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Ok, em uma palavra, citando os Sex Pistols: ANARQUIA!!!
Com o fim dos anos 60, o movimento dos direitos sociais nos EUA (que pode ser considerado tanto vitorioso, por causa da aprovação pelo governo americano da Lei dos Direitos Civis em 1964, como derrotado, por causa do estado de quase guerra civil a que ele levou o país) simplesmente "evaporou". Os jovens, cansados de sair em passeatas e lutar com a polícia, desistiram do ativismo e começaram a optar por estilos musicais mais "leves", mais "introspectivos", que refletiam essa nova ideologia.
O Rock então se tornou mais "sofisticado", dominado por bandas como Pink Floyd e Yes, que ajudariam a criar um estilo que ficaria conhecido como "Rock Progressivo" (ou "Prog" pra abreviar). Esse estilo era caracterizado por canções que chegavam a durar 20 minutos, longos solos de bateria e arranjos "classicos" e "épicos" que continham inclusive acordes em sétima aumentada. (Teoria musical, gente, o tipo da coisa complicada...) Tão complicada, de fato, que em pouco tempo começou a ameaçar o Rock de se tornar "elitista" e "frio".
Os Hippies, por sua vez, elevaram o Rock Psicodélico a uma nova categoria, que veio a ser conhecida como "Glam Rock" (Rock "Glamuroso"). Esse estilo era uma reação ao "Prog", tido como pomposo por eles. O Glam Rock era caracterizado tanto pelas roupas, cabelos e maquiagens (também e principalmente para os homens) chamativas como por uma batida "tribal", um ritmo básico e dançante. A idéia era uma tentativa de retorno às raizes do Rock nos anos 50, tido como "dias de glória", mas incorporando o visual hippie. O estilo nasceu na Inglaterra, só depois relutantemente atravessando o mar em direção aos EUA, principalmente porque os americanos não gostam de ver os seus homens de batom.
Alguns expoentes do estilo eram David Bowie, Slade, T-Rex e Elton John. Outros, como Roxy Music (e seu tecladista "andrógino" Brian Eno, que mais tarde seria demitido da banda supostamente por ser mais bem apessoado - e talentoso - que o cantor, Brian Ferry) e o americano Alice Cooper seriam "disputados " tanto pelos fans de Glam Rock como pelos fans do Punk. A única coisa que os dois movimentos tinham em comum, além da profunda antipatia um pelo outro e da mútua reivindicação da criação da canção de três minutos, era a mais profunda ainda antipatia que os dois movimentos tinham pelo Rock Progressivo. O que o Rock Progressivo e o Glam Rock tinham em comum, embora nunca admitiriam isso, era a alienação. Tendo surgido em 1969-70, o Glam Rock entraria em decadência já em 1975 quando até os Rolling Stones aderiram e David Bowie passou a tocar Disco.
Enquanto isso, já desde 1965 nos clubes de Nova Yorke (como o Electric Circus e o Dom, que ficava no subterrâneo do primeiro clube) "cozinhava em fogo baixo" um movimento Rock mais pesado, menos "flores no cabelo", que havia nascido justamente como uma reação ao movimente Hippie. Esse movimento ficaria sem nome até 1975, mas desde o começo também se oporia ao "Rock Progressivo". A mais famosa banda a "sair" do Dom foi o Velvet Underground, de Lou Reed.
Se a autoria do conceito da canção de três minutos é do Glam Rock, o Punk Rock o elevaria à categoria de emblema oficial do movimento. A ideologia do Punk se baseava numa reação radical ao comercialismo da indústria fonográfica, e ao consumerismo que, aliado à falta de empregos e o tédio fazia com que muitos jovens se sentissem verdadeiros "párias", excluídos de uma sociedade onde para estar "por dentro" eh necessário ter poder aquisitivo, que eles obviamente não tinham. Por exemplo, antes de ser recrutado por Malcolm McLaren para fazer parte dos Sex Pistols (o mais conhecido grupo Punk, embora decididamente não um dos mais autênticos, e se diz até que McLaren os teria "pré-fabricado"), Steve Jones costumava roubar artigos de logistas descuidados, como tantos outros moleques da sua idade. McLaren o pegou roubando na sua loja de roupas, e o resto é história (do Rock)...
