Vertigo: Veni, vidi, vinci!

Um não-review sobre a vinda do U2 ao Brasil

Quando o U2 veio pela primeira vez ao Brasil na PopMart, eu estava para completar 14 anos. Não trabalhava, não tinha dinheiro e não conhecia ninguém em São Paulo ou Rio de Janeiro. Isso fez com que eu ficasse em Curitiba por uma semana inteirinha chorando em casa, vendo a banda pela tevê e comprando tudo que via pela frente que saísse na imprensa. Assistindo à transmissão da Mtv do show do dia 31 de janeiro de 1998, em meio ao meu quase-afogamento de lágrimas, prometi a mim mesma que isso não ia acontecer novamente. Da próxima vez estaria lá e faria tudo que o protocolo de fã adolescente manda: aeroporto, hotel, falar com fãs, dormir na fila e todo o resto.

8 anos depois, realizei meu sonho.

Foi tudo perfeito. E indescritível.

Eu poderia fazer um review extenso e detalhado sobre cada música, cada suspiro, cada passo da banda aqui no Brasil, mas não vai dar certo. A única coisa que posso dizer é que eu estava lá. Bem do tipo camiseta 'Vertigo Brasil 2006: EU FUI'. Eu fui, senti tudo aquilo, amei tudo aquilo, chorei tudo aquilo. E vocês também. Quem não foi, espero que da próxima dê certo.

Falaria, por exemplo, do quanto foi delicioso ouvir um sonoro 'Bom dia!', assim mesmo, em português, vindo de Bono, às 7 da manhã no aeroporto, recém vindo do México. Passando também pelo 'Agora é nossa vez' e 'Esta é a nossa festchinha particular' nos shows. E, principalmente, quando ele falou um embolado 'Santa Catarina', estado que tenho orgulho de ter nascido!

Eu também poderia falar sobre os olhos azuis mais fascinantes de toda a galáxia. Os olhos mais tenros e sinceros que eu já vi na vida. Depois de termos encontrado com os 'meninos' no aeroporto, um dos comentários foi este: o Bono tem os olhos MUITO marcantes. Ele passa uma ternura absurda, uma sinceridade inacreditável. Ele te olha nos olhos, e TODOS que encontraram com ele falaram a mesma coisa. E tem gente que é capaz de falar que tudo que ele faz é por auto promoção. Aqueles olhos não mentem. O cara é foda mesmo. Ponto final.

E Bono viu o Lula. Discutiram sobre o nosso Brasil. Falem o que quiserem, mas eu achei isso lindo. Tirando a Marisa nas fotos morrendo de se esticar pra pegar na mão do querido. Tá bom, ela também teve seu momento fã de U2 descontrol, mas deixa pra fazer isso nas fotos particulares, não posando pra imprensa.

Por sinal, uma das coisas que pensei durante o show: Bono escreveu Pride para ele mesmo, sem saber. Um homem vem em nome do amor. É ele mesmo, gente! Claro que fala sobre o MLK, por sinal eu acho esplêndida a leitura dos artigos da Declaração dos Direitos Humanos pela Sra. King, falecida há poucas semanas. Mas esse refrão de Pride descreve o homem incrível que ele é. Sempre foi. E esse monte de crítico que adora falar besteira sobre esse cara fenomenal que vá catar coquinho. Sem respeito algum, aliás. Mexeu com Bono, mexeu comigo.

Também falaria sobre o sentimento de vazio que se estabeleceu por várias horas quando foi cogitada a possibilidade de Edge não vir tocar com a banda. Agora com toda essa tristeza de notícia que a banda suspendeu os shows por tempo indeterminado, a nossa felicidade dá uma trégua por solidariedade a ele. Uma prece a Sian. 'Hang on there, baby diva'. E hang on there, querido Dave.

Eu poderia também comentar sobre a ótima seleção de músicas que precederam ambos os shows, em especial 'Summer babe' do Pavement, que me fez lembrar do meu summer babe que eu abandonei em casa por uns dias para perseguir o meu sonho. Ou sobre o auxiliar de som que, ao passar o baixo do Adam, veio pela passarela tocando 'I wanna be adored' dos Stone Roses. E principalmente 'Wake up' do Arcade Fire que só os fãs sabiam que seria *A* música que iria preceder o show. Nunca gritei tanto quanto naqueles 'Ooohh...'. Totalmente children, wake up: eles estão chegando. EEEEVERYONE!

Falando 'no homem', queridas, como ele consegue ficar tão lindo? Hoje, inclusive, é aniversário dele. 46 anos muito bem conservados e vividos, obrigada! Adam é vinho e ponto final. Por sinal, ele no show é a simpatia em pessoa. Olha para os fãs que se amontoam para chegar mais perto dele, distribui piscadelas e sorrisos. E o beijo de Bono em Adam, nas duas noites, foi o momento U2 for Girls total dessa vinda deles ao Brasil.

Sobre a Katilce, pô, tanta coisa legal para comentar sobre os shows e o pessoal encarna nessa garota? Digamos que eu já falei sobre isso antes. Inclusive eu previ o perfil da moça. Se ela é parecida com a oficial, minhas crianças, é porque tem um motivo. Mas vejam da seguinte forma: ela nem bingo ganha mais! Se você sobe no palco e dança com o Bono, más notícias, sua sorte de toda a vida, economizada das vezes que você não abriu o guarda chuva dentro de casa e nem quebrou espelhos, acabou por ali. Desejo que ela ganhe algumas dezenas de reais com sua fama passageira e passar bem!

