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Bono

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26 abril 2011 10:08

por: Márcio Guariba

/// Zooropa; “Be All That You Can Be” ///

Sabe quando tudo dá tão certo que você fica totalmente sem medo de arriscar? As coisas funcionam, o dinheiro está entrando, mas, ao invés de guardá-lo, você resolve enfiar ainda mais o pé na jaca. Esticar a tolerância das pessoas que confiam em você ao limite.

Depois de terem simplesmente se reinventado num nível que só David Bowie havia conseguido de maneira bem sucedida antes, o U2 ia mais além; “Zooropa” não é um disco, é um manifesto. Uma declaração de independência criativa em favor da arte.

A idéia nasceu durante a perna americana da “ZOO TV tour” em 1992. Pensaram “Hey, estamos passando por uma fase criativa tão interessante, porque não tentamos gravar algumas músicas e lançá-las num EP, para dar uma energia á mais para a próxima parte da turnê?”. Então, entrou Bono e sua megalomania; “EP? Quatro músicas? Fuck! Vamos fazer um álbum!”.

Daí, tudo o que eles tinham guardado, foi revisitado; Sobras do álbum anterior, como “Down All The Days” (transformada em “Numb”); canções escritas para outros artistas, como “Stay”, “The First Time” (Originalmente chamada “Prodigal Son”) e “The Wanderer” (outra que mudou de nome, “Ellis Island”) feitas para Sinatra, Al Green e Johnny Cash, respectivamente; Soundchecks, como “Zooropa”, que nada mais é que duas músicas coladas em uma só, e “Dirty Day”, feita durante as passagens de som da turne.

O conceito do disco era descrever o mundo mudando através da tecnologia. Tudo era revisitado sob o ponto de vista das conseqüências dessas mudanças. E o fato de ter sido gravado entre vôos após os shows e folgas, refletiu no clima errático do disco. Ele foi pouco mexido, o que o definiu como um produto de um momento. Uma polaróide de uma fase. E isso o torna tão especial.

Ele é conexo, porém, dissonante. Temático, porém, solto… Uma obra de arte.

Já na abertura, somos apresentados á um U2 novo; Como seria a banda de arena do futuro. “Zooropa”, a canção tema, é uma fusão de duas idéias. No começo, sapos eletrônicos introduzem um clima sombrio… A guitarra de Edge entra épica. A batida, militar. Slogans publicitários são sussurrados por Bono. Tudo se encaixa perfeitamente; No futuro, seremos as marcas que consumimos. Compraremos os slogans e eles serão a personalidade que queremos ter. Isso em 1993!!!

No meio, a música muda… Um loop e entramos na visão desse futuro. Um homem crente perdendo sua crença; “I Have No Religion… I Have No Map… I Have No Reasons to Get Back…”. Pesado. Arrebatador. Um hino que só não é mais importante hoje, porque a banda ainda tenta ser popular. Ouso á dizer que o Radiohead de “OK Computer” está muito nessa música.

Depois da assombração de um futuro apocalíptico (e real…), ou um pesadelo num sono inquieto, temos um outro lado. “Babyface” é doce, mas nada recatada. Um homem fazendo amor com uma imagem na televisão. Sexo via satélite e com controle remoto. Lembre-se; MSN’s e cameras embutidas ainda não eram moda.

Ai, temos “Numb”.

O que é aquilo? Sim. Foi o primeiro single…

Imaginem a reação de todos na época. Tá certo que todos já estavam mais acostumados com o ‘novo U2’, principalmente depois dos primeiros shows da ‘ZOO TV’, mas aquilo era outro planeta.

Edge é um homem que se transformou num escravo da televisão. Já fala (canta) como um robô, hipnotizado pelas imagens de uma TV ligada 24 horas por dia. Já não faz nada mais de sua vida, e não precisa. As músicas vão se conectando de maneira impressionante…
Na quarta faixa, “Lemon”, saímos um pouco do tema “homem escravo da tecnologia” e vamos para o tema “Homem auto-indulgente”. A música em sí já é um hino á tecnologia do futuro; A reciclagem. É cíclica, repetitiva. As texturas são usadas sempre em favor da voz de Bono, cantada ‘in character’ como ele gosta de dizer. Cheia de falsetes, ora versando sobre a visão mais antiga de sua mãe, vestida com um vestido cor de limão, enquanto Edge, novamente como um robô saído de “2001 : Uma odisséia no espaço”, vangloria o homem pelos seus feitos.

