A história do mundo de acordo com o Rock and Roll

Capítulo 4: A volta do Rock como movimento social e político (anos 80 do século 20)

"Tonight we can be as one". (U2)

Os anos 80 começaram de forma traumática, com o assassinato de John Lennon em 1980, mas mesmo assim o Rock voltou com força total, depois do período de confusão que foram os anos 70. Formaram-se milhares de novas bandas ao redor do mundo, e essas bandas criaram dezenas de estilos musicais. Una-se a isto o surgimento do canal de TV especializado em música "MTV" nos Estados Unidos em 1981, e a base para a revolução dos anos 80 estaria formada. Mas mais do que isso, junto com o Rock voltou o ativismo social e político dos jovens, desta vez de uma forma mais inteligente. Se antes o método era o confronto direto contra o sistema, desta vez o Rock resolveu usar o sistema de modo a fazê-lo concordar em mudar, e ainda pensar que foi idéia sua. Assim surgiram as várias caridades e projetos, influenciados pela ideologia do "faça você mesmo" do Punk.

Ao Punk sucedeu o Post-Punk, que pode ser considarado um "refinamento" do movimento-mãe. A ambição do jovem Punk de ser reconhecido como parte da sociedade se desenvolveu na ambição de querer mudar o mundo, o visual era mais refinado e a música se tornou mais elaborada. De um estranho cruzamento de Punk com Glam Rock nasceu o Heavy Metal (o nome do movimento nasceu de uma crítica publicada num jornail, onde o colunista dizia que essa nova música soava como metal pesado caindo do céu). Outros desenvolvimentos, ou "sub-tribos" do Post-Punk, seriam os movimentos New Wave (mais leve e dançante, quase Pop) de bandas como os B52’s, Dark/Gothic (de visual tétrico e canções melancólicas) de Siouxie and the Banshees, The Smiths e The Cure, e o New Romantic (caracterizado por roupas extremamente elegantes e música quase Pop) de Duran Duran.

Na verdade, a diferença entre Rock e Pop nos anos 80 era mais semântica do que outra coisa. Todos eram influenciados pelo Rock, e a diferença estava mais no visual e na "proposta ideológica" do que na música em si: o rock era mais pesado na batida, com letras "conscientes" e visual despojado, enquanto o Pop era mais dançante e despreocupado.

Enquanto isso, os melhores nomes do Rock internacional teimavam em não se enquadrar em estilos fixos. Sting deixou o grupo The Police, do qual foi baixista e cantor nos anos 70, para lançar-se em carreira solo. Seu primeiro disco solo continha influências do jazz e até uma canção em ritmo de valsa. Outro grupo que não se enquadrava em classificação nenhuma, e que insiste em ser assim até hoje, era o emergente U2. O camaleão David Bowie tambem insistia em desafiar os rótulos, deixando o Glam pra lá e adotando um estilo mais Pop/Rock. Grupos como Tears for Fears, UB40, Simple Minds e REM completavam os grandes nomes da cena do rock nos anos 80. Mas é claro que são tantas as bandas e os artistas que se destacaram nessa época que é impossível citar a todos.

No Brasil, os anos 80 foram a época em que o Rock brasileiro realmente achou o que estava procurando, mesmo sem a MTV, que só chegaria ao Brasil no início dos anos 90. A primeira real banda de rock comercial brasileira foi a Blitz, formada em parte por atores de teatro. O sucesso da Blitz (que aliás era mais Pop do que Rock) abriu caminho para muitas outras bandas, que não perderam tempo em tomar conta das ondas do rádio. O Rock brasileiro nesse tempo se dividia entre "hilário" e "completamente sério". As bandas Legião Urbana, Capital Inicial, IRA!, e mais tarde o RPM e Barão Vermelho eram algumas das sérias. As engraçadas eram bandas como Biquini Cavadão, Paralamas do Sucesso, e o Ultrage a Rigor. Em meados dos anos 80 o governo militar convocou eleições livres e deixou a chefia do país. O reflexo disso na música se deu principalmente nas letras, que a princípio passaram a conter "desabafos" sobre o exército e a polícia, e depois passaram a fazer livre uso de palavrões...

Voltando ao mundo de fala inglesa, o Rock estava de novo descobrindo sua força como movimento de cunho sócio-político: artistas e bandas como os já citados Sting e U2, junto com muitos outros, passaram a apoiar abertamente organizações como Greenpeace e Amnesty International, participando de concertos organizados por elas e encorajando seus fans a seguir seu exemplo. O interessante de projetos de caridade como o Live Aid e o USA For Africa é que, além de promover uma boa causa na luta contra a pobreza no mundo, representavam o que havia de melhor em artistas e bandas. Estavam todos lá: se o leitor quer ter uma idéia de quem foram os maiores artistas dos anos 80, tudo o que se tem a fazer é recorrer à coleção de discos (nao CDs) do irmão mais velho, ou fazer uma busca na Internet sobre esses dois projetos.

Mas a verdade é que o Rock acabou ficando de novo grande demais para seu próprio bem, como havia sido no fim dos anos 60. A este fator se uniu a crescente popularidade de estilos de música negra americana como o Hip-Hop, que passaram a tomar um espaço cada vez maior nas ondas do rádio. Além disso, muitos grandes nomes do rock mundial começaram a ser virtualmente dizimados pela peste dos anos 80, a AIDS, que ainda hoje faz vítmas entre artistas, traumatizando e enfraquecendo a cena musical no mundo...

Autor: Lucila Saidenberg
Envie um email

Veja as colunas anteriores...


Este site seria melhor visualizado com um navegador atualizado, como as versões mais recentes do Internet Explorer, do Netscape ou do Mozilla. Mais informações em inglês aqui.