Outro marco do movimento era o clube CBGB na Chinatown de Nova York, um dos poucos lugares onde bandas Punk tocavam regularmente. Tocavam lá uma vez por semana grupos como Television, Blondie, Talking Heads, Patti Smith e sua banda (que foi um dos primeiros artistas/bandas em NY a gravar um album por uma gravadora comercial) e The Ramones. Os integrantes do grupo The Clash decidiram formar uma banda depois de ver um show dos Ramones. David Bowie e Brian Ferry eram freqüentadores assíduos, e ajudavam a espalhar as boas novas.
Uma das maiores influências musicais sobre o Punk era o Ska, um precursor do Reggae. O Reggae mesmo já era uma fusão de Ska com R&B. Outras influências viriam da música Soul da Motown e o próprio R&B. Um dos problemas dos DJs (na sua maioria imigrantes) em Londres era o que tocar para seu público composto de jovens das minorias étnicas e os Punks que vieram se juntar a eles. As bandas Punks, que faziam a música que eles gostavam, ainda não tinham nada gravado... O que tocar? Reggae, "é claro"! E o interessante é que os jovens gostavam, porque essa música refletia tudo o que estava acontecendo na vida deles, o que a música comercial da sociedade consumista não fazia...
No Brasil a música passaria os anos 70 "encalhada" na Tropicália, que então tomou aspéctos do Glam Rock e da Disco, e no Rock de Rita Lee. A verdade é que a violência do movimento Punk nunca foi bem aceita pelos pacíficos brasileiros, que preferiam extravasar sua rebeldia ao govern militar pela irreverência, e não por "sangue, suor e lágrimas".
O Punk também se baseava no princípio do "faça você mesmo": De fato, qualquer um podia começar uma banda. Não era preciso saber tocar um instrumento, e às vezes era até melhor não saber... Não era preciso ser bom músico para fazer boa música: as canções eram curtas, com batidas rápidas, volume alto, sem solos. Três acordes bastavam. Não era preciso vestir roupas chamativas e caras. Bastava o que se vestia normalmente no dia-a-dia, ou mesmo para trabalhar, para os poucos sortudos que trabalhavam em fábricas. Roupas duráveis, como o jeans, jaquetas de couro preto, e os "enfeites" da cultura industrial: correntes e alfinetes de segurança.
Nenhuma gravadora queria distribuir a sua música? Sem problemas: as bandas, em conjunto com seus fans e os donos dos lugares onde as bandas ensaiavam e se apresentavam, criavam verdadeiras gravadoras independentes, completas com um sistema de informações e distribuição, jornais, fanzines e gibis. Esse tipo de tomada de auto-poder conduz a outras possibilidades de emprego autônomo, consciência e responsibilidade social, e ativismo.
Lá pelo fim dos anos 70 várias das mais bem-sucedidas bandas Punk começaram a ser absorvidas pelas grandes gravadoras comerciais, os jovens das classes média e alta começaram a aderir "à moda" (o Punk era um movimento da classe trabalhadora), e o movimento começou a enfraquecer. Além disso, os Skinheads, uma das "tribos" punk mais radicais, seriam temporariamente seduzidos pelos fascistas tanto na Europa como nos EUA, o que daria uma péssima imagem ao movimento todo e especialmente aos próprios Skinheads, que deram duro para se livrar da má influência e até hoje trabalham duro para se livrar do estígma.
Com Blondie aderindo ao Rap e depois à própria Disco, e o amadurecimento dos próprios jovens, o movimento mudou e amadureceu também, em preparação para sua entrada nos anos 80...
O que??? Voce ainda está aqui???
Desligue esse computador e vá começar uma banda de Rock! Já!
Autor: Lucila SaidenbergÉ proibido reproduzir o conteúdo desta página sem autorização.
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