U2 completa 36 anos de carreira

U2 completa 36 anos de carreira

Em 25 de setembro de 1976, o U2 se reuniu pela primeira vez. Larry Mullen – apenas um garoto de 14 anos – colocou um aviso no mural da escola procurando músicos para formar uma banda. Bono, ainda Paul Hewson, os irmãos Evans, Dick e Dave, que viria a ser The Edge, e Adam Clayton responderam ao anúncio. Estava formado aí o U2, uma das maiores bandas de toda a história do mundo do rock.

Mas o começo não foi tão fácil assim. O primeiro ensaio aconteceu na cozinha da casa do Larry, em Artane, e eles mal sabiam tocar direito. Veja aqui uma cena do filme ‘Killing Bono’ que reproduz esse momento:

BONO: “O Larry foi incrível, pois sabia tocar bateria muito bem e o som era fantástico. Quer dizer, tocar bateria na cozinha é como cantar no chuveiro. A bateria mal cabia na cozinha. Nem sei como é que coubermos todos lá.”

ADAM: “Não tocamos muito, estivemos mais conversando. Acho que o Bono nem sequer levou a guitarra, mas isso não o impediu de assumir a liderança.”

LARRY: “Durante cerca de dez minutos, foi a banda do Larry Mullen, para proteger meu ego. Além disso, estávamos na minha cozinha. Depois, apareceu o Bono e estragou tudo. Basicamente destruiu a minha oportunidade de ser líder.”

EDGE: “Não tivemos um começo lá muito promissor. Conversamos muito, éramos um grupo de pessoas tocando músicas que mal conhecíamos para tentar impressionar-nos mutuamente, na tentativa de perceber se tínhamos gostos musicais semelhantes. Era tudo muito primitivo, mas acho que conseguimos encontrar alguns pontos comuns. Lembro-me de ter pensado que gostava de todos ali, que era o mais importante. Achava que eram todos legais.”

LARRY: “Eu não os conhecia nem eles me conheciam. Nunca me tinha passado pela cabeça enfiar quatro ou cinco estranhos num espaço para tocar música. Agora, tudo parecia possível. Quando terminamos o ensaio, agendamos logo um segundo ensaio.”

ADAM: “A estratégia era encontrar uma sala para ensaiar na escola. Acho que era uma forma de nos tornarmos conhecidos na escola, de fazer com que todos soubessem que tocávamos numa banda.”

LARRY: “Mr. McKenzie, o nosso professor de música na Mount Temples, deixava-nos ensaiar na sala dele às quartas-feiras, à tarde. Donald Moxham, um dos professores de História e bem amigo nosso, contribuía para que a escola nos apoiasse.”

EDGE: “Eu e o Larry sabíamos tocar umas coisas, mas o Adam não tocava nada, apenas fingia que tocava. No entanto, como tinha um baixo, não tínhamos dúvidas que iria ser o nosso baixista. O Bono nem sequer tinha guitarra, mas achava-se o guitarrista principal.”

LARRY: “Foi óbvio desde o início que o Bono ia ser o cantor, não porque tivesse uma voz excelente, mas sim porque não tinha guitarra, amplificador, nem transporte. Que mais é que ele poderia ser?”

E mesmo improvisando no início, não sabendo muito bem o que ia sair dali, os garotos acreditaram que aquilo era algo que gostavam e que queriam se empenhar a fazer. Assim, de uma apresentação na escola eles começaram a gostar de tocar juntos e foram se apresentando em outros diversos lugares. Primeiro usando o nome Feedback e The Hype, só então U2. Assista esta cena reproduzida no filme ‘Killing Bono’.

ADAM: “U2 surgiu naturalmente, do nome do avião espião, do qual eu tinha ouvido falar, pois a minha família era ligada a aviação. Não sei se os outros fizeram a mesma associação de ideia. Não era um nome óbvio, não enchia os olhos. Era o que gerava menos desentendimentos.”

EDGE: “Era o melhor entre os piores. Pensamos naquele nome durante alguns dias e dissemos: “Bem, sempre é melhor que Hype. Por que não experimentamos durante algum tempo?” E escolhemos o nome U2. Á medida que o tempo ia passando, fomos gostando cada vez mais do nome. Tinha um impacto gráfico muito intenso. Não significava nada em particular, por isso, começamos a gostar do fato de não ter grandes conotações. E também nos diferenciava do The Whatevers, do The Jam, do The Clash, de todas as bandas que naquele tempo tinham nomes começados por “The.” O nosso nome era um pouco diferente, mas não foi de forma alguma um momento “Eureca”, tipo: “É o melhor nome do mundo.” Foi mais do tipo: “Serve”.”

LARRY: “Da primeira vez que nosso nome apareceu no jornal, nos chamaram de “U2 Malahide”. O que eles queriam dizer era ‘U2 de Malahide’, que, como é óbvio, também não estava certo.”

BONO: “A gente ainda estava na escola, mas na minha cabeça Mount Temple tinha se tornado uma sala de ensaios. Tenho grande carinho por ela como um lugar que ajudou a moldar a mim mesmo, aos meus amigos e à minha banda, uma sensação de orgulho de que nós éramos parte de algo em progresso. Eu realmente acreditava que o U2 era capaz de se tornar algo extraordinário, não sei por quê.”

E assim foi! Aqueles quatro garotos de Dublin começaram a se empenhar cada vez mais, a ganhar destaque e fazer shows por toda a Irlanda e Grã Bretanha, até conquistar o mundo inteiro. Isso aconteceu nos anos 80.

