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É praticamente inevitável. Toda vez que chega esta época do ano, a nossa tendência é relembrar o que aconteceu durante o ano que passou. E eu, como uma mortal nada incomum, vou fazer a mesma coisa na coluna desta semana. Mas, obviamente, vou relembrar o ano que passamos acompanhando a nossa banda querida que esteve muito ativa neste começo de milênio.
Para os fãs brasileiros do U2, o ano foi um tanto traumático. Após o início da nova turnê, em fevereiro, os boatos de que a banda viria tocar no Brasil eram inúmeros. Da mesma maneira com que ficamos cheios de esperança guardando nosso suado dinheirinho para a possível vinda, ficamos também frustrados ao longo em que o ano passava, ao ver que a turnê tinha acabado e nada de datas certas. Ao menos a mobilização foi muito positiva: tanto na América do Sul quanto na Austrália, os abaixo-assinados foram muito organizados, chegando às mãos dos responsáveis pela turnê e até nos ouvidos da própria banda.
Eu posso dizer que o U2 se superou nesta turnê. Além do dinheiro que arrecadaram, parece que eles rejuvenesceram vários anos da mesma maneira com que parecia que eles tinham envelhecido na Pop Mart. Não digo de aparência somente, mas também de atitude. Mas não seria uma grande antítese a banda ter rejuvenescido sua atitude onde, na verdade, é claro o fato de que eles amadureceram? Com certeza, mas esta diferença ficou incubada em uma só postura da banda. E de um modo muito diferente, o que é muito usual no U2, diga-se de passagem.
O pique da banda não caiu em um só momento, mostrando o quanto eles ainda estão em forma para enfrentar uma turnê longa e cansativa como esta pareceu ser. Nem mesmo Bono, que neste ano, no mesmo tempo em que perdeu seu pai, ganhou mais um filho, não cancelou show algum devido ao seu sofrimento e angústia por não estar acompanhando o crescimento de seu filho recém-nascido e ficar com seu pai em seus últimos momentos de vida. Muito pelo contrário, a impressão que ele nos passa é de que todo aquela dor acaba no palco: ele trata seus fãs como amigos, dividindo tanto suas alegrias quanto sofrimentos.
Os shows trouxeram uma banda forte e confiante. Se em algum momento passou pela cabeça de algum deles que seria a última turnê 'mundial' (entre aspas, por enquanto) da banda, agora talvez não seja verdade. E ficaram até mais bonitos naquele cenário. Parece até que eles representaram todo o nosso amor pela banda naquele coração: tanto eles entraram nos nossos, como os fãs puderam entrar no deles. A Elevation Tour refletiu muito bem o nome: elevou, levantou, colocou para cima.
O ano também foi de novidades. Os clipes lançados este ano foram os mais impressionantes possíveis. Claro, não é todo dia em que vemos o U2 salvando o mundo, lutando contra eles próprios! Nem o The Edge piscando para você (infelizmente). A segunda versão de 'Stuck In a Moment...' trouxe ainda o Larry sorrindo como nunca. Além, claro, dos quatro jogando futebol na praias cariocas na linda versão brasileira, com muito orgulho, de 'Walk On'.
O estilo deles também foi inovador, e agradou muito! Perceba que o estilo não se trata apenas das roupas que a banda veste, mas também, e principalmente, do modo em que eles tratam sua música, carreira, entrevistas, fãs, concertos... Eles amadureceram bastante. Acho que agora, mais do que nunca, nós os enxergamos não apenas como integrantes de uma banda de rock, mas também como homens de verdade. Crescidos, responsáveis, conscientes... gente, o U2 cresceu! Agora nem tudo é brincadeira, não se trata apenas de limões, azeitonas, televisões, mas sim de coisas sérias, de amor. Sim, amor! Eles amadureceram o suficiente para mostrar ao mundo esse amor, essa paixão, esse compromisso com a música, com o rock, com os fãs.
Há um ano atrás, a extinta revista Showbizz afirmou que 2000 era o ano de ouro do U2. Hoje eu acredito que 2000 foi um ano memorável para banda, mas que 2001 foi muito maior, mais intenso, mais vibrante. Acho até que, na verdade, aquela relação às vezes boba que muitos fãs fazem com o milênio (U2000, U2001...) na realidade é uma certeza. Vamos falar por muito tempo ainda sobre os anos que começam com 'dois', que aqueles são os anos do U2. Talvez esse ano que passou provou, pra todos nós, que não é só a banda. É a grande, a maior banda de rock, em todos os aspectos possíveis, da atualidade e do futuro. E eu, que ainda me perguntei se esse seria o ano do U2. Foi muito mais do que isso.
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Com certeza, não foi só um grande ano para o U2, mas também para os fãs. Falo em nome daqueles que acompanham a Ultraviolet a um bom tempo, principalmente desde que foi lançado o álbum 'All That You Can't Leave Behind', acompanhar os primeiros segundos das músicas, todas as novidades de um álbum novo. Este sentimento aumenta muito agora que a possibilidade de um novo disco ser lançado é maior. Acompanhar as premiações, entrevistas, concertos, set lists, campanhas... Há muito tempo faço parte da Ultraviolet, mas este foi um ano intenso para nós. Não me imagino fora desta lista de discussão e considero grande parte dos integrantes verdadeiros amigos, apesar de não conhecer a maioria. Quero desejar a vocês um bom natal e um maravilhoso ano novo. E, principalmente, que este ano que vai começar seja cheio de novidades e felicidades, e com muito U2; todos juntos.
A música para esta semana é... inevitável como o tema desta coluna. 'Christmas (Baby Please Come Home)' não foi escrita pelo U2, mas a banda fez uma versão ótima. Porém, talvez mais do que a música em si, o clipe não traz dúvidas, é um dos melhores da banda. A razão: além de ser em preto e branco, a piscadinha do Bono no começo é de matar qualquer uma! Aliás, agora só falta a do Larry e do Adam em um clipe.
E de bandeja! Se você nunca viu esse clipe nem ouviu a música, corre até o site da organização que lança os discos todos os anos 'A Very Special Christmas' que você pode tanto ouvir a música quanto ver o clipe. E se liga, o U2 participou do primeiro disco lançado em 1986.
Até a próxima, e lembre-se: qualquer sugestão, crítica, dúvida, orientação emocional (em questão do U2, claro!) o e-mail para contato está aí embaixo. E defenda o que você acredita, não tenha vergonha de ser o que é e nem do que você acha. Quem é que paga suas contas?
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14 de dezembro de 2001, por Rafaela Comunello
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