A história do mundo de acordo com o Rock and Roll

Capítulo 2: O Rock como protesto por justiça social (anos 60 do século 20)

Parte 1:

Antes de mais nada, eu gostaria de pedir uma linha de meditação silenciosa em honra à memória de George Harrison, o legendário guitarrista que faleceu vítma do câncer aos 58 anos em 29/11/01

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Ele voltará a ser lembrado mais adiante, mas vamos começar pelo começo:

"Venham Senadores, Congressistas,

Por favor atendam ao chamado

Não fiquem parados na porta,

Não bloqueiem a passagem

Porque aquele que vai se ferir

Será aquele que não agiu

Há uma batalha lá fora

E ela esta violenta

Ela logo sacudirá suas janelas

E fará tremer suas paredes

Porque os tempos estão mudando"

(Bob Dylan, The Times are A-changing)

As linhas acima caracterizam bem o que estava acontecendo nos Estados Unidos nos anos 60. Com o assassinato do Presidente Kennedy em 1963 e o início da Guerra do Vietnam em 1964, o processo de inquietude social que havia começado na década anterior só fez piorar.

Os jovens dos EUA tomaram uma posição radical anti-guerra e pró-direitos humanos, e o Rock se tornou mais do que nunca a "trilha sonora" dos tempos.

Nos anos 60 a música "negra", a maior influência cultural na música popular americana dos anos 50, perdeu um pouco da sua força.

Motown, a maior gravadora americana de música negra, adotou um estilo mais sofisticado para os músicos e bandas sob o seu selo, criando um visual mais refinado, organizando aulas de etiqueta para eles (um costume que continua até os dias de hoje em muitas gravadoras), e mudando inclusive o estilo musical dos artistas de Blues e R&B para um som mais "Gospel". A intenção era produzir um som e visual ao qual pais e mestres não se opusessem, destruindo a imagem negativa de drogas e álcool à qual o R&B estava associado.

A mesma gravadora também passou a adotar os métodos de trabalho usados nas fábricas automobilísticas de Detroit, a cidade onde estava situada. Detroit era chamada "Motor Town" e daí vem o nome "Motown".

Transformada em uma "máquina de fazer sucessos", com um método padrão de composição, controle de qualidade e uma seção de rítmo com músicos fixos, Motown criou uma "fórmula de sucesso" que chegou a funcionar por algum tempo, mas fazia os singles soarem todos parecidos entre si por "virtude" dos músicos fixos da seção de rítmo.

Enquanto isso, liderado por músicos como Bob Dylan, o movimento Folk crescia na sua popularidade como voz de protesto, que a música negra parecia estar perdendo.

Na costa oeste surgia a "geração das flores", os chamados "Hippies", com sua ideologia de paz, amor, orientalismo hindu, e sua militância pacifista, enquanto na costa leste os jovens estavam mais preocupados com os aspectos mais mundanos de sexo, drogas e o violento submundo urbano.

Esse estilo mais "sombrio", liderado pelo grupo Velvet Underground, pavimentaria o caminho para o surgimento do movimento Punk nos anos 70.

Atravessando o Atlântico, os problemas e frustrações dos jovens ingleses não eram menores. Sentindo-se "sufocados" por uma cultura excessivamente tradicionalista e por uma economia fraca caracterizada por desemprego crônico e massivo, os jovens ingleses acharam um "sopro de ar fresco" no R&B que chegava em discos importados dos Estados Unidos.

Inspirados pela nova música muitos jovens ingleses passaram a empunhar guitarras na tentativa de imitar seus heróis de além-mar. Entre eles estavam 4 rapazes de Liverpool, que tinham em comum a paixão por R&B, o estilo Soul da Motown, e o Rock de Chuck Berry, Little Richard e Elvis Presley.

Diz a lenda que o recém falecido George Harrison ganhou seu lugar na banda por saber fazer algo que John Lennon não sabia: imitar os solos de guitarra dos artistas americanos. (Nota para mim mesma: quando começando uma banda de Rock, antes de mais nada tenha certeza que o seu guitarrista sabe o que está fazendo).

Depois de um período formativo tocando Blues na Alemanha como banda de acompanhamento para o cantor inglês Tony Sheridan, os Beatles partiram para uma carreira altamente bem sucedida e deram início, com sua visita aos EUA em 1963, à "Invasão Britânica" dos anos 60.

Autor: Lucila Saidenberg
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