Entrevista a mil por hora

Lembram do tempo em que a Internet ainda era chamada de "Information Superhighway" ("super-estrada da informação", numa tradução livre)?

Poisé. Outro dia me senti assim. Não me perguntem como, mas eis que, nas minhas "pedaladas" pela Net, eu acabei dando uma "trombada virtual" com ninguém menos que... o homem que foi o motorista do U2 durante a mais recente passagem da banda pelo Brasil.

O nome dele é Carlos Eduardo, ou Cadu, para os amigos.

Desde que o conheci já cheguei a trocar algumas palavras com ele, que é sempre muito bem educado e atencioso, mas que nunca tem muito tempo para conversar. E como a minha curiosidade é muita, resolvi fazer esta entrevista. Assim, dou a ele a chance de responder às minhas perguntas com calma, e aproveito para escrever uma coluna para a UV. Isso é o que se chama unir o agradável ao agradável... (risos)

Certamente, a história dele irá interessar a vocês tanto quanto a mim. Assim sendo, vamos às perguntas:

UV: Antes de mais nada, o básico: cidade onde mora, idade, estado civil, tipo físico (altura, cabelos, olhos)?

Cadu: Moro em São Paulo, tenho 42 anos, solteiro, 1.80m, 79 kg, não sou um atleta, mas tambám não sou gordo. Olhos castanhos claros e os cabelos já estão clareando...rsrs

UV: Tem algum hobbie, pratica algum esporte?

Cadu: Malho todos os dias (mas não sou bombado... odeio), corro, nado e já pratiquei automobilismo por 9 anos.

UV: O que você faz da vida, quando não está dirigindo para o U2?

Cadu: Sempre fui do Mercado Financeiro. Hoje sou Diretor Financeiro.

UV: Soubemos que um dos requisitos para se trabalhar para o U2 é saber falar inglês muito bem. Onde e como você aprendeu inglês? Viveu no exterior? Onde, por quanto tempo?

Cadu: Bom, morei na Inglaterra por um ano e no meu trabalho sempre tive muito contato com investidores estrangeiros, o que me deu muita fluência na língua.

UV: Como, exatamente, você chegou ser contratado pela banda? Certamente, não foi respondendo a um anúncio de jornal... ou foi?

Cadu: Sempre que conto essa estória ninguém acredita, mas é a pura verdade. E não irei "inventar" uma só para que as pessoas acreditem. Lá vai... Tenho um grande amigo que tem um primo que sempre trabalhou com transporte de executivos, etc... Um dia ele foi buscar uma churrasqueira emprestada com ele e comentou que estavam precisando de pessoas para trabalhar na turnê da Banda. Esse meu colega não podia ir (por vários motivos) mas mencionou o meu nome. Na semana seguinte eu fui visitar esse colega, que foi justamente o dia que o primo dele foi devolver a tal churrasqueira. Daí nos conhecemos, ele comentou rapidamente o que era (não fazia idéia de que iria ficar com o pessoal da banda, já que foram várias pessoas e muitas só levaram bagagem ou o pessoal da técnica). Passei por uma leve entrevista e foi marcado o dia para nos reunirmos. Ai me disseram: "Você vai guiando aquele carro ali". (Minha vontade era só a de ver o show, juro.) Fomos para o aeroporto e uma hora depois Mr. Adam Clayton entrou no carro com uma assistente e um segurança, com quem fui conversando no trajeto. Depois desse dia, me escolheram para ficar diretamente com o Bono. Quando foram para a Bahia, o Adam Clayton ainda ficou mais uma semana aqui em SP e pediu que eu lhe acompanhasse, e claro... aceitei.

UV: E como foi a experiência? Como são eles, no papel de patrões?

Cadu: Em momento algum senti esse papel de patrão. Todos foram muito educados e chegamos até a dar umas risadas dentro do carro. Todos simpáticos (cada um a sua maneira). O Bono fez algumas perguntas sobre a cidade e inclusive pediu um auxilio no Português dele, já que iria falar algo no show. Foi dai que saiu a frase "Brasil, prontos para o Hexa".

UV: Nós fãs temos certas "crenças" acerca dos membros da banda, como pessoas: por exemplo, Larry seria o mais "rabugento" enquanto Adam seria o mais simpático. Isso se confirma? E sobre os temperamentos de Bono e The Edge, o que você tem a dizer?

Cadu: Vou falar dos que tive mais contato. O Bono é uma pessoa adorável, mas como o assédio é muito grande o ambiente fica um pouco estressante, fora isso está de bem com a vida. The Edge estava com um problema familiar e eu respeitei, ou seja, quase não conversei com ele, apenas ouvi (até porque não tinha como não ouvir) a conversa dele com o Bono a caminho do estádio. Larry, conversei muito pouco pois não saia do celular, mas amigos me disseram que também é muito simpático. Já o Adam, com quem fiquei bastante tempo, é uma pessoa fantástica. Ao contrário do que pensam, ele é bem simples, e "low profile". Eu o levei para fazer algumas compras e ele foi de chinelo... muito, muito simpático realmente.

UV: Que anedotas/estórias você pode nos contar sobre eles? Algo curioso ou divertido que você tenha presenciado?

Cadu: O Bono tentando falar Português foi engraçado. Havia tido o show dos Stones no Rio uma semana antes e durante a "aula de Portuguê" dei uma frase que iria no calcanhar dos Stones... ele riu e disse "aí já é demais".

UV: Você ainda mantém contato com alguém da banda?

Cadu: Tive por um bom tempo com o Adam, mas já faz um bom tempo que não trocamos e-mails. Foi mais por causa de um favor que lhe fiz aqui, só isso.

UV: Você se considera fã do U2? Tem algum CD deles em casa? Qual sua canção predileta do U2?

Cadu: Ahh sim, claro sou super fã, tenho vários CD's e a música que eu mais gosto é ONE.

UV: Qual a sua impressão a respeito dos fãs da banda, e do nosso comportamento durante aqueles dias?

Cadu: É incrível o que uma adolescente de 15, 16 anos é capaz de fazer. Chora, grita, berra e até se joga na frente do carro. Não adianta voce dizer para elas irem para o estádio e garantirem um bom lugar (o que seria melhor do que ficar na frente do hotel naquele sol escaldante). Mas de maneira geral o comportamento dos fãs foi bem normal. Excessos existem em qualquer lugar!

UV: Há mais alguma coisa que você queira nos dizer?

Cadu: Agradecer a oportunidade de poder compartilhar essa estória e torcer para que na próxima visita da Banda eles se lembrem de mim!!!

Mil vezes obrigada por suas respostas.

Esperamos que esse seja o início de uma grande amizade entre os fãs e um motorista muito especial.

Autor: Lucila Saidenberg
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