Sex And U2

Uma de nossas honrosas colunistas, a Pri Lemontart, costuma usar muito uma frase que certa vez foi dita por seu sex simbol mor, o grande baixista do U2, Adam Clayton. A frase, traduzida, diz o seguinte: 'Temos sexo em nossa música'. Então, convenhamos. Não somos nós afirmando, mas sim o próprio integrante admitindo. Eles têm desejo, amor, divertimento e principalmente sexo em suas músicas.

Digo isto porque, a cada música da semana que consideramos mais 'calientes' e damos nossas opiniões, muitos costumam até nos censurar falando que vemos segundas intenções em tudo, principalmente nas músicas da banda. Mas é a mais pura verdade! São inúmeras as provocações para as fãs não só em músicas, mas em entrevistas, declarações, roupas e claro, nos clipes.

Ninguém nunca chegou a confirmar que músicas como 'Mysterious Ways', 'Babyface', 'Do You Feel Loved' entre tantas outras são realmente sobre este 'tema', mas desde quando alguma das declarações de Bono sobre o significado das músicas algum dia já foram totalmente verdadeiras e concretas?! Como um bom poeta, ele prefere deixar que as pessoas sigam sua opinião por si. Além do fato de ele ser casado, ter quatro filhos e não querer que o mundo saiba sobre sua perversão!

Outras declarações indicam claramente o que a banda, e principalmente o porta voz do U2 (lê-se Bono), acham sobre o assunto. Quando perguntado se dançava bem, Bono falou que dançava melhor 'na horizontal'. No Brasil ele confessou que aqui encontravam-se as três coisas que temos a ver com os irlandeses, mas de um modo mais explícito, e uma delas era realmente o sexo. Sem contar quando, em uma entrevista, eles chegaram a revelar qual dos U2ers teria o seu 'órgão reprodutor masculino' maior (2).

E esta 'abertura' (no melhor sentido possível!) só aconteceu depois de eles estarem mais velhos. A sensação que parece a todos os fãs, hoje, é que como eles eram considerados um tanto quietos e acalmados durante a juventude, hoje, em sua vida adulta, quiseram 'tirar o atraso', e isto chegou ao limite - se há limites nesta seção - quando o número '30' pesou mais na idade dos garotos irlandeses de Dublin. Hoje em dia, é tudo muito mais explícito nas declarações da banda e na própria liberdade como estrelas de rock.

É certo que, no começo dos anos 80, grande parte das músicas falava de assuntos totalmente fora deste alcance. Acho que talvez a idéia de salvar o mundo distanciou os meninos, e principalmente o autor das músicas, de um assunto que pode até ser considerado fútil ou sem necessidade. Ou talvez o fato de a abanda não estar ainda consagrada para poder ter mais liberdade em suas composições, fez com que eles escrevessem músicas políticas e religiosas. Realmente, algumas músicas apareciam em lados-b, mas nada muito descarado. O exemplo mais evidente é a própria 'Party Girl', que falaria sobre uma personagem muito corrente na vida dos roqueiros: a groupie, garota que quer se encontrar com um cantor ou artista de sucesso para conseguir um 'contato' maior.

Mas ao final da década, eles já se soltavam muito mais com músicas que falavam sobre vontades (' I Trip Through your Wires'), amor ('Heartland') e principalmente vícios e desejos, em uma música específica que diz tudo em seu próprio nome: 'Desire' - 'Desejo'. Seria desnecessária qualquer palavra para descrever a música perante a um nome destes. As evidências são maiores ainda quando, em certo ponto da música, Bono fala, baixinho, 'Suck my ****'. O clipe então, é uma tentação para todas as mulheres. Aquilo mais parece uma forma de hipnotizar qualquer fã: repetições de imagens dos integrantes, nas ruas de um bairro um tanto underground de Nova York, com todas aquelas chamadas de luzes à lá Las Vegas.

Ao chegar à década de 90, a banda se soltou de vez! Não sabemos se eles foram influenciados pela cantora Madonna, que na época também escancarou tudo e todos, ou se foi a atmosfera da última década do século que chamava a pessoas para aproveitarem a vida antes que o 'mundo acabasse'. O fato é que o Achtung Baby e a ZOO TV anunciaram o que o U2 seria dali para frente. Nunca uma frase foi tão bem colocada como a célebre 'Is it art, or is it pornography?'. Não só as músicas muito sugestivas, nem apenas a atitude da banda, mas até os personagens do Bono foram os mais sexy possíveis. O The Fly, que não conseguimos separar até hoje o personagem do próprio Bono, fazia gestos obscenos, utilizava as câmeras como seu objeto sexual e se insinuava para as meninas da platéia. O Bono mesmo já chegou a tirar a roupa em uma entrevista, uma vez. (e quem não queria ser o entrevistador ali?)

Nada mais óbvio é a foto do querido baixista já citado, que poderia ter resultado em outro nome a um dos álbuns mais famosos do U2, já que o próprio aparece nu em pêlo na contracapa do álbum, para a felicidade das fãs de plantão. E para a infelicidade dos americanos, que tiveram seus álbuns censurados bem no quadradinho que tinha a tal foto. Outras fãs mais sortudas ainda tiveram a sorte de poder ver, mas pela parte de trás, o mesmo tomando sol em uma das sacadas do Copacabana Palace Hotel, no Rio de Janeiro, em 2000.

