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5 setembro 2012 10:58

por: febottini

Coluna da MT: U2 no Live Aid

5 comentários
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Organizando as coisas aqui no meu note, achei um texto muito lindo, escrito por Joan Baez, que dá seu testemunho ao assistir a apresentação do U2 no Live Aid, em 13/07/85, com Bad. Foi uma das primeiras coisas sobre eles que eu traduzi, um texto que ainda me emociona.

Eu vejo um rosto que eu não reconheço na tela da TV. Deve ter vindo da Inglaterra porque o público que se agita está pontilhado de bandeiras inglesas. O vocalista, vestido de preto, tem cabelo longo e castanho, ligeiramente desarrumado. Ele está pingando de suor, e um pouco do cabelo está grudado no seu rosto, como o desenho de um mapa, fazendo com que eu queira puxar seu cabelo de volta para trás. A canção é cósmica, celestial, modulada e contínua. Ele salta no ar e pisa forte, com botas pesadas. Ele não transa com o microfone, do jeito que astros do rock fazem quando eles se dão conta de que a tecnologia torna possível a eles derramar o próprio ego sobre milhares de pessoas. Não, esse jovem leva as coisas à sério, e ele se expressa com tal ternura, suficiente para partir o meu coração. Ele chama pelo público. Eles respondem. Ele canta pequenos trechos de canções dos anos 50 e 60 na sua própria maneira distinta, e eles cantam com ele. Ele conduz um coral. Eles são o coral e estão enlevados. Eu estou imaginando tudo isso? É possível. O nome do grupo aparece ao lado do símbolo do Live Aid, sobreposto pela sua dança mística. U2 Ao Vivo no Estádio de Wembley. Esse é o grupo que meus conselheiros, adolescentes de 15 anos, me recomendaram observar. Esse é o grupo que dizem que é político, até mesmo pacifista. O vocalista abre caminho em direção ao público, pulando sobre uma estreita borda de madeira, menos de um metro abaixo do palco. Ele faz gestos para a multidão, acenando para alguém na sua direção. Ele vence a altura até o fosso da orquestra e continua o seu convite, em linguagem de sinais. Finalmente uma garota é erguida completamente e passada por sobre a cerca que o separa da multidão. Ela é simplesmente passada adiante como uma oferenda. Ela agora está de pé, nos braços dele, que dança com ela. Ela está provavelmente paralisada, em estado de choque, e sua cabeça está docemente inclinada para baixo e, por alguns segundos, ele a está ninando enquanto eles dançam.

Eu não posso me lembrar de ter visto nada parecido na minha vida. É uma atuação, um número, mas não é um número. É um momento privado, aceito por 70.000 pessoas. A dança é curta, sensual e angustiantemente terna. Ele então escapa dela e é ajudado a subir para o nível logo abaixo do palco e lá ele encontra outra garota, e dança com ela do mesmo jeito. Tudo isso enquando a percussão e a hipnótica guitarra continuam implacavelmente, liricamente, com o público agitando os braços para trás e para a frente, como parte do ritual. O vocalista então retorna para o palco e, ainda derramando suor, continua a canção. Sua voz não tem nada de especial. É instável e, vez por outra, falha. Mas ela é irresistível, assim como ele é irresistível. Existe alguma coisa na seriedade dele que me cativou.

Astroso do rock podem parecem e ser sérios, mas normalmente é com respeito a eles mesmos, ou à versão inflada deles mesmos. Nenhum de nós, que enfrentamos 100.000 pessoas, ouvindo nossa voz (e banda) amplificada, modificada, ecoada e suavizada como veludo cósmico, pode escapar de certas ilusões engradecidas sobre nós mesmos. Mas esse rapaz irlandês está envolto em algo mais do que mania de grandeza.

Temos que admitir, seu ego está intacto, e ele é um showman magnífico, mas existe algo mais acontecendo. E eu gostaria de saber o que é. Que eu gostaria de ser envolvida pelos braços dele, como a garota inglesa, não há dúvida. Mas se o meu instinto está certo, existe algo que nos previne de flertar com ele. Algo maior do que ele ou eu, ou nós dois juntos, ou nossa música junto. Algo a ver com política, crianças, frescor e pioneirismo. E amor.

De todas as horas do Live Aid que eu assisti ao final do dia, o ponto alto foi testemunhar a mágica do U2. Eles me emocionaram como nada mais me emocionou. Eles me tocaram com sua novidade, sua juventude e sua ternura.

Eu termino com a cerveja morna de alguém… e fecho meus olhos. Eu vejo o pequeno mapa de cabelos grudados no rosto juvenil, imaculado, do vocalista irlandês do U2.”

MT

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Comentários

Nossa! A descrição é tão intensa que me senti como se estivesse diante deles também. É muito emocionante realmente.

Uaaaauuu!!! Arrepiei!!! Simplesmente perfeita essa descrição!!! Acho que o Bono tem um magnetismo fora do comum!!!

Nossa..isso foi uma descriçao muito intensa, incrivel!!

É, isso é o Bono e o U2! Alguém duvidava que eles poderiam despertar esse tipo de sentimento em alguém!?sorriso

Realmente é magnífico, somente Joan Baez é capaz de narrar. Espetacular!

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