O Lado A (é geração “All That You Can’t Leave Behind”, na época, até isso tinha de ser pensado…), fecha com a melhor canção do disco; “Stay”. Apesar de ser a única música que quase virou um hit, não é esse o motivo de ela ser a melhor. Sua melancolia, seu tema, seu clipe… Uma obra de arte pura. Até Bono a acha a melhor canção que escreveu.

Como foi usada na trilha sonora do filme “Tão Longe, Tão Perto”, de Wim Wenders, acabou se conectando com a história. Pra quem não sabe, essa é a continuação de “Asas do Desejo”, que ficou mais famoso por ter sido refilmado nos Estados Unidos como “Cidade dos Anjos”. Para os românticos de plantão, no filme original, o anjo abre mão de sua divindade para viver ao lado de sua amada humana. Porém, ela morre. Na continuação, ela agora é o anjo dele…

Apesar de escapar um pouco do tema, temos aqui uma frase que sintetiza a melancolia da facilidade. “With satellite television… You can go anywhere…”. Um velho rabugento reclamando da modernidade desses tempos modernos…

O ‘Lado B’ é o recomeço do pesadelo. Mais uma vez ‘in character’, “Daddy’s Gonna Pay For your Crashed Car” é um blues eletrônico. Dançante. A juventude ‘ecstasy’ sendo descrita num hino anti-pista de danças. A música alcançou seu ápice na parte final da turne, a “Zoomerang”, onde foi interpretáda por Mr. MacPhisto.

Some Days Are Better Than Others” versa sobre a confusão do final do milênio. Crise dos trinta. Não saber onde se está. Não saber o que querer. Como ser tão simples e tão genial. Linha de baixo matadora de Adam.

No final, temos a trilogia “Father and Son”. “The First Time”, que originalmente era um soul, ganhou cordas, violão e piano e se tornou um hino etéreo da relação entre Pai e filho. Bono cantando como nunca.

Dirty Day” é onde o filho trai o Pai pela carne. A raiva na redenção. No futuro, não queremos mais ser protegidos por um Deus que permita coisas absurdas acontecerem.”You’re looking for explanations, I don’t even understand… If you need someone to blame, throw a rock in the air you’ll hit someone guilty…“From father to son”

Uma carta aberta dizendo que no futuro, não haverá mais Deus no coração dos homens.

Será?

Em “The Wanderer”, cantada por Johnny Cash no disco (imaginem isso… Quem tem essa coragem hoje? Nem eles mesmos!), vemos esse homem, agora mais velho, perambulando pelo mundo, buscando novamente sentido em tudo. Deus, afinal… “I went out walking, With a bible and a gun… The word of God lay heavy on my heart, I was sure I was the one”.

E é isso. Começamos com um hino de danação e terminamos com um de redenção.

Fechamos a porta e a reabrimos. Nos afogamos na dor e vemos a luz.

Experiências transcendentais assim acontecem pouco numa vida.

Comentários

Eu me orgulho tanto desta fase do U2. Para mim, AB/Zooropa/POP (com o Passengers no meio de bônus) é o auge do U2. Não que antes também não tenha sido maravilhoso. E depois eles também fizeram muita coisa boa, mas esta coisa de arriscar e se reinventar e enfiar o pé na jaca pelo visto ficou para trás. Viva os anos 90!

Eu me orgulho tanto desta fase do U2. Para mim, AB/Zooropa/POP (com o Passengers no meio de bônus) é o auge do U2. Não que antes também não tenha sido maravilhoso. E depois eles também fizeram muita coisa boa, mas esta coisa de arriscar e se reinventar e enfiar o pé na jaca pelo visto ficou para trás. Viva os anos 90!

 a santíssima trindade (ab, zooropa, pop) como o ‘passangers’ no meio é o auge do u2 como banda, como músicos e como geradores de opinião. foste mesmo perfeita nesse teu comentário.

