teria dito "Oh, olhe esses jovens de olhos brilhantes da Irlanda; eles não parecem ingênuos?" Mas não era esse o ponto. Podemos ter soado ingênuos, mas era um disco que retratava inocência de um jeito bom e muito, muito importante. Todos os adolescentes devem ter essa iniciativa e ambição jovem que são basicamente abastecidas por ingenuidade e inocência. É uma excitação sair e ver o que está acontecendo no mundo grande e mau e fazer alguma coisa da sua vida. Uma vez que você chega na meia idade diz "Oh, qual é o objetivo de fazer isso; nunca vai acontecer".Você perde essa excitação. Acho importante que nós tínhamos isso e retratamos de um modo nunca visto antes.

RS: Steve Lillywhite, seu produtor, é parte integrante do seu som. Ele se chama de "cara chato". O que você acha dele?
Adam: Ele é ótimo para se trabalhar. É bem um quinto membro da banda. É somente um par de anos mais velho que nós, mas parece que tem a mesma idade. Conhecemo-nos tão bem que se torna uma relação de trabalho muito especial. Ele tem uma habilidade incrível para fazer o entusiasmo continuar. Quando você fica três semanas numa sessão, tende a ter um ponto baixo. O empenho de Steve com a moral no estúdio é muito grande. Ele realmente é merecedor de reconhecimento na parte de mixagem.

RS: Ele certamente ajudou a trazer a visão da banda para o vinil. Na vida do grupo, a visão da banda mudou de, como eu percebo que começou, uma visão musical, para uma que agora é musical e política. De que outros modos você acha que a banda expandiu sua visão?
Adam: Algo realmente aconteceu conosco ano passado. Sentimos que havia indiferença por parte de nossa geração em relação à política e envolvimento no que está acontecendo. Todos estavam abaixando suas cabeças e pegando seus resultados para poderem ter um bom trabalho. Havia coisas horríveis acontecendo por volta do ano passado. Não havia ninguém falando disso, exceto pessoas como Dylan, Crosby, Stills & Nash, Joni Mitchell, Joan Baez, e todos esses, e estiveram fazendo isso há dez anos. Ninguém representava nossa geração. Foi quando passamos a nos preocupar com pouco mais com política. Acho que isso continuará. É importante porque afeta nossas vidas, e obviamente será um aspecto das letras do Bono. Particularmente porque não somos tão ingênuos quanto éramos. Acho que a introspecção e auto-análise abrirão espaço para questões políticas cada vez mais. Musicalmente, estaremos progredindo. Agora que fizemos nossos três álbuns de rock e podemos progredir, acho que queremos tentar fazer trabalhos com sintetizadores, que basicamente mostrarão às pessoas que não são capazes de usar sintetizadores. Queremos usar sintetizadores e trazer alguns instrumentos acústicos tradicionais irlandeses. É cedo, ainda não tivemos tempo de parar e escrever. É essa minha visão sobre o que acontecerá, mas como realmente será não poderia dizer nesse momento.

RS: Vocês se vêem como "questionadores" por uma geração, ou porta-vozes de uma geração?
Adam: Acho que é possivelmente perigoso ser um porta-voz porque muitas pessoas podem ficar sem orientação com isso. Tudo o que fazemos é levantar questões. Há coisas que precisam ser pensadas mais profundamente do que as pessoas estão preparadas. Acho que tudo o que fazemos é levar essas questões às mentes das pessoas. Acho que é melhor que realmente protestar, já que as pessoas ficam enjoadas de um dedo apontado para elas. Se simplesmente desenterramos as coisas e deixamos as pessoas virem com suas próprias opiniões sobre elas, acho que é mais valioso.

patic
10/09/2006, 23h08
Muuuuuuito Obrigado MT e Giu:aprovado:

As palavras do Neil são incríveis, melhor escolha não poderia haver para ter escrito o U2 by U2:)

