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7 janeiro 2012 12:20

por: Márcio Guariba

Não só de Fan Sites vive o conhecimento sobre U2 aqui no Brasil. Muito menos de notícias que as vezes lembram a revista “Caras”. Há muita gente publicando material para enriquecer o nosso conhecimento sobre a banda e sobre o que realmente importa; A música!

O blog “Sombras e Árvos Altas” (http://sombrasearvoresaltas.blogspot.com/) vem já há algum tempo publicando um vasto material sobre a banda e sempre de primeira linha.

Nessa série de posts, publicados essa semana, eles montaram uma matéria sobre os bastidores da gravação do vídeo de “Numb”, em 1993, baseando-se no livro “U2 At The End Of The World”, de Bill Flannagan, baseados nas séries de traduções publicadas no fórum da Ultraviolet. Imperdível!

1993, Berlim:Quando Adam e Larry chegam para as filmagens de Numb no estúdio cinematográfico em Spandau – um grande galpão na verdade – Edge já estava trabalhando por cinco horas. Ele estava sentado em um banquinho com uma camiseta sem mangas com três garotas bastante sexys no chão, em volta dele, como na capa do álbum ‘Electric Ladyland’.
“Trabalho difícil, Edge ?” pergunta Larry.

Um pequeno e claustrofóbico curral havia sido montado em volta de Edge no centro de uma enorme área da fábrica, com telas por todo lado e holofotes quentes no topo. Uma turma de modelos alemães – garotos e garotas – ficavam em volta olhando, bochechas para dentro e existencialmente entediados. A função deles era se mover aleatoriamente, fora de foco, construindo a cena com um vago ar de niilismo desinteressado. Parecia como se representassem eles mesmos. Estes garotos pareciam como se tivessem sido tirados de um seminário não-graduado de Satre.

O diretor Kevin Godley esta no meio de uma orientação à uma garotinha, de mais ou menos cinco anos, de como bater no peito de Edge. “Mais forte ! Bata forte !” ele diz à ela.
Larry dá um passo a frente: “Eu faço isso!”.“Entre na fila”, vem a voz de Maurice Linname, por detrás do câmera.

O operador de áudio toca “Numb” e Edge começa a dublar as palavras, lendo-as de um grande quadro debaixo da câmera. Ele recitou-as de um caderno quando ele fez o disco e ele nunca teve que memorizar toda aquela ladainha. Sua intensa atenção, sem piscar, tentando não estragar a letra da música, é ajudada pela ilusão de que ele esta assistindo uma tela de TV, desatento a todos os estímulos a sua volta.

Em sua deixa, Maurice se curva e sopra fumaça no rosto de Edge. Então, Andrea Groves, um dos cantores do Stereo MC’s, surge do chão e massageia seus ombros. Duas modelos alemãs vestidas como peruas se curvam e enfiam suas línguas na orelha dele. Uma colher de sorvete é enfiada em sua boca. A pequena garota bate no peito dele. Maurice aparece por trás dele, enrola uma comprida corda sobre sua cabeça e começa a amarrar sua cara. Edge desata a rir e tudo pára.

Há uma pausa instrumental no meio da canção e eles decidiram que é uma boa idéia que o Edge saia de cena durante este intervalo. A decisão é menos estética e mais prática; isto significa que Godley pode filmar duas sequências de dois minutos cada ao invés de uma sequência de quatro minutos. Dada a quantidade de tempo que eles tem para completar este clipe – um dia – e a quantidade de diferentes ações que tem que ser coordenadas (vinte e quatro) e a chance do Edge falhar na dublagem na cadenciada sequência da letra da música, isto é uma grande benção. Mas como tirar Edge da cena?

O diretor tem uma inspiração. Ele pede à um assistente para jogar um monte de almofadas no chão, atrás de Edge. Então ele pede a Larry para vir e colocar sua mão na cara do Edge e empurrá-lo direto para trás, banquinho e tudo mais. Larry diz, legal! Edge diz “Não deveríamos tentar isso com alguém dispensável?”

