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NOTA: este texto foi escrito na véspera do anúncio oficial, quando ainda circulava o boato "quase oficial" sobre o ingresso de mil reais para a Hot Area. Mesmo já sabendo que o mesmo não existirá, o texto reflete o calor do momento que muitos de nós sentiram, e vou deixar assim apenas a título de registro. Favor desconsiderar!
Hello, hello!
Estamos em vertigem! 2006 chegou e o U2 vem pro Brasil! VIVA! Porém... (e sempre existe um "porém")
Desde que a notícia chegou até nós, no final de julho (e há de ser feita a ressalva em honra ao nosso insider André Braun, que cantou a bola em primeira mão!), tudo o que a gente queria era uma certeza. Ou sim, ou não, o que fosse, para acabar com a angústia. Naturalmente o que todos queriam era o "OK", o "Brazil here we come" ou qualquer equivalente. Quase cinco meses de sofrimento e finalmente nos foi revelada a verdade. E é justamente esse o problema - o famoso "triste, mas real". Falaremos disso mais adiante.
Antes, preciso ser bem honesta e dizer que eu estava cética quanto à vinda da tour pra cá. Em 2000, logo após a U2 Week, eu profetizei pra todos os meus amigos UV's: a Elevation não viria, e o showcase foi um prêmio de consolação antecipado. Dito e feito.
Como o cenário empresarial e financeiro não evoluiu maravilhas de lá pra cá, achei que novamente ficaríamos de fora. Somem a isso o agravante do "trauma" da PopMart - pelo tumulto no RJ e pelas lambanças de Franco Bruni, ECAD e cia.ltda. Mas, no fundo, havia uma esperançazinha... sempre tem, né? Só que dessa vez foi diferente; ao invés da esperança se dissipar e morrer lentamente, ela foi crescendo... até culminar na notícia preliminar. Ter, agora, a certeza de que vai acontecer de verdade é mais que uma surpresa boa, é um alívio.
Quer dizer... "ERA" um alívio, até saber dos exorbitantes e astronômicos preços dos ingressos. De deixar qualquer um indignado, principalmente nós, fãs, que esperamos tanto tempo por isso, mas não contávamos com a astúcia dos empresários e da Rede Globo (ou vocês não acham que a presepada toda tem o dedo deles?!).
Quem quiser ver os dois shows vai desembolsar módicos R$ 360. Se for estudante (e tiver a sorte de conseguir a meia-entrada), fica pela bagatela de R$ 180. Não suficiente isso, dessa vez todo mundo se ferrou: quem vai se arriscar na pista, quem vai tentar arquibancada (e morrer com R$ 160 por show!), e até quem queria um ingresso mais baratinho nas cadeiras intermediárias -- se quiser entrar ali, vai ter que comprar sacola fashion por R$ 380! E sem reclamar, afinal, haverá privilégios! Bebida de graça (o que será? Cerveja GUITT'S ou qualquer outra dessas "genéricas"??! LOL) e decoração (oh!). E o risco de trombar com os amiguinhos do clã Diniz, que não vão querer ficar na "hot area" no meio do povão (ricos, pra nós, mas pra eles é tudo povão), é claro.
E a facada no coração, os 1000 mangos da tal hot area. Sim, 3 1/3 salários mínimos pra ficar perto do palco. É tão ultrajante que prefiro nem comentar, acho que o próprio número fala por si.
Tudo bem, sejamos pessoas desprendidas dos bens materiais, e superemos estes "obstáculos"...
Passado o golpe no bolso, só nos restará esperar. Fora um estressado aqui e outro ali, a expectativa é gostosa e saudável. Aquela empolgação, caravanas se programando, planejando cada detalhe... e acho que isso acaba tendo o efeito de uma grande catarse grupal! Digo isso porque, em 1998, poucos de nós tinham com quem compartilhar essa espera, fazer todos os planos e sonhar junto a cada momento.
Acho que esse é o grande barato de ser Ultraviolet. É falar a mesma língua, saber exatamente como é este momento.
Sei que pra muitos será a primeira vez, o que a torna ainda mais especial. A minha recomendação é que não hesitem em fazer "loucuras", porque a gente não sabe quando terá outra oportunidade como essa. Se estiver ao seu alcance e não for prejudicar ninguém, FAÇA. Pelo U2 e por você, pela experiência inesquecível que você viverá. Quando tudo terminar, você vai olhar pra trás e se sentir orgulhoso e privilegiado de ter participado de tudo isso. Sem um único arrependimento.
Eu realmente espero que todos possam comprar seus ingressos e que não sejamos vítimas (em dobro!) de aproveitadores ou golpistas. Só não vamos sofrer antes da hora, ok? Vamos concentrar nossas energias nos encontros antes, durante e depois, nas camisetas (todo mundo uniformizado na fila!), nos cartazes ou faixas que levaremos pro Morumbi...
Tendo tudo isso em mente, é só fazer acontecer - e ver o sonho se realizar!
Quanto ao abuso nos preços, vamos deixar essa burocracia para depois. Claro que não vamos ficar calados, mas devemos debater idéias para fazer o "protesto" (ou o que seja) de forma organizada. Assim como nossa banda preferida, vamos lutar contra aquilo com que não concordamos.
Só pra encerrar: não sei quantos de vocês acompanharam o mês de janeiro de 98 na MTV... desde que os ingressos foram colocados à venda, passava em quase todo intervalo uma vinheta com cenas do clipe Staring At The Sun, e no final o locutor dizia:
"U2 NO BRASIL - CADA DIA MAIS PERTO..."
Cada vez que eu ouvia isso, me arrepiava inteira e os olhos já se enchiam de lágrimas...
Desta vez, não tem vinheta ainda (e talvez nem tenha), mas, a cada novidade sobre a vinda deles, dentro da minha cabeça o locutor continua dizendo... "U2 no Brasil... cada dia mais perto..." E ainda é de arrepiar. Mas isso não é nada, esperem só até cair a ficha de todo mundo! :D
Não percam, na próxima coluna... o fabuloso "MANUAL DO UV NINJA", um guia para encarar o show do U2, nos níveis iniciante, intermediário e avançado. Fácil, rápido e indolor! ;)
"Lights go down and all I know is that you give me something..."
BUY A LEMON, NOT WHY A LEMON!
Autor: GoneÉ proibido reproduzir o conteúdo desta página sem autorização.
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