A épica performance da banda no festival Live Aid em 1985, com transmissão global pela TV, apresentou o U2 à diversos países que ainda não o conheciam, tocando ‘Sunday Bloody Sunday’ e ‘Bad’, e mostrando seu engajamento social. E depois, em 1987, o álbum ‘The Joshua Tree’ fez com que o grupo estourasse e conquistasse de vez o sucesso internacional, com hits como ‘Where The Streets Have No Name’ e ‘With Or Without You’.

Quando a crise se abateu sobre a banda no final dos anos 80, todos achavam que o fim estava perto. Foi um momento realmente difícil para todos, que sentiram a necessidade de mudar. E mudar não é nada fácil. Podemos ver melhor como foi essa fase do U2 no documentário ‘From The Sky Down’.

O resultado foi uma completa renovação na música, no visual e nas atitudes. O U2 lançou o álbum ‘Achtung Baby,’ em 1991, e partiu para a turnê ‘ZOO TV’, se consagrando ainda mais. Até hoje, a música ‘One’ é considerada uma obra-prima e entra em qualquer lista de melhores músicas de todos os tempos. O grupo ganhou status de “maior banda do mundo” com a “maior turnê” já feita, que serviu de referência para diversos outros grupos posteriormente, revolucionando o modo de um artista se apresentar em shows.

A partir daí, o U2 continuou na década de 90 na mesma linha de inovação, explorando mais o lado tecnológico e de ironia até o álbum ‘Pop’ (Foi quando a banda aterrissou pela primeira vez no Brasil, com a turnê ‘PopMart’).

Já nos anos 2000, o U2 “voltou às raízes”. Muitos não gostam deste termo, até mesmo alguns dos próprios integrantes da banda, mas o grupo decidiu fazer um álbum mais ‘rock and roll’. Na minha opinião, classifico ‘All That You Can´t Leave Behind’ como um dos principais do U2. É daqueles discos que têm a marca registrada da banda, trazendo músicas importantes como ‘Beautiful Day’, ‘Elevation’ e ‘Walk On’.

O mais recente disco do U2, ‘No Line On The Horizon’, parece que fechou um ciclo ao mesmo tempo que a primeira década do século XXI acabou. A banda viajou pelo mundo com a turnê “U2 360°”, o maior espetáculo já feito, batendo todos os recordes de arrecadação e público.

 Ainda não sabemos qual será o rumo certo do U2. Muito tem se falado, principalmente o Bono, que quase assustou bastante gente no ano passado quando indagou sobre o futuro da banda. Foi apenas uma frase mal interpretada que gerou esse tipo de notícia sobre o fim do grupo. Logo depois, ele mesmo falou que o U2 estava trabalhando em três álbuns diferentes e que estavam passando ótimos momentos no estúdio, como há muito tempo não acontecia. Gavin Friday, um dos amigos pessoais dos integrantes do U2, e o produtor, Danger Mouse, também fizeram declarações de que o próximo disco deles seria bem diferente. Ao que tudo indica, parece que o novo álbum pode ser lançado em 2013, de acordo com a Mercury Records. Vamos torcer!

Com certeza, o U2 com seus 36 anos de carreira ainda tem o que mostrar, ainda vai surpreender os fãs novamente. É raro encontrar uma banda que tenha os mesmos integrantes desde o início, sem nenhuma alteração. Isso mostra o quanto eles são especiais e o quanto a amizade deles prevalece acima de tudo, inclusive dos interesses da banda. O comprometimento entre eles é sem tamanho, nunca vi igual por aí.

Larry Mullen Jr., que resolveu começar tudo isso, colocando um anúncio no mural da escola procurando músicos pra formar uma banda, foi perguntado uma vez como o U2 conseguiu se tornar o que é, uma das maiores bandas do mundo. Ele simplesmente respondeu: “Eu não tenho ideia”. Mas eu arrisco a dizer que uma das respostas pode ser exatamente essa: o respeito e a amizade entre eles e o comprometimento dos integrantes. Cada um tem uma personalidade diferente, um jeito único de ser e pensar, mas quando todos estão reunidos a ‘mágica’ acontece e eles conseguem fazer músicas que emocionam milhões de pessoas. Tenho orgulho de dizer que o U2 é a trilha sonora da minha vida, porque cresci ouvindo esses irlandeses, e acredito que vocês que estão lendo também vão dizer o mesmo.

Por isso, OBRIGADA U2!!

PARABÉNS LARRY, BONO, EDGEADAM!!

* Citações retiradas do livro “U2 BY U2”

Por Fernanda Bottini


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12 Replies to “U2 completa 36 anos de carreira”

  1. Sempre vale a pena ler cada trechinho da formação da banda! Amei a matéria. 36 anos de banda não é pra qualquer um! Amo d+.

  2. Liiiiindo!!! Especialmente o final, dá pra sentir a emoção!!!

    É tão bom saber dessa fase inicial da banda, pelos próprios integrantes, ver como tudo foi tão normal, pessoas normais tentando, de alguma forma, fazer o que gosta! Todos com limitações individuais (um não sabia tocar direito, outro não tinha voz tão boa…rs), mas que juntos fazem a magia acontecer!

    U2 é a trilha sonora perfeitas de muitas e muitas vidas! =D

  3. Ótimo texto, ótima homenagem.

    Tenho orgulho de ser fã do U2.
    Sou feliz por ter feito tantas amizades especiais por causa da banda. 
    U2 é a trilha sonora e a banda da minha vida. 
    Parabéns U2! 36 anos de muito engajamento, emoção, amizade e muito sucesso!
    Sou fã desde 86 e serei sempre.

  4. 1, 2, 3, 14…. 36!!!!

    Obrigada U2 por  todos os momentos felizes que me deram ao longo dos anos sorriso

    Parabéns!

    Muito legal Fernanda!

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