![]() |
Parte 2:
O enorme sucesso dos Beatles nos Estados Unidos abriu o caminho para que outras bandas inglesas "inundassem" o mercado musical americano. Bandas como os Rolling Stones, The Animals, The Kinks, The Who e Dave Clark Five ofereciam mais rebeldia e melhor qualidade musical, efetivamente seduzindo os jovens americanos que virtualmente pararam de comprar discos de artistas americanos, passando a preferir aos ingleses. Isso causou uma séria crise na indústria fonográfica americana.
Mas a reação dos músicos americanos não tardaria a vir: "casando" o estilo de Bob Dylan com o dos Beatles, e investindo pesadamente em covers das canções de Dylan (4 num disco só - tanto, que covers de Dylan viraram mais uma "fórmula de sucesso" para muitas outras bandas) e na guitarra elétrica Rickenbacker de 12 cordas, o grupo The Byrds foi a primeira "resposta" americana efetiva à Invasão Britânica.
O estilo dos Byrds ficou conhecido como "folk rock" e o próprio Bob Dylan causou furor ao aderir a ele, trocando sua guitarra acústica e gaita por uma guitarra elétrica. Muitos de seus fans nunca o perdoariam, acusando-o de ser um "vendido".
O movimento pacifista e contra-cultural iniciado nos Estados Unidos e veiculado pelo Rock para a Inglaterra chegaria também ao Brasil, onde a recém-instaurada ditadura militar tornava a vida de todos extremamente difícil e até perigosa.
Ao Pop-Rock da "Jovem Guarda", movimento encabeçado por Roberto Carlos e Erasmo Carlos (cujo estilo musical foi apelidado de iê-iê-iê por causa de sua evidente influência Beatles) veio se juntar a Tropicália, um movimento musical e artístico que unia o Rock, o Blues, o Jazz, o Folk e a música psicodélica americana aos estilos tradicionais brasileiros.
A Tropicália (surgida como resposta à Bossa Nova) se prestou a intensa experimentação musical, ajudando com suas letras irreverentes e visual Hippie a subverter o rígido governo militar e devolver um sentimento de liberdade intelectual (ainda que limitada) a artistas e fans. Seus maiores representantes eram Gilberto Gil e Caetano Veloso (que chegaram a ser presos por um curto período em 1968 por causa de suas "atividades musicais subversivas") e a banda Os Mutantes de Rita Lee, que é considerada a criadora do Rock Brasileiro. É dela a linha "Roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido" que eu não resisti de citar na minha coluna anterior. Com esta frase, de sua canção "Orra Meu", ela faz menção aos duros tempos quando um músico brasileiro podia ser preso por praticar sua arte.
De volta ao mundo de língua inglesa, e especialmente os EUA, a música do guitarrista Jimmy Hendrix e o rock psicodélico de Janis Joplin eram a "trilha sonora" da Guerra do Vietnam e fonte de consolo para muitos jovens soldados americanos que, mesmo embrenhados nas traiçoeiras matas de uma terra estranha ainda achavam tempo e espaço para ativar seus toca-discos e tirar da música um pouco de paz interior.
A música do grupo The Doors e seu carismático (e imprevisível) vocalista Jim Morrison completavam o cenário musical e a "Sagrada Trindade" (os 3 Jotas) do Rock Americano.
Enquanto na Ingaterra os jovens lutavam por identidade e liberdade de expressão próprias, a luta contra a discriminação racial, contra a guerra e a favor dos direitos civis nos EUA continuava a crescer em intensidade, criando um verdadeiro abismo entre gerações e uma quase guerra civil, que culminou (o governo do Presidente Nixon via o Rock como uma ameaça à ordem civil e reagiu violentamente) em 1970 com o ataque da Guarda Nacional americana a uma passeata de estudantes na Universidade de Ohio que resultou na morte de 4 estudantes (Jeffrey Miller, Sandra Shcheuer, William Shroeder e Alison Krause).
E finalmente, o infame Cherles Manson desferiria o golpe de misericórdia aos anos 60 num ataque à mansão do Executivo Musical que o rejeitou em suas tentativas de se tornar um Rock Star, matando a atriz Sharon Tate, que estava na casa como hóspede.
As súbitas mortes de Jimmy Hendrix e Janis Joplin (ambos aos 27 anos de idade) no fim de 1970 e de Jim Morrison em 1971 viriam a simbolizar o fim de uma era, o que me traz à mente mais uma frase-ícone do Rock nos anos 60, a famosa "Eu espero morrer antes de ficar velho", da música "My Generation", do grupo The Who.
Essa é mais uma das ironias do Rock, porque tanto o guitarrista e letrista Pete Townshend como o vocalista Roger Daltrey estão aí vivinhos da silva para lembrar e refletir.
E eu espero que eles continuem assim ainda por muitos anos, pois apesar de entender o sentimento de revolta que os levou a escrever e cantar essa linha, eu penso que ninguém merece morrer jovem.
Autor: Lucila SaidenbergÉ proibido reproduzir o conteúdo desta página sem autorização.
Este site seria melhor visualizado com um navegador atualizado, como as versões mais recentes do Internet Explorer, do Netscape ou do Mozilla. Mais informações em inglês aqui.