Su Scout
10/09/2006, 23h32
Giu vc fez exatamente o que eu ia te sugerir.:P
Fazer uma separação dos diálogos e colocar em negrito quem tá falando. Muito obrigada, ficou muito bom pra ler.:aprovado:

Giu_Hewson
11/09/2006, 17h51
Giu vc fez exatamente o que eu ia te sugerir.:P
Fazer uma separação dos diálogos e colocar em negrito quem tá falando. Muito obrigada, ficou muito bom pra ler.:aprovado:

Muuuuuuito Obrigado MT e Giu:aprovado:

As palavras do Neil são incríveis, melhor escolha não poderia haver para ter escrito o U2 by U2:)

^_^ Que bom que gostaram! :P

Cristina Cruz
11/09/2006, 19h52
O Neil é excelente!!!! Escreve muito bem, é muito conhecedor e em 1a mão, pois assitiu a toda a história inicial do U2. Tem tb um sentido de humor sarcástico.
Eu considero o "Killing Bono" dele o melhor livro sobre U2... até agora. E olha que eu já li quase todos ... A escolha do Niel para escrever u2 by u2 não podia ter sido melhor.

LadyCygnus
12/09/2006, 03h22
MT & Giu,

Obrigada pelas entrevistas!!! Faz tempo que quero ler coisas mais antigas deles e, como eu ainda não tenho um acervo muito grande delas, acabo vindo aqui mesmo procurar!

Grazzie!:)

followerU2
14/09/2006, 00h13
Bem legal essa entrevista com o Adam, Giu, não conhecia :aprovado:

Sobre o Neil McCormick, tem muitos artigos ótimos dele nas duas compilações em livro de artigos sobre o U2 publicados na Hot Press. Os livros são The U2 File, que cobre dos early years até o War, e Three Chords and the Truth, que vai do Unforgettable Fire até o Rattle & Hum. Ambos estão out of print, consegui edições usadas em ótimo estado por um preço caro, mas valeu à pena.

Vou ver se trago mais algumas versões desses artigos pra cá, asap. :)

MT

hawkmoon269
24/09/2006, 02h09
3a. e última parte:

P: Em "Peace on Earth" você parece se dirigir a Deus. Você é católico,
budista, protestante?

R: Primeiro de tudo, eu tenho que dizer que qualquer um que ouse chamar uma
canção de Peace on Earth merece ser esbofeteado...Eu a escrevi do dia em que
uma bomba explodiu em uma pequena vila na Irlanda. Essa bomba não só
destruiu vidas humanas mas praticamente destruiu o processo de paz. É
difícil explicar a importância desse acontecimento para alguém que não vice
na Irlanda. Às 6 horas da tarde, quando o rádio anunciou as mortes, as
pessoas começaram a chorar por toda a parte na Irlanda. Pessoas pararam nos
acostamentos das estradas para soluçar sobre o volante de seus carros. Foi
um drama real, compartilhado. . As palavras "Peace on Earth" ("Paz na
Terra") no cântico de natal nunca soaram tão amargas e insinceras. Além de
ter se perdido vidas, muitas pessoas perderam sua fé. Nessas horas eu fico
com raiva de Deus. Dito isso, eu reconheço o quão clichê é usar raiva de
Deus como uma desculpa para canções pobres! As pessoas podem ser realmente
más, mas ainda é Deus que será considerado culpado. É ridículo culpar Deus
pelo estado de coisas no mundo. Existe dinheiro e comida suficientes nesse
mundo para todos...

P: Você já teve medo de dar muita lição de moral em suas músicas?

R: Não. Simplesmente usar o nome de Deus imediatamente faz as pessoas
assumirem que você está tentando se passar por pregador. O que estou fazendo
é tirar sarro disso. Como compositor, eu sou ligeiramente afetado pela
Síndrome de Tourette. Se um assunto é tabu, é exatamente do que eu quero me
aproximar em minhas músicas. Por muito tempo eu me dei conta de que toda a
música que eu gostava - Bob Dylan, Patti Smith, Bob Marley, Marvin Gaye -
evocavam Deus. Outra música nunca realmente me chamou a atenção.