Falaria sobre as horas sentadas no Morumbi, dando risada e recebendo xingamentos de quem passava na rua ao lado; das horas de espera na madrugada no aeroporto devidamente recompensadas, das várias horas sem dormir, das horas com sol forte no rosto, empurrão e briga porque se mexeram 1 milímetro do lugar original.

Poderia falar também sobre o cabelinho molhado do Larry e seus potes de gel. No aeroporto, depois de duas horas de espera depois de o avião da Vertigo aterrisar em Guarulhos, tínhamos certeza que a demora para eles descerem do avião era o Larry, no banheiro, ajeitando o cabelo. E o garoto sorri! Muitas e muitas vezes. E, se tratando de Larry, falar sobre seus atributos físicos nunca é demais. Quem viu de perto pôde perceber 'aquilo tudo'. Até cantando ele ficou meigo, além da respostinha marota na entrevista ao Fantástico ao chato de plantão do Álvaro Pereira junior. 'It's a musical journey...' Só nós entendemos.

Mas eu queria falar mesmo é da Ultraviolet. Ela mesma. Linda desse jeito, que até apelido tem. Sou uma Uv desde 1999. São sete anos. Nesse tempo todo convivi virtualmente com gente de quem não sabia de seus passados, loucuras, sonhos. Só sabia de uma coisa: tinham o mesmo amor pelo U2 que eu. Naquele tempo, eu achava que ninguém gostava de U2. Não como eu, ao menos, já que não conhecer ninguém que mantinha a mesma paixão pela banda me fazia crer nisso. Óbvio que isso não existia e com a Uv eu descobri que não sabia nem 1% sobre a banda. Hoje devo saber uns 30% e olhe lá.

E esta vinda da banda ao Brasil me fez ter contato com os Uvs 'além mar', digo, além Paraná. Vi que não conheço mais ninguém na Uv, porque ela hoje em dia é gigantesca. Enorme. Incontrolável quase. Mas controlada com muita maestria e profissionalismo. Dei voltas e voltas pelo Morumbi nos dias de fila, assim como procurei cada um no show da U2 Brasil, e a cada amarelinho era um grito de alegria! Conheci gente linda, sotaques diferentes, mas a mesma felicidade e empolgação.

Ai, a camiseta da Ultraviolet! E a camiseta entregue a Bono com seu nome assim que pisou no Brasil? Ele virou um 'amarelinho' também. Parte do maior, mais lindo e imbatível fã clube dessa banda tão amada. Amém! Pra quem não sabe, a responsável foi a querida vice-presidenta, Adra, a primeira fã a beijá-lo em solo brasileiro.

Queria também falar da TAG da Ultraviolet, ou credencial, como queiram chamar. Ela era tão linda e profissional que todo mundo que nos via com elas tinha medo, achava que éramos da produção ou coisa que o valha. Ou, como no meu caso, serviu pra vendedor ambulante no estádio tirar uma com a minha cara e me chamar pelo nome. Aliás, teve muita gente que conseguiu colher frutos com ela, de uma ou outra forma. Bem feito aos que ficaram com vergonha e não quiseram ser reconhecidos como Uvs.

Falando de Uvs, e sim, eles todos existem, preciso falar também de pessoas que me receberam como se eu as conhecesse há muito tempo, em especial uma querida que me recebeu em sua casa, sem saber se eu era uma psicopata, cleptomaníaca, mal humorada ou qualquer coisa do tipo. Que me ofereceu caminha gostosa e cafezinho fresco. Conversa sobre as coisas da vida até as 7 da manhã. E cadelinha fofa (além das outras, claro! :) pra eu afofar um pouco.

E às minhas queridas amigas do ZOO com quem convivi dias bárbaros que não teriam acontecido, pelo menos não daquela forma incrível, se não estivesse com vocês todas, mando um beijo gigante. Em ordem alfabética pra não dar briga, Adra, Andréa Rosa, Carol Feher, Flávia Zetterman, Pri Lemon, obrigada por tudo. Vocês são lindas, poderosas, incríveis e merecem tudo. E Drea, sim, seu reinado está em boas mãos!

Só sei que voltei a Curitiba, depois de quase uma semana perseguindo e falando só sobre o U2 com a fatídica DPS (depressão pós show) mas voltei com mais certeza ainda de que eu AMO a Ultraviolet. Amei ter conhecido todos vocês. O problema é que depois que você vai em dois shows esplendorosos como aqueles, o que você faz da sua vida? Nenhum show vai ser igual àquele. Pelo menos não o de outras bandas. O negócio é esperar pelos próximos. E vão ter sim, vários e em breve, pode acreditar.

Queria falar por último de quando o Bono veio de mansinho, cabeça baixa, do lado da multidão, ali na minha frente, subiu as escadas, virou e ela estava lá, linda, brilhando. Meu brasão lindo. Amo o Brasil. O U2 o ama também. Acabou. O resto é história. E a nossa a gente fez bonito. Vertigo: veni, vidi, vinci.

We win. We loose. IT'S PERFECT!

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13 de março de 2006, por Rafaela Comunello

Autor: Rafaela Comunello
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