Os clipes e as músicas de Achtung Baby são indescritíveis. Isso porque, se o Marvin Gaye tem uma 'Let's Get It On', e a Madonna tem uma 'Erotica', o U2 tem uma 'Even Better Than The Real Thing'. Ela não se trata apenas sobre arte ou pornografia, como dizia a tal frase, e nem adianta perguntar se é uma coisa ou outra. É a própria arte pornográfica. Falar sobre o desejo e a satisfação deste que uma pessoa pode ter vendo televisão é o espelho do que o começo dos anos 90 significou para o U2. E aquela, a televisão, nos ajuda muito, porque seria muito difícil vermos o U2 girando, sem a câmera fitando os corpos dos integrantes do jeito que pôde fazer. É o clipe mais 'vale a pena ver de novo' de todos os tempos! Até o clipe remix abusa da boa vontade de um botão chamado 'rewind'.

Deste álbum, surpreendentes também foram as músicas 'deixadas de lado', que encontram-se nos lados-B dos singles. 'Lady with The Spinning Head', com a frase pouco sugestiva '6 and 9 again' e 'Where Did it All Go Worng', que pergunta várias vezes se você fez alguma coisa.

O Pop também foi uma continuação deste ciclo sexual, digamos assim, que a banda está passando. A banda continua com músicas com alto teor de provocação, já que o álbum inclui músicas que supõe desde infidelidade, sexo e drogas até religião e política. A atitude continuava ousada, e na turnê Pop Mart, em todos os shows, Bono pegava uma menina da platéia e dançava no palco, ato que não realizava tão constantemente como o fez nesta turnê. E mesmo o figurino: tanto Bono quanto The Edge abusaram das camisetas de músculo (como se precisassem! ;-) nos shows.

Hoje em dia, esta posição ainda reflete em muitas músicas da banda, como a muito sexy 'In A Little While' ou 'Wild Honey'. Mas a bolada da vez é, sem dúvida, Elevation. Será, até a extinção de todos os fãs do U2 no planeta, uma das músicas mais discutidas devido a seu efeito dúbio: alguns fãs acham que é sobre drogas, outros sexo.

Eu continuo achando que é sexo, como quase todas as músicas do U2. Talvez seja sim a visão de cada um que acaba contando, mas que eles também tem sua queda por esse tema, com certeza, têm. Mas não se desespere, querida amiga fã, se você vir sexo em tudo quanto é letra do U2. Porque se você está achando que é uma depravada, bem, talvez você seja. Talvez eu seja também. Mas é porque adora uma banda mais depravada ainda do que todas nós!

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* o Título: Tentei fazer um paralelo com o nome daquela série de muito sucesso da HBO chamada 'Sex And The City'. É sempre bom explicar um título tão sem graça como este!

* (2) Para os curiosos de plantão, segundo os U2ers, deu Adam 'na cabeça'. Ops!

Com toda essa história de sexo, e depravação, e ninfomaníacos, não deu pra deixar de comentar o que conversei com uma amiga estes dias. Lendo a coluna da Lemontart, que está com uma grande audiência na minha própria coluna e aparece mais do que o próprio Larry, lembrei que, apesar de ser uma libriana de setembro, também sou virgem. Sou virgem por deixar duas oportunidades sagradas escaparem em minhas mãos. Poderia não ser mais hoje em dia, mas por descuido, acabei mantendo minha virgindade. Sou virgem do ato em si, mas posso dizer que vendo pela televisão talvez não seja mais virgem teoricamente. Porque sei o que devo fazer, o que vou falar, o que vou ver... Já vi tantos fazerem! Espero que eu possa, rapidamente, deixar de ser virgem. Virgem de show de U2, meus caros. Tenho certeza que são muitos pelo país. Então, vamos nos unir! Somos virgens e daí? Não quer dizer que queremos nenhum tipo de celibato, mas estamos esperando a hora certa! Virgins and proud of it!

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Confessionário U2

Estes dias, li em algum jornal uma coluna em que todo mês o autor revelava uma confissão, de algum defeito dele não-revelável e, a partir de um tempo, os leitores começaram a enviar seus defeitos e foram publicados. Como nada se cria, tudo se copia, me proponho a fazer o mesmo. Em toda coluna vou colocar um pecado meu, que às vezes não confessaria pra ninguém, mas como minha vida é um livro aberto, vou faze-lo aqui! Na primeira, eu coloco um pecado meu, e a partir daqui, se alguém quiser, envie o seu pecado que eu colocarei aqui. Vou colocar um por coluna, então seja criativo e sincero, não vá inventar um pecado, hein? Logicamente, não é um pecado qualquer! É um pecado de fã do U2 que, aos olhos do Santo Mirrorball, pode ser um pecado mortal. E como confessar é o melhor caminho, vamos lá! (Você, se preferir, não precisa se identificar!)

O meu pecado desta coluna é um bem simples, chega a ser bobo: nunca decorei a música Numb. Talvez seja pecado, porque gosto de decorar todas, desde as mais raras até as mais difíceis, em latim. E essa, eu não sei. A única parte que lembro é uma sugestiva de quando cometi outro pecado. Perguntei ao 'Oráculo' do U2.com uma certa pergunta e ele disse 'Don't Expect, Suggest'. Só lembro desta parte. Acho a música legal, a voz do Edge é o máximo e o clipe também, mas dificilmente chego até o fim quando vou ouvir o Zooropa. Aliás, qualquer dia destes eu conto qual foi minha pergunta-pecado. Eu adorei a resposta!

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A coluna desta semana foi feita ao som de 'Desire (Hollywood Remix)'. É o remix do clipe de 'Desire' que todos conhecemos, com as vozes gospel e as sirenes. Mais adequado impossível! E é a música da semana. Acredite, ela é ainda melhor do que a original.

That's all folks, até a próxima! Pra enviar alguma sugestão para a coluna, criticar ou mandar seu pecado para o próximo Confessionário (mandem mesmo, porque senão, vocês terão que agüentar os meus que são tão sem graça como o do vizinho que pulou a cerca), o e-mail de sempre é rafavox@uol.com.br

Autor: Rafaela Comunello
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