Juliana Guimarães

É impressionante ver o quão antenado com o mundo o U2 sempre esteve…. Sacou o que a tecnologia ia fazer das nossas vidas anos antes e conseguiu musicar essa visão. Eu concordo com a Carol sobre ser a melhor fase, mas não chego até o Pop…rs…. Fico com a dobradinha AB/Zooropa como maior obra prima das muitas que a banda já produziu. Adorei o texto!

Simplesmente ….Visionário!
Adorei o texto!

excelente artigo! Nunca tinha visto o zooropa sob esse ponto de vista, principalmente a análise sobre babyface e a parte father to son.. parabéns!!

Breve, em doses U2páticas, textos analizando “Achtung Baby”, “The Unforgettable Fire”, “No Line On The Horizon” e “Pop”… Em mais alguns dias, um texto especial sobre os clipes do U2 através das épocas. Valeu pelo comentários!

To com a Carol, muito orgulho desta fase de AB/Zooropa e Pop com Passengers no meio. Gostei desta frase : Começamos com um hino de danação e terminamos com um de redenção, resumiu muito o que eh o disco, terminar com Cash e com The Wanderer e aquela buzinha assustadora no final ( eu me assusto quando escuto no Ipod, fico surda ). Tem duas musicas deste album que marcaram dois filmes para mim que eh Stay que foi para filme do Win Wenders e fez aquela obra prima de clipe, e First Time no Million Dollar Hotel eh Win Wenders novamente, como fotografia espetacular, brilhante Tom Tom correndo para pulo no amanhecer de Los Angeles, coloca muito bem esta musica, fantastica.
Guariba, coloca aquele texto do Marcel Please que vc tem sobre zooropa.

Boa idéia drea… vou pegar e digitar aqui depois…

Acho que o grande U2 vem da coragem dessa fase: Faça o que quiser, desde que se faça.

Um som e uma atitude revolucionários.

Resenha impecável! Poucos conseguiriam expressar tão bem em palavras a experiência maravilhosa que é ouvir este disco, que é um dos meus favoritos. Tenho a mesma opinião da Mirror: esta foi, pra mim, a fase mais fértil do U2, gostaria de não ser tão jovem na época e poder ter sentido tudo isso simultaneamente… Meus parabéns!! sorriso

Thanks 😉

Juliana Guimarães

E quem imaginaria esse disco marcando presença com a faixa título na turnê 360º????? Simplesmente perfeito!

daddy's gonna pay for your crashed car

Belo artigo com riqueza de informações que desconhecia (como os nomes anteriores de canções como The First Time quando ainda não finalizadas). Eu sou sincero em dizer: Na época, como um pirralho de 15 anos apaixonado pelo grunge eu não podia absolutamente compreender o que o U2 pretendia com um The Edge monologando na tela “paralizado”, ainda mais que o que eu conhecia do U2 via irmãos mais velhos era War, Boy, The Joshua Tree, Ratlle And Hum….não compreendendo aquilo, eu meio que fazia coro com o sanfoneiro “Zeniltom” na ínicio da canção “Puteiro Em João Pessoa” dos Raimundos: “ô menino, pará cim isso menino, eu quero é Rock! Fazer o quê, antes tarde do que nunca, hoje Zooropa é meu disco favoritíssimo e ainda volto mentalmente para o show ddo dia 13/04 com a tela de Led descendo……Zooropaaaaaaa!

daddy’s gonna pay for your crashed car http://www.ultraviolet-u2.com/comentarios/273/

Belo artigo com riqueza de informações que desconhecia (como os nomes anteriores de canções como The First Time quando ainda não finalizadas). Eu sou sincero em dizer: Na época, como um pirralho de 15 anos apaixonado pelo grunge eu não podia absolutamente compreender o que o U2 pretendia com um The Edge monologando na tela “paralizado”, ainda mais que o que eu conhecia do U2 via irmãos mais velhos era War, Boy, The Joshua Tree, Ratlle And Hum….não compreendendo aquilo, eu meio que fazia coro com o sanfoneiro “Zeniltom” na ínicio da canção “Puteiro Em João Pessoa” dos Raimundos: “ô menino, pará cim isso menino, eu quero é Rock! Fazer o quê, antes tarde do que nunca, hoje Zooropa é meu disco favoritíssimo e ainda volto mentalmente para o show ddo dia 13/04 com a tela de Led descendo……Zooropaaaaaaa!

