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5 agosto 2002 09:47

por: Mirrorball

PEDRO ALEXANDRE SANCHES

da Folha de S.Paulo

A gravadora Universal inicia mais um capítulo de seu projeto de recuperação de acervo, agora com a “Série Estréia”. A idéia é trazer de volta, em CD, o primeiro álbum de artistas de variadas tendências e calibres.

Em primeira fornada, são 15 títulos nacionais e 15 estrangeiros, com desvantagem de efeito surpresa e qualidade para os gringos.

O front nacional relança alguns títulos já insistentemente relançados (embora sempre caiam fora do catálogo pouco tempo depois), como as estréias de Mutantes, Tim Maia e Luiz Melodia. Mas reserva várias surpresas.

Há, por exemplo, a esquecida estréia de Nana Caymmi, interpretando canções do pai Dorival como “Acalanto”. Está nesse disco a maior derrapada da coleção: o LP saiu em 1963, não 67, como um dos primeiros lançamentos do mítico selo Elenco, de Aloysio de Oliveira, que por aquela época apresentava também novos artistas como Nara Leão.

Ganham o formato CD pela primeira vez também os primeiros passos do engajado/regionalista Taiguara (em 65), a estréia precoce da então bossa-novista Joyce (68), a alvorada não plenamente instrumental de Egberto Gismonti (69), o primeiro e tardio álbum do pós-tropicalista Jorge Mautner (72) e o notável LP de estréia do Quinteto Violado (72).

Irregulares, os anos 80 apresentam três estréias. Começam com “Olhar Brasileiro” (81), em que Eduardo Dusek (revelado com a sarcástica “Nostradamus”, presente no disco) faz um inventário apimentado de gêneros como samba-canção, tango e “roque”.

Passam pela fraca estréia solo, em 82, de Zé Renato (do Boca Livre), que nos anos 90 conquistaria status de intérprete requintado. Termina no disco excêntrico do excêntrico Asdrubal Trouxe o Trombone.

Em alguns volumes (mas não em todos), fortalece-se o hábito de incluir faixas-bônus não lançadas originalmente em LP e por isso até aqui completamente perdidas. É o que acontece nos CDs de Taiguara, Quinteto Violado (dois frevos cantados por Nara Leão) e Mautner. Bacana.

Gringos

Com rico catálogo internacional à disposição, a Universal preferiu o comercialismo fácil de nomes que costumam atrair filas de brasileiros, como Cat Stevens, Steppenwolf, Elton John, Joe Cocker, Rod Stewart, Dire Straits, U2, Tears for Fears, Bon Jovi.

Se Elton John, Rod Stewart e U2 aparecem em episódios de real boa forma, a parte internacional da coleção vale mesmo é pelos parcos títulos que dificilmente ganhariam edição nacional em outras circunstâncias -os dos grupos Cream e Steely Dan, standards de rock classudo dos anos 60 e 70, respectivamente.

Mais como curiosidade do que estréia real, há, enfim, uma coletânea de gravações dos Beatles, ainda como acompanhantes do cantor inglês Tony Sheridan.

Entre erros e acertos, a “Série Estréia” se destaca no mercado atual não só pelos títulos de qualidade, mas por escapar do formato obscurantista das coletâneas que infestavam as lojas.

Aqui há capas originais, encartes, datas, faixas-bônus. Devagarzinho, a indústria vai voltando a entender que dinheiro pode ser cultura.

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