P: Conte-nos sobre sua aventura com a política.

R.: Eu sou um roqueiro mimado. A mim é permitido fazer coisas que outros não
podem - então eu as faço. È provavelmente uma maneira de me rebelar contra
minha criação católica. Eu sempre retorno às idéias das nossas raízes do
punk rock´n´roll - essa idéia de que música pode mudar o mundo ... ou pelo
menos seu próprio universo. Nós crescemos ouvindo The Clash, e estamos
convencidos de que artistas são os os novos políticos. Outra razão para
minha participação é ligada à minha nacionalidade. Na Irlanda, arte e
política têm sido sempre dependentes. Mas os políticos não sonham com um
mundo melhor, então é nossa tarefa fazer isso por eles.

P: Ainda existe uma cena musical na Irlanda?

R: Eu realmente não posso dizer que existe uma cena de rock´n´roll. É mais
como uma cena de dance - mas existem algumas bandas emocionantes como JJ72 e
The Punk Chicks, três garotas de 17 anos...

P: A sua gravadora foi recentemente adquirida pela Universal. A indústria
musical inteira parece de alguma forma obsoleta à luz da criação e
popularidade da internet. Vocês têm planos de vender seus discos só pela
internet, como o Prince faz?

R: Você sabe quantos álbuns ele vende? Ele é um dos grandes gênios da música
pop - um cara à altura de Duke Ellington - entretanto seu último álbum
vendeu apenas três mil cópias. Então eu não quero seguir a mesma estrada. Eu
sou adulto, eu entendo os conceitos e importância de promoção, distribuição
e marketing.

P: As pessoas entenderam sobre o que era o Net Aid?

R: Eu mesmo não entendo realmente. Nós todos imaginávamos o que estava
acontecendo. Mas para ser justo, só durou um dia. Aconteceu em um estádio
imenso em New Jersey. No começo não havia absolutamente ninguém na platéia.
Eu nunca tinha visto um lugar tão vazio assim antes. Wyclef Jean dos Fugees
tentou me garantir "o pessoal não vem antes das 10 horas". Me pediram para
tocar no começo do show. Eu acho que toquei "One" na frente de uma só
pessoa.

P: Como é que você reage às pessoas que pirateiam sua música?

R: Isso não me incomoda . Hoje, quando cheguei na França, uma pessoa veio
até mim no aeroporto e disse "Hey Bono, ouça isso" Ele me passou os fones de
ouvido de seu walkman - era "Beautiful Day", o primeiro single do novo
álbum. A música tinha sido gravada da internet. Ele me disse que levou 15
minutos para fazê-lo, o que definitivamente é mais rápido do que ir a uma
loja de discos. Enquanto ninguém estiver ganhando dinheiro com isso, sou
completamente a favor. O U2 sempre encorajou as gravações de bootlegs. A
meta de qualquer artista é que as pessoas ouçam sua música. Antes havia só o
rádio e os shows; agora existe também a internet. É uma coisa legal.



Era isso. Espero que alguns apreciem. :)

Maria Teresa


essa entrevista tá muito interesante mesmo.sem falar que as respostas de bono são sempre bem explicativas,e de um ponto de vista bem diferente do quê a gente acha que ele vai pensar.principalmente da parte em que ele fala,das pessoas cultuarem quem faz e não a música.
Maria Teresa!!!muito legal a entrevista!
bjinhus pra vc :********

hawkmoon269
24/09/2006, 02h20
alison, confere a seção Artigos no site da UV, tem alguma coisa lá.

