Adam Clayton celebra 20 anos longe dos vícios

Adam Clayton celebra 20 anos longe dos vícios

Em 1993, Adam ‘enfiou o pé na jaca’ enquanto o U2 estava em turnê pela Austrália e não foi capaz de tocar com a banda no Sydney Football Stadium depois de uma noitada. O roadie tomou seu lugar no baixo e o U2 conseguiu se apresentar.

A banda estava sendo muito paciente com o baixista, que já foi noivo da modelo Naomi Campbell, mas ele percebeu que aquilo poderia ser o fim da linha para ele.

“Foi uma sensação horrível e você promete a si mesmo que isso nunca mais vai acontecer. Eu tive sorte. Eu percebi que se não fizesse algo, iria perder tudo. Eu iria ficar sem desculpas. Os outros integrantes do U2 estavam começando a perceber que eu não estava lidando com meu vício muito bem.

Eu me tornei uma pessoa amarga, que não estava fazendo jus ao meu potencial. Chega num ponto, conforme você envelhece, quando isso não é muito agradável. Eu estava numa banda de sucesso com pessoas maravilhosas, cujas vidas eram funcionais. Eles estavam em longos relacionamentos e criando famílias. Eu odiava não me sentir bem o suficiente. Eu não era muito bom em relacionamentos, pra ser sincero.

ZOO TV foi um período de confusão para mim. Eu acho que ter tanto sucesso me levou uns 10 anos para se acostumar.  Havia muitas coisas que eu não podia mais fazer, como ir a shows e não ter pessoas que falam com você o tempo todo. Também foi difícil estar em um lugar onde todo mundo sabia mais de mim do que sabia deles. Mas se você for bem sucedido o suficiente, você consegue pegar o jeito.

Eu acho que tinha predisposição (à dependência). A primeira vez que eu tomei uma bebida ou uma droga ou tive uma experiência de emoção, minha reação imediata foi: ‘Eu quero fazer isso de novo. Me dê mais. Dobre.’ Isso provavelmente não teria mudado se eu fosse um encanador.

Você meio que se dá um tapa na cara. Se você colocar limitações sobre si mesmo, você as pode removê-las também. Hoje em dia eu posso pegar o metrô em Londres ou em Nova York. Eu gosto disso. E Dublin é uma cidade muito fácil pra se viver. Mas eu tenho sorte, eu sou apenas o baixista na banda.

O lado escuro estava relacionado com a minha incapacidade de raciocinar psicologicamente comigo mesmo. Eu trabalhei muito para adquirir as ferramentas para superar minhas inseguranças e baixa autoestima. Ao contrário de 20 anos atrás, eu vou pra cama agora esperando ansioso pelo dia seguinte e sinto que finalmente venci o ‘diabo interior’.

Minha esperança é que ‘Walk In My Shoes’ quebre qualquer tabu remanescente em torno dos assuntos mentais. Se as pessoas sentirem que precisam de ajuda, elas não deveriam se envergonhar de pedir ajuda. Eu gosto da ideia de que de alguma forma eu estou continuando o trabalho da minha mãe no St. Patrick e, claro, eu tenho minha própria história com drogas e álcool.”

Fonte: Hot Press e Irish Examiner

UltraViolet-U2 no Twitter: https://twitter.com//ultravioletu2
UltraViolet-U2 no Facebook: https://www.facebook.com/UltravioletU2Brasil

É permitida a reprodução total ou parcial deste texto desde que obrigatoriamente citada a fonte.”

2 Replies to “Adam Clayton celebra 20 anos longe dos vícios”

Comments are closed.