Eles fazem uma tentativa. Larry vem e firmemente agarra o rosto de Edge com a mão e joga ele para trás, ambos os pés para cima, no ar, como em um desenho animado. Todo mundo ri e aplaude. Mas olhando o resultado na tela de vídeo o diretor, relutantemente, conclui que isto é muito engraçado – a queda de bunda no chão mata o ar de ‘entorpecimento’.
Godley sugere que talvez deveria ser Bono que venha e vende Edge com a corda.
“Bono”? diz Edge com ironia. “Bono vai amarrar cordas em volta de meu pescoço ? Espere um minuto aí…”

Maurice diz que este enrolar é só para o ensaio. Na filmagem de fato será usado arame farpado.
Denis Sheehan está em um canto gritando no walk-talkie que Morleigh, a dançarina da dança do ventre, tinha sido avisada para estar de prontidão para esta filmagem hoje e que agora ninguém a estava encontrando. Bill Flanagan manteve para ele que tinha visto Morleigh deixando o hotel cinco horas antes. Ela disse que ela tinha sido vagamente avisada que talvez precisassem dela para o vídeo, mas ela aguardou sentada em seu quarto a manhã toda e não ouviu nada então ela estava saindo para ver Berlim. Diferentemente de praticamente todos na turnê, Morleigh não espera pelos caprichos dos reis. Ela tem sua própria companhia de dança. Ela é uma profissional. Se há um chamado ela estará lá, pronta para o trabalho, mas se ninguém lembrar de chamá-la, ela irá cuidar de seu próprios negócios. Por sorte não haverá a necessidade de Maurice colocar uma armadura no peito e substituí-la. Com seu usual dom mágico para encontrar mulheres, Bono entra calmamente, um minuto depois com Morleigh no reboque. Ele estava olhando pela janela do carro no caminho por Berlim, a viu e chamou-a para entrar no carro e irem ver como iam as coisas nas filmagens de ‘Numb’. Denis Sheehan parece igualmente aliviado por vê-la aqui e também exasperado pela puro acaso de como ela acabou chegando….

As duas modelos de língua, com seus enormes seios apertados em busties pretos estão praticando o corte das tiras das mangas da camiseta do Edge com tesouras. A cada vez que elas o fazem, um assistente corre e conserta a camiseta com fita adesiva. Adam faz sua parte e sopra fumaça no rosto de Edge. Como a queda para trás foi descartada, Larry tenta empurrar Edge de lado, para fora do quadro. Funciona.

Todo o balé esta tomando forma agora. A coisa mais engraçada é assistir dezena de pessoas diferentes como figurantes, se agrupando, agachando e se curvando para ficar fora do cena quando não estão fazendo sua parte. Todos tem que estar à aproximadamente um braço distante de Edge de forma que eles podem aparecer no quadro e lamber, bater, vir com a colher, ou empurrar, e isto requer bastante destreza nos passos para evitar colisões entre um e outro à medida que acontece o vai e vem. Um assistente movimenta uma tira de cartão preto à frente da luz que vem por detrás de Edge, refletindo a luz no rosto de Edge para criar o efeito de uma luz de tela de TV cintilando em seu rosto.

Finalmente eles filmam toda a primeira sequência. Ela começa com um pingar de uma torneira sincronizada com a batida de introdução mecânica de ‘Numb’. Assim que a guitarra começa, a câmera se move para baixo atingindo a cabeça de um Edge passivo. Ele olha para a câmera deprimido e em mono-tom “Don’t move, don’t talk out of time, don’t think, don’t worry, everything’s just fine…” enquanto fora da câmera um auxiliar balança o cano e a torneira e a tira de cena. Adam se abaixa e sopra fumaça no rosto de Edge. As mãos de Andrea deslizam sobre seus ombros e o massageiam. Dedos empurram as bochechas de Edge. As duas modelos passam suas línguas pelas bochechas de Edge (“Mais língua !” grita o diretor. “Agora morda sua orelha! Mais forte! Lamba seu rosto!”), uma colher de sorvete é enfiada em sua boca, a garotinha bate em seu peito, as duas modelos cortam sua camiseta, Adam enrola a corda de varal em volta do seu rosto, Larry aparece no canto direito e canta “I feel numb”, Bono aparece no canto esquerdo e canta sua parte imitando uma cantora gorda, Larry empurra Edge de lado enquanto Bono se afasta, para fora do caminho.

Depois de algumas passagens, o diretor anuncia que a primeira metade do clipe está pronta. Uma longa pausa será feita e enquanto eles comem, a banda e Godley tentam finalizar o que será a segunda sequência.