Bom, já que o feedback tem sido positivo, aí vai outra reprise...com certeza um dos meus artigos preferidos de todos os tempos, escrito pela cantora folk norte-americana Joan Baez (os mais antigos já devem ter ouvido falar dela). Esse texto consta de sua autobiografia, And a Voice to Sing With, e descreve o que ela sentiu ao assistir a performance do U2 no Live Aid. Ela escreveu esse artigo imediatamente após a sua apresentação no Live Aid em Nova York, enquanto assistia às outras apresentações em Londres, pela TV, em seu quarto de hotel. O link para o texto original é o seguinte:

http://www.atu2.com/news/article.src?ID=36...baez&Year=&Cat= (http://www.atu2.com/news/article.src?ID=360&Key=joan%20baez&Year=&Cat=)

Segue a versão que fiz, há uns bons dois anos atrás.

"Eu vejo um rosto que eu não reconheço na tela da TV. Deve ter vindo da Inglaterra porque o público que se agita está pontilhado de bandeiras inglesas. O vocalista, vestido de preto, tem cabelo longo e castanho, ligeiramente desarrumado. Ele está pingando de suor, e um pouco do cabelo está grudado no seu rosto, como o desenho de um mapa, fazendo com que eu queira puxar seu cabelo de volta para trás. A canção é cósmica, celestial, modulada e contínua. Ele salta no ar e pisa forte, com botas pesadas. Ele não transa com o microfone, do jeito que astros do rock fazem quando eles se dão conta de que a tecnologia torna possível a eles derramar o próprio ego sobre milhares de pessoas. Não, esse jovem leva as coisas à sério, e ele se expressa com tal ternura, suficiente para partir o meu coração. Ele chama pelo público. Eles respondem. Ele canta pequenos trechos de canções dos anos 50 e 60 na sua própria maneira distinta, e eles cantam com ele. Ele conduz um coral. Eles são o coral e estão enlevados. Eu estou imaginando tudo isso? Ë possível. O nome do grupo aparece ao lado do símbolo do Live Aid, sobreposto pela sua dança mística. U2 Ao Vivo no Estádio de Wembley. Esse é o grupo que os meus conselheiros, adolescentes de 15 anos, me recomendaram observar. Esse é o grupo que dizem que é político, até mesmo pacifista. O vocalista abre caminho em direção ao público, pulando sobre uma estreita borda de madeira, menos de um metro abaixo do palco. Ele faz gestos para a multidão, acenando para alguém na sua direção. Ele vence a altura até o fosso da orquestra e continua o seu convite, em linguagem de sinais. Finalmente uma garota é erguida completamente e passada por sobre a cerca que o separa da multidão. Ela é simplesmente passada adiante como uma oferenda. Ela agora está de pé, nos braços dele, que dança com ela. Ela está provavelmente paralisada, em estado de choque, e sua cabeça está docemente inclinada para baixo e, por alguns segundos, ele a está ninando enquanto eles dançam.

Eu não posso me lembrar de ter visto nada parecido na minha vida. Ë uma atuação, um número, mas não é um número. Ë um momento privado, aceito por 70.000 pessoas. A dança é curta, sensual e angustiantemente terna. Ele então escapa dela e é ajudado a subir para o nível logo abaixo do palco e lá ele encontra outra garota, e dança com ela do mesmo jeito. Tudo isso enquanto a percussão e a hipnótica guitarra continuam implacavelmente, liricamente, com o público agitando os braços para trás e para a frente, como parte do ritual. O vocalista então retorna para o palco e, ainda derramando suor, continua a canção. Sua voz não tem nada de especial. Ë instável e, vez por outra, falha. Mas ela é irresistível, assim como ele é irresistível. Existe alguma coisa na seriedade dele que me cativou.

Astros do rock podem parecer e ser sérios, mas normalmente é com respeito a eles mesmos, ou à versão inflada deles mesmos. Nenhum de nós, que enfrentamos 100.000 pessoas, ouvindo nossa voz (e banda) amplificada, modificada, ecoada e suavizada como veludo cósmico, pode escapar de certas ilusões engrandecidas sobre nós mesmos. Mas esse rapaz irlandês está envolto em algo mais do que mania de grandeza.

