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Ok, esqueça a tipografia.
Esqueça o telégrafo, o rádio, a TV...
Nem mesmo a Internet e os MP3 tem comparação. Eles não tem a mínima chance.
E a eletricidade conta apenas como o ponto de partida que fez tudo possível.
Se a gente parar para pensar, do ponto de vista de músicos e fans de Rock & Roll, o maior avanço tecnológico na história da humanidade é, de todas as maneiras e sem sombra de dúvida, o advento da guitarra elétrica.
A guitarra elétrica nasceu da necessidade e do desejo por um instrumento capaz de som de maior volume, um que fosse apropriado para as cada vez maiores salas de concerto que começaram a surgir no século 19. Com isso em mente, músicos, técnicos e inventores começaram a experimentar com vários instrumentos e meios de amplificação, também acústicos e, com o aumento do uso doméstico da eletricidade no começo do século 20, também eletrônicos.
De caixas de música a pianos, tudo foi tentativamente eletrificado, e no fim a "guitarra espanhola", mais conhecida como "violão", se revelou ideal para a amplificação eletrônica.
A guitarra acústica que nós conhecemos hoje como "violão" é o mais recente desenvolvimento numa longa linha de instrumentos relacionados que pode ser traçada para trás até o século 13. Pesquisadores nos apontam para o ano de 1265, quando guitarras são citadas por escrito pela primeira vez por Juan Gil de Zamora em seu livro "Ars Musica". Naquele tempo a guitarra era um instrumento bem menor do que é hoje, e ela era encordoada com 4 pares de cordas. A invenção da guitarra é atribuída aos Catalãos, na Espanha. Os espanhóis são sem dúvida os maiores responsáveis pelo desenvolvimento e popularização da guitarra acústica, e é por isso que os violões de hoje são chamados de "guitarras de estílo espanhol", para distinguí-los das guitarras havaianas, também chamadas de "guitarras de aço". Na metade do século 16 um quinto par de cordas foi adicionado, e já no início do século 19 os cinco pares de cordas haviam sido substituídos por 6 cordas avulsas. O violão de hoje é uma versão maior e mais ressonante do instrumento, que foi desenvolvida por Manuel Torres no fim do século 19.
Em 1923 o engenheiro Loyd Loar acoplou um captador sonoro (pickup, para os guitarristas de plantão) eletrostático a um violão, e por volta de 1931 Adolph Rickenbacker e George Beauchamp desenvolveram o captador eletromagnético. O aparelho é composto por até 7000 voltas de fio de cobre fino enrolado em volta de um íman, e ele produz um campo magnético que amplifica as vibrações das cordas.
O problema era que, justamente porque o corpo do violão é feito oco para vibrar e amplificar o som que vem das cordas, a aplicação de um captador elétrico a ele causava efeitos altamente indesejáveis como distorções, sobretons e microfonia, porque o captador captava as vibrações combinadas das cordas e do corpo do violão. Foi apenas bem mais tarde que guitarristas aprenderiam a apreciar e cultivar a fina arte da distorção do som da guitarra elétrica.
Para compensar por isso, Beauchamp e Rickenbacker montaram o seu captador numa "guitarra de colo" havaiana. Esse tipo de guitarra é feita de metal, e se toca no colo do músico com a ajuda de uma barrinha de aço. A guitarra elétrica deles foi apelidada de "Frying Pan" (A Frigideira), e se tornou a primeira guitarra elétrica comercialmente bem sucedida.
O guitarrista Les Paul foi o primeiro a solucionar o enigma de como amplificar uma guitarra de estilo espanhol: uma vez que o corpo da guitarra era o maior problema, ele eliminou-o completamente, substituindo-o por um pedaço de madeira de pinho em 1940. Assim nascia "The Log" (O Cepo), que foi a primeira guitarra elétrica como nós as conhecemos hoje.
Também nos anos 40, Leo Fender começou a experimentar com guitarras de corpo sólido e nos anos 50 a compania Gibson se tornou a maior competidora de Fender na produção em massa de guitarras elétricas para o já então florescente mercado.
Nos anos 60 Jimi Hendrix e outros começaram a experimentar com o próprio som da guitarra, manipulando-o e tirando proveito de efeitos antes indesejados como microfonia e distorção. Hendrix ficou famoso com sua técnica de tocar bem perto do amplificador enquanto operando a barra de tremolo para criar efeitos de som nunca antes ouvidos. Outro efeito criado por Hendrix envolvendo a barra de tremolo era chamado "dive bombing" (bomba de profundidade?), e envolvia o uso da barra de tremolo para baixar a nota mais baixa da guitarra ainda mais, freqüentemente forçando o instrumento a desafinar-se. Nos anos 80 o inventor Floyd Rose iria aperfeiçoar o sistema de tremolo, tornando possível para o guitarrista usar o efeito repetidamente.
Hoje, por causa que o som da guitarra não depende do formato de seu corpo sólido, guitarras são manufaturadas em todas as cores, formas e tamanhos, inclusive sendo feitas sob encomenda para acomodar gostos e idéias particulares de guitarristas. A aparência física da sua guitarra diz tanto sobre você como músico e como artista quanto o seu domínio da técnica. Algumas delas tem até 3 captadores em diferentes lugares, cada um com um som diferente. Captadores podem ser arrumados em pares, e combinados de várias maneiras para criar as mais diversas combinações de sons. Alguns deles extendem um só íman sob todas as 6 cordas. Outros tem um íman separado para cada corda. Alguns captadores usam um parafuso sob cada corda, para que a altura de cada um possa ser ajustada. Quanto mais perto da corda, mais forte o sinal.
A maioria das guitarras é "passiva", o que quer dizer que elas não emitem eletricidade por si sós. A vibração das cordas é que produz o sinal no captador, sinal esse que é então levado por um circuito elétrico muito simples para os amplificadores. Como aparelho, a guitarra elétrica convencional é ao mesmo tempo extremamente simples e extremamente complexa, sendo capaz de produzir sons extremamente diversos.
Amplificadores são na verdade tão parte da guitarra como um instrumento como as cordas. Se voce tentar tocar uma guitarra desligada, o som que virá dela será quase inaudível. Os amplificadores para guitarras são feitos de maneira a tornar distorções um efeito fácil de ser produzido, inclusive com o uso de tubos de vácuo e coisas no gênero.
(continua)
Autor: Lucila SaidenbergÉ proibido reproduzir o conteúdo desta página sem autorização.
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