Se você quiser saber mais sobre a construção do disco (de onde eu tirei essas informações), elas estão no “U2 by U2”, também conhecido como ‘A Bíblia’, rss… abraço!

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Belo artigo com riqueza de informações que desconhecia (como os nomes anteriores de canções como The First Time quando ainda não finalizadas). Eu sou sincero em dizer: Na época, como um pirralho de 15 anos apaixonado pelo grunge eu não podia absolutamente compreender o que o U2 pretendia com um The Edge monologando na tela “paralizado”, ainda mais que o que eu conhecia do U2 via irmãos mais velhos era War, Boy, The Joshua Tree, Ratlle And Hum….não compreendendo aquilo, eu meio que fazia coro com o sanfoneiro “Zeniltom” na ínicio da canção “Puteiro Em João Pessoa” dos Raimundos: “ô menino, pará cim isso menino, eu quero é Rock! Fazer o quê, antes tarde do que nunca, hoje Zooropa é meu disco favoritíssimo e ainda volto mentalmente para o show ddo dia 13/04 com a tela de Led descendo……Zooropaaaaaaa!

Se você quiser saber mais sobre a construção do disco (de onde eu tirei essas informações), elas estão no “U2 by U2”, também conhecido como ‘A Bíblia’, rss… abraço!

Bah Márcio, valeu mesmo. tenho que ler mais a Bíblia, hehehehe. Abraço!

adoro ‘zooropa’. aliás, adoro tudo o que o u2 fez na década de 90. de longe a década mais produtiva, ousada e visionária da banda.

Amei saber um pouco mais sobre esse album! nem sabia que existia U2 na época em que ele foi lançado, mas… mostrando a língua Amo demais!!!!

Excelente análise Márcio, parabéns mais uma vez. Zooropa é um dos álbuns que mais revisito, só perde para o Pop e The Unforgettable Fire. Gosto de ouvi-lo no meu velho vinil original.
Quando Zooropa foi lançado, em julho de 1993, eu estava no final da gravidez da minha filha (ela nasceu pouco depois, em setembro). Lembro de sentir um click, uma sintonia com esse álbum, na época. Eu me sentia meio fora do mundo real na maior parte do tempo, meio aérea, voltada pra dentro, pro meu mundo interior (talvez consequência da pressão arterial mais baixa que experimentei nas minhas duas gestações) e Zooropa e sua atmosfera surreal caiu como uma luva pra mim. Era só o que eu ouvia. Não sei se por coincidência ou por osmose sonora (hahaha) minha filha até hoje gosta de Lemon.
MT

Excelente análise Márcio, parabéns mais uma vez. Zooropa é um dos álbuns que mais revisito, só perde para o Pop e The Unforgettable Fire. Gosto de ouvi-lo no meu velho vinil original.
Quando Zooropa foi lançado, em julho de 1993, eu estava no final da gravidez da minha filha (ela nasceu pouco depois, em setembro). Lembro de sentir um click, uma sintonia com esse álbum, na época. Eu me sentia meio fora do mundo real na maior parte do tempo, meio aérea, voltada pra dentro, pro meu mundo interior (talvez consequência da pressão arterial mais baixa que experimentei nas minhas duas gestações) e Zooropa e sua atmosfera surreal caiu como uma luva pra mim. Era só o que eu ouvia. Não sei se por coincidência ou por osmose sonora (hahaha) minha filha até hoje gosta de Lemon.
MT

Rss… “Zooropa” foi o primeiro disco que eu fiquei ansioso, juntando dinheiro pra comprar. Lembro que na meia-noite do lançamento, a rádio transamérica de SP tocou inteiro, e eu fiquei ouvindo rádio baixinho e gravando…

Ainda é o meu disco preferido 😉

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