Especial: Larry no Brasil

Especial: Larry no Brasil

Fiquei muito feliz em poder escrever pra UV um texto sobre Mr. Larry Mullen Jr. Não sou exatamente uma pessoa deslumbrada, tiete de artistas por causa de sua beleza, fama etc. Quem me conhece de perto sabe o quanto sou pacata. Por isso mesmo até eu me espantei quando ao encontrar com o Larry tenha soltado um berro na cara dele dizendo: ‘Você é lindoooooo!’  Como me disse a Adra aqui em Salvador, uma vez: ‘Você é toda quietinha, mas se transforma quando o assunto é U2!’

Sou uma fã da velha guarda, comecei a gostar do U2 quando tinha 12 anos, já era roqueira naquela época. Não se espantem com isso. Aqui na Bahia existe uma forte comunidade fã de rock, que é oprimida pelo massacre radiofônico do pagode e do axé. Não por acaso Raul Seixas é daqui. Mas fiquei muito surpresa ao saber que o U2 viria pra cá, mesmo sem fazer shows. Mesmo duvidando, comecei a mexer os pauzinhos para tentar encontrá-los, junto com os amigos UVs baianos e de Safira, de Curitiba.

A história de nosso encontro pode ser encontrada no ótimo livro do amigo Cláudio Dirani, sobre os fãs do U2 no Brasil ou nos emails que enviei à lista da Ultraviolet em 2006 após os shows em São Paulo, detalhando o ocorrido. Aqui eu vou falar um pouquinho das impressões pessoais que tive dos encontros com o U2 e com Larry, em especial.

QUE CHEIRO BOM

A primeira coisa que me lembro é do cheiro dele. Que homem cheiroso… Eles estavam indo se encontrar com Gilberto Gil, na primeira vez que os vi, todos arrumados e cheirosos. Outra coisa que fiquei espantada e adorei foi o fato de todos falarem com os fãs, sempre olhando dentro dos olhos de cada um, demonstrando respeito e atenção ao que se está ouvindo. Todo mundo ri quando eu falo que o que mais me emocionou foram as respostas deles. É uma grande bobagem, mas só nós sabemos o que é admirar tanto aquelas pessoas, por tanto tempo, e depois de falar com eles, receber respostas honestas e carinhosas. A atenção deles me cativou ainda mais.

Outra coisa que me fez rir muito foi a amizade, a zoação do Larry com o Edge. Lilian, amiga UV daqui da Bahia, começou a conversar com Edge, dizendo quanto o admirava, de que começou a ouvir o U2 por causa dele, de como ele era bom guitarrista, etc. Aquilo que a gente sempre tem vontade de falar com quem admira… Larry começou a brincar com o Edge, fazendo cosquinhas, apertando a cintura dele, dizendo-lhe ao ouvido: ‘Aí, se deu bem, né? Você diz que não arranja nada, conseguiu uma fã… Ganhou o dia…’ E o Edge se encolhendo todo, a olhos vistos, morrendo de vergonha… E o Larry, às gargalhadas. A cumplicidade foi evidente!

É lugar comum ouvir falar da rispidez e do mau humor do “boss”, mas acho que tem um pouco de exagero nestas histórias. Acredito que ele seja low profile, sem deslumbres, não acredita muito neste mundo de aparências do rock and roll. Vale mais parecer ser do que ser. Provavelmente o fato de serem de Dublin possa explicar isso. Deve ser como morar em Porto Alegre, Rio Branco ou Salvador e assistir, de longe, o mundo encantado das celebridades. Você acaba descobrindo que nada tem tanta importância assim, na verdade…

O SOL DA BAHIA

No dia seguinte, os encontramos novamente, desta vez pelo lado de trás da casa em que estavam hospedados. Com os pés na areia da praia. Ele estava queimado de sol, com uma camiseta, de óculos pretos e cabelo lavado. E sorrindo sempre… Perguntei a ele onde estava Edge – que desta vez não apareceu – e ele, as gargalhadas (chegou a se dobrar, com as mãos na barriga), disse não saber. Lilian, sempre ela, disse que o tinha visto na noite anterior, no camarote de Gil, dançando e bebendo pra valer. Ele riu ainda mais e o segurança do Bono sorriu também, dizendo que ele aproveitou a festa. Imaginem o que deve ter acontecido por lá…

No camarote de Gil, ele não teria se destacado em nada fora do normal, além do fato de ter adorado certa marca de cerveja brasileira, chegou a pedir para abastecerem o avião da turnê com ela, na ida para o Chile, de acordo com relatos que tivemos de conhecidos. Um jornalista amigo meu, que havia sido alertado para que não chamasse Bono de Bono Vox, não atendeu nosso aviso e levou o maior fora do Larry. Nesse momento o Larry-ito paz e amor se escondeu para a aparição do Larry de sempre… Mas nós rimos e ele riu conosco, pela bronca que deu no dito cujo.

A empregada da casa em que ficaram também só teve coisas boas para falar de todos. Destacou o carinho com que foi tratada. A danadinha tirou várias fotos com eles, para meu desespero que nem lembrei de pedir o mesmo, tanta foi a emoção de vê-los e conversar com eles… Fica pra próxima!

Patricia Moura

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5 Replies to “Especial: Larry no Brasil”

  1. O que importa são as memórias na sua cabeça, não as fotos. O que exatamente o Larry falou sobre o “Bono Vox”, você se lembra? Obrigada pela história, ótima leitura. aprovado

  2. Grande Patricia, que saudade do nosso breve encontro em Salvador! Tudo bem contigo?
    Muito legal teu depoimento, fico só imaginando a cumplicidade deles depois de tantos e tantos anos praticamente vivendo juntos, famílias unidas e tal. Com certeza deve sobrar gozação pra cada um, hahaha
    bjs

  3. Sortudas é pouco! Da próxima vez registre o Larry sorrindo, por favor. Ele é o máximo, lindo, maravilhoso. Infelizmente seu sorrizo é uma ra-ri-da-de. Abço.

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