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27 maio 2015 19:09

por: Patricia Moura

Por Maria Teresa Menegassi da Rosa

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Nessa quarta-feira, dia 27 de maio, o U2 perdeu não só um grande parceiro, mas um grande amigo. Trata-se de Dennis Sheehan, o responsável pelas turnês do U2 desde 1982, e um dos mais antigos colaboradores da banda. Irlandês do condado de Waterford, nasceu em 1946, e foi criado pelos avós até a adolescência, quando então se juntou aos pais que moravam em Londres. Chegou a fazer parte de uma banda, The Carnivals, por algum tempo, o que o levou a se envolver com a parte logística de turnês de várias bandas, inclusive Led Zeppelin, pra quem trabalhou por vários anos, até que Paul McGuinness, empresário do U2, o cooptasse para organizar as turnês da banda. Sua responsabilidade era enorme, pois tinha que verificar todos os aspectos de cada turnê, antes mesmo que ela começasse, como por exemplo, os locais onde seriam os shows, hotéis, e todas as providências de viagem, não só para a banda, mas também para todo o staff e todos os que os acompanhavam. Um de seus deveres, segundo ele mesmo, era providenciar sempre a edição diária do jornal The Irish Times para a banda, em qualquer lugar que eles estivessem se apresentando.

Bem no início, ele foi também uma espécie de anjo da guarda do Bono, juntamente com Steve Iredale, outro integrante antigo do staff, o que significava seguir cada movimento do vocalista no palco, inclusive quando ele escalava caixas de som e andaimes. Ele pode ser visto em vários vídeos de apresentações do U2 nessa época, da War Tour, como por exemplo no dvd Live From Red Rocks, show de 1983. É dele a voz que puxa o coro de “40” no final do show, o famoso “how long to sing this song”. Eles saem do palco pela primeira vez, e o público não engrena cantando o refrão pra chamar a banda de volta, então Dennis pega um microfone, escondido, e puxa o coro. Bono conta esse episódio na biografia U2 By U2.

Na apresentação no festival alemão Rockpalast, pouco tempo depois, ele pode ser visto arrumando os cabos, e servindo de “apoio” pro Bono durante Two Hearts Beat As One. E um pouco antes dessas duas apresentações, no US Festival, ainda em 1983, seu fiel escudeiro Dennis Sheehan pode ser visto em ação, inclusive subindo os andaimes atrás do Bono até a cobertura do palco, levando o microfone. E a partir daí, todas as turnês do U2 (Unforgettable Fire, Joshua Tree, Lovetown, Zoo TV, Popmart, Elevation, Vertigo, 360 e Innocence + Experience Tour) contaram sempre com a competência e dedicação de Dennis.

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O U2 sempre se diferenciou das outras bandas,  não só por manter os mesmos integrantes desde o início, mas também por tratar seus fiéis colaboradores com correção e justiça, reconhecendo e creditando sempre os profissionais do seu staff pelo sucesso de suas turnês, o que com certeza acabou por fidelizar muitos deles. Junto com o engenheiro de som, Joe O’Herlihy, e o gerente de produção Steve Iredale, Dennis Sheehan era um dos mais antigos colaboradores do U2. Ele os conhecia muito bem, e sempre admirou o perfil batalhador e perfeccionista dos membros da banda, assim como seu senso de justiça e companheirismo com todos os que trabalham com eles.

Algumas declarações de Dennis Sheeham sobre o U2, e sobre trabalhar com a banda, tiradas dos livros U2 Show e North Side Story:

“Shows são sempre ótimos. Eu acredito que, pra mim, a melhor experiência é quando o grupo está pronto pra entrar em cena, e começam a se dirigir ao palco. Geralmente eu faço uma contagem regressiva, porque usamos músicas de introdução e o timing é essencial pra que eles estejam no palco na hora certa. Então, depois disso, eu me junto ao público e fico olhando para os seus rostos. Eles se iluminam. Isso é parte importante do porque eu gosto de fazer o que faço. Aquele júbilo e felicidade por duas horas e meia enquanto o grupo está no palco valem totalmente à pena, e não têm preço.”

“A experiência de excursionar com o U2 é maravilhosa. É um lar longe de casa. Os integrantes da banda e suas famílias eram bons amigos quando os conheci, e hoje em dia são mais amigos ainda. Eles têm trabalhado duro a sua vocação, e isso tem sido evidente durante os bons momentos e os difíceis também. Temos sido abençoados com um grupo que redefine as fronteiras de sua música a cada álbum, mantendo-os excitantes. Muitos fãs diriam que as canções significam tudo pra eles, a música e as palavras. Eu sinto que o Cristianismo é a base para o que eles fazem. Não digo isso relacionado a religião. Eu digo em tudo o que fazem, dizem e agem.”

“O grupo é formado por pessoas muito honradas. Quando eles começam a construir algo, eles estão construindo sobre algo que já é grande. Eles constroem tendo em mente o Everest, mas quando chegam ao topo eles ainda sentem que precisam ir mais alto. Não acho que exista um limite para o U2, eles têm continuadamente ido mais e mais alto com sua música, e atingiram o cume em termos de conquistar aquilo a que se propuseram. Nossas turnês são assim também. Temos sempre lutado pra sermos cada vez melhores, e acho que temos conseguido isso. O U2 provou que podem ser grandes realizadores e ainda assim levar uma vida praticamente normal, e respeitar aqueles aos seu redor e aqueles com quem eles entram em contato. Afinal de contas, nós estamos aqui na Terra por um curto espaço de tempo. O que mais eu teria feito?”

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“Algumas bandas dizem ‘nós queremos chegar ao topo’. Com o U2, não há um topo. Existem níveis – e esses níveis ficam cada vez mais altos. Conforme vão compondo novos álbuns e novas turnês, eles sempre tentam ter músicas que são relevantes para o seu tempo e relevantes para as coisas que acontecem no mundo. Eles têm um trabalho ético impressionante, na estrada e fora dela. Se temos alguns dias livres entre shows, eles não se chamam dias livres, mas dias sem show – porque eles ainda estão trabalhando: ensaiando, compondo, dando entrevistas, e Bono sempre tem seu trabalho humanitário para tratar, ao mesmo tempo.”

“Nós que trabalhamos nas turnês do U2 somos muito sortudos, e nós sabemos disso. Pode haver alguma exceção, mas praticamente todos concordam que é um ambiente excepcional, onde os membros da banda vêm conversar com os roadies e demais apoiadores, fazem refeições junto com o pessoal e fazem com que todos se sintam parte do que acontece. Eles reconhecem que, se não fosse por todos nós, eles não estariam fazendo o que fazem. E essa tem sido a atitude deles, desde o princípio.”

Veja uma pequena entrevista dele:

Comentários

MT, como sempre, arrasando nos textos. PARABÉNS!!

Que bom que gostaram. A idéia sobre o artigo foi da Patrícia, e a inspiração veio das palavras do próprio Dennis Sheehan.

Muito bom!! Obrigada MT

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