A história do mundo de acordo com o Rock and Roll

Introdução: O Rock como revolução cultural dos Jovens.

"Não confie em ninguém que tenha mais de 30 anos", diziam os hippies nos anos 60. E por muito tempo, esse foi um dos lemas do Rock and Roll. Mas mesmo os hippies, e no fim o próprio movimento (contra) cultural deles, acabaram vivendo para ver a vida depois dos 30.

E em 2001, também o Rock completa os seus 50 aninhos... O termo "Rock and Roll" foi usado pela primeira vez em 1951 pelo radialista Alan Feed em Cleveland, USA.

Na minha posição de fan do Rock, e fan também da história do Rock, eu gostaria de apresentar aqui uma série de colunas descrevendo (pelo menos no meu entendimento) este mais importante dos movimentos culturais do século 20, porque eu acredito que um entendimento a fundo do impacto que esse movimento teve (e ainda tem) sobre a história e sociedades do mundo é essencial para uma melhor apreciação da música em si.

A nossa estória comeca logo após a segunda guerra mundial onde o mundo, entre a crise e a esperança dos anos do pós-guerra, vê um grande aumento no índice de nascimentos.

Logo a Europa, e principalmente a Inglaterra, se veria às voltas com milhões de adolescentes à procura de um modelo no qual moldar as suas próprias personalidades, e mesmo de um lugar definido na sociedade, que até aquele tempo tratava a crianças e jovens como "adultos pequenos".

E esse exemplo parecia vir dos Estados Unidos, os grandes vencedores da segunda guerra, que então começaram a ser vistos como "os líderes do mundo livre".

O cinema, e subsequentemente a então recém-inventada televisão, são desde aquela época os veículos de difusão da cultura americana também na Inglaterra, causando a agora já tão conhecida mania do mundo de querer ser como os americanos.

Mas já naquele tempo o próprio cinema era um fenômeno estabelecido, do topo dos seus então 60 anos de idade. As românticas experiências cinematográficas dos primeiros cineastas, que empolgavam suas platéias a ponto de fazê-las levantar dos seus assentos e correr perante a imagem de um trem que corre na direção da câmera, já eram então uma coisa do passado.

Os jovens, na sua necessidade tanto de identidade como de entretenimento, precisava de algo diferente, algo novo.

Algo empolgante, do qual eles tambem pudessem participar. Um filme pode ser empolgante, mas não se pode "entrar" nele e interagir com os atores. E muito poucas pessoas tem a chance de se tornar atores. Ainda mais atores de Hollywood.

A música se apresentou então como alternativa. Da música todos podem participar: quem não toca um instrumento, canta. Quem não canta pode dançar, e quem nao sabe dançar sempre pode marcar o rítmo com os pés... E a música é, sobretudo, uma atividade social que permite aos jovens se reunirem em grupos para experienciá-la.

Mas mesmo o Jazz (estilo musical revolucionário surgido nos anos 20 e 30, que foi a rebeldia dos pais dos jovens do pós - guerra) era visto como "careta" pelos jovens dos anos 50 por pertencer à geração anterior. Porque todo adolescente, como se sabe agora, precisa se identificar com algo que seja só dele, algo que o permita encarar o "outro" e dizer, com absoluta certeza e segurança: "Eu nao sou você. Eu sou uma pessoa por meu próprio mérito."

E esse "algo" estava, felizmente, por vir em breve, nascido no delta do Mississipi e nos bares de New Orleans, nos Estados Unidos.

Um estilo musical que viria a ser conhecido como "Blues" porque, como todo movimento genuinamente popular, falava muito do sofrimento e tristeza do povo que o criou. Esse povo eram principalmente os negros, descendentes dos escravos americanos, um povo que ainda vivia sob intenso racismo por parte da população branca dos Estados Unidos.

Com a adoção pelos jovens brancos do Blues, Rhythm and Blues, e outros estilos da música negra americana começava um novo movimento cultural que iria causar grandes mudanças no modo como os jovens vivem e se relacionam com o mundo, para a felicidade dos jovens e o extremo desgosto de seus pais, e inclusive do governo americano...

Autor: Lucila Saidenberg
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