Temos que admitir, seu ego está intacto, e ele é um showman magnífico, mas existe algo mais acontecendo. E eu gostaria de saber o que é. Que eu gostaria de ser envolvida pelos braços dele, como a garota inglesa, não há dúvida. Mas se o meu instinto está certo, existe algo que nos previne de flertar com ele. Algo maior do que ele ou eu, ou nós dois juntos, ou nossa música junta. Algo a ver com política, crianças, frescor e pioneirismo. E amor.

De todas as horas do Live Aid que eu assisti ao final do dia, o ponto alto foi testemunhar a mágica do U2. Eles me emocionaram como nada mais me emocionou. Eles me tocaram com sua novidade, sua juventude e sua ternura.

Eu termino com a cerveja morna de alguém ... e fecho meus olhos. Eu vejo o pequeno mapa de cabelos grudados no rosto juvenil, imaculado, do vocalista irlandês do U2."


Lindo, não? :)

Maria Teresa

nossa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!o que ela falou foi perfeito!
nunca vi um descrição de uma apresentação do u2
e até do próprio BONO melhor que essa!!
ameiiiiiiiiii!! mais uma vez Maria, valeu!!!!!!!!!
:**********

followerU2
24/09/2006, 19h03
Não há o que agradecer hawkmoon, a idéia em ressuscitar esse tópico foi essa mesma, pensando nos novos assinantes do fórum. Tem muita coisa legal nesse tópico e em muitos outros nesse fórum e no Lillie´s, vale à pena procurar.

Bom, mexendo de novo aqui nos meus arquivos encontrei esse review que a New Musical Express britânica fez pouco antes do lançamento do HTDAAB. Achei interessante que, ao relê-lo, podemos ver que muitas das predições da NME não se confirmaram, mas acertaram em cheio quando disseram que o álbum seria um sucesso estrondoso :sim:
Aí vai a versão que fiz na época:


É um dos álbuns mais esperados do ano, espera-se que esteja entre os mais vendidos, e NME ouviu primeiro: é o novo álbum do U2, How To Dismantle Na Atomic Bomb. Só existem 2 cópias no país, e nós conseguimos pôr a mão em uma delas.

O álbum, o 11o. da coleção de álbuns de estúdio, é a seqüência para All That You Can´t Leave Behind, de 2000, e é um álbum de guitarras incendiárias produzido por Steve Lillywhite. Por um lapso no verão passado, quando um CD contendo a gravação foi roubado de uma sessão de fotos na França, a segurança em torno do novo álbum foi reforçada. Contudo, NME conseguiu puxar alguns cordões para dar uma espiada prévia em uma das cópias.

A ser lançado em 22 de Novembro, How to Dismantle Na Atomic Bomb é direto, som alto, e mais pesado dos que seus antecessores, com algumas canções grandes o bastante para sacudir estádios. A primeira prova virá na forma do single Vertigo, a ser lançado em 8 de Novembro, mas até lá vocês têm esse guia exclusivo faixa-a-faixa da NME.

Vertigo (3:07)
O primeiro single, e como esperado é excelente. Vertigo apresenta um riff criado por The Edge tão grande quanto Beautiful Day, que complementa perfeitamente os apelos por “Feeel!” (ou sentir) de Bono durante o refrão. “Hello, hello, we´re in a place called Vertigo” (olá, olá, estamos num lugar chamado Vertigo), ele canta. É um hino, provável single número 1 e uma música eletrizante para abrir o álbum.

Miracle Drug (3:54)
Depois da punk Vertigo, Miracle Drug é bem mais lenta, mas ainda assim pesada. “Want to trip inside your head/Spend the day there” (quero viajar por dentro de sua mente, passar o dia por lá), Bono canta. É uma canção de amor, com batidas tribais e um refrão maciçamente guiado pela guitarra. Poderia ser um single.

Sometimes You Can´t Make It On Your Own (5:02)
Depois de dois números totalmente rock, Sometimes...é a primeira balada. Amparado por simples guitarras repicantes e bateria que lembra Where the Streets Have no Name, Bono canta “You don´t have to put up a fight/You don´t always have to be right...let me take some of the punches for you tonight” (você não tem sempre que puxar briga, você não tem que estar sempre certo, deixe-me levar alguns socos por você essa noite). O sentimento é bem parecido com Everybody Hurts, do REM.

