Manifesto POP

Momento para assassinar opiniões mal fundamentadas e repletas de preconceitos que cercam uma obra sensacional como POP, criando uma aura de "ilegalidade" ao redor dela. Esqueça tudo o que você já ouviu falar a respeito de POP até hoje.

Já chegando ao final dos anos 90, este disco teve ousadia de ser novo e competência para ser inteligente. Diferente de tudo o que havia sido feito até então (característica principal da banda), o álbum inovou com agressão, arrasando a "moda" da época, com padrão U2 de qualidade.

A ruptura com o passado é marca notável ao longo do disco, o que remete a seu irmão mais famoso dos anos 90, Achtung Baby. A diferença entre os dois é óbvia; Achtung rompia com a imagem de "a banda que ia salvar o mundo". POP rompeu com o som quadrado e sem cor que se fazia até então. Deixando de lado a crítica e a opinião de fãs xiitas, vamos à análise do contexto do disco, seus méritos e também seus defeitos.

Bono já disse muitas vezes que, quando da gravação do disco, desejava incorporar de tudo um pouco à sonoridade de POP: trance, hip hop, thrash etc. O resultado é este: uma grande mistura, heterogênea, que deu muito certo. Uma viagem de cores, sons, vibrações e batidas; tudo muito bem mexido e com um toque da boa e velha melancolia irlandesa.

A ordem escolhida para as músicas foi feliz; a obra traz uma gama de estilos diferentes, que não precisaram estar casados para se ter um bom resultado.

O disco começa com Discothèque. Dançante, com uma guitarra pesada e vigorosa, muitos efeitos de pedal e microfone. Ainda assim, sobre espaço para o baixo e a bateria se sobressaírem. A passagem para Do You Feel Loved é natural. Mesmo com efeitos semelhantes, batida dance e samplers, o baixo domina a canção.

MoFo é uma faixa forte, de uma guitarra que tem o peso de um terremoto e letra quase auto-biográfica de Bono; é talvez a música que mais se destaca no disco. De repente as "luzes" se apagam e o abismo de If God Will Send His Angels abre-se sob os pés de quem ouve. Muitas menções a Deus, Jesus, anjos, enquanto "blips" e "boings" soam baixinho no fundo. Coisas do Flood. Da interpretação apaixonada de Bono, o final em fade leva à próxima música, Staring At The Sun. Esta, a única que remete ao U2 "tradicional", de pegada mais rock e refrão fácil, que gruda no ouvido sem irritar.

[menção honrosa ao clipe maravilhoso desta música!]

A próxima, Last Night On Earth, fecha um ciclo, o "Lado A" de um disco de vinil. Também rock'n'roll, a explosão das caixas de Larry e a guitarra quase frenética de Edge são marcantes; entretanto, com menos efeitos a canção é bem mais eficiente (o que aconteceu ao vivo).

Abrindo o ciclo seguinte, Gone é angústia, é sofrimento, é... beleza. Apesar dos pedais e dos samplers, o sentimento não se dissipa, pontuando a música com a voz e o tom de Bono, além do baixo pronunciado de Adam. Em seguida, Miami traz o caos. É a música mais visual do disco, de letra descritiva e melodia urbana. Uma canção que é de fato a cara da cidade; a guitarra no final é quase metal, como um tornado fazendo girar toda a confusão que habita Miami.

The Playboy Mansion é o elemento chave que sempre figura qualquer álbum do U2: crítica. Desta vez, recheada de ironias e eufemismos (escondidos nos trocadilhos ao longo da letra), alia-se à melodia despreocupada para quebrar as pernas da elite e do glamour. Onde "não haverá tempo para o sofrimento, não haverá tempo para a dor", como diz a letra. Os sons finais fazem a ponte e se "emendam" com a próxima música, a sensual If You Wear That Velvet Dress. Marca registrada de Bono, uma letra que gera múltiplas interpretações, registrada com tom de voz inconfundível, irresistível. A guitarra de Edge amarra o laço de elegância da canção.

A seguir, Please, um grito de protesto diferente dos que se faziam antes. Pode-se dizer que é uma Sunday Bloody Sunday versão anos 90. A revolta é a mesma, a motivação também; os meios é que são outros: a letra é menos direta, coberta de metáforas e simbolismos. O U2 muda de estilo na música e atitude no palco, mas a alma irlandesa - e a conseqüente indignação com o que presenciam a seu redor - permanece.

Fechando o álbum, Wake Up Dead Man é tão sentimental quanto Gone, tão religiosa quanto If God... e tão pungente quanto MoFo. Não no sentido de semelhanças no som, mas na intenção por trás da música. Como sempre, uma música que deixa aquela sensação quase 'incômoda', intrigante, como outras faixas que fecham discos anteriores (vide MLK, Mothers of the Disappeared e, principalmente, Love is Blindness).

O desenho no cd, do espectro de cores, é a expressão máxima que resume o próprio disco; como se as cores substituíssem cada som que compõe a obra. A capa em estilo Pop Art, o próprio conceito da turnê PopMart, do consumismo, do dinheiro e de coisas grandiosas... bem, este é outro assunto, maior e mais complexo.

Em resumo, o que desagradou alguns foi o uso excessivo de samplers, pedais e efeitos, além do enorme preconceito sobre Discothèque e a mentalidade de que o U2 tinha "virado dance music". Realmente esta não foi a melhor faixa para ser lançada como primeiro single. Mas se foi um erro, pelo menos foi um erro grandioso, como diria Adam. ;)

Finalizando, talvez o grande mérito do disco seja a capacidade despertar paixão e ódio. POP é marcante e, como tudo o que é marcante, é amado e odiado.

Para os que se encaixam na categoria "eu odeio", tentem livrar-se de todos conceitos anteriores, todas as idéias, críticas, opiniões e, claro, sons. POP é o novo. Esqueça o medo do desconhecido e deixe-se levar nesta viagem.

"And I don't have to know how, and I don't need to know why..."

BUY A LEMON, NOT WHY A LEMON!

xxx

PriLemonTart

lemontart@ieg.com.br

Autor: Gone
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