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19 maio 2011 08:41

por: Márcio Guariba

Especial “U2:Show” – Parte 4

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A seguir comento alguns trechos do artigo do Joe O´Herlihy, originalmente engenheiro de som e depois diretor de áudio das turnês, esse sim o mais antigo colaborador da banda, fora o próprio Paul McGuinness. 

Aí vão trechos que achei interessantes no depoimento do Joe O´Herlihy, irlandês de Cork que é responsável pelo som nos shows do U2 desde 1979, ou seja, deles que eles eram um bando de piás mal saidos dos cueiros, ou traduzindo, uma baby band, que é como o Paul McGuinness se refere a eles no princípio.

O artigo tem bastante informação técnica, que vou deixar de lado, até porque eu mesma não entendo nada disso. Inclusive pode ser que algo soe estranho nessa minha tradução, então peço desculpas a quem é músico aqui no fórum, se usei a terminologia errada.

Mas há também outras coisas legais, como por exemplo, o comportamente tipicamente punk do Bono, quebrando tudo nos primeiros shows, uma grande surpresa, vejam só:


(O’Herlily, com Gavin Friday ao fundo)

Continuando então com o depoimento do Joe O´Herlihy, diretor de áudio dos shows do U2, no livro U2 Show, agora falando sobre os desafios que foram a Zoo TV e PopMart, no seu campo de atuação:

As idéias de produção da Zoo TV foram resultado direto da influência recebida enquanto eles trabalharamem Berlim. Quando você está no estágio de pré-produção da turnê, o departamento de áudio é sempre olhado como o “primo pobre”. Isso não era particularmente prazeroso, porque eu sentia que a banda havia conquistado sua reputação e credibilidade pela ótima qualidade de som, nos dez anos que se passaram. Eu tinha muito orgulho disso. Era óbvio que eu teria que lutar pelo meu espaço dessa vez. O design de palco da Zoo TV proporcionou certamente o melhor show de rock multimídia de todos os tempos, e é algo pra se ter orgulho. A forma como a Zoo TV foi construída andou lado a lado com o design do sistema de som da turnê. Nós tínhamos que fazer as coisas de forma diferente para alcançar os melhores resultados possíveis, por causa da enorme diferença na qualidade de aúdio que se verificava na transição do som do álbum (Achtung Baby) para as performances ao vivo das novas músicas, da perspectiva do áudio. Reproduzir o novo som do U2 foi provavelmente o obstáculo mais difícil que já enfrentamos.”

 (Zoo TV Tour, 1992)

O design do palco da PopMart novamente ameaçou a integridade do departamento de som. Depois de termos feito o impossível na Zoo TV, eu achei que as lições que aprendemos iriam ser postas à mesa para discussão na PopMart. Não foi bem assim. Eu tive enormes dificuldades com a PopMart, porque eu recebi o design do sistema de som já pronto e definido, e tive que achar formas de complementá-lo. Eu sentei com Roy e Troy Clair, e Greg Hall, da Clair Brothers Audio (empresa responsável pelos equipamentos de som utilizados pelo U2 desde a War Tour até hoje) e disse: “Okay, esse é o design do sistema de som com o qual teremos que lidar (afetuosamente chamado de Abóbora Cor de Laranja) e, como eu terei que mixar o show numa configuração mono, vou precisar de mais caixas de som. Eu quero desenvolver um jeito esperto e inteligente de complementar esse sistema de som.” O pessoal da Clair Brothers abraçou a idéia de forma muito positiva. Eu acho que conseguimos o melhor resultado possível, em circunstâncias terríveis. A pior qualidade de som em todo o estádio era justamente onde o pedestal do microfone do Bono ficava, bem debaixo da Abóbora. Nesses meus mais de 20 anos de relacionamento com o Bono, ele passou o tempo todo na frente do meu sistema de som, mas na PopMart ele corria para as laterais do palco só pra fugir daquele péssimo local em termos de som, e então começou “Oh, tem um visual legal aqui na lateral do palco, e além disso eu posso ouvir e cantar muito melhor do que lá no meio.” Foi um enorme desafio. Eu o enfrentei, e fiz as coisas funcionarem da melhor forma possível, mas nunca atingiu a condição ideal, de jeito nenhum.”



(PopMart, 1997)

Bom, na sequência ele fala bastante sobre a Elevation Tour, e sobre como as coisas evoluiram nesse mundo da sonorização de shows e estádios, porém são questões mais técnicas que eu teria dificuldade em traduzir, e talvez não fosse tão interessante pra quem não é do meio. Vou direto então pro último trecho do artigo:

Pra mim, o sentimento mais incrível é quando você olha em volta e, de onde eu estou, você se sente enlevado só por ver a felicidade pura que se transporta do palco para os rostos das pessoas. Eles vão a um show e são levados para um lugar pra onde ninguém mais consegue levá-los. É um sentimento baseado na adrenalina, que a banda passa. Eu não dou as coisas por certo, e me sinto abençoado por estar na posição em que estou. Eu amo o que faço porque gosto do envolvimento com prazer, da emoção, e do desafio de tudo isso. Ver o público sair depois do show com um sorriso de orelha a orelha, encharcados de suor, e dizendo “Foi demais!” – isso explica tudo pra mim. Me dá energia pra voltar a cada dia. Meu relacionamento com a banda floresceu através dos anos. Tenho sido um apaixonado pelo rock´n´roll por toda a minha vida e, numa mistura de sorte cega, trabalho duro e talento de primeira (deles e meu) eu pude assistir e ser parte no nascimento e crescimento da melhor banda de rock do mundo. Eu os vi evoluirem de jovens garotos a artistas sérios, de foras-da-lei “The Dalton Bros” a líderes mundiais, e por todo esse tempo eu tive o melhor lugar no estádio. É por isso que eu faço o que faço.”