Love and Peace or Else (4:47)
Um rosnado industrial e um monte de barulhos no estilo de Nine Inch Nails escondem a introdução sussurrada de Bono, antes que a canção evolua para um refrão glamouroso, de acompanhar com palmas, “Give me love and peace” (me dê paz e amor), canta Bono. É a primeira insinuação sobre seu lado político, com referências a “troops on the ground” (tropas no terreno). Uma linha de baixo vibrante faz com que ela soe um pouco como Black Rebel Motorcycle Club.

City of Blinding Lights (5:44)
O segundo momento próprio para grandes estádios. Um belo piano abre a canção, que soa como With or Without You atualizada, Bono em um estado de espírito reflexivo, cantando, “The more you see, the less you feel.” (quanto mais você vê, menos você sente)

All Because of You (3:37)
Guitarras da era Achtung Baby amparam umas das canções mais intimistas de Bono até hoje. “I´m not broke but you can see the cracks” (não estou partido, mas você ver as rachaduras), ele canta. A letra sugere que ele pode andar pelos corredores da ONU, encontrar com presidentes e ser capaz de telefonar para o Papa de seu celular, mas às vezes ele gostaria de ser o velho e simples Paul Hewson.

A Man and a Woman (4:25)
Se a primeira metade do disco é direta, simplesmente rock, de agora em diante fica mais obscura. A Man and a Woman é a última das canções de rock diretas lidando com temas similares de amores perdidos.

Crumbs From your Table (4:57)
Comparada com Vertigo e All Because of you, Crumbs...é uma das canções menos importantes do álbum. Poderia provavelmente ter sido um lado B.

Ones Step Closer (3:50)
Uma faixa com som ambiente que o velho produtor da banda, Brian Eno, ficaria orgulhoso, é o ponto alto da segunda metade de How to Dismantle.... Bono está desanimado, ou em suas palavras “has crossed the road from hope” (cruzou a estrada da esperança) está resignado com seu destino. “A heart that hurts is a heart that beats” (um coração que dói é um coração que bate), ele canta. Será o momento de isqueiros acesos no estádio, na turnê do ano que vem.

Original of the Species (4:33)
Mantendo o clima mais calmo da Segunda metade do álbum, Original...um arranjo de cordas sutis e cinematográficas fazem suporte a um belo piano. Cresce até se transformar numa balada épica, bem clássica do U2.

Yahweh (4:20)
O título é a transcrição da palavra hebraica para o nome de Deus, então é apropriado que a canção que fecha o álbum é um apelo pela paz. “Take these hands, don´t make a fist” (aceite essas mãos, não feche o punho), Bono canta, “Take this mouth, give it a kiss” (aceite essa boca, dê-lhe um beijo).

Fast Cars (bonus track)
Pouco provável de estar na versão do álbum para o Reino Unido, essa faixa atualmente está prevista para inclusão na versão japonesa apenas. É uma tragédia para os fãs britânicos do U2, porque é de longe a canção mais excitante do álbum. Com uma marcante influência da música do Oriente Médio, é também de onde saiu a frase “How to dismantle and atomic bomb” que dá nome ao álbum. NME apela: ponham essa faixa no álbum britânico!

O veredito da NME:
Para os fãs a espera daquele som clássico do U2, valeu à pena esperar por How to Dismantle and Atomic Bomb. Algumas faixas fortes – principalmente na primeira parte do álbum – garantem que esse disco será um sucesso estrondoso de vendas e preparará a banda para alguns fenomenais shows ao vivo no ano que vem.


