Em aula de interpretação de texto, professores analisam letra do U2

Em aula de interpretação de texto, professores analisam letra do U2

Um protesto que aconteceu há 40 anos, na Irlanda, ficou conhecido como o Domingo Sangrento. O episódio do dia 30 de janeiro de 1972 virou letra de música de uma das bandas mais conhecidas do mundo, o U2. Nesta quarta-feira (13), a canção ‘Sunday Bloody Sunday’ embala a aula de inglês do Projeto Educação, que trata de interpretação de texto em língua estrangeira.

O professor de história Lula Couto conta que o Domingo Sangrento foi um fato político marcante na Irlanda. “O governo inglês agiu com extrema violência contra manifestantes irlandeses que lutavam exatamente contra as prisões arbitrárias, a repressão do governo inglês, que procurava acabar com o movimento de independência, patriótico e nacionalista, dos católicos irlandeses”, explica.

Segundo o professor de inglês Otacílio Barreto, a letra de ‘Sunday Bloody Sunday’  foi a primeira de teor mais político da banda irlandesa. Para ele, no primeiro álbum, em 1980, “eles eram uma banda de adolescentes, as letras não tinham pretensão nenhuma”. Quando saiu o álbum ‘War’, três anos depois, os fãs sentiram uma diferença gritante. “É desse álbum que sai essa música considerada por muitos críticos como uma das maiores canções de protesto da história”, explica o professor de inglês.

Sabendo o contexto, fica mais fácil interpretar a letra da música. “O narrador observa bem os horrores de uma guerra urbana. Ele fala que crianças andam sobre cacos de vidro e há corpos espalhados sobre um beco sem saída”, exemplifica Otacílio, se referindo ao trecho broken bottles under children / Bodies strewn across the dead-end street. “Houve uma emboscada ali, quinze pessoas morreram”, relata o professor de inglês Marco Antônio.

Otacílio diz que, na hora de compreender um texto, uma música, é preciso usar um pouquinho de intuição. Desta forma, dá para driblar expressões desconhecidas e entender do que se trata. “Quando ele fala Trenches dug within our hearts..Trenches tem um cognato em português, trincheiras. Dá para entender que ‘dug’ é provavelmente um verbo no passado. É simples. Como se constrói uma trincheira? Cavando! Trincheiras cavadas em nossos corações, aí está a metáfora”, esclarece. Para o professor Marco Antônio, “essas trincheiras que eles cavaram no coração representam a separação de pessoas, famílias, amigos… Por conta da guerra”.

Os professores dizem que a música também critica a acomodação de quem está de fora do conflito. No verso Today the millions cry. We eat and drink while tomorrow they die, por exemplo, o cantor diz que enquanto milhões de pessoas choram, nós comemos e bebemos, mas amanhã eles vão morrer.

A questão religiosa também é posta em discussão. “Quem ganhou esse conflito tinha a certeza de que Deus estava do seu lado”, defende Otacílio, citando o trecho The real battle just begun/To claim the victory Jesus won.

A música sensibilizou o mundo, mas o problema da Irlanda do Norte ainda não foi resolvido. “No final dos anos 90 a gente tem a aproximação dos dois governos e a tentativa de estabelecer um clima de paz. A luta armada tem sido colocada em segundo plano. O que se espera é a confirmação da renúncia de qualquer ação terrorista por parte dos irlandeses que ainda são fiéis a esse ideal de independência religiosa e política”, explica Lula Couto.

Fonte: G1

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