Comentários

adorei! Se houver alguma menção estrita sobre o som do The Edge, adoraria ler! Equipamentos que ele usa, amplificadores, acho legal!

Me parece que o texto que mandei para o Márcio ficou truncado. Faltou essa parte aqui, bem no começo, onde o Joe conta sobre sua primeira experiência com o U2, e também sobre o somdo Edge:

“Em setembro de 1978, no Arcade Ballroom, em Cork, o U2 era a quinta banda a se apresentar, num típico show colegial. Isso foi no final da era punk, onde todas as bandas, como parte da sua performance, quebravam tudo o que eles conseguiam por as mãos: microfones, caixas de som, amplificadores, guitarras, bateriais, etc. Eu tenho lembranças arrepiantes da minha primeira experiência com o U2, onde tudo acabou destruido. Paul McGuinness, com uma mão cobrindo seu rosto, se dirigiu a mim na mesa de som e disse “Oops!” e eu disse “Bem, espero que toda essa merda funcione novamente amanhã à noite”. Houve uma época em que o Bono fazia o melhor que podia pra arrebentar cada peça de equipamento que eu tinha; ele dizia que isso era parte do show, e que eu tinha que superar isso, e assim eu fiz. Eu e minha equipe tratamos a banda excepcionalmente bem, e eu acho que Paul se deu conta e respeitava isso, porque em praticamente todos os shows depois daquele eles usaram a minha empresa de sonorização.”

“Edge estava experimentando com ecos e vários graus em termos de técnica com a guitarra, e era definitivamente único. Você podia ver que, enquanto Bono tinha o seu apelo, Edge, nesse contexto, era o cara que fazia o grupo acontecer. Ele era muito inovador, criativo, e tinha um som muito diferente da maioria das outras bandas da época. Era com o Edge que eu me sentia mais confortável, porque nós entendíamos o que o outro dizia, tecnicamente falando. Bono era mais inclinado a olhar as coisas em luzes diferentes, provavelmente de um modo mais estético, ambicioso e criativo. Bono tinha a visão e a arte, Edge tinha o som único e o estilo. Desde o começo, falava-se muito sobre a seção rítmica da banda, particularmente o som de bateria do U2. O som da seção rítmica, da cozinha, é a base da banda. Tudo o que fiz no começo foi construido tendo a bateria e baixo como a fundação sólida, um grande som em cima do qual eu podia colocar níveis de guitarra e os vocais.”

MT

Na verdade faltou mais um trecho ainda, este aqui:

Outra coisa legal que ele conta é o seguinte, que aconteceu durante a Joshua Tree Tour:

“Quando terminamos a parte indoors da turnê em Hampton, Virginia, em 12 de dezembro, nós tivemos que atravessar o país até o Sun Devil Stadium, em Tempe, Arizona, onde nós filmamos ambos os shows de 19 e 20 de dezembro, para a parte do filme (Rattle and Hum) que se passavaem estádios. Mas antes disso, eu tinha uma consulta em Dublin em 16 de dezembro, porque minha esposa Marian estava para dar a luz ao nosso quarto filho. A banda arranjou tudo para que eu voasse de Concorde de volta pra Dublin para estar presente no parto, esperando que eu estivesse de volta a tempo para os dois shows. Enquanto esperava no aeroporto JFK, eu liguei pra casa pra saber como Marian estava, e ela me disse que era melhor eu me apressar. Nós tínhamos três filhos, mas eu nunca estive presente na hora em que eles nasceram porque estava sempre longe, trabalhando. Cheguei a Londres, e liguei pra casa, e quando Claire, a irmã da Marian, atendeu, eu vi que estavaem apuros. Ela me disse que Marian já estava no hospital e que o nenê era esperado para logo. Me senti enjoado, com medo de que, tendo viajado meio mundo, estivesse tão perto e ao mesmo tempo tão longe, e não havia nada que eu pudesse fazer. Voei pra Dublin e cheguei lá às 9:30h da noite. Corri pro hospital e cheguei às 10:05h, e nossa bela filha Louise nasceu nos meus braços às 10:26h. Consegui chegar ao hospital em 20 min. Eu tenho tido algumas experiências incríveis em minha carreira, trabalhando para essa banda, mas aquela noite foi o ponto alto da minha vida até agora. O Concorde me levou de volta para New York, voei para Phoenix e cheguei bem a tempo para as filmagens do último show em estádios da Joshua Tree Tour, e dessa forma terminamos um ano fantástico: 1987.”

MT

mt legal, obrigada!! Esse Joe é o mais fácil de ser reconhecido, com aquela barba, hehehe! Eu li em vários lugares que o tal do amplificador da VOX AC30 é tipo indispensável nos shows, até onde entendo é por onde o The Edge tira a maioria dos seus efeitos.. em fotos da pra ver que tem um microfone no amplificador, de onde concluo que o microfone leva o som do AC30 para mesa de mixagem e de lá o som vai para os amplificadores gigantes que ficam em cima do palco.. deve ser isso, né?
http://en.wikipedia.org/wiki/Vox_AC30

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