Uma longa pausa é feita e enquanto eles comem, a banda e Godley tentam finalizar o que será a segunda sequência. O diretor lê a lista de opções: “Você quer as pernas de Morleigh em volta de seu pescoço ou o pé dela na sua cara?”. Bono, Adam e Larry dizem juntos, “Pé na cara!”
Edge: “eu prefiro as pernas em volta de meu pescoço.”
Godley diz que se Edge realmente quer, eles podem fazê-lo sem filme na câmera.
Bono diz que seria legal se quando o solo terminar, Larry aparecesse e colocasse sua cara na frente do Edge como se estivesse checando o que estava passando na TV imaginária, mas isto cria um problema, “Como a gente se livra de Larry?”
Godley repete a questão, “Bem, como a gente se livra do Larry?”
Larry diz, “Normalmente você usa o gerente para fazer isso.”
Guggi, cuja esposa é alemã, chega a tempo para o jantar. Godley aceita que eles não vão poder usar os dois extras que ele importou para esta filmagem. Ele aponta para uma grande mala de vôo. Ao abrir, aparecem duas enormes jibóias. Guggi chega perto e puxa para fora uma das cobras, acariciando-a. Isto os leva, Guggi e o U2, a divagar sobre sua antiga cobra em Dublin e quando ela escapou e se enrolou em volta do seu companheiro de quarto.

Bono pergunta para Bill Flanagan se ele viu “Into the West”, um filme escrito por Jim Sheridan sobre dois garotos que cresceram em Dublin. Ele viu. “Guggi e eu crescemos em casas atrás daqueles prédios”, diz Bono. “Aqueles eram as ‘Seven Towers’ (Sete Torres) de ‘Running To Stand Still’. Este filme não exagera. Havia garotos brincando montados em cavalos, cavalos dentro dos elevadores”Larry pergunta à Guggi como um dos seus vizinhos está e Guggi diz que nada bem, ele acabou de cumprir pena por assassinato e o corpo do seu irmão foi pescado do canal. Ele está tendo uma maré de azar. “Mas, é claro, ele era uma das vinte e duas crianças.” O U2 segue em frente para recontar com grande alegria uma vez que convidaram um astro do cinema que eles conheciam e que estava em Dublin, para ir com eles à um casamento, onde o ator acabou bebendo e tendo bons momentos com uns deliquentes. Dois deles se uniram e fizeram planos para sair durante o final de semana. A banda se perguntou quantos problemas a estrela de Hollywood acabaria tento antes que ele percebesse que estava na companhia de um cara mal que você não encontra nos roteiros dos filmes.

De volta ao estúdio, Edge volta para a sua cadeira enquanto Morleigh e Andrea sobem nas mesas, uma de cada lado dele, e esfregam seus pés descalços por todo rosto do Edge. Edge, com seus olhos fechados, está gostando muito disso. Larry não aguenta, tira seus sapatos, e coloca a sua meia cheirosa no rosto do Edge. O diretor incentiva Morleigh a tentar colocar o seu dedinho no nariz do Edge.
Bono, assumindo uma certa prerrogativa de diretor, anda por volta do estúdio fazendo sugestões e vetando idéia como Cecila B. DeMille. Um homem entra com um poodle na sala; Bono manda ele voltar. Bill sussurra pra ele que seria engraçado se alguém tirasse a sempre presente touca do Edge – e ele tivesse outra por baixo. Os olhos do Bono se iluminaram e ele segue em frente e sussurra a idéia para o Godley, que acha graça. Eles chamam o Edge, que grava isso tão rapidamente quanto um pato devagar no primeiro dia da temporada de caça. Edge continua com a sua touca.

A coreografia continua: Ian Brown, produtor escocês do Godley, é escolhido para gentilmente acariciar a nuca do Edge com a sua grande e forte mão. Morleigh, com a sua costumeira dança do ventre, se esquiva sob a câmera e entrão se levante, rebolando em frente ao Edge, e gira indo embora. Um dos cinegrafistas fica atento e tira uma foto do Edge, então dois adolescentes correm e fazem o mesmo.

Com a segunda sequência já bem trabalhada, eles apenas precisam de um final. Isso se apresenta quando o Paul McGuinness surge com alguns amigos com os quais ele havia acabado de jantar. O U2 insiste que o vídeo deve acabar com o Paul se aproximando do Edge, e falando perto do seu ouvido, “Tenho alguém que gostaria que você conhecesse.”

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