MT

Marybel
24/09/2006, 19h27
Crumbs a canção menos importante do álbum? Come on!!!<_<
Eu amo Crumbs...:P
Eu me lembro que quando o álbum saiu, eu também ficava imaginando o que viraria single, o que aparecia no estádio, essas coisas. E como eles, eu também apostava em Miracle como um single. Mas não vingou!:(

Bonolocks
21/12/2006, 07h20
Mais uma vez, se alguém tiver o tempo e a disposição para traduzir ficaremos muito gratos.;)

December 20th, 2006

Kevin Westenberg, fotografou U2...Entrevista e fotos.


KEVIN WESTENBERG www.kevinwestenberg.com (http://www.kevinwestenberg.com)

Junto a ANTON CORBIJN, Kevin Westenberg se tornou um dos fotógrafos oficiais da BANDA U2…com certeza já viu suas fotos. Aqui uma entrevista para o site www.u2tour.de (http://www.u2tour.de)

Ever asked yourself that there are also some other cool rock photographers around in this world instead of the usual ones, who take pictures of U2? Yes, there are.

Kevin Westenberg has absolutely no reason to hide hisself behind a curtain when being compared with other big names in that business as he is surely a big name as well: If you look at his client list you’ll notice fast, that Westenberg has worked for so many well known world-famous musicians that our irish rockers U2 can defenitily be seen as just another on his long client list. I’m sure that almost everyone of us has already seen at least one of his photos in a booklet in his own album collection at home without really knowing it.

And when you send a mail to express your compliments you normally never receive any reply from such people and so you are asking yourself later: Did anyone ever read my mail? Well, sometimes that’s different. Kevin seems to have read his mail and instead of just going over it he took time, wrote back and thanked me. Sadly most professional photographers don’t take that time and beside that they usually refuse to answer any questions for their client’s fan websites – but here’s the difference between Westenberg and “some other photographers”: He took that time and during our communication he presented hisself as a very reliable and totally nice and polite person. From what I noticed Westenberg seems to be the opposite of what most people expect: He is keeping his word and answers his mail not behaving snobbish at all.

So we took the chance and asked Kevin – who is currently looking forward to bring the “Idyll Worship” gallery show to Germany as well – some questions about his general work and how it is to work with one of the big names in music business: U2. To me this has been a premier: I was speaking the first time in my life to a person who’s meet Elvis Presley in person and even didn’t know yet about it.

http://www.u2tour.de/images/specials/westenberg/u2-telegraph.jpg
http://www.u2tour.de/images/specials/westenberg/31.jpghttp://www.u2tour.de/images/specials/westenberg/51.jpghttp://www.u2tour.de/images/specials/westenberg/56.jpg
http://www.u2tour.de/images/specials/westenberg/57.jpg
http://www.u2tour.de/images/specials/westenberg/59.jpg
http://www.u2tour.de/images/specials/westenberg/58.jpg
http://www.u2tour.de/images/specials/westenberg/48.jpg

Cacau
21/12/2006, 09h12
Cris,

Lindas fotos! Valeu por postar!:aprovado:

:assobio: Qto a tradução...vou ficar te devendo...não tô com tempo agora nem pra ler o original em inglês.:chorando:

Marcinha nr 1
21/12/2006, 15h49
Que D+++ este resgatado!!! Uma das coisas que mais gosto é de ver ou ler entrevistas!!!
Bonolocks, da onde sairam estas fotos maravilhosas!!!! Amei

Bonolocks
21/12/2006, 15h58
Cris,

Lindas fotos! Valeu por postar!:aprovado:

:assobio: Qto a tradução...vou ficar te devendo...não tô com tempo agora nem pra ler o original em inglês.:chorando:

Cacau, sem grilo. O que vc já nos ajudou com suas traduções não tem valor!:aprovado: A hr que alguém puder...


Que D+++ este resgatado!!! Uma das coisas que mais gosto é de ver ou ler entrevistas!!!
Bonolocks, da onde sairam estas fotos maravilhosas!!!! Amei
Lindas fotos não?
Olha o site do fera: KEVIN WESTENBERG www.kevinwestenberg.com (http://www.kevinwestenberg.com/)

kennah vox
26/02/2010, 08h25
muchu legal!!!